História Com as cores do vento - Capítulo 3


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Categorias Pocahontas
Personagens Personagens Originais
Tags Colonização, Genderbend, Guerra, Jane Smith, Pocahon, Pocahontas, Virgínia
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Palavras 2.590
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


saindo mais um cap! yeyyy!!
decidi fazer uma leve alteração no texto. As partes do texto em itálico foram ditas em inglês. as que não estiverem em itálico, foram ditas na língua dos Powhatan

Capítulo 3 - 1608 - Terra


A cidade indígena Werowocomoco se estendia às margens do rio que os colonos estavam começando a gostar de chamar de Rio York. Se esses mesmos colonos soubessem que estavam criando sua primeira cidade à meros 24 km do centro de toda a cultura, religião e poder dos Powhatans, teriam eles pensado duas vezes? Werowocomoco era a capital para mais de 14 mil Powhatans, bem mais numerosos do que a dezenas de colonos que chegavam vindos de terras do outro lado do mar. Powhatan, a líder dos Powhatans, via com preocupação a quantidade crescente de colonos. Apesar de muitos morrerem por causa das condições climáticas e geográficas, mais e mais chegavam vindo em barcos enormes.

Dentre as casas, denominadas yi-hakan, altas e de chão circular, construídas pelas mulheres Powhatan, o povo vivia. Certo dia, o povo ia de um lado para o outro resolvendo seus assuntos enquanto mais um dia começava. Dentre as pessoas que ali estavam, podia-se notar Opchanacanough, irmão mais novo de Powhatan.

- Essa situação está ficando cada vez mais insuportável, Powhatan. - dizia Opchanacanough.

- Não pense que não notei, irmão - disse a mulher enquanto o filho, Pocahon, andava logo ao seu lado.

- São bárbaros! - insistia Opchanacanough.

- Derramar mais sangue não é sempre uma boa opção - disse Powhatan soltando um suspiro pesado.

- Mal conseguem sobreviver aqui. - disse Pocahon.

- Isso é verdade - disse Powhatan - Não vê quantos de seus próprios mortos eles enterram, Opchanacanough?

- E quantos dos nossos são mortos por cruzar o caminho deles? - disse Opchanacanough.

- A fome anuvia a mente do ser humano. - disse Powhatan se dirigindo para sua yi-hakan.

- Não são nem humanos! - disse Opchanacanough - Destroem a terra e matam os animais sem qualquer controle, respeito ou equilíbrio!

- Temos que ensinar! - disse Powhatan.

A chefe revirou os olhos e soltou um pesado suspiro antes de olhar para o filho abrindo um leve sorriso.

- Acho que terei que ter uma longa conversa ainda com seu tio. - disse Powhatan - Pode seguir com seus afazeres. Mais tarde falarei com você.

Pocahon afirmou brevemente com a cabeça e com sua lança em mãos, seguiu seu caminho para o leito do rio. Pegando sua canoa, olhou rapidamente por alguns segundos para seu povo e o lugar onde nasceu. Com um leve sorriso, começou a remar para o lugar que tinha em mente deixando com que a correnteza do rio ajudasse no seu curso. Entretanto, não deixou que o passeio de canoa fosse monótono. Remava com força, passava por pequenas quedas d’água, se divertia soltando por vezes gritos e risadas de emoção. Adorava o rio, sua água e seu frescor. Entretanto, o que gostava no rio mais, era que ele nunca estava igual. A água sempre muda e vai correndo.

Depois de alguns minutos, pode ver o que vinha na curva. A imagem de Jane se formou. A loira estava sentada nas margens do rio novamente desenhando. Desenhando. Agora ele sabia o que ela tanto fazia. Várias semanas já tinham se passado desde do pequeno acidente em que descobriram o nome um do outro. Embora a comunicação ainda fosse algo complicado, estavam conseguindo entender uma palavra ou outra.

O índio parou a canoa perto de Jane e saiu de lá calmamente. Como sempre fazia, se aproximava querendo ver o que ela desenhava. Não entendia bem os desenhos dela, mas isso não impediu que ele se ajoelhasse atrás dela para ver mais de perto. Concentrada como estava, ela se sobressaltou quando ele chegou tão perto.

