História Como (não) juntar o OTP - Capítulo 3


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Bangtan, Bangtan Boys, Bottom!jungkook, Bts, Comedia, Jeongguk, Jikook, Jimin, Jk!bottom, Jungkook, Kpop, K-pop, Lemon, Lgbt, Suga, Yaoi, Yoomin, Yoongi, Yoonkook, Yoonkookmin
Visualizações 849
Palavras 5.494
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção, Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Helloooooooooooooooooo OMG QUANTO TEMPO!

Pra quem me acompanha sabe bem do super hiatus que entrei já tem meses, o culpado por não me fazer atualizar essa bebezinha aqui e todas as outras. Eu não vou me aprofundar muito no motivo do meu hiatus, porque eu acho que hiatus é uma coisa mega pessoal e que não tem necessidade do autor estar falando o tempo todo (principalmente se for alguém que entra em hiatus várias vezes, como eu). Só queria dizer que muita coisa aconteceu nesse meio tempo e eu até mesmo cogitei a ideia de abandonar o site e migrar para outra plataforma, mas eu simplesmente não consigo me desprender daqui. Porque para mim, se não for fazer fanfic no Spirit, não vou fazer em lugar nenhum. É onde eu estou mais familiarizado e também é onde estou mais acostumado, então é, até que eu mude mesmo de ideia, vou continuar postando aqui.

Eu ainda não saí TOTALMENTE do hiatus, estou planejando voltar aos pouquinhos, ir me reacostumando com as postagens, por isso não posso prometer atualizações regulares e rápidas (me desculpem mesmo por isso), mas eu juro que vou tentar trazer o quanto antes!

Terminei esse capítulo agorinha e ainda não revisei, por isso pode ter alguns erros até que eu decida betar, então me perdoem por isso D: Mas espero que curtam e boa leitura, nos vemos nas notas finais!~~

Capítulo 3 - Zero, com a colher de pau


No dia seguinte eu me sentia esquisito em aparecer na escola novamente, de ver Jimin e tentar me convencer de que nada havia acontecido. Mas o que eu poderia fazer? Tínhamos nos beijado e sua mão me masturbou por alguns minutos, eu tinha feito algo terrível e mal havia conseguido dormir de noite com aquele pensamento.

Eu não queria que Yoongi me odiasse, mas também não queria que ele se machucasse caso o Park decidisse fazer aquilo com mais alguém. Eu entendia que Jimin estava confuso e precisava provar de outros para ter certeza de seus sentimentos, mas eu não conseguia aceitar aquela sua ideia como algo certo. O Min poderia acabar se machucando e eu odiaria vê-lo triste.

O pior é que os dois eram da minha turma, então eu não tive escapatória quando entrei na sala e vi o olhar de Jimin sobre mim. Eu sentia o meu rosto queimar em um misto de vergonha e culpa, porque eu realmente não sabia como lidar com todas aquelas memórias do dia anterior da minha cabeça.

E o esquisito foi perceber que, assim como Jimin, Yoongi também me olhava. O seu olhar era sério, na realidade um pouco inexpressivo como quase sempre era, mas ele definitivamente estava olhando para mim. E o meu medo era que tivesse algum pingo de ódio em seus olhos, já que eu tinha quase certeza de que ele já suspeitava do que eu tinha feito ontem. Eu queria me matar apenas pelo pensamento de que Yoongi poderia me considerar como um tipo de inimigo para ele e uma ameaça para o seu relacionamento. Eu só queria conseguir explicar que minha intenção não é me meter entre eles, mas sim ver os dois metendo um no outro.

Felizmente os dois sentavam ao fundo da sala, enquanto eu sentava na frente. Eu não precisaria olhar para eles o tempo todo e me sentir culpado pelos meus erros. Por isso apenas me mantive o tempo inteiro olhando para a frente, tentando ignorar minha batalha interna comigo mesmo.

As aulas que tive até então pareciam não ter fim, o professor de matemática definitivamente me dava nos nervos com suas explicações chatas e mal faladas logo às sete da matina. Eu entendia que dar aula assim tão cedo deveria ser um saco, mas ouvir a sua voz preguiçosa e sua aparência de zumbi por dois períodos inteiros era mais cansativo ainda. Felizmente era nesses momentos de aulas chatas — que eu deveria prestar atenção, mas não presto — que eu tinha meus melhores plots e que até poderia escrever um pouco deles em meu caderno.

