História Come with me - Capítulo 1


Escrita por: e serendipitly

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Agustd, Android, Androide, Cypherstudio, D'boy, Dimensão, Ficçaocientifica, Loonaverse, Minimini, Scifi, Vmon, Yoonmin
Visualizações 105
Palavras 9.599
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ficção Adolescente, Fluffy, Sci-Fi, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


opa olha quem chegou com uma yoonmin rsrs

vamos ser rápidos aqui, ok? essa fanfic foi baseada na teoria loonaverse (da lindissima gg loona), logo, tudo aqui são apenas teorias que me inspiraram a fazer essa fic <3

eu escrevi essa fic muito animada então espero que vcs gostem de ler ♥

Design por: Abyrvsz
Betagem por: Agust_Di

Capítulo 1 - Eat this and follow me


Fanfic / Fanfiction Come with me - Capítulo 1 - Eat this and follow me

Min Yoongi caminhava sem desvios para sua sala. Com a mochila barra carga em suas costas, que garantiriam sua bateria por mais tempo durante o dia sem que ocorressem emergências como certo andróide por aí, seguia num passo contínuo até o local onde teria suas aulas de Nutrição Animal naquele dia. Estava em seu segundo ano no curso de Medicina Veterinária e totalmente apto a aprender mais e mais conforme os dias passavam, mesmo que já houvesse passado um ano e mais da metade de sua turma estivesse menos animada como no início. O loiro mantinha uma chama no peito que desejava por mais conhecimento, logo um, dois ou três anos não o deixariam exausto. Ele sempre queria mais.

Mas também havia os comentários ruins, que diziam que Yoongi não cansava das aulas da senhorita Sooyoung porque era um andróide. Por ser “especial”, Yoongi podia “simplesmente gravar uma aula com seus olhos sem estar mesmo prestando atenção e assisti-la mais tarde”. Para o loirinho, aqueles comentários não só o irritavam como também o machucavam. Não era porque tinha um sistema operacional avançadíssimo funcionando em seu cérebro que ele simplesmente largaria de mão os esforços para estar naquela universidade. Por mais que aquele modo fosse fácil; não era certo, segundo as regras que o próprio andróide criara, como também era considerado um ato errado pelo regulamento de andróides dado pelo governo. Yoongi queria suar — se pudesse — para passar em cada prova, cada teste surpresa e trabalho em equipe; queria sentir em sua pele extremamente sensível e tecnológica a pressão que era estar numa faculdade, tendo que se destacar e se dedicar a cada coisa que surgisse dada pelos professores. Min Yoongi era um andróide, mas não um preguiçoso, por isso nunca havia usado suas habilidades para facilitar algo para si. E era por isso que comentários maldosos o machucavam tanto. Mas, como um bom andróide, Yoongi apenas os ignorava — fingindo de maneira magnífica — e seguia seus passos precisos rumo a sua fonte de conhecimentos.

Ao finalmente adentrar a sala fria, sentou-se na cadeira que poderia ser considerada sua por sempre ser sua escolha, retirou os materiais necessários para a aula e esperou o senhor Bogum, que substituiria a senhorita Sooyoung naquele dia. Mantinha suas branquíssimas mãos sobre as pernas revestidas com uma calça preta de tecido macio e focou sua visão para frente, sem demonstrar que ocorria uma verdadeira tarefa em sua mente.

Enquanto a sala se enchia de pessoas e andróides, a mente do jovem Min começava a disponibilizar espaço em sua memória para as novas informações que seriam recebidas naquele dia. Yoongi era um amante do aprendizado, sempre buscando novos conhecimentos em qualquer área — mas, principalmente, naquela que cursava na faculdade. Se sentia imensamente agradecido pelas oportunidades que recebia em sua vida, por mais mínimas que fossem.

Mas, naquele dia, não era apenas conhecimento sobre Veterinária que o andróide receberia de novidade. Quando a sala finalmente se encheu com os vinte e cinco alunos, um rapaz de cabelos negros entrou na mesma. O rosto era desconhecido para Yoongi, logo ele não pertencia à administração da universidade para dar algum aviso. O rapaz se sentou na única cadeira disponível, que era próximo à porta, e ajeitou-se de forma silenciosa. O andróide Min, que até então tentava focar no rosto alheio, a fim de gravar suas feições e fazer uma busca mais profunda em seus arquivos, acabou não obtendo sucesso, pois logo o professor Bogum entrou na sala, saudando calorosamente os alunos.

— Boa tarde, alunos! — o homem baixinho de barriga saliente disse após deixar seus materiais sobre sua mesa e de modo ligeiro e atrapalhado começar a arrumá-los. — Antes de darmos início à aula, eu gostaria de apresentar nosso novo aluno. Turma, este é Park Jimin. Diga “olá”, senhor Park.

Yoongi deixou de observar seu professor atrapalhado para focar no novato. Jimin levantou-se de sua cadeira, virou-se para a turma e disse um “Olá” rápido e quase inaudível, mas foi suficiente para o andróide gravar o rosto de Jimin em sua mente, que agora estava feliz em ter preenchido a lacuna que o Park tinha deixado ao adentrar a sala.

Só que Yoongi não contava com um olhar sobre si. Era o de Jimin, encarando-o diretamente. Bastou apenas alguns segundos para o Min começar a se sentir embaralhado e até mesmo estranho com a troca de olhares significativa que durara mais de cinco segundos. Até então, nenhum humano havia olhado para Yoongi por tanto tempo assim.

O andróide logo desviou o olhar do humano, pensando que talvez o olhar de Jimin sobre si fosse por causa do seu olho robótico, que provavelmente estaria brilhando em verde marinho. Mas a culpa não era totalmente de Yoongi, afinal precisava salvar a informação do novato em sua memória, então seu olho brilhava em resposta, mostrando que estava em pleno funcionamento. Acabou suspirando — hábito que havia copiado de Taehyung e que não era nada andróide — ao concluir que Jimin havia ficado apenas interessado na mudança de cores da sua íris esquerda. Foi despertado de sua triste conclusão pelo amigo Kim.

— O que foi, Tae? — Yoongi disse baixo, olhando para seu dongsaeng.

— Salvou o novato? — O ruivo negou com a cabeça rapidamente. — Aish, depois eu pego as informações com você. Teria como você, hyung, me emprestar um pouco de sua carga? — O sorriso dócil de Taehyung era, em sua maioria, usado para chantagem. — A minha está em 5%, logo irá descarregar.

Yoongi bufou e fez uma careta enquanto puxava um fio de sua mochila prateada e conectava à roxa de Taehyung, ainda resmungando:

— Aish, Tae, sabe que isso não é apropriado. Se me pegarem fazendo isso, seremos suspensos.

— Não vão pegar você, hyung. — Taehyung deu um largo sorriso; o formato ‘retangular’ combinava com seu rosto. — Nunca pegam.

Yoongi se sentia estúpido por sempre cair nos gracejos de Taehyung, como o de agora: o mais novo sorria largo, seus olhinhos se transformando em meia-luas em seu rosto perfeito. Terminou de conectar o fio preto à mochila do outro e suspirou pesadamente.

— Não fique a noite toda acordado com o Namjoon, ok? — o andróide falava de forma baixa para que apenas os dois escutassem, já que a aula prosseguia. — Se tivesse poupado energia pela noite, não estaria usando a minha agora.

— Mas pelo Namjoon hyung vale a pena ficar em 0%, hyung. — O garoto de cabelos avermelhados sorriu, mas logo desfez a feição ao ver a face séria e fechada de Yoongi. — Não vou fazer mais, prometo.

— Ai, Taehyung, se suas promessas valessem… — Yoongi murmurou, voltando sua atenção à aula.

