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História Come to the past - Capítulo 52


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Notas do Autor


Minha internet ta bem instável esses últimos dias, mas vou tentando responder os comentários aos poucos.
Espero muito que vocês gostem desse o/

Prestem atenção nas notas finais!!!

Capítulo 52 - Cinquenta e um


“Harry, acho que é noite de Natal!”

- Hermione Granger

 

Harry tinha uma ideia limitada sobre como um chalé deveria ser: uma casa pequena, com uma sala, cozinha e alguns poucos quartos. Só havia esquecido que aquele chalé em questão pertencia a família Black e já fazia um tempo que sabia que eles não tinham qualquer noção de limites.

Aquele chalé era uma monstruosidade de madeira e pedra escura no meio de uma floresta congelada. Nem podia começar a imaginar como construíram aquilo ali e a única resposta que poderia pensar era que magia foi envolvida no processo. Era como se eles tivessem aberto um campo no meio das árvores e apenas arremessado a casa lá.

A iluminação que provinha da varanda era parca e chegava apenas até os últimos degraus, que por sinal foi onde eles aterrissaram depois de aparatar.

 — Isso não parece um chalé.

O pensamento saiu alto.

Irma sorriu ao lado dele esfregando as mãos e dando pulinhos tentando se manter aquecida.

— Chalé ou não eu quero entrar logo e me aquecer.

 

Não tinha passado muito tempo pensando em como aquele lugar seria, mas estando lá não era nada como poderia imaginar. Por fora parecia rústico, por dentro, por outro lado, era bastante confortável. Havia uma enorme lareira crepitando e lançado luz para a sala aconchegante. Havia um sofá de couro marrom logo a frente dela, como se seu antigo dono gostasse de ficar se aquecendo ali, a frente do sofá também tinha um gigantesco tapete felpudo que fazia Harry querer enfiar seus dedos entre as cerdas apenas para saber se era tão macio quanto aparentava.

Além da lareira havia inúmeros castiçais espalhados pelo ambiente, cada um deles contendo doze velas tremeluzindo chamas douradas e archotes presos a parede que tinham a aparência de grifos alados. Se eram apenas decoração ou se estavam apagados por serem desnecessário Harry não conseguia dizer.

Dourado parecia ser a cor daquele lugar, para onde se olhava havia algo reluzindo. Seja os castiçais que pareciam ter sido feitos de ouro puro, ou os pequenos objetos colocados acima da lareira, os grifos, até mesmo a moldura do único quadro que havia lá parecia feita de ouro.

— A casa pertenceu a esposa de Cygnus I. Ela passou muitos anos morando aqui. — Harry ouviu Dorea dizer. — Agora ela pertence ao tio Arcturo, mas ele nunca fez uso dela. Ninguém mora aqui desde antes de 1900.

— Esta é Ella Black. — Pollux apontou para o quadro.

A moldura foi feita por um artista muito talentoso. Havia o que parecia ser pequenos ramos de arminho e flores por toda a estrutura, só não sabia se eles tinham sido reais e apenas colocados ali ou se o artista os havia entalhado em ouro tamanha era o perfeccionismo. Harry sentia como se a mulher no quadro tivesse ganho seu próprio jardim dourado.

— Sejam bem-vindos a minha casa. — A mulher respondeu. Ella tinha cabelos dourados como trigo no sol, eles desciam lisos até onde o quadro acabava. Tinha olhos castanhos, um nariz pequeno e um rosto que passava gentileza e calma. — Faz muito tempo desde que meu lar recebeu visitantes.

Lar.

A palavra veio carregada de significado, como se aquele lugar fosse um recanto só dela e eles estivessem invadindo e atrapalhando a sua paz.

 

Havia mais duas salas depois daquela, alguns quartos e uma cozinha, além de um espaço aberto do lado de fora que em outro momento servia para o cultivo de uma horta, mas como ninguém morava ali estava sem vazio. Nenhum deles estava especialmente animado em fazer um tour em um horário tão tardio. 

A parte superior era feita de madeira e carregava toda a austeridade Black. Provavelmente foi acrescentado depois – para o desprazer de Ella, acreditava. Ao contrário do térreo lá em cima carregava uma sofisticação sombria, a sensação de aconchego dava lugar para o deslocamento e inadequação. Não sabia que uma simples construção de madeira poderia fazê-lo se sentir assim. Mas nada ali era simples, era?

Não poderia dizer que tinha vivido em casas pequenas. A casa dos Dursley tinha um andar e seis cômodos, Hogwarts era uma imensidão que não poderia ser medida e até mesmo a casa dos Weasley era grande. Mas ali era como se Harry sentisse o vazio do lugar, com as salas que nunca poderiam ser realmente usadas, os quartos desocupados e acumulando poeira. Pensava no Largo Grimmauld que conhecia, em Sirius, o último Black a carregar o nome, morando naquela casa sozinho. Quantas outras casas iguais aquela não estavam também vazias?

A escada levava para três corredores, só um deles estava iluminado e Harry se deixou ser guiado por Pollux.

Por que os Black tinham que ter casas tão grandes?

“Quando você passa muito tempo com a minha família, percebe que uma casa grande e vários quartos e salas é fundamental para que não haja tentativas de assassinato”, Dorea falou quando Harry expressou verbalmente seus pensamentos.

 

Havia três portas no quarto dele. A que ele entrou, a que deveria levar ao banheiro e uma que dava para a sacada. Em um tempo mais propício imaginava como seria tomar café da manhã ali estando na altura das árvores, ouvindo o barulho dos pássaros e o farfalhar das folhas. Mas naquele momento, olhando para fora, tudo parecia muito assustador. A floresta escura com seus caules congelados e suas folhas secas, talvez com estalactites de gelo saindo dos galhos grossos crescendo em direção ao chão e o barulho dos animais que era acentuado pelo silêncio mórbido.

— É melhor você entrar. — Tom disse parado à porta com os braços cruzados. — Vai acabar ficando doente ficando aí com essa roupa.

Harry tentou ignorar o susto e como seu coração batia acelerado. Tentou sorrir, mas ele ainda sentia o seu sangue vibrando em cada pedacinho do seu corpo. Não tinha percebido como estava concentrado no lado de fora até a voz de Tom surgir quebrando o encanto em que ele havia entrado.

— Assustei você?

— N-não. — Tentou sorrir mais uma vez. Harry tentou fazer seu coração parar de bater tão descontrolado. — Já guardou todas as suas coisas?

— Eu posso ter deixado um elfo fazer isso enquanto tomava banho.

— Tom!

Pollux havia dito que havia elfos na casa, porque não confiava na destreza culinária de nenhum deles para alimentá-lo e não ia correr o risco de ser envenenado.

Harry fechou a porta para a sacada selando o quarto da corrente de ar frio. Ainda estava tudo escuro, mas o sol não ia demorar a despontar considerando quão tarde era. Àquela altura todos já deveriam estar descansando, mas Dorea os obrigou a montar a árvore, afinal já era natal. Isso os fez gastar um monte de tempo lá embaixo.

Foi a primeira vez que Harry montou uma árvore de natal.

Não sabia como os sangues-puros comemoravam a data, tudo que Harry conhecia sobre o natal aprendeu com os Dursley e não era como se tivesse muita magia envolvido. Em Hogwarts as coisas pareciam normais, doze árvores enfeitando o Salão Principal e uma ceia fabulosa.

Ali também tinha uma árvore, um pinheiro alto que quase alcançava o teto, com caule grosso e bonitos ramos verdes. Com os Dursley a data sempre foi festiva, mas ali era mais místico e Harry nem entendia totalmente, mas Dorea, Charlus, Pollux e Irma pareciam levar tudo muito a sério.

“Sei que os trouxas também comemoram o natal, mas nós o fazíamos bem antes deles pegarem a data para si”. Dorea explicou, “Dizem que a magia foi um presente dos deuses, um agrado por nossa lealdade e dedicação. Então, no dia mais frio do ano alguém pediu aos deuses que eles fossem benevolentes, pois a colheita sofria com o inverno rigoroso. No dia seguinte a pessoa foi acordava com os raios do sol se infiltrando pela janela, algo que não acontecia fazia meses. Como agradecimento, ele pegou uma parte da sua comida e arremessou ao fogo, como uma oferenda, um agradecimento. Assim, começaram os rituais. Todos anos na mesma época. A notícia se espalhou e cada família fez a mesma coisa, depois cada vila e cada cidade. Começaram a criar bonitos objetos para alegrar os deuses, guirlandas com azevinho para enfeitar a porta das casas, árvores iluminadas para que os deuses soubessem para onde olhar, comidas, flores e frutos. Tudo para agradecer e atrair abundância.”

Harry tinha um monte de questionamentos. Aquilo era o tipo de coisa que ensinavam em História da Magia e ele estava dormindo? Eles realmente acreditavam naquilo? Mas não fez qualquer pergunta, no lugar pegou uma das caixas e ajudou a decorar a árvore. A caixa que ele pegou tinham pequenas velas coloridas que ficavam flutuando onde quer que as colocasse, sinos e outros objetos que Harry não sabia o significado. Enquanto eles terminavam de enfeitá-la Pollux levitou uma estrela de cinco pontas até o topo da árvore.

Eles estavam prontos para acender as velas, quando Ella falou: “Vocês devem fazer pedidos”. “Pedidos?”, Harry questionou. “Sim, pedidos. O que quer que esteja em seu coração, o que quer que deseje. Você pede e os deuses podem lhe conceder”, respondeu.

