História Coming Home - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Ariana Grande, Camila Cabello, Fifth Harmony, The 1975
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Caminah, Camren, Fifth Harmony, Laurinah
Visualizações 48
Palavras 3.827
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa noite, queridos! Aqui está mais um capítulo. Gostaria de indicar uma música, podem dar play em If I Ain´t Got You, da Alicia Keys no momento que Lauren do banheiro sair e dar de cara com Camila. Aproveitem.

Capítulo 2 - Revelações


Fanfic / Fanfiction Coming Home - Capítulo 2 - Revelações


Lauren POV

Apesar de continuarmos na mesma gravadora após os eventos ocorridos, eu via a Camila pouquíssimas vezes. Estava acompanhando a maioria dos seus passos através de seus trabalhos e notei o quanto de apoio ela estava recebendo dos fãs. Dos nossos fãs. Não que eu desejasse o contrário, mas ainda não havia aceitado completamente sua saída do grupo, pois eu sempre tive uma ideia que de apesar de todas nós estarmos realizando nossos sonhos pessoais, fazíamos parte de algo muito maior e, obviamente compartilhado entre nós cinco. De certa maneira e falando por mim, senti-me traída. Às vezes quando penso nessas questões tento mentalmente preencher lacunas que justifiquem a saída de Camila do grupo, tento considerar que era de sua vontade não prejudicar ninguém, tento manter a memória daqueles lindos olhos castanhos brilhando em lágrimas quando defendia a ideia de que estávamos sendo extremamente sexualizadas por nossos gestores e de que o sucesso em cima dessa circunstância não valia a pena. Minha mágoa sempre prevalecia como conclusão dessas lacunas e manchava qualquer tentativa de entender esse processo. Já cheguei a considerar que não consegui aceitar pelo fato de ter sido omissa em algumas situações, como por exemplo, as vezes que fui colocada contra a parede a respeito de nosso "relacionamento" e de todo o resto. Merda, nunca me arrependi tanto de ter compartilhado algo na internet como quando vi as proporções que a simples junção de nossos nomes  tomou.

- Por aqui, senhoritas. - Disse um de nossos seguranças, nos apontando a mesa reservada naquele restaurante, um dos mais chiques de Miami. Haviam poucas pessoas no local, me fazendo sentir mais tranquila, não estava com cabeça para dar atenção a ninguém naquele momento. Todas tomamos os lugares de uma mesa longa de madeira clara, a decoração do restaurante era realmente elegante. Lustres de cristal estavam postos por todo o grande local, a luz e a música ambiente davam um ar de requinte e prontamente haviam uma mulher e dois rapazes para nos dar as boas vindas.

- Boa noite, meu nome é Merin Ford e sou a responsável pelo restaurante. Sintam-se a vontade e desfrutem da tradicionalidade e proficiência de nossos serviços. Bom apetite a todos. - Disse num sorriso simpático retirando-se. Os dois rapazes permaneceram, aguardando o pedido.

- Então tá, preciso beber um vinho. Disse Dinah num tom um pouco impaciente, atraindo a maioria dos olhares e risos na mesa. Direcionei o meu sobre Camila, parecia perdida em pensamentos, fixando-se sobre um dos objetos postos na mesa logo sendo chamada a realidade.

- Walz, você ainda é fraca com bebidas? - Dinah perguntou num tom divertido, recebendo um rolar de olhos de Camila. A amizade das duas claramente não foi afetada pelos acontecimentos.

- China, eu nunca fui de beber e na verdade não entendo como possam existir pessoas viciadas nisso. 

- Camila, você é uma fracote, sua paixão é mesmo comida e é notável o quanto sua bunda cresceu desde a última vez que nos vimos. - As provocações de Dinah sempre eram precedidas de muitas risadas entre nós.

