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História Comida congelada - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Bom dia gueis, olha eu aqui de novo
Deus me deu uma missão na vida e é escrever sobre casais impossíveis que ninguém shippa menos eu
Então o casal de hj é Sanlaw, ou o duo estrategista
Deixando claro q essa é fofinha, então não esperem safadezas
A capa foi feita pelo meu irmão Leleo, assim q eu tiver tempo coloco aqui o Twitter dele
Espero que gostem!

Capítulo 1 - Peixinho


— Cara, eu tô te falando, é o presente perfeito!

A tripulação do Polar Tang debatia entre sussurros no refeitório. Penguin olhava para Shachi fixamente enquanto mastigava seu cereal. Bepo dormia com a cabeça na mesa, mas a opinião do urso já havia sido confirmada no dia que aceitou se vestir de dinossauro e deixar o capitão dormir em seu colo. 

Aliás, Law estava dando mais problemas que o habitual. Explodia com frequência e nem mesmo bolos, presentes ou arregaçar a Marinha na porrada parecia deixá-lo melhor. O estresse era palpável e o navegador já tinha confessado presenciar o mestre amassando latinhas com a força da mente. Alguém, ou alguma coisa, vinha tirando a sanidade e autocontrole dele.

Nessa conjuntura, o desespero da tripulação por uma luz no fim do túnel era previsível. Discutiam incansavelmente, testando todos os planos loucos para que Law voltasse ao normal. Se em dias comuns o capitão podia ficar difícil de lidar do nada, ultimamente ele permanecia num eterno estado de cu virado.

— Pensa comigo — Shachi apontou a colher para o outro — tentamos quase tudo, só falta abstrair que ele está reprimindo alguma coisa.

— Não creio que você está me contando seu plano para arranjar uma transa para o capitão…

— Eu nunca especifiquei o tipo de desejo mas okay — O copo de leite foi esvaziado e o tripulante se levantou — Se me dá licença, eu tenho uma ligação importante para fazer.



Um peixinho abobado brincava com os rebites da janela. Através do vidro grosso era possível ver apenas uma mancha preta e verde, contrastando a imensidão do fundo do mar. O frio daquele lugar sem sol ajudava a embaçar a janela, abrigando logo depois os desenhos simples feitos no vapor da respiração de Law.

Com a cabeça encostada no aço gelado, o cirurgião da morte pensava na vida. Se perdia no quão grande seu maior inimigo era, mesmo que a presença constante dos oceanos fosse confortável ao mesmo tempo. Sabia que se qualquer erro acontecesse, ele seria tão insignificante quanto o peixinho idiota que caçava comida no casco do submarino.

Ainda de pijamas, juntava qualquer pingo de vontade para sair e almoçar. Pensava naquela noite fatídica a duas semanas atrás, aquela mesmo onde pegou o espadachim idiota roubando um beijo do chapéu de palha. Ainda teve a capacidade de perguntar depois se ambos estavam juntos, recebendo um monólogo sobre como Zoro era perfeito na visão de Luffy. Não precisava ter seu coração mais esmagado que aquilo, mas não era uma decepção incomum.

Saber que o seu crush já tinha dono não era algo novo. Contudo, desde que a aliança começara, as esperanças lentamente voltavam a dançar no coração do cirurgião. Pelo jeito tinha sido uma péssima ideia. 

Com mais um suspiro, bateu a cabeça na parede fria. Iria desistir, isso não era novidade para ninguém, ainda que estivesse com um maldito peso no peito. Só pensava que dessa vez seria diferente e finalmente sua vida amorosa saísse daquele limbo. Ter vinte e seis anos e apenas um namoro fracassado nas costas não era o perfil de felicidade nos parâmetros de Law.

As lágrimas já haviam secado a muitos dias, agora apenas a decepção habitava naquele quarto frio.

Duas batidas na janela e o moreno já apostava consigo qual a cor do peixinho sequelado que dava cabeçadas contra o vidro. Porém, não via escamas ou nadadeiras e sim um brilhante e dourado cabelo.

Os olhos arregalados mediam a pessoa do outro lado da escotilha. A água devia estar congelante, impulsionando Law a usar seus poderes e teletransportar ela até dentro do seu quarto. O sorriso gentil não sumiu do rosto fino quando os joelhos bateram contra o piso de metal.

Completamente assustado, o cirurgião tratou de correr atrás de toalhas para o convidado, finalmente saindo da cama depois de tanto tempo acordado. Apenas se sentia surpreso pela invasão mas ao mesmo tempo não era cruel para deixá-lo morrendo de hipotermia. Ou talvez fosse, apenas estava sensível demais para pensar nessas coisas.

