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História Come Over - Capítulo 7


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Capítulo 7 - "E todas as noites antes dessa também"


"Você tem ficado na minha mente. Não leve pro lado pessoal, mas quem tem feito amor com você?" .

Glad to see you | Vedo. 


O sol bate sobre meu rosto com força, fazendo minha cabeça e olhos doerem. Abro parcialmente um olho, focando a cortina escancarada. Propositalmente escancarada, deixando os raios de sol nada piedosos entrarem por todo quarto, iluminando cada cantinho.

— A princesa acordou — a voz de Kyoka escorre ironia.

Ela está brava. Nem preciso olhar em seu rosto para concluir isso.

— Tem como fechar essas malditas cortinas? 

— Levanta dessa droga de cama, Denki — ordena

Não movi um músculo. Tudo no meu corpo dói e minha língua tem um gosto horroroso de bebida azeda. 

Meu estômago embrulha, então corro para o banheiro, chegando até a privada a tempo. Jogo para fora cada gota que bebi na noite de ontem, acredito, pois passa uns bons minutos curvado sobre a privada do banheiro de Kyoka, sentindo líquido subir e ser cuspido para fora.

Fraco e com as pernas completamente moles, apoio as costas contra a parede gelada. A sensação fria causa certo alívio por todo meu corpo.

Tombo a cabeça na direção da porta. Kyoka está apoiada no batente. Braços cruzados e expressão emburrada na minha direção.

Pequenos flashes de lembranças confusas entram na minha mente. Lembro de como peguei o carro umas cinco horas depois de deixar que aquele imbecil levasse Kyoka de mim e dirigi até a casa dela. Também lembro de como pulei a janela de seu quarto com dificuldade e de ter feito algumas ligações insistentes até que ela me atendesse 

Murmúrio um palavrão, sentindo a garganta e boca secas.

— Estraguei sua noite? — questiono

Ela assenti, chegando mais perto e se abaixando para esquadrinhar meu rosto

— Me fez acordar meu pai as quase três da madrugada pra estacionar seu carro direito — conta

Franzo a testa em confusão

— Estacionar meu carro direito?

— Sim, você deixou o carro jogado de qualquer jeito. Uma parte estava sobre a calçada e a outra estava completamente na rua.

Bato a cabeça na parede, ignorando a dor que vem junto.

— Está pálido — conclui — Vai tomar um banho e escovar essa boca. Vou fazer o nosso café da manhã.

Kyoka sai e eu fecho a porta. Debaixo dá água, conforme meus músculos relaxam debaixo do calor da água quente que escorre por todo meu corpo um diálogo esquisito me veio a mente. 

A palavra que se encaixa melhor seria vergonhoso e não esquisito. Aparentemente acordei algumas vezes pela madrugada e em uma delas perguntei a Kyoka sobre bem... Sua virgindade

Dou com a testa na parede, ignorando a dor que explode nas têmporas. Mereço cada cutucada de dor que atravessa meu corpo.

Puta que pariu, como é que consegui agir como um idiota inconveniente durante toda madrugada. Ligando pra ela, fazendo-a voltar pra casa porque dirige bêbado, depois a questiono quando foi que ela perdeu a virgindade com aquela cara; na festa na casa de Mina ou depois disso?

Vergonha se junta a dor de cabeça e sinto vontade de morrer debaixo do chuveiro. Desaparecer por alguns dias também seria perfeito, porém não tem como fugir.

Kyoka está do outro lado da porta, preparando um café da manhã pós ressaca para mim e tudo que tenho que fazer é me desculpar. Por tudo.

Minutos depois chego de fininho na cozinha e me sento em uma das banquetas diante da ilha com a mesma cautela. Totalmente silencioso, como nunca fui.

Kyoka está parada na frente do microondas, vigiando os minutos diminuindo no relógio do aparelho. O peso do corpo apoiado na perna direita, uma mão na cintura e a cabeça levemente tombada para o lado. Deve estar pensando em um jeito doloroso de me punir. 

— Toma o suco — é uma ordem

Procuro pelo tal suco. O copo está quase bem na minha frente, apenas tenho que esticar um pouco o braço para o canto esquerdo. 

Meu estômago embrulha no momento em que bati os olhos no líquido verde vômito dentro do copo.

— Vai ajudar na ressaca — ela diz.

Eu sei que vai. Kyoka já preparou essa mesma porcaria outras milhares de vezes pra mim e em todas elas quase coloquei as tripas para fora

— Acho que já vomitei o bastante essa manhã — digo

Kyoka balança a cabeça, um leve bico nos lábios

— Não, acho que não. 