Não perguntou se algum deles tinha feito pedidos, mas viu quando Dorea fechou os olhos por alguns segundos ao acender sua vela. Pensou na dezena de coisas que desejava, em todas as coisas que sempre acreditou serem impossíveis de alcançar. Pensou na guerra e no rosto de cada pessoa que conheceu, amou e morreu. Ao acender sua vela, no entanto, Harry não fez qualquer pedido. Não haveria ninguém para ouvi-lo, afinal.

— Está tudo bem? — Tom o olhava curioso. Harry percebeu que havia ficado em silêncio durante muito tempo, parado, provavelmente olhando para o nada.

— Claro. — Não sabia que aquilo era mentira até ela deslizar por seus lábios.

— Mesmo?

Durante toda aquela noite Harry só tinha uma coisa em mente: sobreviver a ela. Era simples. Só tinha que torcer para que nada desse errado, que tudo corresse da melhor forma possível. Para conseguir isso teve que empurrar sentimentos, lembranças e dores para o fundo do seu coração. Trancá-las lá e deixá-las adormecidas. Tinha sentido seu coração encolhido e pequeno e o ignorou, pois estava em uma casa cheia de pessoas que poderiam tentar lhe fazer mal, cheia de sonserinos que o olhavam como se ele fosse um problema que precisava ser resolvido e não de um jeito bom, com anfitriões sombrios que o observavam à distância com olhos acusadores e cheios de ódio e nojo.

Mas agora, ali, longe de tudo aquilo, de todas as ameaças, era difícil pensar naquela casa, no lar destruído de Sirius. Quem dormia no quarto que seria dele? Pollux ou Cassiopeia? A cozinha que estava atulhada de elfos, mas que antes era ocupada pela Sra. Weasley e suas mãos dedicadas. A casa que estava cheia de sangues-puros, mas que anos depois seria ocupada por mestiços, nascidos-trouxas e traidores do sangue, por pessoas que lutaram e morreram por conta de ideais que a maioria daquela gente defendia.

Ele manteve tudo aquilo guardado tão fundo dentro do seu peito que por algumas horas foi até fácil, mas que ali, com Tom o observando tão atentamente, era difícil deixar no lugar.

— O que você achou de tudo agora que é um deles? — Você se vê os liderando em direção a uma guerra?

Tom desviou o olhar. Aquilo não acalmou o coração de Harry.

— Menos satisfatório do que acreditei que seria.

Não sabia o que isso significava.

— Gostei da sua família, a propósito. — Harry sentou na cama. — Honória parece tão forte e determinada, ela dá um pouco de medo também. Gael por outro lado é muito simpático e atencioso, delicado até e… Lety, bem… Gael disse que ela é protetora. É uma boa qualidade.

— Lety foi rude. — Tom sentou-se também. — Ela não deveria ter falado com você daquela forma.

— Tudo bem. Ela só queria garantir que não vai ter nenhum tipo de aproveitador perto de você. — Harry alcançou a mão de Tom e começou a traçar as linhas de sua palma como um vidente buscando prever o futuro. A verdade é que passada toda a tensão era bom saber que Tom tinha alguém disposto a protegê-lo. — Eles parecem muito ricos, é natural que se preocupem agora que você é um deles.

— Você não está comigo pelo dinheiro.

— Ela não sabe disso.

— Vou fazer com que ela saiba.

Tom percebia que soava exatamente como Lety?

— Tão protetor… — A sombra de uma risada saindo em sua voz.

— Alguém tem que ser quando você parece tão afeito a deixar quem quer que seja falar qualquer merda ao seu redor. — A voz dele saiu mais dura, grosseira e impaciente. — O que você faria com Malfoy se eu não tivesse aparecido?

Harry parou o movimento dos seus dedos para olhá-lo.

— Dependeria dele. — Recolheu sua mão.

— Quer dizer que você o esperaria atacá-lo apenas para se defender.

— Você com certeza acha isso uma estupidez. — Disse irritado.

— Você não pode simplesmente esperar que as pessoas venham atacá-lo para só aí reagir a isso. Você lutou numa guerra, por Merlin. Como você sequer sobreviveu sendo tão…

Harry sentiu seu corpo ficando tenso e seu sangue gelando. Ele sentia sua respiração ficando pesada, dura e presa dentro do seu corpo.

Conseguia sentir a poeira e fuligem na ponta da sua língua, os ferimentos cicatrizados que nunca paravam de doer, a dor dentro do seu peito pulsando e correndo por seu corpo junto com o sangue.

Sentia a umidade fazendo seus olhos arderem.

Algumas palavras são só palavras, mas existem aquelas que quando se escuta ecoam e ficam batendo dentro do peito querendo encontrar uma saída. Havia palavras que Harry nunca seria capaz de esquecer ou de fazer ecoar, palavras que tinham ganhado morada dentro do coração dele, fincado raízes em quem ele era, que germinaram e deram frutos. Frutos que alimentavam sua dor.

Quem você vai usar como escudo hoje, Potter?, a voz soava no fundo da sua mente. A voz que habitava seus pesadelos mesmo quando estava acordado. O garoto que sobreviveu por acaso e porque Dumbledore estava puxando os cordões. Talvez em cinquenta anos ele sequer lembrasse mais, mas ali ela soava tão clara quanto no dia que a ouviu. Acaso e sorte e o fato de você ter se escondido e choramingado atrás das saias de homens e mulheres superiores a você, e me permitido matá-los em seu lugar!

A voz de Voldemort foi quebrada quando as mãos de Tom agarraram seu rosto o obrigando a olhá-lo. 

— Meu Deus. — Tom disse em um sussurro temeroso. — Eu não quis… Harry… me desculpa. Eu não queria…

— Está tudo bem.

A mentira deslizou pelos lábios dele.

— Eu-

— Está tudo bem. — Ele repetiu, mas seus olhos ainda ardiam e seu peito ainda doía. — Está tudo bem.

Mas os dois sabiam que não estava.

 

Se desvencilhou das mãos de Tom dizendo que tinha que tomar banho. Sentia alguma coisa se revirando em seu estômago, tentou controlar a ânsia que o invadia, pois estava a um segundo de vomitar. Se apoiou na pia de mármore e tentou focar na frieza que sentia através das palmas das mãos. Não ergueu o rosto, não queria ver seu reflexo no espelho. Não queria ver o medo, a dor que estava entranhada em suas costelas, o horror que as memórias lhe proporcionavam.

 Como você sequer sobreviveu?

A resposta para aquela pergunta era terrível e Harry a conhecia, poderia ter respondido a Tom se a perspectiva não fosse tão assustadora, se a dor não estivesse bem ali queimando na sua pele como brasa.

Retirou o resto das suas roupas e se afundou na banheira até estar totalmente submerso. Sentia os olhos arderem e escolheu fingir que era só pela água e não por causa daquela queimadura latejante, do pulsar doloroso de seu coração. Estou chorando? A água não o deixava saber, talvez sim, talvez não. Talvez houvesse uma quantidade de lágrimas que uma pessoa poderia produzir e Harry já tivesse extrapolado. Talvez estivesse doendo demais para ele sequer chorar ou já estava vivendo com aquela dor por tanto tempo que já estava se acostumando.

 

Quando retornou ao quarto Tom ainda estava lá no mesmo lugar que o havia deixado. Enquanto arrumava a cama para deitar, Tom foi alimentar o fogo da lareira, só então voltou para cama, embora tenha deitado por cima das cobertas.

O quarto foi tomado pela escuridão, com a lareira fornecendo a única iluminação, mas que não chegava a alcança-los totalmente. O silêncio cresceu incômodo, se colocando como uma barreira entre os dois. Nenhum deles fez qualquer movimento de aproximação e Harry se sentia estranho, sentia frio mesmo com a lareira acesa, mesmo com Tom ao seu lado.

— O que aconteceu com Eliza Crabbe? — Tom perguntou depois do que poderiam ter sido horas de silêncio.

— Ela se machucou. — Dizer a verdade seria como trair a confiança de Eliza e não queria isso.

— E naturalmente você a ajudou.

— Você acha que isso é uma fraqueza. Acha que o fato de eu não atacar, revidar ou ajudar alguém que até ontem era uma estranha faz de mim fraco. — Claro que ele achava. Duvidava que Voldemort tivesse saído do seu caminho para ajudar quem quer que fosse. 

Mas Tom não é Voldemort. Ele não é.

— Harry…

— Tudo bem. Eu entendo a lógica. — Tinha as palavras de Voldemort gravadas a ferro na sua memória. Ele conseguia lembrar de todas as pessoas que morreram para protegê-lo, de todas que ele não conseguiu salvar. — Mas nunca vou conseguir ser assim. Eu nunca serei como eles, Tom. Prefiro morrer como eu mesmo a mudar quem sou. E eu… Eu sou o tipo de pessoa que tem vontade de socar a cara do Malfoy, mas que também lamenta o que Dorea fez com ele e… como eu posso odiá-lo por estar apaixonado por você quando eu sei como é se sentir assim? Como posso odiar Lety por tentar protegê-lo quando eu quero fazer o mesmo?

— Você está errado. Nada faria eu pensar em você como alguém fraco. — Harry conseguia ver apenas a silhueta dele, o braço embaixo da cabeça e o corpo totalmente voltado na sua direção. — Sim, eu gostaria que você fosse mais duro e se impusesse mais, que não deixasse qualquer um se aproximar. Eu sei que seu grande coração grifinório o impede. Eu sei, eu sei. — Harry o sentia revirando os olhos dramaticamente. — Eu gosto do seu grande coração grifinório, aliás.

— É um coração muito estúpido.

— Ele é seu. É bom… é perfeito.

Tom se aproximou e deu um beijo suave do rosto dele e se afastou só um pouco. Harry sentia que havia uma pergunta silenciosa rondando o quarto. Tom deveria ficar ou ir embora? A decisão era sua.

