História Como eu devo chamar você? - Capítulo 8


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Categorias Ai no Kusabi
Tags Ai No Kusabi, Revelaçoes, Romance, Yaoi
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ecchi, Ficção, Ficção Científica, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 8 - Passado


Quando Iason entendeu o motivo do sorriso de Arius, ele mesmo teve que evitar sorrir também. Iason sabia que Arius não estava prestando atenção na reunião, dado a quantidade de vezes que olhou ao redor, mexeu nos papéis a sua frente e anotou uma coisa ou outra. Percebeu também quando Arius passou um bom tempo olhando na direção dele.

Iason também não estava prestando a atenção que deveria ao que era dito, mas era muito melhor que Arius em fingir. Tão bom que muito provavelmente ninguém notou que ele estivera de olho no seu alvo a maior parte do tempo.

Como esperado, Arius permaneceu perto de Keid. Iason agora sabia o motivo de toda a comoção da noite anterior. A mulher, Ava Ghardan, era uma consultora comercial. Não se podia dizer se ela era uma profissional excelente porque não estava diretamente vinculada a nenhuma empresa. Uma autônoma. Todavia, recebia exorbitantes quantias de dinheiro pelos seus serviços. Quantias incomumente altas comparadas a outros consultores. Isso levou Iason a concluir que sua verdadeira ocupação não podia ser a de consultora, mas ele não conseguiu informações suficientes para descobrir com o que ela realmente trabalhava.

Contudo, ao invés disso, ele conseguiu encontrar a ligação entre ela e Keid Lyhelm. Nos primórdios do Projeto Concordia, quando só havia a tal Primeira Geração dos representantes do projeto – Victorine, Keid e Arius – Ava foi processada por assédio sexual e moral, sequestro, tortura e outras acusações, todas infligidas contra Keid que, na época, tinha 19 anos de idade. Ava o teria escondido por cerca de dois meses numa de suas propriedades em um pequeno país nortenho. O processo foi mediado por Victorine e Arius, enquanto Keid passou por tratamento psiquiátrico por quatro anos. Mas, como, segundo Victorine e Arius, eles foram os resgatadores de Keid, e não a polícia, além de nas investigações mais a fundo não terem encontrado provas suficientes para as acusações, Ava nunca foi presa pelos crimes. O processo ainda estava em andamento, ainda que em sigilo legal. Encontrar esse processo levou um pouco de tempo, quando Iason voltou para casa após a festa na residência de Haruki, mas sua curiosidade sobre a mulher estava devidamente sanada.

Os representantes do Concordia realmente deviam detestá-la. Principalmente quando ela simplesmente saíra disso tudo impune.

Aproveitando o embalo das pesquisas, Iason também procurou informações sobre todos os outros representantes, como fez com Arius. O que viu foi o que suspeitava desde o princípio: todos já tinham realizado feitos impressionantes, para a pouca idade deles, aliás. Gênios, superdotados, prodígios... Essas palavras estavam sempre associadas a eles. Eram profissionais de destaque em suas áreas de formação. Tinham em comum o trabalho com populações, na maioria dos casos, de forma totalmente voluntária. Compartilhavam do mesmo gosto por gerenciamento de pessoas, política e qualidade de vida. Provavelmente, se cada um se candidatasse à presidência em seus países de origem – ou á outros altos cargos escolhidos democraticamente, no caso dos países em regime monárquico aos quais dois deles pertenciam – venceriam as eleições com folga. As pessoas os idolatravam.

À exceção de Quinlan, Sook e Victorine – a mais rica do grupo, com amplas diferenças financeiras – nenhum dos outros tinha nascido em berço de ouro. Keid, por exemplo, viveu num orfanato em Merian toda a infância, conseguindo independência legal aos 13 anos, quando entrou para a faculdade de engenharia robótica. Ou Kira, que foi criada pelo pai numa casa modesta de zona rural, longe da capital do seu gélido país natal, Roziakke. Ronan criava e vendia jogos eletrônicos de qualidade surpreendente para um garoto de 8 anos, usando o dinheiro para ajudar os pais a comprar uma casa nova.

Lea, Darel, Saanvi e Arius sempre tiveram uma boa vida e pais que podiam pagar pelo padrão relativamente alto ao qual estavam acostumados, mas, ainda assim, não viviam esbanjando suas posses. Desde muito jovens, se preocupavam muito em ajudar quem mais precisava. De acordo com Ceepher, esse foi o motivo de terem sido recrutados. O idealizador do Concordia queria pessoas com aquele tipo de visão. E com aquele nível de inteligência.

A história de Arius era mesmo muito convincente. Era como se ele realmente fosse Arius Seviatti, outra pessoa, outra família, outros amigos, outro passado, outra mente, outro corpo.

Sem conhecê-lo de perto, Iason podia muito bem admitir isso. Mas depois de conversar com ele e observá-lo com cuidado, ainda havia algo... Havia muitas pequenas coisas tão características... Alguns traços da personalidade de Riki, erguendo-se à superfície discretamente, como uma mão erguida vindo do fundo de um mar denso, tentando acenar. Tentando dizer algo.

Eu estou aqui.”

