História Como sair impune de uma vida miserável - L3ddy - Capítulo 26


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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olar!
Meus amores, muito obrigada pelos desejos de melhoras pra mim, estou evoluindo aqui e quase nova de novo!

O que dizer sobre esse capítulo? Que está gigante e cheio de surpresas, então preparem-se para os tiros!
Não sei se ficou tão bom, acabei de terminar de escrever, mas espero que gostem.

Boa leitura!

Capítulo 26 - Surpresas.


Fanfic / Fanfiction Como sair impune de uma vida miserável - L3ddy - Capítulo 26 - Surpresas.

Luba

 

 

Uma brisa gelada atingiu meu rosto e me fez abrir os olhos. As portas da varanda, ainda abertas, deixavam o ar entrar, mas o que antes estava refrescante agora fazia esfriar, já não estava tão escuro também. Eu estava de bruços, com uma mão apoiando debaixo do rosto e sorri ao me deparar com o homem à minha frente; T3ddy dormia virado pra mim, seus lábios levemente abertos e o cabelo jogado no rosto. Virei-me para ficar de frente pra ele e dedilhei seus braços, até chegar em suas mãos.

Transar com ele dessa vez foi tão... Maduro. Não sei, foi como se tivéssemos nos conectado de uma forma mais intensa, e confesso... Meu amor por este homem só aumenta. Cada vez que o olho vejo minha vida inteira ali, dentro daquelas íris chocolate, e nada mais tem sentido se não estiver ao seu lado.

Sei dos riscos que esse meu desejo envolve e do quanto abri mão para estar aqui. Talvez estejamos separados daqui a algum tempo se um de nós não suportar a carga que isso nos trará, ou talvez nos casaremos na orla de uma linda praia de Miami e tenhamos quatro filhos – sorri com esse pensamento. Nem eu e muito menos ele nutrimos o desejo de ter filhos, mas é uma ideia bonita. Na verdade meu conceito de “casamento” é idealizarmos um sonho a dois e aproveitar a vida ao máximo juntos, explorando o mundo e também convivendo com nossos amigos. Essa falta de certeza pode assustar algumas pessoas que prefere a estabilidade e um conforto de um relacionamento concretizado à base de beijos, transas sem graça, briguinhas e ciúmes, o famoso “entre tapas e beijos”. Não. Eu aposto no frio na barriga e no quanto não me importaria se ele admirasse uma mulher bonita ou um cara sexy.

Somos muito mais do que isso. Porque, no final do dia, é comigo que ele fará amor.

 

Aproximei-me e distribuí vários beijinhos por seu rosto e percebi suas bochechas se levantando, denunciando um sorriso.

 

- Existe forma mais deliciosa de acordar do que essa? – Sua voz estava rouca e meus pelos se arrepiaram. – Bom dia, baby.

- Bom dia, amor... – Olhei em seus olhos e suas mãos passaram pela minha cintura. – Está bem? – Puxou minha nuca e delicadamente me puxou para cima de si, entrelaçando nossos dedos na altura de sua cabeça, enquanto seu olhar percorria meu rosto e seu sorriso ainda estava ali.

- Como poderia não estar? – Ergueu a cabeça em minha direção e meus lábios foram sugados pelo moreno iniciando um beijo calmo e lento. Meu Deus, seu beijo era tão devastador que tirava qualquer vontade de sair daquela cama e quando nos afastamos, eu poderia jurar que seu olhar era apaixonado. Desenrosquei nossos dedos e levei minha mão ao seu rosto, acariciando.

 

- Deixe-me ser seu? – Sussurrei próximo aos seus lábios rosados. Ele me direcionou um olhar curioso e abriu um lindo sorriso.

- Está me pedindo em namoro, Feuerschütte?

- N-Não, eu só... Eu... Aff. – Enfiei o rosto na curvatura do seu pescoço. – Só não gosto de imaginar você com outras pessoas. – Ele riu.