Fazia alguns dias que eu não postava nenhuma fanfic nova e nem atualizava as antigas, pra falar a verdade, eu andava com uma preguiça sobre-humana em atualizar as histórias já postadas e eu nem sabia o motivo disso. Cá entre nós, escrever atualizações quase sempre acaba se tornando cansativo hora ou outra. Mas começar uma fanfic nova, ver uma capa nova e bonitinha pronta e postar enquanto observa o feedback que recebe é uma sensação maravilhosa.

Nunca saberia explicar o que é a sensação gostosa de ver que minha fanfic conseguiu cem favoritos somente com o primeiro capítulo, nem sei lidar com os tantos de comentários lindos que recebo. Eu nunca sei como responder meus leitores a altura e isso até faz com que algumas pessoas me chamem de esnobe, mas é que eu nunca vou conseguir expressar com palavras todo o meu amor e gratidão pelos seres humaninhos que me alegram através de comentários. Eu posso não responder na maioria das vezes, mas isso não significa que eu não ame cada palavrinha e, inclusive, sempre destaque os comentários mais bonitos.

E foi escrevendo uma fanfic inspirada em A Pequena Sereia que eu matei os dois períodos inteiros de matemática. Eu até poderia me desculpar aqui e dizer que aprender o valor do lado do cateto oposto da bháskara dividida por quatro mais dois é importante e que todos deveríamos prestar o máximo de atenção, mas a imagem que estava em minha cabeça de Yoongi com cauda de sereia e Jimin como um príncipe rico me parecia muito mais atraente do que qualquer problema matemático passado pelo professor zumbi.

Eu prometi a mim mesmo que depois daqueles períodos ia começar a prestar atenção nas outras matérias, mas nem a professora maravilhosa de História conseguiu me desprender do meu caderninho de escrita. Aquele caderno era como um baú da minha mente e tudo o que eu pensava acabava lá dentro.

Quando a história de Yoongi sereia começou a me cansar, eu apenas me mantive rabiscando qualquer coisa, com a mente totalmente aérea pensando no que meu OTP poderia estar fazendo naquele segundo caso não estivessem presos na mesma sala de aula que eu. Eu sempre me pegava pensando em besteiras quando aqueles dois matavam aula, me perguntava o que tinha de tão divertido em ficar sozinhos na quadra coberta da escola e ficava completamente bobo com a minha imaginação. Seria muito romântica a cena dos dois se beijando escondidos dentro da quadra.

E foi quando olhei para o papel a minha frente que notei o que estava rabiscando, estava fazendo um desenho de Jimin e Yoongi se beijando. Eu não era lá um grande artista, mas os traços que estava fazendo agora para desenhar o rosto de Jimin deixava bem claro que era ele ali.

— É um desenho de nós dois? — eu ouvi a voz um pouco fina dizer ao pé do meu ouvido, fazendo-me pular com o susto, fechando o caderno rapidamente.

— Jimin? O que está fazendo? — perguntei envergonhado, enquanto me virava para frente na tentativa de não cruzar com os seus olhos ao meu lado.

— Saindo da sala… O sinal já tocou. — ele respondeu de maneira simples e então sorriu pequeno. — Estava tão perdido desenhando que nem notou?

Eu comecei a guardar os meus materiais um pouco afobado por ele ter percebido que eu estava tão perdido em meu caderno, que me esqueci completamente do mundo ao meu redor.

— Eu já estava indo guardar o meu material de qualquer jeito. — menti, enquanto tossia fraco para disfarçar.

— Você é um péssimo mentiroso. — disse e então riu baixinho, logo negando com a cabeça. — Do jeito que saiu correndo ontem, cheguei a achar que não gostasse de mim, mas estou mais tranquilo agora que vi você me desenhando.

— Do que está falando? Não era você! — respondi nervoso e então coloquei a mochila em minhas costas. — Eu tenho que ir, o clube está me esperando.

E então eu saí tão apressadamente quanto no dia anterior, andando em passos rápidos até a sala de limpeza, onde outros perdedores do clube estariam se preparando com seus esfregões e vassouras para mais uma tarde nada limpa e cheirosa ao redor da escola.

Naquele momento, a única coisa que eu queria fazer era me esconder em algum canto para esfriar a minha cabeça e escrever alguma fanfic. Mas naquele momento, com todas aquelas imagens do dia anterior na minha cabeça e com o meu peito batendo de forma estranha ao lembrar de Park Jimin, eu não conseguia idealizar nenhum plot.

