História Como Árvores no Outono - Capítulo 1


Escrita por: e ßmiyushu

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), EXO, Red Velvet
Personagens Baekhyun, Jeon Jungkook (Jungkook), Joy
Tags Baekhyun, Bts, Exo, Fanfic Hetero, Hetero, Joy, Joykook, Jungkook, Red Velvet, Songifc!hu, Sooyoung
Visualizações 187
Palavras 1.309
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Musical (Songfic), Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa leitura!

Música escolhida: Autumn Tree - Milo Greene

Capítulo 1 - Under the autumn tree


Fazia tempo que não via Park Sooyoung. Ainda lembro-me de nossos tempos de escola, em que íamos juntos para as aulas nas ruas pouco movimentadas da pequena cidade de Jeju. Quando comprávamos doces na volta, também, gastando todo nosso dinheiro com chocolate e nos arrependendo minutos depois, porque sabíamos que não poderíamos gastar com mais nada até o final do mês.

Pareceu natural quando me apaixonei por sua personalidade e pela forma que seu cabelo castanho balançava com o vento quando íamos de bicicleta para o parque nos sábados de manhã. Aos dezesseis anos, quando ela o pintou de loiro, então, parecia a própria rapunzel; uma princesa, como ela odiava que eu a chamasse, mas sempre dava sorrisos tímidos ao ouvir.

Era impossível não se apaixonar por sua voz doce, por suas expressões variadas e interessantes, pelo modo como ela falava “Baekhyun!” quando estava brava; pelo seu rosto de sono e o modo como parecia um pequeno gatinho manhoso quando acordava, os olhos castanhos cheios de sossego.

Ainda lembro-me de quando, aos dezoito anos, insistiu em querer fumar um cigarro e tossiu por horas seguidas, gritando logo após que jamais fumaria novamente. Ou quando ficou bêbada pela primeira vez e chorou por ter derrubado o chocolate que comprei para ela; quando tive que ficar ao seu lado no banheiro, enquanto ela vomitava os litros de vodka que insistiu em beber, mesmo eu dizendo para não fazê-lo. Por fim, lembro-me também quando ela olhou para mim, depois de ter finalmente melhorado do estômago, e disse com a voz manhosa: “Obrigada por cuidar de mim, Baek”. No dia seguinte, pediu-me desculpas mais de vinte vezes por ter-me feito sair da festa para cuidar dela — mal sabia ela que eu não me importava, nem um pouco.

Porém, de todas as coisas que lembro-me de Park Sooyoung, a mais marcante e, com certeza, o maior motivo de eu ter me apaixonado, era seu sorriso. Meio bobo, eu sei, mas eu tinha algo com sorrisos naquela época — e continuo tendo, mesmo com meus vinte e cinco anos. Quando ela sorria, seus olhos diminuíam e quase sumiam, como pequenos riscos. Porém, mesmo diminutos, ainda podia se ver o brilho dos mesmos: pareciam querer te cegar de tanto que brilhavam. Já seus lábios se curvavam, mostravam os dentes brancos, iluminavam lugares escuros em meu coração. Me deixavam hipnotizado, vidrado na perfeição do riso, que eram música e remédio para meus medos. Amava vê-la sorrindo, feliz, animada, gargalhando e brincando, sendo a adolescente com espírito infantil que sempre foi.

Por isso, por amar tanto o sorriso de Joy, não me conformava em vê-la chorando, naquele dia.

Fui apaixonado por ela durante anos, mas não me surpreendi quando, aos dezoito anos, Sooyoung apareceu namorando. Chamava-se Jeon Jungkook e era um bom menino; bonito, forte e simpático. Por mais que me enchesse de ciúme e raiva por não ser eu com ela, não conseguia odiá-lo. Eles combinavam e ficavam bonitos juntos. Foi difícil nos primeiros meses; vê-la com outro homem, vê-la beijando e sendo feliz com outra pessoa que não eu. Mas, como seu melhor amigo, a apoiei; superei meu próprio egoísmo de querê-la apenas para mim e aceitei que não a teria comigo. Ela me amava, mas também amava Jungkook e, ou aceitava isso, ou teria que perder sua amizade.

E, felizmente, minha amizade com Sooyoung era mais importante do que qualquer coisa, para mim.

Casaram-se aos 22 anos, jovens e ingênuos. Foi uma festa pequena, apenas para os amigos mais próximos, e eu era sortudo por ser o melhor amigo do casal. Eles estavam felizes e eu estava feliz. Eram, com certeza, o casal que merecia ser o mais feliz do mundo.

Por isso, por amar tanto a alegria dos dois, não me conformava em ver Jeon Jungkook naquele caixão.