— Kuroashi-ya, o qu-que aconteceu?

Uma risada gostosa ecoou pelo cômodo enquanto Sanji secava os cabelos. Seus olhos estavam no mesmo nível que aquelas moedas cinzentas que deixavam Law ver; o que era novo já que estava acostumado com os centímetros de diferença. De perto podia confirmar o que sempre tinha conversado com Nami-san, ele realmente tinha olhos bonitos. 

— Um dos seus tripulantes me ligou dizendo que a sua alimentação estava prejudicada, então eu vim — disse pegando outra toalha seca. Sacou o maço de cigarros de dentro do terno, mas estava completamente encharcado. De qualquer forma, não sabia se podia fumar em um lugar como aquele, submarinos eram território novo para o cozinheiro. — E antes que comece a gralhar, é minha obrigação como chefe manter todos os nossos aliados saudáveis.

Law não sabia o que fazer. Não era a primeira vez que seu bando cuidava dele por trás dos panos, contudo, ainda se surpreendia. Tocado pelo gesto tão sincero, se levantou em busca de alguma coisa que servisse no cozinheiro; não era mal educado ao ponto de deixar seu convidado molhado durante toda a sua estadia. O importante era que estava aceitando a ajuda mesmo que de forma velada. Quem sabe Cora-san não ficasse orgulhoso.

Com as roupas em mãos, apresentou o banheiro para Sanji. Esperava em sua cama a volta do outro, pensativo sobre a situação. Pelo menos o mugiwara não era tagarela como os outros, na verdade parecia até sensato se não levasse em conta os momentos mulherengos dele. Se perguntava se o outro também vivia de decepções amorosas.

— Ei Torao…

A voz melodiosa chamou por aquele apelido infame. Virou para checar o que já sabia, as roupas ficavam idiotamente compridas no cozinheiro.

— Me apresenta a dispensa?

Saiu de seu quarto ainda de pijamas com a visita em seu encalço. Estranhou o fato de não haver ninguém no caminho até a cozinha. Talvez estivessem ocupados demais ou então fazia parte do planejamento deles o deixarem sozinho. Não achava a segunda opção uma boa ideia, não quando sofria por um cara e um mais inimaginável surgia na sua frente.

A geladeira foi rapidamente assaltada e o som de panelas batendo preencheu o ambiente. Sentado na ilha de metal, Law observava como as calças ficavam grandes o suficiente para enveredar por debaixo dos pés pálidos. As mangas dobradas também fisgavam o olhar dele.

— Me surpreende um médico comer isso! — Sanji declarou possesso segurando uma bandeja de comida congelada. 

Simulou jogar a comida no capitão, ganhando um moreno se escondendo atrás da bancada assustado. Riu com a primeira expressão vista no rosto pardo que não demonstrava apatia.

O cheiro de tempero logo subiu pelo ar, invadindo as narinas de Law, despertando seu estômago. Fazia mesmo um tempo que não comia nada descente, mesmo que os tripulantes mantivessem as religiosas três refeições. Entretanto, não era bem nisso que sua mente estava focada. Era na figura quase angelical na sua frente.

A conversa fluía de forma quase natural, como se o outro não fizesse esforço para tirá-lo do casulo. Talvez isso fosse fruto dos vários pontos que tinham em comum. Não ia negar que as dicas de como lidar com o capitão dos chapéus de palha foram muito úteis, e que Sanji era uma ótima enciclopédia de cada mugiwara.

Aliás foi através dele que descobriu que Luffy e Zoro estavam juntos desde antes da guerra, só tinham preguiça demais para dar um nome aquilo. Ou seja, Law sempre tinha sido o único trouxa da história.

— Kuroashi-ya — proclamou da adega trazendo uma garrafa de vinho. 

Um sorriso brotou no rosto celestial de Sanji. Ele também estava confortável com a presença do outro. Não ter um maldito marimo roncando enquanto gritava para deixarem a geladeira em paz era melhor do que podia imaginar. Quando atendeu a ligação e Luffy pediu para dar uma olhada no outro capitão, aceitou já imaginando que não seria tão ruim. 

Contudo, a conversa sempre recaía sobre o garoto. Parecia até que algo puxasse Law na direção de Luffy. Não fazia ideia do que era e também não fazia diferença o que estava passando na cabeça dele; estava ali a pedido dos piratas do coração para fazê-lo comer.