Não conseguia plotar coisa alguma porque tudo que vinha em minha mente me incluía e isso era horrível. Deixe-me ensinar para vocês, crianças, que self inserction é uma bosta, ninguém gosta de ler o próprio autor da fanfic dentro dela, até porque se os Yoonmin shippers entram na minha conta, é para ler Yoonmin e não algo que me inclua. Eu sou o Zero, afinal.

Zero na sorte.

Zero nos romances.

Zero nos estudos.

Zero no zero.

E as vezes isso me deixava para baixo, mesmo que eu tentasse me convencer a todo momento de que ser o Zero é ser eu, às vezes era ruim. Eu não ligava se as pessoas não gostassem de mim e que eu só tivesse um amigo e o Namjoon. Não ligava se se afastavam de mim por medo do meu azar ou se eu ficasse sempre sozinho nos trabalhos em grupo. Mas eu ligava se alguém que eu não queria romanticamente até então aparecesse, me beijasse e fizesse o meu coração bater um pouco mais rápido.

Não me entenda mal, eu não estava apaixonado por Park Jimin ou algo do gênero, até porque ele nem fazia o meu tipo. Mas é que foi uma das primeiras vezes que alguém me beijou sem ter medo de nada. Na última vez que eu tinha beijado um garoto, estávamos na sacada da casa dele e ele caiu sem querer do terceiro andar. Hoje ele está bem, mas teve que passar uns três meses de cadeira de rodas.

— Está triste? — ouvi a voz pouco rouca soar baixa.

Eu estava sentado em um banco qualquer do pátio da escola, tinha fugido do clube de limpadores de privada há alguns minutos e agora estava apenas lá, olhando para o nada enquanto estava pensativo. Ou perdido, eu diria, completamente perdido na complexidade da minha própria mente.

Levantei a cabeça para olhar a figura de quem me direcionava a voz e quase tive um mini infarto no joelho esquerdo ao perceber que era Min Yoongi ali, parado na minha frente. Ele estava usando o avental de cozinha e tinha uma colher de pau enorme em suas mãos. Okay, talvez eu pareça uma criança da quinta série que recém aprender a falar a palavra “punheta” pensando nisso, mas… Eu não conseguia ignorar a malícia infantil que rondava a minha mente com aquela colher de pau maior que a perna do kid bengala.

— Yoongi? O que está fazendo aqui? — perguntei confuso enquanto arqueava minhas sobrancelhas.

Mas foi então que eu senti um frio enorme percorrer pela minha barriga e uma vontade absurda de correr dali também me atingiu. E se ele estivesse ali por que queria me bater? Se ele tivesse descoberto que Jimin e eu nos beijamos e quisesse se vingar por eu ter me aproveitado do amor da vida dele?

— Eu estava indo buscar essa colher de pau que emprestei para a senhora da cantina mais cedo. — ele explicou sorrindo pequeno. — Aí eu vi você aqui pensativo e aparentemente tristinho e vim ver o que aconteceu… É fome? Quer provar o prato que eu estou preparando?

Ele ia me matar envenenado. Era isso. Ah, aquele sorrisinho não me enganava por nada, ele estava me atraindo para a toca da cobra, fingindo ser legal para dar o bote depois. Eu sabia que era isso, porque eu tinha beijado Jimin.

— Eu tô de dieta. — falei um pouco curto e então abaixei o olhar, desviando do dele.

— Então por que está triste? — ele tornou a perguntar.

— Eu não tô triste! Só… Confuso. — respondi baixinho.

— Ah, eu também estou… — ele continuou, fazendo-me olhá-lo mais uma vez. — Desde de ontem eu estou muito confuso, meu coração está estranho e eu não sei o que fazer.

Okay, aquilo tinha feito todos os meus pensamentos negativos se dissiparem, porque eu logo de cara entendi o que ele estava querendo dizer. Ele estava confuso por ter se apaixonado por Park Jimin e eu estava com um pouco de vontade de surtar agora.

E não me importaria mais se morresse envenenado, eu apenas queria ver ele falando, de uma vez por todas, sobre seus sentimentos por Jimin. Ficava internamente eufórico apenas de imaginar que meu OTP estava finalmente se tornando realidade e mesmo que, como em todas as fanfics, tivesse uma puta atrapalhando os dois na história — essa puta, no caso, sou eu —, ainda assim estava tendo a máxima certeza de que o meu OTP iria oficializar.

— O que você estava cozinhando? — eu perguntei um pouco acanhado e então pude o ver sorrir extremamente largo.

— Ah, é Bulgogi marinado no mel! — ele disse animado. — É comum, eu sei, mas é que eu consegui mel original, tirado direto da colmeia e estava louco para experimentar.