Adentrei o salão ao lado da igreja, vendo várias pessoas trajando preto. O clima pesado me sufocou — odiava velórios, mas precisava ir àquele. Por conta de nossos trabalhos, faziam quase três meses que não via Sooyoung. Ela me mandava mensagens todos os dias, praticamente, porém sentia falta de ver seu sorriso pessoalmente; e, deuses, a visão de como ela estava no funeral quebrou meu coração.

Joy estava ao lado do caixão, olhando para o rosto sem calor de Jungkook. Ela segurava as próprias mãos com força, deixando a pele levemente avermelhada e as pontas dos dígitos esbranquiçadas. Aproximei-me com cuidado, pois ela parecia tão frágil naquele momento que, senti que poderia quebrá-la em mil pedaços, caso fizesse algum movimento súbito.

— Joy? — chamei, cauteloso. O apelido que tantas vezes usei pareceu não conter o seu real significado. Porque “joy” significava alegria e, naquele momento, Sooyoung me olhava com dor.

Nem um segundo depois, ela já estava em meus braços, chorando. Abracei-a com toda a força do mundo, querendo-a proteger de tudo ao redor que pudesse machucá-la, querendo a fazer sentir-se segura.

— Baekhyun… — ela murmurou em meu pescoço, a voz quebrada e fraca, rouca e desnivelada pelo choro. — Ele se foi, Baekhyun…

Apertei-a com ainda mais força, mesmo que isso lhe tirasse todo o fôlego. Ela retribuiu o aperto, o choro ficando mais alto, as lágrimas molhando minha camisa. Mas não importava.

Olhei de relance para o corpo do Jeon, e senti meu coração doer ainda mais.

Faziam quase dois anos que o garoto de cabelos castanhos lutava contra um câncer — doença maldita, essa que lhe tirou a vida. Chorei junto com Joy no dia anterior quando, perto da meia noite, ela me ligou falando que Jungkook havia partido, que ela ouviu seu último suspiro no quarto do hospital, que sentiu suas mãos se tornarem geladas e seu rosto perder a cor.

Não percebi quando comecei a chorar, mas tudo ali naquele lugar doía em mim.

— Baekhyun… — ela sussurrou, de novo. Afastei-me levemente para poder olhá-la nos olhos, encontrando sua expressão quebrada e desolada, o frio do inverno que se aproximava envelhecendo o macio do seu rosto. — Eu estou sozinha agora, Baek. Eu estou sozinha…

Ela se pôs a chorar, novamente, e eu apenas conseguia murmurar que não, que ela nunca estaria sozinha; que eu jamais a deixaria ficar sozinha.

Eu só queria que essa droga de sofrimento acabasse e que eu pudesse ver Sooyoung sorrir, logo.

Não sei por quanto tempo ficamos abraçados ali. Talvez até sua respiração se acalmar e ela parar de chorar, ou até minha própria respiração finalmente ficar nivelada e eu sentir que não ia desabar caso ela me soltasse.

Logo, mais pessoas chegaram ao funeral e Sooyoung foi recebê-los, agradecendo por terem vindo lhe dar conforto.

Aproveitei esse momento para pegar um copo de água; tentar acalmar meu coração que apertava forte no peito. Quando voltei para a sala principal, Joy estava sozinha, de novo, na mesma posição que a encontrei quando cheguei ali; olhava com soturno o rosto do marido.

Os cabelos avermelhados desbotados caíam em seu ombro e a cor me lembrava as folhas das árvores no outono. Queria achar isso a coisa mais bonita e poética do mundo, porém naquele momento, só conseguia pensar em como Sooyoung parecia uma daquelas folhas que caem de suas respectivas árvores e apodrecem no chão, de tão melancólica que ela se encontrava.

Aproximei-me novamente, apenas para vê-la colocando as mãos finas e delicadas em cima do rosto gélido do Jeon, passando os dedos com suavidade e carinho, enquanto sussurrava, em um fio de voz:

— Quem eu irei cobrir à noite agora, hein, Kookie? — disse, e foi a primeira vez que a vi sorrir naquele dia, mesmo que fosse um sorriso triste, em meio às lágrimas que caíam de seus olhos. — A cama ficará tão vazia…

 

Era outono, as folhas caíam com vigor, enchendo os quintais e mudando o cenário da cidade, e eu não conseguia mais parar de chorar.

 

Linger on,

[Persista,]

and I can’t move on.

[e eu não consigo seguir em frente.]


Notas Finais


Obrigada por ler até aqui. <3
Sobre a fanfic:
Essas foram as frases que meu avô paterno e minha avó paterna disseram para mim quando seus respectivos esposa e marido morreram :(
"Eu estou sozinho agora."
"Quem eu vou cobrir à noite, agora, hein paizinho?"
Para pegar o clima da fic, recomendo ler a mesma com a música. Milo greene é minha vida e recomendo pra todos. <3

Link da Música: https://www.youtube.com/watch?v=h8JEUzpIItk


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