História Como se cura o amor - Capítulo 1


Escrita por: e oppadaddy

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Min Yoongi (Suga)
Tags Sugakook, Yoonkook
Visualizações 206
Palavras 5.199
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Fluffy, LGBT, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá! Essa fanfic é dedicada para aquelas pessoas que de duas, uma: acham o romantismo estranho ou acham estranho aqueles que acham o romantismo algo estranho (prometo de dedinho que essa frase não vai soar inusitada quando finalizarem a leitura dessa história). Boa leitura!

Capítulo 1 - Capítulo único


Era mais uma tarde entediante no trabalho. Min Yoongi, que dava seu máximo na faculdade de medicina, não aguentava mais levantar da cama confortável, depois que voltava de um dia cansativo na faculdade, para ir trabalhar numa farmácia perto do apartamento que o dinheiro que ganhava podia pagar. Quem disse que vida de um universitário cursando medicina seria fácil? Seus pais bem que podiam ter lhe alertado.


Yoongi não tinha ideia do quanto ele teria que batalhar quando prometeu a sua mãe que seguiria a carreira de seus familiares, dando continuidade ao legado dos Min; médicos excelentes, os melhores de Daegu. Se iria estudar e trabalhar como um burro de carga, iria, ao menos, fazer isso sozinho; essa, na verdade, fora uma ideia de seu pai, mas ele acabou aceitando fazer tudo por sua conta.


Com o trabalho que tinha, era normal ver adolescentes desesperados entrando pela porta do pequeno estabelecimento em pleno momento em que estava se preparando para finalizar seu turno, onze horas da noite; os adolescentes procuravam por camisinhas, ou, como era até mais comum, pílulas do dia seguinte; hormônios. O jovem moreno que entrava parecia ser diferente, ele tremia e talvez precisasse de uma consulta médica. Primeiramente pedindo perdão aos céus, Yoongi desejou que ele realmente precisasse. Acabaria com a monotonia de seu dia, embora seja algo ruim para o jovem que se aproximava com pressa.


— Moço, você precisa me ajudar! — a voz exasperada foi estranhamente reconhecida por Yoongi, mas o rapaz não fazia ideia de onde tinha a ouvido antes.

 

— O que você precisa? — perguntou, encarando o garoto que limpava a têmpora, que tinha suor escorrendo.

 

O garoto pensou por alguns instantes. Não havia um jeito de falar aquilo sem que parecesse um completo idiota. O que estava sentindo era forte demais para descrever, e também tinha um risco de que o segurança do estabelecimento o chutasse para fora, já que o encarava feio por ter entrado correndo.

 

— Eu preciso de um remédio que cure o amor — disse, e o farmacêutico tentou disfarçar que revirava os olhos. Ótimo, um paciente para psiquiatria, aparentemente, Namjoon é quem deveria estar aqui!, o Min pensou.

 

Kim Namjoon cursava psicologia, Yoongi e ele se conheceram num intervalo entre uma aula e outra, descobriram várias coisas em comum e uma linda amizade foi formada, bom, quase isso. O Kim teve que se esforçar para conquistar a amizade do mais velho, Yoongi era reservado demais, introvertido demais. Foi difícil.

 

Mas o Min não queria julgar o garoto em sua frente, passou por situação parecida há alguns meses, quando Park Jimin fizera de seu coração um monte de pedacinhos, chegou a pensar ser irreparável.

 

— Desculpa aí, cara, mas não vendemos isso — respondeu simples, tentando não soar rude. O de cabelos negros do outro lado do balcão pareceu se alterar.

 

— Eu sei que não. Mas, me dê algo que faça meu coração parar de doer tanto.

 

— Você está tendo dores no peito? — Yoongi se alarmou, podia ser um paciente, alguém que precisasse de primeiros socorros, talvez. Melhor, podia ser um paciente cirúrgico e ele, heroi Min Yoongi, entraria na cirurgia por ter levado o garoto até o hospital.

 

— Não, é lá dentro. No meu coração, acho que meu hyung o quebrou! — respondeu, e toda a excitação do Min foi por água abaixo.

 

— É... Não tem nada aqui que te ajude.

