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História Colors - Capítulo 2


Escrita por: e morukko


Capítulo 2 - .two; compulsive bomber


Caso alguém, durante alguma conversação qualquer, perguntasse para Blanche sobre a possibilidade de opostos se atraírem, provavelmente responderia com um simples e enorme "Sei lá, cara." do fundo do seu peito, possivelmente seguido por um "Foda-se mano, quem acredita nisso ainda?". 

A coisa é que; não acredita que opostos se atraem, acha um conceito infantil e ingênuo, mas, no fundo, não desacredita completamente; afinal, nunca se apaixonou para saber. Acha que pode, sim, acontecer — Mas não com ela. Considerando o modo de como odeia pessoas que vivem outra realidade diferente da dela, nunca rolaria. 



 

Seu dia acordou como a maioria deles acordava em sua casa; Agoniado e alto, literalmente ─ Seu despertador estava quebrado, então acordou tarde para a aula pelos latidos dos cachorros barulhentos de seu vizinho. Queria poder gritar com o velho para que desse comida para os animais ou algo assim (isso adiantaria? não fazia ideia. sua impressão era que, caso os cães recebessem carinho, ficariam quietinhos), mas, coitado, era um vizinho legal. 

Levantou sem pressa apesar do horário e se vestiu com a primeira roupa que viu em seu armário, pondo uma enorme jaqueta por cima mesmo que não estivesse fazendo frio. Prendeu os cabelos para não ter que arrumá-los e pegou a caixa de cigarros que mantinha escondida de seus pais em sua gaveta, em seguida descendo as escadas enquanto murmurava uma música qualquer. Ignorando a fome que sentia, pegou apenas uma maçã da cesta de frutas para comer pelo caminho, planejando que poderia fazer algum nerd caridoso dar comida para ela na escola depois. — Seus pais já haviam saído para trabalhar e agora estava sozinha, como era de costume (o que fazia sentido, afinal, nunca deixariam-na acordar atrasada caso estivessem em casa). Até pensou em faltar a aula e dizer que havia ficado para vigiar a casa, mas sabia que não iria colar (até porque, pensou, quem iria querer roubar aquela casinha?). 

Indo sem pressa alguma com a mochila surrada nas costas, pegou o ônibus para o ponto mais próximo ao da Academia e andou por todo o resto do percurso, já que não tinha dinheiro para pagar pelo ônibus escolar. 

Teve sorte de não chegar lá suada, mas estava bem atrasada. Ao ponto de que não havia praticamente ninguém no corredor. E aí, seu cérebro começou a bolar um plano de escape: Já que ninguém a veria, não teria problema algum em faltar aula, é claro. 

Tentando não fazer muito barulho, foi até o fundo do estacionamento do colégio, logo atrás dos carros dos professores, local onde vários estudantes se reuniam para fazer coisas ilícitas, e se sentou junto de alguns adolescentes que estavam ali. Não conhecia nenhum deles mas eles definitivamente conheciam ela, já que se afastaram imediatamente de onde ela havia sentado. Típico. 

Suspirou fundo e pegou de sua mochila um cigarro e seu celular, que já estava com a tela totalmente rachada. Começou a checar suas mensagens e entrar em cada aplicativo de rede social que tinha sem preocupação, e até checou o Magister Gossip (não tinha ninguém olhando então tudo bem), quando de repente ouviu passos vindo em sua direção.

"Ah, merda." 

Um homem muito bem vestido, cabelos vermelhos e de cara fechada praticamente correu para cima de Blanche, conhecendo bem o professor Isaac já se preparava psicologicamente para o que viria a seguir.

— Senhorita, sabe que horas são?! 

Escondeu o cigarro no bolso de sua jaqueta antes que o professor pudesse ver, não precisava de mais um problema.

— Sei tio, eu tenho relógio no meu celular. 

— Então deve saber que está atrasada, e ainda matando aula! Venha para a diretoria agora. 

 Suspirou e seguiu-o até lá, que não parava por um segundo de resmungar sobre como ela só causava problemas, sobre como seus pais eram muito liberais, etc. Coisas que Blanche já havia ouvido um milhão de vezes em sua vida. 

─ Você de novo? ─ O diretor Rhodoss murmurou quando a viu abrir a porta sem questão de forçar gentileza. Blanche fez questão de sorrir e cruzar os braços; aquilo já havia se tornado rotina, mas ainda odiava demais aquele velho. Quem ele pensava que era para tratar os alunos e professores daquele jeito?

─ Senhor, está garota estava faltando aula no fundo da escola de novo! 

