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História Como morrem as flores - Capítulo 10


Escrita por: stefannyabsolutah

Notas do Autor


Voltei, voltei, volteiii.
Tá dificil conseguir um tempinho pra escrever e pra ler 9to triste q todas as fics que leio estão acumuladas). Realmente espero que vcs gostem e que me digam o que acharam.
Abreijos <3

Capítulo 10 - Spell Cast


Fanfic / Fanfiction Como morrem as flores - Capítulo 10 - Spell Cast

Raquel se olhava no espelho há cinco minutos, se sentia incrivelmente bonita e vulgar ao mesmo tempo, não sabe de onde vai tirar coragem para sair vestida daquela maneira e encarar boa parte das pessoas que teria que lidar todas as vezes que precisasse resolver assuntos das empresas da família.

O coque folgado e a maquiagem leve, finalizada com um batom vermelho casavam perfeitamente com o vestido escolhido, a fenda que deixava sua coxa à mostra era uma das coisas que a deixavam levemente desconfortável. Não por ter problemas com o seu corpo assim por saber que seria tratada e vista como um objeto e um troféu durante toda a festa.

Ao sair do closet, agora completamente vestida e pronta “para o ataque” como disse seu cabeleireiro, ouviu gritinhos e aplausos da equipe que estava ali, ansiosos para ver a produção final dela. E como todos esperavam, ela estava bonita o suficiente para que até mesmo qualquer intelectual bem letrado tenha dificuldades de encontrar um adjetivo que fosse suficiente para descrevê-la.

Após muitos elogios e piadas sobre como ele iria ser o centro das atenções, eles desceram, em direção a saída da casa, onde Sérgio já estava à sua espera; visto que ela estava dez minutos atrasada. Mas, antes mesmo de que pudesse fazer algum tipo de reclamação, ele perdeu completamente a noção e as palavras, ao vê-la com um vestido de seda, perfeitamente ajustado ao seu corpo, com uma longa fenda em uma das pernas e um decote que valorizava seus seios.

Ficaram em uma névoa de olhares provocantes e desafiadores tempo suficiente para que as outras pessoas que estavam presentes notassem o clima tenso e saíssem antes mesmo de se despedir, deixando-os sozinhos em um universo paralelo.

- Não me olhe como se já tivesse me visto pelada - ordenou Raquel, ao notar que estavam a sós no recinto.

- Você está atrasada - ele falou em um tom de repreensão enquanto tentava encontrar outro ponto para admirar que  não fosse a mulher a sua frente - não consegue cumprir horários, juíza - perguntou a olhando de maneira desafiadora.

- Eu tenho absoluta certeza de que a sua espera foi bem recompensada com a vista que eu estou lhe proporcionando - fala enquanto caminha para fora do local, passando por ele e olhando-o ainda mais provocante.

Sérgio segue a mulher a sua frente e caminha de maneira totalmente automática, já que toda a sua atenção estava voltada para o movimento do corpo de Raquel ao caminhar.

Caso alguém fosse pesquisar sobre a árvore genealógica de Afrodite, com certeza chegariam a Raquel, a vênus que o faz perder todas as suas certezas.

Os dois estavam cientes de que teriam que chegar ao mesmo tempo e no mesmo veículo, era mais um tópico presente no acordo. Nem mesmo os advogados souberam explicar o porquê dessa exigência e Raquel e Sérgio, que conheciam o avô melhor do que qualquer pessoa ali, imaginaram que era por mera questão de aparência.

Expor um exemplo de família perfeita sempre foi a meta dele.

- La madre que me parió - Raquel solta espontaneamente.

Sérgio teria a repreendido mas estava tão chocado quanto ela ao ver uma limusine estacionada em frente a entrada principal da casa da fazenda. Andrés não estava exagerando quando disse que seria uma "produção" hollywoodiana.

O único consenso que haviam conseguido chegar na semana em que estão convivendo, foi que esse evento era a pior coisa que o velho Dr. Prieto já havia feito.

Em uma ação demoníaca, ele conseguiu casar a data de sua morte com a festa de lançamento da nova unidade de hotel que iria abrir na cidade; na verdade seria o primeiro hotel da família nessa localização. Existem unidades espalhadas por várias cidades espanholas e até uma na França, mas em Segóvia, ainda não.

