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História Como Conquistar Sasuke Uchiha - Capítulo 4


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Notas do Autor


Oie gente!!
Quero só agradecer aos comentários e aos favoritos! Muito obrigada por todo amor e apoio!! *-*
Sem mais delongas, vamos ao cap, que iiiinfelizmente não está engraçado como os outros.... Hahahahahah vcs verão!

Músicas:

Jumpin, Jumpin – Destiny's Child
7/11 – Beyoncé
Welcome – Beyoncé (HOMECOMING)
Crazy in Love – Beyoncé (HOMECOMING)
Call Out My Name – The Weeknd

Todas na playlist!

Boa Leitura!!

Capítulo 4 - Quatro


Fanfic / Fanfiction Como Conquistar Sasuke Uchiha - Capítulo 4 - Quatro

— O que eles têm? – Hinata murmurou, olhando para Gaara e Ino juntos, num canto afastado e obscuro do bar. 

Do seu lado, Sasuke deu de ombros.

— Não sei. Mas eles não se largam – foi tudo o que ele disse, sem parecer se importar. 

Hinata o encarou por um segundo, imaginando como o Uchiha sabia disso, mas ela não questionou, pois não parecia uma história que ele tivesse vontade de contar. Ela deu uma olhada para seu refrigerante diet, que, sinceramente, tinha gosto de remédio – a opção normal daquele sabor, seu preferido, no entanto, tinha acabado. Então, basicamente, ou era isso ou era algo alcoólico. 

Depois de o fim da tarde chegar e o dinheiro contado dar bem mais que a meta, Itachi convidou as garotas para fazerem alguma coisa, já que os planos de ir para o evento tinham ido por água abaixo e elas deveriam comemorar a quantia. A escolha do bar rock que os Uchihas frequentavam e era relativamente perto pareceu óbvia e todos concordaram. 

Não fazia o tipo de Itachi sair com colegiais, porém; era como se estivesse levando os amigos de Sasuke para um rolê, simplesmente. O Uchiha mais velho, portanto, ligou para alguns amigos da faculdade que sempre vinham ali com ele e Sasuke, então não estava sozinho. 

As garotas, todas com o cabelo frisado, pois tinham passado o dia todo molhados, e os rostos levemente cansados – lê-se "exaustos" –, estavam divididas: Ino estava com Gaara, Sakura e Tenten tinham se aproximado do palco para curtir a banda – a mesma que tinha tocado na livraria, então a Mitsashi ficou animada por já conhecer a setlist deles – e Hinata estava ali, perto do bar, com Sasuke. As roupas úmidas delas tinham ficado nas mochilas, dentro do carro de Itachi, e agora elas vestiam o que tinham trazido para ir embora; no caso de Hinata, era o vestido vermelho que Sakura tinha lhe dado e que a mãe de Tenten, que mexia com costura, arrumara o decote e o comprimento. As duas líderes de torcida estavam com conjuntos e, como a blusa da Mitsashi era muito fina e o sutiã estava molhando o tecido, Itachi emprestou sua camisa seca para ela. Já as roupas deles ainda estavam molhadas, mas pelo calor da noite, Hinata duvidava que demorassem muito mais para secar. 

A Hyuuga, que nunca tinha estado em bar nenhum, muito menos um intitulado "bar rock", que era um bar normal que tocava rock, como o nome sugere, estava impressionada com a facilidade de conseguir uma bebida sem ser maior de idade. Sasuke estava com um cerveja, enquanto as outras três garotas tinham conseguido drinks. Ela não bebia – e tinha ideia que Neji sentia o cheiro de álcool a quilômetros, então achava melhor nem mesmo arriscar.

Encolhida em seu banquinho, Hinata deu uma boa olhada no Uchiha que, no ritmo da música, batia a ponta dos seus dedos no balcão. Ele cheirava quase todo a sabão, mas a jaqueta, por cima da regata, trazia o aroma de folhas secas e frutas frescas que ela já conhecia bem até demais. Sorriu, rubor se espalhando por sua face.

— O que você fez hoje… Obrigada. – Murmurou ela, se referindo ao fato dele ter ajudado. Ao ouvir sua voz, Sasuke a encarou também.

O cabelo dela parecia um pouco mais desarrumado do que o normal, mas as marias-chiquinhas, ainda firmes, lhe davam um toque inocente que pouco combinava com o vestido curto. Por causa do tempo que passara lá fora, seu rosto já estava mais bronzeado do que o comum e, sem maquiagem, Sasuke podia ver as pequenas imperfeições que a completavam. Ele mexeu a cabeça.

— Fico feliz de ter ajudado.

— Não – Hinata colocou a mão sobre a dele, fazendo com que ele parasse de bater os dedos com a música. Ela respirou com força, tentando organizar seus pensamentos. – Você não entendeu. Eu sei que fez isso por mim. Você poderia ter ido embora, ou, mesmo que tivesse ficado, não precisava participar. Então obrigada. De verdade.

Sasuke estreitou seus olhos para ela, um sorriso ligeiro percorrendo seus lábios finos. Hinata viu algo especial nas íris dele. Então, sem avisá-la, ele entrelaçou seus dedos e virou suas mãos juntas, de forma que agora a dele estava por cima.

— Por que acha que fiz isso por você? – Perguntou, num tom muito calmo, e Hinata piscou, ainda vermelha. O calor da palma dele estava lhe dando calafrios em locais inesperados; ela engoliu em seco. Por quê? Porque conseguia sentir a cada momento em que ele se virava para ela e Hinata via seus olhos enigmáticos.  Conseguia captar em sua respiração profunda, em seu tom de voz duas vezes mais baixo do que os que ele usava com outras garotas. – Não acha que está sendo pretensiosa?

E, muito mais devagar do que ela achava necessário, Sasuke levou a mão dela até seus lábios e beijou as costas lentamente, sorrindo de canto ao ver que a Hyuuga não conseguia deixar de encarar a própria mão agora.

— Não, eu… Eu não estou – sussurrou, com dificuldade, pois tinha perdido o fio dos pensamentos. Voltou a encará-lo, então, tentando desfocar dos círculos que o Uchiha estava percorrendo, no lugar em que beijara, com o dedo indicador. – Consigo ver. Nos seus olhos, eu posso ver. 

O Uchiha entreabriu os lábios, um pouco surpreso com a resposta dela; arqueou a sobrancelha logo depois.

— O que mais você consegue ver?

Hinata piscou, o rosto morno, a mão dele aconchegante na sua. Então sorriu, olhando para o chão envergonhada, pois sua tentação era desviar para os ombros perfeitos dele. 

— Hm… Que v-você me acha maravilhosamente linda…? – Brincou, seu sorriso aumentando quando ele sorriu também. Estava tão vermelha! 

— Esses olhos são bons mesmo – E Sasuke riu, estreitando os seus outra vez. – O que mais?

— Também me acha incrivelmente inteligente. 

— E humilde, hein – O Uchiha deu risada e Hinata corou mais, cobrindo a boca com a mão livre para rir, tímida. – Mas você não errou em nada – ele prometeu, apertando os dedos dela. – Me pergunte isso.

Hinata inclinou a cabeça, encarando-o.

— O que você consegue ver?

— Hm… Que você tinha outra visão de mim, mas isso mudou – Seu tom de voz era neutro, mas Hinata enrubesceu profundamente. Ela abriu a boca para falar alguma coisa, seu coração tinha começado a bater freneticamente, tanto que teve medo que ele pudesse ouvir, mas Sasuke continuou: — Não se preocupe; isso não é ruim. – Então ele fez uma pausa e parecia estar pensando algo. Finalmente, Sasuke suspirou e apertou a mão dela um pouco mais forte. – Eu sei que isso vai soar clichê, Hinata, mas você é diferente das outras garotas que conheci. Eu… Tem um lugar que eu gostaria muito que você conhecesse… 

Mas, como num impulso, Hinata sentiu que seu sangue tinha ficado frio; as mãos tinham ficado frias, seu coração batia mais devagar e sua boca ficou seca. Parecia haver uma pedra, muito pesada, em seu estômago. Ela já não ouvia nada. 

Não, ela certamente não era diferente das outras garotas, de todas que já tinham tentado chamar a atenção dele de algum jeito. Ela tinha o perseguido como elas fizeram, e tinha descoberto coisas que elas gostariam de descobrir, mas não conseguiram. Ela soube, com um gosto amargo embaixo da língua gelada, que ela era pior que essas garotas. Sem coragem para encará-lo mais, Hinata olhou para o chão; seus pensamentos vagaram e aquela sensação irritante, incessante, de menina, de criança, veio à tona em seu nariz, formigando todo o seu rosto e seus olhos enormes. Ela teve vontade de chorar.

— Hinata? Tudo bem? – Sasuke olhou-a, preocupado. A expressão dela tinha mudado repentinamente e agora a Hyuuga estava pálida. O Uchiha apertou os dedos dela, preocupado. – Eu disse algo errado…?

— Não! Não, v-você não fez nada… – Ela conseguiu murmurar, depois de uma respiração lenta. – Eu… Sasuke, eu estou com m-muita dor de cabeça. Acho que fiquei cansada. Me desculpe, mas, você pode pegar meu celular e chamar um uber? – Pediu, sentindo que seus dedos começariam a tremer demais até para isso. Sasuke não a soltou por nenhum segundo, pegando o próprio celular.   

— Não se desculpe, vocês estavam desde cedo lá – murmurou, abrindo o aplicativo. Então arqueou a sobrancelha para ela. – Você não quer comer alguma coisa? Podemos passar numa farmácia, também.

Sentindo a garganta trancar, ela balançou a cabeça negativamente, com muita firmeza. Ela precisava ficar longe dele. Precisava ficar longe dele agora, por mais que isso fizesse com que ela quisesse chorar ainda mais. Estava se sentindo suja.

— Não, eu quero ir para casa.

Sasuke assentiu, tendo chamado um uber depois dela balbuciar o endereço – ele disse, num murmúrio, que conhecia o bairro. Então ele mandou mensagem para Gaara, que estava com Ino, pois era o mais próximo que chegava de alguma amiga dela. 

— Vem, vamos lá para fora – disse, ajudando-a a se levantar, e eles foram passando pelas pessoas. O Uchiha olhava para trás a todo momento, mas Hinata não erguia seus olhos do chão. Talvez a pressão dela tivesse caído, ele imaginou, então ar livre faria bem. Mal eles chegaram lá fora, onde algumas pessoas fumavam e conversavam animadamente, Gaara apareceu acompanhado de Ino e das outras duas meninas que, surpresas, já estavam quase cercando a Hyuuga.

— Hina, tudo bem? – Tenten perguntou, enquanto Sasuke explicava para Sakura e Ino que já tinha chamado um motorista. Quando Hinata acenou negativamente com a cabeça, fraca, a morena colocou as mãos no rosto da amiga e ela estava gelada. – Eu vou com você – murmurou.

— Eu vou também – Sasuke disse, muito firme, sem soltar a mão da garota, embora Hinata já não retribuísse mais o toque. 

Nesse momento o carro chegou. A Mitsashi olhou para ele como se pedisse desculpas.

— Não, essa não é uma boa ideia – garantiu, séria, tomando a outra mão de Hinata e a abraçando pelos ombros. – O pai dela é um pé no saco. 

