História Comfortably Numb - Capítulo 27


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Categorias The Beatles
Personagens George Harrison, John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr
Tags John Lennon, Mclennon, Paul Mccartney, Romance, The Beatles
Visualizações 218
Palavras 4.262
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Lemon, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


boa noite meus bebês :') como vão???
atualizando um pouquiiiiinhos mais cedo essa semana pq estarei ocupada o resto da noite, hehe xD esse capítulo tá meio chatinho, acontecem algumas coisas interessantes, mas nada do que vcs já não esperavam. mas os próximos três capítulos (na vdd dois, porém um eu terei que dividir ao meio de tÃO GRANDE QUE FICOU) tão pegando fogooooo :'D A FIC TÁ ACABANDO MINHA GENTE! FALTAM SÓ 4 CAPÍTULOS (3, no caso) EU VOU FICAR ÓRFÃ DESSA FIC ,_,
enfim eh isto haushaushaush espero que gostem do capítulo dessa semana :') boa leitura!

Capítulo 27 - 26. Instabilidade


Antes de descer para a cozinha tomar café naquela manhã, Paul pensou duas vezes. Havia dormido em sua casa naquela noite, seu pai tinha ido busca-lo na escola, e como já se sentia melhor a mais revigorado, iria para a aula como todos os dias, já que não podia ficar faltando a toa. Estava devidamente vestido e arrumado para mais um dia de escola, porém, sem vontade de tomar café da manhã. Sabia que Jim estaria sentado à mesa, ele sempre tomava seu desjejum junto com filhos antes de ir para o trabalho, e como Paul passou aquela noite toda pensando se perdoava seu pai e voltava para a casa ou não, ele não sabia como encará-lo. Ele não sabia se tinha sido bom ou ruim ouvir aquela história de Stuart, a parte boa foi que agora suas atitudes tinham o mínimo de justificativa, mas havia o deixado bem confuso. Stuart tinha um pai que o espancou apenas pelo fato de ele gostar de garotos, enquanto Jim jamais levantou o dedo para ele, só tinha algumas ideias erradas sobre isso.

Em contrapartida, foi expulso de casa, o que talvez fosse tão ruim quanto agressão física. Porém, havia um agravante nessa história, na noite em que o pai o mandou embora, Paul estava drogado. O garoto até hoje tinha a sensação de que se não fosse por isso, se não tivesse cometido esse vacilo, nada disso teria acontecido. Então o que era correto a se fazer? Perdoar era difícil, talvez nunca conseguisse, mas olhou nos olhos de Jim no momento em que ele o pediu perdão e implorou pra que ele voltasse, ele estava sendo sincero em dizer que o aceitava. Tudo era tão difícil para Paul, assim como John afirmou. Riu pelo nariz ao lembrar-se das palavras do ruivo, era incrível como ele jamais perdia o tom de deboche ou a chance de lhe alfinetar. Lembrar dele sempre lhe arrancava um sorriso.

─ Paul? ─ chamou Mike, que tinha acabado de sair de seu quarto. O irmão mais velho estava parado encostado na parede do corredor, pensando se descia para a cozinha ou não. ─ O que está fazendo plantado aí? Vamos tomar café!

─ Ah, desculpe, Mike. ─ o garoto chacoalhou a cabeça. ─ Eu estava pensando em algumas coisas, só isso... ─ Mike revirou os olhos. Como sempre pensando em alguma coisa, ele quis dizer. ─ Sobre aquilo que conversamos ontem, sabe?

─ Sobre o pai ou sobre aquela vaga pra estudar nos Estados Unidos? ─ Paul prendeu a respiração. Deus, sequer lembrava disso. Era mais uma coisa para sua cabeça, e nisso ele precisava pensar mesmo, já que decidiria todo seu futuro.

─ Sobre o pai. Eu... ─ suspirou. ─ Acho que vou aceitar voltar pra casa. Ainda não tenho certeza, mas... ─ não conseguiu terminar de falar, pois Michael havia pulado em cima dele e lhe dado um abraço.

─ Ai, fico tão feliz por isso! Agora você pode pedir pro pai pagar sua formatura, você não seria mais injusto, como disse! ─ o mais novo o largou, e Paul coçou a nuca, meio envergonhado. Não sabia se estava tomando a decisão correta, talvez ele ainda não contasse nada a Jim, teria o dia inteiro na escola para refletir mais um pouco. Porém, ficar cultivando toda essa mágoa e raiva do próprio pai estava o deixando ainda mais doente. Ele não era o pior pai do mundo, tinha errado muito, mas estava buscando se redimir, e talvez isso fosse o importante. Mesmo que o sentimento de decepção com aquele que o criou ainda quisesse mata-lo por dentro.

