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História Como o Céu Deve Ser - Capítulo 1


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Notas do Autor


Oi cara de sapo ~
Boa leitura ♡

Capítulo 1 - Capítulo 1


CAPÍTULO 1


Chanyeol havia esquecido como era aquela sensação. Sentir um frio na barriga, um pouco de vergonha e vontade de dançar. Esses eram os sintomas de que aquele jogador de basquete estava potencialmente se interessando por alguém.

Ele não percebeu de imediato. Talvez tenha sido quando o viu a segunda vez, por que da primeira não sabia exatamente o que havia acontecido. Chanyeol não sentia como se estivesse no próprio corpo, estava flutuando entre o racional e a beira do abismo da insanidade.

Como alguém podia ser tão… sabe… Jongin! Como alguém poderia ser tão Jongin daquele jeito?

E ainda achava que podia sorrir como se o mundo fosse inteirinho dele. Como se dentro de Chanyeol não estivesse uma bagunça de sensações que nem sabia mais existir. Como se pinturas e poemas fossem só o que fizessem dele uma carcaça.

Aquele era Kim Jongin.

Bem ali sentado ao lado de sua mãe, comendo o seu ensopado de caranguejo, bebendo o seu vinho 1935, sorrindo o seu riso preferido. Sendo Kim Jongin.

— Não é mesmo, filho? — a madrasta o chamou.

— Claro, mãe. — acordou de repente.

— Aliás, eu adoraria assistir mais um de seus jogos. — tomou mais um gole de vinho. — Mas sabe como sua mãe é, diz que eu dou má sorte.

— Não é verdade.

— Claro que é, Yeol. Todos os jogos em que sua mãe foi vocês sofreram contusões. Coitadinho do Yifan, deve ser traumatizado até hoje.

— Eu não dou má sorte. — tomou mais um gole. — São só dias em que os amigos do Yeol não se alongam direito.

— Vamos continuar assistindo pela TV. — Yeri beijou a bochecha da esposa e retirou a taça de vinho de perto.

Jongin assistia a tudo controlando o risinho na garganta. Era a terceira noite seguida que as mães de Chanyeol o convidavam para o jantar, e não pretendiam parar.

— Obrigado pelo convite, Sra. Park. Estava delicioso, como sempre.

Chanyeol apenas o olhava de longe, o coração aos pulos e uma ansiedade que não conseguia explicar.

— Você é sempre tão gentil, querido. — Seulgi falou já um pouco alterada. — Pode vir mais vezes, vamos adorar. Não é, Yeol?

Ele não respondeu. Não tinha como responder. Não quando Kim Jongin estava o encarando a um pouco mais de 1 metro de distância. Menos ainda quando ele estava sorrindo daquele jeito.

— Bom, eu vou indo. — a voz saiu mais baixa. — Boa noite.

Chanyeol, simplesmente, não soube o que fazer.

E foi naquele momento em que percebeu o quanto estava perdidamente, fodidamente, mas não surpreendentemente, apaixonado por Kim Jongin.


[…]


1 mês antes


Faziam quase duas horas que não entrava uma alma viva naquela loja, Jongin estava começando a ficar entediado com o filme brega que passava e sem ânimo nenhum para continuar ali sentado. Respirava fundo de cinco em cinco segundos esperando que um milagre acontece e o relógio marcasse 5 da tarde, quando acabaria seu expediente e seu irmão assumiria.

Estava no Havaí há quatro dias e em todos eles precisou ficar na loja do padrasto. Ficou a beira de subornar o irmão para ficar em seu lugar durante os turnos, mas sabia que aquele crianção não faria nada se não envolvesse dinheiro. Caminhou pela loja atrás de batatinhas e refrigerantes, pegou o máximo que conseguiu jogando tudo sobre o balcão. Não estava sendo pago por aquilo, então não seria descontado de algum lugar.