— Mas…

— Ino, você pega nossas coisas com o Itachi? Depois eu passo na sua casa – Tenten disse e a loira concordou com firmeza, olhando preocupada para a Hyuuga, mais encolhida do que ela já tinha visto.

— Deixa eu, pelo menos… – Sasuke tentou, outra vez, encarando mal humorado a Mitsashi 

— Não. – Foi Hinata quem disse, dessa vez, e soltou sua mão da dele com muita rapidez. – Eu estou bem com a Tenten – murmurou, olhando-o por uma última vez, antes que desabasse no choro. O Uchiha estava frustrado; ele só queria acompanhá-la e garantir que chegaria bem. Até com isso o pai da garota seria capaz de encrencar? 

Sasuke murmurou um palavrão e apertou as unhas com força nas palmas das mãos, os punhos cerrados, vendo Hinata entrar no veículo com Tenten e, pouco depois, o carro sumir na avenida. 

 

 

A Yamanaka não conseguiu evitar sorrir quando, se esticando um pouco, ela percebeu que Sasuke tinha ido embora. Aparentemente a preocupação dele com Hinata era tanta que, se ela não estava mais ali, a noite tinha acabado para ele. Gaara também notou o fato, mas através mensagem que o Uchiha tinha acabado de lhe enviar.

Ino certamente estava preocupada com Hinata, mas ver como o plano delas tinha sido bem sucedido era gratificante; e isso ela não podia negar.

— Você tem certeza que não quer? – murmurou, depois de assistí-lo deslizar o aparelho para o bolso da calça. Estava falando de seu drink. O Sabaku deu uma olhada no copo dela, franzindo o nariz para o cheiro doce. 

— Quem diria que eles oferecem bebidas com guarda-chuvinha aqui – comentou, no seu tom de voz azedo. – Adorável. 

Ino deu risada, sugando pelo canudinho e passando a língua sobre o lábio superior logo depois.

— Como você é mal humorado! O guarda-chuva é preto. 

— E? – O Sabaku arqueou a sobrancelha. Ele tinha acabado de acompanhar, lentamente, a ponta da língua dela que tinha feito o caminho de forma muito atrevida.

— Hm… Combina com a atmosfera...? – Ino riu, não muito certa de que queria dizer isso, mesmo. – Sabe, agora que eu tô pensando nisso, não deve ser engraçado fazer parte de uma fábrica de mini guarda-chuvas?

Gaara franziu a testa, dando uma boa olhada na garota na sua frente. O cabelo dela estava preso em duas marias chiquinhas e sua saia roxa combinava com o cropped, um conjunto da mesma cor. Ela destoava do visual preto e cinza, quase monocromático, do local; provavelmente nunca teria ido lá pela música, já que não parava de falar um só segundo desde que a banda tinha começado a tocar. Ele se curvou, se aproximando da boca dela, e Ino, que adorou o movimento, sorriu sugestiva, dizendo: 

— Esse é outro ponto fraco? Guarda-chuvazinhos...? Por que não me disse? Eu poderia ter falado sobre isso antes – murmurou, entre seu sorriso. O Sabaku fez uma careta, tirando o drink da mão dela e se afastando.

— Você fala demais – e ele deixou o copo sobre o bar, onde eles estavam agora. Tinha se curvado para sentir melhor o aroma da bebida no hálito dela e, definitivamente, ela não era tão doce assim; tinha bastante álcool. Ino pareceu ofendida, olhando seu copo ser retirado pelo barman. 

— Ei, pode falar o que quiser de mim, mas tirar minha bebida é imperdoável. Até para você. 

— Até para mim...? – Ele incentivou, ao mesmo tempo em que desejava que ela ficasse em silêncio por um segundo, pois gostava dessa música nova. Era tão ambíguo. A Yamanaka com certeza era, também. Ela era um vale de irritações intermináveis e conversas fúteis, embora sua voz fosse um acorde agudo perfeito de ser ouvido. E, bem, Ino era linda como o inferno, o que dificultava as coisas para o lado dele.

— Com esse cabelo ruivo desarrumado, esses olhos perfeitos, essa boca maravilhosa, esse seu abdômen… – Ela ia dizendo num murmúrio sensual, e, hm, muito engraçado, descendo os seus olhos devagar, admirando-o pôr completo. Quando chegou baixo demais, Ino tossiu, deixando de falar. – Ah, droga. Que calor.   

Gaara, que não sabia se dava risada ou a incentivava – ele não podia negar que era um agrado na sua autoestima –, franziu o cenho.

— Hm. Quantos daquele você tomou, mesmo?

A Yamanaka deu de ombros, encarando-o com seus olhos azuis cheios de ironia.

— Considerando que você não está em cima de mim, chamando o meu nome, acho que não o suficiente. 

 

   ❧

 

 

— Não quer mesmo me explicar o que aconteceu? – Tenten perguntou, mais uma vez. Estava agachada ao lado da cama de Hinata, agora deitada; ela nem mesmo tinha se trocado.

— Só estou cansada – Hinata insistiu, olhando para o teto do seu quarto pouco decorado. Seu pai gostava de minimalismo e ela tinha crescido gostando disso também, considerando que todos os cômodos de sua casa eram assim.

A Mitsashi suspirou, sabendo que ela estava mentindo, mas a amiga realmente não queria dizer nada e Tenten sabia que era melhor não insistir. Considerando que hoje era sexta-feira e Hinata teria que dançar na quarta, antes do jogo, parecia tempo o suficiente para a amiga ficar mais tranquila sobre seja lá o que ela estava preocupada – talvez Sasuke Uchiha estava mexendo mais com a mente da Hyuuga do que Tenten poderia ter previsto.

— Bom, pode me mandar mensagem, se precisar. Se você achar melhor cancelar o ensaio amanhã, tenho certeza que as meninas vão entender – ela disse, e Hinata a olhou com olhos de agradecimento, se mexendo na cama para ficar mais confortável. 

— Obrigada, Ten – Hinata murmurou e a Mitsashi soube que era hora de ir. Ela se despediu da amiga e saiu do quarto dela, fechando a porta com cuidado; quase saltou de susto, porém, ao perceber que tinha alguém no corredor. 

Tenten levou a mão até o coração, respirando com dificuldade.

— Meu Deus, você me assustou – murmurou, para não incomodar Hinata. Neji olhou-a e arqueou a sobrancelha.

Ainda eram 20hrs; Hanabi, a irmã mais nova de Hinata, estava trancada no quarto como toda boa adolescente. Hiashi só chegava depois das 22hrs – outro motivo para saber que algo estava errado, pois Hinata não tinha a corrigido quando dissera para Sasuke que o pai dela estava em casa – e, portanto, até lá, Neji era o tal do homem da casa.

O homem da casa, alto e de ombros largos demais para qualquer garota em sã consciência, estava com as mãos cruzadas na altura do peito, encostado lateralmente na parede de frente para a porta do quarto da prima.

— Você pegou sol – disse, num outro murmúrio. Tenten, tentando ignorar a presença dele, passou a mão nos fios de sua cabeça que, por causa do frizz, estavam arrepiados.

— Ao contrário de vocês, vampiros, as pessoas normais não sugadoras de sangue podem sair de dia, sabe. – Ela deu de ombros; hoje, porém, Neji não se importou com a ofensa.

— Hinata está bem?

— Dor de cabeça. Hoje nós queimamos alguns homens e participamos de protestos barulhentos, então, sabe, ela ficou cansada – Tenten provocou, pois ele tinha essa mania tosca de dizer para Hinata que ela, a Mitsashi, era má companhia. Que piada! Outra vez, no entanto, ela quase suspirou de frustração, pois ele não pareceu se importar. – Agora, se me der licença, eu preciso ir… – Quando estava prestes a descer as escadas, porém, Neji a segurou sem força pelo pulso. Tenten parou ao se surpreender com o contato inesperado. 

Ela se virou, devagar, e ele estava mais próximo do que ela tinha imaginado de costas. A Mitsashi franziu o cenho, sentindo o rosto esquentar. Epa. Era sempre assim. Ele a beijaria de novo? Ela o beijaria, dessa vez? Estava se sentindo esquisita...

— De quem é essa camisa? – Neji perguntou, num tom de voz rouco, para seu choque. Ela piscou, chocada, e então olhou para baixo. Tenten deu um tapa na própria testa com a mão livre. Tinha se esquecido de devolver a camisa, pois era realmente confortável; ela adorava roupas largas e longas, e a peça do gostosão Uchiha era exatamente assim. Além de tudo, hmmm, cheirava maravilhosamente bem. 

— Merda. Ela é do Ita… – ia dizendo, indignada consigo mesma por ter deixado o cara sem camisa, mas então percebeu o que estava fazendo e se calou imediatamente. Pera aí, definitivamente isso não era problema dele! Muito decidida, a garota arqueou a sobrancelha. – E pra quê você quer saber? Não te interessa de quem é. 

Neji a trouxe para mais perto, com mais energia, a partir do pulso, e Tenten pôde sentir a respiração dele em seu nariz. Pôde sentir o quadril dele contra a sua barriga, e ela sentiu quando, devagar, o ar pareceu desaparecer de seu pulmão. Então encontrou os olhos dele; quando estavam assim, perto, conseguia ver as faíscas liláses tão incomuns. Se ficasse na ponta dos seus pés, seu nariz encontraria o dele num beijo esquimó.

— Tenten. De quem é a camisa? – perguntou, mais uma vez, baixo como um sopro, e seu hálito fresco brincou nos lábios dela. Quase dava para sentir o sabor da pasta de dente. – Com quem você estava?

Ela franziu a testa; seu baixo ventre queria respondê-lo educadamente, contanto que ele ficasse por perto, mas sua cabeça adorava vê-lo bravo. Se Neji cheirasse menos à café e sabonete, como uma manhã num hotel litorâneo, talvez ela conseguisse colocar os pensamentos em ordem. O que ela fez, porém, foi sorrir, sem medo do perigo eminente.  

— Por quê? Está com ciúmes?

O Hyuuga praticamente rosnou para ela, ou assim lhe pareceu, e então inclinou sua cabeça de forma que, antes que a morena pudesse respirar, ou simplesmente pensar em fazê-lo, ele tinha lhe beijado. Tenten suspirou no beijo, erguendo seus braços sem medo, alcançando o pescoço dele e o contornando com uma vontade quase exagerada. Ele exagerava, certamente, quando a puxava contra si e quase tirava-a do chão, de tão leve que Tenten era. Mas era impossível ter vontade de fazer qualquer outra coisa, senão tirá-la do chão, quando a Mitsashi gemia em seus lábios e, quando se separava para buscar o ar que lhes faltava, abria seus olhos para encontrá-lo tão perto de si, causando arrepios em locais semelhantes nos dois. 

Mmmm…. Perto demais…

 

 ❧

 

— Impressionante. Como ela consegue pagar de tão boa moça, sempre? – Tenten se perguntou, dando uma olhada intensa através da janela. A aula ainda não tinha começado e, como ela e Hinata sentavam na fileira das janelas, era possível observar toda a parte externa ensolarada. 

