História Como se fosse verdade - Capítulo 7


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Categorias The 100
Tags Bellarke, Drama, Juvenil, Romance, The 100
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Palavras 2.174
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 7 - Promessas e mais promessas


Fanfic / Fanfiction Como se fosse verdade - Capítulo 7 - Promessas e mais promessas

Clarke entrou em seu quarto e logo seguiu em direção ao banheiro. Precisava sentir a água fria em contato com a pele, isso sempre a fazia se desligar do mundo, debaixo do chuveiro ela não ouvia nada além do som da água que parecia fazer um caminho exato e entrava em sua mente liberando toda a tensão.

Suas roupas ficaram espalhadas pelo chão, a madrugada chegava lentamente e junto com ela um vento gélido. Ela sabia que todos a esperavam na sala, sabia que teria que ficar frente a eles e aceitar todo o consolo e carinho que estavam dispostos a lhe dar. Mas na verdade tudo o que ela queria era ficar sozinha, ansiava por isso tanto quanto ansiava fechar os olhos e dormir, assim poderia fugir.

Contudo seus amigos, ou melhor, sua família estava ali e eles sempre estariam, esperariam por ela até quando estivesse pronta. Deveria começar os preparativos para o enterro de Luna, e deveria falar com Madie... e como iria falar para ela que sua mãe havia morrido a deixando órfã no mundo?

Enxugou uma lágrima que ainda insistia em cair de seus olhos, vestiu-se lentamente e desceu as escadas. Até o raiar do dia as horas passariam se arrastando, levando o pouco tempo que Clarke tinha para elaborar uma conversa menos dolorosa possível com Madie.

 

***

Roan estava na varanda, ao telefone conversava com a assistente social do hospital. Os primeiros procedimentos necessários para o enterro de Luna já haviam sido finalizados, o corpo já estava preparado e logo seria enviado para a capela do cemitério da cidade.

Mas nesse momento o assunto em questão com a assistente, e apesar de não ser sobre Luna, atingia exclusivamente alguém que estava sob seus cuidados.

ASSISTENTE: - Doutor Azgeda, o senhor sabe que estou fazendo apenas o meu trabalho.

ROAN: - Eu sei, mas você não pode esperar um pouco mais?

ASSISTENTE: - Senhor eu já esperei muito mais do que devia, acredite em casos como esse, minha primeira ação deve ser manter a criança sob meus cuidados.

ROAN: - Eu posso lhe garantir que ela está sendo devidamente cuidada.

ASSISTENTE: - Não duvido disso doutor, mas não posso fugir de minhas responsabilidades, eu preciso cumprir meu dever.

ROAN: - Até o final da tarde, é tudo o que eu peço. Me dê esse tempo e eu prometo que vou encontrar algum documento que garanta que Clarke é a tutora da menina.

ASSISTENTE: - Eu posso receber uma advertência ou quem sabe até coisa pior...

ROAN: - Por favor Cristine...

ASSISTENTE: - Às 17:00h. Traga ela ou eu vou buscá-la.

ROAN: - Obrigada.

Ao desligar o telefone os pensamentos de Roan tornaram-se turbulentos, ele sabia que Luna não havia deixado testamento ou mesmo um documento que poderia permitir que Clarke cuidasse de sua filha caso o piro acontece a ela.

Sabia também que Clarke provavelmente enlouqueceria se justo agora Madie fosse separada dela.

***

Bellamy acordou em meio as folhas secas de algumas árvores do bosque entre a cidade e a estrada. Sua cabeça doía e ele aos poucos lembrou-se dos acontecimentos da noite anterior.

“Major Griffin”

Era o pensamento que mais agitava sua mente no momento. Ele havia vindo para Arkadia para concertar seus erros com sua família, com seus amigos e consigo mesmo. Pensou não uma ou duas, mais centenas de vezes antes de voltar para sua cidade natal, não seria fácil ele sabia, mas faria tudo para recomeçar.

O que ele não tinha ideia era de que ao voltar encontraria não só os erros do seu passado abandonado, mas também a bagagem extra que ele lutou tanto para deixar.

Agora tinha duas opções, ficar e reparar os erros cometidos tanto em sua cidade natal quanto no exército, ou ir embora dali. Então ele pensou durante boa parte da manhã com qual escolha ele conseguiria viver.

***

 

Clarke se aproximou da varanda da casa da senhora Greice, o momento de conversar com Madie havia chegado.

A menina saiu saltitando com o gato em seu colo, Clarke a observava pular no jardim de sua casa enquanto tentava engolir o nó em sua garganta.

CLARKE: - Madie, meu amor vem aqui me abraçar?