— Eu não gosto muito de mel. — contei.

— Ah, mas nem dá gosto de mel! A carne só fica bem mais cremosa e docinha, ao mesmo tempo que fica salgada e suculenta. Você vai gostar, eu juro!

Eu nunca tinha visto Min Yoongi tão animado ou simpático na minha vida e admito que até era meio estranho (e me fazia reforçar a teoria do veneno), mas ele estava tão incrivelmente fofo daquele jeito alegre que eu realmente não poderia negar o seu convite, até porque eu queria poder arrancar dele a informação a respeito do meu lindíssimo Yoonmin.

Não consegui tirar essa informação de Jimin no dia anterior porque estava ocupado fugindo dele, mas agora com Yoongi eu acho que eu realmente conseguiria saber das coisas e ter a certeza de que a poção realmente funcionou e que agora os dois se amam.

No fim, eu acabei aceitando a proposta de Yoongi e fui junto a ele até a sala do clube de culinária. Como sempre, não tinha ninguém lá, porque o Min era o único que verdadeiramente frequentava aquele espaço todos os dias. Os outros cozinheiros apenas se matriculavam para aparecer de vez em quando e receber nota.

Mas ele incrivelmente levava aquilo a sério demais e grande parte de mim acreditava que aquilo era extremamente gracioso. Yoongi era gracioso de várias formas e eu conseguia notar isso muito bem mesmo por debaixo de todo aquele disfarce dele de cara frio.

E vê-lo cozinhar era, definitivamente, umas das coisas mais incríveis de se ver. Mesmo que ele recém tenha colocado seu avental e esteja apenas cortando a carne em cima do balcão, eu já conseguia perceber a concentração dele para fazer aquilo. O Min realmente amava cozinhar e eu, bem, eu amava comer, então seu Bulgogi me cairia bem mesmo envenenado com puro ódio.

— Você já sentiu como se algo no seu peito não estivesse certo? — ele me perguntou e eu quase senti meu coração sair pela boca.

ALGO. NO. PEITO. DELE. NÃO. ESTAVA. CERTO.

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

COM TODA CERTEZA ELE ESTAVA FALANDO SOBRE AMAR PARK JIMIN. MEU YOONMIN É CANON!!!!!!1!!!!!ONZE!!!!!

— Já… — respondi calmo, fazendo a egípcia e fingindo que nem estava agonizando internamente pelo OTP.

— Ah, sério? — ele perguntou surpreso, com mais animação do que eu esperava e se virou para olhar para mim por alguns segundos. — Sério mesmo? Quando? Por quem?

— Ah… Não é como se eu nunca tivesse me apaixonado antes, sabe… — falei um pouco acanhado, mesmo sem entender. — Às vezes meu coração se sentia estranho por perceber que tinha me apaixonado por uma pessoa que jamais imaginaria poder gostar.

— Isso! — ele respondeu como se eu tivesse sido lindíssimo falei tudo. — É mais esquisito ainda quando esse sentimento vem de uma hora para a outra, pela pessoa mais impensável do mundo.

— Você está apaixonado agora? — indaguei curioso, esperando uma resposta que me dissesse sonoramente um “QUERO QUE PARK JIMIN ME COMA”.

— Incrivelmente… Eu acho que sim. — ele respondeu com um sorriso bobo, que acabou sendo retribuído por mim.

Porque qual é, quem é que não fica bobo ao ver a interação dos shipps? Tudo bem que eles não estavam tecnicamente interagindo agora, mas eu tenho a certeza absoluta de que você surtaria por oitenta e quatro horas se visse seu ídolo dizer que está apaixonado pelo outro que compõe o seu OTP. Ver que meu shipp estava apaixonado era muito mais gratificante para mim do que eu mesmo estar apaixonado por alguém.

A vida é assim, alguns nascem para shippar e outros nascem para serem shippados. E eu nasci como o shipper 0# Stan — porque o zero vem antes do um e, bem, eu sou o Zero — de Yoonmin e ninguém jamais poderia dizer o contrário.

A mão da fanfic chegava a coçar para correr de volta para casa e escrever uma Oneshot enorme de uns 15K de lemon com pegação Yoonmin hard. Se eu escrevesse, quantos favoritos será que pegaria? Eu tinha que bolar um plot incrível para postar a comemoração de namoro oficial do meu shipp. Já estava prevendo o site inteiro entrando na mais pura loucura e euforia, os fogos de artifícios sairiam estourando para todos os lados, confetes iam ser jogados no céu e todo o mundo ia sambar em extrema alegria.