E a inauguração do bendito lugar casou perfeitamente com a morte dele e tudo transformou-se em um espetáculo.

Fora isso, eles não tinham nenhuma outra informação sobre o que iria acontecer no evento.

- Você acha que vai ter um caixão no meio de um evento de gala? - Raquel perguntou divertida, quando o carro começou a movimentar-se.

- Por fav…- Sérgio a repreende e revira os olhos ao ver que ela se divertia com o incômodo que ele sentiu ao pensar nessa possibilidade - mas eu também não duvido.

- Já vou avisando que se tiver um caixão lá e eu tiver que aguentar Carmem a noite inteira, vou fazer questão de que ela caia acidentalmente sobre ele - Raquel diz resignada.

- Raquel, por favor - Sérgio ri controladamente para não incentivar, mas adoraria ver isso acontecer - Você não pode fazer isso.

O caminho foi bem mais leve do que eles esperavam, conseguiram conversar por alguns minutos, sem sair nenhum tipo de insulto ou discussão.

Raquel olhava o telefone diversas vezes, esperando uma resposta de Silene que, até o momento, não havia se manifestado só pela sua ausência. Somente sabia que ela tinha recebido e escutado a mensagem.

Percebeu que Sérgio recusou algumas ligações, estranhou um pouco mas não se ocupou em questionar ou imaginar quem seria.

Cerca de trinta minutos após a saída, eles chegam ao local do evento e, se eles já achavam tudo isso um absurdo, não sabiam nem uma ponta do iceberg. 

Como diz o provérbio popular, nada nunca é tão ruim que não possa piorar 

Tomaram um pouco de fôlego antes de sair do veículo, olharam-se de maneira significativa, buscando coragem um no outro e então a porta se abriu, revelando o motorista, aguardando que eles saíssem. Sérgio foi o primeiro a descer, já que estava mais próximo a porte e Raquel, olhou uma vez mais para a tela do celular, esperando encontrar ali uma mensagem de Silene, porém o silêncio do chat era o mesmo que anteriormente.

Quando pôs o pé no chão, notou que ali estava estendido um tapete vermelho, fez um esforço descomunal para não revirar os olhos, era óbvio que teria um desses. Viu uma mão sendo estendida para dar-lhe apoio e então saiu por completo do veículo; o motorista, retirou sua mão no instante em que notou que ela estava completamente de pé e deixou a passagem livre, para que eles pudessem seguir caminho.

Raquel e Sérgio caminharam lado a lado, ao longe avistava uma pequena multidão de fotógrafos, o maior desejo do homem foi de correr para o  mais longe possível, nunca gostou de exposição e sentia-se extremamente desconfortável com situações como essa.

Já Raquel, apesar de também não ser a maior fã de ser vista em público e ter seu nome vinculado ao do avô, naquela noite, sentia-se diferente, como se sua loba inteira estivesse dominando-a e fazendo com que ela se sinta extremamente sedutora.

Ao seu lado, Sérgio a olhava pelo canto dos olhos e ficou surpreso, quando notou a postura e o brilho no  olhar da mulher ao seu lado. Raquel nunca fora assim, algo muito grande havia mudado.

Antes mesmo de chegarem na localização indicada para as fotos, eles sentiam os flashes em sua direção, havia pelo menos trinta fotógrafos, todos interessados no melhor ângulo deles ou uma fofoca que fizesse as colunas virtuais bombarem ao longo da semana.

Sergio ficou travado no mesmo lugar por alguns segundo mas ainda que um curto período de tempo, Raquel notou e olhou-o de maneira encorajadora e encostou sua mão na dele, o incentivando a continuar o percurso. Quando se posicionaram no lugar indicado, foi impossível não tomar um pequeno susto com a quantidade de luzes acendendo na direção deles, não sabem ao certo quantos minutos ficaram ali, posando para as lentes de pessoas completamente estranhas.

Ambos já estavam ficando com dor nos olhos com tantos flashes disparados em sua direção, quando finalmente uma mulher os indicou com o braço que poderiam seguir para dentro do espaço onde a festa iria acontecer.

A entrada era bem mais “simples” do que eles esperavam, tinha algumas luzes ao redor do tapete, indicando o caminho a ser percorrido e uma grade separando o caminho dos convidados e dos fotógrafos. Pelo que puderam perceber da fachada do local, só havia um andar e era um lugar com uma bela decoração e ao que perceberam, bastante organizado.