 

— Quantos anos você tem? — perguntou de repente, Yoongi hesitou em responder.

 

— Vinte e quatro, por quê? — Afastou-se ao que o garoto se debruçou no balcão.

 

— Então, você já deve ter tido uma decepção amorosa, sabe o quanto doi. Por que não fizeram um remédio para curar isso? — O garoto parecia que iria chorar a qualquer momento, e o mais velho estranhou como, de repente, o rosto dele parecia familiar.

 

— Qual o seu nome?

 

— Jeongguk, Jeon Jeongguk, e o seu? — o Min arregalou os olhos, sabia bem quem era aquele.

 

— Min Yoongi. — Por muito tempo odiou o ser que estava em sua frente, desejou que coisas ruins o acontecesse, mas agora se achava estúpido por ter pensado tais coisas, o garoto parecia não fazer mal a uma mosca. Infelizmente, junto à Jimin, ele já havia o feito mal. — Você já ficou com Jimin, não é? Park Jimin? — questionou, não iria acusar sem ter total certeza.

 

— Oh, Jimin hyung foi um caso há tempos, depois que eu descobri que ele namorava um tal de... — A frase morreu em sua boca quando Jeongguk se deu conta com quem estava falando — Desculpe! — disse, como um instinto.

 

— Não se desculpe, você não sabia, não é?

 

— Eu não fazia ideia. Jimin hyung deixou a verdade escapar durante uma de nossas discussões e eu terminei as coisas com ele. — O Min sentiu um estranho alívio ao ouvir que, realmente, o garoto o fez mal apenas por não saber.

 

— Eu terminei as coisas com ele quando descobri você — disse com pesar — Ele nunca tentou me contar sobre…

 

— Eu sinto muito, hyung. — Yoongi queria rir da situação, tão estranha quanto o dia em que descobriu que seu namorado o traía com um calouro da faculdade.

 

— Mas, então, não temos remédio para curar o amor, ou as coisas ruins que ele traz. No meu caso, eu me recuperei com o tempo e tequila, mas eu não recomendo porque a ressaca é péssima. — fez uma careta enquanto lembrava-se do tempo que levou para se recuperar dos machucados que Park Jimin fez em seu coração. Jeongguk riu, mas voltou a ficar sério antes de fazer uma pergunta que sabia ser pessoal demais, mas tinha que saber até onde Min Yoongi o entendia.

 

— Você o amou? — Ajeitou-se melhor no balcão que se apoiava.

 

— Estranho dizer isso, mesmo porque eu sofri quando aconteceu o que aconteceu, mas não, eu não o amei. Eu acho que Jimin só tirou pedaços de mim e quando eu digo que estava me recuperando dele, eu quero dizer que estava me recuperando do que eu fiz com que ele fizesse. Eu não fui o suficiente, e então ele precisou procurar em outro lugar, outra pessoa. — Até o próprio Yoongi se surpreendeu com sua resposta. A seu ver, aquilo era exposição demais sobre sua vida, não era de confiar nas pessoas por qualquer motivo que seja, mas então surge um garoto de cabelos negros, todo exasperado, e o faz responder perguntas que ele evitava até a pensar sobre.

 

— Não acho que você não tenha sido suficiente, e se não foi, na verdade, se Jimin realmente gostasse de você, rolaria uma conversa e, se não houvesse entendimento, vocês terminariam. — O Jeon não era bom com conselhos, quiçá conclusões que ajudassem alguém (o que parece a mesma coisa, mas, na verdade, não é).

 

— Eu preciso ligar para meu amigo e finalizar meu turno, como conselho para curar o amor e seja lá a destruição que seja lá quem tenha causado a seu coração, eu recomendo que você procure se divertir por aí, com pessoas... Cure-se colocando curativos temporários que dura uma noite, se é que isso não faz você se sentir mais vazio.

 

— Não sou do tipo que relaxa usando as pessoas, hyung — o Jeon replicou. — A pessoa que destruiu meu coraçãozinho, fez bem mais do que seria possível curar com um curativo temporário que dura uma noite.

 

— Eu acho romantismo algo estranho. — Yoongi o respondeu, cético.