Lá fora, Shion, seguida por um grupo de líderes de torcida extremamente sorridentes, usava um megafone para chamar atenção das pessoas para o cartaz pendurado em seu pescoço. Tinha um grande pote de vidro na mão livre e, nas suas laterais, Tayuya e Karin, os pesadelos ruivos, pulavam e chutavam o ar numa habilidade de tirar o fôlego – Tay, mais contida, estava de meia calça. O cartaz dizia: "Os guaxinins estão morrendo! E a culpa é toda NoSsA", num tom sangrento de vermelho. Tenten revirou os olhos. Ela sabia que era só dar uma rolada pelo Instagram da Fujimura e da Uzumaki que com certeza acharia alguns casacos de pele nada baratos.

A Mitsashi acreditava que todo protesto e arrecadação era útil e válido, beleza, mas o que, exatamente, guaxinins tinham a ver com o fato que Karin sabia dar um ótimo split?! 

Ao perceber que estava falando sozinha, ela cutuca Hinata com a ponta da caneta. A Hyuuga pisca. Estava viajando num ponto qualquer do chão – ultimamente fazia isso com muita frequência. 

— Desculpe…?

Tenten quase suspira. Dessa vez não estava perdendo a amiga para uma cruzadinha – e sim para o completo e absoluto nada

— Shion. Guaxinins. Casacos de pele. – E ela vai erguendo os dedos, como tags para Hinata captar as coisas. 

A Hyuuga também olha pela janela e, ao perceber do que se tratava, faz uma careta. Por que quando Tenten fazia alguma intervenção a diretora Tsunade estava logo no cômodo, mas quando se tratava de Shion, Karin podia até mostrar sua calcinha com estampa de guaxinim e estava tudo bem? Pera aí. Hinata olha de novo. Onde raios ela conseguiu uma calcinha de guaxinim?! 

— Acha que elas estão… Sei lá, planejando algo…? – Hinata pergunta, baixinho, pois não tinha parado para pensar até agora que Shion estava muito na dela. Tenten franze o cenho. 

— Hm, se isso fosse um filme, era bom você se esconder – foi dizendo, apoiando o queixo na mão. – Mas nem a Shion, nem as outras líderes passam despercebidas em lugar nenhum, fala sério. – E ela revira os olhos. – Além disso, as notas perfeitas dela mostram que os pais devem ser uns verdadeiros idiotas. A estratégia da Abelha Rainha, portanto, não será mais te atacar, ela só se deu mal na última vez. 

Hinata arqueou a sobrancelha. Quando Tenten começava a pensar demais, quase dava para ver a fumacinha saindo de suas orelhas. 

— Então…? – Incentivou, agradecida que seus pensamentos constantes sobre uma única temática tivessem sofrido uma interrupção. 

A Mitsashi balançou a cabeça. 

— Sabe quando aqueles assassinos de crianças se convertem e começam a espalhar a palavra…?

Ah. 

Ah. 

 

 

Ainda bem que ela conhecia muita gente, a Mitsashi pensou. O ginásio estava um verdadeiro inferno; de tantas pessoas, das duas escolas e talvez de outras, espalhadas nas duas arquibancadas, o local chegava a parecer pequeno. A banda do colégio dela, que hoje atenderia as duas escolas, e por isso usava uniformes com azul e vermelho, teve até que diminuir alguns membros, para caber todo mundo sem problemas.

Para todo corredor que ela virava não parava de aparecer gente; quando via alguém dos times passando, era muito depressa, para chegar logo até o vestiário. Quando era alguém das líderes de torcida, elas pareciam desesperadas e em prantos. Ino e Shion certamente não estavam facilitando na pressão.

Tinha, enfim, chegado o grande dia. Hinata, apesar de fazer parte do Legacy, estava junto das garotas do Academy, as cheerleaders de Ino, para que pudesse fazer a apresentação. A amiga tinha andado estranha o fim de semana todo e, apesar de não faltar aos ensaios com a Yamanaka e a Haruno, Tenten estava preocupada. 

Em termos de postura, Hinata parecia ter diminuído ainda mais do que antes de sua "transformação". Em diversas ocasiões, enquanto dançavam, e ela se tornava cada vez melhor nisso, Ino tinha lhe perguntado se ela queria desistir. A Hyuuga recusou, porém, todas as vezes, o que fazia as três garotas se olharem. A Mitsashi passara a noite pensando nisso, desejando que Hinata deixasse de fugir de suas perguntas, ou que ela própria tivesse mais afinco ao fazê-las… 

Agora, no entanto, Tenten tinha outra preocupação. Ela estava encarando Kiba Inuzuka, um dos atacantes do time, junto de Shino, do lado dela; o jogador, já em seu uniforme, olhava para os dois com muita desconfiança.

— Vem cá, para quê exatamente vocês precisam disso? – Perguntou, estreitando os olhos castanhos. Ei, ele era gatinho mesmo. Do seu lado, o Aburame parecia se conter para não suspirar. – Não é nenhuma "macumba", né?

A Mitsashi ficou muito séria.

— Você tem noção que usou a palavra "macumba" de forma completamente pejorativ.. – Tenten sentiu Shino pisando no seu pé e forçou uma risada, acenando a mão. – Q-Quê? Claro que não! Olha, sabe a Hyuuga, que ficou popular, assim, do nada? Então, eu fiz com a dela o que quero fazer com a do Sasuke. É para garantir que nosso time vença mesmo, sabe.

Shino, que estava servindo de suporte e na verdade não estava entendendo muita coisa, pois a Mitsashi disse que era segredo, balançou a cabeça em concordância.

— Pois é, irmão! – Ele tentou forçar uma gíria hétero e tanto Tenten, quanto Kiba, olharam para ele com caretas engraçadas. – Os manos são enormes, cara. Altos demais, cê é louco! Não querêmo ficar no preju, tá ligado? 

A morena arqueou as sobrancelhas. Cristo. 

O Inuzuka, gêmeo de Hana, no entanto, soltou um suspiro. Os caras realmente eram altos e, querendo ou não, isso com certeza influenciava no jogo, por mais que eles treinassem muito bem e o time estivesse forte. Além disso, Toneri, um dos melhores jogadores, estava doente e não poderia comparecer, então certamente estavam em desvantagem… 

— Imagina só, perder em casa… –- Tenten provocou e, por fim, o Inuzuka passou a mão nos cabelos.

— Beleza, beleza. Olha, como ele não tá aqui ainda, eu vou trazer. Mas vocês não podem contar para ninguém que fui eu quem peguei! O Uchiha me mata. 

E a morena, sorrindo, passou um zíper sobre os lábios.

 

 

Quando, enfim, Tenten tinha pegado o que queria, ela embolou bem e colocou dentro do seu casaco. Estava agradecendo Shino por ter ido até ali com ela – ele estava se provando um ótimo aliado! As ajudou com o jornal, com o professor Asuma e agora com isso. Ainda assim, o garoto lhe olhava de um jeito meio constrangedor. A Mitsashi, reconhecendo aquele tipo de expressão, arqueou a sobrancelha.

— Você tá com um cara esquisita.

Se isso era possível, o Aburame ficou vermelho. Hã…? Vermelho?! Ele coçou a nuca, envergonhado.

— Olha, se eu tô entendendo bem o que você e a Hina estão aprontando, e acabei de confirmar minhas suspeitas com isso aí, – e apontou para a coisa embolada no casaco de Tenten – eu diria que a Hina já tem um par para esse baile, né…? – Murmurou, um pouco esperançoso que Tenten negasse.

Tenten o encarou como se pedisse desculpas. Então era isso. Shino sempre ia, todo ano, com Hinata para o baile. Conhecendo-o desde o primeiro dia de aula naquela escola, a Hyuuga era uma das poucas que sabia que ele era gay – Shino só agia naturalmente quando ela estava por perto. Tenten, convivendo com Hinata e virando amiga dele por tabela, tinha descoberto pouco depois.

Enfim, o fato era que esse ano Shino já não poderia convidá-la para o baile. Se tudo desse certo – e daria! – era com um certo Uchiha que a Hyuuga iria aparecer. 

— Ah, Shino. Infelizmente… – Tenten confirmou, um pouco constrangida. O Aburame franziu as sobrancelhas e olhou para baixo, desconfortável. Então a Mitsashi tentou pensar em alguma coisa para animá-lo. Sabia que Hinata só ia para o baile porquê Shino realmente gostava; apesar disso, ele não tinha coragem de chamar algum crush porque sua família ainda não sabia. Ela própria, Tenten, parando pra pensar, nunca tinha ido, pois achava uma grande perda de tempo. – Mas você pode… hã… Ir sozinho!

Shino fez uma careta. Será que Tenten queria ser psicóloga? Esperava sinceramente que não. O talento claramente era zero.

— É, eu acho… – murmurou, mexendo os ombros. – Vou ter que devolver o smoking

Surpresa, a Mitsashi piscou várias vezes.

— Quê? Você alugou o smoking? – Nossa, que prevenido. Se ela tinha uma festa para ir, geralmente via a roupa um dia antes. Dependendo do evento, até uns minutos antes, na real…

Shino ficou tão corado que poderia ter se passado por uma versão masculinah de Hinata. Ele coçou a bochecha, olhando para o lado.

— É que, hm, ele é um pouco diferente. – A Mitsashi não tinha ideia do que isso queria dizer, mas Shino parecia realmente chateado por ter que devolvê-lo. – Eu sei que ainda vamos ter o baile de formatura no final do último semestre, sabe, mas como esse é nosso último ano, eu queria fazer algo mais, sei lá, grandioso. Eu entendo que não poderia disputar no último baile, mas nesse eu pensei, bom, quem sabe, hm, – A voz dele foi ficando cada vez mais baixa, apesar de muito esperançosa, como um desejo super secreto. – virar Rei da Primavera. Eu sei, eu sei, é idiota, mas se por uma vez só eu pudess…

Algo estalou na mente dela ao ouví-lo daquele jeito. Foi quase automático quando disse, sorrindo de orelha a orelha:

— Vamos no baile juntos! – Tenten o interrompeu, de uma só vez; sua voz era pura determinação. – Eu não garanto que você será o Rei da Primavera, mas juro tentar dançar um pouquinho. Quem sabe até não batizamos o ponche esse ano; os estudantes com certeza votariam em você se conseguíssemos!

Em choque, Shino arregalou os olhos.

— A-Achei que você não gostava de bailes…

— Qual é, eu não sou uma devoradora de fetos em tempo integral, sabe. Até as militantes precisam de um pouco de diversão às vezes.

 

 

Hinata, que tinha sido a primeira a ficar pronta, pois Sakura e Ino fizeram questão de arrumá-la antes de todas, sentia o estômago borbulhando. Ela pediu licença do caos que estava o vestiário feminino do ginásio, emprestado para as cheerleaders do Konoha Academy, e Sakura, que estava mais linda do que a Hyuuga já tinha a visto, passou os dedos sobre o braço dela, num carinho.

— Ei, calma, tá bom? Você decorou todos os passos, vai dar certo. 

