História Com amor, Letícia - Capítulo 2


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Notas do Autor


Olá pessoal, nesse capítulo irei mostrar através da perspectiva de Fernando, nada mais nada menos do que como ele e Letícia se conheceram. Espero que gostem, pois escrevi com muito carinho!

Capítulo 2 - Lapsos de desejo


Fanfic / Fanfiction Com amor, Letícia - Capítulo 2 - Lapsos de desejo

Perspectiva de Fernando

Miami, quatro anos atrás...

“Eu não posso fazer isso”

Maldita hora que eu fui dar ouvidos ao idiota do meu melhor amigo. “É apenas uma escapadinha inocente, Nando, o que poderia dar errado?”, havia dito ele. Eu poderia ter dito pelo menos uma lista motivos para eu não ter saído do hotel naquela noite, mas a verdade é que, naquele momento pelo menos, eu tinha acabado de ter mais uma briga com meu pai pelo celular que mais uma vez me pressionava para assumir o noivado com Márcia. Eu estava simplesmente exausto de tudo sempre desabar em meus ombros então acabei aceitando o convite de Omar para fazermos o que meu amigo gosta de chamar de “escapulida”. Estávamos há dois dias em uma conferência em Miami, e iríamos ficar por lá por pelo menos mais duas semanas para fechar negócios com novas empresas Multifuncionais. Eu sabia que uma hora eu teria que acompanhar meu amigo que visivelmente não sabia cuidar de si mesmo, e por mais que eu passasse a maior parte do tempo me controlando para não esmurrar a cara daquele imbecil, Omar era como meu irmão. Podia fazer muita besteira, mas se tinha alguém com quem eu poderia contar, esse alguém era ele. O fato é que, naquela noite em especial, foi ele quem precisou contar comigo. Lembro-me como se fosse ontem daquela cena. Omar vindo em minha direção em passos firmes, segurando um saco de gelo no olho esquerdo.

“O que foi que aconteceu lá dentro Carvajal?” perguntei, tentando segurar a vontade de rir. Obviamente já tinha uma ideia do que provavelmente teria acontecido: o imbecil e sem noção do meu amigo, deve ter se engraçado com alguma mulher comprometida lá dentro, e o dito cujo foi tirar satisfação.

“Prefiro não comentar”, resmungou ele. Definitivamente Omar era alguém que não sabia lidar com o orgulho ferido, o que só tornou a situação ainda mais engraçada. Por algum motivo que eu ainda não sei, meu amigo, ao invés de aprender a lição resolveu mudar de estratégia aquela noite, se fazendo de coitado para as mulheres no local, e por mais que eu tivesse muita curiosidade de assistir aquela cena, decidi caminhar até o bar daquela casa noturna e encontrá-lo mais tarde. 

Foi lá que eu a conheci…

Eu já tinha ouvido falar que a vida noturna dos Estados Unidos, não era assim tão noturna. Não foi difícil encontrar a parte dos bares. O ambiente era bastante elegante, havendo uma música suave no ar. isso sem mencionar a grande variedade de bebidas - Desde muito jovem sempre fui um apreciador de vinhos, tanto que hoje gosto colecioná-los. Ao sentar próximo ao barman, fui surpreendido por uma série de xingamentos de uma mulher sentada dois bancos ao lado. Logo percebi que não tratava-se de uma nativa pelo seu sotaque latino.

“Ah, desculpa… Pensei que fosse aquele idiota insistente”, falou ela visivelmente envergonhada. Obviamente, eu sei que existem muitos “idiotas insistentes”, mas não nego que a primeira pessoa que surgiu em minha mente foi meu estimado melhor amigo.

“Meu Deus, então foi você que fez aquilo no Omar?”, as palavras saíram antes que eu pudesse refletir melhor sobre elas. Mas, felizmente, a tal garota não pareceu se importar com minha surpresa. Sua expressão estava mais para quem já estivesse acostumada com essa reação das pessoas, pois mesmo que a iluminação do local fosse mais baixa, dava para ver suas feições angelicais.

“Você é amigo daquele imbecil?”, questionou na defensiva.

“Infelizmente sou, mas confesso que perdi a conta de quantas vezes meus dedos coçaram para fazer isso, aliás que belo gancho de direita.”, Mesmo que ela estivesse desconfiada, pude perceber um sorriso de canto quando expressei minha frequente vontade de bater em Omar e que ela esforçava-se para esconder. De imediato, me senti à vontade com aquela garota do bar, talvez porque como eu pensava que nunca mais iria vê-la depois daquela noite, não senti medo de ser apenas o Fernando.