 

— Eu acho você estranho, não fale do romantismo.

 

— Você não me conhece, não pode me achar estranho — disse, pensando dar um fim à discussão, e mesmo que não fosse ele iria ter que finalizar de qualquer jeito. Matar Kim Namjoon estava na sua lista de afazeres do dia, onde já se viu se atrasar para o trabalho daquele jeito?

 

— Ei, hyung! — olhou para a figura do garoto, que tornou a chamar sua atenção. — Vejo você na faculdade, qualquer dia desses?

 

— Talvez, eu te veja, você não tenho tanta certeza. Desatento como é... — disse vendo o outro dar risada, e achou adoráveis os dentinhos da frente avantajados, enquanto o cabelo do garoto, divido no meio, o dava um ar mais adorável ainda.

 

— Talvez, eu te veja cuidando de algum paciente, futuro doutor. — respondeu, indicando que não era assim tão desatento como o Min achou de início. O sorriso que o moreno fez, por alguma razão desconhecida fez sua boca secar, os pulmões perderem um pouco de ar e o coração acelerar, pouco, mas o bastante para ser notado pelo dono daqueles órgãos, que, de repente, decidiram por eles mesmo parar de seguir comandos.

 

Seu coração não devia acelerar, assim como os pulmões precisarem que ele tomasse mais fôlego, pelo menos não enquanto olhava atento para um desconhecido, Jeongguk não deveria chamar tanto sua atenção. E a atenção de Yoongi não deveria ser completamente voltada ao garoto até que ele saísse porta a fora. Nada daquilo deveria acontecer, no entanto, aconteceu.

 

[...]

 

O número de telefone foi trocado semanas depois do acontecido na farmácia. Acabou que Min Yoongi pedia para sair cedo das aulas de Biofísica, apenas pelo bel-prazer de assistir o final da aula de canto dos alunos do curso de Música, especificamente para assistir a um aluno na aula de canto.

 

Jeon Jeongguk foi chamado de estranho por seus amigos, Seokjin e Taehyung, isso porque, segundo eles mesmos, era muito estranho aquilo que constantemente observavam o Jeon fazendo; ele pulava o final de uma aula de sua disciplina favorita, História das Artes, para correr pela faculdade e observar um garoto de cabelos negros como os seus e a pele clara como uma folha de papel, sem motivo algum aparente. Os amigos não entendiam se era uma grande atração, mesmo porque Jeongguk suspirava como um apaixonado ao ter a imagem do tal garoto no seu campo de visão, ou se ele estava vendendo seu tempo e atenção para um serviço de stalker, bom, este último fora ideia de Taehyung, quem sempre pensava as coisas mais loucas e, às vezes, que não faziam sentido nenhum.

 

Já Yoongi não se deu o trabalho de detalhar quando tentou explicar para Namjoon o que estava acontecendo consigo e porque estava tão “animadinho” em relação a um dos calouros da universidade, mais especificamente um que “fez seu namorado o trair”. O Min não esperava que ele entendesse, mesmo que o explicasse com paciência, era algo que nem ele mesmo entendia.

 

Os dois repetiam para si mesmos que foi só porque um chamou muito a atenção do outro. Jeongguk chegou meigo, com um ar inocente, pedindo a cura para o amor. Yoongi estava lá, destilando sua sabedoria e revelando alguns dados pessoais apenas na esperança que, de alguma forma, sua própria experiência ajudasse o Jeon.

 

Uma situação normal demais para que algo anormal acontecesse. Porém, não é como se pudesse dizer que realmente não aconteceu.

 

Esbarraram-se no corredor, olharam um nos olhos do outro por tempo o suficiente para perderem a noção de tempo e espaço, trocaram cumprimentos antes de trocarem o número de telefone. Sabiam que queriam e precisavam falar um com o outro.

 

O primeiro encontro dos dois foi marcado, exatamente, duas semanas depois. E, exatas duas horas depois do encontro – haviam ido assistir Ant-Man no cinema, um clichê –, se encontravam sorrindo para o teto de seus respectivos quartos. Não sabiam o que era aquilo que estavam sentindo, mas estava sendo bom, estranhamente bom.