Hinata sorriu, apertando os dedos dela em forma de agradecimento, e finalmente saiu do antro quente e cheirando a perfume feminino – essa mistura doce e cítrica, argh. Ar puro, enfim! Ela tinha colocado um casaco, para que ninguém visse sua roupa, e quando saiu, puxou o capuz, afim que ninguém a reconhecesse. Ainda faltava pelo menos uma hora para que elas tivessem que entrar, então estava tudo bem se ela  andasse um pouco; foi o quê fez. Hinata foi passando pelas pessoas, vindo no sentido contrário, e saiu do ginásio. 

Geralmente os alunos, hoje espectadores, não andavam pelo colégio em dia de jogo; estavam todas concentradas em conseguir os melhores lugares, especular quem venceria e conseguir ver os populares. Mas era justamente longe de tudo isso que Hinata queria estar, então ela virou um, dois, quatro corredores até se ver completamente e totalmente sozinha, sentada numa mureta. Nem o barulho dos passarinhos, tão frequente numa escola cheia de árvores e espaços verdes, podia ser ouvido.

Os últimos dias tinham sido angustiantes.

Ela tinha feito tudo o que podia para evitar ficar sozinha com Sasuke, desviava seus olhares e o cumprimentava muito educadamente quando eles se encontravam. O Uchiha, que parecia insatisfeito, não deixava de olhá-la nem de tentar puxar assunto, embora isso fosse diminuindo cada vez mais, como se ele percebesse que ela não queria mais nada com ele. Aquilo estava a matando por dentro, cada dia era pior que o outro.

Não queria decepcionar suas amigas; não queria decepcionar Sasuke; não queria ter que ficar sem ele. Mas como podia continuar falando com ele, quando boa parte do que tinham construído juntos era mentira?

— Achei você. 

Hinata se virou para a voz, erguendo o rosto, e o capuz caiu. Era Tenten, sorrindo docemente. Ela se aproximou da Hyuuga devagar que, ao vê-la, tentou sorrir também. 

— Oi, Ten – disse Hinata, cumprimentando a amiga. A Mitsashi ficou vários segundos olhando para sua maquiagem carregada, de cílios com detalhes coloridos.

— Você tá tão maravilhosa; acho que nem tem ideia do quanto! – Garantiu, se sentando do lado da garota e passando seu braço pelo ombro dela. Hinata estava lhe olhando agradecida, aqueles olhos perfeitos que a Mitsashi simplesmente amava a cor. – Ansiosa?

— Muito, miga, não dá nem para descrever – murmurou, suspirando logo depois. Agora assim, próxima de Tenten, foi que reparou que também vinha correndo dela, fugindo como quem foge da cruz. Céus, estava com vergonha de si mesma! 

Parecendo perceber o que se passava na mente cheia de coisas de sua melhor amiga, Tenten deu de ombros.

— Não precisa se preo…

— Tenten. Tem uma coisa que quero te dizer; eu fiquei esperando pelo momento certo, sabe, porque não queria que você ficasse triste comigo… – Hinata confessou, numa respiração lenta, e a morena a olhou como se ela tivesse perdido o juízo.

— Eu nunca ficaria triste com você.

— Hm… Nem se eu apoiasse o patriarcado? 

Tenten estreitou os olhos para ela.

— Sabe, nós mulheres não podemos, de fato, "apoiar" o patriarcado, uma vez que é um sistema em que estamos inseridas como vit… – Ela se interrompeu ao ver o olhar de Hinata e deu risada de si mesma. – Não, Hina, nem se você "apoiasse o patriarcado".

 A Hyuuga deu uma risadinha nasalada, olhando para Tenten com carinho.

— Eu… É sobre o Sasuke – disse, mais alto agora, e a outra balançou a cabeça.

— Imaginei que sim.

Então Hinata suspirou, tentando se lembrar de todo o longo discurso que tinha feito durante esses dias, planejando e replanejando, até que estivesse perfeito e claro.

— Ele… Ele é uma pessoa muito diferente do que pensei que seria, Ten. Do que nós pensamos. – Mordeu o lábio inferior. – E, mesmo se ele não fosse, eu cheguei à conclusão que estamos sendo tão maldosas quanto a Shion, ou a Karin, quando participamos de um plano assim, mexendo com os sentimentos de alguém – disse, devagar, pronunciando cada palavra de forma que a Mitsashi pudesse entender o que estava sentindo. Tenten suspirou, parecendo estar desconfortável com esse novo pensamento. – Eu disse para mim mesma, durante essas duas semanas: "siga o plano, conquiste Sasuke Uchiha, você sabe como fazer isso e ele não passa de um cara arrogante", e certamente nunca levei os sentimentos dele em conta. "Não vejo a hora de beijá-lo e então dar um fora nele", foi o que eu continuei pensando. – Nesse momento Hinata suspirou mais uma vez, se sentindo culpada. – Mas eu não p-posso fazer isso, amiga. Eu não posso dar um fora nele. Eu quero ficar com ele, eu acho… Não, eu tenho certeza que estou apaixonada. Sasuke Uchiha é… ele é… ah, Ten, ele é tudo! – E o tom de voz dela tinha ficado muito alegre e sonhador. – Ele é engraçado, sempre me faz rir; ele se preocupa comigo! Ele fez coisas por mim que demonstraram o quanto e como ele se importa. E, ao mesmo tempo, eu percebi que adoro fazê-lo rir, também, que eu adoro sua mão na minha… e que fico pensando no nosso beijo quando estou sozinha, desejando que acontecesse de novo. Eu estou muito apaixonada. – Hinata ergueu o punho, limpando uma lágrima de emoção com a jaqueta. Os olhos de Tenten estava marejados, comovida, mas a Hyuuga precisava continuar, mesmo que sua garganta estivesse fechando, aos poucos:

— Mas eu não queria decepcionar vocês. Nós nos esforçamos juntas para conseguir isso e, eu sei, parece bobo, mas o plano era nosso, meu e seu, e a ideia era fazer com que todo esse lance de popularidade parecesse bobagem. Te desapontar assim, então, eu não queria, não mesmo… Mas eu preciso. Você entende…?

— Ah, Hina! – Tenten puxou-a, dando-lhe um abraço e passando os dedos em seu cabelo. – Eu não estou desapontada com você. Agora que você falou tudo isso, na verdade, – A Mitsashi engoliu em seco, envergonhada. – você tem toda razão. Não pensei direito quando tive essa ideia doida… Eu… Eu me esqueci que o Sasuke é uma pessoa, também… – A  morena voltou a encará-la, num suspiro profundo. – Me desculpe. Eu não queria te fazer mal; nem a ele, eu acho… 

— Não, nós duas concordamos com isso juntas – E Hinata a abraçou de novo, tão aliviada que tivesse deixado tudo sair, tudo o que estava engasgado, que as lágrimas escorriam livremente por suas bochechas. A Mitsashi a apertava forte pela cintura. Devagar, Hinata a soltou, e Tenten aproveitou para capturar, com a ponta dos dedos, as gotinhas que chegavam ao maxilar dela, secando-as pela Hyuuga. – Mas não é só isso, Ten. Tem outra coisa me deixando com t-tanto medo, que eu estou ficando acordada à noite – Hinata confessou, voltando a falar baixo, fungando. Ainda bem que toda a maquiagem de Ino era à prova d'água.  

— O que foi? – perguntou a outra, no tom de voz mais compreensivo que conseguia usar. Não estava acreditando em quanta coisa a Hyuuga tinha guardado. Queria que ela tivesse dividido, um pouco; queria poder ter aguentado isso com ela, juntas. 

— E-Eu… Eu não sei como posso ficar com ele, depois de tudo isso. – Hinata balançou a cabeça, sentindo que a testa começaria a dor a qualquer momento. – Mas eu preciso contá-lo, eu sei que preciso, porque se ele se sentir do jeito que eu espero, que eu imagino, que eu, ah, que eu desejo, que ele esteja se sentindo, não é justo. Não é justo nada do que eu fiz.

A Mitsashi balançou a cabeça, seus coques se movendo com ela.

— Eu posso falar com ele, Hina. Eu conto que o plano foi meu, você não precisa…

— Não. – Hinata fungou mais profundamente, pois essa era parte mais difícil. – Não, Ten. Fui eu quem o convenci de que era uma o-outra pessoa… Eu preciso contar isso, mas não sei se tenho coragem. Não sei como vou fazer. Mais do que isso… – Hinata levou as mãos até o peito, o coração batendo tão rápido que parecia um tambor. – Mesmo se ele me perdoar, será que ele se apaixonaria por mim outra vez? E-Ele gostaria dessa Hinata?

A Mitsashi puxou-a para mais um braço, quase colocando a Hyuuga em seu colo, apertando-a com muita força. Estava se sentindo uma idiota. Como podia ter causado tanto sofrimento à uma das pessoas que mais amava, sem nem perceber? Por que não capturou seus sinais? Neji estava certo, ela realmente era sinônimo de confusão. 

— Boba. É claro que sim. – Ela passou, de novo, delicadamente, as mãos pelo cabelo sedoso da amiga, tão cheiroso que o aroma estava a rodeando. – Nós podemos ter te ensinado os gostos dele, Hina, mas foi você quem se sentou, quem conversou com ele. Sozinha, sempre sozinha. Foi você, como me disse, que fez ele rir, que chamou a atenção dele, que o conquistou. Foi você que o conquistou – repetiu, segura dessa afirmação. – Nós não colocamos um chip Ino Yamanaka ou Sakura Haruno aí dentro, não é óbvio? Pode ter sido uma versão mais… hm… Apimentada, mas vai que ele gosta de comida mexicana, né. – Tenten sorriu, ouvindo uma risada levezinha vindo de Hinata. Então ela parou o carinho, ficando séria: – Se o que você sente for verdadeiro, Hina, ele vai perceber isso. 

Hinata apertou Tenten, se afundando em seu ombro, querendo sumir no corpo da amiga. Ela estava tão chateada consigo mesma, tão decepcionada no quão longe tinha ido; as palavras de Tenten, no entanto, lhe trouxeram uma luz nova, uma chama de esperança em seu íntimo. 

Sim, Sasuke precisava da verdade. A verdade a guiaria para o coração dele, se assim tivesse que acontecer. 

E, céus, era tudo o que ela desejava. 

 

 

Sasuke passou boa parte do tempo no ginásio, procurando por ela. 

Ele estava vestido com a bermuda do uniforme, embora a regata tivesse ficado no vestiário e usasse uma camiseta no lugar. Naruto, que parecia uma pilha de nervos, tinha quase chorado para que o Uchiha continuasse lá com os outros jogadores, pois eles precisavam de "apoio", que só o capitão poderia dar – na verdade, quem precisava de apoio era o Uzumaki, que estava agindo como uma mulher grávida. Sasuke, no entanto, estava com esse peso, enorme, no estômago desde o feriado; ele sabia que não conseguiria jogar direito se seu único pensamento fosse Hinata Hyuuga.

Tinha tentado falar, conversar com ela nos últimos dois dias, depois do fim de semana, mas a garota não o encarava e sorria minimamente, automática, quando o cumprimentava. Ele pensou muito sobre isso; obviamente, estava gostando dela. Tinha achado, durante o tempo em que passaram juntos, que ela estava gostando dele também. Com a frieza e a indiferença inesperadas, agora, Sasuke conseguia supor duas coisas: ou ele tinha se enganado e Hinata realmente nunca pensara nele desse jeito – o que seria perfeitamente aceitável e ele teria que conviver com essa ideia, pois ninguém era obrigado a ficar com ninguém – ou, a pior das alternativas, ela estava indecisa entre o que sentia pelo seu amigo, Uzumaki, e o que estava sentindo por ele.