Se aproximou. Tocou no rosto dele com gentileza, um toque suave e tímido. Quase não podia vê-lo com aquela iluminação, mas não precisava de luz. Lembrava-se a cor exata dos olhos dele, como os lábios eram rosados e bonitos, o formato do nariz e do maxilar. Ele veria tudo aquilo mesmo se estivesse com os olhos fechados. Mas o que Tom via quando o olhava? O que ele via naquele momento? Quando o beijava conseguia sentir o gosto da guerra na sua boca, das lutas em sua pele? Ele sentia que Harry foi reconstruído pedaço por pedaço, osso por osso, colado com algum tipo de material resistente a fogo e água, mas que ele sempre estaria quebrado e nunca seria inteiro?

Agarrou-se a ele buscando algum vestígio de segurança e calor, algo que afastasse aquele tormento. Foi abraçado e acolhido e quando a inconsciência veio seu coração pulsava tranquilamente, como se soubesse que nenhum perigo poderia alcançá-lo ali.

Acontece que Harry nunca estava seguro nos seus sonhos, sabia disso.

Ele não deveria esquecer.

Talvez o culpado fosse a época ou a floresta congelada do lado de fora ou o frio que entrava sabe-se lá por onde cuja lareira não conseguia afugentar completamente. Ele tinha se livrado daquela sensação em Godric’s Hollow. De repente estar naquele lugar onde tudo começou não era tão horrível assim, porque Anne e Henry faziam tudo se tornar mais colorido e o inverno do lado de fora estava mais para primavera no coração de Harry.

Talvez fosse por causa daquela outra floresta congelada, da lembrança de uma barraca fina e feitiços de aquecimento, numa época em que sequer sabia que o natal havia chegado ou então todo aquele tempo que passou na casa dos Black finalmente tivesse cobrando seu preço.

Ele estava no Largo Grimmauld, nos braços de Sirius em um abraço forte e acolhedor. A casa ainda era como ele se lembrava, velha, suja e empoeirada, mas assim que cruzou a porta tudo estava diferente, mais limpo, mais novo.

— Onde estamos? — Ele sabia, era o Largo Grimmauld, sabia que era, ainda assim…

— Em casa. — Sirius respondeu.

Sirius ainda era o mesmo. O rosto escavado, cabelos grandes, secos e quebradiços, olhos azuis curiosos e inteligentes, um sorriso enorme. O problema era que ele parecia meio turvo, como se Harry o tivesse vendo em uma tv mal sintonizada.

— Está… diferente. Não deveria ser assim.

— Devemos destruir tudo. — Sirius pegou a varinha. — Queimar até não sobrar mais nada.

— Queimar? — Os olhos de Harry se arregalaram. Eles não podiam fazer isso, aquele era o lar ancestral dos Black, era a casa de Sirius, o último vestígio que tinha de seu padrinho.

— Assim eles não poderão invadir. Eles nunca poderão entrar aqui se tiver tudo destruído.

— Mas quem vai entrar?

Sirius inclinou a cabeça um pouco e o olhou com mais atenção. Harry passou a mão por cima dos olhos tentando limpá-los, fazer Sirius se tornar mais real.

— Harry, você não lembra? Você está fugindo. Comensais estão te perseguindo agora mesmo, a você, Ron e Hermione. Eles estão quase te encontrando.

Harry não lembrava disso até Sirius falar e de repente tudo fez sentido ao mesmo tempo que nada fazia e logo ele não estava mais no Largo com Sirius, ele estava naquela floresta, com gelo e neve aos seus pés, com árvores altas o cercando de todos os lados.

Harry estava gritando para que Hermione corresse mais rápido. Seus pés afundavam na neve fofa deixando um rastro, sua mão estava doendo e enrijecida, ainda assim continuava segurando a de Hermione, tentando puxá-la para que ela não ficasse para trás. Ele procurava por Ron ao mesmo tempo que tentava se desviar das árvores, qualquer vislumbre de cabelos de fogo no meio de todo aquele branco e cinza, mas só via as capas negras se aproximando.

Comensais. Era deles que eles estavam fugindo, mas também tinha um sibilado que o fez pensar em Nagine ou no basilisco e que parecia estar os alcançando. Ele ouvia uma risada alta e debochada que fazia seu sangue congelar dentro das suas veias e parar seu coração. Desviou seu olhar para Hermione por um segundo, só queria ter certeza que ela ainda estava ali com ele e nem percebeu o perigo a frente. Demorou um instante para sentir o chão sumindo debaixo dos seus pés, o susto o fez largar a mão de Hermione e então se viu caindo no vazio de um penhasco.

Acordou tremendo nos braços de Tom.

O mundo tinha parado de girar por um segundo e Harry não sabia onde estava, o que era real e o que era sonho. Ainda era capaz de sentir os membros enrijecidos pelo frio, as pernas doendo pelo esforço da corrida, lembrava-se vividamente da textura da mão de Hermione na sua, no aperto forte que ela mantinha para não o soltar.

A porta foi aberta com um estrondo o que só ajudou a deixá-lo ainda mais assustado. Harry era capaz de sentir seu corpo sendo segurando em um abraço. Sequer havia percebido quando tinha sentado… Ele estava correndo antes, não é? Ainda tremia. Deus, ele tremia tanto e quase não conseguiu escutar a pessoa que o segurava mandar quem quer que fosse sair dali.

Era Tom, ele lembrou. A voz, os braços, o cheiro. Tudo era Tom.

Harry sentia que nunca ia parar de tremer. O que era real e o que não era? E se ele só tivesse morrido na queda e Deus, onde está Hermione? E Ron? 

— Hermione... 

— Foi só um sonho. Só um pesadelo. Nós estamos no chalé dos Black, lembra? Vamos passar o natal com nossos amigos.

— Mas… — Aquilo não parecia certo. — Nós estávamos fugindo… Eles estavam nos alcançando e nós caímos. Não sei onde o Ron está, eu não o via. A floresta ela… Nós o perdemos na floresta. Eu preciso…

— Harry! Ei! — Tom agarrou o rosto dele. — Você está bem. Você está seguro.

— Não! Não! — Ele tinha que achar Ron e Hermione, ele não podia perdê-los. — As pessoas estão sempre morrendo ao meu redor… sempre… sempre... Deixei que eles morressem no meu lugar… todos eles… todos mortos... — Ele sussurrou. Não estava totalmente consciente, uma parte dele ainda presa naquele sonho. — Não posso deixar Ron e Hermione… não posso perdê-los também.

Uma parte dele sempre estaria presa em pesadelos.

— Você não os perdeu. Eles… está tudo bem.

Tom o fez voltar a deitar. Ele conseguia ouvir o coração de Tom batendo rápido, tentou se concentrar naquilo. Fechou os olhos com força e tentou esquecer a floresta, a risada e o rosto assustado de Hermione, o grito mudo de sua boca aberta.

— Eu prometi que voltaria... 

Tom o apertou ainda mais, o envolvendo completamente com seus braços.

Quando Harry voltou a adormecer não havia mais floresta ou uma mulher rindo. Na verdade, ele ouviria risadas, mas essas eram suaves e divertidas, também haveria uma lareira e pufes confortáveis e crianças gastando tempo com brincadeiras ao invés de fazer seus deveres e lá no fundo, se ele parasse para pensar, escutaria um som ritmado que lembraria muito um coração batendo.

 

— Harry, acorda. — Uma voz feminina disse. — Harry Potter, levante-se dessa cama agora mesmo!

 Harry abriu os olhos a contragosto pensando em mandar quem tentava lhe acordar ir embora, mas não havia ninguém. Ele estava encolhido contra o corpo de Tom, com sua mão agarrando a frente da blusa dele como se tivesse com medo de rolar da cama em direção ao chão. Abriu seus dedos, que àquela altura estavam doloridos e um pouco dormentes.

Tom dormia profundamente e sequer notou quando Harry escapuliu para fora dos seus braços. Ele parecia plácido, embora houvesse uma pequena tensão entre as sobrancelhas dele. Era sempre tão bonito que doía olhá-lo por muito tempo e Harry fazia isso bastante e sentia que nunca ia parar. Aquela sensação maravilhosa, como se houvesse capturado algo belo e único estava ali, assim como a sensação assustadora, de saber que não poderia segurar aquilo por muito tempo.

 

Não fazia ideia de que horas deveriam ser. O sol brilhava fraco, se esforçando para fazer seus raios luminosos atravessarem as grossas nuvens cinzentas. Passou pela sala do quadro e caminhou para onde se lembrava de Pollux apontar que era a cozinha, mas antes de chegar lá encontrou a sala de jantar.

Era menor do que aquela primeira sala, havia uma tapeçaria que tomava quase metade da parede e ia do chão até alcançar perto do teto. Tinha sido belamente traçado para representar uma garotinha sentada aos pés de uma árvore, o rosto dela estava baixo e ela tinha um livro nas mãos. Uma mesa de oito lugares já estava posta com pães, bolos, suco, leite e um bule fumegante que ele supôs ter chá dentro. Aquilo era muito mais do que os seis poderiam comer, mas fartura deveria ser um lema subscrito dos Black.

Pensou se deveria vasculhar o resto da casa, ganhar tempo até que os outros acordassem para que todos comessem juntos, mas estava frio e o vapor que subia do bule era muito atrativo para ele ignorar. Serviu uma xícara e colocou só um pouco de leite. Raramente adoçava seu chá, gostava do sabor levemente amargo que a maioria deles tinha e aquele era perfeito.