Desvio a atenção entre seu rosto aparentemente calmo e o suco. Uma, duas, três, quatros vezes.

Quase choro quando percebo que não tenho outra escolha a não ser colocar o maldito suco pra dentro.

Bebo tudo em um só gole, então a porcaria sobe pela minha garganta de novo e me forço a não vomitar.

— Isso é uma merda! É horrível, parece veneno

— Gostaria que tivesse o mesmo efeito que um veneno teria

Parei de reclamar no mesmo instante. Deixar Kyoka ainda mais puta do que ela já estava só iria piorar minha situação.

Passo os dedos entre os fios de cabelo úmidos, pensando em como posso começar a me desculpar de uma forma decente e verdadeira. Verdadeira, porque já não tenha mais tanta certeza se me arrependo mesmo de ter estragado sua noite maravilhosa com o maldito Campbell.

Ergo os olhos para ela. Apoia o corpo contra a madeira do armário de cozinha a suas costas, encarando-me com os olhos espremidos em uma linha fina de irritação. 

O som do microondas funcionando é o único no ambiente

Aposto que ela está esquentando água  para jogar na minha cara.

— Me desculpe por ter feito você voltar pra casa correndo — não estava sendo verdadeira, porém se esse é o único jeito de fazê-lo parar de me olhar daquela forma, então irei mentir sem sentir a consciência pesar — Desculpe por ter estragado sua noite e por ter agido de um jeito… escroto durante toda madrugada — essa única parte pela qual realmente me sinto culpado e imbecil

— Aceito as desculpas no que diz respeito sobre você ter agido feito um imbecil a madrugada toda, mas pelo o resto? — diz, acenando — Não é por isso que deve se desculpar, Denki. Deve se desculpar por ter pego o carro e dirigido até aqui caindo de bêbado e depois deve se desculpar com meu pai por ter me feito o acordar às três da manhã pra estacionar a porra do seu carro direito

Assinto, concordando com tudo o que Kyoka diz. Ela não poderia estar mais certa. Fiz merda e reconheço isso. Sinto-me culpado por isso e não vou me importar se Kyotoku quiser raspar minha cabeça e minhas sobrancelhas.

— Eu sei, me desculpe. Não vou fazer mais isso

Seu olhar é de dúvida sobre mim. Saio de onde estou sentado e vou até ela, segurando seu rosto entre as mãos e lhe dando um beijo demorado na testa 

— É uma promessa. Não vou mais dirigir bêbado pra lugar nenhum e nem chatear seu pai no meio da madrugada.

— Ótimo — Kyoka segurou meus pulsos, afastando minhas mãos de seu rosto — Agora se afasta, você está fedendo

— Acabei de tomar banho — retruco, sem me afastar um passo sequer

— Suas roupas estão fedendo, então — ela me empurra, apoiando as mãos no meu peito, mas minhas pernas não cedem

Até parece

Chego mais perto, encurralando-a

— Acho que estou cheirando muito bem. Usei seu sabonete, o shampoo — enumero tudo nos dedos — seu hidratante de pele favorito e seu perfume.

— O que não adiantou nada, porque suas roupas fedidas estão te deixando fedido. Cai fora — tenta me empurrar de novo.

Seguro seus pulsos, chegando ainda mais perto enquanto um sorriso largo atravessa minha boca.

Inclino-me para ela, oferecendo o pescoço para que Kyoka possa cheirar.  Temos uma diferença considerável de altura. Talvez uns dez  centímetros diferencie a gente, mas, quando me abaixo para si, minha boca fica na altura de sua bochecha e descer os olhos na direção dos lábios dela é automático. Nem percebo quando o faço. Só noto quando sinto uma vontade absurda e bizarra tomando cada pedacinho de mim.

— Pelo amor de Deus! Cai fora!

Dessa vez, Kyoka usa um pouquinho mais de força e cedo, porque meu cérebro diz que o mais seguro a se fazer no momento é isso.

Engulo a seco. Ainda tenho toda atenção em sua boca, lembrando do batom vermelho da noite passada. Mesmo sem a cor chamativa, os lábios de Kyoka são cheios. Cheios e rosados como um belo convite.

Que merda está acontecendo? Em que porra estou pensando agora? 

— Você é um porco — ela fala, passando as Mãos sobre o braço como se pudesse se limpar — Totalmente nojento

Concordo mentalmente.