Sentado de frente para aquele prato de comida, Trafalgar pensava em nada. Sua mente não ficava em nada específico; bom, nada além daquele prato. A imagem de algo comestível depois de tantos dias vivendo de bolacha sem recheio fez seu estômago roncar. Levantou o olhar para encontrar Sanji com uma feição complacente.

— Posso te perguntar uma coisa? — Law anuiu, impossibilitado de desviar o olhar daquelas safiras. — Foi mulher?

As taças receberam o vinho, o som do líquido despejado preenchendo o silêncio entre os dois. A visão daquele homem sensual bebericando o vinho devagar na sua frente com toda certeza estava na lista de pecados capitais da igreja. Com certo esforço, colocou a primeira colherada do almoço na boca, o sabor explodindo na língua. 

— Quase isso…

Inconsciente, começou a medir Sanji. Tinha uma queda por loiros desde criança – complexo de Édipo o nome? – isso era fato, mas nunca teve um amor de olhos azuis ou que mantinha a barba a vista, ele era sempre o desleixado com sono demais para pegar na gilete. Não se sentia atraído por ternos, muito menos por cozinheiros. Quem sabe o hábito autodestrutivo do cigarro fosse o mais próximo de atraente para Law. Mesmo assim se sentia levemente inclinado na direção do outro.

Comeu em silêncio, aproveitando ao máximo aquele manjar dos deuses. Feito por um deus que ele conhecia e sabia onde buscar. Que estava a sua frente sentindo empatia de si, mesmo claramente não jogando no mesmo time que ele. Se questionou se era errado demais partir para outra, até porque nunca tinha se declarado para começo de conversa.

Mesmo assim, sua consciência não deixava que desse o primeiro passo. Conviver com os mugiwaras era conviver também com os esporádicos momentos onde o cozinheiro surtava com a ideia de ter qualquer relação com outro homem. Além disso, as recorrentes demonstrações de amor incondicional por qualquer mulher que surgisse perto dele só reafirmavam sua posição de heterossexual raiz.

— Posso te perguntar uma coisa também? — tirou coragem de onde não tinha para encarar a pessoa que comia ao seu lado. Não pode deixar de notar que o rosto seguia as proporções dos seus livros de anatomia.

— Desde que não me pergunte se eu sou gay, então tudo bem.

Law se segurou para não dar um suspiro de tristeza. Já abraçava seu destino Jão, iria morrer sozinho. Que Cristo achasse outra pessoa para crescer e multiplicar porque Trafalgar estava largando os tacos e desistindo do jogo. A próxima pessoa que distribuísse amor perto dele seria esqurtejado e a pele viraria um lindo jogo de banheiro de crochê.

— Isso não quer dizer que não pode me chamar para sair.

— Achei que caras não eram sua praia — respondeu Law confuso. A risada que veio após apenas piorou sua situação. Custava passar um dia sem precisar pensar demais nas coisas? 

— Eu te conto assim que servir mais vinho.

Empurrando a taça gentilmente na direção do cirurgião, Sanji dava sua cartada final. 

A princípio, tinha sido chamado apenas para cozinhar, mas, quando o urso começou a dar o relatório da situação, não conseguiu se segurar. Saber que pertinho dele existia uma pessoa como ele dava segurança nas atitudes do loiro. Alguém que não dava certo com ninguém, já desistira do amor a muito tempo e agora apenas se agarrava a pequenos fiapos de esperança era justamente o perfil de Sanji. Procurava nada menos do que uma pessoa conformada como si.

Sabia que tudo poderia desmoronar com uma facilidade inacreditável, mas também sabia que não precisava exatamente de um namorado. Um amigo mais próximo para dividir trechos da vida já era o bastante. Claro, repetia isso para não se perder naqueles olhos prateados e se entregar cedo demais. Seguindo seus princípios, iria comer pelas beiradas, tomando toda distância de segurança.

Quando Law encheu sua taça, puxando sua cadeira para mais perto, o cozinheiro sorriu com o convite aceito.

Não abandonaria o cuidado em tratar o outro, porém não podia mentir. Nenhum dos dois podia na verdade. 

Era maravilhoso não ser chutado.












Notas Finais


É isto viads
Espero que gostem e quem sabe eu trago mais
Minha faculdade volta essa semana e eu não sei se vou conseguir escrever, mas Deus sabe todas as coisas e se ele quiser eu faço uma fanfic desses dois se comendo loucamente para alimentar esse fandon

Lavem as mãos e não morram
Até uma próxima!!
🖤🖤


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