O primeiro ambiente era um largo e extenso corredor, todo na cor preta, com uma forte iluminação, por onde o tapete vermelho seguia e enquanto andavam, eles puderam notar que as paredes do ambiente estavam adornadas com inúmeras fotos, como uma espécie de história em quadrinhos gourmetizada de toda a trajetória de vida do avô.

Ali, estavam expostas fotos de todos os momentos familiares, o nascimento dos filhos, dos netos, casamentos, batizados, aniversários, momentos aleatórios em família, a inauguração da primeira floricultura, o primeiro hotel. 

Era impossível que Sérgio e Raquel não ficassem melancólicos e emocionados, tiveram bons momentos com o velho, eles foram muito felizes e tiveram uma boa base familiar, apesar de tudo. Raquel, que já havia derramado algumas lágrimas vergonhosas, não conseguiu controlar a emoção quando viu a última foto que havia tirado com a sua avó Mariví, que faleceu alguns meses depois de infarto.

Na imagem, estavam ela, a avó e Sérgio, era aniversário de quinze anos do homem ao seu lado, a lembrança foi eternizada em forma de foto alguns instantes após ela enfiar a cara de Sérgio em um pedaço de bolo, que foi o responsável por espalhar chocolate em todo o rosto dele.

Aquela era uma das poucas fotos em que ele aparecia descontraído, espontâneo e sorridente. Foi mais forte do que eles puderam aumentar e os dois estavam derramando lágrimas antes mesmo de chegarem a metade do corredor.

 Os dois riram enquanto lembravam dos momentos ali expostos, misturando as lágrimas de saudade com sorrisos largos. Raquel sempre fazia algum comentário que deixava Sergio desconcertado.

A tensão sexual que reinou durante todo o caminho estava quase acabando com o momento de recordação que estavam vivendo.

Demoraram mais do que o esperado para chegarem no último momento daquele corredor, onde tinha um vídeo sendo transmitido em loop, onde o avô falava da importância da nova sede do hotel que iria inaugurar e em um dado momento, disse “é muito importante que finalmente seja possível trazer nosso empreendimento para a nossa cidade, como se nossas raízes estivessem nos chamando de volta para o ninho.”

Foi como se estivessem saído de um universo paralelo ou de um transe, como se um clique tivesse sido ativado em suas cabeças, pois era exatamente assim que se sentiam.

Ao lado da tela, tinha uma redoma de vidro com um belo vaso dentro e ali, naquele vaso caro e de muito bom gosto, estavam as cinzas do poderoso e autoritário Dr. Prieto Murillo, seguidas de um longo texto, onde se detalham momentos importantes de sua vida profissional e o quanto ele foi importante para a comunidade local. Foi impossível não sentir um aperto no peito, ainda que tivesse sido o motivo de tanto sofrimento e desilusão, o velho foi importante na vida deles.

Tomaram fôlego e finalmente adentraram ao segundo ambiente da festa

No imediato momento em que abriram a cortina preta, viram todos os pares de olhos presentes direcionarem as atenções a eles; o frio na barriga característico de momentos de tensão foi inevitável. 

Fizeram uma entrada triunfal. 

Todos que estavam ali queriam conversar, cumprimentar ou abraçar eles. Especialmente os homens com Raquel, Sérgio não os culpava. A mulher ao seu lado já era infinitamente linda, mas essa noite era como se ela tivesse um brilho especial, que obriga que todas as atenções fossem destinadas a ela; no entanto, isso não diminui o incômodo que ele sentia.

Sergio acreditou piamente que era o fato de notar que ela estava sendo vista como um objeto que estava o incomodando, porém era só observá-los por alguns instantes que seria possível notar que eles estava ficando vermelho de ciúmes.

O local tinha uma longa fila de meses, destinada ao jantar; era muito bem decorado e ali sim eles podiam perceber o luxo que o avô gostava de ostentar. Do outro lado havia algumas mesas menores distribuídas entre a pista de dança e o bar.

Em meio a todos os comprimentos e apresentações, Raquel não desperdiça nenhuma oportunidade de provocar Sergio. Sempre passando as mãos por locais estratégicos do corpo dele, ou do seu, fazendo comentários cheios de duplo sentidos ou direcionando olhares pidões e cheios de fogo para ele.