- Ei... Olha pra mim. – Balancei a cabeça, eu estava muito envergonhado, certeza que minhas bochechas estavam vermelhas. – Lucas, não fica assim. – Segurou meu queixo e ergueu meu rosto, e abriu um sorriso grande ao ver minha expressão. – Isso foi uma das coisas mais adoráveis que você já disse. Mas olha pra gente... – Roçou seus lábios nos meus, me fazendo fechar os olhos. – Acha mesmo que precisa pedir? Estamos morando juntos, baby. Você presenciou uma parte de mim da qual não me orgulho, você continuou comigo depois do que Paschoal fez... – Sua mandíbula se tencionou e fiz carinho em seus cabelos para acalmá-lo; meu peito doía ao vê-lo daquela forma. – Soube dos meus erros do passado, compreendeu minhas motivações, mesmo tendo seus princípios e seu caráter inabalável... E você demonstra seu amor por mim todos os dias. Quem mais poderia ser meu parceiro, meu céu e estrelas?

 

Meus olhos encheram-se de lágrimas. Nada, repito, nada nesse mundo poderia me deixar tão feliz como esse momento. Meu coração se acelerou de uma forma que eu tinha certeza que ele era capaz de ouvir. Só consegui encarar seus olhos firmes, aquela profundidade cor de café e beijei seus lábios de forma intensa enquanto ele me apertou em seus braços.

 

Ficamos por mais alguns minutos na cama trocando beijos e carícias deliciosas, e percebi que seus carinhos estavam mais intensos.

 

- O que acha de corrermos hoje antes de eu ir trabalhar? – Sugeri quando verifiquei o horário no celular: 05:46.

- Sério que vai me acompanhar?

- Claro, amor. Quem vai te salvar quando estiver em perigo? Eu, óbvio. Pra isso preciso ficar forte. – T3ddy riu abertamente, e aquele som era maravilhoso.

- Luba... Você já faz isso todos os dias. – Corei e beijei a ponta de seu nariz.

- Você está muito abusado com as palavras hoje. Levanta, vai.

 

Nos levantamos e fomos tomar um banho juntos, relaxante, para nos livrarmos daquele aroma maravilhoso de pós-sexo. Vestimos uma roupa leve e descemos para a cozinha, onde Lucas abriu as portas dos armários e da geladeira, mas não encontrou quase nada. Tinha apenas ovos, farinha, sal e frango. Então ele fez enormes panquecas protéicas e finalizamos com bananas com aveia, o que nos deu uma energia extra. Saímos e o sol estava começando a apontar no horizonte, dando um tom arroxeado ao céu sem nuvens. Caminhamos por alguns minutos e aceleramos conforme aquecemos.

Após umas quatro quadras, meu peito já queimava e T3ddy estava intacto ao meu lado. Parei apoiando as mãos nos joelhos, sugando todo o ar que fosse possível.

 

- Como você consegue? Jesus Cristo, estou enfartando. – Lucas parou e veio até mim já rindo.

- Você respira errado, baby, precisa controlar isso. Faça comigo. – Pegou minha mão esquerda me endireitando. – Inspira pelo nariz... – Inspirei seguido por ele. – E expire pela boca. – Imitei seu gesto. – Faça isso devagar quando estiver em repouso e o faça rápido quando estiver correndo, assim você se cansa menos.

- Quanta frescura... – Senti minha pulsação diminuir conforme respirava certo, e revirei os olhos. T3ddy colocou as mãos na cintura. – Tá tá, melhorou mesmo.

- Está vendo? Meu saco de pancadas vai chegar logo menos, então poderá treinar mais ainda em casa. Vai ficar ainda mais gostoso pra mim... – Apertou minha bunda com força, e soltei um gemido involuntário, morrendo de vergonha logo em seguida. – Como eu amo ouvir você gemendo, Luba...

- Para, T3ddy... – Ergueu a mão e colou o corpo no meu, assoprando próximo da minha orelha, me arrepiando completamente. – Estamos na rua, para com isso.