De toda a informação disponível sobre ele, as do acidente no qual esteve envolvido ainda eram um tanto incompletas, na visão de Iason. Doze anos atrás, Arius estava entre os médicos voluntários trabalhando em Louaha, país de origem de Darel, que estava sendo devastado por um poderoso furacão em passagem para o sul. O governo já tinha decretado situação de calamidade e estava recebendo apoio e doações do mundo todo. Um importante hospital de pacientes de risco teve que ser esvaziado às pressas devido uma mudança de direção repentina do furacão. Durante a remoção dos pacientes, com os elevadores inutilizados e várias áreas rampeadas desabadas, sendo as escadas as únicas saídas para alguns pacientes, foi passado à imprensa que um raio acertou uma parte desprotegida do sistema elétrico dos elevadores no telhado e se espalhou por toda a extensão, até o piso inferior, provocando curtos-circuitos e pequenas explosões, disseminando poderosas descargas elétricas pelas estruturas de metal próximas ao poço dos elevadores. A escada que estava sendo utilizada para a remoção dos pacientes até o térreo, onde haviam ambulâncias à espera (helicópteros eram inviáveis com os violentos ventos do exterior), era totalmente feita de metal, e construída ao lado do poço dos elevadores. Foi assim que todos ali receberam a eletricidade por proximidade, e, no caso de Arius, a queda ainda resultou na quebra de duas vértebras da área cervical, que poderia tê-lo matado na mesma hora.

Resgatado rapidamente, logo teve as vértebras realinhadas, mas ainda havia o risco de morte por causa do distúrbio nervoso que a onda de eletricidade causou e, os resultados mais prováveis eram o estado vegetativo ou a tetraplegia. A total recuperação comportava apenas 11% das chances.

 Tudo ficava pior por causa de uma antiga e rara condição de Arius – doença tal que o fez querer estudar medicina quando era mais novo – chamada de “Dor Fantasma das Articulações”. Iason viu que se tratava de uma dor muito intensa que podia atingir as articulações mais distais, mas tinha predileção (cerca de 97% dos casos) apenas pelos pulsos – no caso de Arius – e/ou tornozelos. Não se sabia ainda porque isso ocorria, mas era de conhecimento da comunidade médica que se tratava de um mau funcionamento do sistema nervoso, que, por algum motivo, levava ao cérebro a informação errada de que havia lesões nas articulações, quando estavam, na verdade, em perfeito estado, provocando, assim, a dor ao mínimo movimento. Arius já tinha controlado essa doença antes de terminar seu curso de medicina. Mas ela voltou após o choque, e o mesmo tratamento usado antes não surtia os efeitos esperados. Por isso ele teve que deixar de atuar na profissão de forma prática, quase abandonando totalmente as salas de cirurgia, salvo raras exceções, segundo ele mesmo disse em entrevistas com jornalistas.

Ele passara oito meses em coma após a queda – os dois primeiros em coma induzido, numa tentativa da equipe médica de curar as lesões do corpo temendo uma falência múltipla de órgãos, mantendo-o ligado à maquinas,  e os seis restantes em coma espontâneo, ou seja, Arius não voltou à consciência mesmo após ser tirado do suporte artificial de vida. Só veio despertar após os tais meses, voltando a ser alvo de jornalistas.

Oito meses em que toda informação sobre Arius era mediada por Ceepher e outros funcionários do Projeto Concordia, que financiou todo o tratamento, transferindo-o, inclusive, para uma clinica particular com profissionais e equipamentos de primeira categoria. Oito meses em que tudo que era repassado à imprensa eram as discretas melhoras ou pioras de saúde, até que, um dia, disseram a todos que ele havia finalmente acordado. E, milagrosamente, tinha todos os movimentos preservados.

Ele só foi visto algumas semanas depois, fotografado por um paparazzi enquanto descansava no jardim da clínica acompanhado por enfermeiros, sentado numa cadeira de rodas. Sua aparência não era das melhores, estando muito magro e visivelmente fraco. Ainda não podia ficar de pé por causa de todo o tempo em que ficara imóvel, sendo alimentando por sonda.

Em pouco tempo, ele já estava de volta no Projeto, encontrando os outros representantes, sendo incluído aos poucos nas atividades, até que finalmente voltou a viajar com todos. Foi a partir da sua reabilitação, quando Keid criou peças robóticas que ajudaram Arius a voltar a andar sem cair, que os dois iniciaram seu próprio projeto de próteses, unindo o conhecimento sobre neurologia de Arius com a robótica adaptativa de Keid.

Assim, tudo estava de volta ao normal. Mas Iason não estava satisfeito com o que se sabia sobre o período do coma de Arius. Principalmente porque este período de tempo tinha ocorrido próximo demais à explosão que, em teoria, matou Riki e o próprio Iason.

Iason tinha sido recuperado das chamas. E Riki tinha sumido sem deixar rastros.

Iason se lembrava perfeitamente daquela noite terrível. Ele morreu em decorrência da grande perda de sangue. Mas, enquanto ele ainda estava consciente, Riki estava lá. Iason passou seus últimos instantes nos braços do seu amado, esperando pelo fim tanto quanto ele.

A dor de saber que Riki também morreria ali só não era maior porque Iason teve a chance de estar com ele até o último suspiro deixar seu corpo, ouvindo-o dizer que o amava.

Ah, se eles tivessem mais tempo...

Então, Arius surgiu como uma bomba assolando um campo já destruído.

Eis que o destino tirou essa carta da manga e a colocou sobre a mesa, desafiando Iason a fazer sua jogada. Podia ser um blefe. Mas também podia ser pra valer. Iason já tinha apostado parte das suas fichas. Ainda estava sendo um tanto passivo. Talvez fosse a hora de apostar tudo e entrar de vez no jogo. Talvez fosse a hora de agir de forma mais agressiva. Valendo tudo ou nada.

E ele já sabia exatamente por onde começar.


Notas Finais


Sei que fugi um pouco do foco Arius/Riki/Iason, mas tanto a relação da Ava com o Keid quanto o acidente de Arius são extremamente importantes para o futuro da estória. Tudo vai se encaixar em breve!
^^


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