Por dentro, ele estava magoado e irritado com qualquer uma das alternativas. Sasuke não conseguia se imaginar sem os sorrisos mágicos dela, nos lábios adoravelmente rosados, sem o jeito engraçado como ela estreitava os olhos perolados, encarando-o com desconfiança, ou sem sentir seu perfume cítrico, como um pomar de laranjas na primavera.

A pior parte, no entanto, era Hinata não conversar com ele. O Uchiha aceitaria se ela se sentasse e o dissesse que não gostaria de ficar com ele; se dissesse que não estava pronta para nada assim, ou que gostava de outro, ou que ele tinha simplesmente se enganado. Doeria, é claro. Quer dizer, já estava doendo agora, muito, mas ele pelo menos entenderia – e isso, no momento, era a única coisa que queria. Se Hinata pudesse lhe dizer que tinha sentimentos ambíguos, ou que se via apaixonada por Naruto, talvez eles pudessem passar por isso juntos – havia um milhão de motivos para ela ficar com Sasuke, e o Uchiha estava disposto a provar isso.

Parecia loucura. Ele, que tinha tantas garotas em seus pés sem pestanejar, não se importava em passar por problemas se eles pudessem ficar juntos

Sasuke suspirou e passou a mão pelo cabelo, impaciente, pois ela não aparecia, não estava em lugar nenhum, e ele já tinha rodado o lugar todo! Cristo, o Uchiha já não sabia mais se estava ansioso pelo jogo ou por falar com ela – os dois, provavelmente, por isso as borboletas no seu estômago estavam lutando sumô. Durante esses dias, ele tinha pensado em diversas palavras e jeitos para explicar o que sentia, mas sabia que, ao vê-la, as letras iriam se embaralhar; o que era patético, mas o que poderia fazer? Hinata estava mexendo com ele. 

De repente, passando pela multidão, o Uchiha viu os coques já conhecidos. Seu primeiro pensamento foi que talvez Tenten soubesse onde Hinata estava!

Sasuke desceu, depressa, os degraus da arquibancada onde estava, pois podia ver melhor lá do alto, a fim de falar com a Mitsashi. Viu-a virar um corredor, saindo do ginásio. Quando estava chegando no último degrau, porém, deu de cara com Karin; ela estava em sua roupa de líder de torcida perfeita, o cabelo preso no alto, um penteado que provavelmente tremeria tanto quanto seus pompons. Os óculos, de armação escura, combinavam com seu rosto sorridente. O Uchiha nem reparou no quanto ela estava bonita, procurando Tenten para não perdê-la de vista.

— Ei, Sasuke. Eu só queria te dizer boa sorte, sabe, no jogo. Mas é claro que você não vai precisar disso… – A ruiva disse, o rosto ficando vermelho e um sorriso tímido em seus lábios. Mal parecia a garota ousada que ele tinha se acostumado a ver.

— Obrigado, Karin – murmurou, querendo de despistá-la logo, pois precisava alcançar a Mitsashi. Antes que ele pudesse ir, no entanto, a Uzumaki segurou em seu braço.

— Dedica uma cesta para mim? – Ela pediu, se aproximando perigosamente do corpo dele. Sasuke desviou, educadamente, quando ela tentou lhe dar um beijo na bochecha, perto demais do canto dos lábios. O batom roxo dela era uma ameaça, com certeza se ele tivesse permitido a marca. Karin pareceu contrariada.

— Quem sabe – foi tudo o que o Uchiha falou, se desprendendo dela. Saiu andando tão rápido, quase correndo, que a Uzumaki não teve tempo sequer para reclamar. Apesar de tudo, ela era prima do seu melhor amigo e o Uchiha obviamente não queria ofendê-la. 

Finalmente, ele conseguiu sair do ginásio. Tinha visto a Mitsashi virar à esquerda, então, talvez… Ele deu uma olhada para o primeiro corredor do colégio. As pessoas não costumavam entrar na escola em dia de jogo, então era um bom lugar para se ficar sozinho. Sasuke caminhou em passos lentos, até que o barulho de vozes fez com que ele virasse mais alguns corredores; o local estava tão silencioso e vazio que o som se propagava com facilidade, mesmo que distante.

Então, virando só mais uma vez, conseguiu diferenciar o tom de voz calmo, quase doce, de Hinata. Seu coração falhou uma batida. Ouviu o de Tenten, um pouco mais arisco. Era impossível para ele decifrar as palavras delas, mas ambas soavam sérias. O Uchiha imaginou que, para elas estarem sozinhas ali, era importante – mesmo assim, precisava falar com Hinata. Sasuke percebeu que estava próximo e, quando ia aparecer, devagar, algo fez com que seus pés ficassem presos no chão, exatamente onde estava, finalmente conseguindo entender as palavras.    

Era a Hyuuga.

—… siga o plano, conquiste Sasuke Uchiha, você sabe como fazer isso e ele não passa de um cara arrogante. – Ela estava dizendo, devagar, como que para explicar a Tenten. O Uchiha sentiu as mãos formigando. Seu cenho franziu. Não, ele não estava ouvindo aquilo, provavelmente era um engano, ou… – E certamente nunca levei os sentimentos dele em conta. Não vejo a hora de beijá-lo e então dar um fora nele, foi o que…

Sasuke não conseguiu ouvir mais nenhuma palavra. Foi como se, de repente, tudo tivesse saído do foco; seus sentidos tinham sido perdidos. Seu coração já não estava ansioso e não havia mais nenhum peso em seu estômago. Tudo parecia ridículo. Falso. 

Era por isso que ela completava as suas frases. Era por isso que ela estava onde quer que ele estivesse. 

Era por isso que ela parecia tão perfeita para ele. Sasuke passou as mãos geladas sobre o rosto, o sentimento atingindo sua garganta, trancando-a, fazendo vibrar uma sensação forte e lúcida em sua mandíbula. Na ponta dos seus nariz, nos lábios formigando. Não queria acreditar, mas tinha ouvido da boca dela. Se qualquer outra pessoa tivesse lhe dito… Se qualquer um…

Mas ela tinha falado. Hinata tinha o enganado. Era a culpa que a consumia durante aqueles dias, que não fazia com que ela pudesse olhá-lo normalmente, pois a Hyuuga certamente tinha descoberto, oras, que era difícil passar por cima de alguém – estava se preparando para sua cartada final e, óbvio, não queria se desgastar. 

O Uchiha fechou os olhos com força; tinha sido um idiota. Como não tinha desconfiado das íris claras, dos olhos úmidos, e dos sorrisos falsos? Como tinha se enganado tão completamente? 

Como tinha se apaixonado por alguém que não o considerava muito mais que um jogo?

 

 

Ino Yamanaka deu uma boa olhada ao redor; as arquibancadas estavam cheias, como esperado, e, do lado contrário delas, as líderes da Legacy se alinhavam, todas de azul; suas saias eram curtas e suas meias calças tinham uma cinta liga falsa. Shion Fujimura, a capitã, estava bem no meio, e sua camiseta de manga longa, grudada demais no corpo, tinhas duas listras azuis claras que não existia na das outras. Os pompons delas, agora para baixo, tinham fitas prateadas brilhantes que reluziam a cada movimento. 

A Yamanaka torceu o pescoço, respirando fundo. Alinhadas do seu lado, suas meninas usavam vermelho e rosa; o "A" desenhado em seus seios direitos era feito de veludo, da cor de cabelo de Sakura. As listras das saias, também curtas, eram do mesmo tom e faziam um contraste interessante com o vermelho sangue. Suas camisetas, de mangas curtas, tinham transparência atrás, de forma que suas costas se revelavam até o começo da saia – não tinham, portanto, os números costumeiros. Não havia nada na Yamanaka que a diferenciasse das outras; ela dizia que, em campo, eram uma só, um único organismo dançante. Os pompons delas, por sua vez, eram todos feitos de fitas com muita purpurina. 

Sakura não estava alí. 

Ino ouviu o eco do microfone e olhou para o meio da quadra, onde a diretora Tsunade, do Legacy, e a diretora Mei, do Academy, tinham acabado de aparecer. Elas se cumprimentaram sob salvas de palmas e, com o microfone na mão, a loira anunciou:

— Como sempre, é uma honra ter minha colega de profissão, e da vida, aqui comigo hoje. Também fico muito feliz com todo o comprometimento de vocês, alunos, e dos nossos treinadores. É um evento para vocês e por vocês; então eu espero que todos apreciam o jogo! – Tsunade disse, sorrindo, e quando acabou a arquibancada da Legacy gritava, batia os pés e assobiava. Os da Academy aplaudiam educadamente. Ela passou o microfone para a diretora ruiva.

— Obrigada por nos receber, Tsunade; a honra é minha. Quero lembrá-los que o vencedor de hoje irá jogar contra Suna High School, no próximo semestre. Agora, por favor, que entrem os times!

Todas as arquibancadas começaram a vibrar em vivas e palmas tão altas e fortes que sempre deixavam a Yamanaka desestabilizada, por mais que já estivesse acostumada. Do mesmo lado, os dois times surgiram, atrás de seus treinadores: os primeiros eram os capitães, Sasuke Uchiha e Rock Lee, sempre os mais aplaudidos. Lee, de vermelho, acenava feliz da vida. Sasuke, por outro lado, Ino o observou atentamente, parecia mais sério do que o normal. Ela sorriu de canto; talvez tivesse a ver com o fato que sua regata do uniforme não estava igual a dos outros. A do seu time era azul claro, mas a dele, que deveria ser dessa cor também, era cinza. 

Quando os times se postaram de cada lado do ginásio, ao lado de suas líderes, as palmas foram diminuindo até que Tsunade pudesse falar:

— Peço que todos fiquem de pé agora, para a execução do hino nacional. Logo depois disso, teremos o show de abertura. Muito obrigada.

Ino colocou a mão sobre o peito, sentindo o coração acelerado embaixo dos dedos, cantando o hino bem baixinho. 

Então… Iria começar. 

 

 

— Alguém sumiu com a regata dele – Naruto murmurou, baixinho, quando Suigetsu lhe perguntou por que Sasuke estava com aquela expressão de ódio. O Uzumaki, na verdade, já tinha percebido que o amigo tinha chegado mal humorado de seu "passeio" pelo ginásio, mas o Uchiha odiava que o loiro ficasse no seu pé em dia de jogo. 

Ele deu mais uma olhada em Sasuke, aproveitando que o hino já estava terminando. Algo lhe dizia que não era só o nervosismo mexendo com os nervos de seu amigo tão profundamente. Fazia um tempão que não via o Uchiha com aquela cara, e Naruto o conhecia desde sempre. Algo ruim tinha acontecido. Um pouco preocupado, decidiu que o questionaria logo depois de jogarem.

Agora, porém, a banda de fanfarra do Legacy, vestida de vermelho e azul, estava tocando. A plateia os acompanhava com palmas  e gritos, todos extremamente animados. Quando eles terminaram, minutos depois, Naruto aplaudiu também. 