Merda! Deveria ter pedido um salário se iria ficar ali a manhã e a tarde toda enquanto deveria aproveitar as férias da faculdade. Desistiu de uma peça pra estar naquele lugar, desistiu de passar as férias se enchendo de hambúrguer e batata frita pra ficar com a mãe, e nem a via direito. Lembra-se dos agouros que seus amigos jogaram nele por trair a tradição das férias.

Batucou os dedos de leve no balcão olhando pro tempo ainda esperançoso, todos aqueles minutos se arrastavam pelo relógio e não conseguia fazer outra coisa a não ser respirar o mais alto que conseguia. Em alguns pouco segundos depois de ter quebrado a barreira do som, Jongin ouviu o sino da entrada tocar ao abrirem a porta. Finalmente alguém depois de centenas de segundos naquela caverna mórbida e úmida!

— Bem-vindos! — falou ajeitando a postura.

Ajeitou a camisa e tirou as latas de refrigerante que havia começado a beber de cima da bancada. Enquanto esperava os dois caras que entraram escolherem o que iriam comprar, ficou observando-os de longe só com a pontinha da cabeça para fora de uma revista que havia catado para disfarçar.

Um deles gesticulava muito o tempo inteiro e tagarelava aos quatro ventos como o primo folgado havia lhe colocado numa merda de encontro as cegas. O outro apenas ouvia, pegava uns pacotes de salgadinhos, ria, pegava mais pacotes e acenava positivamente. Então partiram para a prateleira de bebidas e Jongin jurava que era impossível duas pessoas beberem tudo aquilo sozinhas, caminharam com quatro cestas lotadas de compras até o caixa enquanto Jongin ainda fingia ler.

— ... eu tô te falando, brother! Aquele porra vai me fazer beber essa bebida inteira... — o de cabelos laranjas falou e encarou Jongin.

Olhou em volta analisando o espaço até parar em Jongin novamente, cutucou o braço do outro cara distraído com uma lista de compras.

— Essa é a loja certa? — perguntou ao amigo que agora estava mexendo em seus bolsos atrás de um cartão.

— É... — falou sacudindo todos os bolsos. — Você pegou o cart... — parou imediatamente quando viu Jongin. — Essa não é a loja certa.

Jongin os olhava de longe, o rosto apoiado em uma das mãos, um sorrisinho no canto da boca.

— Precisam de ajuda?

— Sr. Choi?! — o de cabelos laranjas perguntou.

— Desculpem, crianças, o Sr. Choi está doente.

— Droga! — os dois reclamaram. — Nada de algas hoje então.

Jongin balançou a cabeça afirmativamente.

Atendeu os dois o mais rápido que pôde por que pareciam extremamente desconfortáveis com aquela situação, desejou boa tarde e voltou ao marasmo de minutos antes. Tentou fazer palavras cruzadas antes de pegar outra lata de refrigerante, tentou continuar assistindo ao filme meio merda da tv, tentou tantas coisas que nem conseguia pensar. Só sossegou quando viu Taemin entrar e pegar um colete de atendente.

Jongin quase correu para casa para pegar Blue e finalmente entrar no mar, só assim teria um minutinho de paz. Teria o céu azul só pra ele.

Caminhou com Blue embaixo dos braços com um sorriso imenso nos lábios, o coração palpitava feito um louco, estava de volta. Esticou o corpo, alongou tudo o que havia para alongar e entrou no mar.


[...]


Chanyeol deixou a sacola de compras em cima do sofá para os amigos finalmente ficarem quietos e o deixarem em paz. Estavam animados desde o último campeonato em Nova York no final de semana, haviam ganhado pela terceira vez com uma pontuação discrepante.

Mas Chanyeol não estava no seu melhor momento. Seu processo criativo estava diminuindo conforme se dedicava mais ao time e tinha certeza que cairia de vez quando fosse nomeado capitão na próxima temporada de jogos.

Se deitou em uma rede no deque tentando esfriar a cabeça pela quinta vez naquelas últimas horas. Estava se preocupando demais com assuntos que nem deveriam ter tanta atenção assim.

— Park! — ouviu Baekhyun gritar da porta. — Não tô achando a mostarda!

— Claro que não, você acabou com ela no mês passado.