No exato momento em que perceberam Carmem se aproximando, um dos homens que não parava de olhar Raquel, a convidou para tomar um drink. E assim, começou o martírio de Sérgio.

***

Raquel havia sumido da vista de Sérgio há muitos minutos, a última vez que ele a viu, ela estava dançando com um dos advogados das empresas que agora são donos. Lembra a maneira invasiva de como ele segurava a cintura dela enquanto ela dançava, sente seu sangue ferver ao imaginar que ele poderia estar transando com ela.

A voz de Carmem estava o irritando, ela não parava de falar por mais de vinte segundos e tudo o que ele mais queria era se livrar dela, evitá-la a noite toda antes que perdesse a paciência e fosse grosso. Foi então que pediu licença para ir ao banheiro, pois nem que fosse apenas cinco minutos longe dela e de seu falatório já seriam suficientes para diminuir seu nível de irritação.

Pediu licença e obteve “ok, vou ficar aqui esperando por você" como resposta, o que o fez revirar os olhos com força e ter certeza de que não poderia voltar para perto dela.

Cruzou todo o ambiente, dessa vez sem se importar com a decoração ou com as pessoas no caminho que o cumprimentavam, a pista de dança estava relativamente cheia, apesar de alguns apertos de mão em pessoas que queriam saber mais sobre ele, seu caminho não demorou mais que o esperado.

Por mais improvável que pudesse parecer, o banheiro estava vazio; o que significava que ele poderia ficar ali sem parecer um estranho e sem ser incomodado. Ficou vendo seu reflexo no grande espelho que estava disposto ao lado da pia e seu semblante demonstrava uma grande irritação e ele sabia que não era apenas por ter Carmen no seu pé a noite toda. 

O fato de não saber onde Raquel está é o seu maior ponto de estresse. Imaginar que ela poderia agora estar nos braços de outro homem faz o seu sangue ferver pela centésima vez essa noite. As ligações de Laura, ser obrigado a ficar na cidade, a maneira como foi destratado após fazer sexo com Raquel não eram nada perto da raiva e do nervoso que ele sente ao imaginar que os gemidos dela podem estar sendo destinados a outro homem.

Sabe também que não tem como lidar com as provocações dela, é como se ela fosse uma feiticeira e conseguisse controlar o corpo dele sempre que está por perto. E aparentemente hoje ela estava inspirada já que não perdeu nenhuma das oportunidades que teve de provocá-lo.

Molha um pouco o rosto, na falha tentativa de se acalmar e resolve sair do banheiro; infelizmente não existe a possibilidade de poder ficar trancado aqui onde está até esse inferno de festa terminar. Vê seu reflexo no espelho pela última vez e sai, já pensando em uma desculpa qualquer para conseguir se ver livre de Carmen, porém. ao sair do cômodo, percebe que há uma porta aberta ao fim do corredor que dá acesso a uma escada e é como se aquela fosse a sua luz no fim do túnel.

Independente de qual fosse o destino daquela escada, com certeza seria um lugar melhor do que a mesa em que a mulher estava à sua espera. E o seu destino final foi melhor do que ele imaginava, a escada dava acesso ao telhado do prédio, que o deixava ao ar livre e longe de todo o barulho e agitação do andar de baixo.

Leva algum tempo respirando ar puro e se adaptando ao ambiente, porém uma voz familiar o tira de seus devaneios:

- Fugindo de alguém? - ele vira na direção da voz assustado e lá está ela, mais linda do que nunca, sentada na mureta do local, com as pernas cruzadas, fato que deixava sua coxa esquerda ainda mais em evidência devido a abertura do vestido e com um cigarro na mão.

- Efetivamente! - ele diz enquanto caminha em direção a ela, sentindo seu corpo colapsar apenas por vê-la ali - Aparentemente Carmen não mudou nada e eu continua não à suportando - eles riem juntos, Sérgio nunca foi muito fã da mulher -  e você?

- É, ela não tomou jeito - diz soltando a fumaça do cigarro - e sim, estou fugindo de homens com nacionalidade espanhola e seus complexos de macho-alfa - Raquel termina sua fala revirando os olhos.

- Todos os homens com nacionalidade espanhola? então acho que invadi seu esconderijo - ele diz e ficam em frente a ela, que coloca o cigarro em sua direção, oferecendo um trago - eu não fumo, Raquel.