Bebeu um pouco mais e a encheu novamente antes de deixar a sala de jantar. O bom senso dizia para ele permanecer ali dentro, talvez pudesse conversar um pouco com Ella, deveria ser solitário ficar naquela casa que nunca recebia ninguém, mas não sabia de verdade se quadros conseguiam sentir algo como solidão. A questão é, ele não lembrava totalmente do que tinha acontecido na noite passada, mas conseguia lembrar do frio, da neve e de árvores ao seu redor, então sim, Harry fazia uma ideia sobre o que tinha sonhado e do quão assustador aquilo deveria ter sido. Por isso deveria ficar protegido lá dentro e não realçar memórias que ele nunca havia conseguido esquecer de fato.

Não é a mesma floresta.

Não é a mesma floresta.

Não é a mesma floresta.

O problema é que parecia exatamente a mesma floresta de seus pesadelos. Tinha as mesmas árvores altas e tudo que deveria ser verde e vivo ali estava branco e morto. Era até mesmo bonito, mas possuía a beleza meio morta e melancólica que só o inverno tinha. Se ficasse olhando por muito tempo seria capaz de ver uma corça prateada surgir entre as árvores? Ele balançou a cabeça para afugentar o pensamento, um sorriso triste despontando do canto da sua boca.

— Ele está morto.

Não havia corças prateadas, nem comensais ou sequestradores. Eles deveriam ser as únicas pessoas ali em um raio de quilômetros.

Segurou a xícara com as duas mãos tentando pegar o calor que vinha dela. Deveria ter nevado fazia pouco tempo, porque a neve presa ao chão tinha a aparência fofa e macia. Lembrou-se de Charlus dizendo que eles deveriam fazer uma guerra de neve e se imaginou se escondendo entre as árvores, esperando por um ataque e o mero pensamento o fez tremer. Percebeu que nunca seria capaz de participar de algo assim sem ter um ataque de pânico. Como seria horrível estar novamente em uma floresta congelada correndo de pessoas que queriam… Eles não iam machucá-lo, Harry tentou pensar, mas a sensação continuava ali, esfriando o que o chá tinha aquecido.

Se virou quando escutou um praguejar baixinho só para ver Irma tentando passar os braços pelas mangas de um casaco grosso e bem maior que ela, provavelmente de Pollux.

— Onde conseguiu chá? — Ela ergueu a mão e Harry deu a xícara a ela.

— Na sala de jantar.

Irma bebeu um pouco antes de lhe devolver. Havia só um restinho e ele já começava a sentir o frio se embrenhando dentro do seu casaco, ocupando qualquer espaço que alcançasse.

Irma saiu sem falar nada e voltou instantes depois segurando uma xícara e o bule. Ela fez as cadeiras que estavam no canto da varanda levitarem e conjurou uma mesinha baixa. Harry ergueu uma sobrancelha.

— O que? Eu não conto se você não contar. — Ela serviu o chá com uma atenção calculada. — Não trouxe açúcar.

— Tudo bem.

Irma soprou a sua xícara e fez um som de prazer quando bebeu. Eles nunca tinham ficado sozinhos, só os dois e Harry não sabia o que falar, ainda mais porque Irma parecia ignorar o olhar dele de forma consciente.

— Está tudo bem?

Não diria que a conhecia o suficiente para reconhecer todas as nuances de seus suspiros, mas a conhecia o bastante já para perceber como ela estava preocupada, talvez tensa e aquilo era vergonha?

— É claro.

Irma era silenciosa. No começo eles quase não escutavam a voz dela, depois ela passou a falar mais com Dorea para em seguida criticar Charlus. A Harry ela destinava olhares irritados, nunca o atacando diretamente, mas sempre o olhava quando falava mal dos grifinórios em geral, como se quisesse que ele soubesse que estava incluso no meio. Os ataques de Irma eram sempre mais infantis que malvados, por isso Harry sequer se chateava e até achava aquele humor ácido engraçado.

Mas Irma não era receosa, ela era fria, distante e irritada. Ela não desviava o olhar, a não ser que fosse porque continuar a olhá-lo a faria arrancar sua cabeça.

— O que acontece agora que você e Pollux noivaram? — Ele olhou para a mão dela sem o anel.

Ela deu de ombros.

— Vamos nos casar eu suponho. — A voz dela tremeu um pouco na última palavra.

— Você acha… acha que você dois podem… Você pode vir a amá-lo?

Irma o olhou por meio segundo antes de voltar a encarar o fundo da sua xícara.

— Eu não sou o que ele quer e ele não é o que eu quero. Amor é… amor é diferente. Não é tão difícil amar o Pollux, é? — Ela o olhou, os lábios se mexerem com o que poderia ser um sorriso. — Mas não vamos nos apaixonar um pelo outro. Nunca. Não é possível.

Era a primeira conversa que eles tinham de verdade e Harry deveria ter optado por algo mais banal como o clima, porque não sabia o que falar depois daquilo. Sempre tinha pensado que o amor era o mais complicado na relação dos dois, que o destino deles estava fadado ao fracasso por eles nunca serem capazes de se amar, mas e se não fosse isso? E se Irma conseguisse amar seu marido, mas nunca algo além disso? Ela nunca o olharia com olhos brilhantes de expectativa, nunca esperaria um beijo ou sentiria prazer com o menor dos toques.

— Eu queria que as coisas pudessem ser diferentes.

— Eu tenho sorte. — Ela deu de ombros mais uma vez. — Há homens como Pollux e homens como… Avery. — Fez uma careta de desgosto. — Acho que Eliza tinha nos feito fugir de casa se fosse a segunda opção.

Harry riu.

— Eliza é uma boa garota.

Irma o olhou, finalmente. Diretamente, dois olhos castanhos, que eram constantemente carregados de frieza e aquela coisa que era só de Irma, uma força, resiliência. Ali eles refletiam culpa e gratidão.

— Ela disse o que você fez. — Irma abandonou a xícara na mesinha entre eles. Pensou que ela fosse falar algo mais, mas Irma ficou apenas o olhando até que o olhar dela tornou muito difícil para ele continuar a olhá-la, porque de alguma forma ele sentia que ela sabia porque ele havia ajudado Eliza, porque ele sabia que ela estava machucada em primeiro lugar. — Obrigada.

— Não foi nada.

Irma assentiu voltando ao silêncio contemplativo.

Aliado, foi como Eliza tinha dito que Irma o chamara. De alguma forma saber o que ele fez a irmã dela a fazia olhá-lo de uma forma diferente, mais indulgente, acolhedora. Eles não eram amigos, talvez nunca fossem, mas estavam do mesmo lado.

 

Harry passara dez natais ao lado dos Dursley e a data nunca foi realmente significativa. Ele não podia ajudar a enfeitar a árvore, quando a ceia vinha às vezes era permitido que ele ficasse com eles, na maioria das vezes lhe davam alguma coisa para comer no começo da noite e o mandavam para o armário embaixo da escada. Ele escutava as vozes animadas, risadas e o barulho do embrulho de presentes sendo desfeito, porque Duda sempre os abria antes da hora, enquanto isso Harry ganhava algum brinquedo velho que o primo não queria mais.

Seu primeiro natal de verdade – não contava o natal que ele passou com seus pais – foi em Hogwarts, com Ron, os professores e os outros alunos. Seu primeiro presente de verdade foi um suéter que a senhora Weasley fez especialmente para ele. Aquele foi o primeiro natal que teve de fato o tal do espírito natalino.

Agora ele tinha outro primeiro natal.

 

Na tarde do dia 23, logo depois do café, Harry percebeu que o natal estava bem aí e que em sua tristeza e melancolia tinha esquecido de comprar os presentes. Felizmente Dorea disse que também precisava comprar mais algumas coisas e Anne tinha que passar no boticário antes que tudo fechasse para os feriados. Assim, os três foram se aventurar no Beco Diagonal às vésperas do natal.

Harry não tinha separado muito dinheiro para presentes. Tinha começado a fazer contas e cálculos e pensar sobre o quanto tinha e quanto poderia gastar. O problema era que os Potter, Black e Irma eram bem ricos. Lembrava-se de já ter dado uma caixa de bombons para Ron em um dos natais que passaram juntos, mas se sentia muito ridículo ao pensar em fazer o mesmo com aquelas pessoas ali.

O problema é que não havia como fazer magia para aumentar seu dinheiro.

Primeiro comprou os presentes de Charlus e Dorea, eram os mais fáceis. Comprou um pomo de ouro de brinquedo para Charlus, ele voava a pequenas distâncias e dava piruetas quando tentavam alcançá-lo. Em sua andança encontrou essa lojinha quase escondida entre a livraria e uma loja que prometia limpar qualquer coisa. Eles customizavam blusas, uma moça o informou. Faziam qualquer desenho, escreviam o que o cliente quisesse. Então uma ideia lhe fez sorrir. Harry saiu da loja com uma blusa vermelha com letras douradas que diziam: “É senhora Potter, agora”.

Não eram presentes que custavam dezenas de galeões, mas talvez o sentimento por trás fosse muito mais importante.

Era natal, afinal.

Natal não tinha nada a ver com dinheiro e tudo a ver com o que eles guardavam em seus corações, certo? Harry ficou repetindo isso até sentir que seu rosto não queimava de vergonha.

O presente de Pollux não foi tão complicado, mas lhe deu um embrulho no estômago. Ele foi andando pela Floreio e Borrões, passando pelas estantes que traziam livros de poções e herbologia, depois as de criaturas mágicas. Até chegar nos fundos da loja onde sabia que estaria os exemplares que ele buscava.

Ele não compraria Magia mui maligna. Sua mão cairia antes que ele desse aquele livro para alguém, mas poderia procurar algo melhor, algo que pudesse dar alguma instrução a Pollux que não viesse da mente de Tom.