 

Enquanto Min Yoongi encantava com aquele jeitinho fofo, e fingia não se importar, Jeon Jeongguk se importava em demasia, e parecia ser exatamente isso o que o Min precisava, que alguém se importasse bastante consigo.

 

Acharam-se completos quando acharam um ao outro, e isso era extremamente estranho. Como uma conexão tão grande acontece com alguém que você conhece em tão pouco tempo? Não que Yoongi acreditasse de fato, mas parecia ser obra do universo, aquilo de juntá-los. Kim Taehyung, amigo de Jeongguk, era quem colocava aquelas minhocas em sua cabeça.

 

Fizeram uma junção de grupos, Yoongi e seu amigo Namjoon passaram a sentar na mesma mesa que Jeongguk e seus amigos, Seokjin e Taehyung. A conexão entre eles, o que o Min achava que seria um problema, foi tão rápida que chegou a assustar. Daí surgiu Kim Taehyung com sua paranoia de que tudo estava previsto pelo universo, a conexão entre os amigos seria intensa até que seja lá o que o universo esteja planejando funcione, Taehyung apenas demorou um pouquinho para processar qual era o objetivo do universo ali em sua roda de amigos.

 

— Tae, isso é loucura. — Seokjin chegava a forçar uma sensatez que não era dele, tinha gente nova no grupinho afinal, tinha que parecer o mais intelectual o possível. Mas ele ficava estranho daquele jeito, fazia Taehyung e Jeongguk rirem da polidez de seu hyung.

 

— Taehyung, você tem umas ideias fantásticas. — Namjoon disse simples e todos o encararam como se ele tivesse dito algo absurdo.

 

— Encorajar ideias loucas faz parte do seu trabalho como psicólogo, hyung? — Jeongguk perguntou e ganhou um peteleco de Taehyung.

 

— Não, mas é quase isso. Eu, pessoalmente e não falando com minha profissão, acho as ideias do Tae legais, eu diria que ele é dez por cento gênio e noventa por cento... Hum…

 

— Idiota. Dez por cento gênio e noventa por cento idiota. — O Jeon provocou e ganhou mais um peteleco de Taehyung.

 

— Jeonggukie! — o Kim chamou a atenção e o moreno apenas riu. Sentado do outro lado da mesa, a cabeça pendendo para o ombro de Namjoon, Yoongi era o mais calado dali, naquele momento.

 

— Eu ia dizer noventa por cento aleatório, mas a palavra idiota também encaixa, desculpa, Tae. — Namjoon respondeu e todos passaram a acompanhar Jeongguk – que olhava para a carinha emburrada de seu hyung – com risadas, todos exceto o Kim mais novo e Min Yoongi.

 

— Yoongi, você está bem? — Seokjin perguntou e todos os olhares foram direcionados para o Min.

 

— Sim — respondeu a levantou a cabeça, dando um sorrisinho para disfarçar — Tae, suas ideias são incríveis, não dê ouvidos a eles!

 

— Obrigado, hyung! — ele respondeu meigo. E Yoongi se deu conta de que estava encrencado, queria ficar com raiva daquele Kim, já até desconfiava por que; Jeongguk era próximo do de cabelos cor de fogo, muito próximo, e Yoongi queria ser como ele, queria estar ali e fazer piadas com o Jeon, fazer aquele sorriso de coelho brotar em seu rosto, como Taehyung fazia. Então, queria odiar o Kim, por ter o que ele não tinha, mas não era possível odiar alguém como Kim Taehyung, e mais impossível ainda era o próprio Yoongi admitir o que sentia. Min Yoongi estava encrencado.

 

[...]

 

O tempo foi passando, para o Min a faculdade de Medicina foi se tornando mais difícil conforme os últimos anos se aproximavam, e sua vida foi se tornando mais difícil conforme foi – sem saber – se apaixonando por Jeongguk.