Apesar de ser amigo do Kim, Yoongi sentia-se chateado pela forma desatenta que o outro vivia sua vida. Se fosse ou não uma atitude egoísta, o andróide não importava-se em nomeá-la, só não suportava ter que dividir os percentuais de carga que havia conseguido durante uma noite inteira na tomada.

Até porque Yoongi não tinha culpa se Taehyung passava a madrugada inteira animando o menino Namjoon ou sabe-se lá o que os dois faziam no quarto do Kim mais velho. Ele só não queria ser o responsável por Taehyung, mesmo sempre agindo de forma protetora com o ruivo.

Espero que um dia encontre alguém que te faça desperdiçar toda sua bateria, hyung — Taehyung confidenciou de forma ingênua, encarando o rosto do loirinho ao seu lado.

— Eu espero que esse dia nunca chegue — Yoongi murmurou, negando com a cabeça — Presta atenção na aula, garoto.

Taehyung apenas assentiu, focando-se na aula. O senhor Bogum explicava algumas soluções para cálculos envolvendo química e métodos mais fáceis para obter um resultado mais rápido. E, na mente de Yoongi, ele só desejava que os humanos parassem de olhá-lo como se ele fosse uma criatura de outro planeta, já que, oras, ele já havia sido um completo humano tempos atrás, e continuava sendo 52,3% humano; porém, agora era melhorado através da tecnologia e em sua grande maioria administrado pelos porcentos restantes. Só queria ser visto como nada além de um ser humano comum.

 

 

 

 

Pela primeira vez naquele semestre, Min Yoongi estava apressado. Isso porque a bateria reserva em sua mochila estava nos seus míseros 39% e isso era ruim para o andróide. Muito ruim. Precisava chegar logo ao seu alojamento e colocar a mesma para recarregar, ou então, em uma atitude desesperada, buscaria uma tomada compatível com seu plug e se carregar ali mesmo na universidade, mesmo detestando tal coisa por ser em público.

Mas, em meio a sua corrida, fora parado pelo rapaz de cabeleira negra, nomeado Jimin. Yoongi sentiu-se um pouco atordoado com a presença repentina do outro a sua frente, surgindo quase do nada. O humano, porém, tinha um sorriso amigável no rosto e usava vestimentas, em sua maioria, negras como seu cabelo e aparentemente maiores que o seu corpo.

— Olá, você é Yoongi, o andróide, certo? — Jimin perguntou de forma suave.

“Yoongi, o andróide”, era assim que os humanos de mente fechada reduziam aquela raça nova e distinta.

— Sim, sou eu. — Yoongi forçou-se a sorrir minimamente e suspirou. — Prazer em conhecê-lo, Park Jimin.

O moreno sorriu surpreso ao notar que o andróide sabia seu nome. E tudo o que Yoongi queria era correr dali o mais rápido possível.

— Sabe que sou o novato da sua sala, certo? — Jimin passou uma das mãos sobre seus cabelos. A maioria de seus dedos tinha anéis prateados. — Teria como você me passar os conteúdos que perdi?

— Não existe apenas eu de andróide na nossa sala, Park Jimin. Se você procurar, achará outros. — O loiro foi totalmente sério e rígido em sua fala. — Se me der licença, eu preciso-

— Mas você é o único que é organizado! — Jimin exclamou, fazendo o outro olhar para si. — Procurei por todos e eles me indicaram você. Por favor, hyung, eu preciso da sua ajuda.

Yoongi abriu um pouco seus olhos ao ouvir o outro chamá-lo de hyung. Parecia que aquele garoto queria forçar uma amizade logo de cara. O andróide não sabia se classificava isso como algo bom ou ruim.

— Tudo bem, eu ajudo você — Yoongi disse, ansiando terminar aquela conversa. — Mas, agora, eu realmente não posso. Me passe o seu número e mais tarde entrarei em contato.

— Ok. — O moreno acenou com a cabeça, ficando um pouco confuso. — Não vai anotar?

— Eu não preciso disso — Yoongi disse de maneira rápida, esperando pelo outro.

Jimin assentiu e disse seu número. O andróide balançou a cabeça afirmativamente, dizendo que ligaria em breve para o novato. E a passos rápidos, Yoongi abandonou o corredor de sua sala em busca de uma tomada disponível, com o número de Jimin em sua mente.

 

 

 

 

Quando finalmente chegou em seu quarto, Yoongi rapidamente largou seus materiais sobre sua cama perfeitamente organizada e conectou sua mochila à tomada próxima, respirando fundo. Não havia encontrado uma tomada compatível com o seu plug pela universidade, então correu para seu quarto o mais rápido que pode, temendo descarregar num corredor e ser deixado ali, sem auxílio algum. E era claro que durante seus passos apressados até o quarto, havia xingando Taehyung de todos os nomes possíveis.

Agora, totalmente seguro, Yoongi esperava sua bolsa carregar completamente. Podia, sim, ficar sem a bolsa, porém sua bateria interna não era durável por tanto tempo quando ele precisava fazer várias ações — no caso, estudar a tarde inteira —, logo a bolsa era sua carga reserva, a segurança de que ficaria bem o dia inteiro.

— Ainda preciso falar com o novato — O loiro disse para si mesmo, suspirando.

Sentou-se sobre a cama, encostando suas costas na parede e pegando seu celular. Como sua mente tinha seu lado tecnológico, e este poderia se conectar a outros dispositivos, não precisou se esforçar para passar o número de Jimin de seu arquivo de memória para seu celular. Assim que concluiu a ação, começou a mandar mensagens para o humano, passando os arquivos necessários.

Yoongi não pensava que Jimin iria respondê-lo àquela hora, quase dois minutos depois, parecendo até que esperava as mensagens do andróide.

O humano, ao invés de digitar suas palavras, mandou um áudio ao outro, agradecendo ao hyung por tê-lo ajudado. Yoongi apenas enviou um emoji com o dedo polegar levantado para cima e isso desencadeou em vários áudios curtos de Jimin.

— Nossa, Yoongi hyung, você é muito frio.

Yoongi franziu sua testa — por puro reflexo e hábito adquiridos com seu amigo —; não entendia o motivo do humano de chamá-lo de frio.

Eu já conheci andróides mais animados que você.

Yoongi estava ligeiramente confuso. Jimin então conhecia outros como ele… E segundo a comparação do Park, os outros andróides eram mais “animados”. Não entendia bem a definição que o humano havia colocado, então achou melhor perguntar, para não ter sua mente confusa.

O andróide digitou rapidamente, questionando o que aquilo realmente queria dizer. Jimin novamente gravou um áudio explicando seu ponto de vista.

— Porque você é muito robótico, hyung. Tem outros andróides que soam mais humanos, sabe?

E Yoongi parou de respondê-lo, pensando nas palavras do humano sobre seu comportamento. Aos poucos, começava a pensar no que ele havia lhe dito.

“Você é muito robótico, hyung” havia sido dito de modo ruim por Jimin. “Tem outros andróides que soam mais humanos” era uma crítica fortíssima contra o Min, que agora se sentia falho por não soar como um humano, já que, de alguma forma, este era um de seus objetivos como andróide.

E, sem sequer perceber, Yoongi manteve isso em sua mente pela noite inteira.

 

 

 

 

Yoongi estava decepcionado consigo mesmo. A crítica de Jimin sobre si continuava rondando sua mente, e, sem que tivesse controle disso, o andróide agora se auto avaliava, percebendo sua postura totalmente ereta, seus movimentos mais rígidos — como os de sua cabeça, braços e pernas — e seu olhar sem foco quando não havia nada no que se concentrar. Mas ele não tinha culpa se seu corpo era acostumado àqueles trejeitos desde sempre. Até a observação de Jimin, o andróide não havia notado aquele fato sobre si, vivendo normalmente, sem se preocupar se parecia ou não com um humano.