Ele encontrou um depois de quase meia hora procurando: Mente e Magia. O autor tratava a magia como algo fluido, que ia de um ponto a outro pela vontade de seu mestre e pelo que Harry conseguiu perceber ele dava avisos nada sutis sobre trabalhar com certo tipo de magia, todos os perigos que vinham em adentrar esse campo.

Quanto a Irma, não fazia a menor ideia do que dar a ela, então já que estava na livraria e sabia que ela gostava de poções e herbologia – era praticamente a única coisa que sabia sobre ela – resolveu pegar o exemplar mais vendido daquela sessão e embrulhá-lo na embalagem mais dourada que eles tinham, só para ver o olhar de ódio que ela o lançaria quando percebesse sua intenção.

Tom era o mais difícil. Não por não saber o que queria dar a ele, Harry sabia exatamente o que queria, mas por saber do quão difícil seria conseguir. Talvez impossível. Mas reuniu toda a sua coragem grifinória e toda aquela esperança tola que habitava seu coração e caminhou em direção a Travessa do Tranco. Torcia para não ser tarde demais.

A loja de Borgin e Burke tinha a mesma aparência sinistra e sombria que ele se lembrava. A loja mal iluminada arrepiava os pelos dos braços de Harry o fazendo querer dar a volta e sair dali. Havia uma armadura no canto que o encarava e segurava um machado de forma ameaçadora e nem era a coisa mais assustadora que havia ali, porque o mostruário era cheio de coisas sinistras e aquilo são olhos? Harry engoliu em seco e tocou a sineta em cima do balcão, limpando a mão na sua calça em seguida.

— Ora, ora. — Um homem apareceu nos fundos, saindo de uma portinha que Harry havia ignorado. — Perdido, rapaz?

— Na verdade estou procurando por um presente.

—O que você quer? Talvez uma poção para uma bela jovem ou um baralho enfeitiçado para um amigo? — Burke veio na direção dele. O olhou da cabeça aos pés e seu lábio se ergueu com asco. Harry se vestia como um trouxa, isso era claro.

— Um colar. — Harry respondeu.

 

Eles se sentaram aos pés da árvore, com suas velas ainda tremeluzindo acima da cabeça deles, naquele tapete que era tão macio quanto Harry tinha imaginado. Cada um com um punhado de presentes aos seus pés. Harry já havia aberto uma parte dos seus. Tinha um cachecol verde presente de Prudence e ele se sentiu bem envergonhado por não ter pensado nela e havia um também de Bill. O bilhete dele dizia que ele estava tentando aprender a fazer biscoitos com a mãe dele. Charlus também tinha recebido e pela careta que fez ao provar Harry deixou o seu a uma distância segura.

Dorea olhou para a blusa e para Harry e novamente para a blusa antes de cair na gargalhada. Ela riu tanto que seus olhos lacrimejaram e disse para todos esperarem enquanto ela subia para trocar de roupa e colocar aquela. A blusa, sendo tão grifinória quanto era, fez Charlus sorrir e os sonserinos fazerem caretas. Harry só estava feliz por ela não ter odiado totalmente.

— Mente e magia? — Pollux abriu o livro como se procurasse por algo mais. — Por que o Potter ganha um brinquedo legal e eu ganho um livro?

— Charlus não tem os mesmos interesses que você e se quer continuar brincando com aquilo precisa de instrução melhor.

— Vocês dois são iguaizinhos. — Pollux olhou para o outro livro em seu colo, aquele dado por Tom.

Harry abriu mais um pacote, este vinha de Charlus e Dorea. Para sua surpresa era um pomo também, mas enquanto o de Charlus era apenas uma cópia aquilo parecia um pomo de verdade. Ele o segurou em sua mão e o pequeno pomo de ouro abriu suas asas preguiçosamente.

— Isso…

— Você se mostrou um apanhador tão bom naquele dia. — Charlus disse. — Pensamos que seria um presente apropriado.

— Charlus achou que se só um de nós o desse você ia surtar.  — Dorea caiu ao lado de Charlus.

— É um pomo de ouro de verdade. As pessoas não saem por aí comprando pomos de ouro. — Sim, Harry estava surtando.

— Aqui, Harry. Esse é meu. — Pollux empurrou um embrulho em suas mãos o forçando a soltar o pomo que ficou sobrevoando a cabeça deles.

Ele não entendeu de imediato o que era aquilo. Era um intricado de madeira na forma de um aro, com pequenos filamentos prateados, dourados e cobreados trançados no centro. Da madeira caiam pequenos nós presos a pedras triangulares. Esmeraldas, ametistas e outras que Harry não reconhecia.

— É um apanhador de sonhos. Os bruxos ameríndios acreditavam que certos objetos serviam para conter más energias e que um apanhador de sonhos poderia ajudar com pesadelos. — Pollux explicou.

— O-obrigado.

Eles continuaram com todo aquele processo. Com Dorea jogando o par de luvas que havia ganhado no rosto de Pollux dizendo que tinha pedido uma tiara de pérolas e ele respondendo que ela tinha que pedir coisas caras para o noivo e não para ele. Irma agradeceu pelo livro e pareceu um pouco envergonhada quando Harry pegou uma caixa e ela disse que era dela, mesmo que houvesse um bilhete em cima dizendo De Irma para Hunter.

A pequena caixa tinha alguns conjuntos de vestes comuns, não eram nada demais e Irma se empertigou um pouco ao falar.

— Meus olhos sangram toda vez que vejo você nessas roupas ridículas de trouxa. Você vai ficar muito mais apessoado caso se vista de forma adequada. Considere isso como um incentivo para você queimar seu guarda-roupa completamente.

— Obrigado, Irma. Muito atencioso da sua parte.

Ela crispou os lábios e abriu o livro que ele havia dado de forma violenta ignorando a todos.

— É do papai e da mamãe. — Charlus jogou uma caixa na direção de Harry que com sua habilidade de apanhador conseguiu pegar facilmente. — Fleamont e Euphemia disseram que são deles também, mas você pode ignorá-los.

Eram frascos de poção capilar, o que fez Harry rir.

— Papai diz que Fleamont só criou isso para dar um jeito no próprio cabelo, mas acabou servindo a todos nós.

Harry se lembrou do próprio pai as margens do Lago Negro despenteando os cabelos daquela forma que deveria parecer casual, mas não era. Ele afastou a lembrança amarga e buscou Tom que estava bastante silencioso desde que eles tinham começado a jornada de abrir presentes. Ele tinha um monte ao seu redor.

Harry se questionava se ele costumava receber tantos. Com onze anos foi uma surpresa quando ele recebeu alguma coisa, Tom também tinha se sentido assim na primeira vez que recebeu presentes no natal? Era diferente agora que ele ganhava algo que veio da sua família?

Ele tinha largado um conjunto de livros e pegado a caixinha de joias. Mas Tom assumiu uma expressão assustada, ele olhava para a caixinha sem fazer qualquer menção de abri-la e mal parecia respirar. Olhou para Harry com uma pergunta muda gritando em seu rosto e quando Harry olhou para os outros viu expressões igualmente surpresas e só então percebeu o que tudo aquilo parecia.

— Meu Deus! — Uma risada nervosa saiu da sua garganta. — Não é nada disso que você está pensando. Só abre de uma vez.

Tom abriu a caixinha de forma tão cuidadosa que parecia que ele esperava que um monstro pulasse dela e agarrasse seu rosto. Ele soltou o ar quando terminou de abri-la e viu o medalhão descansando em uma pequena almofada de veludo.

Harry sabia o que ele estava vendo, um medalhão de ouro pesado, com um S serpentino em incrustações de pedra verde brilhante na frente. Tom sabia o que aquele colar era?

Ele o olhou de forma confusa.

— Morfino disse que ela fugiu com um colar. Um colar que pertenceu a Sonserina. — A voz de Tom era vazia e distante. — Como você o encontrou?

Tom sempre sabia quando ele mentia, conseguia ver atrás de qualquer artifício que Harry colocava.

— Procurando.

— Espera aí. — Pollux se arrastou até Tom e olhou para o colar ainda guardado dentro da caixinha. — Esse é o medalhão de Salazar Sonserina? O medalhão?

— Harry, deve ter custado uma fortuna. — Dorea estava logo atrás do irmão também querendo dar uma olhadinha.

— Não se a pessoa que estava com ele não soubesse a quem esse colar pertenceu. Ele custou menos do que vale e mais do que aquele homem merecia. — Disse com uma ponta de chateação.

Burke tinha pago dez galeões a uma Mérope grávida e abandonada. Harry pagou nove, com o auxílio de magia. Ele sequer se sentia culpado por isso.

— Você tem certeza que esse é realmente… — Tom tirou o colar e agora o segurava na frente dos olhos.

— Há uma forma bem fácil de saber. Diz a lenda que Salazar encantou o colar para que apenas seus descendentes pudessem usá-lo. — Pollux disse.

— Peça para que ele abra, Tom. Na língua certa. Na língua de Salazar. — Dorea sussurrava como se fosse um segredo.

Tom segurou o medalhão na sua palma aberta e sibilou.

No passado Harry tinha feito a mesma coisa e algo terrível tinha acontecido, mas ali nada aconteceu além do medalhão abrir. Nenhuma voz, nem imagens perturbadoras. Nada. Em seu tempo Harry não daria real valor aquele objeto, era uma horcrux afinal e ele tinha perdido Dumbledore para consegui-la apenas para saber que tinha sido enganado. Mas naquele momento Harry percebeu o que Tom segurava. Aquilo já tinha estado em volta do pescoço de Salazar Sonserina, aquele medalhão já tinha estado no mesmo ambiente que Helga, Rowena e Godric, talvez tivesse estado lá quando Hogwarts foi construída.