Um porco nojento. Definitivamente.

Abro a boca pra dizer alguma coisa. Qualquer coisa que tire esse pensamento esquisito da minha mente. Forço a atenção para seu rosto, focando em seus olhos. Assim parece muito melhor e mais fácil.

— Kyoka!

Não sou eu quem chama. É uma voz chorosa feminina bem as minhas costas. Viro-me para ver quem é. Momo está parada a alguns metros de distância de nós. Os olhos inchados e vermelhos assim como seu rosto


•••

Estava me segurando muito pra não rir. Era surreal ver Momo chorando como uma condenada quando a única culpada pela situação dela e Shoto estarem do jeito que estao é dela.

Quer dizer, Shoto vem fazendo de tudo a quase dois meses pra conseguir sentar e ter uma conversa decente com ela, porém Momo vem fazendo de tudo pra não ouvir o que o cara tem a dizer. É ela quem está afastando Shoto. É ela quem está agindo como se Shoto a tivesse traído e é ela que vem mantendo-o afastado como se ele fosse o pior tipo de cara na face da terra.

Momo estava dizendo aos soluços o quanto sentia falta do ex namorado. Tenho que desviar o olhar para o canto vazio no sofá para evitar a vontade de gargalhar 

Kyoka me mata se me atrever a rir na cara de Momo

— Quero ele de volta — Momo anuncia, secando os olhos.

Arqueo a sobrancelha na direção de Kyoka. Ela me repreendeu com um olhar e aceno de cabeça.

— Mas não sei se posso perdoar ele

É aqui que tudo sai dos trilhos. Não consigo conter a risada

— Denki — minha amiga repreende

— Tá rindo do que, idiota? — Momo questiona.

Me sento na ponta do sofá, segurando uma almofada no colo 

— Desculpa. Desculpa mesmo, mas não aguentei — explico — Momo, você escutou o que acabou de dizer?

— Cala a merda da boca, Denki — Kyoka manda

— Você está falando como se Shoto tivesse te traído

— Ele me traiu

Franzo o cenho. Posso não ser o amigo mais íntimo de Shoto, mas vi a relação deles desde o início. Vi como Shoto é devoto a Momo desde o primeiro dia que a viu. Foi no primeiro ano do nosso ensino médio. Logo no primeiro dia assim que eu o apresentei a ele como sendo a melhor amiga da minha melhor amiga.

— Shoto não faria isso 

— Mas fez. Ele fez. Shoto me traiu.

Esfrego o rosto, tentando entender porque ela acredita tão firmemente nesse absurdo. Não sei nem porque estou fazendo minha cabeça doer com essa droga. Não tenha nada a ver com tudo isso.

— Momo está dizendo que Shoto atraiu no momento que não contou pra ela que tinha outra pessoa gostando dele por tanto tempo — Kyoka explica

Esquadrinho o rosto da minha amiga. Sua expressão é de alerta. Ela quer que eu cale a boca e fique na minha, cuidando da minha vida.

— Terminou com ele por causa disso?

— Não terminei com ele por causa disso. Terminei com Shoto, porque — suas bochechas ganham cor. Momo desvia o olhar para um canto vazio na sala — Porque ele não queria me deixar beber um pouco mais naquela noite na casa da Mina

Rio descrente. Minha risada soa por toda a sala e desenha muito bem a expressão descrente no rosto de Kyoka

— Está falando sério?

— Não era pra ter durado. Era pra ser só uma briguinha de momento, entendeu? Ia falar com ele no outro dia, mas então aquele garoto apareceu e agiu como se soubesse segredos de Shoto que eu não conhecia. Isso mexeu com meu orgulho

Kyoka se joga para trás no sofá, batendo a palma na testa.

— Isso virou uma bola de neve

— Eu sei

— Vocês deveria sentar pra conversar, Momo

— Eu sei

— Então faça isso

— Ele está esperando por você — falo — acredite em mim

— Vocês… vocês — a morena respirou fundo — Não consigo tirar isso da cabeça. Vocês acham que Shoto pode ter tido alguma coisa a mais com Rich? Talvez ele já tenha gostado dele tanto quanto gosta de mim

— Tenho certeza de que não — Kyoka olha para mim em busca de apoio.

Assinto, afirmando o que ela disse.


•••


É estranho. Não consigo desviar a atenção dos lábios de Kyoka. 

Ela está usando nada mais do que gloss sem qualquer cor além do rosado natural de sua pele e não consigo desviar a merda dos olhos dali. Não há batom vermelho, mas é como se houvesse.