Logo os pedidos chegaram, optei por uma salada simples, acompanhada de vinho branco. Meu estado de espírito ansiava por bebidas fortes e por conta da emoção de ver Camila novamente eu sabia que não poderia infringir meus limites. Entre risos e assuntos aleatórios consegui distrair um pouco minha cabeça dos pensamentos invasivos e relaxei verdadeiramente. As garotas estavam realmente felizes com o reencontro entre nós e não estragaria a noite com nenhum tipo de drama.

- Vou ao banheiro, pessoal. - Levantei e dirigi-me ao local, logo um dos seguranças me acompanharam parando a pouca distância da porta, olhando atentamente em volta. Achava engraçado como eram sempre alertas e dedicados a função, eram quase como marionetes programadas para qualquer ação não esperada. Dei um sorriso sem humor e fechei a porta atrás de mim. O cheiro de lavanda enchia minhas narinas, eram impecavelmente limpo com um grande espelho logo acima da bancada que comportavam os lavatórios que pareciam ser torneiras de ouro maciço. Logo escolhi uma das portas mais ao fundo, me proporcionando alívio da vontade de fazer xixi. Ouvi vozes baixas, um bater de porta não muito distante da minha e uma longa respiração. Após secar-me e dar a descarga avistei Normani mexer no celular próxima à pia.

- Já tá bêbada, Lauren? Ainda falam da Camila. - Disse com acusação humorada e cerrou os olhos. 

- Não, Mani, apesar de que ultimamente ando precisando mesmo encher a cara. - Ao lavar as mãos e secar com as toalhas macias oferecidas pelo suporte na parede do meu lado direito, me preparando para sair do banheiro ouvi a voz de Camila ao fundo.

- Lauren querendo beber pra esquecer? Continua a mesma de sempre. - Saiu do banheiro encostando a porta e fitou Mani que a acompanhou na provocação.

- Mila, se tem uma pessoa que realmente precisa disso pra relaxar essa pessoa é Lauren. Desde a sua saída ela ficou mais rígida com nossos compromissos, quase tomando o posto de um de nossos gestores. - Fiquei boquiaberta com a confissão de Normani, lançando a ela um olhar de repreensão, ela devolveu um sorriso sem graça e desviou o olhar de volta ao seu celular.

- Eu sempre levei meu trabalho muito a sério e me agrada fazer bem e terminar com sucesso tudo o que começo. - "Não comece um drama, Lauren". Minha consciência me freou e quase me arrependi das palavras que soltei sem pensar.

- Está querendo dizer algo pra mim, Lauren? - Disse Camila ao olhar para mim através do espelho, percebi suas mãos levemente trêmulas ao retirar uma toalha de papel do compartimento. Seu tom sustentava uma leve raiva.

- E lá vamos nós, não demorem com o Camren drama. - Soltou Mani ao sair com um leve riso com o lábio inferior preso entre os dentes brancos como pérolas.

- Não, Camila. Não quero dizer nada com isso, apenas afirmei a verdade.

- Pois sinto que desde o começo dessa noite você vem falando em entrelinhas, isso me deixa irritada e prefiro que fale ao ficar nesse joguinho com você porque minha intenção é ter uma noite agradável com todas vocês após tanto tempo. - Seu olhar passou rapidamente pelo meu corpo, parando em meus olhos.

- Com certeza se eu tivesse algo a dizer já teria falado e não pedido para alguém falar em meu nome. - Novamente minhas emoções haviam me passado pra trás. "Fodeu", minha consciência alertou-me e logo Camila tomou para si minha ironia.

- Você ainda guarda ressentimentos pela minha saída. Lauren, achei que tínhamos deixado toda essa história pra trás. Expliquei especialmente pra você em pormenores toda a situação, ninguém falou por mim, olhando nos seus olhos quase que como buscando sua benção e tudo o que fez foi me deixar naquele estúdio falando sozinha. Desde então você deixou a nossa amizade minar. - Corei em raiva com a acusação, não pude acreditar no que estava ouvindo.