Eu não via a hora de poder presenciar o momento que veria os dois oficialmente agarradinhos, andando por aí de mãozinhas dadas como dois pombinhos apaixonados, como de fato eram — no caso apaixonados, não pombos. Pombos são meio chatos. Eu até mesmo previa o flood de fotinhos de casal dos dois no Instagram e eu curtindo tudo e surtando em 8799398 comentários diferentes em todas as línguas disponíveis no Google Tradutor.

Só que, assim como Jimin, Yoongi não estava indo direto ao assunto. Agora ele estava de novo colocando toda a sua concentração na preparação da comida a sua frente, o que eu nem poderia reclamar tanto já que o cheiro maravilhoso daquilo voava como um anjo pela sala e acariciava meu nariz como se masturbasse minhas papilas gustativas, fazendo com que elas gritassem mudamente um “isso senpai, vai… aaaahhn bem assim, isso… espalha esse cheirinho de cebola frita, vai… hmmm, essa carne deliciosa fritando, senpai…”.

— O que você acha do Jimin? — perguntei de maneira direta, percebendo que ele pareceu ter travado por alguns segundos, logo virando levemente seu rosto em minha direção e me olhando esquisito. — O que foi?

— O que… Você quer saber? — ele indagou um pouco nervoso e isso me deixou ainda mais confuso.

NERVOSISMO DE TOCAR NO ASSUNTO DO CRUSH, CERTO!!!

— Ah, eu só queria saber sobre a relação de vocês, sabe… Vocês parecem bastante próximos.

— Somos melhores amigos. — ele respondeu um pouco sem jeito, sorrindo fraco logo em seguida. — Ele te incomoda muito? Digo, ele te chama de Zero que nem todo mundo e acho que talvez isso possa te ofender um pouco.

— Nah, eu sou fã de Vampire Knight, quando me chamam de Zero eu só consigo me imaginar como um vampiro gostosão de cabelo platinado. — respondi com humor, percebendo ele desligar o fogo logo em seguida e então se virar totalmente para mim, me olhando estranhamente surpreso demais. — O que foi? Não gosta de otaku?

— Meu Deus, você conhece Vampire Knight! — ele quase gritou como uma fangirl, se aproximando mais de mim e segurando em ambas as minhas mãos, completamente animado. — É meu anime favorito! Nossa, eu não fazia ideia de que você gostava de animes, por que nunca me falou?

— … Bem… Deve ser porque… A gente não conversa…

— Ah, é… — ele comentou sem jeito, soltando minhas mãos e coçando sua nuca levemente. — Vamos conversar mais, então! Eu nunca consigo conhecer nenhum fã de Vampire Knight, porque eu tenho vergonha de contar para os outros que gosto de animes. Você sabe, todo mundo tem um preconceito horroroso com os otakus.

— Não sei não, eu sofro preconceito com todas as outras coisas também, então o de gostar de animes nunca me afetou tanto.

— Deve ser bastante ruim para você, né? — agora seu tom pareceu um pouco mais triste, se virando e indo até a panela novamente. — Como você consegue? Tipo, se as pessoas falam mal de mim só um pouquinho eu já me sinto péssimo.

— Ah, meu melhor amigo é uma pessoa maravilhosa que cobre todos os buracos em mim. Ele me apoia sempre e me incentiva em tudo o que eu faço, além de sempre me dar sermão quando me meto em furada. Além disso, eu também tenho leitores muito fiéis que sempre estão me dando apoio de alguma forma. — contava com entusiasmo nos olhos, mostrando para ele que não era tão difícil assim lidar com os problemas.

Na verdade, lidar com os problemas poderia ser difícil se você não estivesse verdadeiramente preparado para isso. Teve época que eu chorei sim, que eu achei que quisesse morrer sim e que pensava que era tão inútil quanto latido de pinscher surdo. Cá entre nós, acho que todos já tivemos nossos momentos de tristeza extrema, porque ninguém é de ferro e a vida não é um morango, mas acredito eu que a maneira mais fácil de saber lidar com a vida é justamente enfrentar ela e amar a si mesmo. Amar a si mesmo é o maior remédio que existe no mundo inteiro.

Claro que ter depressão é algo complicado, embora eu ache que os momentos de tristeza que tive no passado não se tratavam dessa doença — ter crises depressivas e ter depressão são coisas completamente diferentes. Mas, naquela época, Taehyung me disse uma vez algo que até hoje levo comigo como uma verdade que, mesmo que boba de entender, fazia muito sentido.