A mais de um mês isso vem acontecendo. Todas as vezes que Kyoka se aproxima de mim, sorri ou apenas fala na minha direção sou puxado exatamente naquela maldita direção e fico preso ali por minutos longos, minutos muito longos.

Noite passada sonhei com aquela boca ao redor do meu pau, e todas as noites antes dessa também ou tive sonhos muitos parecidos onde Kyoka usava os lábios para lamber e chupar pontos muito específicos do meu corpo. E essa manhã, horas antes do jogo, tive que bater uma enquanto evitada a todo custo em não pensar na boca de Kyoka. Foquei em uma tela branca e funcionou, mas ainda me sentia um pouco mau. Meio enjoado. Nem sei como fui capaz de entregar alguma coisa no jogo de hoje. Nem sei como fui capaz de correr tantas horas com o estômago nessa situação e a consciência pesando toneladas.

Dispenso o pedaço de pizza que Kyoka me oferece. Acho que se tentar comer agora, irei colocar tudo para fora no mesmo momento.

— Não está com fome? 

Nego em um leve aceno, procurando qualquer canto para olhar sem ser Kyoka

— Jogou os dois tempos, correu pra caramba e não está com fome? — soa incrédula e com toda a razão.

Normalmente eu comeria duas pizzas inteiras depois de um jogo sem reclamar.

— Confere se ele não está com febre — Sero debochado. Está sentado do outro lado da mesa, com metade de uma fatia de pizza dentro da boca.

— Vai cuidar da sua vida, Sero

O garoto ri e desvia a atenção para a conversa que se desenrola na mesa de trás. Todo o time veio comemorar nossa primeira vitória em uma pizzaria. Está todo mundo aqui, inclusive o babaca que está saindo com Kyoka

Sorri quando nos encaramos. Campbell está sentado na mesa da frente. De frente para mim e Kyoka e seu olhar sobre a gente não poderia ser mais do que raivoso.

— Sero está certo. Você só pode estar doente — Kyoka pressiona a palma contra minha testa.

Concentrada, ela morde os lábios e meu cérebro dá um giro de 360 graus. 

Ela se afasta e solta o canto inferior dos lábios, deixando o maldito cantinho vermelho. Não consigo parar de olhar e talvez esteja babando. 

— Não estou com febre — minha garganta está seca, então minha voz sai meio estranha. Arrastada e rouca 

Kyoka me olha como se eu fosse a coisa mais esquisita no mundo. 

— É tão bizarro assim eu não estar com fome depois de um jogo?

— Pra caralho — é Sero outra vez

— Também acho bizarro o fato de você comer feito uma vadia e ser magro que nem um esqueleto 

Sero ri, claro, enfiando outro pedaço de pizza na boca. Ele mastiga e aponta para Kyoka

— Quer saber um podre desse cara que tenho certeza que nem você sabe? 

Comprimi os olhos em sua direção, revirando minha mente para ter certeza de que não disse nada sobre minhas fantasias acerca da boca de Kyoka. Não lhe disse nada, porém mesmo assim Sero sabe muita coisa sobre mim que Kyoka não faz ideia e prefiro que continue assim. 

Kyoka arqueia as sobrancelhas e pequenas rugas se formam em sua testa. Ela engole toda o refrigerante do copo e bate o copo na mesa

— Não há nada sobre esse idiota que eu não saiba. Ele até me contou cada detalhe de quando perdeu a virgindade.

— Cara, contou pra ela essa nojeira?

Porque Sero estava agindo como se fosse a coisa mais porca do mundo compartilhar com minha melhor amiga sobre minha primeira vez? Não era tão ruim, era? Kyoka e eu somos melhores amigos e é isso que melhores amigos fazem. Contam tudo, ou quase tudo, um para o outro.

— Ela é a droga da minha melhor amiga. Você é a droga da minha melhor amiga — defendo-me 

Sero estica a mão até Eijiro sentado na ponta do assento largo da pizzaria e envolvido em uma conversa sobre o jogo com Mineta e Yosetsu Awase

— Sabia que esse tapado aqui contou pra Kyoka sobre a primeira transa dele

O rosto de Eijiro se contorce em uma careta de nojo. Fico revoltado

— Qual é?! 

— Cara, você é porco — Eijiro comenta enquanto os outros dois concordam

— Kyoka é minha melhor amiga, porque não contaria?