O outro bufou irritado.

— E o que eu vou comer com o salgadinho? — bateu na parte alta da rede.

— ACHEI KETCHUP! — Sehun gritou dentro do armário.

Baekhyun saiu correndo antes que Sehun acabasse tudo derramando dentro do próprio saco de salgadinhos.

Ouviu o barulho da TV e nem reclamou quando os ouviu gritar com ela. Estavam assistindo ao ultimo jogo da temporada pela quinta vez desde que chegaram, então preferiu deixa-los quietos pelo menos naqueles últimos 15 minutos de jogo. Voltou a se balançar vagarosamente na rede enquanto cantarolava baixinho. Tudo o que enxergava acima de sua cabeça era o azul, as nuvens e um rastro de um avião.


[...]


— Vocês souberam? Os filhos da senhora Choi estão passando as férias por aqui. — Baekhyun falou enquanto lambia os dedos. — Minha mãe disse que viu o filho mais novo pelado pela janela do quarto dela.

Sehun e Chanyeol se entreolharam por alguns segundos. Os Byun sempre eram portadores das notícias na Vila Vermelha, nada nunca passava por eles e nem era surpresa Baekhyun saber de cada criatura que pisa naquele território. Mas nunca haviam ido além dos limites como daquela vez a ponto de ver alguém sem roupas dentro da própria casa deles.

— E o que sua mãe tava fazendo olhando pela janela dele? — Sehun perguntou franzindo o cenho.

— Sabe como minha mãe é. Ficou curiosa com o tal filho da senhora Choi. Acho que ele não vem aqui desde que o pai se mudou pra Califórnia a uns 5 anos. — deixou outro pacote de batatinhas de lado. — Ela gritou muito alto e assustou o garoto. Quase eles chamam a polícia, mas meu pai foi lá se desculpar e dizer que foi um acidente.

— Vocês são muito esquisitos. — Sehun entortou o nariz.

— Ih! — o Byun jogou uma colher na direção do outro. — Você também é da minha família, esquisitão.

As vozes estridentes dos dois foram diminuindo conforme Chanyeol se distraia com os próprios pensamentos. Arrumou o cabelo comprido que grudava na nuca por causa do suor, enrolou no alto da cabeça e amarrou com um elástico. Roubou os últimos salgadinhos de Sehun ouvindo-os discutir – ainda – sobre quem era mais esquisito naquela família esquisita.

— Não acredito! — Baekhyun estreitou o olhar. — Olhem ele lá. O cara pelado!

E aquela foi a segunda vez que Chanyeol viu Jongin. Ele estava saindo do mar com uma prancha azul embaixo do braço, o pôr do sol deixando sua pele ainda mais bronzeada. Um sorrisinho arteiro de quem sabia que estava sendo desejado pela metade daquelas pessoas na praia, e pelas que não estavam lá também.

Estava correndo até uma bolsa que havia deixado perto da praia com toalha e protetor solar. Secou os cabelos com algum tempo antes de se deitar.

— É o cara da loja. — Sehun estava meio boquiaberto.

Passaram mais alguns minutos olhando para onde Jongin estava deitado tentando enxergar mais alguma coisa. Até ele se levantar, guardar as coisas e correr novamente com a prancha debaixo do braço.

Estava correndo na direção deles.

— Ele tá vindo pra cá! — Sehun bateu no braço do primo.

Os dois disfarçaram o que estavam fazendo tornando a conversar baixinho enquanto Jongin se aproximava.

— Ele é bem…

— Eu nunca vi uma pessoa tão bonita em toda a minha vida. — Baekhyun falou enquanto mexia no celular.

— Chanyeol, fecha a boca! — Sehun falou baixinho.

— O quê?

— Jongin! — ouviram a voz da mãe de Chanyeol dentro de casa.

O filho dos Choi ainda se aproximava com um sorriso tímido, pegou uma toalha que Seulgi lhe entregou e se secou.

— Como estava o mar?

— Estava incrível, como sempre.