Enfim, os dois desceram para a cozinha. Como era de se esperar, Jim McCartney estava sentado à mesa tomando uma xícara de café e vendo o jornal. Era curioso ver alguém que ainda lia jornal hoje em dia, sendo que era possível ficar a par de tudo o que acontecia gratuitamente pela Internet, mas Jim, como o bom senhor tradicional que era, não se adaptou muito as novas tecnologias. Ele virou o rosto das páginas e abriu um sorriso enorme ao ver os dois filhos arrumados para irem à escola, há tempos que não tinha Paul tomando café consigo e isso o deixava muito contente. Entretanto, o garoto ainda se recusava a voltar definitivamente para a casa, mesmo ele deixando claro o quanto estava arrependido. Mas não iria desistir de seu filho, faria o que fosse preciso para conseguir o perdão dele e tê-lo de volta consigo.

─ Bom dia, meus meninos! ─ afirmou, sendo respondido pelos garotos que foram se sentar em suas cadeiras. Como o bom pai coruja que era, Jim já havia deixado pronto os ovos mexidos e leite com café dos dois, e ele só fizeram comer. Paul não tinha reparado o quanto sentia falta dos ovos mexidos do pai.

Os três ficaram em silêncio por algum tempo, o clima ali era pesado, Paul e Jim mal se falaram na noite anterior, Macca se trancou em seu quarto assim que chegou em casa e sequer desceu para o jantar. Mas Mike estava ficando impaciente, Paul disse que tinha concordado em voltar para a casa, então por que ele simplesmente não contava logo de uma vez? Esse chove não molha do irmão o deixava irritado, Michael ao contrário do mais velho era impulsivo e fazia as coisas do jeito que ele achava que precisava ser. E era de uma pessoa assim que Paul precisava para dar um empurrãozinho na relação entre ele o pai.

─ Pai, o Paul tem uma coisa pra te dizer! ─ afirmou com um sorrisinho sapeca, sendo fuzilado pelo irmão com o olhar. Jim automaticamente virou seu rosto para Paul, querendo saber o que era.

─ O que quer me falar, James?! ─ o pai questionou desesperado. Paul ainda não acreditava que Mike tinha feito isso, não ia falar sobre isso agora, seu plano era conversar com o pai só no final do dia para ter certeza se era isso mesmo que queria.

─ B-Bem, é... ─ pensou em outra coisa pra dizer. ─ Eu estou querendo fazer a formatura, pai. ─ o sorriso de Mike se desfez. Mas ainda estavam dentro do assunto, de certa forma. ─ Sério, eu queria muito poder comemorar o fato de eu conseguir me formar no Ensino Médio, afinal foi um ano difícil não é... ─ o moreno batia um dos pés no chão em nervosismo. ─ Mas acho que não vai ter como, eu não tenho como pagar.

─ Eu posso pagar pra você, se quiser. ─ o pai afirmou, e Paul e Mike se entreolharam. Ótimo, não foi nem preciso implorar. ─ Eu realmente não achei que você fosse querer fazer festa de formatura, filho, você é tão reservado, e depois de tudo o que aconteceu contigo naquela escola, acreditei que não participaria. Mas eu adoraria ver você se formando! ─ o garoto deu um sorriso. Porém, ainda achava que aquilo não estava certo, ele nem morava mais ali, os dois estavam brigados, não podia exigir isso de seu pai. Engoliu seco vendo seu progenitor o encarar como se novamente pedisse seu perdão, e isso o deixou emocionado.

Ele havia tomado sua decisão.

─ Pai, e-eu... ─ respirou dois segundos antes de dizer o que queria. ─ Eu aceito voltar pra casa. ─ os olhos de Jim ficaram do tamanho de pratos, e sua respiração falhou. Duvidava que Paul tinha falado isso mesmo, era algo que tinha esperado tanto para ouvir que, quando escutou, não parecia real. ─ Eu pensei muito esses dias desde que o senhor foi me procurar na casa do George, e... Talvez o senhor não tenha errado tanto assim comigo. ─ pensou novamente na relação de Stuart com o pai dele. ─ Quero dizer, claro que o senhor errou, eu ainda não consigo dizer que te perdoo, mas... Eu quero tentar reconstruir nossa relação. A gente sempre se deu tão bem, não é? Mas faltou confiança para ambos os lados. E espero que essa nova página que vamos começar a escrever juntos seja pautada nisso, na confiança. ─ Paul falava com os olhos cheios de lágrimas e a voz embargada, vendo os de Jim avermelhados pela vontade de chorar também.