- Quer dizer que você escolhe estragar nossos sonhos e eu sou a culpada? Não foi eu quem deu a entender que tinha "amizades circunstanciais" numa entrevista pro mundo inteiro ver, você colocou em xeque tudo o que havíamos construído todos esses anos, Camila. - Desabafei sentido o peso das lágrimas que eu fazia questão de não ter derrubado ao passo que Camila se aproximou de mim. Praguejei o quanto me sentia desarmada em sua presença.

- Eu não estou mesmo afim de discutir sobre o passado, então vou me recompor e dar por encerrado esse assunto. - Sua voz estava num tom firme, porém vi que sua vontade era chorar, meu braço não me obedeceu ao tomá-la pela mão antes que saísse do banheiro, por um momento tive vontade de me desculpar. Minha voz estava presa na garganta. Camila não virou, permaneceu parada, senti que suas mãos suavam, ainda trêmulas pela troca de farpas com o olhar baixo como que esperando o que mais eu tinha a dizer.

- Sinto muito saber que está imersa em mágoa, nunca foi a minha intenção esse desenrolar dos fatos. Eu esperava tanto de você, mais apoio ou sequer um olhar que me dissesse que eu estava no caminho certo. Vou guardar num lugar especial todos os momentos entre nós. - Saiu sem olhar pra trás, suspirei sentindo um nó em meu peito deixando que lágrimas quentes continuassem a rolar meu rosto. 

Após me sentir segura o suficiente para sair do banheiro, dei uma última olhada em minha aparência. "Ótimo, volte lá e finja que nada aconteceu", e era o que eu faria. Percebi que era muito mais fácil lidar com qualquer situação relacionada a Camila quando sentia raiva dela, sendo assim notei meu semblante se recompor. Sentei à mesa, sentindo um certo alívio nos pés, meu salto já começava a incomodar quando vi Ally repreender Dinah por causa de um arroto, ela detestava muito esse som e de vez em quando fazíamos uma maratona afim de irritá-la, tínhamos um prazer imenso em tirar sua paz às vezes.

- Allycat, já disse que você precisa libertar seus instintos. - Dirigi-me a ela afim de entrar na diversão e apagar o que aconteceu há alguns instantes.

- Até você, Lauren? - Respondeu-me num olhar de desdém.

- Deixa ela, Lo. Vocês nunca perdem esse costume, daqui a pouco quem sai do grupo é ela, alegando assédio moral. - Mani parecia a mais tranquila com o fato de Camila ter saído, em algumas conversas ela afirmou que o grupo não se resumia em apenas uma e que nossos fãs nos apoiavam o suficiente para manter de pé o nosso sucesso com ou sem Camila. Mas obviamente eu sempre tive a noção que a verdade não era bem essa.

- Falou e disse, Mani. Às vezes perco a dignidade aqui, Mila. Será que você tem um espaço para mais uma na sua casa? - Todas riram prontamente com sua pergunta, Camila estava ruborizada e tomou um gole de água.

- Será que tem espaço para mais quatro, Mila? - Imitando a voz de Ally, Dinah levou a frente a piada arrancando uma gargalhada de Camila, meu coração se encheu com aquela melodia gostosa que tanto me fazia falta.

- Ok, posso providenciar isso. - Acompanhou toda a diversão do assunto, rapidamente lançando um olhar na minha direção. Desviei.

A conversa estendeu-se um pouco  mais e eu já nem pensava em  nada, sentia-me levemente alta. Um seguranças falou algo ao pé do ouvido de Normani, ao observar o mesmo que eu Dinah me fitou numa expressão triste. Era hora de ir embora. Propus um brinde.

- Garotas, eu adorei esse momento nostalgia entre nós, de fato precisamos de mais como esse, vamos finalizar a noite com nossos corações em extrema alegria. - Levantei com a taça de vinho na mão e todas acompanharam, Camila numa felicidade infantil tinha o rosto cortado por um sorriso emocionado, me deixei admirar por um momento.