Tom abriu o medalhão o olhando com atenção. Tom não sorria com frequência. Bem, ele sorria, era um dos seus encantos, era charmoso, convidativo e fazia a perna de seres humanos tolos como ele tremerem e mãos suarem. Seu sorriso real, aquele que Harry sabia que saia do fundo daquele coração meio congelado, era mais sublime, ainda mais lindo que o outro. Era um pouco malicioso, talvez fosse porque Tom era todo feito de malícia, mas também tinha uma covinha que aparecia na sua bochecha e aquilo transformava todo o rosto dele, porque pelo tempo que aquele sorriso permanecesse Tom se tornava um garoto como qualquer outro.

Era assim que ele sorria naquele momento.

— Vocês querem conhecer os fundadores de Hogwarts?

 

Tinham que lembrar que aquele colar tinha quase mil anos, era quase uma relíquia. Deus! Era uma relíquia. Ele foi passado de mão em mão como se fosse um diamante caro demais e eles tivessem muito medo de derrubá-lo. Quando chegou nas mãos dele Harry as sentia suando.

Não é uma horcrux.

Não é uma horcrux.

Não é uma horcrux

Não haveria um olho lá capaz de ver sua alma e seus piores medos, nem nenhuma voz saída diretamente das profundezas da escuridão para atormentá-la. No lugar de todos esses tormentos havia uma pequena gravura feita a mão retratando quatro rostos. O medalhão não era como um relicário normal, era maior e, portanto, o desenho não estava espremido. Não podiam saber quem era quem, exceto que era meio evidente depois que se olhava com atenção. Godric tinha um rosto naturalmente risonho e uma cicatriz que lhe cortava a bochecha, Salazar era sério, concentrado e tinha um olhar curioso, avaliativo. Harry sabia qual delas era Rowena, já tinha visto aquele rosto gravado em pedra, tinha o mesmo formato, a mesma beleza antiga e inteligente. Helga era a única dos quatro que sorria de verdade, aberto, cheia de afeto e carinho e ele conseguia imaginá-la bradando aos quatro cantos que ensinaria qualquer um que quisesse aprender, que as portas de sua casa estavam abertas a todos aqueles que conseguissem fazer magia. Os inteligentes, corajosos e astutos, todos tinham um lugar na casa de Helga. Por isso que Lufa-Lufa ficou conhecia como a casa dos justos, dos leais e compromissados e ele se sentiu instantaneamente abraçado por aquele sorriso.

— Acho que falta apenas o meu presente. — Tom disse fazendo Harry levantar a cabeça. — Espero que você goste. — Tom colocou a caixa retangular na frente dele.

Era uma caixa de madeira comprida que não dava qualquer indicativo para Harry do que poderia ter lá dentro.

Ele a abriu, bem mais curioso e bem menos assustado do que Tom esteve.

— Isso… Isso é uma Comet? — Charlus empurrou Harry com o cotovelo.

— Ei!

— Mas é realmente uma Comet. — Charlus ia pegar quando recebeu um tapa na mão. — Riddle te deu uma vassoura. Não uma vassoura, uma Comet.

— Que é uma vassoura. — Dorea falou do outro lado.

Era uma vassoura, de fato. Madeira clara, lustrosa, com pedais de cobre e uma cauda bonita.

Harry sorriu.

Dorea tinha lhe dito meses atrás que felicidade era uma escolha e ele tinha negado isso, porque como ele simplesmente poderia escolher ser feliz? Mas talvez ela estivesse certa. Felicidade poderia ser uma mata fechada onde você tinha que abrir o caminho se arranhando no processo. Talvez para ser feliz tinha que se escolher querer ser feliz e nada poderia fazê-lo feliz até que ele mesmo decidisse isso por si.

Um ano atrás ele sequer sabia que o natal tinha chegado, tinha perdido completamente a noção de tempo. Ele tinha Hermione e aquela sede por terminar tudo aquilo. Eles tinham perdido Ron e todas as pessoas que ele se importava estavam em perigo. Ele tinha sido atacado no lugar que seus pais tinham escolhido para protegê-los. Não havia presentes, uma ceia farta, felicidade ou sorrisos. O que havia era uma centelha de esperança que eles mantinham acesa a muito custo.

Mas isso foi antes. Por que ele deveria continuar se prendendo ao que tinha sido ao invés de viver aquilo?

Tinha prometido a si mesmo que tentaria ficar melhor, que tentaria se prender as boas memórias, aos momentos alegres, com sorrisos e calmaria. Era como seguir uma trilha, às vezes ele se desviava do caminho, mas só tinha que perceber a tempo, não ir tão longe que não pudesse retornar, assim ele voltava para a trilha e continuava a andar, seguindo em frente. Nem sempre era fácil e tinha os momentos onde ele se afastava um bocado da trilha, mas tudo bem.

Olhou para os outros. Charlus examinava a vassoura com atenção, Dorea olhava para uma blusa com uma careta, Pollux estava vendo algo que Irma lhe mostrava no livro que lia e Tom o olhava. Aquele sorriso ainda enfeitando o rosto dele, estava menor e um pouco hesitante, mas estava lá.

Tudo bem se ele saísse da trilha, pois Harry acreditava que tinha encontrado pessoas que sempre o puxariam para de volta, até chegar o momento em que ele não precisaria mais.

Felicidade era uma escolha. Ela não caminhava na direção das pessoas, as pessoas tinham que ir em direção a ela. Harry já tinha caminhado muito, na maioria das vezes a esmo, procurando e procurando, às vezes caindo e sendo levantado e empurrado para que continuasse a caminhar. Agora ele sabia exatamente para onde estava caminhando, em direção a que. A quem.

 

— Uma vassoura… Por que? — Harry sabia como Tom considerava quadribol algo desnecessário.

— Porque desde que você a viu está sorrindo assim. — Tom passou a ponta dos dedos nos lábios de Harry. — Porque no dia que você voou com Charlus foi a primeira vez que te vi sorrindo de verdade, era puro e real e incrivelmente lindo.

— Você soa bobo.

Tom mordeu a junção entre o pescoço e o ombro dele.

— Como você fez para colocar as mãos naquele medalhão?

Harry pensou que ele fosse usá-lo, como fazia com o anel, mas Tom apenas o guardou em seu quarto.

— Eu sabia que ele existia e que estava perdido. Não havia tantos lugares assim que ele poderia estar.

— E você o encontrou. — Tom sussurrou passando a língua no lóbulo da sua orelha.

— Pertencia a você. O medalhão de Sonserina tinha que estar com seu último herdeiro. — Harry escutou uma risadinha no seu ouvido e fez com que Tom o olhasse. — Estava com sua mãe, com Mérope. Ela… Ela o vendeu.

— Depois que Riddle a abandonou ela deveria precisar de comida, não é? — Toda a diversão tinha ido embora.

— Tom.... — Harry tinha aquela coisinha andando por seu peito e indo até seu estômago. Não era culpa, ele não ousaria sentir culpa por aquilo. — O homem queria muito pelo medalhão. Demais. Mas não o pertencia, ele praticamente o roubou de Mérope, se aproveitou da fragilidade dela e ele é seu, deveria estar com você.

— Não me diga que você matou o homem para pegar o medalhão. — A perspectiva deveria ser aterradora, mas Tom estava rindo.

— Eu o amaldiçoei. — Harry olhou para um ponto atrás de Tom, incapaz de olhá-lo. — Usei a imperius.

A maldição veio tão fácil quanto da primeira vez que ele a usou. Burke merecia algo pior, mas aquela ainda era uma maldição imperdoável e Harry se sentia um transgressor por tê-la usado assim, em um dia comum.

Tom o beijou com devassidão. Harry foi pego totalmente de surpresa e demorou um segundo para entender o que estava acontecendo antes de se entregar completamente. Deixou que Tom o guiasse na cama e ficasse por cima e retirasse o resto de suas roupas. Deixou que ele descesse as mãos até onde queria. Se deixou ser mordido, lambido e chupado e quando seu corpo explodiu e pensou que seu coração pararia Tom o beijou calmamente. Permitiu que Harry normalizasse a respiração e as batidas de seu coração e falou baixinho, como uma promessa, um pedido.

— Um dia quero saber tudo sobre você, até mesmo os aspectos mais insignificantes da sua vida. Qual foi sua primeira palavra, qual seu livro infantil preferido e como foi seu primeiro beijo. Como foi quando você voou pela primeira vez, como você se sentiu quando escolheu sua varinha e a segurou com suas pequenas mãos. — Ele beijou as mãos de Harry e seu pulso, subindo seus dedos como uma carícia. — Quero saber como você sabe tanto sobre magias das trevas e como alguém com seu coração pode manuseá-las tão bem. Não hoje ou amanhã. Um dia.

— Pode demorar muito tempo até que eu consiga dizer qualquer uma dessas coisas. 

— Não estou indo a lugar algum.

— Isso parece muito como uma promessa. — Harry não queria soar tão desesperançoso e cheio de medo.

Não acreditava em finais felizes. Como poderia tendo vivido toda a sua vida como viveu? Ele acreditava em finais e que no meio do caminho você poderia ser feliz. Quando olhava para ele e Tom imagina um final sempre a três passos de distância. O final estava atrás de cada palavra, de cada beijo que poderia ser o último, de casa sorriso vazio e melancólico, até mesmo dos genuinamente felizes. O final deles estava em todas as mentiras e segredos de Harry e de toda maldade e escuridão de Tom.

Não estava pedindo uma declaração. Não via um anel, um joelho tocando o chão e um pedido jogado para as estrelas em seu futuro. Sequer sabia o que estava pedindo, só queria que Tom entendesse o que aquelas palavras significavam para ele. Para eles.