Meu melhor amigo costumava dizer que a vida é como aquelas mães chatas que ficam obrigando seus filhos a comer a salada no almoço. A salada é ruim, as crianças não gostam e não querem comer, mas mesmo assim a mãe insiste em servir porque sabe que faz bem. A salada são os problemas, os desafios e as desavenças. Ela vem ruim, com gosto forte de vinagre e totalmente desgostosa, mas no fim é daquela saladinha que seu corpo — e no caso dos problemas, a sua vida — precisa para melhorar.

E a morte pode te livrar da salada, mas nunca te deixará ver no fim o quão bem ela fez para você.

Lembro que quando ele me contou sobre isso na primeira vez eu não entendi muito bem, até porque eu curto uma saladinha, mas depois de tanto refletir sobre ficou claro para mim o que ele queria dizer. A vida trás problemas, mas você consegue passar por todos eles sem sombra de dúvidas e, no final, você vai perceber o quanto aquilo te fez crescer e o quanto você melhorou.

— Leitores? — Yoongi indagou confuso, me tirando dos meus pensamentos filosóficos e me fazendo perceber a merda que tinha feito: falei dos leitores. — Ei, você escreve fanfics!? É isso, né? Poxa, que legal eu posso ler?

— Não! — respondi tão rápido e alto que até eu mesmo me assustei, me fazendo olhar para ele um pouco surpreso, balançando minhas mãos desajeitadamente frente ao meu rosto, totalmente constrangido. — Me desculpe, me desculpe… Meu Deus, eu não queria gritar…

Se fosse Jimin ali ele provavelmente gritaria de volta e me daria um cascudo por gritar com ele, porque eu tinha a máxima certeza de que ele fazia esse tipinho. Mas Yoongi não fez isso, na verdade ele apenas riu, com seus sorriso bonitinho que deixava suas gengivas rosadinhas à mostra, fazendo uma expressão divertida que até me deixou confuso. Por que ele estava rindo, afinal? Eu fui mal educado, não disse nada engraçado.

— Meu Deus, já entendi! Você escreve histórias eróticas, né? — ele perguntou divertido e eu sinceramente não sabia onde enfiava a minha cara, porque eu nem conseguia negar isso. É, eu escrevia pornozão mesmo e tenho certeza que ele não riria nem um pouco se soubesse que era sobre ele. — Ahhh, agora sim eu fiquei ainda mais curioso! — ele disse com um pequeno biquinho nos lábios. Chantagista do caralho.

— Eu não vou te mostrar, não insiste seu escroto.

Mas então o biquinho chantagista dele mudou para um biquinho de verdade e seus olhinhos pequenos pareceram ter caído um pouquinho, enquanto ele se virava para ir até a panela de novo, em completo silêncio dessa vez. Ele realmente tinha ficado triste porque eu chamei ele de escroto? Ahhhhh que nenezinho precioso é esse, meu Jesus Cristo? Não acredito que estou apaixonado por um Min Yoongi tristinho!

E antes que eu pudesse falar qualquer coisa ou surtar de amores, eu percebi que ele se virou de novo, mas dessa vez com dois pratos em mãos. E nesses pratos estava servido seu maravilhosíssimo bulgogi que cheirava tão bem que eu quase babei só de pensar. Quando foi que ele arrumou um prato tão bonito assim? Porque o jeito que ele ajeitou parecia algo recém saído do master chef, bem digno de Min Yoongi mesmo.

— Uau, parece delicioso! — falei entusiasmado com aquilo, louco para comer de uma vez e ele apenas assentiu fraco, colocando um dos pratos a minha frente e então me alcançando um par de jeotgaraks logo em seguida, se sentando ao meu lado para comer também. — Espera, você tá mesmo triste por eu ter te chamado daquilo?

— Eu não sou um escroto, poxa… — ele comentou cabisbaixo e eu só faltei derreter de amores.

— Meu Deus, desde quando você é tão bebê assim? — soltei totalmente sem pensar, mas nem liguei porque era verdade mesmo. — Eu tava brincando, desculpa, você não é um escroto.

— Eu sou o que, então? — ele perguntou em um tom um pouco tímido, arrumando os pauzinhos em seus dedos para provar da sua própria comida logo. — O que você acha de mim?

