História Como não namorar Lust - Capítulo 7


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Categorias Undertale
Personagens Papyrus, Sans, W. D. Gaster
Tags Cherryberry, Colegial, Crossdream, Crossnight, Dustberry, Dustlust, Dustxlust, Edgexlust, Errink, Fellcest, Fontcest, Honeymustard, Kustard, Lustxhorror, Nightdream, Redxlust, Sansxlust, Swapcest, Yaoi
Visualizações 254
Palavras 12.705
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Esporte, Famí­lia, Festa, Ficção Adolescente, Fluffy, Hentai, Lemon, LGBT, Magia, Mistério, Musical (Songfic), Policial, Romance e Novela, Saga, Slash, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Espero que aproveitem =D

Capítulo 7 - Fim dos Jogos?


Precisava fazer aquilo, urgentemente, precisava do seu refúgio, havia prometido a Carrot não fazê-lo mais, porém... Não dava, infelizmente não dava! Tinha de fazer aquilo rápido antes de qualquer outra coisa! A dor era grande demais e sua ALMA parecia se romper, se rachar a cada passo da correria, se não fizesse aquilo logo, sentia que poderia morrer!

Red corria desesperado rumo ao primeiro andar, utilizando-se de todos os atalhos que não incluíam um cruzamento com o elevador nem com as escadas, apenas os corredores mesmo. As pálpebras cerradas numa tentativa de conterem as lágrimas – as odiava, fazia-o sentir mais fraco do que já era – não atrapalhavam o percurso visto que ele conhecia especificamente cada canto daquela escola, e o mesmo valia para os obstáculos ao longo dos corredores: desde latas de lixo, armários extras e bancas de clubes. Mas nem tal conhecimento complexo impediu que seu corpo choca-se brutalmente contra outro, o impacto sendo tão forte que o levara ao chão, mas a adrenalina não o permitiu ficar parado e em segundos estava de pé pronto para voltar a correr na direção do seu refugio, mas por sorte duas mãos relativamente fortes seguraram seus ombros o impedindo de terminar o caminho da autodestruição.

A corrida era uma manifestação de dor, quando foi impedido de correr, o sentimento se manifestou nas lágrimas, passando a escorrerem sincronicamente com a tremedeira corporal. O maior dos delinquentes olhou para a mão em seu ombro direito e viu que Nightmare o segurava, em porte de uma feição preocupada; olhou para a mão em seu ombro esquerdo e viu que Cross o segurava, em porte de uma feição determinada de arrepiar. Meio que automaticamente tentou livrar-se do aperto que o inibia de fugir; ainda com os olhos e a mente desconexa da realidade presa na loucura desencadeada pela dor, sem sucesso, havia ficado fraco de repente.

— Red! — Cross gritou sem pudor com a preocupação fraternal pingando nas palavras tamanha intensidade presente nelas, tal preocupação conseguindo acordar o maior dos delinquentes por alguns segundos. — Escuta cara, você vai conseguir sair dessa! — Cross continuou a exclamar utilizando seu timbre de “amigo estou aqui” já ciente de que Red estava tendo um ataque de pânico.

— É cara, você é nossa inspiração. Você já conseguiu se livrar disso várias vezes. — Nightmare se juntou a ajuda, sensibilizado e quase perplexo com o estado atual do chefe, principalmente com as lágrimas que este soltava tão desesperadamente junto a tremedeira, fazia tempo que não o via ter outro ataque daqueles. — O que será que aconteceu desta vez? — Indagou-se antes focar-se inteiramente em ajudar o comparsa. — Não deixa essa porra te vencer, tu é ou não é o cara mais durão da porra toda, hein? Vamos lá Red. Olha, inspira, expira, inspira... — Corou quando sentiu o olhar de Cross em si.

Red ouvia vozes ao longe soando como um eco, vozes familiares que despertaram um alivio ensurdecedor em sua ALMA, graças a elas de repente conseguia nadar contra o mar de dor que insistia em afunda-lo e sufoca-lo até morte. As obedeceu sem pestanejar: inspirou e expirou no ritmo que elas ordenavam, devagar e com uma calma que não reconhecia ser capaz de possuir. A ALMA acelerou novamente, a dor insuportável, dilacerante e quase suicida estava indo embora aos poucos, dando lugar a dor costumeira que era mais suportável. Mas apesar disso ainda via a imagem de seu irmão e aquela puta manca se pegando diante dos seus olhos, porém, conseguiu construir um muro para que a dor daquilo não se espalhasse. Porém, essa só questão de tempo para o muro despencar.

— Pega um pouco d’agua pra ele. — Cross pediu para Nightmare, segurando os ombros do chefe com ambas as mãos, impedindo que ele caísse – de repente ele parecia mais frágil fisicamente.

— Eu acho melhor não. — Nightmare sussurrou de canto esfregando os dedos, quando recebeu um olhar interrogativo do parceiro, tratou de responder. — Você sabe, hoje foi aniversário de dez anos de amizade do Dust e do Horror, e eles meio que comemoraram usando a caixa d’agua. — Explicou em partes como o próprio Horror havia lhe explicado, e mesmo que soasse confuso, do jeito que o de crânio rachado havia sorrido, era melhor ficar longe d’agua durante os próximos dias. — Mas eu tenho Toddy. — Tirou uma caixinha de chocolate sabe-se-lá-de-onde, ou melhor, não-queira-saber-de-onde e deu-a Cross.

— Ótimo. Pega ai Red. — Deu a caixa ao chefe, aliviando-se profundamente ao vê-lo mais calmo e já não tão tremulo e desesperado como antes, assistiu em silencio o maior dos delinquentes segurando num aperto firme aquela caixa de chocolate liquido e colocando o canudinho na boca, sugando tudo de uma vez. Soltou-o quando teve certeza de que ele não voltaria a correr.

Enquanto bebia o Toddy, Red ergueu os olhos escarlates com o brilho do agradecimento faiscando de tão intenso – visto que estava sem forças para falar, ainda sentia-se levemente desconexo e parecia que havia se esquecido de como falar – tinha tirado muita, mais muita sorte em ter aqueles dois patetas como amigos e de ter encontrado justo eles naquele corredor infinito, logo aqueles dois que nunca perguntavam nada ou ficavam no seu pé para revelar seus sentimentos ocultos, ao contrário dos demais membros da Tropa da Merda, Cross e Nightmare respeitavam seu espaço, isso sem contar que os dois eram excelentes alunos – num ponto de só serem considerado delinquentes por andarem com ele – se sentiu terrivelmente inferior por alguns segundos, mas deixou isso atrás do muro.

Porém, de repente, quando outra parcela de dor desapareceu o dando mais espaço na realidade, estreitou os olhos sentindo a ALMA apertar de novo, mesmo naquele momento de paz algo parecia ser o impasse para o caos, e esse impasse era a falta da presença de alguém.

— Onde está Dream? — Red indagou com a voz ainda baixa, mas clara. Era estranho ver Nightmare e Cross sozinhos por ai, normalmente era Nightmare, Cross e Dream, o trio mais desorganizado da historia do bonde, e arrumando seu raciocínio anterior, Dream também se encaixava nos membros perfeitinhos da Tropa da Merda, mas por que os três não estavam reunidos? Esperava uma resposta boa, pois Red conhecia um lado de Dream que nem mesmo Nightmare, seu gêmeo, conhecia. Teve sua resposta quando os dois patetas desviaram o olhar com expressões hesitantes. Deu um tapa na própria face recuperando sua postura estressada e irritada de sempre, aqueles dois estavam de brincadeira. — Onde está o Dream caralho? — Perguntou novamente com a irritação presente na voz e se tornando o principal elemento da própria expressão facial, ainda bem que o Toddy havia acabado porque do jeito que amassou a embalagem se tivesse algo ali dentro teria saído para fora; melando todo mundo como outra coisa costumava melar.

— Não sabemos. — Nightmare e Cross responderam em coro.

— Na verdade, estávamos procurando ele, até que nos distraímos com algumas coisas e... — Cross começou a falar, mas a voz foi morrendo aos poucos e um rubor tomando conta das bochechas.

— Vocês se distraíram com que caralhos? — Red perguntou estreitando os olhos ainda mais. Conhecia muito bem o histórico de amizade daqueles dois patetas, sabia o que eles andavam insinuando por ai, porém queria que fossem apenas insinuações, queria que nada estivesse realmente rolando, mas foi só dar uma espiada no pescoço de Cross e enxergar ali uma marca roxa bem disfarçada por trás do cachecol. — Ah! Meu Asgore! — Exclamou cobrindo os olhos com as mãos, deixando nítido que havia entendido tudo.

— Não é o que você tá pensando Red. — Nightmare recrutou recebendo um soco no ombro de Cross, havia entregado os dois, tentou se salvar novamente. — Seja lá o que você estiver pensando... — Olhou para o de roupas monocromáticas e o viu estapear a própria face, é, tinha estragado tudo, mas e dai? Não tinha problema eles saírem dando uns pegas por ai? O chefe e Carrot faziam isso o tempo todo! — O importante é que não encontramos o meu irmão. — Cruzou os braços tentando voltar com o assunto principal, tentativa falha de contornar a situação.

Ah, Dream, agora Nightmare conseguiu foder tudo de vez na mais particular e oculta percepção de Red ao cita-lo, agora o chefe do bonde compreendia o porquê do sumiço da estrela da Tropa da Merda.

— Não estou reclamando do fato de vocês ficarem se fornincando por ai, eu faço isso também, mas sejam cuidadosos. — Red alertou ainda sem forças para encarar aqueles patetas, a afirmação tendo duplo sentido – mas infelizmente, Nightmare e Cross jamais entenderiam o outro sentido. Quando os dois soltaram um “certo” eu confirmação, sentiu forte para olha-los. — Que seja, eu sei onde o Dream esta, deixa ele comigo... — Terminou a frase num sussurro ameno passando a encarar a embalagem do Toddy que posteriormente entregou nas mãos de Cross, antes de bater em seus ombros e andar para fora dali, segurando-se para não dar uma lição de moral no maldito Nightmare, a vontade de dizer a ele “cuida da porra do seu irmão antes de cuidar do próprio umbigo, seu egoísta filho da puta” era grande.