Os três abobados continuaram olhando-o com os olhos arregalados e a boca semiaberta, parecia que nunca haviam visto alguém em roupa de mergulho e prancha. Muito daquilo era por nunca ter visto Kim Jongin numa roupa de mergulho e prancha, então era normal se sentirem “diferentes”.

— Filho, esse é o Jongin. — Seulgi lhe exibia orgulhosa. — A pessoa que eu disse mais cedo que viria surfar por aqui.

Os três continuaram mudos olhando para Jongin, até se tornar preocupante aquele silêncio todo e Sehun cutucar o braço do amigo. Chanyeol limpou a garganta antes de se levantar e cumprimentar o amigo de sua mãe.

— Muito prazer. — falou meio vacilante. — Chanyeol.

— Jongin. — e apertou sua mão.

Seulgi apresentou os amigos de Chanyeol que naquele momento não sabiam o momento de parar de fingir que estavam nem aí pro convidado. Levantaram-se em conjunto, um sentindo o corpo esquentar por motivo nenhum e o outro ficou meio tonto por que levantou rápido demais.

— Eu nunca senti tanta vontade de beijar uma pessoa como agora. — Sehun falou olhando bem no fundo dos olhos de Jongin. — Sehun.

O surfista apertou a mão de Jongin e disse que lembrava daquele cabelo laranja e da tatuagem de cachorrinho na mão.

— E eu nunca vi uma pessoa tão bonita assim em toda a minha vida. — Baekhyun segurou sua mão quase beijando-a. — Baekhyun.

Jongin só conseguiu rir de nervoso por que lembrava-se daquele rosto de alguns dias atrás e não era uma situação nada boa.

— Vocês estão assustando o garoto. — Yeri falou da cozinha.

— Então, Jongin. O que acha de ficar para o jantar? Vamos ter espaguete e torta holandesa.

Seulgi o guiou até uma cadeira de praia meio afastada dos outros três para poderem conversar melhor.

— Eu adoraria, Sra. Park. — falou ainda sorrindo.

— Ele não é adorável? — ela falou voltando para dentro.

Enquanto Seulgi voltava para ajudar a esposa a terminar o jantar, os três ficaram em uma disputa muda para saber quem começaria a conversar com Jongin. Este que não aparentava nenhum desconforto, até preferiria ficar em silêncio, seu pai lhe disse que era mais educado ficar em silêncio quando não se tinha nada realmente interessante a ser dito.

Os três se entreolhavam o tempo inteiro e olhavam de volta para Jongin muito concentrado em olhar quem passava pela praia.

— Então… — Baekhyun começou. — Que coisa doida né? Você surfa, eu também… muita coincidência.

— Você surfa? — Sehun quase gargalhou.

— Tem muitas coisas que não sabe sobre mim, Oh. As ondas na Califórnia são perfeitas, não acha?

— Já surfou na Califórnia? — perguntou realmente empolgado.

— Não acredite no que esse pilantra diz. Ele nem sequer foi pra Califórnia.

— Eu já fui lá perto. — deu língua para Sehun.

Chanyeol olhava para Jongin e depois para Baekhyun se perguntando o que estava acontecendo ali. Não sabia que o amigo se interessava por garotos.

— As ondas aqui são boas mesmo. — riu um pouco nervoso. — Mas parece que só nessa área. Já tentei surfar em quase toda a praia, mas todas as vezes em tomava caldo.

Baekhyun, Sehun e Chanyeol ouviam atentamente tudo o que saía da boca de Jongin, e fazer o Byun calar a boca era uma tarefa impossível. A voz dele parecia hipnotizar qualquer um que a ouvisse, como naquela música que gostavam de ouvir quando não conseguiam dormir.

Falaram sobre como havia sido esquisito na loja há algumas horas atrás e como Jongin ficava estranhamente bonito em um colete laranja.

— Espera eu acho que lembro de você. — Sehun falou se esforçando muito. — Você é irmão do Taemin, o cara do sorvete.

— É claro! — Baekhyun estalou os dedos. — Lembra, Chanyeol? O cara que jogava com a gente no primeiro ano e era péssimo.

