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História Colors - Capítulo 7


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Notas do Autor


Oi.
O capítulo ta simples, mas eu gostei muito da forma que ele ficou, ta muito do meu agrado.
Espero que gostem.

Capítulo 7 - Capítulo Sete


Eu não consigo pensar em mais nada com as palavras dele, tudo começou a fazer sentido em minha cabeça e eu não consigo parar de pensar em como eu fui tão tola todo esse tempo, me negando a perceber o que estava óbvio bem na minha frente. O mundo está completamente parado para mim, congelado e imerso na escuridão desse elevador, nem a proximidade dele me afeta, ouço apenas o meu coração bater em descompasso e minha respiração alta, acompanhada e mesclada com a respiração dele. Antes mesmo que eu consiga tomar as rédeas de meu corpo novamente, a luz se acende e o elevador volta a se mover, mas Leonard ainda se mantém bem próximo a mim, nossos rostos quase colados. Solto um longo suspiro antes de empurrá-lo e sem pensar no que minhas ações podem me causar, viro um tapa estalado no rosto dele que vira com tamanho impacto.

— Você ficou maluca? — ele grunhe entre dentes, acariciando sua face onde eu bati. — Com quem acha que está lidando?!

Eu não o respondo e saio às pressas assim que as portas do elevador se abrem, eu apenas quero manter distância dele, não me importa a mínima as ameaças que ele me faça ou quem ele seja. Eu fui uma tola em aceitar trabalhar diretamente para ele, agora está bem claro o porquê dele ter me chamado para assumir esse cargo, ele apenas queria me manter perto. Perto o suficiente para finalmente conseguir adentrar entre minhas pernas e ter o que não conseguiu naquele maldito elevador. Começo a chorar com meu nervosismo e nem percebo que estou praticamente correndo no meio das pessoas, atrás de mim ouço Leonard me chamar e parece irado, mas eu quero que ele e essa empresa de merda se explodam. Talvez eu me arrependa mais tarde por pensar essas coisas, por agir dessa maneira, mas estou tão brava com ele e mais ainda comigo mesma. Até já consigo ver o escândalo nas revistas e jornais, ele vai querer me demitir ainda mais depois das notícias.

Sinto meu braço ser agarrado e ele me vira para si, me mantendo próxima e eu me seguro para não fazer um escândalo, já havia pessoas o suficiente nos olhando e já teria muito assunto para os sites, ser a “mulher surtada que ataca CEO” não está em meus planos para hoje.

— Qual o seu problema? Por que me bateu? — ele pergunta bravo e eu puxo meu braço, soltando-o de sua mão. — Vai dar uma de muda agora?

— Vai se ferrar, Vargas! Você sabe muito bem porque eu te bati. — enxugo meu rosto e cruzo os braços na frente de meus seios, tentando retomar minha postura. — Agora ficou tudo muito bem esclarecido pra mim, o porquê de você querer tanto que eu trabalhasse contigo.

Ele soltou uma risada baixa e balançou a cabeça, passando a mão por suas madeixas, deixando-as rebeldes. Faço força para desviar a atenção de meus pensamentos desse pequeno gesto. Eu estou brava. Não, brava não, furiosa!

— Então esse é o problema? — ele suspira. — Acha que te pedi para ser minha assistente só porque quero te comer?

Olho para ele incrédula com suas palavras, temendo que alguém tenha nos escutado, mas as pessoas passam por nossa volta nos ignorando completamente. Quase suspiro de alívio por isso, mas logo volto minha atenção para minha conversa com Leonard.

— Então você confirma? — solto uma risada seca e balanço a cabeça.

— É claro que não. — ele olha para os lados, parece aflito, com medo de alguma coisa, provavelmente dos fofoqueiros de plantão. — Venha comigo até minha casa. Vamos conversar com calma para resolver esse mal entendido, podemos jantar enquanto isso.

— E quem me garante que você não vai tentar alguma coisa? Não confio em você depois de hoje.

— Te dou minha palavra de que não vai passar apenas de uma conversa, quero esclarecer tudo, não quero que fique pensando absurdos sobre mim.