— Red. — Nightmare o chamou, mal esperou o chamado se virar. — Quando o achar, fala que eu tenho que conversar sério com ele. — Recebeu como resposta um aceno antes do maior dos delinquentes ir embora de vez. O impuro observou por alguns segundos a silhueta do chefe se afastando dos dois, mais que ninguém sabia que Dream tinha algum problema, e que Red sabia que problema era esse, às vezes perguntava-se como Red conhecia Dream melhor que ele próprio que ainda era seu irmão gêmeo! Argh, por que tinha de sentir ciúmes? Estava há muito tempo bloqueando essa merda de sentimento errado e agora ele volta para atormentar a ALMA. Sorte que sempre podia contar com Cross para encobrir isso. — Cross, bora continuar com nossos pegas? — Sugeriu fazendo biquinho, mesmo não compreendendo como esqueletos faziam biquinhos.

— Só se for agora. — Respondeu com um sorriso passando o braço ao redor dos ombros do coleguinha e o guiando para o banheiro mais próximo. Quando de repente num lapso se recordou de algo importante. — Ei, Nightmare, você ainda vai comigo amanhã? — Indagou descontraído, não querendo quebrar o clima.

— Mas é claro Cross. — Nightmare respondeu convicto. — Que pergunta idiota. — Pensou consigo mesmo, Cross achava o que? Que não iria apoia-lo num momento delicado e importante da vida dele? Mas é claro que iria, porque acima de tudo sabia o que este sentia, iria apoia-lo até o fim dos tempos! Mas por hora... Tinham de achar um banheiro!

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— Havia um homenzinho escroto, morava numa casa de bosta, andava num caminho escroto, sua vida era uma bosta, um dia o homenzinho escroto, o suicídio encontrou! E tudo que era escroto, a morte endireitou. — Reaper cantarolava pulando na calçada igual uma criança no caminho da escola até a igreja onde surpreendentemente ainda era bem-vindo, sorte que sua família era religiosa; menos ele – era meio que uma regra do bonde ser ateu de carteirinha. — Cheguei nessa porra! — Exclamou sem pudor de frente pra igreja, agradecendo mentalmente por não ter ninguém ali presente para censurar sua blasfêmia e impedi-lo de entrar no estabelecimento. — Agora vamos entrar e fazer uma prece ao nosso caralhudo Asgore, o senhor da porra toda. — Ajeitou a roupa, passou a língua na mão e em seguida passou-a no crânio; ajeitando os cabelos inexistentes, e por fim entrou na igreja dançando o passinho do maloka de certo que aquela atitude seria seu passe direto para o inferno, estava se segurando pra não começar a cantar uma musica de Funk muito errada. — Opa, espera um pouco. — Enfiou a mão dentro da camisa apertada e tirou de dentro o colar que usava, desprendeu a cruz que até então estava invertida e colocou-a de pé, do jeito correto, só então entrou de vez na igreja.

De repente algo estranho aconteceu: ao pisar na cerâmica colada ao chão que portava a imagem de Asriel Cristo, de repente uma sensação dominou a ALMA e uma força sobrenatural o empurrou para trás com uma intensidade que só não o fez tombar para trás porque foi embora tão rápido quanto veio, mas que serviu para deixar o ateuzinho acuado e desconfiado, Reaper levou as mãos ao peito em reflexo pelo susto e procurou normalizar a cadência respiratória, agarrando-se a certeza de que algum espirito queria que ele saísse dali, mas não iria sair! Precisava fazer aquela merda de oração por mais que o cagaço tivesse o dominado.

Nunca mais vou falar “Asgore” e “porra” na mesma frase. — Se repreendeu mentalmente sentando-se no ultimo banco extenso das seis fileiras bancos extenso, por que diabos aquelas merdas de bancos tinham de serem tão extensos? Não podiam jogar todos eles foras e substituírem por cadeiras? E por que de repente estava implicando com os bancos extensos? Ah, ignorou esse fato e ajeitou a bunda óssea no banco extenso, suspirou forte, e quando ergueu as pálpebras ósseas para se preparar para rezar arregalou os olhos violentamente e quase sentiu a ALMA sair pelo cu quando avistou um esqueleto sentado lá na primeira fileira de bancos extensos. — Não... Será que é ele? — Curvou o tronco para frente e estreitou os olhos numa tentativa sucedida de vê-lo mais nítido, era ele mesmo! O cachecol avermelhado e o livro de física eram inconfundíveis, só um ser naquele planeta portava desses dois objetos: o tal do Geno, amiguinho da divindade, o serzinho que havia conquistado seus sentimentos. — Mas que porra ele tá fazendo aqui? Será que ele também quer saber como se canta alguém sem isso ser considerado assédio? — Indagou-se genuinamente curioso, o sentimento passando a eflorescer na pele óssea.

Querendo saber a resposta, Reaper se levantou e andou na direção dele o mais silenciosamente possível – até tinha prendido a respiração – foi passando as pernas por cima dos bancos até chegar no penúltimo banco e acabar tropeçando neste, a sorte foi que conseguiu cair silenciosamente debaixo do banco do tal Geno, que surpreendentemente parecia muito focado na oração visto que não havia notado o barulho de seu corpo indo de encontro ao chão, colocou a mão na frente da boca sentindo que poderia ter o cu violado caso fosse descoberto e silenciou-se de vez, querendo ouvi-lo:

— E por fim, Asgore, todo-poderoso senhor da argúcia, que venho pedir por valência, por favor, use suas pujança e livrai-me desses pensamentos irascíveis de vindita, permiti-me desfrutar da mais pura benignidade, pois temo que minha higidez esta no seu ocaso e necessito dela de volta a minha mente deformada; para que meus atos não aflijam aqueles próximos a mim.

Reaper ouviu a oração não entendendo bulhufas do que o tal Geno havia dito, mas que diabos de palavras eram aquelas?! De todo os conjuntos, não havia entendido “argúcia”, “valência”, “pujança”, “irascíveis”, “vindita”, “benignidade”, “higidez”, “ocaso” sabia que significava fim, mas de resto não sabia, e sentia que se soubesse estaria resolvendo um dos maiores enigmas da sua vida, talvez se lesse um pouco de livros de física entenderiam mais daquela nomenclatura. Esperava ouvir algo mais claro depois do aperto que foi se enfiar embaixo daquele banco, ficou tão decepcionado em não conseguir arrancar nada que soltou um suspiro... Audível, quando notou colocou a mão na frente da boca e passou a suar igual um porco.

Após o termino da prece, Geno escutou um ruído muito similar a de um suspiro soar embaixo do seu banco, ignorou aquele som porque julgou ser mais uma das diversas merdas que ouvia, sua mente louca era dessas que lhe fazia ouvir coisas inexistentes, ela havia se distorcido a esse ponto desde a... Desde sempre, e era exatamente por isso que estava ali, mas infelizmente seu tempo havia acabado e agora tinha de voltar ao colégio; ou melhor, ao inferno, à noite finalmente caia e precisava falar com o diretor sobre sua chegada.

Seguindo essa linha de raciocínio, se levantou – curvando-se uma ultima vez para a estátua de Asriel Cristo crucificado na parede a uma distancia considerável, pegou seu livro de física e passou a andar para fora dali, aquele ambiente estranhamente lhe sufocava, sentia presenças... Aquela presença também; suspirou numa tentativa de livrar-se dos pensamentos de desencadeio que estavam dominando a mente e abriu o livro de física na pagina que havia parado, precisava distrair-se. Com a cara enfiada no livro saiu da igreja em passos firmes e moderadamente rápidos.

— Ai meu cuzinho... — Reaper expirou altamente aliviado enquanto descansava o rosto no chão, quase que era pego! — Essa passou perto, quase que eu tenho meu cu violado. — Secou a camada de suor que havia se alojado no rosto, Asgore do céu, estava tão aliviado, sentia que se o tal Geno o descobrisse ali seria o fim da sua existência, em especifico, o fim do seu ânus. — Bom, vamos ao trabalho. — Estralou os dedos e saiu debaixo do banco extenso, sentando-se neste em seguida com as mãos fechadas e pálpebras cerradas, porém, antes que pudesse dar inicio a prece sentiu um incomodo em sua região traseira... Havia sentado em alguma coisa? — Mas o que...? — Meteu a mão embaixo do traseiro e tirou de lá um pedaço de papel, franziu o cenho.

Era uma foto: havia dois esqueletos nela. O primeiro com certeza era Geno visto que segurava um livro aleatório como ele segurava o livro de física atualmente, portava um cachecol avermelhado idêntico ao que ele porta agora e dono de um sorriso lindo, Reaper até corou. O segundo... Com certeza não conhecia, este usava um blazer branco aberto junto a uma camisa azulada com estampa de anime e... Não tinha rosto, ou melhor, a luz do flash provavelmente havia iluminado demais o rosto dele... Aquilo era no mínimo estranho, porque, quem guardaria uma foto defeituosa? Qualquer fosse a resposta, aquilo não foi a coisa mais bizarra da foto, o que deixou Reaper com uma pulga atrás da região auditiva foi o fato de ter um terceiro esqueleto à fundo na foto, ele estava encostado em uma arvore; encapuzado – o que deixava seu rosto escondido pela sombra causada pelo tecido – olhando diretamente para a dupla.