- Ok, no três todas viram o que quer que esteja no copo. - Dinah aparentava estar mais alta do que eu. Tocamos as taças e copos, ao perceber o olhar de Camila sobre mim, dei uma piscadela recebendo um olhar confuso de volta, acompanhado por um sorriso sem graça. Dinah fez sua contagem e virou sua bebida talvez mais rápido do que pude piscar, todas fizeram o mesmo. Eu já tinha bebido mais que o suficiente para sentir que meu salto não incomodava mais meus pés.

Pouco mais de 23h, o carro estava numa perfeita bagunça, risos altos e piadas sobre qualquer coisa eram motivos de gargalhadas entre todas nós. O motorista nos avisou que deixaríamos Camila em sua casa, antes de voltarmos para a casa de meus pais. Desta vez, estava ao lado de Dinah igualmente de frente para Camila, que estava entre Ally e Normani. O ocorrido no banheiro voltou a minha cabeça repentinamente enquanto olhava o trânsito lá fora.

- Lauren, quer uma música da Lana Del Rey pra acompanhar a bad? - Percebi que Mani estava passando muito tempo com Dinah, lancei um olhar revirando os olhos para ela.

- Bad com aquele negão ao lado dela, Normani? - Dinah acompanhou a provocação e corei ao ouvir a menção de Ty Dolla Sing. 

- Vai se foder, Dinah, você tá parecendo os fãs com aquela palhaçada de "Tyren". - A expressão de Camila rapidamente mudou de um riso sem graça para uma séria, fitando-me nos olhos, como quem diz "Essa merda não é real, é?", mais uma vez desviei o olhar para a janela.

- Realmente, os fãs não tem limites. - Ally ponderou.

- O que quer que faça o barco deles flutuarem, não é mesmo? - Disse Camila num tom sarcástico, podia jurar que olhou para ver a minha reação ao usar a mesma frase quando indagada numa entrevista sobre o que seria Camren. Dinah, pegou no ar e adivinhei que não deixaria a oportunidade passar.

- Vou confessar uma coisa. Camren pra mim não é um shipp morto. - Todas olharam pra ela ao mesmo tempo e a troca de olhares entre elas em cima de mim e Camila foi constrangedora. 

- Dinah! - Em dueto, a repreendemos. O quanto senti meu rosto queimar não estava escrito.

- Tá vendo?! Essa porra de conexão que vocês duas tem me arrepia, tenho certeza que dariam um prato cheio à mídia e para os fãs se assumissem logo o que não é segredo pra ninguém. - Eu sempre soube que Dinah era cúmplice de Camila para todas as horas, no passado havia recebido também diversos conselhos dela sobre essa questão, muitos deles regados a lágrimas minhas. Algumas vezes Camila me colocou contra a parede, afim que eu admitisse meus sentimentos por ela. Sim, preciso admitir o que todos enxergavam era verdade, meu grande problema foi nunca conseguir admitir para mim mesma que eu a amava desde a primeira vez que a vi nas audições do The X Factor e sim, eu a tinha beijado uma vez. Está na lista de melhores coisas que havia feito em minha vida, nunca tinha me sentido daquela forma, era como voar. Com os rumores crescendo, naquela época tivemos uma reunião com a produção e os representantes da gravadora, que nos proibiram veementemente de sustentar qualquer contato, visual ou não quando estivéssemos em público afim de matar de uma vez por todas o inferno que eu mesma havia criado, ou seja, Camren. Desde então tudo isso me fez criar um bloqueio, levando com ele minha amizade com Camila. Claramente esta questão encontra-se mal resolvida. Estávamos chegando ao primeiro destino antes de voltarmos pra casa, meus pensamentos foram afastados pela súplica de Normani.