 

Reuni forças e o empurrei, rindo em seguida.

Corremos por mais uma hora e voltamos pra casa. Ao chegarmos, já corri para o banheiro para tomar uma ducha rápida, já um pouco atrasado. Assim que terminei, me sequei e vesti a cueca, e T3ddy bateu na porta.

 

- Posso entrar?

- Sim, já terminei. – Ele abriu a porta e entrou já sem a blusa. Olhou-se no espelho quando foi desabotoar a calça e parou. Observou suas cicatrizes no supercílio e maçãs do rosto, desceu o olhar para seu abdome e o fixou ali, em suas costelas; fechou os olhos e apertou a borda da pia com força, até os nós de seus dedos ficarem brancos; ele estava relembrando...

- Shh... – Aproximei-me e o abracei por trás, e percebi sua respiração ofegante. – Estou aqui, meu amor. Se quiser conversar sobre isso, estou aqui, tá bem? – Beijei seu ombro e ele relaxou. Abriu os olhos e os fixou nos meus através do reflexo do espelho, e suas orbes estavam levemente vermelhas. Percebi que ele fica assim quando está com raiva.

- Estou bem. É que... Às vezes é difícil. – Sussurrou.

- Eu sei, amor. Vem cá. – Peguei em seu braço e o virei pra mim, acariciei seu rosto com as pontas dos dedos e encostei nossas testas. – Eu te amo. Não esqueça disso, principalmente quando se sentir assim. Não deixe a raiva te dominar assim tão facilmente. Promete que vai tentar?

 

Ele assentiu. Selei seus lábios rapidamente e apertei suas mãos, saindo do banheiro em seguida para deixa-lo sozinho um tempo. Me corta o coração vê-lo dessa forma, sei que o ódio toma conta do T3ddy muito intensamente, e ele fica cego nessas horas. Não cogitei a hipótese de perguntar à Natália ou ao Gustavo sobre o que viram dentro da mansão naquele dia, pois ver a maldade nos olhos de Lucas quando saiu já me deu uma ideia do que tinha acontecido.

Prefiro cuidar de sua presente sanidade e lhe dar muito amor... Que é o que não me falta.

Vesti um jeans simples e uma camisa lilás de botões T3ddy saiu do banheiro quando eu estava calçando o tênis. Nos arrumamos rapidamente e já descemos para a garagem.

 

(...)

 

- Boa sorte. – Paramos em frente ao prédio da Milleniumm – que por sinal parecia ainda mais suntuoso e elegante do que quando vi pela primeira vez quando vim até aqui – e T3ddy desceu para abrir a porta pra mim já que minhas mãos estavam ocupadas com um café da Starbucks e um saco de papel com dois donuts integrais. Sim, tentei convencer esse urso teimoso que seria o último donut açucarado que eu comeria, mas ele não me deu brechas, e apenas permitiu um com farinha integral. Frescura da P O R R A.

Desci do carro e ele puxou meu queixo me beijando rapidamente.

 

- Cuidado. E muito juízo. – Falei fingindo estar bravo.

- Você sabe que tenho. – Sorriu de lado, e meu coração acelerou. Nunca vou me acostumar com esse sorriso, puta merda.

- Sei que você tem várias coisas, mas juízo não é uma delas. – Virei as costas e andei em direção à entrada. Olhei para trás e o vi entrando no carro novamente e fechando a porta.

 

Respirei fundo e entrei no enorme edifício. Estava levemente nervoso, mas confiava nas minhas habilidades, apesar de saber que aprenderia muitas coisas novas ali. Assim que entrei deparei-me com o hall muito bem arrumado, com várias poltronas confortáveis distribuídas ao redor de uma mesa de vidro, e um lindo lustre pendia do teto abobadado; era um lugar lindo. Como não notei isso quando entrei aqui?