— Que viagem é essa...? — Murmurou arrepiado, sentia uma força maior emanando daquela foto, sentia-se perturbado. — Ai, caralho. — Piscou os olhos numa tentativa sucedida de se livrar do transe que aquele pedaço de papel estava lhe causando, sentia-a puxando para outra realidade. — ‘Cê tá louco cachorreira. — Mesmo com o seu cérebro dizendo “joga essa porra no chão, corta em picadinho, queima e da de comer para os porcos” sua ALMA dizia “foda-se o sobrenatural, vamos usar isso para chantagear o Geno e conseguir informações secretas da divindade e assim conquista-lo!” e ele optou por ouvir a ALMA e enfiou a foto no bolso. — Ahh... — Suspirou sentindo-se mais leve depois de guardar aquele negócio. — Bom, agora sim, hora do trabalho. — Juntou as mãos e abaixou a cabeça prestes a rezar. — ‘Pera, o que eu ‘to fazendo? Eu não vou rezar como um monstro normal, meu pau! Eu sou da Tropa da Merda e tenho que rezar como um legítimo membro da Tropa da Merda! — Exclamou com convicção e lealdade ao bonde, se levantou e ficou de pé no banco extenso, ergueu as mãos e começou a rezar adequadamente. — ASGORE! Senhor picudo da porra toda! Aquele que tem vossas bundinhas em porte! Eu! Um inferior escravo. — Engoliu a vontade de dizer “sexual”. — Venho aqui de joelhos! No bom sentido... — Se ajoelhou no banco extenso ainda de mãos erguidas. — Para-

— Mas que porra você tá fazendo garoto?! — Uma voz alta e repreensiva soou por trás.

A ALMA de Reaper congelou fazendo-o ficar completamente paralisado no ar, não podia ser ele... Ele havia acabado de sair! Reunindo coragem do fundo da sua existência, virou a cara e teve o desprazer de ver Geno na porta de entrada, com uma cara de “você xingou a minha mãe!”.

— Essa é uma casa de Asgore! — Geno continuou exclamando, ofendido ao máximo com aquela gritaria e com o conteúdo de palavras baixas presente na voz daquele blasfemo, argh, típico! Andou com passos largos na direção dele. — Desça dai seu boçal! — Quando já estava perto dele o puxou pela blusa, jogou o livro de física no banco pronto para meter a porrada naquele vulgar por ele estar ofendendo seu senhor.

— Espera ai, espera ai, espera ai! Vai me bater? Não cabe a ti julgar o errado. — Reaper argumentou desesperado utilizando-se de versos bíblicos, não entendendo de onde diabos tinha tirado aquela frase porque nunca havia lido a bíblia e se tinha lido já havia se esquecido de tudo. Torceu para funcionar, não queria sair na porrada com aquela divindade nível dois – visto que Lust era nível um. Pareceu funcionar quando teve as golas do uniforme soltadas bruscamente. — Ah... — Suspirou aliviado, colocou o pé no banco extenso pronto para voltar a fazer a prece, mas recuou ao receber o olhar maléfico de Geno. — Tá legal, eu vou rezar em outro lugar se é de vosso agrado. — Disse derrotado.

— E eu vou rezar pela sua alma, seu blasfemo! — Geno exclamou quando o pecador jazia fora da casa de Asgore, balançou a cabeça negativamente enquanto revirava os olhos particularmente ofendido com as ações alheias, comportamento típico da Tropa da Merda! — Asgore me livre. — Com outro suspiro virou-se até o banco na qual havia sentado anteriormente, analisou o assento e estalou a língua nos dentes... A maldita foto não estava ali. Abaixou a cabeça olhando em baixo do banco e nada, maravilha. — O quanto você quer que eu peque, Asgore? — Perguntou para o vazio abaixando a cabeça e tentando conter a sanha... Aquela era a única foto que tinha.

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— Caralho... Responde vagabundo... Argh. — Sans sussurrou frustrado ao mandar a quinquagésima mensagem para Fresh e ainda não ter sido respondido; nem tido o texto visualizado!

O que porras aquele cara estava fazendo que não respondia a caralha da mensagem? Não era difícil, era só clicar na notificação – que Sans sabia estar aparecendo na tela do celular do maldito – e responder nem que fosse um “para de mandar mensagem caralho” seguido de um monte de emojis coloridos que o preguiçoso sabia ser do agrado da reencarnação dos anos setenta, e oitenta, e noventa, e tudo!

— Oh meu ovo! — Exclamou frustrado quando mandou a centésima e ainda assim não foi respondido, bem, havia sido pacifico, agora tinha de apelar. Saiu do aplicativo de mensagens e foi para o de chamada, ligaria pra ele. — Quem é que liga pra alguém hoje em dia? — Indagou-se mentalmente enquanto digitava o nome do colega no campo de pesquisa, quando o encontrou apertou o símbolo do telefone e colocou o aparelho na região auditiva, quando mais os toques de espera soavam mais Sans andava em círculos, nervoso, a beira da preocupação. Fresh definitivamente não era o tipo de cara que deixava no vácuo, diferente de todo mundo daquele bonde incluindo o próprio Sans.

Eu sou o mestre Fresh e não posso falar, então deixa o recado que eu não vou te retornar! Otário! Vou deixar você e a caixa de mensagem a sós. Você foi ‘ludibriALAN’

— Filho duma... — Sans segurou o xingamento começando a tremer de raiva depois daquela. — Ah foda-se. — Frustrado e não querendo mais passar raiva pelo vácuo – e pela trolagem – enfiou o celular no bolso e resolveu ir fazer suas tarefas – dormir na quadra, no lugar mais silencioso e aconchegante daquele fim de mundo.

Por que diabos havia se oferecido para procurar Fresh? Ah, para não ter que ficar vendo a contragosto demonstrações de viadagem extrema por parte de Horror e Dust e ainda ter que ficar segurando vela para eles, e porque, além disso, de certa forma... A amizade intensa de Horror e Dust o faziam se lembrar de uma época passada – lê-se muito passada – quando Sans tinha seu melhor amigo e eles eram muito unidos, as lembranças desse tempo sempre desencadeavam uma dorzinha na ALMA do senhor preguiça, mas ele já sabia bem como bloquear essa dor: dormindo, esse método havia funcionado bem em todos os dez anos, tanto que dormir além do necessário havia virado rotina.

— Quadra. Aqui vamos nós. — Disse convicto, estava do lado de fora da escola porque o sinal do Wi-Fi era oito mil vezes melhor, e o melhor caminho para a quadra que ficava atrás da escola era por dentro – no bom sentido da frase. Ajeitou o casaco e colocou o capuz, virou as costas, mas quando foi atravessar o portão de entrada escutou alguma coisa por trás das arvores que ficavam no jardim da entrada – colocadas ali para boa recepção. — Oushin... — Virou a cabeça procurando a fonte, mas como não ouviu mais nada voltou a andar.

Saiba que pode sempre contar comigo.

Sans arregalou os olhos, agora sim tinha escutado e escutado bem!

Franziu o cenho desconfiado e desacreditado, não... Aquela voz... Aquela voz era muito parecida com a de certo alguém... Mas será que era quem estava pensando? Só podia ser! Ninguém mais tinha em porte tamanha determinação na voz quanto o monstro que Sans pensava que era, mas... Se era ele, pra quem ele havia direcionado aquela frase? E por que de repente ficou com ciúmes?

— Paps...? — Sans sussurrou baixinho quase inaudível caminhando em passos lentos e discretos até a árvore mais próxima, ao encostar as costas no tronco ficou em total silêncio querendo ouvir atentamente só para ter certeza.

Apesar d’eu achar que eu não tenho salvação... Eu sou muito grato ao que o senhor está a fazer, diretor.

Sempre estarei aqui para te ajudar Geno. E pode me chamar de Papyrus.

Sans arregalou as orbitas! Era mesmo seu irmão? E Geno? Quem era Geno? Espera... Ele não era o cara na qual o Reaper estava apaixonado a segunda vista? Ele era o tal amigo da divindade que não tirava os olhos de um livro de física? Apostou todas as moedinhas nessa hipótese, e, não entendendo bulhufas do que estava acontecendo com seu irmão e aquele novato, colocou apenas os olhos para fora da arvore querendo ver se não estava ouvindo coisas, e bem, não estava vendo coisas:

Lá estava o diretor, ou melhor, seu irmão: Papyrus... Só que... Ele estava... meio que... Abraçado de um jeito inadequado com o tal Geno?! E com inapropriado, Sans queria dizer: Geno envolvia o pescoço de um Papyrus ajoelhado no chão, nada demais, o problema é que eles estavam muito, mas muito colados! Não existia espaço entre suas caixas torácicas! Sans foi tomado por um ciúme irracional! Argh, por que diabos eles estavam abraçados daquele jeito? Tudo bem que Papyrus era o diretor e tinha de ajudar os estudantes de uma forma mais... Intensa, tinha de estar ao lado deles... Mas aquilo já era demais! O pior era que Sans sabia que seu irmão, apesar de ocupar tal cargo, não tinha em porte tanta malicia a ponto de fazer o que pensava que ele estava fazendo! Mesmo assim... Ah! O que estava acontecendo para eles estarem se abraçando daquele jeito?! Qual era o problema tão grave que Geno tinha em porte?

Sans teve que se esconder atrás da arvore novamente quando percebeu que os dois tinham acabado com as demonstrações exageradas de consolação, sentou-se no chão rapidamente, pegou o celular já engatado no fone de ouvido, os encaixou nas regiões auditivas, clicou no primeiro jogo que viu e começou a disfarçar com o nervosismo a flor da pele óssea, enquanto isso não deixando de tentar dar uma de Sherlock Holmes e tentar descobrir o porquê dos acontecimentos envolvendo seu irmãozinho e o amiguinho da divindade.

A ALMA do senhor não-sabe-disfarçar quase pulou para fora quando o próprio Geno saiu do meio das arvores – no bom sentido da frase – e passou por ele antes de entrar na escola pelo portão principal, sorte, o calouro mal havia notado sua presença ali, o que era estranho porque Sans era bem visível, isso só serviu para alimentar mais a sua imaginação fértil: No que Geno estaria pensando para não nota-lo ali? Ele parecia ser o tipo de monstro que percebe tudo ao seu redor, hum...

Mas antes que pudesse achar a resposta – ou só prolongar a tentativa falha – sentiu uma mão no ombro.

— Sans. — Papyrus se surpreendeu com a presença do pequeno ali. — Que bom que encontrei você aqui. — Suspirou aliviado não acreditando na sorte que havia tido, Asgore parecia estar do seu lado em meio àquelas confusões escolares. — Você está bem? — Indagou quando notou que ele aparentemente se encontrava paralisado... Será que ele já sabia do ocorrido? Engoliu seco tentando não se mostrar afetado; os estudantes não podiam saber sobre o que estava acontecendo.