A menina soltou o gato e correu em direção ao abraço de Clarke.

MADIE: - Clarke por que está tem tanta gente em sua casa? Mamãe já voltou? (Um largo sorriso se fez em seu rosto)

CLARKE: - Não Madie, você já tomou seu café da manhã?

MADIE: - Arram. A senhora Greice me deixou comer bolo de chocolate!

CLARKE: - Está bem. Gostaria de alimentar os patinhos comigo?

MADIE: - SIM! Mas cadê os pães?

CLARKE: - Eu vou buscar na cozinha, enquanto isso fique aqui com o gato.

E a menina obedeceu. Enquanto seguiam rumo ao lago que havia no pequeno bosque da cidade. Desceram do carro e logo Madie correu com a sacola de pães e começou a distribuir entre os pequenos patos que ali vivam.

Clarke admirava criança que estava a sua frente brincando como se tudo na vida fosse lindo e divertido. Pensou se realmente era o momento de conversar com ela, por pouco não desistiu de contar a Madie.

Se não contasse agora Madie poderia ir para o abrigo sem nem entender o porquê, saberia da morte de Luna por desconhecidos e provavelmente a odiaria pelo resto da vida por saber que por seu silencio ela não pôde se despedir da mãe.

CLARKE: - Madie vem aqui.

A menina soltou as últimas migalhas de pão no lago e sorrindo sentou-se no banco ao lado de Clarke.

CLARKE: - Lembra quando a mamãe dos patinhos desapareceu?

MADIE: - Lembro sim, ela morreu não foi?

Clarke apenas assentiu.

CLARKE: - Você sabe onde ela está agora?

MADIE: - No céu com outros patinhos, eles precisavam dela lá.

CLARKE: - E eu preciso de você aqui. (A voz de Clarke saiu como quase um sussurro)

MADIE: - Mamãe vai ficar mais tempo no hospital não é? Eu fico com você até ela voltar Clarke. (O rosto passivo da menina mostrava toda a confusão que se se formava em sua mente, não conseguia entender porque Clarke estava tão triste)

A mulher mal notou as lágrimas caindo como chuva de seus olhos. As palavras que saíram de sua boca momentos depois fizeram com que Madie pudesse compreender o motivo do choro.

CLARKE: - Amor, sua mamãe também foi pro céu.

Os olhos de Madie que estavam fixos no rosto de Clarke rapidamente tornaram-se vazios, como se tivesse tentando enxergar algo além do que se podia ver.

MADIE: - Mamãe...minha mãe, não... por que tá me falando isso Clarke? Não pode mentir pra mim!

CLARKE: - Madie, Madie, estou falando a verdade meu amor, eu sei que dói, me desculpe, me desculpe...

Clarke abraçou forte a menina em seu colo e as duas choraram juntas a perda de Luna. Madie chorava alto e Clarke apesar de estar aos pedaços tentava ao máximo seu próprio desespero.

Ficaram unidas ao abraço, chorando até se acalmarem. Um pouco antes do meio dia Clarke levantou-se e pegou Madie no colo levando-a para o carro. Logo mais o enterro aconteceria e até lá Madie poderia descansar.

 

***

Bellamy caminhava de um lado para o outro em seu quarto alugado. Sua única mala estava preparada ao lado da porta, a cama estava arrumada e novamente ele abriu o armário para confirmar se havia esquecido de algo.

Depois de tudo organizado e revisado, ele olhou uma última vez pela janela e em seguida saiu pela porta.

***

ROAN: - Clarke, eu preciso falar com você.

A ansiedade na voz de Roan fez com que os sentidos de Clarke se aguçassem, e logo ela se perguntou com qual parte burocrática eles haviam se deparado agora.

CLARKE: - Você está me deixando nervosa Roan, eu sei que as coisas não estão nada fáceis, mas me fala logo!

ROAN: - Eu acho que fiz uma grande besteira.

Clarke ficou pálida, e respirou fundo tentando se preparar para o que viria a seguir.

ROAN: - A assistente queria levar Madie para o abrigo nesta manhã. Eu conversei com ela, pedi para esperar até o enterro, mas eu precisava mostrar um documento legal que te permitisse cuidar dela por enquanto.

Clarke ouvia atentamente as palavras saindo da boca de Roan, e em silencio esperava pela próxima, e pela próxima, desejando que no fim tudo ficasse bem.

ROAN: - Clarke, você e eu sabemos que nenhum documento foi feito. E eu não podia permitir que vocês fossem separadas.

CLARKE: - A culpa é toda minha. Eu não quis que Luna oficializasse a guarda de Madie porque sempre acreditei que ela iria sobreviver. Meu Deus eu sabia dos riscos e mesmo assim me deixei levar...