 

- Senhor Feuerschütte? – Olhei para trás e uma mulher de cabelos negros até a altura dos ombros sorriu forçadamente para mim. Assenti e ela me direcionou um olhar tedioso. Já vi que não faz jus ao lugar. – Meu nome é Júlia, sou recepcionista da redação desta unidade. Me acompanhe, por favor, a Erica está aguardando o senhor.

- Claro, mas pode me chamar de Lucas, por favor. Não sou tão velho assim. – Sorri, mas ela meio que revirou os olhos. Já senti o famoso ranço.

- Pode deixar comigo, Júlia, eu assumo daqui.

 

Uma voz grossa soou ao meu lado esquerdo e um homem alto de nariz protuberante surgiu, muito bonito por sinal. Veio em minha direção com um largo sorriso que eu retribuí.

 

- Claro, qualquer coisa que precisarem estou às ordens. – A mulher saiu de volta para o balcão.

- Prazer, Lucas, eu sou o co-produtor da redação, Felipe Castanhari. – Ia me estender a mão, porém viu que as minhas estavam ocupadas. – Deixe-me te ajudar com isso.

- O-Obrigado, e o prazer é todo meu. – Ele pegou a sacola com os donuts e me pediu para segui-lo.

- Estamos todos no refeitório tomando café, vamos pra lá.

 

Andamos por alguns corredores e várias pessoas me deram boas vindas, o que me deixou muito feliz. Eram todos simpáticos – exceto a recepcionista – e me trataram com muita cortesia. Já tenho uma ótima impressão do lugar. Chegamos em um enorme espaço de alimentação onde várias pessoas estavam sentadas em determinadas mesas, e vi Erica de longe conversando com uma mulher de cabelos castanhos com as pontas azuladas e uma outra mulher ao lado, muito bonita, com seus olhos amendoados e gentis que se fixaram em mim quando me aproximei.

 

- Bom dia, Lucas! – Erica se levantou assim que chegamos perto e apertou minha mão. – Espero que nosso querido co-produtor o tenha recebido bem.

- Claro, ele foi excelente. Muito bom dia, aliás. – Cumprimentei. Erica sentou-se e me pediu para fazer o mesmo, e Felipe me acompanhou. – Esse lugar é enorme...

- Vai se perder algumas vezes, não se preocupe. – A garota de cabelos azulados falou. – Prazer, me chamo Gabriela Fadel.

- Lucas, essa é a melhor editora da área de entretenimento que já andou por este planeta. - Erica falou sorrindo.

- Uau, que grande honra a minha então, senhorita Fadel. – Sorri e ela corou.

- E essa é Carla, a responsável pelo desenvolvimento das colunas desse mesmo departamento. Tem uma escrita impecável, vai se surpreender com o que irá ler nas finalizações das edições.

- Não sei de onde ela tira essas coisas. – Carla disse, sorrindo de lado, e eu bebi um gole do meu café. Gostei muito da forma que a Erica apresentou seus funcionários, é raro esse tipo de liderança; e isso explica o porquê elas são tão boas, além dos próprios méritos.

- Tão exagerada... – Gabriela disse, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.

 

- Jamais. Então Lucas, estávamos falando sobre aquele projeto, e ele irá envolver algumas viagens. Depois que apresentar-se para os CEO’s da Milleniumm veremos sobre sua atuação em campo e decidiremos os próximos passos, ok?

- Ótimo. Espero muito contribuir para essa empresa..

 

As coisas não poderiam estar melhores.

 

~

 

T3ddy

 

Agora tenho um problema para resolver. Assim que deixei Luba na Milleniumm, peguei até o final da Paulista e saí em direção à Osasco, para depois ir à Itapevi. Peguei meu celular e disquei um número e, após alguns toques, uma voz impaciente atendeu.

 

- Olioti, já não te disse que não pode entrar em contato comigo?

- Renata, eu preciso falar com você. Está na base? Estou indo aí.

 

Silêncio.

 

- Renata? – Ela suspirou.

- Tudo bem, Lucas, pode vir. Estarei te esperando.