Observa-se no vidro do hidrante que havia no corredor, vendo seu rosto sem qualquer expresso e digno de ser chamado “robótico”. Yoongi sentiu Taehyung cutucar seu braço e virou-se para o amigo.

— Estava te chamando há tempos! — o ruivo reclamou — O que foi, hyung? Não me diga que…

Yoongi suspirou ao ser pego no flagra. Sabia como seu amigo iria reclamar com ele.

— Hyung, já faz três dias que esse cara falou isso e você continua nessa “neura”? — O Kim bufou. — Para de dar “trela” pra isso, hyung. Ele só é um “humaninho” comum que nunca deve ter lidado com andróides antes. Quer apostar que ele vivia numa daquelas escolas fechadas apenas para humanos? Agora ele está no meio da sociedade e está chocado com a realidade.

Yoongi suspirou e encarou o amigo de cabelos vermelhos, estreitando seus olhos para ele antes de falar:

— E você está muito parecido com esses “humaninhos”. Até falando as gírias deles você está.

Yoongi voltou a olhar-se no vidro, vendo o reflexo de Taehyung ali e um sorriso surgir no rosto do dongsaeng.

— Muito tempo com o Joonie. — Taehyung suspirou. — Não é tão ruim assim, hyung.

— Jimin ia te adorar. — O Min desistiu de se avaliar no vidro, virando-se para o amigo. — Você é igualzinho a um humano.

Taehyung gargalhou com o tom de deboche de seu hyung baixinho, passando um de seus braços pelo ombro do outro e afirmando que jamais o trocaria por um humano qualquer.

Mas isso não impediu que, após uma semana, Jimin se tornasse amigo, não apenas de Taehyung, mas também do humano Namjoon.

E agora Yoongi se sentia totalmente cercado por Jimin, que parecia estar sempre ao seu derredor, pronto para “dar o bote” e prendê-lo em suas armadilhas. E, talvez, Yoongi tenha pego aquelas palavras nos livros esquisitos que Taehyung lia e acabava deixando em seu quarto. Não importava muito a origem das palavras, e sim que o Min se sentia exatamente como a personagem da história literária: “preso, enjaulado, observado e encurralado” por Park Jimin. Haviam se passado apenas sete míseros dias, mas Yoongi se sentia totalmente ameaçado e exposto de alguma forma ao humano de cabelos negros.

Algumas perguntas surgiam na mente de Yoongi toda vez que Jimin acabava “topando” com ele entre os corredores. “O que ele quer, afinal? Já não forneci tudo que ele precisava?” eram os questionamentos do andróide, que agora tinha que lidar com o surgimento do Park em quase todos os lugares, com a desculpa de que procurava ou por Taehyung, ou por Namjoon.

Park Jimin era uma incógnita para Yoongi; uma perigosa. E algo em sua mente piscava em alerta, como um sinal de que, quanto mais próximo ficasse daquele humano, mais rápido perderia seus trilhos e seu mundo perderia o sentido. Yoongi não queria perder sua cabeça por causa da presença do humano que nublava sua mente, mas tudo parecia estar fora do seu controle e que não havia nada a se fazer.

 

 

 

 

Com o passar de dias consideráveis, Yoongi sentia que estava se acostumando à presença de Jimin, sem ter aqueles surtos literários que o faziam divagar e agir como uma personagem de dorama perdido e medroso. As sensações ruins em seu peito e em sua mente diminuíam de intensidade, mas, se Park Jimin ousasse dar mais passos do que deveria, todas as sensações voltavam com força total ao andróide Min, sentindo-se em perigo. A causa disso era que, por muitas vezes, Jimin invadia o espaço pessoal do andróide, levando-o a pensar naquilo como um risco e ficando em alerta por causa de tal proximidade. Mas, se apenas ignorasse esse fator ou se acostumasse com ele, Yoongi poderia considerar viver com Jimin em seu encalço sem maiores problemas.

Aqueles dias também haviam ajudado na comunicação de andróide e humano. Yoongi se sentia mais próximo a Jimin, que vivia o chamando de hyung, mesmo o andróide achando aquilo no mínimo esquisito por não terem uma grande intimidade, mas não reclamava para evitar brigas, afinal, pra que reclamar de algo que até então estava fluindo bem?

Numa mesa do campus da universidade, estavam Taehyung, Namjoon, Yoongi e Jimin. Era a hora do intervalo e o andróide Min assistia os Kims a sua frente, que brincavam e se divertiam, como se estivessem em seu próprio mundo.

Yoongi tentava entender o porquê de Taehyung e Namjoon serem tão ligados, de sempre estarem juntos em qualquer horário disponível e terem aquela união. Sequer se importava com o sanduíche perfeitamente embrulhado numa embalagem transparente que estava sobre a mesa, logo a sua frente, ou com o suco de morango que estava naquela caixinha rosa em uma de suas mãos, ou até mesmo se estava sendo um “robô” observando aquelas interações a sua frente; o loiro só queria entender por que aqueles dois agiam de forma totalmente humana, sendo que um deles era um andróide. Yoongi até mesmo achava meio exagerado da parte de Taehyung fingir ser um humano apenas para agradar o Kim de cabelo roxo.

— Hyung… — a voz de Jimin soou, despertando Yoongi de suas milhares de questões. Olhou para o moreno — ...será que…

Jimin não precisou completar sua frase. Sem negar, o loiro estendeu seu braço para Park, que pegou a caixinha de suco e agradeceu a seu hyung com um sorriso que fazia seus olhos virarem dois risquinhos.

Desde que Jimin havia se juntado a eles, percebeu que Yoongi pegava lanches para si, mas sequer tocava na comida. Logo concluiu que ele fazia isso apenas para se parecer com um humano, e que aquilo era um desperdício de alimento. Então, inocentemente, Jimin pediu uma vez o lanche de Yoongi, e o andróide não se deteve em dá-lo ao outro. E a partir dali, Jimin sempre pedia ao seu hyung, já que ele não comeria mesmo, e Yoongi sempre lhe entregava sem qualquer negativa.

Jimin olhou para onde os olhos de Yoongi estavam focados e riu baixinho, falando em um tom baixo para apenas o loiro lhe ouvir:

— Eles são bonitos juntos, não é? Muito namoradinhos mesmo.

Yoongi virou seu rosto para o moreno, que agora bebia o suco pelo canudinho listrado.

Namoradinhos? — Yoongi franziu a testa; sabia que aquele ato era considerável humano para o Park, que adorava vê-lo mais parecido consigo. — O que é isso?

— Ué, namorados, Yoonie. — Jimin sorriu ao ver o andróide piscar duas vezes, parecendo atordoado; era sempre assim quando o mais novo chamava Yoongi pelo apelido carinhoso que dera. — Quando duas pessoas se gostam, elas ficam juntinhas assim.

Yoongi voltou seu olhar aos Kim e associou aquela imagem à expressão “namoradinhos”. Imagens relacionadas àquela expressão surgiram no cérebro do Min, e logo ele pode contemplar vários casais em diversos momentos afetuosos. E fora ali que o andróide deu-se conta do que acontecia na sua frente: Taehyung havia desenvolvido sentimentos.

Não que fosse algo impossível, mas era raro andróides conseguirem ter sentimentos por alguém. E ali, na sua frente, estava Taehyung fazendo aquele evento raro, quase milagroso, acontecer diante de seus olhos. Sem perceber, um pequeno sorriso surgiu em seu rosto ao contemplar aquilo. Yoongi se sentia feliz pelo amigo.

— É, eles são bonitos juntos. — O loiro assentiu, virando seu rosto para o moreno ao seu lado.

— E aí, já pensou em ser bonito com alguém? — Jimin perguntou sem qualquer filtro, com um olhar significativo sobre o outro.

Yoongi, porém, franziu a testa, indicando que estava confuso com aquela pergunta, mas tal ato só fez Jimin rolar os olhos e estreitá-los para seu hyung.