- Bom, eu também não - ela sorri debochada e dá de ombros - e respondendo a sua pergunta: se for um homem com dupla nacionalidade, eu aceito a companhia - ela passa a língua pelos lábios, para umedecê-los - principalmente se for italiana, você sabe, dizem que os italianos são muito bons em algumas coisas… - arqueia as sobrancelhas sugestivamente.

Sérgio não tem mais como resistir às provocações dela, não essa noite. E resolve entrar no jogo.

- Acredito eu que você tem experiência suficiente para me permitir ficar aqui… - ele perde um pouco o foco do que falava quando desce o olhar para a boca dela, onde estava o cigarro.

- Tenho que concordar com você - ela diz descruzando as pernas e somente devido a má iluminação, ele não pode ter a vista privilegiada que tanto queria e as cruzou novamente - Sabe Sérgio… - Raquel leva a mão direita até o pescoço dele, a distância entre eles já não existia - você tinha razão quando disse que eu me viro bem com contratos e é por isso que eu tenho uma proposta para você. E tenho certeza que nessa ambos seremos muito bem recompensados.

- Ah, é?! - perguntou ele, ansioso - e qual seria sua nova proposta? - entende a mão dela em seu corpo como um aval para tocá-la e o álcool já fazia muito efeito em seu corpo, assim como o desejo latente que sente por ela e direciona a mão a perna dela que estava exposta.

- Acho que nos últimos dois dias nós tivemos provas o suficiente de que as vezes nossos desejos nos controlam - ela fala olhando em seus olhos e ele concorda com ela - então, pensei em fazermos um trato.

- Continue, acho que estou gostando dessa conversa - ele diz subindo um pouco a mão para a coxa dela.

- Sexo sem compromisso pelos próximos quarenta e cindo dias - ela fala próximo ao ouvido dele - assim, além de diminuir o nosso nível de estresse, podemos nos divertir. 

No fundo ele já sabia qual seria a proposta no momento em que ela começou a falar, mas ouvir aquilo da boca dela o fez transcender perder o pouco controle que ainda lhe restava.

- Tira a calcinha, Raquel - ele ordena, apertando a sua coxa e levando sua mão livre para a cintura dela.

- Que calcinha? - ela pergunta provocante.

A surpresa dele ao ouvir o que ela fala faz com que ele trave por alguns poucos segundos, tempo suficiente para que ela ficasse de pé, com o corpo colada ao dele, tirasse uma pequena calcinha preta de sua bolsa e a colocasse em sua mão. Deu um beijo no canto de sua boca e começou a afastar-se.

- Você tem duas opções - ela fala, olhando para ele por cima do ombro esquerdo - a gente pode ir direto para o banheiro e depois você volta a mesa onde Carmen te espera ou a gente pode sair pela saída dos fundos, entrar no carro e continuar essa “conversa” - faz aspas com as mão na última palavra - em casa. Na sua cama, bom, ou na minha. A decisão é sua.

- Saída dos fundos. Agora! - ele diz guardando a calcinha dela em seu bolso e andando apressadamente enquanto segurava a mão dela.

Desceram a mesma escada pela qual haviam subido, porém ao invés de sair pela entrada principal, por onde eles e todos os outros convidados entraram, foram o mais rápido possível para a saída dos fundos, sem que ninguém pudesse vê-los.

Sequer se importaram em se despedir de todas as pessoas ali presentes.

Não era o melhor momento para diplomacias. Sérgio já sentia certo incômodo pela ereção que já estava pulsante e Raquel sentia-se úmida o suficiente para que o líquido chegasse ao início de suas coxas.

Ambos queimavam internamente e com seus instintos mais primitivos despertos, tudo o que lhes importava era dar vazão a todo o desejo que, ainda que parecesse impossível, crescia torrencialmente a cada segundo.

Sérgio, que estava alguns passos à frente, se controlava para não olhar para trás e encarar Raquel, que a essa altura já tinha a completa expressão corporal e facial de uma Afrodite contemporânea. O homem tem plena consciência de que falta muito, mas muito pouco para prensá-la contra uma das paredes da rua escura e fode-la ali mesmo mas ainda que esteja tomado por um desejo desenfreado e que a rua estivesse vazia e escura, existe a probabilidade de eles serem flagrados ou expostos de alguma maneira.