“Judô dos seis aos 16 anos e boxe dos 16 aos 24.” Definitivamente eu pensaria dez vezes em ter uma briga com essa mulher. Eu até já havia tentado praticar alguma arte marcial quando era moleque, mas após dois dentes e um braço quebrado você começa a pensar se aquilo realmente é a sua praia.

“Uau” falei desviando o olhar, para a dose de Whisky servida em minha frente.

"O que, uma garota não pode gostar de luta?”, falou em um tom de reprovação, porém mais ameno.

“Longe disso! to com uma mistura de inveja e admiração”, o fato dessa garota ter praticado por tanto tempo esportes como esses, que exigem muita disciplina e dedicação, me fizeram deduzir que eu estava diante de uma pessoa determinada e cheia de energia, e estas são, sem dúvida, qualidades que eu admiro muito em uma pessoa. A parte da inveja é devido ao fato de eu achar que minha pessoa não possuía tais atributos.

Sua postura de estar na defensiva havia mudado para uma outra mais aberta e com um toque de curiosidade. “Você não tem muita cara de quem gosta de artes marciais.” Não que ela estivesse totalmente errada, mas devido ao sutil tom irônico utilizado pela mesma, senti a necessidade de responder na mesma moeda.

“Ih… olha quem falando, né?” 

Dessa vez a tal estranha não conseguiu conter a risada, a qual era bem contagiante. - e muito atraente, ainda que eu não quisesse admitir para mim mesmo naquele momento - Conversamos por horas naquela noite. Fazia tanto tempo, que eu era somente aquilo que esperavam que eu fosse, que durante vários momentos de nossa conversa, percebi o quanto o sobrenome Mendiola estava me sufocando. Me dei conta de que eu não me conhecia de verdade. Tudo o que eu achava que sabia, na verdade não passava de uma idealização do que eu supostamente deveria ser. Diferente de mim, Letícia demonstrava ser completamente segura de si e de seus sonhos. Desde o primeiro instante percebi que estava diante de uma mulher que irradiava energia. Ela comentou sobre sua trajetória de vida e sobre como foi sofrido para sua família aceitar que para alcançar seus sonhos ela teria de dar voos mais altos. Naquela altura, já não estavamos mais no bar da casa noturna, e sim caminhando na beira da praia, como bons e velhos amigos. Nunca havia me dado tão bem com alguém assim tão rápido. Estar diante de uma pessoa autêntica, era uma raridade em meus usuais círculos de amizades.

“Você é uma pessoa bem divertida, Fernando.” Comentou amigavelmente.

“Obrigada. Eu sei disso.” brinquei enquanto ela respondeu com um revirar de olhos. “Só não sei dizer se gostei do tom de surpresa que eu detectei em sua voz.”

“Okay, okay… Eu admito. Nos primeiros minutos em que conversamos eu pensei que você era um imbecil como seu amigo, aliás peço desculpas pelo… Você sabe… Não é do meu normal sair esmurrando a o rosto dos caras que tentam dar em cima de mim… Ainda que ele tenha merecido o prêmio de inconveniência, eu agi mal.”

Mesmo que sua fala tivesse me gerado uma certa curiosidade em saber o que teria acontecido para ter agido assim, fiquei com medo de parecer invasivo então apenas respondi “Ele vai sobreviver, vaso ruim não quebra”.

Letícia sorriu, como quem agradece-se por eu ter lhe dado espaço naquele momento.

“Mas e você?” perguntou em um tom extrovertido, enquanto dava alguns passos mais adiante, “O que te trouxe a bela Miami?”

“Trabalho e mais trabalho… às vezes penso que esqueci como se vive”, não era mentira, mas eu sabia que isso não chegava a ser nem a pontinha do iceberg do que era o motivo total. Apesar de admirar o quanto Letícia conseguia ser verdadeira consigo mesma através das palavras, eu não consegui dar a resposta que ela gostaria, o que ficou estampado em suas feições imediatamente após minha fala.

Ela seguiu caminhando alguns passos a minha frente e por alguns instantes, tudo o que foi possível de ser ouvido, era o som das ondas do mar. De repente, uma brisa um pouco mais forte começou a tomar conta daquela praia. Senti um perfume adocicado vindo dos fios esvoaçantes de Letícia, que por um segundo me fizeram esquecer completamente de onde eu estava. Me peguei imaginando como seria o aroma de sua pele, quando de repente ela quebra o silêncio.

“Um temporal vem aí, nós precisávamos voltar”, comentou enquanto levantava uma das mãos para sentir os primeiros pingos de chuva.