Eu não sabia se ele era muito bebê assim sempre ou se ele realmente odiava ser chamado de escroto. Mas de qualquer jeito que fosse, era agora que eu percebia o quão sensível Yoongi é. E isso é até meio engraçado, porque ele tem uma cara séria e totalmente carrancuda, quase que inexpressivo na maior parte do tempo e se encarar demais dá até um pouquinho de medo. Tenho certeza de que quem vê de longe acha que ele é um iceberg enorme e sem sentimentos, mas olhando de pertinho dava para ver direitinho o quão amorzinho ele é. Estranhamente de se pensar, Yoongi fazia mais o meu tipo do que Jimin.

Yoongi e Jimin eram o completo oposto um do outro, o que me fazia ter dúvidas de como aquela amizade entre eles funcionava. Mas bem, é o que dizem: os opostos se atraem. E porra, eles se atraíam muito, tipo aqueles ímãs gigantes e impossíveis de desgrudar. Felizmente meu OTP era o mais perfeito e futuramente canon que o mundo todinho já viu, sem a mínima sombra de dúvidas.

— De você? — repeti retoricamente, pensando um pouco. — Eu te acho legal.

— Legal? Só isso?

— Não, tipo… Eu não sei bem o que falar, mas eu acho que você é um cara muito legal. Aquele tipo de cara legal que é gentil e amável, que faz bem aos animais, cria uma plantinha chamada Charles e ouve jazz. — contei um pouco avoado, pegando a primeira tira da carne que já estava cortada. — Você é bonito também, acho que é bem aquele tipinho boyfriend material tumblr, sabe?

— Boyf-o quê?

— Ah, significa que você é aquele tipinho de namorado perfeito.

— Sério? — ele perguntou surpreso e acabou soltando um pequeno sorriso tímido, bastante fofo. — É bom saber que você pensa assim.

— É? Por quê? A minha opinião não costuma ser algo que as pessoas liguem muito, para falar a verdade.

— Eu ligo. — rebateu, apoiando sua cabeça em sua mão, que estava repousada na mesa pelo cotovelo. — Me diga se está gostoso.

Assenti levemente e então finalmente levei o bulgogi até a minha boca, enfiando a tira inteira de uma vez só e arregalando meus olhos na primeira mordida, sentindo que a qualquer momento eles saltariam para fora e sairiam voando pelo espaço ao som de Shooting Stars. Porque puta merda, que tipo de divindade greco romana egípcia celestial em forma de comida era aquela?

Eu jamais conseguiria explicar o gosto maravilhoso que aquilo tinha, sendo sem dúvida alguma a comida mais deliciosa que eu já comi em toda a minha vida. Tipo, sério, era tão gostoso que eu queria chorar de emoção. A cara já estava linda, mas eu nunca imaginaria que o gosto conseguisse ser ainda melhor. Eu tô tão chocado que tô sentindo vontade de sequestrar Yoongi, amarrá-lo da minha cozinha e obrigar ele a me cozinhar aquilo todos os dias até o fim da minha existência.

— Meu Jeová, isso tá muito gostoso! — eu disse como uma criança feliz, pegando mais da carne e enfiando logo em minha boca. — Minha nossa, como você consegue cozinhar tão bem assim? Eu nunca comi nada tão delicioso quanto isso, eu tô apaixonado!

— Eu também. — ele comentou baixinho. — Por você.

Engasguei.

Não, sério, eu engasguei mesmo. A carne maravilhosa pareceu ter abraçado lindamente minha garganta no exato momento em que ele disse aquilo, me fazendo começar a tossir descontroladamente enquanto sentia que aquilo ia me matar. E eu não sabia se tinha engasgado mesmo pela surpresa de ouvir as palavras dele, ou porque eu só sou azarado para caralho mesmo.

Ele pareceu extremamente preocupado, já que logo se levantou e foi até minhas costas, me abraçando por trás e apertando meu corpo, rapidamente tentando fazer com que eu desengasgasse. E ele fez aquilo até que eu visse o pedaço de carne inteiro voar para fora da minha boca, como uma mini bola de canhão, acertando um potinho pequeno de pimenta e fazendo ele cair inteiro no chão, quebrando o vidrinho e espalhando o pó para todo o lado.

Meu Deus, como eu sou sexy.

— Você está bem? — ele perguntou segurando em meu queixo, me fazendo levantar o olhar para que eu visse toda a sua preocupação. — Eu te assustei tanto assim? Você tem que mastigar melhor.

Ele se afastou e foi até o balcão da sala, pegando um copo e logo enchendo ele de água gelada, me trazendo rapidamente para que eu bebesse. Eu o peguei um pouco afobado, tomando tudo de uma vez, completamente desesperado por ter quase morrido com uma declaração repentina e um pedaço de comida-paraíso.