Pai e filho se levantaram da mesa e se jogaram nos braços um do outro, deixando o pranto rolar, estavam precisando muito disso. Ainda sentado, Mike observava tudo com o coração nas mãos, assim como imaginou, tocar nesse assunto acabou dando um bom resultado. Paul chorava no peito de seu pai, escutando os soluços dele e se sentindo muito bem com aquilo, era isso mesmo que queria, livrar-se dessa tristeza que estava corroendo seu peito. Sua cabeça não estava saudável, as coisas eram difíceis, e o que ele pudesse fazer para ter paz novamente, ele faria, e tentar se entender com seu pai era a primeira delas. Os dois ficaram abraçados o tempo que foi necessário para colocarem toda a angústia que habitava seus corações para fora, e ao se afastarem, o pai beijou a testa de seu filho, se sentindo um novo homem. Era isso que queria, ser um novo homem, conhecer mais sobre o universo de seu primogênito e esquecer de vez aquela ideia de “filho perfeito”. Paul era perfeito daquela maneira, mesmo com as coisas que não conseguia entender.

─ Eu estou muito feliz por isso, meu querido. ─ afirmou o mais velho, encarando os orbes verdes do adolescente. ─ Eu juro que você vai conseguir me perdoar, eu farei tudo pra que isso aconteça. Eu te aceito como você é, demorou pra eu entender que ser assim é absolutamente normal, você continua sendo meu filho perfeito. ─ Paul apenas sorriu. Era nítido pelo olhar do homem que ele estava sendo sincero. ─ E não abrirei mão de uma coisa... Eu vou te ajudar a sair das drogas, está bem? Você sabe que isso faz mal, não sabe? ─ o garoto suspirou, sentindo-se envergonhado. Seu pai deveria saber que sua relação com as drogas tinha piorado, mesmo que não fosse um viciado.

─ Eu aceito sua ajuda, pai. ─ afirmou, e Jim se sentiu muito tranquilo. ─ Não que eu seja um viciado ou coisa assim, eu lido bem com isso, mas... Eu ando experimentando coisas que não devia, e não quero que isso piore. ─ completou. Os dois sorriram um para o outro, depois olhando para Mike, que assistia a cena emocionado. Até que Paul lembrou-se de algo. ─ Ah, pai, tem mais uma coisa que eu preciso te falar! ─ Jim piscou um par de vezes. ─ Ontem eu recebi um recado, que dizia que minha escola está selecionando alunos pra fazer faculdade nos Estados Unidos, uma universidade de lá está fornecendo bolsas para os melhores formandos do LHS. O senhor acha que eu deveria me inscrever? Tá que eu nem sei que faculdade quero fazer, eu não tenho cabeça pra pensar nisso agora, mas não posso negar que é uma grande oportunidade...

Jim só fez piscar mais ainda. É, agora havia sido pego de surpresa. Como assim Paul voltava para a casa e ameaçava sair de novo, e dessa vez para morar em outro país? Seu coração apertou de pensar em mandar o filho para tão longe assim. Mas era o futuro de Paul, conseguir estudar fora apenas por conta de suas notas no Liverpool High School seria um enorme orgulho.

─ Bem, é... Você que sabe, meu amor. Tem razão, é uma chance enorme e que só surge uma vez na vida. Se tem vontade, não tenho o direito de te segurar, não é? Como você mesmo me falou, você já fez dezoito anos, sabe o que é melhor para si. Meu coração vai ficar do tamanho de uma ervilha, mas eu também irei morrer de tanto orgulho do meu menino! ─ disse segurando o rosto do garoto entre as mãos. Paul novamente sorriu, isso o deixou animado, talvez o que havia pensado sobre isso estava correto, novos ares de um novo país poderiam lhe fazer muito bem. Entretanto, algo o prendia aqui. Mesmo que se fosse ─ e realmente estava com muita vontade de ir ─, metade de seu coração permaneceria ali, em Liverpool. E não era de seu pai e irmão, ou de seus amigos que falava.

