História Como eu devo chamar você? - Capítulo 9


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Categorias Ai no Kusabi
Tags Ai No Kusabi, Revelaçoes, Romance, Yaoi
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ecchi, Ficção, Ficção Científica, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 9 - Missão


Ao final da reunião, ninguém teve tempo de conversar. Todos do Projeto Concordia saíram da sala, pois os líderes de setor e os conselheiros teriam uma reunião entre eles. Arius recolheu as poucas coisas que levou consigo e seguiu com os outros para a saída. Até o fim do dia, estavam liberados de qualquer compromisso com os governantes de Amoi. Voltariam agora para o hotel e lá também fariam uma discussão sobre o que haviam aprendido naquele primeiro encontro oficial.

Ainda trocou um olhar despretensioso com Iason enquanto andava para fora. Não dava para saber o que se passava na cabeça dele apenas pela expressão do seu rosto. O que ele teria achado da primeira reunião? Teria se sentido atacado por ser o líder do setor financeiro do país e, portanto, responsável pelos pontos negativos na administração pública que Quinlan e Victorine tinham trazido?

E por que, exatamente, ele se importava com isso?

Sacudindo a cabeça de leve, Arius seguiu os outros pelo longo e amplo corredor de um dos andares do magnífico e gigantesco prédio de controle de Tanagura, a unidade oficial do governo de Amoi e sede do principal distribuidor de rede de Júpiter. Não era ali que ficava o servidor mor, mas os arquivos referentes à gerência do país com link direto para Júpiter sim.

Arius olhou para uma das câmeras de segurança no nível acima. Se havia a remota chance de Júpiter observá-los dentro do hotel, ali havia a certeza. A apresentação do Concordia? Ele deve ter acompanhado por inteira. E agora iria conversar com seus subordinados em particular, por isso os dois grupos se separaram.

Era estranho pensar que todos que ficaram naquela sala respondiam a uma entidade invisível, sem voz, sem corpo, sem aparência. E, ainda assim, tão poderosa...

Júpiter não tinha nada de frágil. Era muito mais forte do que suas criações sobre-humanas, justamente porque não podia morrer. Criou-os com a aparência que tinham para que fossem uma ligação com os humanos, pois Júpiter precisava dos humanos para expandir seu controle. E criou as classes Zein para agradar os mais ricos, que o manteriam rico em consequência, e para manter uma parcela da população com o objetivo de servi-los.

Alguém teria que servi-los, não é? Que tal se aqueles que nascessem com os cabelos mais escuros ficassem com esse papel? Que tal escolher justamente as pessoas com o gene dominante mais comum – que fazia a cor do cabelo escuro predominar sobre as outras numa porcentagem bem maior – para ficarem com esse papel?

Júpiter não era nenhum pouco estúpido. A quantidade de pessoas na classe mais baixa sempre seria muitas vezes maior do que as do topo, trabalhando até a morte para deixar outras pessoas com mais dinheiro. A concentração da riqueza sempre estaria maior numa pequena parcela da população, que usufruiriam o que quisessem sem nenhuma limitação. A violência só cresceria nas periferias e era justamente esse o plano de controle populacional de Júpiter. Alguns teriam suas vidas prematuramente tiradas para compensar a quantidade de pessoas lutando para sobreviver. Afinal, as bocas para alimentar sempre estavam em maior número do que a comida disponível.

Alguém teria que tirar o próximo do caminho para não ficar com fome.

Estava resumido, portanto, toda a maneira como Júpiter governava há 100 anos, exatamente como havia planejado desde o começo. E o Concordia estava ali porque eles queriam tentar mostrar uma nova configuração, uma em que as periferias não fossem tão propositalmente negligenciadas. E a única forma que encontraram para chamar a atenção dos governantes foi usar o que mais eles prezavam: dinheiro. A perda dele, no caso. O que eles poderiam estar ganhando, mas estavam jogando fora por causa daquela forma cruel de governar.

A missão de Arius e os outros era muito difícil, mas eles já fizeram o que diziam ser impossível antes. E, se todos fossem tão receptivos quanto Haruki e tão compreensivos quanto Iason, havia uma luz no fim do túnel para a perspectiva de um Amoi melhor para os mais pobres. Mas, se estavam apenas brincando com eles, as coisas mudavam completamente de cara.

Ninguém era realmente confiável.

Enquanto caminhavam para o elevador mais próximo, Arius controlou o impulso de mostrar o dedo do meio para a câmera vulgo olhos de Júpiter. Ao invés disso, aproveitou com muito gosto todo o trajeto pelo prédio do governo, de cabeça erguida, onde provavelmente nenhuma pessoa de cabelos pretos tinha posto os pés antes. Aquilo talvez fizesse um efeito muito melhor do que um gesto ofensivo mais imaturo.

Ao saírem do prédio, foram direto para o ônibus que já estava na entrada. Durante a ida, todos estavam muito mais concentrados do que agora, então puderam observar melhor a cidade pelas janelas na volta para o hotel. E foi assim que Arius notou o enorme prédio em ruínas às margens da água enquanto estavam passando numa ponte sobre o maior rio de Tanagura. O contraste do prédio destruído com os outros arranha-céus modernos ao fundo era muito grande.

– O que há com aquele prédio? – Arius perguntou.

– Qual? – Keid, que estava sentado ao seu lado, na poltrona do corredor do ônibus, disse, se aproximando da janela – Ah, uau.

– É o antigo Centro de Registros. – disse um dos guias contratados para acompanhar os integrantes do Concordia – Houve uma explosão há 13 anos. Ainda não se sabe ao certo o que a provocou, mas o prédio já era muito velho. Estava desocupado quando colapsou. Os governantes não o derrubaram nem o reformaram até então, só o isolaram. Acho que consideram perda de tempo se preocuparem com ele.

– 13 anos? – Keid disse – Não se preocupam mesmo.

Arius ficou calado, voltando a olhar para o prédio enquanto ele ficava cada vez menor, saindo do seu campo de visão. Aquele lugar estranhamente atraia sua atenção, e não era porque o próprio prédio era como um monumento destruído diferente de tudo ao seu redor. Ele transmitia uma sensação de solidão, de frio... Havia algo de assustador nele.

Bem, tal como todo prédio abandonado. Mas, ainda assim, diferente.

Quanta maluquice, pensou.

Arius olhou para frente, deixando o prédio destruído de lado. Sua mente estava cansada. Parece que finalmente os efeitos das últimas noites mal dormidas estavam batendo à porta. Ele precisava dormir direito naquela noite, nem que fosse à base de remédios controlados.


Notas Finais


Eu super consegui imaginar Arius dando uma sambadinha pelo prédio de Júpiter só pra afrontar, hehehe (Mas lembrei que a Victorine tava lá, então não ia acontecer mesmo).


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