— Eu jamais poderia imaginar ter isso. Ter você. — Tom olhava para o teto, Harry conseguia ver o peito dele subindo e descendo com a respiração lenta. — Foi tudo tão rápido e ao mesmo tempo tão tortuosamente lento. Eu nunca senti o desejo de ter alguém que fosse completamente meu até ver Dorea beijando você, só aí percebi que não queria ninguém mais tocando em você além de mim e mesmo quando soube não quis acreditar. Eu joguei todo esse desejo lá para o fundo, eu te magoei e afastei e de alguma forma sempre encontrei meu caminho de volta para você. — Tom o olhou. Os olhos dele tinham aquele brilho estrelado que Harry tinha visto uma vez quando eles estavam no alto da roda-gigante. — Eu quero você. Só você, Harry.

— Eu também quero você. Só você.

 

A discussão da primeira noite tinha sido esquecida e os silêncios preenchidos com cochichos e segredos banais, coisas que faziam os dois sorrirem para suas sombras, lembranças de tempos bons e calmos. Os dois sabiam que havia coisas por trás daquilo, segredos mais sombrios, histórias mais cruéis, nada que os faria sorrir e se aconchegarem um no outro e eles passaram por cima disso. Fingiam que tudo que havia de errado, que toda dor e tristeza estava além deles, além daquele chalé e da floresta.

 

Eles estavam todos do lado de fora, tão agasalhados quanto podiam. Charlus tinham os irritado até o limite para que eles tivessem a bendita guerra de neve e só parou depois de Irma ameaçar enterrá-lo embaixo de neve e gelo se ele não calasse a boca. Ainda assim lá estavam eles.

O eles queria dizer Charlus, Dorea, Pollux e Irma. Eles estavam no que parecia uma tentativa frustrada de construir um boneco de neve. Outro clichê natalino, mas que ninguém se opôs. Só que aquilo não parecia nada com um boneco. Eles tinham feitos pequenos quadrados congelados e diziam que serviria para os pés. Claro que um boneco de neve não precisava de pés, mas Dorea era muito perfeccionista e irritante. O problema todo estava em firmar a bola em cima dos pés. Eles já estavam na terceira tentativa e Harry pensou que eles começariam a se chatear com aquilo, mas estavam rindo com suas bochechas coradas pelo frio indo para a quarta tentativa de formar a gigantesca bola e levita-la até os quadrados de gelo.

Harry deveria estar lá entre eles.

Ele queria estar.

Ele travou nos degraus.

Havia um espaço entre a casa e a primeira árvore. O espaço tinha sido tomado por neve e gelo, mas que na primavera deveria criar grama e flores silvestres. Harry tentou pensar nisso, tentou pensar na grama verde e nas flores coloridas, tentou visualizar lá fora o que uma das tapeçarias retratava, mas só o que conseguia ver de fato era uma floresta assustadora que poderia esconder todo tipo de perigo.

Jamais conseguiria ficar de costas para floresta como Dorea e Irma estavam, mesmo ali as observando vez ou outra ele ainda lançava olhares assustados para a floresta, esperando que alguma coisa saísse dela. Alguém vestindo casaco preto e máscara, lançando maldições, perseguindo inocentes.

Tom havia percebido a hesitação, como as mãos dele tremiam, como seus olhos iam e vinham da floresta, assustados, temerosos. O chamou para se sentar com ele ao invés de ir se comportar como uma criança de cinco anos vendo neve pela primeira vez. Fez tudo parecer como se fosse ele sendo mal-humorado e irritado e não porque Harry estava a beira do pânico.

 

Família era uma coisa engraçada. Era um punhado de pessoas relacionadas por algo efêmero como sangue, obrigadas a conviver no mesmo ambiente e sendo obrigados a obedecer quem era mais velho, simplesmente porque se tinha uma ideia de que eles sabiam mais e melhor e por isso seriam capazes de tomar todas as melhores decisões. Se você tivesse sorte acabava amando aquelas pessoas e se tivesse mais sorte ainda sendo amado por elas.

Harry não teve uma família. Ele teve os Dursley e nada poderia ser mais distante dessa palavra. Ele, Petúnia e Duda tinham algum resquício de sangue, o mínimo possível. Ele foi alimentado e vestido com o mais básico, o suficiente para não morrer de fome ou congelado. Foi instruído porque a lei obrigava e a aparente normalidade que os Dursley impunham não permitiam que eles fossem julgados, mesmo que fosse um desperdício gastar material com Harry.

Ele teve os Weasley depois, e Hermione, Remus e Sirius. Teve Hagrid, McGonagall e a Armada de Dumbledore. Teve o próprio Dumbledore.

Ele nunca conseguia falar sobre os Dursley com Hermione e Ron, porque eles tiveram pais amáveis e boas famílias, mas com a exceção de Charlus o resto deles seria capaz de entendê-lo. Pensou em abrir sua boca e falar. Falar sobre os tios e primos e como foi todos os natais que passou junto a eles, todas as vezes que teve que sair de fininho em direção a cozinha quando já era muito tarde e todos dormiam e pegar pequenas quantidades de comida, porque seu estômago doía, mas nunca poderia exagerar, pois não podia deixar Petúnia perceber.

Ao invés de falar Harry estendeu o copo na direção de Charlus e o mandou encher.

— Poderíamos morar aqui. — Irma disse deitada no chão com os braços erguidos tentando pegar o pomo de Harry. — É uma boa casa.

Ela se remexeu procurando o olhar da mulher no quadro buscando aprovação.

— Se você realmente quiser. — Pollux olhava para Irma com atenção. Ela tinha voltado a sua tentativa de capturar o pomo.

— Ótimo. — Charlus estava animado. — Podemos abrir uma clareira na floresta e transformar num campo de quadribol. Com as montanhas e mata fechada é muito difícil os trouxas se aproximarem. Vai ser incrível.

— Faça planos para sua própria casa, Potter. — Irma olhou para eles apontando para Charlus não acreditando na cara de pau dele.

— Mas um campo de quadribol ia ser realmente legal. — Pollux disse baixinho.

 

— Você está pensativo. — Tom estava deitado com a cabeça nas pernas de Harry.

— Estou?

— No que está pensando?

Harry tinha a mão entre as mechas escuras de Tom fazendo um carinho delicado. Eles já estavam há um bom tempo ali e o sono era só uma ideia distante.

— Casa. Lar. Lares desfeitos. Famílias.

— Eu vou precisar de mais palavras que isso para entender.

— Como podemos ter boas casas se não sabemos como uma boa casa deve ser? E se tudo que nos resta é apenas repetir os erros com os quais fomos criados?

Tom não falou nada, mas se sentou na cama na frente de Harry.

— Você tem medo de ter uma casa como a dos seus tios?

Harry não segurou a força do olhar dele e encarou seus dedos.

— Casa… casa é qualquer lugar. Eu cresci em uma casa, Largo Grimmauld é uma casa, isso aqui é uma casa. Um lar é… Ele não é feito de madeira e pedra, ele não tem paredes, piso ou teto. Um lar é feito de pessoas… e quão bom um lar será eu sendo tão quebrado como sou?

— Você não é quebrado. — Tom ergueu o queixo dele com a ponta dos dedos. — Você não é quebrado. — Repetiu. — Você foi machucado e ferido, mas você foi curado e agora está mais forte. Você é tão forte, Harry e é assim que seu lar vai ser também. Forte e seguro.

Harry assentiu sem de fato concordar, mas Tom falava com tanta segurança que era fácil acreditar nisso.

— Deveríamos tentar dormir. — Tom se jogou do outro lado da cama.

— Aqui?

— É.

— Qual é o problema com seu quarto? — Harry não se importava que eles estivesse ali, só achava interessante que em todas aquelas noites Tom nunca dormiu no quarto que foi dado a ele.

— Você não está nele.

Harry riu alto.

— Merlin, acho que substituíram você por uma versão melhorada. — Se agarrou a ele. — Não vou deixar te devolverem.

 

Harry não conseguia dormir por muito tempo no chalé e nem era por causa dos pesadelos. Desde aquela primeira noite não teve mais nenhum. Se era efeito do apanhador de sonhos não sabia. Também não sabia o que o levava a acordar tão cedo. Poderia chutar que estar ali despertava aquele estado de vigília que tinha sido um companheiro constante na sua caça às horcrux.

Se soubesse disso teria dado ideia de eles irem para a praia.

 

— Fico feliz que vocês estejam trabalhando essa ideia de casamento de uma forma melhor.

Ele e Irma estavam atrás da casa, porque ela também acordava desnecessariamente cedo e tinha decidido fazer um reconhecimento do terreno. Cada um segurando uma xícara fumegante com chá e com casacos tão grossos que ela desaparecia nele.

— Que seja. — Irma bebericou seu chá. — Você vai querer ficar com seu quarto?

— O que? — Harry queimou a língua com o seu.

— Imagino que seja mais fácil simplesmente deixar um quarto disponível para vocês. Eliza pode ficar com o quarto de Tom, já que ele não parece disposto a deixar o seu.

Harry sabia que suas bochechas tomaram um tom gritante de vermelho.

— Você deveria fazer um jardim de inverno, como nos Potter. Assim não vai perder nada quando a estação chegar. — Era uma área bem extensa e continuava circundada pela floresta trazendo arrepios a ele.

— Já vi tudo que queria. Vamos voltar.

Harry não comentou sobre Irma ter segurado a mão dele e a apertado fraquinho, o fazendo desviar o olhar da floresta e começar a andar e nem ela falou nada sobre o quão suada a mão dele estava, mesmo que a dela estivesse praticamente congelando.

— Eu fico com meu quarto.

