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História Colors - Capítulo 5


Escrita por: forgracie

Notas do Autor


Oii, como estão?
Queria dizer que meu coração ficou quentinho com todos os comentários, o carinho de vocês é tão acolhedor, e eu só tenho a agradecer por tudo!
Assim como nossos protagonistas, vocês estão eternizados em minha memória! Obrigada, com muito amor ❤️❤️

Capítulo 5 - Don't You Worry Child


Fanfic / Fanfiction Colors - Capítulo 5 - Don't You Worry Child

O relógio de parede da cozinha grifava sete e vinte da noite, quando Hugo se agilizava de um lado para o outro, finalizando a arrumação da mesa para o jantar. Míguel soava próspero diante a correria do pai, sentado em uma das cadeiras em imensa despreocupação. Havia oferecido auxílio, mas o mesmo disse que não seria necessário, e que poderia continuar a leitura.

— O senhor tá cheirando à pimenta — aponta o menor, foleando o gibi preferido — Não vai sobrar tempo pra tomar um banho de novo?

— Tô fedendo? — surpreendeu-se, aspirando a própria peça de roupa. 

— Não, mas precisa se arrumar pra visita — frisou, rarefeito, enquanto balançava os dois pés erguidos, que não alcançavam o piso. Ele mantinha-se atento aos acontecimentos relatados nos quadrinhos. 

— E só eu? Você não? 

— Eu não, ela me vê assim todos os dias.

A campanhia ecoa, e Hugo atrapalha-se, derrubando parte dos tacos sob o forro da mesa. Fazia muito tempo desde a última vez em que socializou com alguém "de fora". Apesar de não externar, encontrava-se nervoso e com o coração batendo em intenso descompasso.

— Que foi, papito? — captou a ansiedade de seu criador — Tá com dor de barriga? 

Interligou a inquietude à disenteria pelos sinais que surgiam "inconfundíveis"; mãos pouco suadas, tremores, timbre afobado. 

— Pode atender? Acho que é a Alana — pediu, num fio de voz, reconhecendo a última vez em que fez a refeição com Míguel e uma mulher, Angeline. Há anos atrás. 

— Você vai, e eu cuido daqui — Míguel se levantou, buscando o restante dos pratos.

Haviam uma riqueza de comidas típicas do México, verdadeiras iguarias. Chilli com carne, Guacamole, queijo e Nachos, Pozole. O único empecilho, ainda não estavam prontos.

— A gente poderia ter feito Chicatanas pra ela — divertido, Míguel lembrou.

— Acho que sua professora não gostaria de comer formigas voadoras, se não tiver o costume ou ter provado antes.

— Você colocou muita pimenta no Chilli, vai arder a língua dela... — fitou-o, com as sobrancelhas arqueadas — Tá bem, vou atender a porta que a coitada deve estar esperando — finge não se importar, mas caminha saltitante até a porta — Já vai!

Detrás da mesma, vislumbra Alana Harris em uma aparência impecável. Os cabelos soltos, maquiagem sutil, e roupas sociais – além dos saltos altos e pontiagudos.

Não hesita em sorrir pra ela, em um aceno positivo, que faz o mesmo. Abaixa-se na altura do aluno, mantendo a bolsa presa aos ombros, e o abraça, dessa vez, suavemente. Míguel se apresenta relutante, entretanto não se afasta, recebendo o afeto. Ele agia como um peixe, escorregadio se pressionado. Sabia que as intenções dela não eram ruins para consigo, e como anteriormente tinha "caçoado", na presença de seu pai, Alana aparentemente não seria capaz de fazer mal nem à uma mosca.

— Você está encantador, meu pimentinha mais lindo! — pousa a mão ao ombro dele, lhe sorrindo leve. Míguel muda a fisionomia, agora severa e impiedosa. Tocou-lhe parte da ferida aberta, apesar de só fazer alusão ao povo mexicano. 

— Do que você me chamou? — ele, sem esboçar reação, olhou-a sem desviar o foco. Alana, de imediato, não havia entendido o motivo pelo qual ele mudara a postura, mas depois... Seu rosto se contraiu, em tamanha comoção. 

Não tinha a intenção de remetê-lo ao ocorrido. Seu coração despedaçou-se ao relembrar o bullying, a xenofobia por parte dos meninos – mesmo que seja algo ensinado pelos seus pais irresponsáveis –, e de todo o mal que aquilo lhe causou. O apelido, dito de forma pejorativa pelos outros, todavia, não por si, jamais faria isso.

— E-Eu não tive a intenção. Me desculpe, eu não sei onde estava com a cabeça...

— 'Tá, não me magoa quando você diz. Não parece um xingamento — Alana o vê coçar a nuca, fitando algo atrás de si.

O único pensamento que surgiu na mente da jovem dama; "o garoto é completamente imprevisível", mas capaz de emocioná-la, reiteradamente. 

— É porque não é, meu amor— os olhos dela se cobrem de lágrimas — Não se preocupe, criança, eu nunca te farei mal. 

— Eu não sou o seu amor, para com isso — ofendido, se zanga. 

— Está bem — Harris se rende à uma boa gargalhada, secando as gotas salgadas que nublavam seu campo de visão — Não está mais aqui quem te chamou de meu amor, okay? 

Ela repetiu, de propósito. Estimava vê-lo com aquele olhar repreensor, colérico, adotando a rigidez de um adulto, exatamente como naquele instante.