Entre os instrumentos, olhando para o outro lado da quadra, o Uzumaki procurava Sakura e seu cabelo único, mas não a achou e por isso franziu a sobrancelha. Será que tinha acontecido algo? A banda, por fim, saiu do ginásio – o que era incomum, mas ninguém pareceu perceber.

Então as cheerleaders de sua escola, comandadas por Shion, deram um passo à frente. Todos ficaram silenciosos e, durante esses segundos, as garotas se arrumaram na formação. O tema da apresentação daquele ano tinha sido "Beyoncé" – sim, a cantora –, o que permitia uma gama muito diversificada de danças, acrobacias ou solos.

Shion se preparou; do seu lado estavam Karin e Tayuya, atrás delas, as outras animadoras tinham feito duas pirâmides perfeitas; os pompons no chão.  Então a música começou a tocar.

 

Garotas deixem seus homens em casa

A boate está cheia de homens endinheirados

E os caras deixem suas garotas com as amigas

Porque são onze e meia e a boate está fervendo, fervendo 

 

As três garotas fizeram um Front Walkover juntas, enquanto as pirâmides se desfaziam no ritmo da música, com as meninas do alto sendo lançadas em pulos para baixo. Alternando a formação à todo momento, Shion comandava a coreografia, sempre no centro dela, e as garotas pareciam conectadas à ela com fios imaginários. Eram movimentos rápidos e muito sensuais. 

Naruto bateu mais palmas, gritando elogios, quando as animadoras ficaram de frente para eles, os jogadores, depois do break, e de costas para a arquibancada do Academy. Então "Jumpin, Jumpin" acabou e deu lugar para outra.

Nesse momento, elas pegaram seus pompons.

 

Ombros para o lado, jogue, jogue, lá no alto

As pernas de um lado para o outro, jogue lá no alto

Ombros para o lado, jogue, jogue lá no alto

Balance as mãos, jogue lá no alto

 

E voltaram a dançar, dessa vez com mais saltos. Os pompons se movendo juntos, como num mar azul e prateado, mas sem nunca sair do ritmo da música. Quando ia chegando no final, e 7/11 ficou mais lenta, todas as líderes se abaixaram e só Shion estava de pé; elas iam se levantando conforme a loira deslizava, sensualmente, as mãos pelo corpo, movendo os lábios com a letra.

Então acabou.

Ino Yamanaka prendeu o ar, aplaudindo um pouco chocada. Bom, Shion certamente tinha se superado esse ano, suas apresentações nunca eram tão elaboradas. Talvez tivesse a ver com uma certa perda de soberania…

Fato é que as arquibancadas tinham ido à loucura e todos estavam de pé, inclusive os alunos do Academy. Todos concordavam, sem dúvidas, que seria um problemão superar aquilo.

Mas a Yamanaka não era qualquer uma.

Depois que as cheerleaders do Legacy agradeceram, acenando e mandando beijos, com suas respirações ofegantes, elas voltaram para sua posição do lado do time de azul.

Então todos os olhares estavam em Ino. Ela, no entanto, não se moveu. Nem suas meninas, todas de queixo erguido, com as mãos na frente do corpo. O coração dela era um tambor e isso durou vários segundos, a respiração presa. As arquibancadas já começavam a murmurar – será que algo tinha dado errado? Por que as animadoras da Academy não estavam se movendo?

Então Ino ouviu o assobio forte e alto e sua respiração voltou no mesmo segundo.

 

Ladies and gentlemen

Welcome to Beyoncé Homecoming 2018

 

Todos olharam na direção: Sakura Haruno, com um chapéu cor de rosa estilo fanfarra, vestindo seu uniforme de animadora, vinha comandando a banda, de volta, mas seus casacos agora eram só vermelhos e seus chapéus eram cor de rosa. Eles estavam tocando, quase perfeitamente, a entrada de Beyoncé no Homecoming, intitulada "Welcome" e a Haruno ditava o ritmo com o apito, andando com dramaticidade.

Sakura parou no meio da quadra, movendo seu corpo no ritmo da banda, e essa se dividiu em duas, sem parar de tocar, deixando um espaço enorme no meio. 

Quando o ritmo mudou, Sakura fez o salto Roundoff e as animadoras do Academy entraram, em linha reta, com Ino Yamanaka na frente. A formação delas era um triângulo, com a Haruno e a loira na frente, então vinha uma fileira de 3 e as últimas duas fileiras tinham 5 garotas cada uma.

O queixo de Naruto estava no chão. A banda tinha se tornado ainda mais forte, agora que uma música de fundo os ajudava. Então as líderes começaram a dançar; seus passos eram muito parecidos com os da cantora, mas os saltos acrobáticos ditavam a diferença perfeitamente.

Elas saiam do triângulo e então voltavam, sem problemas, mudando para frente e para trás como um único organismo vivo – exatamente como Ino Yamanaka queria. Nos 30 últimos segundos, Sakura lançou seu chapéu de fanfarra para o lado e, com Ino, elas deram saltos duplos para trás, em sincronia, e o ritmo da banda se tornava mais e mais impactante. Uma vibração que começou a consumir todos ao redor. 

Expectativa. 

Então as animadoras começaram a fazer a clássica pirâmide, tão alto que o Uzumaki teve que erguer seus olhos e piscar duas vezes, para ter certeza do que estava acontecendo. Lá no alto, elas jogavam as meninas para cima e as pegavam de volta; fizeram isso até começarem a desmontar. 

Quando todas finalmente estavam no chão, alinhadas, a música nas caixas de som ficou mais predominante que a banda, que, lentamente, foi deixando de tocar. Naruto piscou. Era Crazy In Love; mas a versão do show ao vivo.

 

Sim! É tão louco agora!

Mais incrível

É sua garota, Bey

Sim, a história está sendo feita

Parte 2, isso é tão louco

 

Então, com a música nova, todas as líderes abriram passagem para algo, fazendo filas na lateral. As arquibancadas então, surpresas, começaram a ver o único ponto azul que surgia entre o vermelho predominante da Academy. O Uzumaki engasgou; aquela era Hinata Hyuuga!

Não de qualquer jeito, no entanto. Ela caminhava triunfante, um pé após o outro, rosto erguido, rebolando até o meio da quadra. Seu cabelo estava preso com uma fita azul clara e ela usava… Naruto precisou se abanar. Ela estava com a regata de Sasuke! O nome "Uchiha", na peça grande demais para ela, acabava na polpa de seu bumbum. Por baixo da regata havia um top branco decotado, que combinava com o "Legacy", escrito na mesma cor. Também usava um shortinho, ou era o que ele achava que tinha visto, pois a regata de Sasuke chegava até as coxas dela.

 

Eu olho tão profundamente em seus olhos

Eu toco você cada vez mais e mais

Quando você sai eu te imploro para não ir

Chamo seu nome duas ou três vezes

 

O Uzumaki observou, quase sem ar, quando Hinata ficou bem mais à frente das animadoras e no centro. Ino e Sakura comandavam as fileiras laterais. De repente a Hyuuga começou a dançar, seu corpo sensual e focado em cada movimento complicado, que a capitã e a co-capitã seguiam sem problemas. Era como se seu quadril e cintura tivessem vida própria, cada passo bem decorado e ela praticamente flutuava. A regata de Sasuke parecia ter sido desenhada especialmente para ela – e para aquele momento.

Então eles ouviram o "drop it" e a banda voltou a tocar ao mesmo tempo em que todas as animadoras de viraram de costas e começaram a mover os quadris da forma icônica que Beyoncé tinha feito. 

 

Oh, oh, oh, oh, uh, no, no

Oh, oh, oh, oh, uh, no, no

 

O loiro, sem reação, observou que, toda vez que Hinata empinava e voltava sua bunda, no famoso twerk, a regata de seu amigo subia e revelava o shortinho dela que, ele quase engasgou de novo, tinha escrito "Sasuke". No bumbum.

Naruto olhou pálido para o amigo e o rosto dele tinha uma careta tão feia que o loiro achou melhor voltar a assistir a dança das garotas. O shorts das outras, por baixo de suas saias, tinham números estampados – hm, então era ali que estava. 

Quando o ritmo mudou, Hinata se virou lentamente e passou as mãos das coxas até os seios – era impossível não seguir suas unhas perfeitas e desejar ter a chance de tocá-la daquela forma tão sexy. Então todas as líderes se viraram também.

 

Quando eu falo com minhas amigas baixinho

Quem ele pensa que é?

Olhe o que você fez comigo

Estou de tênis, nem preciso comprar um vestido

Se você não está lá, não tenho ninguém para impressionar

 

Hinata continuou e, atrás dela, as animadoras pulavam de um lado para o outro, reajustando a formação. Seus lábios se moviam com a letra, tendo ouvida ela vezes o suficiente para decorá-la. Por fim, com os pompons nas mãos elas estavam em duas fileiras horizontais agora, as de trás aparecendo nos espaços entre as da frente. Era o movimento final; a bateria fazia o eco dos seus passos, pesados, e os pompons, erguidos e colocados para baixo de novo e de novo, refletiam as mil luzes do ginásio. A Hyuuga não segurava um par daqueles: passava as mãos pelo cabelo e completava os passos com os pulsos fechados.

Ela sentiu quando Ino e Sakura estavam cada uma do seu lado e, do lado delas, mais duas meninas. As cinco se moviam numa conexão perfeita, mas só Hinata estava de azul.

 

Nigga, ask

Nigga, nigga, ask about me

Nigga, ask

Nigga, nigga, ask about me

 

Então, com a Hyuuga no meio, de costas, olhando através do ombro, de forma que seu quadril era o destaque, a apresentação acabou. As líderes estavam em diversas poses e suas respirações faziam parecer que a presença delas aumentava e diminuía na quadra, sempre em conjunto.

Elas foram aplaudidas duas ou três vezes mais que as líderes do Legacy. Durante os cinco minutos ininterruptos de vivas e gritos, Shion ficou com as mãos sobre a boca, os olhos arregalados, completamente pasma. Elas tinham comprado a banda do seu colégio! Tayuya e Karin até tentaram passar a mão no ombro da amiga, para apoiá-la, mas as próprias estavam tão em choque quanto. 

Lá no meio, as cheerleaders começavam a se abraçar, animadas, e sorriam e pulavam depois da tensão. Tinham ensaiado sempre sem Hinata junto, então estavam todas aliviadas que tudo tivesse dado tudo certo com a presença dela. Ino e Sakura abraçaram a Hyuuga juntas, tão apertado que parecia que elas se tornariam uma só.

— Meu Deuuuus! Hina, foi demais, foi demais mesmo. 

— A gente conseguiu! – Sakura disse, rindo, o cabelo completamente bagunçado. 

Hinata sorria abertamente entre as duas. Ter feito aquilo tinha melhorado seu humor de um jeito doido! Depois da conversa com Tenten, elas ainda trocaram muitas opiniões sobre o que tinham feito e a Mitsashi prometeu que, se assim a Hyuuga quisesse, ela pediria desculpas para Sasuke também. Disse, no entanto, que Hinata só precisava contar a verdade do jeito certo para ele, mostrar o quanto estava arrependida, que ele certamente entenderia. Sakura e Ino ficaram sabendo disso por cima, mas também apoiaram Hinata, sem entender muito, e Sakura falou, inclusive, que estar apaixonada por Sasuke estava estampado na cara da amiga. 