“Eu faço isso todos os dias,” Blanche pensou em falar. “Mas obrigada por só ter percebido agora.”

Rhodoss massageou suas têmporas e, com uma voz firme, proclamou:

─ Detenção de quatro horas após a aula! Não podemos admitir uma estudante que não leva nossa prestigiada escola a sério, então se houver mais uma reclamação, entraremos em contato com seus pais!

─ Mas eu tenho trabalho depois da escola! ─ Tentou contestar, se levantando da cadeira onde estava sentada.

─ Não me interessa! Isto é para você aprender.

Blanche resmungou um palavrão e saiu da sala com pressa, enquanto o professor praticamente gritava para que ela voltasse. O que faria agora? Quem eles pensavam que eram? 

Na raiva, chutou uma lata de lixo que estava à sua frente enquanto andava, sem se preocupar com as consequências disso. Não gostava da escola, mesmo.

— Tome cuidado!

Blanche revirou os olhos com tanta força quando viu quem era que jurou que eles iriam ficar presos na parte de trás de sua cabeça. Porque Catalina estava em sua frente, e ugh, a observando com um olhar de repreensão.

Catalina Phersan era a típica patricinha, para piorar a maior nerd que ela conhece, igual ou quem sabe pior que os outros alunos de Magister, e isso significa bastante. Não acha que um dia viu essa garota fazendo algo que não fosse estudar, sabia que era de uma família rica de advogados conhecidos na cidade inteira. Ela sempre anda por aí com seu boletim perfeito e um ar de superioridade, achando que é boa demais para se relacionar com meros mortais. O tipo de garota que pensa que se um dia ela parar, o mundo para junto.

Catalina era a garota que Blanche ou implicaria sem piedade ou evitaria como se fosse a praga.

E em sua defesa, a patricinha parece pensar a mesma coisa dela. 

— O que foi, eu estraguei sua roupa de grife? 

— Isso é um corredor não um ringue de luta. Você não pode ficar derrubando propriedade da escola. — Disse Catalina, levando aquilo a sério demais para o gosto de Blanche.

— É só uma lata de lixo, não é como se você fosse morrer por causa disso.

A de cabelos azuis parou por um tempo como se estivesse pensando em continuar, por fim ela revirou os olhos.

— Você é um perigo para a saúde dos estudantes Lewis. 

E Blanche não segurou a risada ao ver Catalina indo embora.


 

 

No intervalo, ela costumava pegar o lanche e sair do refeitório. A essa hora o campo de futebol estava vazio e ela poderia se sentar nas arquibancadas e comer tranquilamente sem um professor gritando no seu ouvido. 

— Blanche! 

Ela se virou se viu Daewron e Cirilla acenando, o garoto mais animado e a menina um pouco mais contida. Blanche sorriu. Não demorou muito para que os três estivessem observando o campo vazio nas arquibancadas comendo sanduíches de pasta de amendoim e suco de uva.

— Hey, é hoje que você vai conversar sobre aquelas aulas de reforço não é? — Daewron perguntou.

Blanche soltou um grunhido cansado. Esqueceu completamente disso.

— Sim, que saco. 

— Pensa que pode ser bom, assim suas notas melhoram um pouquinho…— Cirilla argumentou.

Ela não sabe como conseguiu fazer amizade com esses dois, sério, quando ela conheceu Daewron o achou burro, porque diferente das outras crianças ele não tinha medo quando ela entrava em uma briga ou tirava uma com a cara do professor Isaac ou de Nagini.

Foi quando Daewron tentou pulou de uma árvore para a outra e caiu no chão, cuspindo o seu último dente de leite, que Blanche começou a considerar ele um cara legal.

Cirilla foi mais fácil e em contrapartida mais estranho, porque Daewron tinha e tem o costume de fazer amizade com literalmente todo mundo. Então quando ele trouxe a garota dizendo que ela iria lanchar com eles hoje, as coisas fluíram naturalmente.

— Sobre as aulas...Você sabe quem vai te ensinar?

— Qual é, não me lembra disso, eu não sei. Nem quero saber na real. Não é como se eu fosse prestar atenção na aula.

— Mas seria bom! Até o Daewron está tirando notas melhores que as suas! 

— É verdade! — O garoto ficou em silêncio por um tempo. — Ei! Isso não é legal Ciri!

As duas riram, Daewron fez uma bolinha de papel com o guardanapo que veio junto com seu sanduíche e arremessou na lata de lixo, passando bem longe do alvo.

— Isso foi horrível. — Blanche disse.

— Por isso jogo futebol. — O garoto ajeitou a jaqueta da equipe. — Vocês vem ver meu jogo na quinta não é? 