— Não finja que não entendeu, hyung. Você sabe o que eu quis dizer.

O andróide deixou um pequeno rastro de sorriso surgir em seu rosto antes de assentir e falar:

— Tudo bem, tudo bem. Eu não penso em romances, para ser sincero. Me soa como filmes de ficção científica, fantasioso demais pra mim.

Jimin riu, deixando a caixinha de suco quase vazia sobre a mesa e apoiou um cotovelo sobre a superfície lisa. Encarou seu hyung com um sorriso exibido nos lábios, como se soubesse de toda a verdade do mundo. E Yoongi conhecia bem aquilo; sabia que Jimin teria as palavras exatas para confrontá-lo. Tudo que o andróide não queria era um debate com Jimin, pois o humano sempre conseguia derrubá-lo com seus argumentos, e o andróide se sentia inútil.

— Mas, hyung, você também já foi retratado como uma obra ficcional no passado e, bem, hoje você está aqui. Você, de fato, existe, hyung!

Yoongi avaliou as palavras de Jimin e, para sua decepção, o dongsaeng estava certo. Observou novamente o sorriso de Jimin, acompanhado de uma sobrancelha erguida, em total desafio e confiança.

— Ok, você venceu, eu desisto — Yoongi murmurou, fazendo um biquinho com os lábios sem se dar conta.

— Agora me diz: que diferença tem o amor pra você agora?

O loiro encarou o outro e balançou a cabeça rapidamente, parecendo perturbado com aquela pergunta.

— Aish, isso é besteira, Jimin. — Yoongi bufou, desviando seu olhar do moreno. — Não me venha com asneiras!

Jimin riu da carinha irritada de seu hyung, ficando até feliz pela reação humana do outro. Enquanto isso, Yoongi focou-se novamente em Namjoon e Taehyung.

Era certo que os namoradinhos eram bonitos juntos, mas nem em seus sonhos Yoongi via a si próprio dando uvinha na boca de outra pessoa. Aquilo era além de sua inteligentíssima imaginação.

 

 

 

 

Quanto mais o tempo passava, mais a presença de Jimin era marcante na vida de Yoongi, tão presente quanto o perfume das rosas na primavera. O andróide se sentia cada vez mais frágil em relação ao mundo; começava a enxergar as coisas com um olhar menos crítico e mais humano, atentando-se aos pequenos detalhes que passavam imperceptíveis quando seu filtro tecnológico estava ativado.

Um dos detalhes que havia perdido anteriormente era o perfume de Jimin. Quando começou a notar o aroma que o outro exalava, aos poucos, sentia-se inebriado. E até mesmo num dia que Jimin esquecera-se de passar seu perfume, Yoongi se sentiu zonzo com a presença do outro, constatando então que o próprio Park era quem o embebedava, de alguma forma misteriosa.

Yoongi sentia que suas armas de defesa estavam ao chão e agora era um andróide vulnerável a qualquer coisa.

E como se não bastasse o que Jimin já causava ao pobre Yoongi, agora o humano dava sugestões sutis ao andróide. Elas começaram em forma de perguntas curiosas, como: “Você já deixou sua mochila descarregar por completo?”, mas, a partir do acúmulo de várias outras delas, acabaram tornando-se questionamentos fortes, que acabavam bagunçando o sistema de Yoongi, deixando-o confuso e até mesmo ponderando sobre tais ideias; de alguma forma, Yoongi encontrava-se curioso ao pensar no que aconteceria se deixasse sua mochila descarregar por um dia inteiro.

Mas a curiosidade, até então, nunca vencera Yoongi, isso porque o andróide era medroso demais para deixar aquele item tão importante em sua vida sem o mínimo de carga. Todas as vezes que chegava em seu quarto, determinado a experimentar a sensação de estar à beira da carga zero, pensava nas tragédias que poderiam ocorrer consigo se realmente tomasse aquela atitude. Já havia visto de perto Taehyung cair na besteira de ir para a aula com apenas 15% de bateria, e, no fim do dia, estava todo sonolento, e se não tivesse emprestado sua carga a tempo, o Kim poderia desmaiar a qualquer instante. E, pensando apenas nas possibilidades ruins, Yoongi deixava toda a determinação esvair de seu corpo e se passava mais um dia.

Mesmo que Jimin fosse um ótimo falador, suas palavras não tinham forças o suficiente para fazer Yoongi cometer aquela loucura. A menos que ele o puxasse pelas mãos.

 

 

 

 

No mesmo período em que as defesas de Yoongi começaram a desaparecer, o andróide desenvolvera um fascínio pelo céu, especialmente no período noturno. E este fascínio o levou ao hábito de caminhar pelo campus do alojamento, para observar os astros que brilhavam no céu.

E graças à ótima união que tinha com Jimin, o moreno o acompanhava em muitas delas, deixando que apenas o remanso regesse aquela caminhada. Eram momentos de completa paz, onde o Park milagrosamente permanecia em silêncio, observando sem ser descoberto o andróide encantado pelas estrelas.

A noite fria em Seul deixava o clima agradável. Jimin observava com carinho o rosto de Yoongi expressar sentimentos de prazer ao olhar a abóbada celeste repletas de astros brilhosos. O Park até mesmo deixava sorrisos escaparem ao ver os orbes do hyung brilhar em excitação pelo cosmos.

Mas nem toda a beleza do mundo — sendo ela o céu, ou Yoongi, ou ambos — faria Jimin desistir de seu plano de mostrar a vida real ao outro.

— E então, Yoonie, você fez o que eu te falei?

Yoongi obrigou seus olhos a abandonarem o céu para focar sua visão em seu dongsaeng. Nunca admitiria em voz alta que a troca de visão havia sido uma ótima escolha, afinal; o rosto de Jimin era mais belo que todas as estrelas fixadas no firmamento.

Ah, a mochila? — Yoongi perguntou receoso, recebendo um acenar afirmativo do moreno. — Eu não consegui, desculpa.

O Min baixou sua cabeça, sentindo-se envergonhado e falho. Era uma tarefa tão simples, mas o jovem andróide não tivera coragem suficiente para cumpri-la. Sentia-se falho com Jimin, que sempre o lembrava do desafio da mochila, provavelmente agora estava decepcionado com o andróide.

Hey, hey, hey! — Jimin aproximou-se de Yoongi, invadindo seu espaço pessoal sem se importar com isso e segurando o queixo do mais velho, levantando sua cabeça lentamente. — Não se culpe, hyung, por favor. Eu sei que, pra você, deve ser assustador pensar em ficar sem sua bateria, eu entendo seu medo. Sei que você não tem um espírito aventureiro como o Tae. — O moreno sorriu reconfortante. — Mas eu só preciso saber de uma coisa: você gostaria de tentar?

Yoongi assentiu envergonhado, fazendo um biquinho com os lábios rosados. Jimin, achando aquilo totalmente adorável, não evitou sorrir e acariciar uma das bochechas do Min, vendo-o arregalar os olhos por tal contato, mas o moreno não importou-se realmente com aquela atitude.

Eu posso te ajudar nisso. Que tal?

Yoongi não tinha certeza se haviam fios soltos em seus circuitos, mas, talvez, essa fosse a teoria mais plausível por deixar ser puxado por Jimin pelos corredores do alojamento até o quarto do dongsaeng.

Jimin parecia animado e apressado, puxando facilmente o corpo inteiro do Min em sua própria corrida. Se Jimin era uma armadilha, Yoongi estava correndo para ela de braços abertos. Dava pequenos risinhos durante as corridinhas que tinha que dar para alcançar o ritmo do mais novo, que o puxava avivadamente. E passando corredores e mais corredores, chegaram ao que ficava o quarto de Jimin.