— Eu lembro. Como ele está?

— O cara do sorvete? — Jongin perguntou rindo.

— Sempre que ele tomava sorvete com a gente parecia que o mundo estava acabando. Ele chorava muito, de soluçar. Antes era engraçado, mas pensando bem eu acho que ele tinha algum problema em aceitar que a namorada largou ele por um cara do paintball. — Chanyeol franziu o cenho.

— Finalmente ele vai parar de me zoar pela senhora Byun ter me visto sem roupas.

— Quanto a isso... — Baekhyun limpou a garganta. — A que horas você costuma tomar banho?

— Baekhyun! — Yeri gritou. — Eu tenho uma tarefa pra você.

Lá ia o pobre Byun se arrastando pela casa e recebendo um tapa no braço por ser inconveniente com o convidado mais uma vez (a primeira foi com a ex namorada de Chanyeol no primeiro ano pedindo pra ela coçar suas costas com uma concha, mas não gostava de lembrar disso). Sehun gargalhou audivelmente recebendo um dedo do meio furioso.

— Podem dizer a Sra. Park que eu vou em casa trocar de roupa? — caminhou até a prancha meio vacilante, as bochechas vermelhas, mas não sabiam se era pelo sol ou pela vergonha. — Eu volto em 20 minutos.

— Claro. — Sehun sorriu.

Os cinco o observaram se afastar pela praia acompanhando cada passo como se vissem um deus. Trocaram um olhar rápido e ficaram com os próprios pensamentos cada qual imaginando como aquela roupa de mergulho era sortuda.

— O que vocês fizeram? — Yeri apareceu de repente.

— Ele disse que iria trocar de roupa. — Sehun se defendeu. — O Byun assustou o garoto.

— Chanyeol?

— Eu só disse que meu nome era Chanyeol. — defendeu o rosto com os braços.

— Quando ele voltar eu quero que se comportem. — apontou uma colher de pau na direção dos três. — Entendeu, Byun?

Baekhyun balançou a cabeça freneticamente.

As mães de Chanyeol terminaram de aprontar o jantar antes de oito da noite, pediram que os três botassem os pratos e os talheres guardados do aniversário de casamento delas para receber Jongin. Ninguém via aquele jogo de mesa a quase 10 anos, então com certeza era uma ocasião importante.

Abriram uma garrafa de vinho antes dele chegar para não se sentirem tão intimidados e se “sentirem” se refere aos três marmanjos que aparentemente nunca haviam visto alguém bonito na vida.

Os cinco estavam sentados no deque esperando Jongin voltar. Seulgi batendo o pé delicadamente no piso, Baekhyun de braços cruzados bufando a cada cinco segundos e Sehun estralando a língua. Conseguiram assustar o garoto e ele nem tinha ficado 5 minutos com eles. Deus! Eram três estúpidos.

Chanyeol soltou o cabelo por que estava começando a ficar com dor de cabeça, batia os dedos no peito contando os segundos, estava mais quieto do que era considerado normal. Bebia o vinho, contava até 61, tomava mais um gole e repetia tudo. Estava tentando evitar pensar sobre o que havia visto na loja mais cedo, sobre aquele cabelo molhado de água do mar e sobre pessoas com o rosto vermelhinho de vergonha ou de ter tomado muito sol.

Mas lá estava o pensamento de novo e não conseguia evitar. Quando chegava em 61 lembrava de beber um gole, então lembrava de estar na loja, então lembrava da revista Trauma que estava na bancada, lembrava-se de cabelos escuros sendo jogados pra trás enquanto alguém corria em sua direção, de bochechas vermelhas e uma voz baixinha e cantada que não tava deixando sua mente trabalhar direito.

Pegou o elástico mais uma vez e amarrou o cabelo de novo.

Como alguém conseguia ficar bonito encharcado de água?

— Já fazem 45 minutos, eu tô com fome. — o Byun resmungou.

— Isso é culpa sua. Precisava ter perguntado aquilo pro garoto? — Sehun estava com a cabeça toda jogada para trás encarando o teto.