Novamente o rosto da loira foi inundado por lágrimas, mas dessa vez seu corpo não aguentou manter-se em pé. Caindo lentamente para trás, Roan a puxou pelos braços e levou-a até o banco na capela.

ROAN: - Há quanto tempo você não come Clarke?

CLARKE: - Eu estou bem, vou ficar bem. Só me diga o que você fez.

ROAN: - Eu fraudei o sistema do hospital e falsifiquei um documento da tutela de Madie.

CLARKE: - O que... por que fez isso? Roan eu posso perdê-la definitivamente.

ROAN: - Eu sei, eu sei. Me perdoe Clarke, eu estou tentando concertar isso, eu vou consertar eu prometo.

***

Com a chegada do final da tarde todos se posicionaram próximo ao túmulo aberto que espera pelo caixão de Luna. Um a um, os amigos despediram-se com lágrimas no olhar.

Madie, havia se despedido momento antes, Clarke não queria que a menina visse a terra cobrindo aos poucos sua mãe. Não queria que ela crescesse com essa lembrança em suas memórias.

Quando finalmente o túmulo estava fechado, os amigos decidiram deixar Clarke sozinha. Octavia se aproximou e abraçou a amiga ternamente.

OCTAVIA: - Vamos te esperar na capela com Madie e sua Mãe ok?

Clarke assentiu.

E depois disso encarou a lápide sob o chão com o nome de sua amiga, se permitiu fechar os olhos e imaginar que Luna estava ali em sua frente, sorrindo como sempre.

CLARKE: - Sabe, você me deixou em meio a uma grande confusão, novamente diga-se de passagem. Você sempre fez isso, e eu sempre amei esse jeito de ser. Você me mostrou que nem sempre o que é certo realmente é o correto. Eu te amo muito Luna, eu amo muito sua filha, eu prometo cuidar dela, sempre. Eu te agradeço por tudo, cada segundo que passamos juntas, cada sorriso e cada lágrima também, eu te agradeço com todo meu coração minha amiga, por favor descanse agora, tudo vai ficar bem por aqui.

***

Assim que deixaram o cemitério, Roan e Clarke sabiam exatamente para onde deveriam ir. No caminho para o abrigo Clarke pensava em todas as formas que poderia dizer para Madie que ela iria ficar por lá até ela resolver as coisas.

Mas em todas as formas que pensou, nenhuma lhe traria conforto.

A menina estava no banco de trás do carro de Roan, e Clarke virou-se para conversar com ela.

CLARKE: - Madie, eu preciso que você confie em mim agora.

A menina assentiu. Ela segurava seu coelho de pelúcia no colo, e o rosto ainda estava inchado de tanto chorar.

MADIE: - Para onde está me levando?

CLARKE: - Amor só saiba que é temporário está bem? Eu vou voltar para te buscar e até esse dia chegar eu prometo que vou te visitar sempre.

MADIE: - Eu estou sozinha agora, não quero ficar sozinha.

CLARKE: - Você não está sozinha, vai sempre ter a mim, a nós.

MADIE: - Você vai me deixar em alguma casa, e não vai voltar, eu sei.

CLARKE: - Madie...

MADIE: - Minha mãe também me prometeu nunca me deixar. Não me deixe Clarke por favor, eu não quero ficar sozinha.

De alguma maneira Clarke precisava juntar forças para poder deixar Madie naquele lugar. Todo o resto do percurso foi feito em silencio e no carro se ouvia apenas os baixos soluços da menina ecoarem.

Ao chegar no abrigo, Roan desceu do carro junto com Clarke. Ele abriu o porta malas e de lá tirou uma pequena mala com os pertences de Madie. Enquanto isso Clarke pegava a menina no colo.

Atravessaram juntas o portão.

ROAN: - Obrigada Cristine.

CRISTINE: - Ainda não acabou Roan, acredite. Mas vou fazer acabar bem, pode confiar em mim.

Roan sorriu para a mulher, Clarke que sabia exatamente o que havia acontecido apenas deu um sorriso vago para ela.

CLARKE: - Madie, eu vou voltar. Eu venho te buscar.

MADIE: - Não vai Clarke por favor...

CRISTINE: - Meu bem precisamos entrar. (A mulher falou colocando-se na altura de Madie)

Madie começou a chorar silenciosamente, Cristine pegou em sua mão e começou a conduzi-la em direção ao corredor. A menina olhou para trás, viu Clarke derretendo-se em lágrimas, e no silencio que se fez na sala ela pediu com olhar “Clarke, volte para mim”.


Notas Finais


Até mais :*


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