Na presença do garoto os papéis se invertiam, e era ela quem se sentia uma criança, considerando a personalidade enérgica que o mesmo possuía. Ele não parecia uma criança, não mesmo, por vezes um jovem muito responsável e inflexível. Um dos motivos pelos quais havia se encantado pelo pequeno estressado – ele era único, distinto aos outros. Alana cursou psicologia, mas deixou-a pela metade, passando a estudar letras, e de início via nele um paciente, gostaria de estudá-lo. Deveria saber que, posteriormente, se tornaria cativada pelo mesmo. 

— Você tá chorando? — estranha, piscando os olhos castanhos lentamente. 

— Não, não estou. É impressão sua — sorri mostrando os dentes, negando-se. 

— Tá frio demais pra ficar conversando na porta — ele se afastou dela, concedendo liberdade à ela — Entra. 

— Claro, obrigada. Onde está Hugo?

— Na cozinha, ainda não terminou o jantar.

— Oh, sim. Entendo. 

— E porque não vai lá? Eu te mostro o caminho. Talvez ele precise da ajuda de um adulto, né?

— Você acha?

— Só vai saber se perguntar.

— Quer um tempo sozinho?

— Eu quero pintar na sala. Com gente vendo eu não sou muito bom.

Riu novamente. Míguel era engraçado sem fazer nenhum esforço, e extremamente sincero, direto.

— Entendi o recado. Qualquer coisa você pode nos chamar.

— Não vai precisar, obrigado. Pode deixar a bolsa aí no cabideiro — sinalizou.

[...]

— Hugo? — clama, fitando-o de costas e avental branco na cintura. Ele arrepiou-se dos pés a cabeça quando ouvira a voz repentina, e girou os calcanhares, com uma colher de madeira em mãos — Desculpe, não quis te assustar — sorriu, meneando a cabeça.

— Pensei que não viria, Harris.

— Não poderia recusar, seria falta de educação — completou, admirada — Claro que não estou aqui por obrigação, agradeço o convite, e gostei muito.

— A ideia foi toda do Míguel, mas sabe que eu também gostei? — olhou-a no fundo dos olhos, embevecido. Ninguém nega que Alana é uma mulher muito bela, atraente como um ímã.

— Hã... Então, precisa de ajuda? — estipulou um fim às olhadas atrevidas, apenas teria de fazer com que o corpo obedecesse — O Míguel está pintando.

— Não, estou bem. E desculpe a demora, acabei mudando a receita.

— Sem problemas. Mas se você quiser eu ajudo, adoro aprender pratos novos.

— Você é visita — lhe sorriu, redobrando parte da atenção às panelas no fogo.

— Eu juro que não vou me incomodar — puxou uma das cadeiras, e se acomodou — Você gosta de cozinhar?

— Eu aprendi quando era adolescente. Ficava sozinho quando meus pais saíam, e não tínhamos empregadas. E você?

— Bem, eu não me garanto muito, mas eu gosto de me arriscar. Semana passada fiz um macarrão à bolonhesa.

— Deve ter ficado muito bom.

— Um dia eu cozinho pra você também — disse subitamente — E pro Míguel, claro. Ele é um amor de garoto.

— Ele falou muito sobre você.

— O que ele disse? Coisas boas?

— Claro. Quase a semana toda.

— Seu filho é muito gentil.

— Não com todo mundo, acredite. No início admito que estranhei essa aproximação de vocês, e os elogios repentinos, mas agora acho que entendo. 

— Uou. Foi um elogio? — surpreendida, por pouco não gaguejou.

— Entenda como quiser.

Míguel tinha que herdar o jeito misterioso de alguém, era idêntico ao do pai. Não eram parecidos apenas na aparência.

[...]

— Por que estão nervosos? — Míguel interrompeu o silêncio, causando o riso de Alana, que não sabia onde enfiar a cara de tanta vergonha eminente. Após o episódio na cozinha, acanhada, tentou agir normalmente, embora não havia distraído a consciência. O que exatamente ele queria dizer? 

Unidos à mesa, se empanturravam de comida mexicana e derivados. 

— Tinha visto sobre isso na novela — pontuou, abocanhando o garfo com a carne — Hum, adoro comer.

— Míguel, assunto delicado, não? — Hugo sorriu, lembrando-se do beijo técnico que o menor presenciou — Quer mesmo conversar sobre o que você viu?

— Não sei do que você tá falando — piscou convencido — E então, Alana, o que você faz da vida?

— Perdoe ele, é muito curioso.

— Tudo bem, Hugo, não me incomoda. Eu me formei em Letras, e sou professora de Inglês. Quando tinha tempo livre eu escrevia poemas também. Mas nunca fui muito boa nisso, sabe?

Míguel assentiu. 

— Eu sou só eu, continua, papai.

— Nada de muito interessante, eu era músico, atuava no México.

— Isso é muito interessante, na verdade. Disse que atuava, se afastou?

— Sim, muitas coisas me afastaram. Preferi o meu moleque — tocou a mão do pequeno, demonstrando amabilidade. 

— É, ele era demais. Eu falava pra todo mundo que tinha um pai artista.

[...]

Quebra De Tempo

Após terminar de lavar todos os pratos, secá-los e guardá-los – tarefa dividida entre os três –, Míguel chamou-os para seu quarto, onde pretendia se entreter. 

— Do que nós vamos brincar? — questionou Alana, seguindo-o. Em ordem crescente, do menor para o maior; Míguel, Alana, e Hugo, caminhavam perante à ausência de luz do corredor — Tem alguma ideia? 

— De bombeiro — se virou ele — Fiquem aí, que vou buscar os meus bonecos. 


Notas Finais


🤔


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