O Byun se ajeitou na cadeira quase dando um chute na canela do primo.

— Você olhou pra ele? Quando você acha que eu vou ter chances com um cara perfeito daqueles? Isso mesmo, nunca!

— E desde quando você gosta de caras? — Yeri estreitou os olhos.

— Tia, aquele Jongin faz qualquer pessoa duvidar do que gosta. — Baekhyun parecia desesperado.

Chanyeol ouviu as mães rirem e finalmente acordou do transe de contar.

— Bom, vamos comer, acho que ele não vem mais. — Seulgi levantou.

Os quatro a seguiram sentando-se imediatamente. Serviram suas comidas e suas taças. Sehun estava quase dando o primeiro gole de vinho quando ouviram a madeira do deque estalar.

Jongin tinha um sorriso meio sem graça por fazê-los esperar, mas não teve escolha. Precisou fugir de uma discussão muito complicada para estar ali, ele sentia que iria enlouquecer se continuasse em casa trancado no quarto. Então, lá estava ele. Um coração a mil, cabelos penteados para trás e olhos sorridentes.

Chanyeol notou os olhos vermelhos e a ponta do nariz com um pouco mais de pó compacto para esconder que também estava vermelho. E sabia que aquilo não era pela vergonha de uma hora atrás. Ele levantou devagar para recebe-lo e poder guardar o casaco pesado junto dos outros. Mas parou imediatamente quando ficou frente a frente com ele.

Por que ele o olhou.

O olhou com os olhos vermelhos de choro. E Chanyeol sabia que eram de ter chorado.

Continuou o olhando por alguns segundos antes de sorrir, pegar seu casaco e lhe conduzir a se sentar.

— Desculpem pelo atraso. Minha mãe ficou preocupada comigo e quase não me deixou sair. — suspirou cansado.

— Não tem problema, querido. Sente-se. — Chanyeol o guiou até um lugar ao lado de Sehun.

Este que sorriu vitorioso para Baekhyun do outro lado da mesa, encarando-o com muita vontade de lhe tacar aquela bandeja de molho fervendo.

Enquanto aquela briga interna acontecia entre os dois, Chanyeol atentou-se as mangas dobradas da camisa de Jongin, uma azulzinha que parecia deixar o tom de sua pele um pouco mais bronzeada. Sentou -se também sob o olhar daquele que tinha cheiro de fava de baunilha, subiu o olhar das mangas até o colarinho da camisa e viu que estava com dois botões abertos, notou a cor meio rosada dos lábios e depois os olhos sorridentes que lhe olhavam de volta.

O cabelo não estava mais encharcado, mas continuava bonito. As bochechas não estavam mais vermelhas, e os olhos continuavam sorrindo.

Tomou um gole do vinho só para ter alguma coisa para fazer.

— Então, Jongin… — Yeri tentou a todo custo não rir daquela situação. — Você mora na Califórnia, né? — cortava um pedaço imenso de carne.

— Sim, com o meu pai. — respondeu sorridente.

— E você faz faculdade de quê? — Seulgi perguntou lhe servindo uma taça de vinho.

— Teatro. — bebeu um pouco do vinho.

— O Chanyeol faz Artes Visuais. — Yeri sorriu para o filho.

Os dois cruzaram um olhar sorridente daqueles que você não sabe exatamente como reagir quando olha. E ninguém sabia como reagir ao olha-los sorrindo tão... nem sabiam explicar.

Baekhyun pigarreou.

— Eu soube que vai ter um sarau no Bosque daqui duas semanas. Vocês podiam participar. — Seulgi comentou animada.

— O Chanyeol em um sarau? — Baekhyun riu. — Ele nunca mostrou os desenhos dele pra mim, imagina pra dezenas de pessoas.

— Garoto, come o brócolis! — Yeri estremeceu.

— Eu já vi alguns, são muito bonitos. Eu fiquei emocionado.

— Você se emociona quando o Cruel te dá atenção. — Baekhyun falou de boca cheia.

— É óbvio, você já olhou bem nos olhos de arco-íris dele? — Sehun esfregou os olhos.