— Ah! ‘To b-bem, ‘to be-em! Claro que ‘to bem, bro-broh! Tu me c-conhece maninho, tudo suave n-na nave! — Sans respondeu entre gaguejos junto a um sorriso altamente forçado e a ALMA na garganta, como deveria reagir depois de ter visto o que viu?

— Ok...? — Papyrus engoliu aquela – no bom sentido da frase – desculpa apenas porque estava ocupado demais com assuntos mais relevantes, muito, mas muito mais relevantes para dar atenção aos problemas do caçula, ele podia contar com seus amigos, ou a Tropa da Merda como chamavam o conjunto. Pigarreou fazendo Sans lhe encarar seriamente, ele sabia que quando pigarreava lá vinha más noticias. — Sans. Eu acho que você deveria dar... Sabe, uma olhada na floresta que fica ao lado da igreja a dois quarteirões daqui. — Falou enigmático, realmente não sabia como falar diretamente e não estava com emocional sobrando para ver as feições tristonhas do irmão depois que falasse a noticia com todas as letras, sem enrolação. Dito isso deu dois tapinhas de encorajamento nos ombros dele e andou para dentro, atravessando o portão de entrada enquanto engolia seco. Ser diretor não era fácil.

Quando Papyrus sumiu de sua visão periférica, Sans levantou-se num pulo e saiu correndo para a floresta que ficava ao lado da igreja a dois quarteirões dali. O tom de voz de Papyrus e os dois tapinhas no ombro eram coisas sérias! Ele não havia sido direto, nem claro, havia sido enigmático! E quando Papyrus falava as coisas em metáforas Sans já podia esperar o pior, era assim que funcionava desde sempre! Corria com a curiosidade movendo uma perna e o medo movendo a outra, primeiro àquela conversa estranha com Geno, depois aquilo? O que viria a seguir? Preferia não pensar muito nisso e se focar inteiramente na correria.

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— Isso é pelo Red. — Carrot sussurrou sombrio, uma das mãos prendia arduamente as mãos de Edge enquanto que com a outra... Ele cravou a lâmina numa região acima da orbita dele só para descer lentamente a faca em linha reta; passando pelo oco e atingindo a magia escarlate do olho.

— Argh! — Edge só conseguia gemer alto e grunhir de dor enquanto arquejava descompassadamente, as mãos estavam presas, as pernas e o tronco também: estava encurralado e não conseguir achar ângulo para a realização de um golpe! Tudo que conseguia fazer era se debater e gritar de dor enquanto tinha seu olho esquerdo esfaqueado. — Carrot! Para com essa merda!! — Berrou ao sentir o próprio sangue escorrendo e banhando a bochecha óssea.

— Para você parar de ser um completo cuzão com seu irmão, seu verme! — O ex-fumante esbravejou voltando a ficar puto de verdade. Parou a lâmina quando já havia estendido o corte para o começo da bochecha óssea, decidiu parar de vez, já havia sido o bastante – parara também porque o sangue jorrando para fora atrapalhava sua visão do corte – por hora. — Doí, não é? — Indagou irônico vendo as feições contorcidas dele. — É exatamente assim que o Red se sente todos os dias por sua culpa.

A verdade por trás da frase doeu mais que os cortes na ALMA de Edge, por alguns segundos ele viu o irmão diante dos seus olhos – ou melhor, diante do seu olho direito... Já não via mais nada através do esquerdo, lá estava seu irmão, no lugar de Carrot, em porte de uma expressão tristonha, sussurrando com a voz quebrada um... Um “Irmão... O que tem de errado comigo?” a mesma frase que havia soltado naquele dia... Naquele terrível dia que mudou a vida dos dois para sempre, que mudou Red para sempre! E tudo que Edge podia fazer era ver de mãos atadas o irmão se destruindo a cada dia.

— Você... — Carrot ia dizer algo, mas se calou arregalando os olhos. — Você está chorando...? — Indagou perplexo, desacreditado.

Edge estava chorando?! O terrível, o orgulhoso, o egocêntrico, o profissional, o pirocudo Edge estava se desmanchando em lágrimas na sua frente! Carrot, melhor que ninguém, sabia que não eram manifestações físicas de dor – o coordenador era bem resistente a dor física – então ele estava chorando por algo psicológico... Por um sentimento tão intenso que havia derrubado todo o ego, ah... Bastou se concentrar melhor nas feições do coordenador para saber qual era o sentimento: arrependimento.

O ex-fumante paralisou, é... Havia funcionado, não? Esse sempre foi seu objetivo: fazer Edge se arrepender e com isso consertar as coisas com Red, visto que o chefe do bonde estava quase partindo para a outra vida tamanha era a dor que havia sido desencadeada pela ignorância do coordenador. Mas então... Por que agora que havia aparentemente conseguido abrir os olhos de Edge sentia-se tão culpado? Afrouxou o aperto que segurava os pulsos deles involuntariamente.

Edge, em meio à dor indescritivelmente intensa; física e psicologia, sentiu o aperto nos pulsos mais leve, então sem pensar duas vezes finalmente se viu inclinado a reagir:

Fechou a mão direita num punho e socou a caixa torácica de Carrot com todas as forças que havia-lhe restado, sentindo-se terrivelmente fraco após o ato.

O senhor nicotina bateu as costas contra o painel de comando do elevador sentindo-se desnorteado, levou as mãos até os ossos atingidos numa tentativa de conter a dor e passou a respirar descompassado, estava sem reação e a culpa ainda remoía a ALMA. Olhou para o culpado de sua confusão interna e arregalou as orbitas ao vê-lo desacordado, entrou em pânico: passou a tremer desesperado cogitando o pior, o que deveria fazer? Ele ainda sangrava! Deveria estancar o olho? Ou isso pioraria tudo? Não, mas ele merecia aquela dor! Ele merecia... Ele... Será que ele iria morrer? O que Red ia pensar de si quando descobrisse...? O que deveria fazer...? Em meio ao desespero, em meio à quebra de sua calmaria natural, em meio ao desvio de humor seus ossos começaram a coçar, seu cérebro começou a latejar, sentia o sangue correndo velozmente dentro das veias, havia finalmente cedido à adrenalina, precisava se acalmar, precisava se normalizar, não podia ficar desesperado, sempre que ficava assim as coisas iam de mal a pior... Igual naquele dia... Precisava, precisava das... Quando um ruído soou pelo elevador, o transporte parou e as portas se abriram, Carrot olhou para o corredor depois para Edge e para o sangue... Meteu o pé, saiu dali tão rápido que mal se lembrara de recolher o canivete, ou melhor, a arma do crime.

— Edgezinho! — Lust gritou do pé da escada quando viu as portas do elevador se abrirem e um esqueleto sair correndo, só não correu atrás dele e deu-lhe uma voadora porque viu que seu semideus estava deitado no chão do transporte com o rosto numa poça de sangue! — Ai meu Asgore! — Continuou gritando desacreditado do que seus olhos viam, aquilo não estava acontecendo! Não, tinha de ser outra pegadinha, tinha de ser outra zoeira! — Edge, Edge, Edge, fala comigo amor. — Lust continuou a chama-lo, se colocou de joelhos ao lado de corpo do coordenador, quando virou o rosto dele para cima tirando-o da poça de sangue sua ALMA quase parou. — Asgore do céu... — Sussurrou abismado quando seus olhos bateram com o corte profundo no olho esquerdo dele. Sem pensar duas vezes tirou o casaco azul – do tal cozinheiro que havia-o cantado, porque o senhor Calça Colada não ia tirar o seu casaco, visto que estava sujo de algo que não sabia o que era – embolou nas mãos e forçou contra o olho do amado, numa tentativa sucedida de conter o sangramento. — Edge, Edge, acorda amor, acorda. Acorda porra, eu sei que você tá com dor, mas você precisa acordar. — Lust ditou desesperado com a voz tremula ignorando as lágrimas que banharam as bochechas ósseas – suas e do semideus. — Alguém ajuda aqui! — Gritou na direção do corredor. Colocou o rosto de Edge no seu colo, forçando mais o pano. — Alguém ajud- Se calou surpreso quando sentiu uma mão no seu braço. — Edge... — Sussurrou indescritivelmente aliviado.

Enquanto Lust se concentrava em ajudar o futuro pai dos seus filhos, Carrot corria na velocidade da luz na direção do ultimo andar atropelando geral.

— O que... Que eu fiz caralho...? — Murmurou a si próprio com o arrependimento fazendo os ossos latejarem. — Por que eu fiz isso com ele...? O Red nunca mais vai olhar na minha cara... — Levou as mãos até o crânio não tirando os olhos do chão, numa tentativa falha de querer urgentemente bater a cabeça na parede e desmaiar até a próxima geração, seria melhor se desaparecesse depois daquela vacilada! Não sabia nem o que pensar! Só... Só precisava fazer aquilo!

Sabia que se fizesse aquilo, Red faria aquilo, era uma reação que desencadeava outra reação, se vacilasse seu amigo vacilaria junto e de longe aquele era seu desejo, mas... Red já havia desaparecido da sua visão periférica e provavelmente já estava fazendo aquilo, o conhecia bem, quando o desespero e a vontade de partir para o outro mundo estão no auge a promessa que ambos fizeram é esquecida, e não foi diferente porque Carrot não se lembrava dela, não, tudo que passava na cabeça é que tinha de fazer aquilo caso o contrário, sentia que iria morrer. Esse era seu principal pensamento durante a corrida até o ultimo andar.

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Sans tremeu na base ao chegar à floresta e... E perceber que havia uma fumaça saindo de dentro dela, como se algo estivesse sendo queimado, mas o que diabos estava pegando fogo...? E por que Papyrus havia mandando logo a si para verificar?! Seria algo relacionado a si ou ao bonde? Engoliu seco sentindo todos os ossos se arrepiarem e entrarem numa cadencia de tremedeira, ficou longos minutos estancado na entrada na floresta com o celular entre as mãos, sabia que tinha de ir curiar, mas... Mas não dava! Estava escurecendo e quem diabo entrava numa floresta à beira da noite sendo que em algum lugar dela havia algo queimando? Isso mesmo, Sans, porque ele era um membro da Tropa da Merda e membros da Tropa da Merda só fazem merda, se existia uma situação onde dar merda era a maior das chances, ele iria!