 

Desliguei e acelerei. Não posso conviver com essa dúvida, preciso saber como ela soube do Paschoal naquele dia. Afinal, de que serve eu ser um agente se estou por fora das coisas mais importantes? E pior, que me envolvem diretamente.

 

 

 

XxX

 

 

 

- Preciso que você venha pra cá agora.

Renata, mas e os protocolos? – A voz era exasperada do outro lado da linha.

- Esqueça os protocolos. Olioti é esperto, ele percebeu algo errado naquele dia e agora vai vir me questionar.

Tenta enrolar ele, conta qualquer coisa.

- Você o conhece mais do que eu, sabe que ele não vai cair em qualquer conversa. Vem pra base, acho que dentro de uma hora ele chega.

 

A outra voz suspirou.

 

- Ok, daqui a pouco estou aí.

 

 

 

XxX

 

 

 

A base ficava bem afastada da cidade, praticamente no meio de um deserto de áreas abandonadas, justamente para não chamar atenção. À noite poderia ser facilmente confundido com um cenário de filme de terror.

Parei em frente à guarita do edifício térreo – que lembrava muito o Pentágono dos Estados Unidos – e apresentei minha identidade e digital. Há muito tempo que não venho aqui, a última vez foi nos treinamentos de inverno, que a Renata sugou tanto de mim que me custou dores musculares por um mês. O treino aqui é pesado e fico até imaginando o que a Natália irá passar quando vier pra cá, apesar de ela ser forte, vai ser difícil se acostumar com o ritmo. Por falar nisso, preciso avisá-la para vir o quanto antes, nunca se sabe quando aparecerá algum trabalho.

O portão foi aberto e estacionei na área reservada, próximo às palmeiras. Desci do carro e andei até a entrada de portas de vidro espelhadas, e quando as abri, o cheiro de roupa nova me invadiu.

 

Após cumprimentar Patrícia – a recepcionista – fui diretamente à sala da Renata, que já estava previamente avisada da minha chegada. Bati na porta duas vezes.

 

- Entre.

 

A negra dos olhos cor de mel me olhava com um leve sorriso quando entrei, e estava vestida de forma mais formal do que normalmente, usando uma calça cáqui e um terno preto com uma blusa branca por baixo. Seus cabelos encaracolados estavam mais curtos, na altura dos ombros, e isso lhe deu um ar mais jovial.

 

- Sente-se, Olioti. Do que precisa?

- Por isso gosto de você Renata. Direta como sempre. Vou seguir seu ritmo: como sabia sobre Paschoal? Ou melhor, Antony. – Cruzei os dedos em cima da mesa, olhando-a fixamente. Eu não esperava nenhum tipo de armadilha, sabia que poderia confiar nela, mas eu queria saber por que não fui informado disso, porque isso pode levar a outras coisas, e não quero surpresas. Ela respirou fundo e bebericou um gole do café que estava na xícara vermelha ao seu lado, e prensou os lábios.

- Olioti... Você nunca vai parar de me surpreender com sua perspicácia. – Levantou-se e virou-se para a janela de vidro que ficava atrás de sua mesa, com as mãos cruzadas nas costas. – Não fiz isso para esconder nada de você... No seu treinamento você soube sobre nossos protocolos de segurança e que, às vezes, precisamos reservar algumas coisas mesmo confiando nos nossos melhores agentes, como você. – Virou-se pra mim.

- Mas por que isso? Ainda mais quando envolve meu próprio pai, Renata.

- Eu sei, Lucas, mas ainda assim há riscos. – Andou calmamente em minha direção e apoiou-se na mesa, ficando ao meu lado. – Antony era membro da Johnson Enterprises, como você já sabe, e essa companhia é muito perigosa e um dos nossos principais alvos. Nos últimos tempos capturamos alguns membros para sessões de “entrevistas” – Que são praticamente ameaças, como eu já havia feito – e não conseguimos muita coisa, é como se eles preferissem morrer à abrir a boca.