— Patético! — Baekhyun riu.

Jongin observava tudo quietinho em sua cadeira, prendia um risinho na garganta quando ouvia a voz de Yeri aumentar quando falava com o pobre Byun. Teve que esconder a boca várias vezes para evitar que a risada saísse com muita força. Se divertiu em um jantar como não fazia a anos, e bem aos pouquinhos foi se sentindo a vontade com eles.

Perguntaram tanto sobre sua vida que acreditava que não tinha deixado nenhum segredo. Quando já estava um pouco alterado pelo álcool, decidiu que era melhor ir pra casa, mesmo não querendo por os pés naquele lugar. Então ele murchou totalmente. Não ria mais, não falava ou tocava na torta holandesa.

— Obrigado pelo convite, Sra. Park. Você cozinha muito bem. — falou assim que se levantou.

— Você é tão gentil. — Seulgi sorriu. — Filho, acompanha o Jongin até o portão.

Chanyeol arregalou os olhos quase engasgando com o pouco de vinho que havia bebido.

— Não precisa. — Jongin riu sem graça.

— Chanyeol, vai logo! — Yeri ordenou.

O Park se levantou imediatamente recebendo o olhar dos quatro que estavam sentados. Entregou o casaco dele e guiou Jongin até a porta da frente ainda sentindo os olhares em cima deles.

Estavam a uma curta distância, mas suficiente para sentirem o cheiro de álcool quando o vento batia. Jongin tinha um sorriso pequeno no rosto mostrando que estava bastante confortável onde estava, e Chanyeol mantinha as mãos nos bolsos.

Jongin pigarreou.

— Casa legal. — falou remexendo as mãos nos bolsos.

— É, se você gosta de vidros. — falou ao vento.

O Kim parou imediatamente.

— Você gosta de vidros?

— Não, eles me dão medo.

Ele riu. E Chanyeol não entendeu o por quê, realmente tinha medo de vidros.

— Acho que o Cruel se daria bem com o Josefine. — ponderou. — Quando eu voltar nas próximas férias vou trazê-lo.

— Josefine?

— O Taemin deu esse nome fofinho pra ele.

Os dois ficaram em silêncio enquanto ainda andavam até a esquina. Um caminhando devagar um pouco mais atrás, o outro mais a frente sentindo a brisa bater um pouco mais forte.

— Não se importa se eu continuar surfando na sua área, não é?

— Não é a minha área. Pode ir quando quiser. — ele cruzou os braços.

— Oh, como agora? — Jongin começou a andar de costas para ver melhor o rosto do Park.

E ele o olhou.

— Sim. Mas eu odiaria se você fosse comido por um tubarão, então não vá a noite.

— Não tem tubarões nessa área. — Jongin também cruzou os braços.

— Mas podem ter águas-vivas, arraias, baiacus, e todos esses bichos que matam pessoas.

— Você fala como se eu não soubesse como me cuidar.

— Eu tenho certeza que sabe, mas seria doloroso ver seus olhos vermelhos de novo.

Jongin o fitou por mais tempo do que seria considerado normal para uma conversa comum, então desviou abruptamente.

— Eu… vou indo. Diga a Sra. Park que eu adorei tudo.

O Kim sentiu um negócio esquisito ao olhar aquele rosto que sorria, junto as mãos que não sabiam exatamente onde ficar.

— Até qualquer hora. — ouviu a voz rouca e baixinha.

Jongin deu passos curtos enquanto se afastava até começar a quase correr pela rua estreita.


[...]


— O que foi aquilo? — Baekhyun perguntou assim que o Park atravessou o portão. — “Se você gosta de vidros”. Park, eu não te criei assim. — deu um tapa no ombro do amigo.

— O quê?

— Vocês estavam claramente flertando. Na cara dura. — Sehun bufou.

— Eu não tava…

— “Acho que a Califórnia é um lugar agradável, inclusive já pensei em comprar um apartamento lá”. — citou a frase que o amigo havia dito no jantar

— Mas eu já pensei mesmo nisso.