- Eu juro que vai ser rápido, preciso mesmo fazer xixi. - Recebendo um assentir de cabeça de nosso motorista, Mani seguiu Camila ao saltar do carro. Logo Dinah também acompanhou, Ally despediu-se de Camila, afirmando que esperaria no carro. Meu corpo travava uma guerra com minha consciência sobre sair ou não, num súbito ato de coragem abri a porta, deixando Ally entretida com algo no celular. Adentrei a grande porta de madeira escura entreaberta e apreciei o ambiente. Paredes claras, com móveis rústicos encheram meus olhos, mais a frente estava a cozinha elegantemente planejada por trás de uma bancada de mármore escuro, vi uma escada, provavelmente levaria aos quartos e ao lado esquerdo uma sala enorme com uma grande TV, com sofás pretos postos em volta de uma mesa de centro de vidro. À direita desta havia um quadro enorme com a foto de Camila focando apenas acima de seu pescoço com a mão esquerda acima da cabeça e a outra com o dedo indicador tocando levemente o queixo num olhar sensualmente intimidador onde os cabelos sobre seu rosto davam a ela um ar pós-foda. 

- Puta merda. - Me senti um garoto de 15 anos ao olhar pela primeira vez um exemplar da revista Playboy. Meu sexo pulsou e de repente ouvi uma voz à minha direita, descendo as escadas.

- Puta merda digo eu, o que faz aqui? - Camila notou a admiração pelo quadro, colocando um sorriso de suspeita sobre o rosto, Dinah logo atrás.

- Mais um pouco Walz ela repetiria o ritual de amor próprio do qual eu te atrapalhei na outra noite no telefone olhando pra esse quadro. - Eu esganaria Dinah um dia, tenho certeza. - Bom, foi ótima a noite, Chancho, de verdade, precisamos nos encontrar mais vezes.

Camila recebeu um beijo carinhoso na testa e Dinah logo passou por mim, piscando com cumplicidade. Eu conheço de longe essa piscada e o que ela quer dizer.

- Vai ficar petrificada aí? - De fato, eu estava petrificada, nem ao menos tracei um plano pra dizer o porquê tinha entrado na casa de Camila, logo meu raciocínio felizmente me deu uma luz.

- Também preciso usar o banheiro, se não for incomodo. - Camila parecia esperar uma resposta diferente, percebi ao me olhar com expectativa e, logo após um sorriso seco, fitando o chão.

- Claro, por aqui.

Após as escadas tomamos um corredor com paredes em bege, passando por Normani que nos lançou um olhar cerrado num sorriso suspeito. Logo despediu-se e saiu saltitante. Ela vai me pagar em breve. Camila me guiou através do corredor, apontando-me o quarto para que alcançasse o banheiro. Sentou na cama onde caberia confortavelmente umas cinco pessoas e tomou o celular em mãos, quase em desespero entrei no banheiro e fechei a porta atrás, me encostando de olhos fortemente fechados.

- Porra, o que eu tô fazendo aqui? - "Você sabe muito bem". Às vezes tinha vontade de me arrancar a consciência. Me olhei no espelho como quando nos olhamos reafirmando o quão louca estávamos de bebida quando nossos atos numa festa saem de controle.

- Ok, eu consigo. - Não sei certamente o que eu conseguiria ao afirmar isso para mim mesma, meus olhos estavam num tom verde escuro, o que eu sentia era próximo de... excitação? Após respirar o mais profundo que consegui, abri a porta, dando de cara com um olhar confuso a poucos centímetros de distância. Seu doce cheiro...o mesmo cheiro de sempre que muitas vezes serviram de elemento para as minhas mais íntimas fantasias, inalei profundamente mais uma vez.

- Ia bater na porta pra ver se estava tudo bem. - Camila parecia zombar de mim, olhando-me da cabeça aos pés verificando se realmente estava tudo bem.

- Estou, obrigada. Sua casa é muito bonita. - "Otária". Não conseguia formular o que eu diria a seguir, assim que ela entrou naquele carro só consegui pensar no quanto estava atraente e com uma aparência adulta, de mulher feita.

- Olha, vou refazer a pergunta de antes. Você tem algo a me dizer, Lauren? - Trinquei a mandíbula, prendi a respiração e passei um rápido olhar através do quarto. Perfeitamente organizado, parecia não ser a mesma colega de grupo que sempre ocupou o título de mais bagunceira.