— Ah mano, foda-se, eu vou entrar nessa porra. Slender me aguarde! — Respirou fundo, engoliu seco – mesmo não entendendo como esqueletos engoliam secos – espreguiçou-se, bateu as mãos nas bochechas ósseas. Curvou o tronco colocando as mãos no chão em posição de largada de corrida.

“Três!” Gritou sua coragem.

“Dois!” Gritou sua perseverança.

“Um!” Gritou sua covardia: “Um e meio! Um e dois meios! Um e três meios! Ah, mete o pé logo caralho!”.

— Partiu, morrer! — Exclamou sem pudor enquanto entrava na floresta, tropeçando e caindo de cara no chão igual a uma atriz ruim em filme de terror dos anos 80, seu primeiro impulso foi olhar para trás e avistar a estrada, depois a igreja, ainda tinha tempo de desistir e se converter ao cristianismo. — Ah, vamos logo. — Se pôs de pé num pulo, recolheu o celular do chão e ligou a lanterna deste, voltando a andar como um esqueleto normal por entre as árvores. — Ah, que ótimo. — Resmungou mentalmente quando chegou num ponto da trilha onde havia dois caminhos, havia uma trilha que levava a esquerda e outra que levava a direita. — Direita sempre, direita é sucesso. — A vida o levava para a direita. Depois de algum tempo caminhando. — O que será que está queimando? — Indagou-se.

Bem, quando avistou uma iluminação avermelhada na grama a alguns metros de distância, Sans ergueu o olhar seguindo a luz e quando finalmente encontrou o que estava pegando fogo... Essa foi sua reação:

PUTA QUE ME LAROMBA! Eu tenho que... Que... Chamar o Red! — Dito isso pegou o celular – desligou a lanterna – e filmou a cena, em seguida enviou via whatsapp para o companheiro, caminhou discretamente para fora da floresta não suportando o ar que respirava.

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— I-irmão! E-eu não pensei que fosse chegar tão cedo...! — Blueberry comentou atrapalhado – sinal de nervosismo claro que Carrot não deixou passar despercebido – colocando os papéis a frente do rosto, fingindo estar lendo-os quando na verdade queria disfarçar seu rosto corado e cansado – tal gesto também não passando despercebido pelo mais novo. — Estou estudando para as olimpíadas... E, érr... Tem comida na geladeira e... Hic! — Soluçou. Arregalou os olhos e cobriu a boca com as mãos ao perceber seu vacilo, os papeis caíram sobre a mesa, deixando seu rosto visível para analise do ex-fumante.

— Blue. — Carrot, ainda na porta e ainda com o arrependimento dilacerando a ALMA; com os ossos coçando; com as lágrimas a beira das orbitas; com o desespero palpável em toda sua feição corporal, mesmo em porte de todos esses sentimentos, ele disfarçou e foi na direção do irmão com a voz séria, desacreditando do que seus olhos testemunhavam, não... Aquilo não podia ser verdade... Logo Blueberry? Seu inocente e doce irmãozinho? Mas era, Carrot podia ver esse fato nítido nas bochechas violentamente coradas, nas pálpebras ósseas inquietas que não suportavam o próprio peso, nos orbes azulados desconexos e na cabeça dele balançando discretamente em um leve desnorteamento: Blueberry havia ingerido álcool, e não qualquer álcool, talvez tivesse sido vinho dos fortes porque ele estava a beira de ficar totalmente bêbado! — Me fala que você não bebeu. — Mesmo com a reposta literalmente gritante na sua frente, o ex-fumante não queria acreditar, seu irmão estava realmente caindo junto de si?

— Mas que... Hic! Rick-dículo irmão! — Blueberry simplesmente exclamou com a falsa ofensa palpável, bateu a mão na mesa bagunçando alguns papeis enquanto prosseguia com seu discurso. — Eu... — Sentiu a cabeça latejar, fechou os olhos com força, mas não desistiu de mostrar que estava certo, de que não havia caído; que não havia cedido à tentação, que ainda era perfeito. — Jamais! Eu sou perfeito! Eu jamais beberia! Beber não é saudável, quantas vezes eu vou ter que repetir? — Prosseguiu com as mentiras sentindo a ALMA contorcer, nunca havia mentido na vida e agora que o fazia... Estava doendo mais do que podia suportar, já era sua segunda decaída naquele dia... Não, não podia mais se mostrar inferior na frente do irmão. Seguindo essa linha de raciocínio recolheu a papelada na mesa sem deixar de continuar com as falsas afirmações. — Beber causa câncer no fígado, no pulmão, sei lá em que lugar! Mas é ruim, não beba. Eu vou estudar no meu quarto, passar bem... — Dito isso e já com todos os papeis recolhidos andou cambaleante até o próprio quarto.

— Blue, fala comigo, por que você bebeu? — Carrot segurou-o pelo braço, o impedindo de se isolar, o tom de censura dominando a voz mais do que o permitido. — Blue. — Chamou-o novamente quando não obteve resposta, o pequeno nem olhou em sua cara! Sabia que ele tinha bebido, mas queria saber a razão, o motivo! Por que ele havia decaído? Ah, tinha certeza que era culpa sua, como se não bastasse ter estragado a vida de Red praticamente esfaqueando o irmão dele, agora estragava a vida do irmãozinho! Era um lixo mesmo!

— Carrot. — Blueberry o chamou pelo nome, o que deixou uma coisa clara: ele estava cansado. Mas cansado de que? Sempre que o mais velho chamava o ex-fumante pelo nome, significava que ele queria um tempo, significava que a situação precisava de um basta. Carrot o soltou, sem coragem para prosseguir com o papel de irmão acolhedor. — Eu... Vou estudar. — Disse por fim antes de entrar no quarto e bater a porta. Por fim isolado, deixou os papeis vacilarem contra o chão junto dos joelhos, abraçou-os em seguida.

Blue. Escuta. Você não pode beber, você não pode trocar de nível. Você é perfeito demais pra isso. — Disse no tom de censura novamente, a voz abafada pela porta.

Blueberry abraçou os joelhos passando a chorar compulsivamente. Seu cérebro trocando os sentidos ocultos das frases, interpretando tudo como indiferença, ironia e rebaixamento. Havia sido mesmo um idiota por ter bebido numa tentativa de... De... De ser mais... Mais parecido com... Red, para que seu irmão lhe notasse, lhe considerasse a altura, lhe desse atenção que irmãos dão, e que por fim... O olhasse com os mesmos olhos que olhava para o delinquente. Havia sido um ato muito baixo mesmo, agora Carrot estava decepcionado e provavelmente envergonhado pelas suas atitudes. Ah... Se perguntava por que não podiam ser irmãos normais, por que desde que ele conhecera Red vem se afastando de si? O que o delinquente tinha que ele não tinha? Seja lá o que fosse, não importava mais, não agora, de qualquer modo, tinha de estudar para as olimpíadas.

Enquanto isso do lado de fora, Carrot escutava o choro do irmão de mãos atadas. Suspirou pesadamente, queria que sua angústia e seus problemas se dissipassem como o ar que soltara pela boca. Primeiro Red, depois Edge, e agora havia encaminhado Blueberry para o mau caminho, praticamente colocando-o na cadeira e a chutando? É, Asgore estava mesmo contra ele.

Em passos lentos – praticamente se arrastando – caminhou na direção do próprio quarto, agradeceu pelos quartos da cobertura serem praticamente mini apartamentos. Bateu a porta sem muita brutalidade e se jogou no tapete, caindo de cara na maciez do tecido, suspirou novamente, ainda de cara no chão puxou o celular de dentro do bolso e colocou-o a frente dos olhos, desbloqueou, foi no aplicativo de chamada e ligou para o único monstro que podia lhe ajudar naquele momento, para monstro que mais tinha seu respeito e inveja, quando foi atendido sorriu de canto em reação ao que ouviu:

Ah... Que boca irmãozinho... Black, espera, acho que me esqueci de desativar o recebimento de chamada automática... Tem alguém ouvindo a gente.

— Eu quero que se foda Mutt, não vou parar, você tem permissão para atender.

— Você é um puto mesmo, hehe, fala Carrot!

— Cadê as drogas? — Foi direto, sem pontas presas. Se eles não estivessem, meio que... Numa situação inusitada, Carrot usaria Mutt como deposito de desabafos como sempre fazia, mas já havia sido um problema demais para todos, não queria atrapalhar logo seu ídolo. — Eu sei que você escondeu algumas no meu quarto também.

Depende... O que você vai fazer com minhas garotinhas?

— O que o Stretch fazia. — Respondeu arguto.

Hahaha, ah... Agora sim caralho, esse é meu amigo de verdade! Ah... Black... Pega leve, você quase me mordeu porra...

Termina logo essa merda de ligação Mutt... Daqui a pouco a polícia tá vindo ai... Vamos aproveitar logo nosso momentinho...

Tsc, seu dramático. Carrot, ou melhor... Stretch; tem dois pacotes de cocaína entre as madeiras debaixo da sua cama; tem LSD na ultima gaveta do seu armário, dentro daquele sapato de neve e mais outras; as seringas estão... Ah... Acho que eu as escondi no quarto do seu irmão.

— Você o que?! — Carrot não conteve a exclamação.

Hahaha, é zoeira. As seringas estão... Ah... Black calma, eu já vou desligar. As seringas estão no lugar de sempre. Agora eu tenho que matar um coelho.

Dito isso Mutt desligou o aparelho, e Carrot se enfiou embaixo da cama a procura das substâncias químicas, empurrou o colchão para cima através das frestas da madeira de apoio e dois pacotes grossos do tamanho da sua cara caíram na caixa torácica, ambos os sacos estavam entrelaçados e não deixou de notar que havia um rolinho de papel amarrado em cada pacote, Mutt havia lhe poupado esforços. Saiu de baixo da cama segurando os sacos entre seus dedos trêmulos.

Não usava drogas há exatos cinco anos, já havia se esquecido de como deveria fazer para não acabar tendo uma overdose e... E... Se bem que...