O quarto do moreno se localizava no fim do corredor. Assim que o Park abriu a porta, ofereceu para seu hyung entrar e entrou após ele, trancando a porta, apenas para o caso de não ocorrer imprevistos.

— Uau. Você dorme sozinho — Yoongi disse após olhar o quarto por inteiro e notar apenas uma cama ali.

O andróide lembrou-se que Jimin havia chegado no campus um pouco depois do início do semestre, logo ele havia conseguido um quarto sozinho por não ter ninguém para dividi-lo consigo.

— Aqui é bem grande — o Min constatou, olhando para o papel de parede do quarto de Jimin, onde havia curiosos símbolos que o andróide não conseguiu identificar de primeira.

— Nah, isso é porque você divide seu quarto com alguém — Jimin disse, de costas para Yoongi enquanto pegava algo em seu frigobar. — Os quartos têm o mesmo tamanho, hyung.

Jimin fechou a porta do pequeno aparelho e virou-se para seu hyung, com uma tigela de vidro em uma das mãos, cheia de pequenas frutas em cores arroxeadas, que, após Yoongi analisá-las, concluiu serem amoras. O moreno se pôs diante do andróide e sorriu pequeno.

— Abra a mão.

— Jimin, eu sou um andróide! — Yoongi disse num tom desacreditado. — Eu não posso comer, se lembra?

O Park riu, deixando a tigela sobre uma mesa próxima e tirando apenas duas amoras. Voltou novamente para a frente do loiro e suspirou.

— Não é bem assim, Yoonie. Você já foi totalmente humano uma vez e boa parte sua continua sendo. Logo… — Jimin cutucou a barriga do loiro, vendo-o rir e se afastar rapidamente de seu toque — ...você tem um estômago.

Yoongi não sabia que a sensação do dedo de Jimin sobre si o faria rir. Ele nunca tinha rido em toda a sua vida robótica.

— Vamos lá, Yoonie. Eu só posso te mostrar o que é viver se você comer essa frutinha. Por favor, confie em mim.

O loiro encarou as duas amoras na palma da mão de Jimin. Pegou uma para si. Olhou para o moreno, que tinha um sorriso incentivador no rosto.

Yoongi estava tentado a ceder. E alternando seu olhar nos olhos escuros de Jimin carregados de expectativa e na pequena amora em sua mão, ele fez sua escolha.

O andróide pegou a frutinha com a ponta de seus dedos, levando-a até os lábios. Viu que Jimin imitou seus movimentos e sentiu-se mais seguro, sabendo que o moreno faria o mesmo que ele.

— Não se preocupe, hyung — Jimin disse ao afastar um pouco a fruta da boca — Eu estarei logo atrás de você.

Por fim, Yoongi finalmente colocou a fruta na boca, apreciando aquele sabor até então nunca provado, até ser abraçado pela escuridão.

Assim que Yoongi abriu seus olhos, lidou com a primeira grande mudança: o céu, que antes era um azul claríssimo, estava lilás, quase beirando ao roxo.

O loiro se levantou da grama onde estava deitado. Olhou ao redor ao notar que estava num campo aberto e metros a sua frente havia uma floresta. As cores do ambiente pareciam mais vívidas, como se estivessem em algum efeito de uma câmera profissional.

Yoonie!

Yoongi virou-se para onde a voz de Jimin soou, vendo o moreno vir ao seu encontro com um sorriso no rosto. Sorriu de volta, mas notou que algo faltava em si. Rapidamente suas mãos foram ao local onde deveriam estar as alças de sua mochila, encontrando, porém, o nada. O andróide começou a ficar preocupado, olhando para o chão em busca de sua mochila prateada.

— Hyung, calma. — Jimin segurou a mão do loiro, fazendo-o olhá-lo. — Aqui você não precisa da sua mochila. Confie em mim.

Aos poucos, Yoongi começou a se acalmar, assentindo para seu dongsaeng. Jimin sorriu e pegou na mão do mais velho, puxando-o para juntos descerem a campina.

Apesar de achar estranha a sensação de andar de mãos dadas com Jimin, Yoongi não protestou contra. Tentava pôr controle em sua mente por causa do “incidente“ com sua mochila, logo segurar na mão do Park era o de menos para que entrasse em um surto.

— Eu preciso que preste atenção em mim, hyung — Jimin pediu, percebendo como o andróide parecia tenso. — As coisas que vou lhe dizer agora são importantes.

O loiro apenas assentiu, começando a focar-se no dongsaeng e esperando, ao menos, palavras de confortos.

— Você não precisa daquela mochila pra viver, Yoonie — o moreno dizia de forma firme. — Ela te limita em vários aspectos. Seus criadores te disseram que precisava dela para viver, certo?

— Sim, disseram. — O Min assentiu, prestando atenção no outro.

— Mas é uma grande mentira. — Podia-se notar um sentimento de raiva no tom do Park. — Eles colocam isso na cabeça de todos os andróides, Yoonie, dizendo que eles não são nada sem a mochila de carga, mas ouça-me bem: é uma mentira.

Enquanto caminhavam, Jimin continuava a dizer os seus conhecimentos sobre os andróides, de como eles eram facilmente enganados pelo governo e por seus criadores, num modo de ter controle de todos e criar uma sociedade perfeita e submissa. E, aos poucos, Yoongi se sentia cada vez mais liberto de suas correntes, conhecendo a verdade e sentindo-se um tolo por ter sido enganado por tanto tempo.

O andróide não se dera conta quando chegaram a um bairro. Olhou para trás, vendo a campina e o céu roxo, exibindo agora três luas de diferentes cores.

— Um céu roxo e três luas? — Yoongi voltou seu olhar a Jimin. — De quem foi essa ideia?

— Das fundadoras desse mundo. — O moreno sorriu. — Vem, eu tenho tanta coisa pra te mostrar!

E Yoongi deixou-se levar pelo seu dongsaeng. Jimin mostrou-lhe as pessoas que residiam naquele bairro, apresentou até alguns amigos, levou-o ao fliperama e esperou o anoitecer chegar para mostrar as três luas que se exibiam no céu. O andróide se sentia no paraíso; não tinha palavras para descrever todos os sentimentos de estar em um novo mundo com Jimin ao seu lado. Parecia que ali, naquele lugar desconhecido, era mais parecido com seu lar do que a própria Terra.

Ao retornarem ao quarto de Jimin, Yoongi tinha um enorme sorriso no rosto. Levantou-se do chão e timidamente agradeceu o Park com poucas palavras, ainda fascinado com o que acabara de viver. Jimin apenas disse que só queria ajudá-lo a ver a verdade.

O loiro voltou para o quarto, ainda completamente atordoado; porém, estranhamente feliz. Assim que adentrou o cômodo e viu que seu colega, Jihoon, não estava lá — porque provavelmente passaria a noite com seu namorado —, permitiu-se expandir o sorriso em seu rosto e sentar-se no chão, tirando a mochila de suas costas e tocando em seu rosto.

Ainda sentia-se do lado de lá, observando o firmamento roxo, sentindo a brisa fria passar por sua pele. Falando em sua derme, começou a tocá-la, sentindo o tato até então adormecido por causa da maldita mochila. Relembrou-se do sentimento de liberdade que sentiu a cada passo que dava no novo mundo. Mergulhando em memórias e sensações, Yoongi passou aquela noite inteira rindo de tudo que presenciara.

 

 

 

 

No dia seguinte, Yoongi sentia-se revigorado. Levantou-se pela manhã totalmente disposto a correr uma maratona, mas logo lembrou-se que seu conhecimento acerca de si próprio não chegava a 10% do que Jimin conhecia; e meio a contragosto, colocou a mochila prateada nas costas, conectando-se aos fios e seguindo para mais um dia.