Aceleramos o máximo que pudemos para chegarmos perto de onde havíamos nos hospedado. - o Hotel de Letícia era próximo ao meu - Mas ainda sim não foi suficiente, pois a densidade da chuva começou a prejudicar nosso senso de direção, o que atrelado aos raios intimidadores tornava a cada minuto mais perigoso estarmos ali.

“Letícia, espere!” disse segurando em sua mão “não vai dar tempo de chegarmos ao hotel”

“E o que você sugere, pois aqui não está muito convidativo”, Ironizou. Ela estava certa, precisávamos encontrar um lugar para nos protegermos. Com muita dificuldade, consegui avistar uma pequena casa de pescador alguns metros de distância, poderíamos pedir abrigo. Corremos o mais rápido que podíamos até o pequeno casebre, mas para nossa infelicidade não havia ninguém lá. Na verdade parecia que ninguém ia ao local fazia alguns anos a julgar pelo estado do local.

“Porcaria, não tem ninguém!” maldita hora que eu resolvi aceitar o convite de Omar. Se eu tivesse ficado no hotel, a essa hora eu estaria dormindo e não prestes a me tornar comida de peixe. Por outro lado, eu também não teria conhecido Letícia, que estava tentando alcançar alguma coisa próxima ao telhado. Sem entender indaguei sua atitude, mas antes que eu terminasse minha pergunta, Lety se aproximou até a porta com uma chave nas mãos.

“Não é possível… Como você?”

“Simples, conheça a cultura do local que você está visitando… E assista muitos filmes americanos.”

Já dentro do local, nos certificamos de que permanecer ali era seguro. De fato haviam muitos entulhos e objetos antigos espalhados pelo local, mas que não eram possíveis de serem discernidos com clareza devido a baixa luminosidade.

“Como está seu celular”, questionei, duvidando muito de que haveria algum resquício de sinal, mas pelo menos se tivesse bateria poderia servir de lanterna.

“morto e o seu?” Perguntou um pouco apreensiva.

“Acabou de morrer”

“Droga, essa noite não poderia ficar mais inusitada” Esbravejou, botando a mão no rosto e caminhando até uma pequena janela. inusitado era uma boa palavra, pois apesar do desenrolar caótico que estava sendo aquela noite, por alguma razão esquisita eu estava me sentindo feliz por estar ali. Antes que eu disse alguma coisa, percebi uma movimentação um tanto quanto inesperada de Letícia que segurou um daqueles objetos antigos entre as mãos e o entregou a mim.

“O que é isso?” indaguei.

“Você, já vai ver”. Em poucos segundos, identifiquei do que se tratava. Era uma daquelas lamparinas antigas, das quais você só via em filmes ou fotografias. Ainda desconheço como aquela garota conseguiu em meio a toda aquela bagunça e escuridão, encontrar uma caixa de fósforos e acender a lamparina, mas o que eu precisava reconhecer era que estava inegavelmente atraído por ela.

“Quem é você, descendente de Indiana Jones?” falei incrédulo, e arrancando uma risada envergonhada de sua face.

“Me lembre de te emprestar meu manual de sobrevivência, caso sairmos desta inteiros” brincou. Agora só nos restava esperar a chuva passar, algo que não tínhamos a mínima previsão de quando ia acontecer. Dentro do local havia uma lancha antiga, mas que caberia nós dois caso precisássemos passar a noite ali, mas nem eu e nem ela estávamos com sono naquele momento, então apoiamos a lamparina de modo que pudéssemos nos ver com mais nitidez. Nesse instante eu percebi que seus olhos eram ligeiramente esverdeados e que seus lábios eram medianos, quase que no formato de coração.

“O que foi?” perguntou amigavelmente, quase que em um sussurro. Eu tive que pensar rápido, senão ela iria achar que eu fosse como o pervertido do meu amigo, não que fosse um problema, até porque eu não estava tentando impressioná-la, ou será que estava?

“Eu apenas estava pensando no que poderia ter te trazido até aquela casa noturna hoje de noite. Com todo o respeito, mas pelo pouco tempo que convivemos, você não me parece muito fã de lugares como aquele, até porque, se fosse o contrário eu não teria te encontrado lá no bar sozinha.” Não sabia dizer se eu havia passado dos limites com a minha colocação, mas o fato é que eu estaria mentindo se eu dissesse que não estava curioso sobre o assunto. Letícia esperou alguns instantes antes de me responder e quando ela deu início a sua fala pude sentir em sua voz que ela estava precisando falar sobre isso.