Ele só poderia estar brincando comigo, me falando essas coisas, mas a realidade é que me sinto um pouco mais calma, toda raiva já começou a se esvair de meu corpo e começo a achar que não é tanto uma má ideia. Eu posso receber as respostas que tanto quero e ainda ter a chance de manter o meu emprego, muito embora eu esteja acreditando que será uma má ideia continuar trabalhando com ele depois dessa revelação. Eu praticamente me atraquei com o meu chefe dentro do elevador, nossa relação profissional vai se tornar muito difícil para mim. Como se já não fosse, né tolinha? Solto um suspiro ignorando a vozinha desdenhosa em minha cabeça e volto meu olhar para senhor Vargas.

— Tudo bem, uma conversa. — resolvo ceder. — E só aceito porque vamos jantar, em casa não tenho nada pronto.

Quando percebo o que acabei de falar e para quem, já é tarde demais. Ele solta uma risada baixa e faz a menção de querer enlaçar minha cintura com seu braço, mas me afasto e começo a andar na frente dele, em direção à sua BMW, onde Andrés nos espera pacientemente.

— Boa noite, Andrés. — o cumprimento antes de entrar no veículo, acompanhada por Leonard.

— Senhorita.

[...]

 

O caminho até o apartamento de senhor Vargas foi quase em completo silêncio, exceto por poucas palavras que trocamos, o clima estava bem tenso entre nós dois, mas também havia uma forte eletricidade nos puxando um para o outro. É inútil eu dizer que não foi nada, sendo que os suspiros e a mão nervosa dele foram bem sugestivos, eu não era a única a sentir e a estar afetada. É até estranho pensar que eu afeto o meu chefe dessa maneira, que de certa forma eu o excito; minha autoestima sobe num nível extremo ao pensar que sou o tipo de mulher que atrai a atenção de um homem como ele. Mas óbvio, eu me sentir bem comigo mesma, não significa que eu ainda não esteja brava com ele por ter ocultado de mim que foi com ele minha pequena aventura no elevador e outra que o grande "interesse" dele no meu trabalho, era apenas pra me fazer abrir as pernas pra ele. Pelo menos é isso que eu acredito.

Eu fiquei deslumbrada com o edifício onde ele mora, tão luxuoso por fora e por dentro mais ainda, o apartamento dele é fascinante, com uma decoração luxuosa e minimalista, com cores claras e detalhes em cores escuras. Sério e misterioso como ele.

— Vinho? — ele se sentou ao meu lado no sofá, segurando duas taças e uma garrafa de vinho.

— Por favor. — peguei de sua mão as duas taças, ajudando-o.

Eu tenho plena consciência do que apenas uma taça de bebida pode me causar, aquela cena no elevador era a prova disso, eu nunca fiz um bom par com bebidas. Mas se vou conversar com ele, preciso de coragem para fazer isso e coragem é algo que tenho muita com algumas taças de bebida.

— O jantar deve ficar pronto daqui a pouco, Olga vem nos avisar. — ele colocou a garrafa de vinho sobre a mesa de centro e pegou uma taça de minhas mãos. — Então, qual o problema?

— Quais os problemas, você quis dizer não é? — bebo um gole do vinho em minha taça e solto um pequeno som de deleite ao sentir o líquido doce em meus lábios. É delicioso! 

— Você me entendeu, Castillo.

Ele brinca com a taça entre os dedos e por um pequeno instante me pego imaginando a maestria desses dedos fazendo outras coisas. Foco, Violetta!

— Vamos por partes. — o encaro por alguns segundos. — Primeiro de tudo, você teve um pequeno momento de intimidade comigo naquele elevador enquanto eu estava, claramente, um pouco alterada e ainda escondeu de mim que aquilo foi com você. — ele abre a boca para me interromper, mas ergo meu dedo indicador sinalizando que ainda não terminei. — Segundo: dias após esse ocorrido você me vem com a proposta de eu me tornar sua assistente, sem ter nenhum tipo de contato profissional comigo antes. O que quer que eu pense sabendo disso tudo? Para mim está mais do que claro as suas intenções em me ter como sua assistente e isso é repugnante!

— Terminou? — ele ergue a sobrancelha, claramente tirando sarro da minha cara.

— Não, ainda tem mais. A mim não importa se você é um CEO importante, o papa ou um deus; não vai rolar nada além de uma relação estritamente profissional entre nós.