— Eu… — tentei começar a falar, sentindo minha voz um pouco esquisita obviamente por ter me engasgado há segundos atrás. — Me desculpe pela pimenta, eu…

— Tudo bem, não é nada. Logo alguém do clube da limpeza vai vir e resolver isso.

— Yoongi, o clube da limpeza sou eu.

— a

Neguei fraco com a cabeça, incrédulo com o que havia acabado de acontecer e acabei começando a passar minha mão nervosamente pelo meu cabelo. Não ia fugir daquele assunto, porque eu não conseguia. O que ele queria dizer com aquilo? Me cantando desse jeito do nada, só pode estar tirando onda com a minha cara.

— Não faça mais essas brincadeiras, você me assustou de verdade. — falei rindo sem graça, largando o copo agora vazio em cima da mesa.

— Me desculpe… Mas eu não estava brincando. — ele respondeu de imediato, pegando uma de minhas mãos e segurando frente a si. — Eu realmente gosto de você, Jeongguk. Eu sei que isso parece louco, porque a gente nem se fala direito, mas hoje te olhando eu percebi que meu coração bate muito acelerado quando te vê. Eu nunca senti algo assim por ninguém antes, eu nem consigo me segurar e guardar isso para mim, eu realmente estou apaixonado demais e eu também sei que é repentino e pode te assustar, mas… Eu não consigo esconder esses sentimentos.

— Espera, você está me dizendo que…

— Eu quero namorar com você, Jeongguk. Eu quero cuidar de você, fazer bulgogi e estar do seu lado.

— Mas e o Jimin?

— Anh? — ele fez uma expressão bastante interrogativa, virando a cabeça para o lado minimamente quase como um cachorrinho. — Você… Gosta do Jimin?

— Quê!? Não! Era pra você gostar dele, não de mim! — eu dizia totalmente sem entender aquela situação, mais perdido que Kim Taehyung em balada hetero.

— Como assim? Eu não gosto do Jimin, ele é só meu amigo. Eu gosto de você, Jeon, eu gosto de verdade!

Okay, eu não sabia em que caralhos de situação havia me enfiado, porque aquilo estava confuso demais para minha pequena mente burra compreender. Eu tinha dado aquela poção para os dois esquisitões, eu não fazia parte dela, então por que cargas d’água Yoongi estava apaixonado por mim? Aquilo não fazia sentido algum, só faria sentido se…

Espera aí…

Jimin tinha me beijado ontem, ele realmente tinha me beijado e tentado me dar uns pegas violentos quando saímos juntos. Ele não tinha me falado de Yoongi em momento algum e tinha apenas me chamado para sair. E agora o Min estava se declarando para mim de verdade e eu finalmente estava conseguindo juntar as peças.

Me levantei tão rápido quanto o Flash com pressa, chegando até a assustar um pouco o cozinheiro a minha frente, desprendendo minha mão da dele. Eu não queria ser rude com ele, mas eu precisava procurar Namjoon e tirar satisfações do que caralho estava acontecendo.

— Me desculpe, eu tenho que ir. — falei indo ligeiro até a porta de saída.

— Você não gosta de mim? — ele perguntou visivelmente triste e eu quase senti meu coração ser esmagado por isso.

— Não, não é isso. Eu só preciso… Pensar. É, pensar. Eu não quero tomar nenhuma medida precipitada. — respondi e o vi assentir de leve.

Não esperei mais e saí da cozinha logo, pegando meu celular em meu bolso e discando rapidamente os números de Namjoon — mentira, eu não sou tão foda assim para decorar o número dele, eu só procurei pelo nome nos contatos mesmo — e então o liguei.

Aquele idiota ia me pagar porque, ao que tudo indicava, meu OTP nunca seria real porque a porra da poção deu ERRADO. Eu era a droga da puta da fanfic que aparecia para atrapalhar o casal principal e eu não ia aceitar isso de jeito nenhum.

De jeito nenhum que os dois tinham se apaixonado por mim! EU NÃO SOU A PUTA!


 


Notas Finais


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O que acharam do capítulo? Comentem aqui embaixo para eu saber das opiniões, críticas e sugestões de vocês :B Também não esqueçam de adicionar aos favoritos se quiserem e de me seguir para saber quando sair um capítulo ou fanfic nova para vocês. Beijinhos no pulmão esquerdo e até o próximo capítulo! <3


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