“Bom… eu provavelmente devo ter mencionado isso enquanto estávamos lá fora, mas desde que comecei a estudar, me vi apaixonada por números, mais precisamente pela economia. Passei boa parte dos últimos anos, me dedicando quase que exclusivamente ao meu sonho. E como obtive muito êxito em minhas produções, ao me graduar, decidi tentar uma bolsa de mestrado no exterior, sem a mínima pretensão de ganhar, mas para minha surpresa eu acabei conseguindo. Meu namorado, não era exatamente o maior fã de me ver estudando fora do país então botou em xeque nosso relacionamento. Semana passada fez dois anos que não estamos mais juntos e hoje foi a defesa de minha dissertação.” Eu juro que tive vontade de bater palmas para Letícia, mas ao ver sua expressão cabisbaixa achei melhor não fazer nada. “Hoje, um pouco antes de seu amigo tentar dar em cima de mim, eu havia recebido a notícia de que ele tinha se casado com minha prima, e isso me fez pensar sobre muitas coisas. Não é como se eu tivesse me arrependido de minha escolha, aliás, eles tem muito mais a ver, mas é impossível não olhar para o meu próprio umbigo e me questionar se o problema de nenhum de meus relacionamentos ter dado certo, não sou eu...”

“Ei corta essa!” falei aproximando minha mão de suas costas ainda úmidas pela chuva. “O cara é um paspalho orgulhoso e você acha que o problema é você? não ouse repetir isso novamente. Todos temos responsabilidades quando nos relacionamos, isso é fato, mas nenhuma pessoa no mundo deveria aceitar ficar com alguém que é incapaz de acreditar em nossos sonhos, especialmente por são eles que nos tornam quem somos, Letícia.” Mesmo emudecida, Lety mantinha seu olhar fixo nos meus, como quem estivesse enxergando o que se passava em meu coração. Precisei me controlar para não deixar minha vontade tomar conta de meus atos, por mais difícil que parecesse. “Letícia, eu te conheço a poucas horas, mas acredite em mim quando eu disser que você é uma das pessoas mais reais que conversei nos últimos anos. O brilho nos seus olhos quando você fala sobre seus sonhos é lindo… Eu não sei explicar o motivo, mas faz a gente sentir algo bom, entende? Então eu realmente não entendo o que possa ter passado na cabeça daquele imbecil, porque até quando você resolve implicar me deixa com vontade de...” Passei dos limites. Parei minha fala e desviei o olhar um tanto constrangido pelo o que eu iria dizer. Eu até poderia colocar a culpa nas doses de Whisky que havia ingerido em sua companhia enquanto ainda estávamos na casa noturna, mas eu sabia bem que cada palavra continha o peso de uma verdade inegável e carregada de culpa.

“Vontade de que?” questionou quase que em um sussurro. O tom ameno de sua voz, intensificou em mim algo que estava cada vez mais difícil de controlar. Letícia aproximou-se, colocando uma de suas mãos em meu ombro, de modo a resultar em fracasso de qualquer tentativa minha de não olhar em seus olhos carregados de ternura. “Vontade de que, Fernando?”

Eu não posso fazer isso… minha mente me atormentava.

Eu não me orgulho de como as coisas ocorreram naquela noite, mas quando a gente se dá por conta de que vive uma mentira, a verdade de um sentimento torna-se o que há de mais concreto em nossa vida. É como a possibilidade de respirar após anos se afogando sem nunca conseguir morrer.

“Beijar você” respondi, desistindo de lutar contra o desejo de tê-la em meus braços. Seu olhar de ternura havia dado lugar a uma expressão inegavelmente excitante. Sua respiração ofegante já dava indícios de que talvez eu não fosse o único com esse desejo, então, sem dizer uma palavra, Letícia levou seus lábios aos meus, deixando claro em seu beijo o quanto ela, assim como eu, estávamos querendo aquilo ardentemente. Levei minha mão entre seus cabelos e a puxei com a outra contra meu corpo. Era como se ela tivesse acendido uma chama dentro de mim. Senti seus lábios separem-se dos meus para irem em direção ao meu pescoço, o que resultou no arrepio de todo meu corpo. Letícia sentou em cima de mim com as pernas em volta de meu corpo, deixando perceptíveis seus mamilos enrijecidos através do fino tecido de sua blusa. Aquilo me deixou louco, assim como ela perceber o quanto eu estava excitado também. Cerca de poucos minutos depois, tanto eu quanto ela estávamos quase que completamente sem nossas roupas. Sua pele era macia e seus beijos viciantes. Quanto mais eu a beijava, mais eu a queria. Penetra-la no corpo, bem como senti-lo contorcendo-se de prazer só fazia com que cada instante daquele momento fosse único...

Agora era tarde demais para voltar atrás. Depois dessa noite, não houve um dia sequer que eu não pensasse em Letícia ou no que poderia ter sido caso ás circunstâncias tivessem sido outras...



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