— Ótimo.

— Legal.

 

Harry se sentia meio tonto e ele estava deitado no tapete. Não queria nem pensar no que aconteceria se ele simplesmente resolvesse começar a andar pela sala. A ideia o fez rir.

— Foi no segundo ano. — Dorea falou.

— Eu tenho certeza que foi no terceiro.

Harry não lembrava mais do que eles estavam falando. Ele tinha começado a divagar sobre o quão tonto estava e tentava lembrar quantos copos de vinho tinha bebido já ou teria sido hidromel, mas tinha vinho também. Ele tinha recusado o uísque, isso tinha certeza. Ainda tinha hidromel, será?

— Você lembra quando foi, Harry?

Dorea chutou o joelho dele para chamar sua atenção.

— O que foi o que?

— Quando Tom acertou todas as perguntas que a Clarence fez e se livrou do exame final. Segundo ou terceiro ano?

— Harry não estava em Hogwarts nesse tempo, Dorea. — Tom a lembrou o que fez o resto deles dizer um Ah fraquinho.

— Tão estranho. — Dorea se virou de bruços no tapete chegando mais perto de Harry. Ele conseguia sentir o cheiro do cabelo dela naquela distância. — É como se você sempre estivesse aqui.

Harry sorriu batendo o indicador no nariz dela a fazendo gargalhar.

Okay.

Era a última noite deles no chalé e Charlus tinha dito que eles tinham que esvaziar as garrafas que haviam levado, o que na hora pareceu uma ideia ridícula, mas horas depois e várias garrafas vazias jogadas pelo tapete eles tinham começado a falar sobre todas as proezas do brilhante monitor-chefe de Hogwarts.

Tudo por que Tom tinha se recusado a beber dizendo que se todos eles iam se comportar como grifinórios desmiolados alguém tinha que se manter sóbrio para que ninguém resolvesse ir nadar no lago congelado.

As coisas começaram naturalmente, com Charlus agitando uma garrafa de conhaque que ele havia achado na despensa e que deveria ter uns quinhentos anos e trazendo uma badeja com chocolate quente flutuando atrás de si. Ele disse que aquilo encerrava as tradições do natal.

Chocolate com conhaque trazia lembranças amargas e doces para Harry. Na verdade, elas eram bem doces e por serem tão doces se tornavam muito amargas. Ele tomou seu chocolate batizado e todos os outros copos que Charlus colocou na sua frente.

Grifinórios eram tão estúpidos e ele odiava tanto Charlus, mesmo que não o odiasse de verdade.

— Vocês lembram quando Tom conseguiu fazer a poção do morto-vivo no sexto ano? Eu achei que Slughorn fosse chorar de orgulho. — Charlus falava rindo.

— E no terceiro ano quando ele venceu aquele duelo com a… Qual era mesmo o nome da corvinal? — Dorea estalava os dedos tentando lembrar. — Eu tenho certeza que foi no terceiro ano, Pollux! — Ela completou quando o irmão ia abrir a boca.

— Zoya alguma coisa. — Irma respondeu.

Tom apenas balançava a cabeça já tendo desistido de fazê-los parar.

— Ele já sabia todos os feitiços que a gente ia aprender no primeiro ano. — Pollux lembrou. — Vencer um duelo não foi nada demais.

— Tenho certeza que o velho Horace é apaixonado pelo Tom. — Charlus estava sentado e poderia ser a visão de Harry, mas achava que ele estava meio cambaleante.

— Todos os professores são apaixonados por ele. — Dorea falou.

— Não deixe que o Malfoy escute isso. — Irma soltou um risinho malvado. Ela não bebia muito, quase nada, na verdade. Mas eles estavam chegando ao fim daquela liberdade e naquela noite ela se permitiu ir um pouco além.

— Pobre Abraxas. — Dorea lamentou.

— Todos nós já fomos meio apaixonados pelo Tom em algum momento, Abraxas foi o único que não conseguiu superar. — Pollux falou o que fez com que Harry se engasgasse com o ar o Tom o olhar irritado, mas o restante rir.

 — Eu odeio tanto todos vocês. — Tom escondeu o rosto atrás de um livro.

— Harry! Harry! — Charlus falava sacudindo as mãos. — Sabia que o Dippet queria fazer Tom monitor no quarto ano? 

 

Mesmo com ressaca e uma dor de cabeça latejante Harry acordou primeiro que Tom. Havia uma coruja piando do lado de fora e até pensou que ela pudesse estar querendo deixar alguma coisa, mas havia um lugar para elas entrarem na casa. Não podia culpar o pobre animal, não quando ele era despertado até mesmo se Tom se mexesse ao seu lado.

Eles tinham que arrumar as coisas para irem a casa dos Potter e Harry tinha certeza que ainda tinha casacos seus pendurados pela sala – ou jogados em algum lugar da casa.

Harry estava se vestindo quando percebeu algo que nenhum deles havia se tocado na noite anterior. Era véspera de ano novo, dia do noivado de Charlus e Dorea. 31 de dezembro. Aniversário do Tom.

Harry ficou tão estupefato que caiu de cara no chão.

 

Ele entrou na cozinha esbaforido falando rápido sobre um bolo de aniversário e que tinha que ser de chocolate e que a cobertura tinha que ser verde. Obrigatoriamente. E ficou lá parado até um dos elfos dizer que eles já tinham tudo que precisavam.

Ele começou a bater de porta em porta os forçando a levantar dizendo que era aniversário do Tom e que eles tinham que preparar alguma coisa, porque era Tom e Harry o amava e eles tinham que fazer algo minimamente especial naquela selva congelada.

Ella disse que no depósito havia lanternas de papel e Harry não conseguia ligar as duas palavras a um objeto, mas Dorea sim e ela disse que faria disso algo bonito. Ou ela só queria se afastar dele. Provavelmente a última opção.

Pollux disse que Tom não costumava comemorar o aniversário, mesmo quando eles ficavam em Hogwarts. Ele costumava passar o dia no quarto lendo ou em alguma parte do castelo sozinho. Com o passar do tempo eles nem tentavam mais fazer alguma coisa. Harry o mandou ficar num canto em silêncio.

Charlus saiu atrás de Dorea, dizendo que ia ajudá-la a fazer sabe-se lá o que.

Todos eles estavam de ressaca e com expressões de que estavam prestes a morrer. Surpreendentemente era Irma quem parecia mais disposta e quando Harry a acusou ela só deu de ombros e disse que bebia como uma dama. Ela conseguiu fazer uma faixa pegando um tecido velho e tintas. Tinha uma letra bonita e havia até mesmo feito uma serpente enrolada no F de Feliz aniversário, Tom.

Quando Tom desceu havia balões coloridos suspensos no ar e uma faixa em cima da lareira e cinco pessoas pulando em cima dele e gritando surpresa, algo que logo depois os fez gemerem de dor.

— Vocês são patéticos. — Mas ele sorria e aceitou todos os abraços e beijos e felicitações.

 

O château que os Potter estavam falando durante todos aqueles dias ficava no País de Gales e enquanto alguns queriam permanecer no chalé até terem que ir para Hogwarts Dorea estava gritando para que eles se apresassem antes que a chave de portal saísse sem eles. Ela era uma noiva completamente diferente de Irma e Harry não sabia como a garota se sentia com isso.

Os seis se colocaram lado a lado todos tocando a garrafa. Harry segurou a respiração quando ela começou a bilhar torcendo para que daquela vez se portasse com mais dignidade e não simplesmente se esborrachasse no chão como uma fruta madura.

Quado eles ultrapassaram a distância Harry sentiu o braço de Tom ao redor da sua cintura o mantendo de pé de forma firme, do contrário ele teria caído, para sua vergonha.

— Bem-vindos ao Château de lion.

— Sério? — Pollux se virou segurando o riso.

— Por que você acha que o papai compraria algo tão extravagante? Ele achou que era uma piada cósmica.

— Se chama Castelo do Leão. — Tom falou baixinho no ouvido de Harry.

Eles estavam bem na entrada da propriedade e talvez Harry conseguisse deduzir o significado do nome sozinho e Tom deve ter pensado que a expressão dele era de dúvida ao invés de choque. A sua frente, a uma distância considerável, depois de um amplo jardim e grama verde e provavelmente um lago estava um pequeno castelo.

 


Notas Finais


Já tivemos vários momentos do Harry com os gêmeos e Charlus. Irma merecia ter sua chance tbm :)

A história desse capítulo: ele tbm abarcaria a noite de noivado do Charlus e Dorea e ele tinha dado pouco mais de 13k palavras. No fim não ficou realmente do jeito que deveria ficar, então fui reescrevendo. Quando chegou no meio do que se tornou esse capítulo percebi quão grande ele estava ficando e aí o jeito foi dividi-los para não ficar algo exorbitante.
O próximo sai em breve.

Atenção pequeninos raios luminescentes :) Muitas pessoas chegaram nos últimos meses e eu nunca me atinei p falar isso, mas CTTP tem um grupo no whats *---* Nós somos bem legais (eu acho), mas tbm eu fico jogando pequenos spoilers por lá antes de lançar o cap e recentemente (ontem?) eu comecei a botar pequenos contos de CTTP. Se vcs quiserem fazer parte desse grupo F A B U L O S O ->
https://chat.whatsapp.com/CGN9lUPG9NjG4Dhdl44I0a
Não se acanhem, entrem, digam olá, vejam como as pessoas são doidas e aí decidam se vão permanecer.

Uma dúvida que está permeando nossas cabecinhas confusas: tem alguém da grifinória lendo essa história? Acreditam que não tem uma alma viva grifinória nesse grupo? Ai ai... temos que mudar isso.

Beijinhos!!!


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