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Red suspirou aliviado quando chegou à quadra que ficava atrás da escola, e suspirou aliviado novamente quando viu que aquele local estava completamente vazio! Melhor, não iria ter interrupções, a privacidade iria favorecer em muito na conversa com Dream. O terceiro suspiro foi em preparação e auto encorajamento, depois bateu os pés e caminhou para trás da quadra, precisava ir até o puro do bonde, conhecia-o melhor que ninguém, mas... Seu celular tocou e bem... Ele tinha colocado como toque o famoso “gemidão do zapp.

AHH! OHH! AHH! OHH! AHH! OHH! AIN!

— Caralho! — Apalpou os bolsos desesperadamente, caçando seu celular igual um louco, quando finalmente o achou desbloqueou rapidamente sem nem ver quem era o maldito que havia ligado, só queria que aquela mulher parasse de gemer e lhe desse uma ereção. — Alô porra? — Atendeu puto da vida.

Red! É o SANES!

Red afastou o celular da região auditiva, decerto que havia perdido boa parte da audição, e altamente enojado com o trocadilho que só um esqueleto tinha a ousadia de fazer, ou melhor, que só um esqueleto tinha o mal gosto de fazer: Sans, seu amiguinho.

Agora é sério, é... Você precisa vir na floresta que fica ao lado da igreja que fica a dois quarteirões da escola, é urgente!

— Sans. — Red fechou o cenho confuso com aquela leva de informações, a voz do amigo não soava a mais controlada do mundo, ficou preocupado, mas estava mais preocupado em ir ajudar Dream, ele realmente precisava do seu e só do seu auxilio. — Não dá cara, eu já ‘to numa urgência! — Dito isso voltou a caminhar para atrás da quadra.

Não cara... É serio. — Sans continuou a insistir, ganhando toda a atenção do maior dos delinquentes. — É... Eu não consegui te mandar o vídeo... É que... Eu achei o Fresh e... Ele está queimando as roupas dele!

— ... — Red literalmente parou de respirar e quase deixou o celular vacilar entre seus dedos. — Sans... Fala que você tá brincando.

Aquilo definitivamente não podia ser verdade, só não podia!

Red, vai tomar no cu, isso é serio, eu não sei o que fazer! Por isso liguei pra você, você o conhece melhor que eu e vai saber como ajuda-lo, você precisa vir rápido, acho que ainda dá tempo, ele ainda não queimou os óculos e... Red? Red! Responde vagabundo!

Red desligou o celular e enfiou de volta no bolso, estava suando e respirando descompassado! Fresh... Estava queimando as roupas! Puta merda! Ele não podia queima-las! Ele era um puta materialista, e além disso... Argh! Mas tinha de ajudar Dream, mas agora tinha Fresh! Ah! Correu para fora da escola, Dream podia esperar mais alguns minutos, sabia melhor que ninguém que se Fresh conseguisse se livrar de todas as roupas... Seria o fim.

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— Red! — Sans exclamou aliviado ao ver o amigo ali, secou as lágrimas que escorriam pelas bochechas ósseas e apressou-se em segura-lo, o maior dos delinquentes parecia que iria desabar, a respiração dele estava muito, mas muito afetada... Provavelmente havia tido um ataque de pânico durante a corrida da escola até ali. — Red, tá tudo bem mano, meu parceiro, meu truta, razão do me- Foi interrompido.

— Não vamos começar a dar uma de Dust e Horror aqui, pelo amor de Asgore. — Red o repreendeu com a censura pingando nas palavras. — Cadê... Ele? — Indagou, mesmo esgotado física e emocionalmente precisava ir ajudar o amigo, e rápido. Quando Sans apontou para pegadas no chão, entendeu que deveria segui-las para encontrar a reencarnação dos anos setenta.

Enquanto o líder da Tropa da Merda adentrava a escuridão da floresta solitária, Sans ficou parado na beira da entrada observando a silhueta do amigo desaparecer entre as folhas, ele estava cambaleando, e mesmo assim foi ajudar o amigo... Ele era muito forte, como um líder deve ser... Comparou-se com ele involuntariamente, era tão fraco comparado a Red, tão fraco... Não conseguiu nem ir ajudar Fresh! Teve de chamar Red que já tinha lá seus problemas. Chutou o chão e deu um soco na grade, frustrado por não ser como Red, por não ser forte.

Enquanto isso, o chefe adentrava a floresta seguindo as pegadas, a respiração e resistência física voltando-lhe aos poucos. Seguiu as pegadas com o medo, o nervosismo e a determinação dominando a ALMA, nesse momento já havia se esquecido de todos seus problemas e se concentrava apenas em ajudar o amigo. Não existia mais Edge, nem Lust, nem nada. Quando viu um brilho escarlate entre as arvores um pouco distantes dali, engoliu seco e apertou o passo: era agora ou nunca.

— Fresh! — Red exclamou aterrorizado com o que seus olhos viram.

Fresh estava de preto – e olha que ele não usava preto nem em funerais! Com uma camiseta preta, calça preta, tênis pretos! Sem acessórios: não havia pulseiras, colares, luvas cortadas, adesivos, nada! A única peça colorida eram os óculos “YO-LO”. E como se isso já não fosse absurdamente estranho, Fresh estava envolta de uma fogueira, e nessa fogueira estavam às roupas dele, totalmente queimadas e as que não haviam se perdido nas chamas se perdiam porque o fogo realmente estava muito, mas muito alto e extenso. Seu amigo radical de preto, queimando as roupas e com... Algo molhando as bochechas ósseas.

— Sai daqui chefe! Isso é problema meu! — Fresh respondeu e... A frase estava limpa de gírias, de nomenclaturas ultrapassadas, a voz não estava mais radical, não estava mais bugada, não estava mais... Como deveria ser! A voz dele agora não passava de uma voz normal, com um toque de melancolia, de tristeza, quase palpável. — Pode ir, eu já estou acabando, não tem nada para se ver aqui! — Dito isso abriu a ultima sacola e pegou em mãos uma quantidade significativa de roupas coloridas.

— Fresh! Para com essa porra ai mermão! Tu enlouqueceu?! Por que tá fazendo isso? Suas roupas! Cara! Para! — Red exclamou desesperado, tentou correr para frente do colega para se colocar entre ele e o fogo numa tentativa de impedir mais autodestruição, porém não foi rápido, os tecidos foram lançados na fogueira num piscar de pálpebras ósseas, já não havia sobrado mais nada. — Fresh... — Respirou fundo, ataca-lo impulsivamente não iria funcionar pelo visto, tentou ser paciente – não lhe era uma qualidade muito boa, na verdade, não lhe era qualidade, nunca foi paciente, mas precisava ser agora. — Por que está queimando-as? Você se esqueceu do significado delas? Você esqueceu-se do que vai acontecer se as perder?!

— Eu sei Red... — Fresh respondeu já mais calmo, mais pacifico, mais... Calculista, uma frieza que arrepiou o maior dos delinquentes por inteiro. — É por isso que eu estou me livrando delas. Eu... Esse “eu” não está me agradando! Eu preciso mudar Red! Eu... Eu preciso mudar e vou começar por elas! — Exclamou desabafando, respirou fundo uma ultima vez e levou as mãos até o rosto, até os olhos... Até... Seus óculos da “YO-LO”.

— Fresh, você não pode. — Red voltou a insistir, o desespero fazendo a ALMA querer sair pela boca. Ainda dava tempo de salvar Fresh, mas se ele queimasse os óculos... Era o fim.

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— Asgore do céu... Ele tá... Horrível com aquelas roupas. — Um monstro sussurrou baixinho para o amigo enquanto apontava discretamente para um esqueleto que andava no corredor em porte de roupas... No estilo punk, era raro ver algum estudante usando algo que não fosse branco e amarelo, por isso foi um espanto para si, e o que se faz quando se vê algo diferente? Se critica. — Será que ele tem probleminha? — Riu de canto recebendo um leve cascudo na testa. — Pô, Fresh, isso doeu. — Massageou o local atingido, calando-se.

— Ele... — Fresh sussurrou analisando aquele esqueleto de casaco preto com penas que se ressaltavam e tinham vasta altura; a camiseta vermelha de veludo; a bermuda preta surrada com listras duplas amarelas nas laterais; all-stars extremamente sujos; luvas pretas cortadas nos dedos e... Uma coleira de espinhos. — É realmente estranho. — Concluiu consigo mesmo esfregando as orbitas, estava com sono, já fazia tempo que não tinha uma boa noite de sono; culpa do seu psicológico defeituoso que lhe pregava peças e atormentava seus sonhos, por isso, limitava-se a não dormir, tudo era menos assustador, mas enfim. Voltou a olhar aquele esqueleto, ele era tão... Tão... Feio, não era a toa que estava chamando a atenção de todo o corredor. — Cruzes. — Comentou baixinho consigo mesmo quando o punker passou por si.

— Falou alguma coisa, porra? — O aparentemente delinquente perguntou irônico parando na frente de Fresh. — Algum problema, caralho? — Insistiu, havia sim escutado o comentário dele e sentiu-se ofendido por isso, mas não iria deixar aquele estudante metido a besta estragar seu belo dia! Tudo havia sido perfeito até demais! Tinha finalmente a atenção de quem tanto admirava – e amava, tinha conseguido fazer amigos que não lhe julgavam, tinha... Finalmente tudo que sonhara. O estudante a sua frente era só uma pedra em seu sapato polido.

— Não! — Fresh exclamou balançando a cabeça freneticamente, suas costas foram de encontro com o armário e isso só favoreceu o aumento do nervosismo, aquele cara... Tinha uma cara de quem poderia lhe quebrar em um segundo! Porra, por que foi abrir a boca?! E por que dentre tantos comentários, aquele cara foi dar atenção logo ao seu? Mas que sorte! Sua vida já estava uma merda agora tudo iria piorar de vez! Involuntariamente abaixou a cabeça sentindo as lágrimas brotarem no canto das orbitas, o negativismo veio com uma força avassaladora, a dor havia voltado... A dor da infelicidade.