 

Os dois se pegaram pensando no tempo em que se conheciam, agora já fazia quase um ano desde que Jeongguk apareceu na farmácia onde Yoongi trabalhava, o futuro médico estava agora prestes a entrar como estagiário em um hospital, teria menos tempo para vê-lo e passar tempo consigo, os últimos dias foram passando devagar para o Jeon, ele se sentiu sozinho e concentrou-se em pensar em Yoongi, o que ele significa para si, o que queria significar para ele; pensar em seu hyung o acalmava, refrescava, porém também preocupava. O que realmente era tudo aquilo? O que eram e o que tinham? Se a resposta para a última questão for apenas uma amizade, o Jeon quer que todas aquelas sejam perguntas retóricas.

 

Yoongi era como um canário, aquele pássaro; dócil e especial, ele se destaca por sua voz (para o Jeon, não há coisa melhor do que a voz rouca de seu hyung perto de seu ouvido, não é à toa as reclamações do Min quando, em dias aleatórios, Jeongguk o liga cedo), em geral sua personalidade é adorável (ele ri das piadas sem graça do Jeon, isso já faz dele adorável, mas tem tanto mais, Jeongguk já encontrou tanto mais), e ainda que possam se tornar muito apegados às suas companhias humanas, os canários gostam da companhia da sua própria espécie quando em sua gaiola.

 

Yoongi não era apegado a qualquer humano, contudo encontrou uma companhia, outro canário que nem sabia que era um, ele era impertinente e o ligava de madrugada dizendo aleatoriedades e dando suspiros quando recebia as resposta ditadas com calma pela voz meio falha do mais velho, Yoongi ria das piadas do Jeon, ria com satisfação e era porque achava realmente engraçado, mas também a carinha de felicidade de Jeongguk era impagável, ele precisava a ver de qualquer maneira, e sempre conseguia quando ria. Jeongguk também era dócil e igualmente especial.

 

Uma garrafa de vinho em pleno telhado do prédio onde Namjoon alugava um apartamento, ele e Yoongi estavam sentados ali olhando as estrelas, os amigos conversavam sobre qualquer coisa sem ser a faculdade. Até que o Kim tocou em seu ponto fraco; Jeongguk.

 

— Eu... Gosto dele. — Yoongi respondeu, não havia pensado em um rótulo para seu sentimento ainda, o que deveria dizer? Estava apaixonado? Nem ele mesmo sabia, como dar um nome ao que você desconhece?

 

— Não foi isso que eu perguntei, Yoon. O que está rolando entre você e o Guk? Se estiver se enrolando como foi com o Jimin, eu... — Namjoon ia dizendo, antes de o Min interromper bruscamente sua linha de raciocínio.

 

— Ele é completamente diferente de Jimin, eu nem sentia com essa intensidade antes. O Park foi em uma época em que eu sentia a necessidade de estar em um relacionamento e mostrar para a minha família o quão equilibrado eu era, mas está diferente... Eu estou diferente...

 

— E como se sente em estar diferente? — Namjoon ajeitou sua própria postura para continuar a ouvir o amigo.

 

— Que droga, Namjoon! Isso não é uma consulta, você não é meu terapeuta e eu não tenho que te falar como estou me sentindo! — exasperou-se.

 

— É uma pergunta básica, Yoon, eu não estou tentando te tratar como meu paciente, eu só quero que você me deixe te ajudar, para isso você tem que me dizer o que está sentindo.

 

— Eu não sei, ‘tá legal?! Eu não sei o que estou sentindo! — O Min estava nervoso, visível e repentinamente nervoso. — Nunca senti isso por ninguém, Namjoon…

 

— Você diria que o quer? Tipo, em diversos sentidos? — O mais velho assentiu. — Você o considera apenas um amigo e quer que continue assim? — Yoongi negou. Namjoon, por fim, concluiu: — Você está apaixonado!

 

— Como sabe disso? Talvez, eu apenas o queira casualmente e seja algo carnal, e…

 

— Você precisa admitir para si mesmo, até lá, não há nada que eu ou qualquer outra pessoa diga e você vai querer acreditar — Namjoon finalizou. O mais velho se calou e voltou a olhar para o céu, enquanto bebericava o vinho direto da garrafa.