Demoram alguns minutos para dar a volta no lugar e chegar ao estacionamento, onde a limusine que estava à disposição deles naquela noite. Os saltos que mais cedo maltratavam os pés de Raquel, agora sequer eram sentidos, a dor já não a incomodava, tudo o que sentia era necessidade de ter o homem que segurava sua mão e caminhava a passos firmes e apressados, dentro de si.

Estava imersa em seu desejo e nem mesmo percebeu quando Sérgio comunicou ao motorista que iriam direto para casa, só notou que já podiam seguir viagem quando sentiu a grande e firme mão de Sergio pressionar sua cintura, indicando-lhe a porta aberta, esperando ela adentrar ao veículo.

No instante em que se acomodou, sentiu outro corpo em estado de ebulição ocupar o assento ao seu lado, não precisava olhar para saber quem era, seu cheiro e presença tão característicos, junto a maneira como o corpo dela reagia quando próximo ao dele indicavam que estava ali.

Os corpos estavam separados por um pequeno espaço do banco, que fora rapidamente preenchido quando Sérgio aproximou-se do ouvido dela e sussurrou: “Acercate más” com a voz rouca e grave de um homem excitado. Ação que mexeu com a deusa sexual de Raquel mais do que acreditava ser possível.

Graças aos céus, o carro tinha uma divisória entre a parte dos passageiros e a do motorista.

O homem rapidamente coloca a mão  direita em sua coxa e conforme sente a respiração dela descompassar vai subindo-a até chegar em seu ponto de calor, olhou-a nos olhos e tudo o que viu ali foi um pedido desesperado de que ele fizesse logo isso, porém, decidiu se demorar um pouco mais, em vingança a todas as provocações que ela fez durante a noite.

- Você quer que eu faça isso? - pergunta ele, levando a mão direita para o pescoço dela e segurando-o com certa firmeza.

- Se você não fizer, eu sou capaz de te matar antes mesmo de chegarmos em casa - respondeu ela apressada e roçando as coxas, na tentativa de controlar sua ansiedade momentaneamente.

Quando finalmente aproxima seus dedos da intimidade dela, Sergio sente a umidade dela, indicando que as provocações e os últimos acontecimentos haviam mexidos com ela tanto quanto mexeram com ele, deu uma risada suspirando de prazer e desespero. Com a mão que estava no pescoço dela, posicionou-a de modo que pudesse beijá-la e tomou sua boca com voracidade, invadindo-a com sua língua.

Beijou-a por alguns minutos, enquanto passeava seus dedos em toda a extensão de sua intimidade, porém sem tocar seu clitóris, pretendia castigá-la o máximo possível.

 Se isso tudo é um jogo, ele está pondo suas fichas na mesa e é tão bom jogador quanto ela. 

- Viu, Raquel - fala próximo ao lóbulo da orelha dela - é por isso que a gente não deve provocar ninguém. Porque o fogo sempre espalha as labaredas por tudo o que está próximo - finalmente toca seu ponto mais sensível, que agora já está inchado devido a excitação - e acho que eu acabo de encontrar a fonte de todo esse fogo.

Raquel já não tinha forças para falar nenhuma frase coerente, tudo o que conseguia pronunciar eram palavras desconexas e gemidos e ele ainda nem estava de fato a masturbando. 

Ele postergou o prazer dela o máximo possível, ficou longos minutos alternando seus movimentos entre passear seus dedos por toda a extensão dela e movimentos leves em seu clitóris, mas sempre que a ouvia gemer e arquear o corpo pelo prazer, ele parava os movimentos.

Raquel sempre vociferava “hijo de puta” quando ele negava seu prazer.

Quando finalmente ele a permite sentir o prazer que tanto ansiava, foi como se ela estivesse tocando o céu. Enquanto fazia movimentos circulares em seu ponto máximo de prazer, ele estimulava seus seios por cima do tecido do vestido e distribuía beijos em seu pescoço e colo.

Seu polegar trabalhava de maneira incessante no clitóris dela, ela já podia sentir a onda de prazer invadindo seu corpo. Quando de repente ele a penetra com dois dedos, fazendo movimentos de vai e vem, naquele momento ela poderia ter se desmanchado toda mas juntando forças de onde nem ela mesmo sabia, conseguiu segurar-se um pouco mais e juntou todas as suas forças para ordenar “m-mais…” ele entendeu que ela estava pedindo para que aumentasse a velocidade de seus movimentos e foi o que fez.