Magister era uma escola rica, tanto que eles tem dois espaços para os dois times modelo deles, futebol e basquete. Ela às vezes vem ver os jogos, porque são a única coisa de interessante nessa escola. Seus pais disseram que seria bom se ela fizesse algum esporte. 

Essa ideia não era possível, ficar em um time com todos aqueles riquinhos metidos a besta era pedir para que um desastre acontecesse.

— Temos escolha? — Blanche brincou, Daewron reclamou se sentando novamente. — Se vocês perderem essa coisa eu…

— Você ganha seus 20 doláres, eu sei. Desse jeito você me deixa chateado Blanche, eu não sou o Quarterback incrível e além do mais o seu amigo?

— Parem de apostar um com o outro, desse jeito me sinto em um Cassino de apostas humanas e apenas o nome já é perturbador o suficiente.

— Cirilla, eu imploro para que você pare de ver esses documentários de true crime, estão mexendo com a sua cabeça e honestamente me deixando assustada.

Os assuntos continuaram e no final do intervalo, Blanche mal se lembrava de que tinha uma detenção no final do dia, não se lembrava das aulas de tutoria também.

 


 

Blanche abriu o armário dela para pegar os livros do próximo período, se não ia conseguir matar a aula então o mínimo que poderia fazer é ao menos carregar o material para a sala. — Ela pegou o livro errado, porém, como dito antes, não vai prestar atenção mesmo. Em sua imaginação ela ganhou pontos por ao menos pensar em tentar. — Foi então que assim que se virou para sair quase esbarrou com dos professores.

E se fosse qualquer outro ela gritaria e receberia de volta mais gritos, depois murmúrios sobre como ela é  mal educada. Mas professor Lerich era diferente, ele era o único professor que sorria ao ver ela. O homem terminava de tentar colocar seus papéis lotados de anotações dentro de sua pasta, o motivo de sua distração.

— Blanche, você veio hoje! — Exclamou o professor.

— Sim...E aí? Eu tava indo para a sua sala agora.

— Ora, me acompanhe então.

Eles caminharam um do lado do outro, Blanche colocou as mãos no bolso, os corredores daquele lugar eram gigantescos, por que escolas de gente rica precisam ser tão grandes? Salas, diretoria, biblioteca e uma quadra não são o suficiente? É tão fácil se perder nesse lugar, isso a deixa ainda mais irritada.

— James me falou que você entrou no programa de tutoria, isso é muito bom. — Comentou Lerich.

— É...Eu acho. Não sei se elas vão ser de grande ajuda.

— Se você não acredita que elas não vão funcionar então elas nunca vão dar certo.

— Isso é bem poético para você professor.

— Talvez porque não seja uma frase minha. — Lerich riu baixo. — Um colega me emprestou um livro de filosofia, agora estou tentando repetir as frases para ver se consigo inspirar os alunos, se sente inspirada?

— Nem um pouco. — Blanche deu de ombros. 

— Oh...Neste caso preciso ler um pouco mais!

Blanche riu , conseguindo ver a sala de aula que os dois iriam entrar agora. Se sentindo desanimada de repente, sim Lerich é legal mas isso não anula o fato de que biologia é tedioso e ela preferia dormir ao ouvir sobre a evolução dos seres humanos.

— Aliás, ouvi dizer que sua professora de reforço vai ser Catalina Phersan, ela é uma boa aluna, tenho certeza que vão conseguir resolver a dificuldade da matérias juntas.

Blanche parou de andar, levantando a cabeça rápido e olhando para o professor com as sobrancelhas franzidas. Pensando que aquilo era uma piada, das ruins.

— Espera, o que?

Lerich tombou a cabeça para o lado.

— Huh...Você vai ter aulas com a Catalina, professor James me contou. Acho que ele quer falar com você sobre isso também.

Não era uma piada. Tantos nerds nesse colégio e ela vai cair junto com Phersan, durante todo o ano elas só trocaram palavras poucas vezes o bastante para Blanche ter a certeza absoluta de que Catalina é insuportável. Consegue visualizar a garota pensando sobre jogar um livro em sua direção por atrapalhar sua preciosa aula  e zombando dela. Agora ela vai ter que passar mais de uma hora presa na biblioteca escutando essa menina falar.

 Ela queria rir de raiva. 

— Espero que se divirta amanhã! Agora vamos.

O homem entrou na sala, sem muita opção ela entrou atrás dele praticamente se jogando na cadeira.

Isso não vai acabar bem, que merda.


Notas Finais


Olha só, é nossa delinquente favorita!!! Como será que essa aula vai ser hein? Espero que gostem!


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