 

A noite se encerrou com o Kim carregando Yoongi para seu apartamento e o jogando no sofá macio. Ele havia ficado bêbado, sabia que quando isso acontecia era apenas porque ele pensava que assim esqueceria aquilo que o atormentava, com o Jeon era diferente, Namjoon se ligou disso.

 

[...]

 

Yoongi e Jeongguk faziam muita coisa juntos, estavam sempre a todo vapor inventando atividades e saindo para algum lugar. Passar a tarde no apartamento do mais velho era o que faziam com mais frequência; era confortável lá.

 

— Você não vai acreditar o que eu vi hoje! — Jeongguk disse eufórico. O Min estava abrindo a porta para o mais novo quando ele simplesmente a abriu depressa e a fechou antes mesmo que ele se ajeitasse corretamente para dar as boas-vindas de volta à seu apartamento, havia virado um ritual, agiam como se as idas do Jeon ao apartamento de Yoongi não fossem frequentes, por algum motivo, quando digo algum é, na verdade, as boas gargalhadas que os dois davam enquanto rolavam no sofá pequeno da sala, simplesmente rindo deles mesmos.

 

— Espero que seja mais importante do que a zoação que eu ia fazer contigo hoje. — O Min, e seu mau-humor de quase sempre, fazia, em qualquer situação, o Jeon sorrir arteiro, até que gostava de irritar seu hyung.

 

— Você vai rir quando ouvir… Preparado? — Usava um tom divertido para falar. O moreno observou o mais velho o ignorar, enquanto ele se jogava no sofá. — Park Jimin está saindo com Jung Hoseok! — Riu alto quando o Min levantou de súbito.

 

— O quê? Jimin odiava aquele esquisito! — Yoongi acompanhou as risadas do mais novo. — Não brinque, Jeon.

 

Com um sorriso bonito, mesmo que estranho estar sempre lá, Jung Hoseok era o garoto mais estranho da faculdade. Taehyung costumava sair com ele, por isso Yoongi não estranhava o comportamento do Kim, qualquer pessoa que andasse com o “Hoseok alegre”, como o Jung era chamado, eventualmente ficava um pouquinho como ele, talvez pegasse por osmose.

 

— Estou falando sério, hyung. Vi o Park saindo com o Hoseok daquela cafeteria perto da universidade.

 

— Jeongguk! Ele está sozinho ao ponto de recorrer a Jung Hoseok! — O tom soou como um preocupado, a audição do Jeon captou que a voz de repente falha e a expressão não mais divertida como antes havia tomado conta de seu hyung, uma troca de humor e mudança no clima tão rápida quanto o que o Jeon disse sem pensar a seguir:

 

— Você ainda se preocupa com ele nesse sentido? Mesmo depois do que ele lhe fez?

 

— O quê? Não, não neste ou qualquer outro sentido. Só... Fiquei chocado. Imagina você ser famosinho, bom estudante, mas não sequer se aproxima de ser um nerd, bonito e tendo uma coletânea de agendas com números de amigos e conhecidos, mas do nada, começa a sair com o cara mais…Sei lá de toda a universidade. — Fez uma pausa, respirou fundo tentando se livrar do peso que o assolou, ainda se sentia culpado pelo o que aconteceu. — Ele era como um robô perfeito e está saindo com outro robô, mas um que é medíocre e estranho.

 

— Tá, mas por que está tão preocupado com ele, Yoon? — o Jeon questionou, estava impaciente querendo uma resposta para apenas uma questão: Yoongi ainda sentia algo por Jimin?

 

— Eu não sei, Jeon. Eu não sei e não entendo, eu acho que talvez seja... Empatia? — afirmou duvidoso, não tinha uma definição para o que sentia. — Eu sei que eu não me importo mais com ele, nunca estive apaixonado por ele como eu...

 

— Como você... — incentivou.

 

— Não estou preparado para falar sobre essas coisas contigo. Eu não posso sair atropelando o que denomino como minha zona de conforto só para simplesmente tacar palavras sem sentido na sua cara e aguardar que você as retribua. — Não mediu se iria soar grosseiro.