No entanto, ela continuou balbuciando meias palavras, até que conseguiu falar a frase toda:

- Mais u-um...hum...Sergio...M-mais um...d...edo… - ela apertou a ereção dele por cima da calça.

- Tem certeza? - perguntou, com medo de machucá-la, mas como recebeu um aceno como resposta, fez o que ela pediu e penetrou-a com três dedos.

A onda do orgasmo chegou mais rápido do que ambos gostariam, Raquel gritou e gemeu sem pudor algum. Ali ela estava sendo mulher, uma mulher bastante saciada sexualmente; ela poderia ter tido outro orgasmo apenas ao vê-lo levando os dedos que antes estavam entre suas pernas a boca e chupando-os enquanto olhava intensamente nos olhos dela.

Em um timing perfeito, eles sentiram o veículo para no mesmo instante em que ela sentia-se recuperada de tudo o que havia acontecido ali, naquele banco. E antes que eles pudessem falar algo, a porta é aberta, para que eles saíssem do carro.

Sergio desce apressadamente e espera por Raquel ao lado da porta, ela sai com ajuda dele, que estende a mão para apoiá-la uma vez mais.

Saíram mais uma vez de mãos dadas e andando apressadamente, antes de subir a escadaria de acesso a porta principal da casa, Raquel tira os sapatos, para poder andar mais depressa. Chegam no terceiro andar o mais rápido que podem, trocando algumas carícias no caminho e entram no primeiro quarto que encontram no caminho, no caso o de Sérgio. 

E ali, o desejo os domina completamente e antes mesmo de que pudessem pensar ou falar algo, já estavam na cama. Sem sequer conseguirem afastar seus corpos para conseguirem tirar suas roupas, Raquel tenta abrir desesperadamente o conto de Sérgio, mas os movimentos afoitos de ambos dificultam o processo.

Seu objetivo só é atingido quando em uma rápida investida, ela consegue trocar as posições e ficar por cima dele e no mesmo instante volta sua atenção para as roupas do homem, conseguindo arrancar calça e cueca de uma única vez. Ao ver a ereção do homem pulsando a sua frente, ela sente sua boca salivar, no entanto, antes que pudesse fazer o que mais deseja, ele a coloca debaixo de si outra vez.

Neste momento ele precisa aliviar sua tensão dentro dela, teriam a noite toda para outras modalidades de sexo; mas agora, tudo o que ele mais deseja é poder liberar todo o seu desejo no seu lugar preferido: dentro dela.

Sequer se ocuparam em tirar o vestido dela, ele sentou-se apoiado na cabeceira da cama e ela, imediatamente, acomodou-se com uma perna em cada lado do corpo do homem, guiando seu membro para dentro de si e então começou a movimentar-se.

Movia-se alternadamente, hora subindo e descendo no pau dele e hora movimentando-se para frente e para trás. Enquanto ela rebola em seu membro, ele segurou seu quadril com intensidade, ali ficaria marcado com certeza, mas nesse momento nenhum dos dois estavam se importando com isso.

Chegaram ao orgasmo ao mesmo tempo, gemendo simultaneamente contra a boca um do outro, desesperados e sedentos pelo prazer.

Deitaram-se lado a lado, exaustos de tudo o que havia acontecido durante a noite e ficaram apenas encarando o teto, com sorrisos bobos e satisfeitos estampados em seus respectivos rostos. O confortável silêncio foi quebrado apenas quando Raquel moveu-se outra vez para cima dele e começou a distribuir beijos no seu pescoço, ele entendeu o que ela estava querendo e após soltar um pequeno sorriso suspirado perguntou:

-De novo? - ele pergunta passando as pontas dos dedos pela lateral do corpo dela?

- De novo! - ela respondeu manhosa e iniciando movimentos provocativos em cima dele.

Se amaram e (re)conheceram o corpo um do outro até caírem exaustos no colchão, quando o sol já dava seus primeiros raios para iluminar o dia, que eles não tinham como imaginar, mas seria mais longo do que jamais iriam imaginar.

 


Notas Finais


NÃO DEIXEM A FADA MORRER.


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