Mas agora o andróide Min não ansiava mais pelo dia, e sim pela noite. Por isso, havia passado a aula inteira descontente, consultando sempre seu relógio digital para saber quantos minutos faltavam para a aula terminar. E quem não prestasse atenção no andróide, sequer notaria sua agonia.

Mas Taehyung notou. Os movimentos de Yoongi pareciam “tiques“, além de parecer disperso na aula que antes tanto idolatrava. Mas o Kim decidiu não se envolver ao perceber, no fim da aula, que Yoongi quase correra para falar com Jimin. Riu de como o destino era: Yoongi, que parecia inicialmente detestar a presença do Park, agora parecia um cachorrinho procurando pelo dono. Taehyung pensava em como o mundo girava e ria consigo mesmo enquanto ia atrás de seu namorado.

Yoongi alcançou Jimin apenas para pedir um conselho, pois não sabia como agir após ter vivido aquela experiência magnífica. O moreno riu de tal situação, dizendo para o loiro que ele deveria ficar sem sua mochila no quarto e esperar.

E como se correr fosse sua nova habilidade, Yoongi foi rapidamente para seu quarto, abandonando seus materiais de aula na escrivaninha e se preparando para passar a noite inteira longe da mochila que “o mantinha vivo”.

— Você parece animado — Jihoon comentou, arrumando sua jaqueta no corpo — O que está aprontando, senhor Min?

Yoongi riu do moreno e apontou para sua mochila jogada no chão. A tela digital mostrava que estava descarregando. Jihoon voltou seu olhar ao colega de quarto com um sorriso iluminado no rosto.

— Então você resolveu se revoltar contra o sistema? — o moreno perguntou. — Parabéns, cara, sério! Só cuidado para não ser pego, hein? Estou indo ver o Lee Song, até!

O loiro apenas assentiu; sabia que seu segredo estaria bem guardado com Jihoon, da mesma forma que ele guardava o segredo do outro sair de seu quarto para dormir com o namorado.

Segundo o conselho de Jimin, Yoongi deveria fazer várias atividades para sua bateria descarregar e ele finalmente sentir o que era ser um humano de verdade, mas não prometia algo como um conto de fadas. E que assim que ele sentisse os impactos de ser humano, deveria procurá-lo de imediato.

Yoongi estava curioso. Havia começado a leitura de um livro de mais de mil páginas, ora ou outra verificando o status da mochila, que dizia ter apenas duas horas de carga. O loiro suspirou e voltou a ler, desta vez, focando-se na história da mocinha que havia perdido sua mãe e que, apesar das dificuldades, mantinha suas esperanças.

O loiro só desfocou sua visão das letras pretas do livro quando sentiu algo em seu estômago. Resmungou baixinho e olhou para o mesmo, sentindo uma sensação esquisita. Como se sua mente finalmente despertasse de sua leitura, sua cabeça virou-se rapidamente para a mochila, indicando que esta estava totalmente descarregada. Sem medir suas forças, Yoongi saltou da cama, animado, mas quase caiu no chão ao perceber que estava fraco.

— Mas que… — O loiro lembrou-se do que Jimin lhe falara. — Ok, eu preciso ir no quarto dele agora.

O andróide apenas calçou sandálias confortáveis e pegou a mochila — agora inútil — nas mãos, deixando seu quarto. Saiu pelo corredor se esgueirando de todos, para que ninguém o reconhecesse, e quando finalmente livrou-se do seu alojamento, seguiu às pressas para a área onde ficava o quarto de Jimin, evitando correr para não se sentir ainda mais fadigado.

Ao chegar na porta de Jimin, apoiou as mãos nos joelhos para recuperar sua respiração. Após alguns segundos, voltou a se endireitar e bateu na porta do Park.

Yoonie? — Jimin disse assim que abriu a porta. — Tá tudo bem com você, hyung?

— Eu estou sentindo algo aqui. — Yoongi colocou a mão sobre a barriga. — E eu não sei o que é, Jiminnie.

O moreno sorriu largo, abrindo mais a porta e puxando Yoongi para dentro de seu quarto antes de trancá-la.

— Você está com fome, hyung. — Jimin riu, indo até o frigobar. — Então, você descarregou mesmo ela?

— Sim, só coloquei nas costas para ninguém achar esquisito. — Yoongi sentou-se no chão, de frente para a mesa. — E eu me sinto mais fraco, Jiminnie, da mesma forma que eu me sentia quando estava descarregando e precisava de carga urgentemente.

O moreno voltou para onde seu hyung estava, dando a ele um copo com noodles. Sentou-se da mesma forma que Yoongi, vendo-o inspirar o aroma e suspirar em total deleite.

— É porque, de uma forma, você precisa de carga, hyung. — Jimin riu ao ver a carinha confusa do loiro enquanto ainda tinha alguns macarrões escapando pela boca. — Mas nós, humanos, estamos adaptados a chamar isso de uma boa noite de sono.

— Sono? — Yoongi resmungou após mastigar e engolir a porção de comida que estava em sua boca. — Dormir? Eu preciso dormir agora?

— Exatamente. — O Park assentiu com um pequeno sorriso. — Antes, você apenas se desligava e deixava que o alarme lhe ligasse pela manhã, mas agora é diferente, Yoonie. Você terá que colocar seu celular para despertá-lo e poderá dormir uma noite inteira sendo totalmente controlado por seu lado humano.

Yoongi apenas assentia às explicações de Jimin enquanto se deliciava com o noodles que o outro havia lhe dado. Enquanto comia, Jimin lhe contava sobre coisas a ver com as aulas, deixando de lado o outro universo que poderiam facilmente visitar se comessem uma daquelas amoras.

E por falar nas frutinhas, Yoongi agora lançava olhadelas às coisinhas arroxeadas que estavam sobre a cama de Jimin, tendo livros da faculdade espalhados ao redor.

Você quer uma? — A voz de Jimin irrompeu os devaneios de Yoongi.

— O quê? — O loiro encarou o dongsaeng, parecendo constrangido por ter sido pego em flagrante.

— Você está olhando pra elas. — O moreno sorriu e olhou para a tigela cheia das frutas. — Eu sempre aproveito para visitar lá todas as noites. Se você quiser… — Jimin voltou seu olhar para Yoongi. — Nós podemos ir.

Podemos? — Os olhos de Yoongi poderiam se assemelhar à duas estrelas cintilantes, segundo Jimin.

Jimin riu e levantou-se, pegando duas frutas e dando uma ao seu hyung.

— Te encontro lá, hyung — Jimin disse, colocando a fruta na boca e mastigando de maneira fofa.

— Como se fosse realmente demorar a te encontrar. — Yoongi permitiu-se rir rapidamente antes de levar a amora à boca.

E aquela era a primeira vez de muitas que Yoongi e Jimin se encontrariam escondidos para visitar o seu paraíso particular.

 

 

 

 

Yoongi sentia algo estranho em seu peito e ideias em sua mente. Na verdade, a palavra “estranho” para si já havia até mesmo perdido o sentido de tantas vezes que havia usado-a ao procurar por Jimin, dizendo estar sentindo tal coisa ali ou acolá. Mas, agora, mesmo sendo “estranho”, o Min não queria recorrer a Jimin para esclarecer suas dúvidas, pois era justamente o moreno quem lhe proporcionava aquelas “coisas”.

O Min também não queria dar o braço a torcer e falar a Taehyung tudo o que fazia com Jimin todas as noites e ver seu dongsaeng comemorando ao saber que ele estava mais próximo a alguém e se tornando um humano. E falar com Namjoon estava fora de cogitações, sabendo que, como um bom — e submisso — namorado que era, daria com a língua nos dentes e o ruivinho saberia de tudo no dia seguinte.

Não havia para onde correr: Yoongi tinha que enfrentar aquilo sozinho.

Caminhando tranquilamente pelo parque da cidade, Jimin e Yoongi conversavam sobre como aquele planeta era harmonioso e que exalava à liberdade, tanto que apelidaram-no disso.