 

— Diga as palavras de uma vez, hyung! Eu prefiro que você me magoe agora com suas palavras sem sentido do que depois quando... — Foi interrompido com os lábios do mais velho sendo encostados nos seus. Jeongguk segurou o rosto de Yoongi com delicadeza, enquanto as bocas estavam se entendendo, se encaixando. Talvez se reencontrando, de outras vidas, sabe? Era uma teoria louca que surgiu como o assunto do dia na terça-feira passada, graças a Taehyung que insistia em dizer que o Jeon e o Min pareciam serem destinados.

 

— As palavras são: eu estou apaixonado por você, Jeonggukie — disse entrecortado pela respiração que já estava falha, tomou de volta o fôlego que o rosto bonito tão próximo do seu o tirava e se declarou: — Há um tempo, você chegou lá na farmácia procurando pela cura do amor... Não queira jamais curar algo tão bonito, doa o que doer, você tem que ser firme e curar a si mesmo, as pessoas são quem precisam ser curadas, não os sentimentos.

 

— Eu disse que queria curar o amor, mas eu não sabia o que ele era, porque aquilo comparado a isso soa tão simples. Você é intenso, isso aqui é intenso, nada já foi como isso. — Tentou gesticular que “isso” eram eles, não sabia o que eram, mas já era algo e estava bom.

 

— Eu nunca senti isso antes, acredita?

 

— Eu também não. — Puxou o mais velho para mais perto, não que ele estivesse longe, apenas queria... Senti-lo.

 

— Então, nós podemos dizer que somos o primeiro amor um do outro? — o mais velho perguntou.

 

— Na verdade, não, hyung. — Yoongi o encarou confuso. — Meu primeiro amor é seu sorriso.

 

— Ah, o romantismo…

 

— Escuta aqui, você não fala do meu romantismo! — As risadas dos dois preencheram a sala, até o mais velho voltar sua atenção aos lábios rosados do moreno e se perder no corpo celeste de luz própria que eles pareciam ser ao serem molhados com saliva. Perfeito.

 

— Não vou, agora vem aqui. — Antes que o garoto realmente fosse, o Min puxou a cintura dele até que se colasse a sua, se jogou no sofá trazendo o corpo do mais novo junto com o seu e iniciaram um ósculo, mais necessitado do que o primeiro visto que ambos estavam sedentos para colarem os lábios um no outro depois de terem experimentado uma vez.

 

Eles relaxaram ali, numa bolha de conforto criada por eles e que era só deles. Em pleno sofá pequeno, porém confortável, da sala de estar do apartamento de Yoongi, eles se encontraram em casa, não o lugar que era de todos, mas o lugar que se voltava para casa depois de um dia cansativo e beijava a pessoa que amava até que a noite passasse, daquela mesma forma estavam e sempre estariam.

 

Já eram um do outro, já completavam um ao outro, já aconteceram um para o outro. Min Yoongi e Jeon Jeongguk; não pensavam nisso ainda, mas futuramente seriam Min Jeon Jeongguk e Jeon Min Yoongi. Um do outro, um com o outro.

 

[...]

 

— Yoongi hyung é como o frio e Jeonggukie como o calor, por isso talvez esse choque térmico faça dessa coisa entre os dois tão indecifrável — Taehyung comentava mais uma ideia louca entre a roda de amigos.

 

— Isso faz sentido, vocês têm que admitir — Namjoon replicou e viu os outros negarem, iria insistir no ponto de Taehyung, se uma figura conhecida não aparecesse atrás do casal recém formado; Yoongi e Jeongguk estavam de costas para o lugar e não viam quem andava na direção deles calmamente, Namjoon viu e tentou sinalizar, mas de nada adiantou quando o garoto chamou a atenção do casal.

 

— Ei... Yoon, como está? — Park Jimin perguntou.

 

— Ótimo, e como você está? — o Min respondeu e Jeongguk estava, de repente, desconfortável.

 

— Podemos conversar? — Ignorou a pergunta do outro, a mesa estava quieta, ninguém diria nada. Taehyung era o único que mantinha algum contato com Jimin, mas não o encarou por sequer um segundo quando o baixinho se aproximou.

 

— Sobre? — disse seco, Namjoon bateu palmas internamente, mas seu espírito gentil demais se entristeceu por Jimin, mesmo depois do que ele havia feito com o Min.