— Porque ela iria querer saber como foi a primeira fez que você enfiou esse seu pauzinho em alguém? — o ruivo fala

Ao meu lado, sinto Kyoka acenar, concordando enquanto morde uma fatia de pizza. A encaro, ela parece muito feliz. Seu rosto brilha.

— Sobre o que vocês estão falando? — Mina chega e por um momento sinto-me aliviado, pensando que finalmente o assunto irá seguir outro ritmo

Em vão. Tudo piora quando Mina tenta se enfiar entre a gente, empurrando Katsuki e Iida, nosso jogador mais rápido, para o lado

— Volta pra onde você tava, Mina. Não tá vendo que aqui não tem lugar — Katsuki finalmente abre a boca pra dizer algo

Mina não lhe dá a mínima atenção e ordena que eles cheguem mais para lá. Sou empurrado para a parede e Kyoka fica praticamente sentado no meu colo, espremida entre Iida e eu.

A puxo para o meu colo, porque parece a opção mais confortável para todos. Kyoka já se sentou no meu colo outras várias vezes, mas quando sinto sua bunda sobre mim alguma coisa diferente acontece e me sinto extremamente desconfortável.

— Então, sobre o que estavam falando? — a garota de cabelo rosa questiona a todos sorrisos.

Sinto vontade de a matar estrangulada. Maldita 

— Sabia que esse idiota contou a Kyoka sobre a primeira vez dele? — Eijiro pergunta.

— Quantos anos vocês tinham? — Mina indaga

Não respondo. Tem um nó de desconforto bem no meio da minha garganta 

— Treze — Kyoka responde 

— Deve ter sido horrível. Sinto muito por você, amiga.

— Foi o pior momento da minha vida 

Seguro a cintura de Kyoka com as duas mãos, arrastando sua bunda para um lado da minha perna. O desconforto diminui consideravelmente e quase sinto meu corpo relaxar

— Vocês estão exagerando — tento me defender

— Você é um sem noção — Katsuki comenta, fazendo toda a mesa cair na gargalhada.

— Viu só? Até o Katsuki concorda.

Kyoka está claramente me provocando. A insinuação de um sorriso no canto de sua boca e os olhos brilhando na minha direção traduzem bem isso.

Aperto os olhos, balanço a cabeça em desaprovação. Ela ri enquanto leva a fatia de pizza à boca. Tento morder um pedaço, um jeito bem fraco de tentar me vingar

— Essa aqui é minha

Dou de ombros 

— É só um pedaço

Ela nega 

— Se quiser, pode pegar uma pra você.

Seguro seu pulso e trago a fatia em sua mão diretamente para minha boca. Morto metade da fatia debaixo de seus protestos.

— Como consegue colocar esse tamanho de pizza na boca?

Sorrio

— Anos de prática, meu amor.

Sinto alguma coisa vibrar sobre minha coxa. É o celular de Kyoka guardado no bolso de trás de sua calça jeans. Pego o aparelho e vejo o nome na tela. É o imbecil do Campbell. Penso em responder e até desbloqueio a tela, entretanto Kyoka tira o celular da minha mão.

— Para de ficar bisbilhotando as coisas dos outros

— Você não é os outros

— Então para de ficar bisbilhotando as minhas coisas

Ela não está puta por eu ter tentando ler a mensagem. Há bom humor em sua face

Kyoka desvia a atenção para a tela do celular. Repouso a costa contra o assento, respiro fundo. Pela primeira vez quero ser a primeira pessoa a ir embora de uma comemoração.

O sentimento piora quando Kyoka pede licença para passar e some pela pizzaria. Claro que o Campbell idiota vai atrás, se levantando e sumindo do meu campo de visão um segundo depois

Irritação toca os nós dos meus dedos. Seguro a vontade de ir atrás dele e quebrar o nariz do babaca, obrigando-me a permanecer no lugar.

Conto cada segundo e minuto que eles ficam longe, me segurando no lugar e tentando não surtar. Uma, porque não tenho direito nenhum sobre isso. Outra, porque prometi a Kyoka, promessa idiota, que não brigaria com ela por estar com ele e outra, porque seria ridículo. Só daria mais munição para Sero e Eijiro tirar mais uma com a minha cara.

Quando o casalzinho resolve que é finalmente hora de voltar a público, uma hora e  treze minutos mais tarde, estamos todos indo embora. Tenho minhas chaves balançando ansiosamente entre os dedos e minha mão em punho escondida dentro do bolso do moletom, formigando de vontade de encontrar os ossos da cara do Rin Campbell.



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