Eu poderia viver aqui — Jimin disse alegre, girando de braços abertos e fazendo Yoongi rir ao seu lado.

O Min estava com um palito coberto de algodão doce esverdeado. Comia o doce enquanto ambos andavam para a fila do próximo brinquedo que iriam brincar.

Foi quando, novamente, como um lampejo, as ideias fantasiosas de Yoongi voltaram com força em sua mente, fazendo o rapaz até ficar um pouco zonzo. Teve que parar de andar para tentar voltar a si, mas tal ação só fez aqueles pensamentos se manifestarem mais fortes, porém, fora de sua mente.

As cores, que já eram mais vívidas do que na Terra, agora pareciam estar em filtros rosados, esverdeados e lilases. Para onde o Min olhava, via alguma demonstração de afeto e sentia seu coração doer em seu peito.

— Você tá bem, Yoonie? — a voz de Jimin soava distante de Yoongi, que sentia seu mundo inteiro girar em sua cabeça.

Olhando para Jimin, sua visão começou a voltar ao normal, focando-se no rosto preocupado de seu dongsaeng. Acabou sorrindo, meio culpado, e disse:

— Estou bem, só acho que devemos parar de comer doces. Senti uma tontura.

— Ah, então tudo bem. — Jimin sorriu de modo dócil. — Vamos para a fila?

Yoongi apenas assentiu para Jimin, sentindo o garoto pegar sua mão e puxá-lo para a quase inexistente fila do castelo-assombrado.

Os dois jovens não precisaram esperar muito. Enquanto a última dupla entrava para dentro do brinquedo, Jimin e Yoongi conversavam sobre as estações do ano dali.

Bastou Yoongi desviar o olhar para ver um casal se beijando na fila do carrossel. E, novamente, seu coração começava a agir de modo “errante”, batendo fortemente contra sua caixa toráxica.

E, então, Yoongi já tinha feito aquilo: havia tocado seus lábios nos lábios de Jimin, que estavam manchados por causa do algodão azul que havia comido anteriormente.

Foi tão rápido, logo afastou-se do moreno, parecendo surpreso consigo mesmo por sua ação. Jimin também mantinha uma expressão surpresa no rosto, mas logo um sorriso pequeno surgiu em seu rosto.

Jiminnie, me desculpa — Yoongi começou, parecendo querer atropelar suas próprias palavras. — Me desculpa, eu-

Jimin silenciou Yoongi beijando-o enquanto segurava em seu rosto. Yoongi permaneceu de olhos abertos, totalmente surpreendido com a atitude de seu dongsaeng.

— É a nossa vez — Jimin informou assim que se separou de Yoongi, com um belo sorriso no rosto.

Yoongi apenas assentiu lentamente, como se seu cérebro estivesse demorando a processar aquela informação.

E, já dentro do brinquedo, Yoongi sentiu a mão de Jimin segurar a sua. Em meio à escuridão, deu um de seus melhores sorrisos, sentindo-se plenamente feliz, com seu coração batendo mais forte do que batia normalmente.

Taehyung riria se tivesse vendo tudo aquilo, usando sua ótima memória para lembrar seu hyung do dia em que disse que nunca queria chegar no dia em que desejaria abandonar suas baterias para seguir alguém. E lá estava Yoongi, abandonando não apenas sua mochila prateada, mas um mundo inteiro, para permanecer ao lado de Jimin.

 

 

 

 

Após o beijo no parque, Yoongi evitava falar sobre tal fato, e, por sua vez, Jimin também não o convidava para seu quarto, para que, juntos, fossem para o paraíso particular deles. E isso já fazia quatro dias.

Era evidente o quanto Yoongi estava incomodado com aquela situação. As melhores partes do seu dia eram estar ao lado de Jimin e ir com ele até a outra dimensão, e agora ele não tinha ambas. Sentia-se como um viciado vivendo uma abstinência forçada, ansiando pelas palavras e pelas frutas de Jimin, mas o Park não parecia disposto a dá-las, pelo menos, não de uma maneira fácil.

Naqueles quatro dias, Jimin havia pensado no que estava acontecendo consigo, com seu hyung e na outra dimensão. Ficar longe do lugar que era seu lar era necessário, pois temia que Yoongi estivesse encantado demais com o planeta para sair beijando-o sem se explicar. Não podia negar que sentia pena ao ver os olhos de Yoongi brilharem para si quando o via, mas logo sua expressão se entristecer ao ver que o moreno não iria até ele. Jimin queria desistir de seu teste, correr para o Min e levá-lo para o universo deles, onde não seriam julgados por suas escolhas e suas ações.

No sexto dia, porém, não suportou mais. Debaixo de seu travesseiro, várias amoras se encontravam presentes — a marca de que o povo do lado de lá estava esperando por ele, e agora por Yoongi. Jimin tinha que conversar com Yoongi de uma vez por todas, e temia o que seria decidido.

Ao fim das aulas, pediu a Taehyung que chamasse seu hyung. Deu uma piscadela para o mais novo, vendo-o sorrir para si e entrar na sala de aula para chamar o outro.

Jimin esperava o Min escorado na parede, pensando cuidadosamente nas palavras que usaria para falar com ele, tendo em vista que praticamente o ignorou por seis dias seguidos, mesmo quando o loiro tentava uma aproximação.

— Oi — Yoongi disse num tom de voz baixo, parecendo até com medo de que Jimin pudesse fugir de sua presença.

A verdade era que a humanidade de Yoongi estava deixando-lhe frágil. Quando estava com Jimin, sentia-se o homem mais forte do mundo, até mesmo imbatível, podendo enfrentar o que fosse. E, agora, era apenas a carcaça do que, um dia, fora.

— Oi, hyung, eu preciso falar com você — Jimin disse, dando um pequeno sorriso. — Nós podemos?

Yoongi apenas assentiu, aparentando estar cansado. Durante os dias sem Jimin, havia enchido seu tempo com livros de todos os gêneros, e ao ler alguns de romance, vira que alguns caras acabavam enjoando de suas parceiras e que, antes de finalmente dar um fim àquele relacionamento, se demonstravam distantes. Então, com sua mente geniosa, aquele era o seu fim com o Park.

Seguiu o moreno até o quarto do mesmo, sentindo nostalgia ao entrar novamente no ambiente que havia passado madrugadas inteiras ao lado de Jimin.

— O que eu tenho a dizer é algo sério e eu preciso de sua atenção total, hyung — Jimin disse, deixando sua mochila sobre a cama. — Tudo bem?

— Sim, pode falar, estou ouvindo. — Yoongi assentiu levemente, forçando-se dar um pequeno sorriso, mas que acabou parecendo com uma careta de dor.

Jimin sentou-se sobre a cama, vendo Yoongi continuar de pé ao lado da porta. O Min estava preparado para o término de qualquer coisa que tinham. Era apenas pegar a maçaneta, apertá-la e abrir a porta, fugindo da vergonha que sentiria em breve — não cometeria o erro das mocinhas dos livros, que choravam e ficavam sem rumo.

— Você gostou de tudo que vivemos lá? — Jimin perguntou, focando-se no rosto de Yoongi a fim de pegar todas as suas reações.

— Sim, eu gostei muito. — Yoongi deixou um suspiro sair. — Foi memorável. Um ótimo lugar.

— Se sentiu em casa lá? — Jimin continuou. Precisava ir até o fim para ter a certeza de tudo.

— Sim. — O loiro riu verdadeiramente pela primeira vez naquele dia. — Muito mais do que todos os meus anos na Terra.

Jimin assentiu, parecendo satisfeito com as respostas. Yoongi, por outro lado, sentia medo do que poderia vir pela frente.

— Hyung, eu andei pensando nesses dias, pensando muito. — O moreno suspirou pesadamente. — E eu tenho certeza absoluta que o meu lugar não é aqui.