E sim de John.

Paul subia a rua em que morava com a mesma mochila que tinha levado para a casa de George no dia que saiu de casa. Após a aula daquele dia, ele passou na casa do amigo para recolher suas coisas e agradecer à família dele por terem sido benevolentes ao ponto de deixa-lo ficar abrigado ali por quase dois meses, e que agora estava na hora de ele voltar para sua própria casa. Na escola ele contou aos amigos que havia se entendido com seu pai e decidiu voltar, dar uma chance a essa nova pessoa que ele disse ter se tornado, e mesmo que Harrison já tivesse acostumado com a presença do amigo todos os dias em sua casa, havia ficado muito contente por ter dado tudo certo na casa dele. Jim era um fodido, George não sabia se ele realmente merecia a consideração de Paul, mas era Paul que tinha de decidir isso. E o McCartney tinha a sensação de que pelo menos dessa vez, havia tomado a decisão correta.

Esperava ter feito isso sobre outras coisas que tinha decidido para sua vida naquele dia.

Sempre que caminhava pela rua onde morava e passava em frente à casa de John, Paul a encarava, isso desde o começo de tudo, quando o viu pela primeira vez ainda se mudando para Liverpool. E naquela tarde não foi diferente, desviou o olhar para o singelo sobrado azul onde ele morava com a tia, as janelas dos quartos e da cozinha dando de frente para a rua, e um gramado bonito em frente. Porém, dessa vez ele não conseguiu prestar atenção nos detalhes da casa, pois seus olhos pararam no garoto de cabelos acobreados e nariz aquilino sentado no meio fio, fumando um cigarro. Paul sentiu o coração acelerar e um sorriso formou-se em seus lábios, era incrível como seu corpo tinha reações imediatas se tratando de John, e isso também desde o início. Na primeira vez que o viu, sentiu tanta curiosidade, não queria para de admirá-lo, ele lhe era extremamente instigante. Depois, sentia o sangue ferver de raiva, achava-o tão insuportável e tinha certeza que ele tinha prazer em lhe deixar fora da casinha, sentiu-se um tolo por em algum momento ter vontade de conhece-lo melhor e entender por que seus olhos eram tão nublados. Mas acabou o conhecendo mesmo sem exatamente querer, e agora só conseguia sentir alegria quando o via, mesmo os dois tendo passado por momentos tão difíceis. E em todos esses estágios, seu coração sempre batia mais forte. Lennon lhe era uma faísca, vê-lo sempre faria acender algo grande dentro de si, independe de qual sentimento fosse.

Quando desviou o olhar do horizonte e percebeu que Paul estava ali lhe fitando da calçada oposta, John também abriu um sorriso. Tudo isso que foi citado também acontecia com o mais velho, exatamente da mesma maneira. Ele tragou novamente seu cigarro e acenou com a outra mão para o moreno, e Macca o respondeu de forma envergonhada. Chamou-o para sentar-se consigo, John não tinha ido para a escola naquele dia, mas Paul sim, estava vestido com o uniforme do LHS e precisava saber se ele estava bem, e por que ele carregava tantas bolsas consigo. Paul deu um sorrisinho e atravessou a rua, então sentando-se ao lado de seu “amigo”.

─ Não foi pra aula hoje por que? ─ Paul foi o primeiro a puxar um assunto.

─ Não estava a fim. ─ respondeu, oferecendo o resto de seu cigarro ao outro, que o tragou e deixou por ali a pontinha que restou. ─ Foi tudo bem lá hoje? Não achei que você fosse ter forças pra ir com o que aconteceu ontem.

─ Foi sim. Stuart realmente não apareceu na escola, parece que dessa vez ele falou mesmo a verdade. ─ suspirou. ─ Lamento por ele. Suas oportunidades serão muito limitadas, já que ele não tem estudo nenhum.

─ Tá com pena daquele filho da puta?! Ele nos afundou na merda, Paul! ─ exclamou John, indignado.