— Ei, ou, tá chorando por quê, seu mané? Eu nem fiz nada contigo irmão. — O punker recrutou afastando-se do, aparentemente senhor sou nerd e sou tímido – que clichê – e gesticulando em defesa. Por que diabos aquele garoto estava chorando? Será que... Tinha assustado ele? Engoliu seco com essa possibilidade, se fosse pego “assustando” outros estudantes seu irmão ia lhe meter um pé na bunda, olhou para os lados e literalmente todos os alunos estavam com os olhos vidrado nos dois. — Ah que merda. — Sussurrou entrando em pânico, tinha de sair dali antes que alguém confundisse tudo e chamasse o diretor – que apesar de ser amigo do seu irmão, não pegava leve. — Vem comigo, seu filho da puta. — Disse tranquilamente segurando no braço do esquisitão e arrastando-o até o banheiro mais próximo, longe da visão periférica de todos.

— N-não espera, para onde você está me levando? — Fresh recrutou tentando se soltar, largou os livros no chão e passou a se debater numa tentativa irracional de livrar seu pulso. — E-ei cara, o que foi que eu te fiz? — As lágrimas agora escorriam com mais intensidade, iria apanhar, sério mesmo? Mas por que? Não queria, definitivamente não queria! Não havia motivos para ele lhe bater, mas... Também não havia motivos para ele não lhe bater... Nem ele, nem ninguém... Não existia motivo para alguém sequer lhe dirigir uma reação, uma fala, porque era um completo inútil, um ser que ninguém sentiria falta. Parou de lutar aceitando de vez, se fosse apanhar que fosse rápido para poder acabar com tudo mais tarde... Já não aguentava mais todo o peso na ALMA que passeava pelos ossos toda vez que esses pensamentos dominavam a mente. — Por favor, não seja tão bruto.

— É o que? — O punker havia levado na malícia. Empurrou o senhor chorão para dentro do banheiro e trancou a porta, respirando aliviado, virou-se vendo que ele havia sentado no chão e apoiava as costas na parede; nota-se que ainda chorava. — Ai, brother. — Chamou-o, mas não obteve reação. Suspirou forte, atrevendo-se a sentar perto dele. — Cara, eu não vou te bater, da onde porras você tirou isso? — Indagou genuinamente confuso – e quase irado, diga-se de passagem – sem deixar de fita-lo. — E por que você está chorando? — Soltou a pergunta final.

— Ah... Não vai mais me bater... Que alivio... — Fresh suspirou sentindo um alivio indizível dominar a ALMA, olhou para o suposto delinquente e sorriu fraco secando as lágrimas, mas falhando porque elas não paravam de cair e a ALMA, apesar de ser tomada pelo sentimento bom, foi efêmero, a dor instalou-se ali novamente. — Ah... Já que não vai mais me bater, não tem o porque d’eu responder. — Meneou que iria se levantar, estava sendo estranho chorar na frente de um suposto valentão. Seu pânico voltou quando teve o braço puxado e preso, assim, sendo inviável se levantar sem distorcer o osso.

— Se você não me contar o porque, ai sim eu vou te bater. — Ameaçou com a voz rouca e tenebrosa, em porte de uma feição assassina, os olhos escarlate faiscando. — Só que não otário hahahahaha! Eu só ‘to zoando com a tua cara! Hahahahaha! — Soltou o estudante inocente e segurou a barriga tentando conter a dor que o atingiu por conta da intensidade das gargalhadas. — Puta merda, isso foi muito louco. — Refletiu consigo mesmo quando o colega lhe olhou com uma cara perplexa, a parte boa é que ele havia parado de chorar. — Ei. — Inibiu as risadas, de repente em porte de uma feição amena e uma voz acolhedora. Ergueu as falanges e tocou as bochechas ósseas do desconhecido. — Viu? O senhor certinho parou de chorar.

— A-ah... — Fresh arregalou as orbitas – mais do que estavam arregaladas era impossível – e levou as mãos até onde as lagrimas escorriam e... — É verdade. — Sussurrou surpreso, havia... Havia parado de chorar! — Mas eu... — Não estava entendendo. Sempre tinha crises depressivas onde as lágrimas começavam a sair e nada, literalmente nada as fazia parar, elas só paravam quando desmaiava tamanha era a dor emocional desencadeada por elas! E aquele cara as fez pararem de escorrer? Será que a “brincadeira” foi pra isso? Será que ele sabia o que estava fazendo? Olhou para ele, ele sorria... Sorriu conjuntamente e arregalou mais as orbitas... Estava sorrindo? — Eu estou sorrindo? — Levou as mãos aos lábios ósseos e... Verídico. Só aumentou ainda mais o sorriso, era inacreditável! A última vez que tinha sorrido... É... Não se lembrava e foi só olhar para o conjunto de dentes pontiagudos do delinquente para sorrir! Olhou para o punker novamente, ele parecia... Feliz?

Fresh correu os olhos por ele... Aquele cara parecia ser tão confiante, tão... Dono da própria vida, parecia ter o controle de tudo, ele tinha nos olhos escarlates aquela chama da vida! Tal chama que almejava ter em seus próprios olhos! A dor já não existia mais, agora na ALMA apenas... Apenas... Algo estranho... Uma vontade de... De viver! De viver! De conhecer! De aprender! De... De sentir o calor do momento!

— Caralho! — Fresh exclamou sem pudor feliz pra porra levando as mãos até a cabeça eufórico. — Droga, falei um palavrão, merda... Ah não! Falei outro palavrão! Puta que pariu... Ah! — Cobriu a própria boca, o suposto delinquente ria como se estivesse num show de comedia, mas por incrível que parecia... Fresh não conseguia mais ficar irritado com aquele deboche, não... Não conseguia nem desviar o olhar dele... Sentia que se não o olhasse mais toda a felicidade que dominava a ALMA desapareceria, tinha de grudar naquele cara! Queria ter felicidade... — Ei, cara... — Cutucou-o, quando ele parou de rir para lhe ouvir, engoliu seco e perguntou por fim. — Como... Como você faz pra... Ser feliz? — Indagou. O punker de repente lhe olhou de um jeito... Com tanta intensidade que parecia ler seus olhos – e o suposto delinquente estava vendo a própria imagem refletida naqueles olhos brancos defeituosos e lembrando-se de coisas... De coisas loucas – aguardou ansiosamente a resposta.

— Estranho você perguntar. — O punker respondeu quebrando a troca de olhares. — Até uma semana atrás eu queria chutar a cadeira, mas... Sabe, o que me salvou foi... Isso aqui. — Segurou a ponta do casaco de penas que portava.

— Um casaco te salvou? — Fresh indagou confuso, mas não soando grosseiro, havia realmente acreditado nas palavras do seu salvador e queria saber mais. — Como?

— Ah... — O punker suspirou sorrindo nostálgico e desviando o olhar. — Cara. Eu... Era como você, um estudante certinho, seguia as regras, tinha um futuro brilhante, mas eu me sentia infeliz. — Olhou-o, quando o inocente recuou acuado se apressou em respeitar seu espaço. — Ei, eu percebi você se arrastando pelos corredores, mas olha... Não vou sair te denunciando, o psicólogo daqui é uma merda, dizem que ele é pedofiló. — Fez um trocadilho, os dois riram, ponto para si, conseguira amenizar o clima tenso. — Mas o pior era que... Eu estava sendo um bom estudante contra minha vontade, eu tive que deixar de ser eu mesmo e ser o que... O que eles queriam que eu fosse; eu aceitei isso porque estava sozinho e se eu fosse contra o sistema não iria ter ninguém pra me ajudar, então... Eu fui o certinho e mantive o verdadeiro eu trancado, esses dias foram terríveis, eu tinha varias crises de identidade, sentia que não estava tendo escolha, me sentia isolado, depressivo e o caralha a quatro, mas chegou um dia que eu não aguentei mais. — Deu uma pausa significativa, suspirando pesadamente. — Eu liguei o foda-se pra todo mundo e voltei a ser eu, só que diferente das outras vezes... Eu tive apoio pra não voltar a ser uma marionete, e um desses apoios foram essas roupas. — Tirou o casaco e jogou no rosto de Fresh. — Eu ganhei esse casaco de alguém especial. As roupas, sabe... Elas refletem sua personalidade, sempre que você estiver pensando em desistir de ser você mesmo, olhe para elas e lembre-se de quem você realmente é, e se você tem uma identidade, você tem objetivos, e se você tem objetivos: você tem felicidade.

— Entendi... — Murmurou colocando o casaco por cima do uniforme padrão amarelo e branco. — E se... Eu não tenho identidade? — Fresh entendeu que o processo para a felicidade tinha etapas, queria começar logo.

— Ah... — O suposto delinquente paralisou. — Como assim você não tem identidade? — Indagou confuso não acreditando nas palavras alheias, era realmente serio aquele papo? Quando o viu acenar, voltou o olhar para o nada... O que deveria fazer? Como se molda uma identidade? — Ah... Do que você gosta?

— Ah... Eu não sei, normalmente eu estudo o dia todo e quando não estou estudando estou dormindo ou... — Se calou, o suposto delinquente respeitou o silencio alheio.

— Ok, ok. É... Você tem alguma banda favorita? — Voltou a indagar, queria ajudar aquele cara e iria ajudar aquele cara! Era caso de vida ou morte! Agora iria até o fim, e aquele cara iria fazer parte do seu grupinho! — Veja bem, pra criar meu look, Asgore do céu isso foi muito gay... U-hum, pra criar meu look, eu me inspirei na cultura do rap do Brooklyn, lá os caras usam casacos de penas e esses caralhos ai.

— Hum... — Fresh refletiu sobre aquilo. — Bem, eu não gosto muito da cultura musical da atualidade. — Disse honesto. — Eu realmente acho que a qualidade musical se perdeu há anos, e que as eras sessenta; setenta; oitenta e noventa foram os mais ricos da cultura Pop, eu meio que venero aquela época, às vezes eu me vestia como eles... Mas eu tive que largar meus discos quando entrei nessa escola.

— Como eles se vestiam? — O punker indagou alheio à toda nomenclatura de alto porte presente na fala do novo amigo, aquelas informações eram ótimas e bastante uteis.