Yoongi ouvia atentamente as palavras do outro. Em sua memória, vinha partes de um livro que seguia o mesmo roteiro que Jimin falava. O cara não se sentia mais bem em casa, querendo o divórcio da esposa. Mas o Min não via razões para Jimin “se divorciar”, já que não tinham nenhum relacionamento.

— Desde que fui agraciado em ser um dos que pode ir lá, eu nunca mais quis voltar, hyung. Você… entende isso?

— E- entendo. — Yoongi “coçou” a garganta, ligeiramente perdido naquela conversa.

Eu quero viver lá, Yoonie — Jimin disse, encarando firmemente o loirinho. — Lá é o meu lugar, a minha casa.

Jimin estava partindo, assim como os caras dos livros. Yoongi sentia que estava à beira do choro, como havia sido descrito naquelas obras literárias.

— Mas se eu for agora, eu vou deixar uma grande parte aqui, hyung. — O moreno respirou fundo. — Eu vou estar deixando você, e eu não quero isso.

Yoongi abriu um pouco seus olhos ao ouvir a última frase do seu dongsaeng. Estava tão focado no roteiro de seus livros que se esquecia completamente de prestar atenção no que Jimin tinha a lhe dizer.

— O quê?

Venha comigo — o tom manso de Jimin pareceu preencher a mente do loiro. — Eu não posso ir sem você, Yoonie. Eu não posso ficar sem você.

Se Yoongi estivesse sendo administrado por seu lado tecnológico, com certeza estaria em “tela azul”, entrando em pane e pedindo por um “restart”. Uma frase e Jimin havia abandonado todo o roteiro.

— Como assim, Jiminnie? Ir com você?

— Sim! — O moreno se levantou, mas evitou ir até o loiro para não pressioná-lo ou até persuadi-lo. — Venha comigo, viva comigo, Yoonie! Nós seremos bem recebidos lá, ficaremos bem, eu prometo a você.

Yoongi sentia que em sua cabeça havia se instalado uma eterna confusão, e Jimin era a causa dela. Percebeu que tudo em sua vida — os baixos e altos — haviam sido causados por aquela criatura de sorriso gentil e olhos graciosos.

— E- eu… Jiminnie, eu…

— Você disse que se sentiu bem lá, que lá soa como sua casa. — O moreno sorriu minimamente. — Por que não tentar, hyung?

Aquela pergunta soava em alto falantes na cabeça de Yoongi. Realmente, nunca na Terra, havia se sentindo como se sentiu no “paraíso”. A liberdade, o direito de escolha, o amor. O “paraíso” havia lhe proporcionado aquilo; a Terra só havia lhe dado pré-julgamentos, palavras rudes e desânimo.

A balança pesada mais para um lado do que para o outro. Porém, um fator importante impedia Yoongi de correr para o seu céu roxo.

Jiminnie, eu… A minha vida inteira foi construída para ser vivida aqui, na terra. Eu gastei anos aprendendo a lidar com seres humanos, com o sistema daqui… Essa é a minha base.

Mas não que esse problema não pudesse ser resolvido. Yoongi não sofreria ao se adaptar em seu “paraíso”, vendo como aquele mundo inteiro era harmonioso. Com certeza seria bem recebido e aconselhado, como Jimin prometera minutos atrás. Mas…

— E Taehyung? Eu não posso deixá-lo para trás. Ele é importante demais pra mim, Jiminnie.

Jimin sorriu e se aproximou rapidamente do maior, dando-lhe um verdadeiro beijo. Ele sabia que Yoongi viria consigo, sendo que o último empecilho mencionado estava mais do que resolvido.

— Eles virão logo atrás de nós, hyung — Jimin disse, ainda segurando o rosto de Yoongi e olhando-o nos olhos. — Namjoon e Tae também irão se mudar para lá.

Yoongi piscou repetidas vezes, provocando um risinho em Jimin, que amava aquela mania de seu hyung.

— Você sabe que dará certo, não sabe? — o moreno perguntou. — Eu consigo ver em seus olhos.

E era verdade. Yoongi queria dizer um grande “sim”, beijar novamente aqueles lábios tão macios e mudar de uma vez por todas para o “paraíso”.

— Mas as frutas têm um efeito temporário, não tem? — Yoongi questionou. — Nós sempre acabamos no seu quarto novamente após um período. Então teríamos que comer várias o dia inteiro para nos manter lá?

Jimin riu com a ideia de seu hyung, voltando a beijá-lo, e desta vez fazendo o beijo durar mais segundos do que os outros. Yoongi sentia que ali, nos lábios do moreno, poderia tocar as estrelas com suas mãos.

— Vem comigo — Jimin sussurrou, com seu rosto próximo ao de Yoongi. — Há um portal que nos deixará viver lá para sempre.

Yoongi sabia que era loucura estar plena duas horas da manhã no meio de uma campina com Jimin, mas ele não se importava com aquilo agora; só queria chegar até o portal e seguir para a sua liberdade.

Não demoraram a chegar ao local apresentado por Jimin como “o lugar dos portais”. O moreno explicava que, pela manhã, eles poderiam contemplar enormes buracos refletindo uma luz, e que poderiam facilmente ser confundidos com espelhos. Mas, agora, só deveriam seguir o portal que os levaria embora dali para todo o sempre.

Ficaram à beirada de um dos buracos, que agora estava escuro e parecia mais uma poça d’água, da forma que refletia o firmamento. Yoongi tentava ver o fundo do mesmo, mas não conseguia.

— Tome cuidado, Yoonie. Não quero que caía e se machuque — Jimin pediu, enquanto se agachava e parecia procurar por algo.

Yoongi ouviu passos sobre a grama e virou-se para onde vinha o som, encontrando dois rapazes que conhecia muito bem.

— Hyung! — Taehyung disse animado, soltando a mão do namorado e indo abraçar o baixinho. — Desculpe não ter falado antes, e-

— Tudo bem, Tae, eu entendo. — O loiro riu. — Hey, Nam, pronto para a viagem?

— Eu quase obriguei o Tae a largar as malas, pois do lado de lá não precisaremos disso. — Namjoon riu da cara de emburrado que o namorado fizera. — Eu também amo você, meu amor.

— Isso, consegui! — Jimin disse animado, levantando-se. — Todos prontos?

Taehyung assentiu enquanto via Namjoon se agachar no chão e pegar duas frutinhas de dentro do buraco, que de uma forma mágica, lançou-as para cima, e parando diretamente numa das mãos de Namjoon.

Yoongi franziu a testa ao ver que a fruta não era parecida com a que Jimin lhe dava. Taehyung, vendo a confusão do amigo, sorriu e disse:

— Framboesa. As frutas nunca são iguais, hyung. E, ah, eu estou muito feliz por você.

O loiro assentiu, sabendo que seu dongsaeng falaria sobre suas escolhas uma hora ou outra.

Yoongi virou-se para Jimin, que estava a sua frente com um sorriso no rosto. O moreno estendeu sua mão, entregando a amora ao outro.

— Está pronto pra isso? — O moreno perguntou uma última vez.

E Yoongi pensou realmente sobre aquela decisão. E no fim concluiu que sim, estava pronto para abandonar o planeta que o aprisionara num corpo que não era totalmente seu para ir a um planeta que o amaria e o acolheria. E, por fim, Yoongi estaria com Jimin; e o fato de apenas tê-lo consigo era a certeza de que tudo daria certo no final, em qualquer plano, planeta e dimensão que fossem.

— Nos vemos do outro lado, Jiminnie.


Notas Finais


essa foi a fic gente, eu espero que tenham gostado, porque eu amei escrever cada frase dela <3

continuem apoiando o projeto mais e mais, por favor ♥

e staneiem loona rsrs


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