- Qual o tamanho dessa companhia, exatamente?

- Impossível dizer. Contabilizamos oitenta pessoas de acordo com algumas pesquisas, mas outro agente informou que pode passar dos duzentos. – Uou. – Então toda e qualquer informação importante deve ser sigilosa, e apenas pessoas estritamente autorizadas podem saber sobre isso. – Antes que eu pudesse argumentar, ela continuou. – E você é uma delas. Só que eu precisava montar um plano de ação quando Antony te reencontrou, e juro que não sabia que ele era seu pai, Olioti. – Fixou os olhos em mim e vi sinceridade neles; apenas assenti. – Então tive que colocar outra pessoa para avaliar a situação, mas você foi bem mais rápido e eliminou um dos maiores mercenários; seu pai executou mais de cem mulheres em processos de prostituição e overdoses.

 

Fiquei boquiaberto. Sempre soube que Paschoal era um demônio de pessoa, mas nunca pensei que ele seria capaz de algo tão... Macabro. Isso me enoja e me trás alívio saber que o mandei para junto de seus iguais.

 

- Há quanto tempo ele estava metido nisso? – Falei em um fio de voz. Renata colocou a mão em meu ombro e falou baixo, como se pedisse desculpas.

- Desde sempre, Lucas. Sua mãe... Era uma das vítimas. Depois que ele a engravidou – porque sim, ele também estuprava as mulheres que recrutava – um de seus chefes ficou possesso e disse para ele se virar com a mulher e o filho. Então ele meio que caiu na sarjeta, perdeu quase tudo que tinha e mantinha sua mãe dopada para que ela, aos poucos, viciasse e não se lembrasse mais do que aconteceu. Depois que você tentou matá-lo junto com Vera - sua mãe - ele voltou para a companhia pedindo abrigo e o aceitaram de novo, já que ele era muito bom no que fazia.

 

Eu estava sem chão. Aquele filho da puta...

 

Levantei-me e passei as mãos pelos cabelos, completamente chocado.

 

- Ele acabou com nossas vidas, Renata! Puta merda, quantas vezes ele xingou minha mãe, chamando-a de imprestável, drogada, e mais os caralhos.

- Sei que é difícil, Lucas. Sinto muito por você. – Ela abaixou a cabeça e eu não conseguia raciocinar direito. – Mas olha, tenho uma surpresa pra você. Vou te apresentar a pessoa responsável que me passou as informações sobre aquela noite.

- Renata, eu...

- Venha. – Andou até mim e pegou em meu braço, me puxando pra fora da sala.

 

Andamos por alguns corredores extensos e comecei a ouvir sons de disparos; alguém estava treinando.

 

- Essa pessoa está na companhia há quase o mesmo tempo que você. Trabalhava em outro ramo, mas depois que Antony apareceu, pedi suporte à ela. – Abrimos uma porta de metal que deu em um campo aberto, como um campo de concentração, e o vento erguia a areia vermelha do chão. Franzi, pois o sol estava forte e ao longe vi um corpo movimentar-se enquanto atirava nos alvos à sua frente. – Acho que você vai gostar dela.

- Nem pense em trocar minha parceira, já escolhi uma e não vou trabalhar com quem não conheço. – Renata olhou pra mim sorridente e apertou o botão de um walkie talkie que estava em seu bolso.

- Agente Doze, aproximar-se.

 

A pessoa então parou de atirar com a metralhadora e o vento ainda não me permitia vê-la. Então ela andou em nossa direção, com a arma apoiada em seu peito por uma faixa, e reconheci aqueles cabelos – agora castanhos claros – balançando ao vento. Usava um óculos de proteção e um colete por cima de sua regata preta. Ela sorria e meu coração disparou.

 

Natália.


Notas Finais


Teorias?

Espero que esteja claro gente, se estiver confuso me avisem que vou tentar deixar mais explicado nos próximos capitulos.
Ainda tem segredos para serem desenterrados, não se preocupem.

Até o próximo!


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