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História Com afeto, Frade António - Capítulo 5


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Capítulo 5 - O Funeral


Fanfic / Fanfiction Com afeto, Frade António - Capítulo 5 - O Funeral

Amanheceu, e todos os frades acordaram com o badalar dos sinos da capela.


Era hora do funeral.


Os guardas não se atreveram a denunciar o que tinha acontecido com eles na noite passada, pois nem eles sabiam ao certo explicar o ocorrido.


Armindo havia despertado um pouco antes. Logo que acordou, redigiu a carta para a universidade e a despachou. Teria uma resposta logo, já que o convento ficava na própria cidade de Coimbra (como sempre ocorre com os conventos), então simplesmente resolveu esperar.


Os frades tiraram o corpo da cripta e iniciou-se a cerimônia religiosa.


Muitas orações marcaram aquele funeral. Dadas as circunstâncias da morte, era normal que tivessem medo, e o Frade Superior não ajudava com sua hipótese de que o próprio demônio fora responsável pelo assassinato.


De cabeça cheia, Armindo aproveitou a ocasião para descansar um pouco após o frenesi de pensamentos que tivera antes.


O funeral levou aproximadamente uma hora, acompanhado de muitas orações temerosas por parte dos frades, especialmente os mais velhos, que soíam ser os mais supersticiosos e temerosos. O Frade Superior rezava em tamanho pânico que constituía uma cena até mesmo cômica.


Por fim, o corpo de António foi finalmente sepultado, e todos voltaram às suas atividades normais.


Passou se uma outra hora até que um papel rolou por debaixo da cela de Armindo. Era uma carta.


Armindo leu a epístola:


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Prezado Frade Armindo:


O professor Júlio Magalhães esteve presente por aqui alguns dias atrás para recolher alguns livros que esquecera. Partiu ontem em direção a Porto pela direção de Montemor-o-Velho.


Já não deve se encontrar nos limites do nosso Concelho, mas ainda está próximo.


Se desejar, redigiremos-lhe uma carta, solicitando sua presença no convento.


Atenciosamente:

                    Reitoria da Universidade de Coimbra

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Às pressas, redigiu e despachou uma outra carta para a reitoria, pedindo que escrevessem para Júlio com urgência.


Era sabido que Júlio não poderia aparecer ali do nada sem levantar suspeitas, então resolveu falar com o Frade Superior. Antes disso, porém, foi comunicar Francisco.


Ao chegar à cela de seu rival, Armindo foi recebido com um ar cauteloso.


— Sim?


— A Universidade de Coimbra me avisou que o professor Júlio partiu ontem, e se encontra em Montemor-o-Velho, pedi para que redigissem a ele o quanto antes solicitando sua presença aqui.


— E o que é que o Frade Superior vai pensar da visita de uma figura controversa de repente?


— Também por isso vim para cá. Precisamos falar com ele.


Francisco concordou e foram os dois procurar Guilhermo.


O supersticioso recebeu-os com pesar.


— Novamente os dois. É uma pena o que tenha acontecido, e ainda me arrepio ao pensar que Satanás possa ter realizado um atentado tão vil contra a nossa Igreja.


— Sim. É por isso que pensei que fosse bom receber algum especialista nessa área por aqui, para que possa expulsar qualquer tipo de demônio que possa estar escondido por essas bandas. — DIsse Armindo, fingindo crer na hipótese de seu superior.


— Faz sentido, eu redigirei uma carta para um exorcista da Santa Sé.


— Creio que não seja necessário. Temos o Frade Júlio, que faz exorcismos também e é especialista nessa área. — Sugeriu Francisco.


Ao ouvir o nome de Júlio, Guilhermo se arrepiou. Júlio Magalhães era o terror dos frades supersticiosos, já que tratava de assuntos como ocultismo e demonologia com assustadora naturalidade.


— Não sei se a presença deste professor aqui será uma boa ideia. Ele é...suspeito.


— Ora, senhor, é o homem mais próximo daqui que temos. — Respondeu Armindo.


— Ele não é bem visto por muitos, é uma figura envolta em segredos, alguns até dizem que é um infiltrado de Satanás!


Os dois frades se seguraram para não rir de tal superstição absurda.


— A Igreja não falha, senhor. Se fosse satânico, já teria sido exorcizado, e se fosse herege, excomungado. Nós dois concordamos que seria melhor trazê-lo para cá. Ele é um homem competente e não podemos correr o risco de outro atentado contra a vida de um dos nossos irmãos.


Sem muitos argumentos, Guilhermo concordou, relutante.


— Peça que venha, então.


Os dois frades concordaram alegremente e saíram.


Depois de algumas horas, ao anoitecer, Armindo recebeu outra carta:


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Prezado Frade Armindo:


O professor Júlio Magalhães recebeu nossa carta. Ele declarou que estará no seu convento o quanto antes.



Atenciosamente:

                    Reitoria da Universidade de Coimbra

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