─ Você sabe que sim. Ele nos explicou tudo, Johnny, não o perdoo, é óbvio que não. Mas o entendo. Às vezes certos traumas acabam nos fazendo tomar decisões erradas, mesmo que na hora elas nos pareçam a coisa mais correta. ─ Paul falava de si mesmo, sobre sua decisão de terminar com John lá há dois meses. Foi bom esse tempo que ficou longe dele? Sim, até que foi, pois o ajudou a colocar sua cabeça no lugar, e hoje ele se via alguém mais maduro. Ao mesmo tempo que foi a pior coisa que pôde ter feito, pois hoje se arrependia tanto, embora ainda fossem amigos, doía demais estar perto dele e não poder lhe abraçar ou beijar seus lábios, era terrível a sensação de que ele lhe era um estranho agora. Os dois ficaram calados depois disso, já que Lennon também sabia do que Paul estava falando, e tinha os pensamentos tão acelerados quanto os dele. Mas McCartney pigarreou e resolveu continuar a conversa. ─ E sabe que essa visita do Stuart no final das contas me trouxe um resultado bom? ─ John o encarou piscando um par de vezes.

─ Como assim?

─ Está vendo essa mochila e mais esse monte de coisa que estou carregando? ─ o ruivo confirmou com a cabeça. ─ Eu me entendi com meu pai, e estou voltando pra casa. ─ o mais novo afirmou com um sorriso, e Lennon se impressionou com isso. ─ Quer dizer, eu ainda não consigo perdoá-lo totalmente, mas eu quero deixar isso de lado, sabe? Eu sinto que ele está falando a verdade, ele realmente quer se redimir do que fez e dessa vez vai me aceitar. Eu não quero ficar cultivando um sentimento tão ruim contra o meu próprio pai, estou disposto a tentar criar uma relação nova com ele. ─ John ficou um tempo fitando o rosto de Paul, vendo o quanto ele realmente estava animado por voltar pra casa. Riu pelo nariz e abriu um sorriso, ficando orgulhoso do garoto que realmente tinha um coração enorme. Será que conseguiria ter uma atitude tão nobre assim, caso fosse ele que tivesse sido expulso de casa pela tia Mimi? Provavelmente não. John tinha muita raiva de Jim, já que foi por causa das ideias erradas dele que havia se afastado de Paul, mas se ele se dizia arrependido, talvez realmente fosse verdade. Para ele restava apenas torcer para que dessa vez ficasse tudo bem, e um aprendesse a confiar no outro. Não resistiu em levar sua mão ao rostinho envergonhado de Paul, suas bochechas estavam tão rosadinhas, ele lhe era uma perdição.

─ Você de fato é uma pessoa boa demais. Que bom que conseguiu o que queria, que era ter o apoio de sua família. ─ John afirmou fitando aqueles olhos esverdeados, que agora o encaravam tão fixamente, sedentos por alguma coisa. Paul queria muito que John o beijasse, suplicava por isso com o olhar, ao mesmo tempo que não sabia o que iria acontecer caso ele realmente tomasse seus lábios para si. ─ Tem mais alguma novidade? ─ indagou retirando a mão de sua bochecha, e um balde de água fria foi jogado contra o mais novo. Droga. Encheu as bochechas de ar e respirou fundo, tentando acalmar seu coração.

─ Eu vou fazer a formatura! ─ respondeu assim que se lembrou do que mais tinha pra falar. Os olhos de Lennon brilharam. ─ Eu não estava com vontade de fazer, mas você me convenceu! ─ o ruivo não entendeu.

─ Eu? Por que?

─ Você disse que seria bom ver eu me formar... E meu pai também gostou muito da ideia e concordou em pagar pra mim. George, Ringo e Jane também estão vendo se conseguem fazer! ─ John sorriu. Ficava feliz que ele tivesse levado suas palavras em consideração, e embora não fosse conseguir ver já que não ia se formar, só imaginar Paul com uma beca se formando no Ensino Médio o deixava muito contente.

─ É uma pena que não vou poder assistir a esse espetáculo, já que não vou me formar... ─ ah, mas Paul já tinha pensado nisso.

─ Caso o senhor não aprove o ano, vai ir como meu convidado, entendeu? ─ John piscou um par de vezes e sentiu seu rosto ficar vermelho. Ele, ir na festa de formatura como convidado de Paul? Nem sabia que tinha como fazer isso. Mas não queria que ele se incomodasse consigo.

─ N-Não, Macca! Chame sua família, pessoas importantes, eu não vou ligar de não ir! ─ Macca aproximou-se um pouquinho mais do outro garoto, lhe encarando bem de pertinho.