- Preciso me desculpar pelo episódio no banheiro, não deveria ter falado aquelas coisas e, no fundo, você tem razão. - Suas sobrancelhas arquearam, seus olhos fixaram minha boca entreaberta. Nossas intenções casaram mais uma vez e iniciamos um abraço longo. Sua respiração em meu pescoço arrepiou-me como um chicote na alma. Gentilmente, afastou-me pelos ombros, oferecendo um sorriso acolhedor.

- Essa é a minha Lauren. - "Minha, viu só?", senti um chacoalho dentro das minhas ideias, era impressionante a forma como Camila nunca sentia raiva de mim, mesmo que eu merecesse às vezes. Quando discutíamos enquanto estava no Fifth Harmony era como cair o mundo pra mim, por mais que fosse por algo bobo. Incontáveis vezes já perdi meu controle, chegando até a derrubar lágrimas no palco principalmente quando precisávamos cantar Who Are You, considerada pelos nossos fãs como o "hino de Camren". 

- Bom, já vou indo porque devem estar impacientes pela minha demora. - Fui em passos curtos em direção a saída, deixando com muito  contragosto Camila. Nada prepararia para ouvir o que eu iria agora.

- Lauren...não fuja mais. Por favor. - Não ousei virar para encará-la, se entendi bem ela não falou somente no sentido literal da palavra, falou para minha consciência, para os meus sentimentos. Senti minha alma sair de meu corpo como baratas que fogem de venenos aerosóis. Fechei os olhos e a única coisa que me veio a cabeça saiu como melodia, retratando exatamente o que eu havia sentido desde a dolorosa partida de Camila do grupo.

- "Some people want it all, but I don´t want nothing at all...If ain´t you, baby" (Algumas pessoas querem tudo, mas eu não quero absolutamente nada...Se não for você, querida). - Uma euforia subiu de dentro do meu ventre alcançando minha garganta, uma ansiedade indescritível me fez lembrar do dia em que eu cantei essa mesma música no dia de minha audição no The X Factor, tornei a fechar os olhos quando invadiu os meus ouvidos a mais doce voz que já havia conhecido em  meus anos de vida.

If ain´t got you, baby, some people want diamond rings, some just want everything...But everything means nothing, If I ani´t got you, baby. (Se eu não tiver você, querida, algumas pessoas querem anéis de diamantes, algumas apenas querem tudo...Mas tudo não significa nada, se eu não tiver você, querida.) - Ouvi passos lentos atrás de mim e quase pude sentir seu toque, mesmo não olhando pude constatar que Camila havia direcionado sua mão de encontro ao meu corpo inerte. Minha única reação foi correr, literalmente eu corri em direção a saída não me dando conta o quanto era difícil fazê-lo com o tamanho do salto que eu calçava, ouvi um grito atrás de mim, dizendo "espera", mas atravessei a porta sem olhar pra trás abrindo a porta do carro com rapidez, assustando as meninas.

- Que isso, Lo, parece que viu um fantasma! Tá mais branquela que costuma ser. - Normani disparou em minha direção, buscando me visualizar melhor no breu do carro.

- Sabe o que é isso, Mani? Camren feels. - Dinah arrancou um riso maldoso de Mani, selando um  high five entre as duas. Ally observou tudo calada, tocou a minha mão esquerda,  eu estava inteiramente trêmula.

- Tudo bem, Lauren? - Eu sabia que ela sempre teria algo a dizer para meu conforto, apenas assenti com a cabeça sem direcionar o olhar à ela, não queria que ela fizesse com que as lágrimas que eu estava segurando com muita dificuldade rolassem pelo meu rosto. De imediato me subiu um arrependimento que me consumiria por algum tempo.  Lancei um último olhar para a casa luxuosa, com fachada em pedra e sacada com um vidro de meio metro iluminada por luzes fluorescentes. Pude ver a silhueta de ombros baixos olhando em nossa direção, o  carro lentamente  se distanciava. Mais um erro para a minha grande coleção. 


Notas Finais


Bem, obrigada por acompanhar. Até breve!


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