— Eles, literalmente, usavam roupas diversas e coloridas, misturavam tudo que encontravam e criaram estilos improvisados e...

Os dois se encararam, abriram a boca num perfeito “o” só para depois se levantarem do chão e começarem a gritar feitos dois lunáticos.

— Temos que lhe arranjar roupas... Err... Coloridas e diversas! — O punker exclamou segurando-lhe os ombros. — Vamos lá! Conheço uma loja de roupas que fica não muito longe daqui! Deve estar aberta! Você precisa de uma identidade, você precisa ser feliz meu caro sabe por quê? Porque você merece. — Deu um socão amigável no peito dele, estava absurdamente animado. — Agora vamos comprar suas roupas caralho!

— Não fala palavrão porra! — Fresh o repreendeu ainda em porte do maior sorriso da sua vida inteira seguindo o novo amigo.

— Caralho! Porra! Filho da puta! Pau! Buceta! Bucetão! Arrombado! Cuzão! Chupem meu malaquias! — O punker saiu xingando o corredor inteiro em resposta a censura do novo amigo. — Espera ai! — Parou de correr bruscamente, fazendo o desconhecido bater contra suas costas. — Meu nome é Red, qual o seu?

— Meu nome é Fresh, é... Prazer. — Fresh ergueu a mão para cumprimenta-lo, depois de realizarem as formalidades não se conteve. — E obrigado cara.

— De nada cara, a partir de hoje você vai ser meu amigo e a gente vai meter o louco nessa porra! — Apontou para os céus. — Deuses isso foi muito clichê... — Estremeceu. — Agora vamos comprar suas roupas, porque depois que você estiver vestido, você vai conseguir desenvolver sua personalidade, dai o objetivo de vida e com isso a felicidade estará nos seus dedos meu caro! Vamos logo antes que a loja feche!

— Vamos lá! — Respondeu no mesmo tom, Fresh já tinha a felicidade entre seus dedos no momento que cruzou com Red, as roupas só serviram para lembra-lo.

.

— Fresh, para. Ainda dá tempo, me fala o que está acontecendo. — Red sentia as lagrimas brotando no canto das orbitas, foram cinco anos... Cinco anos de amizade, cinco anos se dedicando a construir uma identidade, cinco anos para dar a felicidade para Fresh, felicidade que ele merecia.

— Ok. Vou falar o que está acontecendo. Se você não notou Red, o que está acontecendo é que ninguém nessa merda me leva a serio! — Exclamou, essa frase estava presa na garganta no ultimo ano. — Olha... Eu tenho que te agradecer por ter aberto meus olhos, eu aprendi com você como não ser uma marionete da sociedade, eu aprendi a dizer “não” e a ter minhas próprias vontades, eu agora tenho meus valores! Eu te agradeço profundamente. — Colocou a mão na caixa torácica. — Mas... — Olhou para baixo esfregando o crânio. — É que eu não posso continuar com essa identidade que eu criei, eu sinto que esse cara radical... — Apontou para as roupas coloridas queimando em fogo implacável. — Nunca foi o “eu” de verdade, eu ainda não me encontrei e o pior, eu perdi tempo me enganando e sendo esse outro cara. Desculpa Red, mas... Você só conseguiu piorar tudo e eu não teria visto isso se o Lust não tivesse me criticado.

— Mas... — Red ia se impor novamente, mas... Agora, enxergando tudo por outro ângulo, pelo ângulo do amigo... Tinha de admitir que estava errado, e ele estava certo. A culpa era sua por não ter o ajudado a se moldar corretamente, vivendo na ilusão de ser o cara relaxado, tranquilo e sem problemas... Como si próprio. — Tsc. — Estalou a língua nos dentes, agoniado, frustrado, e acima de tudo melancólico! Havia estragado tudo! De novo! Ergueu o olhar para o amigo e arregalou as orbitas ao vê-lo virar uma garrafa de bebida alcóolica, abriu a boca para repreendê-lo, mas foi interrompido antes mesmo de verbalizar sua dor.

— Nem venha me censurar, você mesmo disse que a bebida é o melhor remédio pra afastar a dor. — Fresh sussurrou virando a garrafa novamente, na verdade através dela estava criando coragem para... Ou melhor, já sentia-se corajoso o suficiente. — Agora, eu vou terminar o que você começou. — Deixou a garrafa cair no chão, levou as duas mãos para os óculos, suas falanges tremeram... Mas respirou fundo e... As tirou da frente dos olhos, agora poderia ver o mundo adequadamente. Olhou para seus óculos uma ultima vez antes – se arrepiando ao ver neles sua imagem refletida – de joga-lo na fogueira e andar apressado numa direção oposta para fora da floresta, precisava de ar.

Red correu até os óculos que queimavam e esticou a mão para pega-los, ignorando a dor, ignorando a quentura irracional, ignorando o fato de que poderia perder a mão!

— Argh! — Rosnou com a dor dilacerante que foi colocar a mão no fogo e segurar o acessório extremamente quente entre seus dedos, mas não importava! Tinha de salvar os óculos, só tinha de salva-los! Quando o pegou jogou-o no gramado. — Caralho...! — Murmurou num choramingo, a mão estava ardendo, teria de ir a enfermaria depois, enfiou a mão no bolso e apertou o tecido contra as falanges numa tentativa irracional de conter a sensação tortuosa. — Maldito Fresh...! — Sussurrou, mais um peso na ALMA. — Merda... O que foi que eu fiz... — Olhou para o céu em meio às folhas das arvores, deu os ombros e caminhou para fora dali, tropeçou na garrafa de álcool... Encarou-a por alguns segundos. — Ainda não. — Concluiu consigo mesmo. — Preciso ir ajudar o Dream. — Ainda podia salvar algum dos seus amigos. E com isso em mente meteu o pé dali em passos apressados, atropelando Sans ao chegar na saída da floresta e fazendo-o cair bruscamente na rua.

Bi! Bi!

— Red! Volta aqui, pra onde você... Você... — Sans, deitado na rua, se calou ao ver um caminhão em alta velocidade se aproximando. — Você... — Não conseguiu terminar a frase, seu corpo inteiro havia paralisado, o caminhão estava vindo.

— Sans! — Red exclamou numa tentativa de tirar o amigo do transe. — Sans! Porra! Sai dai! — Tentou ir para a rua, mas vários carros passando em alta velocidade impedia-o, só podia gritar e esperar um milagre. — Sans! Por favor, levanta! Você vai ser atropelado porra! — Berrou.

— Você vai...? — Sans não conseguiu se mover, havia estancado. — Você foi um ótimo amigo Red...

— SANS! — Red esbravejou, quando finalmente um carro deu passagem... — SANS! NÃO! — Red berrou com as mãos no crânio; perplexo e abismado ao ver o corpo do amigo ser lançado para longe. — Sans! — Correu desesperado até ele.

— Ai meu Asgore, o que foi que eu fiz? Eu vou chamar a ambulância, alguém ajuda aqui! — O motorista do caminhão – um esqueleto que Red não conhecia – saiu do veiculo desesperado com o celular em mãos. — Calma garoto, seu amigo não vai morrer.

Todos os carros pararam e seus respectivos motoristas começaram a sair, todos com celulares foram desesperadamente auxiliar o jovem atropelado e com isso Red foi brutalmente afastado por um monstro que se dizia medico e havia dito que o estudante inconsciente precisava de ar... Inconsciente, essa palavra passou a ecoar na cabeça do maior dos delinquentes.

— Puta que me pariu... — Red afastou-se da multidão, pronto para correr pra qualquer lugar longe dali, mas avistou da entrada da floresta uma garrafa de álcool, a mesma que Fresh havia bebido, parecia que o mundo estava contra si, parecia que o mundo gritava para se destruir. As lágrimas escorreram novamente com tanta força, tanta! Deu um chute no chão e andou até a garrafa, pegou-a e não pensou duas vezes antes de abri-la e vira-la, numa forte golada. — Argh! — Resmungou, não bebia há cinco anos, já havia se esquecido como se bebia adequadamente.

 Red vai ficar? Mas é Edge? Será que ficou cego, ou melhor, será que vai sobreviver? Lust conseguiu chamar ajuda?

E Nightmare, sentia apenas ciúmes pelo irmão? O que ele queria fazendo coisas indecentes com Cross? E Cross, o que ele vai fazer que precisa da companhia de Nightmare, que tipo de momento delicado da vida era esse?

Reaper vai conseguir dormir depois do que rolou com ele na igreja? Quais eram os significados das palavras complicadíssimas que Geno havia utilizado em sua prece, será que as frases tinham em porte uma mensagem oculta? E quem eram os esqueletos que estavam na foto junto com Geno? Qual era o problema de Geno? Seria tão grave para ele ter apoio do diretor? E qual é a relação dele com Papyrus? E por que Sans havia ficado com ciúmes do irmão, seria só coisa de irmão mesmo?

Será que Fresh vai ficar bem? Será que a perda das roupas vai abalar muito seu psicológico?

E Blueberry? Por que ele quer se parecer tanto com Red?

Mas e Carrot? O que ele queria dizer com “o que o Stretch fazia”? E quem é Mutt? Quem é Black’? Será que Carrot vai ficar bem depois de ingerir tantas drogas? Será que ele será punido pelo que fez? Será que Red iria perdoa-lo?

E Sans vai viver? Quem era o melhor amigo que ele tinha que aparentemente o largou?

Onde será que estão Dust e Horror? Será que eles já se perdoaram? E Error e Ink? O que estariam fazendo? Seria algo grave?

Em apenas um dia Lust havia chegado ao colégio Underground II, conhecido vários esqueletos, estragado indiretamente a vida de alguns deles, se apaixonado, tudo em apenas um dia, e as aulas começavam no dia seguinte – segunda-feira.

O primeiro dia do resto da vida dele não havia sido muito convidativo.

As surpresas haviam acabado?

Seria o fim do jogo da conquista?

E agora, quem poderá os defender?


Notas Finais


Eu disse que o capítulo ia foder geral >.>
Espero realmente q tenham gostado <3


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