Argh! - exclamou Jane soltando um pesado suspiro - Assustou-me! Tens que tomar mais cuidado.

Ele olhou para ela por uns segundos, para aqueles olhos que lembravam-no do céu. Não havia entendido uma só palavra do que ela tinha dito. Entretanto, ele mesmo assim permaneceu lá ajoelhado vendo o desenho que se formava. Em sua mão direita, fincada no chão ajudando no apoio de seu corpo, Pocahon segurava sua lança firmemente. Notava que Jane às vezes ficava tensa e outras puxava para perto de si aquele estranho objeto de madeira e do estranho material cinzento, que não sabia o que era, para mais perto. Havia perguntado o nome do objeto uma vez. Gun, ela disse.

“Perguntar” seria a palavra errada para se usar. Algumas vezes ficavam apontando para alguns objetos para que o outro falasse o nome deste. Nem sempre dava certo e poucas vezes conseguiam palavras que pudessem criar algum diálogo. Exatamente por isso que os momentos em que se encontravam, como aquele, eram tão silenciosos.

Que tal? - disse Jane, um tanto tensa, exibindo seu desenho.

A loira tentava relaxar o coração e confiar mais no nativo. Afinal, ele não tinha feito ou tentado fazer nada com ela até agora. Pocahon inclinou um pouco a cabeça para um lado ao olhar o pedaço de papel. Não entendeu o que ela disse, embora tivesse alguns chutes, e tão pouco entendia o desenho. Notando isso, ela tentou explicar o desenho que, com vários traçados, montava o mapa da região. Ela apontou para o traçado do desenho que indicava o rio e então para o espaço que correspondia a terra.

River. Land. - disse apontando para os desenhos e então indicando o rio que corria a sua frente e a terra em que estava - River. Land.

- Rio. Terra. River. Land. - respondeu Pocahon falando não só na língua nativa dele, como também na dela.

- Rio. Terra. - disse ela usando o idioma de Pocahon.

E assim eles aprendiam algumas palavras do idioma um do outro. Apontar, repetir, mostrar. Não era nada fácil. Palavras eram complicadas. E, por isso, tinham muitos silêncios constrangedores, alguns significativos e outros complicados de rotular. Tal como aquele em que se formou naquele momento quando os dois se perderam no olhar. A explicação dela tinha feito o entendimento vir até Pocahon. Ela tentava representar a região com aquele desenho. Entretanto, tais pensamentos estavam longe da mente do índio enquanto ele sentia como se entrasse na alma dela ao admirar aqueles olhos tão diferentes.

O que os tirou do transe cansado pela longa troca de olhares, foi o barulho que veio dos arbustos. Ambos se sobressaltaram. Pocahon apontou com sua lança para o arbusto, e Jane com sua arma. Logo saiu do arbusto um animal, uma raposa, que olhou para eles desinteressada. Pocahon suspirou aliviado abaixando sua lança enquanto a raposa dava meia volta mas os ouvidos de Pocahon logo explodiram quando um forte barulho eclodiu logo ao seu lado e a raposa caiu morta no chão. Um mero olhar, indicou que Jane tinha usado a tal arma para magicamente tirar a vida da raposa.

- Não não não - disse Pocahon preocupado e claramente irritado se aproximando do animal caído.

Fiz algo errado? - perguntou Jane notando a irritação dele.

Pocahon olhou para ela. Não sabia porque ela iria querer fazer mal à um animal que claramente não estava interessado neles para começo de conversa. A maior decepção, para ele, foi que nenhuma culpa ou entendimento estava presente no olhar de Jane. O homem soltou um suspiro pesado de decepção enquanto chamava Jane para perto com um mero movimento de sua mão enquanto lembrava das palavras de seu pai. Queria tentar ensinar para ela uma lição embora soubesse como palavras seriam complicadas naquele momento. Entendendo o sinal que Pocahon fazia, Jane se aproximou e se ajoelhou ao lado dele e do animal abatido. A loira se sentiu pequena diante do olhar de irritação que Pocahon lhe lançava e, mesmo olhando dele para o animal, não entendia o porquê da irritação dele.