A partir dali, então, Hinata seria só ela mesma.    

De qualquer forma, Ino garantiu que, depois que elas acabassem a apresentação, provavelmente o Uchiha estaria com o queixo no chão de tal forma que, quando o jogo terminasse, ele correria para erguê-la no ar e beijá-la igual tinha feito no parque, mas dessa vez na frente de todo mundo. Igual nos filmes! 

A Haruno arranjou a jaqueta de uma garota da banda para Hinata e, aproveitando que as animadoras estavam ainda todas no meio da quadra, ela se despiu da regata dele rapidinho e colocou a jaqueta. A peça que pertencia ao Uchiha estava levemente úmida por causa do seu suor e o perfume dos dois se misturava intensamente. Hinata sabia que, se cheirasse seu abdômen agora, provavelmente estava impregnado com o aroma de Sasuke. 

— Vai lá! – Ino disse, animada, dando um tapinha em seu bumbum, quando as líderes se despediam e agradeciam com mais beijinhos no ar e tchauzinhos para a plateia.

O coração da Hyuuga parecia um dos tambores da banda, agora. Conforme ela atravessava a quadra para entregar a regata, podia sentir suas costas queimando com todos os olhares – as pessoas pareciam chocadas que alguém do Legacy tivesse participado da apresentação da Academy. A maioria delas estava achando isso muito legal, na verdade, porque mostrava que a disputa não precisava ser levada a sério. As duas escolas podiam se correlacionar sem conflitos idiotas.

Hinata ignorou a gracinha de alguns garotos do time que aplaudiam e assobiavam quando ela chegou perto – com um respeito maior, ela reparou, talvez porque, hm, na sua bunda estava escrito "Sasuke"; ideia da Yamanaka, é claro. Quando olhou para o Uchiha, porém, ele não a encarava, não olhava em sua direção. A Hyuuga suspirou baixinho, os passos ficando mais lentos; talvez ele estivesse chateado com o fato dela não ter falado direito com ele esses dois dias. Totalmente compreensível, ela pensou, então simplesmente entregaria a regata para ele e sorriria; perguntaria, então, se eles podiam conversar depois do jogo. Certo. Isso. Hinata respirou fundo.

Quando ela estava perto de Sasuke, o sorriso montado no rosto e as bochechas coradas, porém, a Hyuuga se sentiu fria. O ar travou na altura da garganta, antes que pudesse chegar em seus lábios; o Uchiha finalmente tinha a olhado, mas agora ela desejava que ele não tivesse o feito. 

Sasuke a encarou com tanta raiva e tristeza, desapontamento, que Hinata deu um passo para trás, trêmula. Ela se sentiu insignificante, um insetinho num jardim florido. Franziu os lábios, sem entender de onde aquilo tinha vindo. 

— Eu não quero – ele disse, segundos depois, deixando de encará-la, e Hinata soube que era a regata. Apertou o tecido contra o peito e, com o outro braço, se sentindo impotente, ela ergueu a mão para tocá-lo no ombro. 

— S-Sasuke, sobre esses dias, eu não… – Tentou dizer, pois não imaginava que ter fugido dele o deixaria tão magoado. O Uchiha, porém, segurou em seu pulso antes que seus dedos chegassem à pele dele; não foi do jeito delicado e carinhoso que vinha fazendo, no entanto, então Hinata soube que ele não estava assim por causa desses dois dias. Não, não…

Ele afastou seu braço, sem machucá-la, mas sem o calor com o qual ela tinha se acostumado e se apaixonado. Então, quando o apito soou para os times entrarem, o Uchiha saiu sem olhá-la mais nem uma vez. Hinata continuou de pé, os olhos arregalados, sem nenhuma reação possível.

Naruto, que tinha visto tudo, deu uma olhada, sério, em Sasuke, e então em Hinata. Ele não tinha ideia do que havia acontecido aqui, mas certamente não era bom. 

 

 

Nós nos encontramos

Eu te ajudei a sair de um momento difícil

Você me confortou

Mas me apaixonar por você foi o meu erro

 

Naruto já tinha visto o Uchiha jogando irritado outra vez, mesmo que isso fosse muito raro de acontecer. Ele nunca tinha visto, no entanto, Sasuke jogar desse jeito. Ele tinha cometido duas faltas por contato físico agressivo e, na segunda, Asuma pediu uma pausa e o chamou num canto. O Uzumaki não teve chance de ouvir, mas pareceu sério – provavelmente o treinador, também professor de educação física, tinha ameaçado tirá-lo do jogo. Sasuke nunca cometia faltas, o que explicava a atitude mais rigorosa de Asuma.

Mas foi isso, também, que os levou à vitória fácil, embora o time da Academy sempre tivesse sido uma ameaça respeitosa – só que o Uchiha estava tão focado e implacável, se dedicando tanto ao jogo, que foi impossível para os adversários o impedirem. 

No final do jogo, quando todo o time se reuniu, se abraçando e pulando juntos, sob os aplausos das duas escolas, que começavam a gritar, em coro, o nome de Sasuke, Naruto olhou para os lados e não o achou. 

 

Eu te coloquei no topo, eu te coloquei no topo

Eu te assumi tão orgulhoso e abertamente

E quando os tempos eram difíceis, quando eram difíceis

Eu me certifiquei de te segurar perto de mim

 

Shion jogou seu pompom com tanta força contra o banco que ele poderia, certamente, ser um arma em potencial. Seu rosto, durante todo o jogo angelical e animado, tinha assumido uma careta de fúria mortal que em nada combinava com seus traços super delicados. 

Algumas líderes, já prevendo a fúria de sua capitã, tinham corrido para os chuveiros. Outras nem sequer entraram nos vestiário. Tayuya e Karin, no entanto, estavam sentadas de frente para a loira, sabendo que teriam que ouví-la de qualquer jeito. A Uzumaki era a mais pálida; e pensar que tinha pedido para Sasuke fazer uma cesta para ela. 

— Aquela piranha! Eu sabia que o dedo podre dela estava naquela Hyuuga desgraçada. Eu sabia! O estilo, o jeito… – Shion arranhava as palavras, andando de um lado para o outro. – É claro. Só assim para o idiota do Uchiha cair na dela. Eu não acredito que ele deu a regata para a Hinata! 

Karin, um pouco surpresa, estreitou os olhos.

— Está com raiva de quem…?

— Da sonsa da Yamanaka, e da vadia da Haruno, de quem mais?! – Disse, como se fosse óbvio, mas Tayuya e Karin se entreolharam, confusas. Ela não devia estar xingando Hinata…? Shion bufou. – Eu sei que a Tayuya é burra, mas você, Karin? Não ligou os pontos?!

Tayuya enrusbeceu, mas não teve coragem de responder ao comentário. Era sempre assim quando Shion ficava brava. Karin piscou, como se procurasse o que era tão claro, mas não fez nenhum som. Shion bufou outra vez, voltando a andar.

Do nada, a Hyuuga tosca aparece ajeitadinha, sai no jornal da escola, que eu estava bancando, e começa a agir como um perfeita líder de torcida em ascensão. Inclusive, Tayuya, muito melhor do que você. Que porra foi aquela durante nossa apresentação?

Tayuya, chocada, abriu a boca em "o". Mas ela não tinha errado nada! 

— Mas eu…

— Não quero saber. O que importa é que a culpada dessa transformação é a Ino. Ela nunca suportou que nosso colégio seja melhor que o dela em tudo, muito menos que eu tenha dado uma entrevista para a TV muito antes que ela, nem a coisa com aquele ruivo idiota – Ia dizendo, extremamente zangada. – E que meu nariz não precisou de uma maldita rinoplastia.

— Rinomodelação – Tayuya, sem querer, corrigiu. Ela se arrependeu assim que os olhos de Shion pararam nela; nunca tinha visto a amiga tão fora de si. Tentando mudar o foco do assunto, ela gaguejou: — N-Não importa, miga. A Hinata é tonta, ela não vai conseguir manter a personagem por muito mais tempo…

— Você é idiota? – Shion cuspiu, olhando-a com raiva. – Ino já conseguiu o que queria. A escola toda tá babando na Hyuuga. Ela usou um maldita calcinha com a porra do nome do Sasuke! 

Tayuya, desorientada, tentou articular mais alguma coisa para dizer. Alguma coisa que deixasse a Fujimura mais tranquila. Ela já andava uma pilha de nervos – e de críticas – desde o incidente na quadra, mas agora… Cristo.

— N-Nós ainda temos uma chance com ele, talvez se…

A ruiva foi cortada por uma risada forçada e alta. Shion até mesmo se inclinou para trás e, como numa caverna, ou casa de assombrações, seu riso saiu ecoando pelo vestiário. Karin a observou em silêncio. As outras animadoras, poucas, olhavam para Tay com rostos de dó. Era melhor que ela tivesse ficado quieta. 

Fingindo lágrimas de riso, que secou com suas unhas stiletto, a Fujimura encarou sua colega como se ela fosse algum tipo de inseto com asas gigantes.

— Você nunca teve chance com o Uchiha, Tayuya. Estávamos sendo condescendentes. – Então Shion suspirou. – Mas a culpa não é sua, na verdade, é toda minha. Uma coisa que não posso negar na Yamanaka é que, algumas vezes, ela acerta em cheio em quem tem potencial: ela acertou com a despeitada da Haruno. A Hinata é uma dessas. Já eu, bom, meu coração amolece para a primeira otária que eu vejo. – E ela estala a língua no céu da boca, insatisfeita. – Você tem noção que seu uniforme não está abotoado porque você ganhou 5kgs em duas semanas? – E, com raiva, ela começou a desfazer o próprio penteado. Tayuya olhava para o chão, constrangida, sem forças para retrucar. Todo mundo com quem ela convivia estava ouvindo aquilo. – Não somos um clube de autoaceitação, gordelícias, blá-blá-blá, garota. Nem venha me dizer que é por causa do Kabuto. Inclusive, esse cara, pelo amor de Deus. Até você conseguiria alguém melhor. 

Tayuya encarou Karin, como se pedisse por ajuda. Qualquer uma. Seus olhos estavam úmidos. Shion sempre tinha sido maldosa, mas nunca com ela – não daquele jeito, pelo menos. Karin, porém, ajeitou os óculos e deu de ombros, inexpressiva.

— Você engordou, mesmo; eu te falei para cortar o trigo. Não vai conseguir disfarçar a celulite com meia calça para sempre. 

Tentando conter as lágrimas de humilhação, Tayuya se levantou e saiu correndo dali, ainda sem acreditar que tinha ouvido aquelas coisas das duas melhores amigas. Shion não pareceu afetada.

— Vê se não desconta em chocolate, docinho. Tenta uma barrinha – sugeriu, ácida, e conseguiu ouvir algumas risadas de outras meninas. 

Ainda séria, sem sequer olhar para onde a amiga ruiva estava indo, Karin cruzou os braços sobre o peito, olhando para sua capitã. 

— E o Sasuke…? O que está pensando?

O rosto de Shion se tornou extremamente calculado. Agora que tinha descontado em Tayuya, ela parecia mais calma.