— Me poupe, Park. Você nem sabe onde a Califórnia fica. — Baekhyun estava puto da vida.

— E aposto que vocês sabem.

— Isso não importa. — Sehun interrompeu. — Você tá afim dele?

— O quê? Não! — falou com convicção. — Eu nem conheço esse cara…

— Você não vai se casar com ele, só dar uns beijinhos. Por nós dois. — Baekhyun apontou para si e para Sehun.

— Vocês estão bêbados. Vão pra casa.

— Eu moro do lado dele, Park. Posso fazer isso por você. — Baekhyun sorriu.

— Vocês são ridículos.

— Eu te dou uma semana. Em uma semana você vai estar caidinho por esse Jongin.

Deram um último tapa em Chanyeol e foram embora dando aquele assunto por encerrado.


[...]


Depois de quase correr ladeira a cima, Jongin finalmente parou em frente ao portão de casa. Respirou fundo e se preparou para ouvir um sermão muito bem ensaiado de sua mãe. Falar que iria sair com amigos era um tabu naquela casa, assim como namoros, encontros e garotos. Lembrar que não tinha liberdade na casa de sua mãe era horrível, ardia no fundo da alma.

Abriu a porta devagarinho ainda respirando fundo. Não ligou a luz, nem fez muito barulho ao andar, só tentou fingir que não existia como estava fazendo naqueles outros dias.

— Se divertiu, campeão? — Siwon perguntou baixando o volume da TV.

Jongin se assustou ao ouvi-lo e ao mesmo tempo uma corrente de alívio passou pelo seu corpo.

— Acho que sim. Eles são legais. — tirou os tênis.

— Sua mãe deixou uns biscoitos no forno. Come antes do seu irmão saber.

Jongin andou despreocupado até a cozinha, pegou alguns biscoitos e um copo bem cheio de achocolatado, passou pela sala notando que ainda estava com o volume baixo.

— Jongin, você tem alguma coisa que… — Siwon tinha um vinco entre as sobrancelhas. — Você e o menino Park… estão… você sabe.

— Não, eu acabei de conhecê-lo. — falou meio apreensivo.

Siwon afirmou parecendo bastante aliviado.

— Desculpe por eu ter perguntado sobre isso, não quero invadir sua privacidade. Mas se tiver alguma coisa acontecendo com você, converse comigo, ok? — pediu em tom baixo. — Eu consegui aliviar as coisas por agora, mas sabe como sua mãe é. Sua mãe… sua mãe se preocupa com você.

— Eu sei disso. — foi a única coisa que conseguiu falar.

— Durma bem, campeão. — sorriu. — Amanhã já vai estar tudo bem.

— Boa noite. — falou antes de subir as escadas.

Jongin entrou no quarto e ligou apenas a luz azulada no canto do quarto. Deixou os biscoitos e o achocolatado em cima da cômoda. Deitou sobre os muitos travesseiros, ligou a caixinha de som, suspirou audivelmente até se sentir realmente bem.

O que não aconteceu de imediato.

Após alguns minutos naquele marasmo caminhou até a janela detrás do quarto. Olhou o mar e depois para Blue. Sorriu inconscientemente enquanto lembrava dos Park. Havia mesmo tido um momento sem gritos, coisas quebradas e choro em sua estadia ali.

Voltou a se deitar.

Comeu biscoitos e bebeu achocolatado. O mar estava como deveria estar.

Calmo, sereno e infinito.

Como Jongin.



Notas Finais


Eu fiquei meio desanimado depois que essa história foi ignorada da primeira vez, e se acontecer a mesma coisa agora eu apago e finjo que nada aconteceu.
Eu nunca me divulgo em lugar nenhum por que gosto de escrever pra pouca gente e também por vergonha, então não tenho muito alcance, mas eu ficaria imensamente feliz se essa aqui também desse certo (sério, tô muito triste por que ela é meu xodozinho)
Muito obrigado a quem chegou até aqui

Usem álcool em gel, amem o EXO e até o próximo capítulo

Bye bye


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