- O que foi? - perguntou Jane suspirando - Ele podia ter nos atacado. Ou algo do tipo. E pode ser útil. Perigoso.

Mesmo sem entender as palavras que saíram da boca de Jane, Pocahon apontou para o animal. Mais especificamente para a barriga inchada do animal.

- Filhotes - disse Pocahon.

Jane notou a barriga saliente da raposa e uma ponta de culpa começou a assolar seu coração. Aquelas pequenas raposas nunca teriam a chance de nascer agora. Ou será que não seria melhor assim no final das contas? Uma raposa a menos para se preocupar.

Embora a tristeza tenha aparecido no rosto da inglesa, não foi na intensidade que Pocahon desejava. Sendo assim, ele se levantou e andou até a canoa.

- Venha. Suba na canoa. - disse Pocahon chamando-a com a mão também.

- Suba na canoa? Quer que eu entre em sua canoa? Para onde vai me levar? - perguntou Jane. Canoa já era uma palavra que tinha aprendido com ele, mas queria saber qual seria o destino de toda forma.

Vendo a resistência dela em entrar na canoa, principalmente quando ela se agarrou à sua arma, ele suspirou e pensou em um jeito de mostrar para ela que estava tudo bem. Tentou apelar para a mímica, fazendo com a mão os movimentos da canoa enquanto repetia a palavra “passear”. Ela deu uma leve risada de sua mímica provando que tinha relaxado mais, mas ainda segurava a arma perto de si.

Sem outra opção, ele se aproximou lentamente dela. Cada movimento calculado e meticuloso. Tocou levemente na arma dela, abaixando-a tentando mostrar que não iria precisar dela. Jane o olhava como se estivesse hipnotizada. Deixou que ele abaixasse a arma que ela carregava nas mãos mesmo se não estivesse apontando para nada naquele momento. No instante seguinte, ele lhe estendeu a mão e ela, um tanto desconcertada e sem pensar, pegou na mão dele. Pocahon seguiu andando puxando-a levemente para sua canoa, e Jane não teve escolha a não ser subir na canoa mesmo que seu cérebro gritasse loucamente falando como aquilo era imprudente.

Sentada na parte mais da frente da canoa, com Pocahon na parte de trás dela empurrando-a pelas águas usando o remo, Jane tentou não mostrar que estava talvez concentrada demais nos braços fortes e bronzeados do homem. Corada. Ela desviou o olhar fitando então as águas cristalinas que refletiam a luz do sol. Aquele rio recebia vários outros rios enquanto Pocahon se dirigia para o mar. Ela notou a direção, afinal, estava mapeando aquela região por semanas.

Não sabia para onde ele queria levá-la, muito menos quando ele entrou em um rio que desaguava naquele em que estavam até então. As folhas das árvores que ladeavam o rio criavam um belo cenário, Jane não pôde deixar de notar. Podia-se imaginar facilmente pulando naquelas águas para nadar. Em uma das margens do rio, viu um urso.

Um urso não é uma raposa - disse Jane levantando a arma mais uma vez.

- Jane. Não - disse ele ao ver o que ela fazia parando de nadar e abaixando a arma dela mais uma vez.

- Não? - perguntou ela já entendendo essa pequena palavra no idioma dele.

- Não - disse ele soltando um suspiro indo até a margem onde o urso estava.

Não, não, não, não, não. Espera, Espera! - disse Jane desesperada ao ver a aproximação da canoa do urso desinteressado que já dava as costas para eles.

- Calma. Calma. - disse Pocahon com uma voz calma tentando apaziguar a mulher.

Ela respirou fundo enquanto a canoa parava na margem e ele saia da canoa. Sem ter o que fazer, ela também saiu. Não demorou muito para notar que ele seguia os passos do urso ficando sempre a uma boa distância. Ele andava tentando não fazer barulho e ela tentava fazer o mesmo. De repente, ele parou e ela trombou no braço que ele deixou esticado na diagonal para impedir que ela seguisse andando. O motivo da parada, estava logo ali, com o urso. Ou melhor, com a mamãe urso, cuidando de seus filhotinhos.