─ E quem disse que você não é importante? ─ falou, apertando o nariz de John entre seu dedo polegar e indicador. O garoto ruivo não soube o que dizer, ele raramente ficava envergonhado, era acostumado a sempre estar por cima, mas dessa vez Paul conseguiu deixa-lo bem sem jeito. Porém, extremamente feliz por ele ainda ter essa consideração consigo. Deu uma risadinha, não sabia o que responder, mas só com isso Paul entendeu que ele concordava em ir. ─ Você vai, hm? Não negue isso pra mim, Johnny! Já não basta a possibilidade de eu ter que ir para os Estados Unidos, eu preciso me despedir... ─ Paul sequer percebeu que acabou falando demais. Ouvir isso fez com que toda a alegria de John fosse por água abaixo. O que? Estados Unidos?!

─ Ir para os Estados Unidos? Do que está falando?! ─ perguntou num tom de voz mais alto, e Paulie, percebendo o que disse, engoliu seco. Respirou fundo, xingando a si mesmo por ter se empolgado. Se bem que ia ter que dizer a ele uma hora ou outra. ─ Paul, que história é essa?!

─ Eu me inscrevi pra uma vaga pra estudar em Denver, a faculdade tá oferecendo essa oportunidade para os alunos formandos com as melhores notas no LHS. E-Eu me inscrevi, só isso... ─ falava sem coragem de olhar para John, e o outro não sabia exatamente o que sentir. Não sabia se tinha raiva de Paul ou de si mesmo, já que não eram mais nada um do outro e ele não tinha o direito opinar em nada. ─ Fique calmo, eles vão analisar minhas notas e ver se me aprovam... Eu não sou nenhum gênio, não tenho nenhuma expectativa de passar!

─ Pois eu acho que você vai passar sim. ─ respondeu chateado. Paul fez um biquinho, ótimo, John estava bravo e mais uma vez a culpa era sua. ─ E sabe o que mais? Acho que é isso mesmo que você quer, Paul. Ir pra longe dessa merda toda, ir pra longe de mim e me esquecer de uma vez!

─ O que?! ─ perguntou indignado. Era incrível como Lennon levava TUDO para o lado pessoal. ─ Seu imbecil, essa é uma ótima oportunidade! Eu não posso desperdiçar, entendeu? A gente pode continuar se falando, não precisamos nos afastar...

─ Ah claro, você vai se importar de falar comigo estando em outro continente! ─ disse com ironia, irritado. ─ Puta merda, Paul. Quando eu penso que as coisas estão dando certo você me vem com uma dessas... ─ o McCartney piscou um par de vezes. O que ele estava querendo dizer? ─ Enfim, foda-se. Você tem razão, é sua vida e você sabe o que fazer com ela, se você quer ir estudar nos Estados Unidos e vai ser feliz com isso, vai em frente. ─ afirmou massageando as têmporas, tentando ser o mais maduro e racional possível. Não tinha o direito de explodir dessa maneira, Paul nem mesmo era seu namorado mais... Não podia ficar bravo por isso. ─ E-Eu... Vou entrar, desculpe por isso! ─ o ruivo levantou num pulo, indo em direção à sua casa, mas Paul o seguiu e segurou seu braço.

─ Espera, Johnny! ─ John fechou os olhos e contou até três. Seu sangue estava fervendo. ─ Por que você ficou tão irritado com isso? Quer dizer, não era pra eu ter dito agora, devia ter falado num outro momento, mas... Achei que fosse ficar feliz por mim... ─ “Ah claro, o cara que eu amo vai embora pra puta que pariu e eu ainda tenho que ficar feliz?! Vai se foder, McCartney. No meu pau, de preferência.” Lennon pensou, mas não falou uma palavra disso. Apenas virou o rosto para ele com um sorriso ácido.

─ Não importa. Eu estou feliz, você está seguindo sua vida e isso é tudo o que eu quero. ─ disse, mas sua resposta não esclareceu o moreno. A vontade de Paul era que ele lhe beijasse de uma vez e essa palhaçada terminasse. Ele desviou os orbes âmbares para a mão do outro que o segurava. ─ Pode me soltar agora? ─ o McCartney atendeu seu pedido.

─ Você aceita ir a minha formatura? ─ John respirou fundo.

─ Sim, eu vou sim. Afinal, pode ser uma das últimas vezes que vamos nos ver, não é? ─ respondeu sem encará-lo. Por fim, Lennon caminhou em direção à sua porta, e Paul o acompanhou com o olhar, vendo-o entrar. Depois, o mais novo chutou o chão da calçada e bufou, irritado com aquela relação instável de merda.



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