— Eu tenho quase certeza que esse plano da Yamanaka acaba no Baile – Ela fez silêncio por um segundo, estreitando seus olhos. – E  o Sasuke não vai deixar de ser o mais desejado do colégio do nada – murmurou, pensando muito rápido. – Não vamos conseguir mexer na imagem dele; mas na cria daquelas ratazanas? – Shion sorriu, passando a língua sobre os lábios. – Uma coisa eu garanto: se Ino está pensando que Hinata será coroada Rainha da primavera com seu Rei perfeito, ela está muito enganada. Não haverá rei nenhum.

 

Então chame meu nome

Chame meu nome quando eu te beijar tão gentilmente

Eu quero que você fique

Eu quero que você fique mesmo que você não me queira

 

Antes, depois da apresentação, quando Hinata subiu para as arquibancadas, à procura de Tenten, a morena viu que ela ainda segurava a regata de Sasuke – ele tinha jogado com a cinza, sem o seu nome. Quando questionou, porém, Hinata não lhe respondeu diretamente. A Mitsashi suspirou, talvez depois do jogo...

No momento em que o jogo terminou e Tenten se virou para perguntar o que tinha acontecido, já que a dança foi tão bem sucedida, Hinata tinha sumido. Sem a Mitsashi ver, ela desceu os degraus rapidamente ao perceber, sem que mais ninguém visse, pois estavam todos concentrados em comemorar a vitória, que o Uchiha não tinha ficado. Ela o viu sair discretamente pela entrada dos vestiários.

Era para lá que estava indo. 

Quando alcançou a entrada o silêncio repentino a acolheu, tão diferente da barulheira dentro do ginásio. Hinata olhou para trás, mas não parecia que os jogadores entrariam tão cedo, pois ainda havia o discurso final das diretoras e a entrega das medalhas. Assistindo Sasuke jogar, ela tinha sentido arrepios em sua coluna; ele estava determinado, era verdade, mas havia uma frustração intensa em cada movimento seu contra os adversários.    

Hinata engoliu em seco, conseguindo ouvir a vibração do ginásio e, mais alto, o eco de seus próprios passos, cada vez mais rápidos. Então ela chegou ao vestiário masculino e, respirando muito fundo, olhou para dentro. Sasuke estava de costas para a porta, tinha tirado a regata e, só de bermuda, parecia procurar algo dentro do armário – Hinata imaginou que a toalha. De repente, ele parou. Surpresa, a Hyuuga voltou-se para fora, fechando os olhos e desejando que ele não tivesse a pegado em flagrante, olhando.

— Eu sei que está aí. – A voz profunda, arranhada, dele, ecoou. Chegou aos ouvido de Hinata como um suspiro.

Ela abriu os olhos e, ainda apertando a camiseta dele, com tanta força que poderia ser ele alí, parou de frente para a porta. Sasuke se virou devagar; o rosto dele não tinha se tornado menos irritadiço. A Hyuuga não tinha imaginado que seus olhos negros poderiam se tornar tão gélidos.

— S-Sasuke… – Ela deu um passo na direção dele, o rosto vermelho (apesar da maquiagem), pois agora conseguia observar seu abdômen trincado e eles estavam completamente sozinhos. 

O Uchiha se apoiou no próprio armário, cruzando os braços. Sua bermuda era mais baixa do que, com a regata, Hinata poderia ter previsto.

— Eu queria mesmo comemorar com você – ele disse, embora seu tom de voz não fosse nada mais que um murmúrio sombrio e sarcástico. A Hyuuga deu mais um passo, estreitando os olhos.

— Queria…? 

— É claro – então ele se desencostou, andando até ela. Hinata parou exatamente onde estava, a respiração mais alta. Não era o que os olhos bravos lhe diziam. – Por que eu não iria querer? – Perguntou e agora estava tão perto que Hinata teve que erguer seu queixo para não quebrar o contato visual. 

Não, aquilo estava errado. Havia algo errado.

Mesmo assim, ela não protestou quando, com cuidado, Sasuke colocou a mão em seu rosto e, com o polegar, acariciou seus lábios, sem deixar de olhá-la um só segundo. A Hyuuga gemeu com o contato, o formigamento de seu ventre mais forte do que ela já tinha sentido antes. O perfume dele, misturado com o sal do suor, estavam deixando suas pernas bambas – seus dedos do pé se enrolaram. 

Então, sem avisá-la, Sasuke colocou a mão em seu quadril e desceu-a assustadoramente para sua bunda, apertando-a com tanta força que Hinata se viu gemendo outra vez. E, antes que ela se recuperasse, beijou-a de uma só vez, sugando todas as palavras que ela ansiava dizer. A Hyuuga foi incapaz de  lutar sob os lábios dele, imensamente cativa. A regata deslizou até o chão.

Hinata ergueu seus braços, segurando nos ombros deles, enterrando suas unhas em toda pele exposta, como se lhe pertencesse. Era assim que ele estava lhe beijando, enroscando sua língua na dela de forma possessiva, dominante, como se já soubesse que cada partezinha do corpo dela já era dele e o clamava com fervor e uma ânsia avassaladora, que fazia tremer cada músculo sob sua pele. 

Impaciente, o Uchiha a levantou do chão, segurando-a pelo traseiro e, automaticamente, sem nem mesmo pensar nisso, Hinata enroscou suas pernas acima do quadril dele. Estava sentada, praticamente, sobre a virilha rija dele e o volume surpreendente. 

Quando Sasuke deixou de beijá-la, mas não a soltou, Hinata abriu os olhos. Encarando-o tão de perto, era surpreendente a força de seu olhar no dela. O Uchiha parecia confuso. Não durou muito, porém, pois ele a beijou de novo e, sem esconder que queria isso, como queria isso, a Hyuuga o correspondeu mais uma vez, sem se importar que ele a devorasse. Ela só percebeu que eles tinham se movimentando quando, ao mesmo tempo em que deixava marcas dos seus dedos na pele exposta do bumbum dela, apertando tão forte que doía, Hinata também sentiu algo contra as costas. 

Ela estava presa entre ele e os armários. A Hyuuga arfou, sentindo-se úmida. Sasuke dedilhou toda a linha do seu quadril e estava de volta para sua cintura, rodeando-a com uma das mãos. Ele cortou o contato labial, beijando, então, o canto dos lábios dela, a bochecha, o começo de sua sobrancelha, até chegar à parte superior da orelha. Hinata gemeu baixinho quando, devagar, ele depositou outro beijo, mais um, descendo até seu lóbulo com um brinco muito pequeno. Então, num sussurro rouco, ele disse:

— Você conseguiu. É agora que se despede mim?    

Hinata piscou, confusa, abrindo seus olhos de uma só vez. Toda a confusão tinha ido embora do olhar dele, ela percebeu. Só havia ressentimento, raiva, frio. 

Um aperto forte atravessou o peito dela. 

 

Garota, por que você não pôde esperar? (Por que você não pôde esperar, amor?)

Garota, por que você não pôde esperar até eu me desapaixonar?

Você não vai chamar meu nome? (Chame meu nome)

Garota, chame meu nome e eu estarei a caminho

Eu estarei a...

 

As pernas dela se tornaram fracas; sua sorte foi estar encostada em algo e enrolada nele. 

— Do que você…

Sasuke segurou seu queixo, erguendo-a mais para ele, penetrando-a tão profundamente com aquele olhos gélidos que, por alguns segundos, ela sentiu tudo dentro de si congelando, uma nevasca insuportável. Então ele soltou sua cintura e, se não fossem as pernas dela nele e a mão dele em seu rosto, eles já não teriam contato nenhum.

— Eu só queria entender o que você estava esperando. Quando eu me declarasse? Era isso? Era o momento perfeito? – Ele perguntou, cuspindo cada palavra com ódio, e Hinata sentiu quando, automaticamente, se encolheu.

Foi nesse momento que o Uchiha a soltou de vez, saindo de perto dela abruptamente. O coração dela voltou a bater rápido demais, pensando sobre o que ele estava falando, pensando sobre tudo.

— S-Sasuke, eu não sei o que te falaram, mas eu… – Tentou, e sua voz era pura agonia. Seus olhos estavam começando a ficar marejados; cada palavra doía ao ser dita. 

— Não minta para mim. Eu ouvi – ele interrompeu, olhando-a com repulsa. Hinata se sentiu ainda menor. Nunca tinha sido olhada assim, não depois que crescera. As lágrimas começaram a rolar livremente por seu rosto pálido. Ele tinha ouvido sua conversa com a Mitsashi. Só podia ser. 

Engolindo em seco, tentando controlar o choro, Hinata deu um passo na direção dele.

— V-Você entendeu errado! T-Tudo… Por favor, se você me deixar explicar, eu não... 

Sasuke riu, claramente sem humor. Era uma risada de raiva.

— Sim, vamos sentar aqui para eu ouvir que não, você não planejou todos os nossos encontros, e todas nossas conversas. Que não queria se tornar popular e se gabar de ter conseguido ficar comigo. 

Hinata balançou a cabeça negativamente, desesperada.

— N-Não! N-Não foi assim, não foi desse jeito, eu juro que não. Eu não podia… Eu não podia prever as coisas que aconteceram.

O Uchiha a encarou incrédulo.

— A única coisa que você não previu, Hyuuga, foi que eu teria descoberto tudo – murmurou, sem parecer afetado pelas lágrimas dela, que tinham deixado seus olhos inchados e vermelhos. Há muito tempo, ele tinha a visto daquele jeito. Agora, parecia ter sido em outra vida. – Vai embora.

Ela voltou a balançar a cabeça, o rabo de cavalo se movendo de um ombro para o outro.

— E-Eu não posso, você tem que me ouv…

Agora, Hinata. – A voz dele cortou a sua, friamente, e era um ultimato.

A Hyuuga não teve mais forças para falar. Ela cobriu o rosto com as mãos, sentindo qualquer faísca de perseverança desaparecer num sopro sombrio. Era como um pesadelo em que não se há controle. 

Chorando, Hinata correu o mais rápido que conseguiu, sentindo cada músculo se transformar em fogo, só para ser anestesiado logo depois num ciclo dolorido. 

Se pudesse ter um desejo agora, só um, seria nunca ter o conhecido. 

 


Notas Finais


Infelizmente essa semana sofremos perdas aqui no fandom por ban. A @DevilWishes caiu e, como ela, eu tbm sou um membro veterano. Me preocupou o fato de eu ter 0 contatos com meus leitores fora daqui e por isso eu resolvi criar um INSTAGRAM!! haha se eu cair, pelo menos vcs já sabem onde me achar. Eu posto coisas divertidas sobre a fic lá, seria um prazer enorme ter vcs comigo 💓

INSTA: https://instagram.com/mj.thequeen



PLAYLIST: https://open.spotify.com/playlist/2l3yHbYb3NNEnUEZBI5wpj?si=jMKNtrqDRESB5t5NO2hw8A


Ai gente, tô tiste :( espero que o Sasuke possa desculpar nossa Hina, né... Socorro!
Oq vcs acharam???
Conclui que a fic terá 7 caps e o próximo já está prontinho e será postado no final de semana 💓
Obrigada mais uma vez!!


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