- Ooh.. - sussurrou Jane ao ver os dois filhotinhos de urso que brincavam e rolavam com a chegada da mãe.

Quando a ursa se sentou na grama, os dois filhotinhos se aproximaram para amamentar. Jane já ia abrir a boca para perguntar algo, mas sem fazer ruído nenhum Pocahon botou a mão sobre sua boca sabendo bem da importância e ao mesmo tempo do perigo de uma mãe ursa amamentando. A loira afirmou brevemente com a cabeça mostrando que entendera e ele soltou sua boca com um pequeno sorriso.

Pocahon abriu um sorriso quando a mãe urso terminou de amamentar uns filhotes e aproveitou o momento para sair dali em direção à outro lugar. Andaram por alguns minutos enquanto Jane se perguntava o que ele queria agora.

- Pocahon. Pocahon? - disse Jane sabendo que era um tanto inútil - O que é agora? O que quer me mostrar?

Ele parou no meio do caminho novamente ao notar uma pena caída no chão. Não era ainda o que ele queria mostrar para ela, mas aquilo atraiu a sua atenção. Ele pegou a pena caída no chão e virou-se para ela.

- O que foi? - perguntou ela perdida.

- Pena - disse ele indicando a pena.

- Pena - repetiu ela.

Primeiramente, o rosto dela exibia a curiosidade e o estranhamento. Não fazia sentido andar até ali só para apresentar-lhe a pena. Contudo, o rosto dela logo adquiriu a tonalidade avermelhada quando ele aproximou a mão de seu rosto. Seus dedos roçaram levemente na bochecha direita da inglesa enquanto pegava levemente seus cabelos.

- Cabelo - disse ele ao delicadamente colocar a pena nos cabelos dela como um enfeite.

Tentando lidar com o rosto avermelhado sem saber como reagir com aquele homem que se comportava tão diferente de qualquer homem que tinha conhecido. Jane levantou a mão direita tocando levemente a pena que ele colocou em sua cabeça tentando-se imaginar com o novo acessório. Não conseguia.

- O que seu povo quer aqui? - perguntou Pocahon quando a curiosidade que tinha surgiu em sua mente. Tentanto ajudar no entendimento, fez também mímica apontando para ela e para a terra - O que, povo, aqui?

- Riquezas. Ouro. Morar. - disse Jane ao entender a pergunta. Contudo, Pocahon não entendeu a resposta.

- No… - disse Pocahon suspirando mostrando que não entendeu.

- Conquistar? Acho que piorou né? - disse ela soltando um suspiro - As terras não são de ningué… quer dizer… algumas não são de ninguém - disse ela já falando consigo mesma se corrigindo ao começar a notar que sim, outros viviam ali, Pocahon vivia ali - Mas são inferiores. Selvagens pagãos.

Ele já não entendia mais nada do que ela tagarelava. Sabia que ela fazia as vezes aquilo e por isso simplesmente cruzou os braços deixando ela se acalmar esperando que talvez ela tentasse explicar de outro jeito.

Não existindo outra saída, ela tentou usar a mímica. Apontou para a terra e aproximou a mão inclusive pegando um pouco de terra que deu para Pocahon.

- Terra. Povo. Pocahon. - disse ela sabendo que estava soando bem ruim. Contudo, foi o que conseguia pensar. Em seguida, pegou mais outro punhado de terra e trouxe para perto de si - Terra. Pegar. Povo. Jane.

Ele parou um pouco pensando se tinha interpretado a mímica corretamente. Chegando a conclusão de que ela tinha dito o que ele imaginava, ele soltou um suspiro.

- Não. Terra. Não. Povo. Pocahon. - disse ele tentando usar palavras fáceis e que imaginava que ela já tivesse entendido por terem aparecido alguma vez nas tentativas de conversas deles para que ela entendesse - Terra, Urso. Terra, Raposa. Terra, Peixe. Terra, rio. Terra, pedra. Terra, Pocahon. Terra, Jane. Terra, povo. Terra, todos.


Notas Finais


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