 

— É importante — disse. Yoongi encarou o Jeon ao seu lado e ele o respondeu com o olhar, o mais velho deixou um beijo suave na bochecha direita de seu garoto antes de levantar suspirando e caminhar refeitório à fora na companhia de Jimin.

 

— Fale, é bom que seja realmente importante, Park. — Yoongi disse sério quando chegaram a um canto mais afastado e menos movimentado do campus.

 

— Eu quero o seu perdão. Você não precisa ser meu amigo, é só que... Eu abri meus olhos para tudo o que já fiz, eu tinha o seu amor e fiz dele nada, porque me sentia sozinho no nosso relacionamento, mas eu não tinha o direito de te machucar. Só... Por favor, me perdoa — o mais baixo disse tudo com pressa, talvez, medo de Yoongi o ignorar e sair dali.

 

— Terminamos há quase dois anos atrás, por que está fazendo isso agora?

 

— Eu não entendia o mal que te fiz, Yoon... — disse, seu tom de voz beirava o desespero.

 

— Se é que isso vai fazer você se sentir melhor, eu nunca amei você, Park. De início eu me culpei pelo o que aconteceu, mas sabe... A pessoa que eu realmente amo me mostrou que nada foi realmente culpa minha, e mesmo assim meu ódio por você se dissipou. — o mais velho explicou. — Eu te perdôo — Jimin suspirou aliviado. —, mas, você tem que se desculpar com Jeongguk também, o que você fez com foi errado.

 

— Eu vou, e, aliás, parabéns pelo relacionamento de vocês dois, fiquei feliz quando soube.

 

— É mesmo?! — exclamou surpreso.

 

— É mesmo, ele é um bom garoto, vocês formam um ótimo par... — E, dali, partiram em uma conversa enquanto se locomoviam de volta para a mesa onde os amigos estavam.

 

Jimin se desculpou com Jeongguk e se sentou perto de Taehyung, os dois engataram em uma conversa só deles ali e os outros passaram a comentar sobre um filme que veriam na próxima sexta-feira. O clima harmonioso e sereno era uma novidade para Yoongi, algo que há tempos ele não tinha. Tinha Jeongguk e tinha seus amigos, a faculdade e o trabalho iam bem. Seu tudo estava finalmente completo, gostaria que daquele jeito ficasse para sempre.

 

Algumas semanas depois, Hoseok alegre foi introduzido ao grupo. Ele disse que não se importava em ser chamado de alegre ou estranho, até porque realmente era. Namjoon foi quem aprimorou o apelido do mais novo amigo; foi de Hoseok alegre para “Hoseok, o esperança”, e depois ficou como “J-Hope”, como Jung esperança, mas em outra língua porque soava melhor.

 

O grupo cresceu consideravelmente, e Yoongi, o grande introvertido, foi de certa forma forçado a se mudar um pouco, para melhor. Jeongguk era tão introvertido quanto ele, talvez seja por isso que ficar em silêncio e apenas trocar beijos doces em seus tempos livres seja o programa favorito do casal. De qualquer forma eles se mudaram, ficaram mais comunicativos ainda que menos que Jimin e Seokjin.

 

Eles estavam diferentes por eles, brigavam por causa de uma situação boba às vezes, mas sempre se reconciliavam com facilidade, se reconciliavam por eles.

 

O que o amor muda nas pessoas? Min Yoongi se mudou por amor a seus amigos, Jeon Jeongguk se mudou pelo amadurecimento que os anos passando o trazia.

 

Yoongi mudou por Jeongguk e Jeongguk mudou por Yoongi. Sendo o primeiro amor um do outro, teriam suas almas gravadas no mural de “felizes para sempre” do universo. Entre uma teoria e outra, talvez Taehyung tivesse descoberto a verdade.



Notas Finais


Gostaria de dar os devidos agradecimentos e parabenizar a designer que fez a capa: @XJeongguk, essa capa ficou maravilhosa. E a talentosa @tyhusvt que fez a betagem deslumbrante dessa história, excepcional. Muito obrigada! E muito obrigada por ler!


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