Fico surpresa por estar mantendo a calma por tanto tempo, fosse outra pessoa ou outro momento, eu claramente estaria gritando e apontando o dedo na cara dele. Eu realmente estou levando nossa conversa muito à sério. Mais ainda o meu emprego.

— Meu Deus, como você fala! — ele resmunga caçoando de mim e ergo a sobrancelha, me segurando para não acertar outro tapa bem dado nele. — Pois bem, Castillo, vamos aos esclarecimentos. — ele toma um gole de seu vinho, enquanto que com a mão livre acaricia seu queixo com a barba por fazer. — Primeiro que sim, você estava claramente alterada, mas tinha plena consciência dos seus atos naquela noite, se bem me lembro. — ele sorri com malícia e reviro meus olhos. — E outra que eu não ocultei nada de você, deixei tudo muito claro ainda, mas você que não ligou as peças e não olhou para mim àquela noite.

— Vai jogar a culpa pra cima de mim? — pergunto incrédula. Mas é óbvio, você é a culpada de ser tão lerda e não ter olhado pra ele, nem de ter percebido os sinais claros! Bufo.

— Você tem grande culpa nesse cartório também, não a jogue toda para mim. — ele resmunga. — Agora vamos ao que realmente me interessa nessa conversa; eu não te propus ser minha assistente porque quero entrar na sua calcinha, Violetta. Não sou baixo a esse nível, por favor, né? — ele revira os olhos e passa as mãos pelas madeixas, suspirando. — Eu te propus o emprego porque suas habilidades trabalhando com Diego me surpreenderam e seu desempenho, comparado com os de seus colegas, foi de muito rendimento para a empresa, sem contar na sua personalidade forte e seu jeito de lidar com as coisas. Eu estava precisando de alguém assim para trabalhar comigo, apenas veio a calhar ser justo você essa pessoa.

— Tem certeza? Não está dizendo isso apenas para me amolecer e conseguir o que tanto deseja?

— Ah por favor, Castillo! — ele bufou revirando os olhos.

É óbvio que eu estou apenas tirando uma com a cara dele, quero deixá-lo irritado e frustrado, apenas dando um pequeno troco pelo que ele me fez passar. Mas eu consigo ver a verdade em tudo que ele me falou, ele não desviou os olhos dos meus nem por um segundo e neles eu pude ver sua sinceridade, a inocência dele nesse "julgamento". Eu fiz muito mal em bater nele, de fato eu tenho muita culpa nesse cartório, se não toda ela. Eu fui desatenta, evitei enxergar o óbvio à minha frente por medo de me enganar, mas me enganei ao olhar para o outro lado, tentando buscar respostas que nunca existiriam.

Solto um suspiro passando a mão livre por meu rosto, sentindo-me culpada e envergonhada.

— Me desculpa, senhor Var… — ele me interrompe.

— Você pode me chamar apenas de León. — ele ri — Senhor Vargas soa muito velho pra mim.

— Tudo bem… León. — dou um sorriso de canto. — Me desculpa pelo tapa, não soube como reagir.

— Não se preocupe, tem sorte por eu não levar tudo para o lado profissional. Você ainda tem seu emprego.

Solto um suspiro aliviada e o ouço dar uma risada, é só então, mais tranquila, que paro para observar ele mais atentamente. Ele parece outra pessoa fora do escritório; bem mais novo, relaxado e normal. Usando uma camisa branca e calça de moletom, pés descalços enquanto sentado no sofá, tomando um bom vinho e rindo à toa. Ele é apenas ele, o jovem Leonard Vargas, um homem normal aproveitando o final do dia em sua casa. Me permito dar um sorriso pensando nisso.

— Eu te juro que realmente pagaria para saber o que você tanto pensa. — sussurra me olhando com curiosidade.

— Olha que essa curiosidade pode sair cara.

— Eu posso arcar com o prejuízo.

Nós rimos e ali, junto dele, eu senti como se estivesse na presença de um amigo e não do multimilionário que era meu chefe. Toda a tensão que tinha entre nós, se esvaiu e sumiu por completo, deixando apenas um clima gostosinho de brincadeiras e risadas.

 


Notas Finais


Os próximos capítulos devem demorar, não tenho nada mais pronto e ainda tenho que me dedicar em terminar Amnésia.
Espero que entendam e que tenham gostado do capítulo de hoje.


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