História Como Se Livrar de Seu Ex-Marido - Capítulo 2


Escrita por: e vminsure

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Bottom!jk, Comédia!au, Kooktae, Kookv, Taekook, Taekookers, Top!tae, Vkook
Visualizações 749
Palavras 4.795
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, gente!

Olha eu de novo aqui!

Muito obrigada a todos que comentaram e favoritaram, gosto muito de ler tudo que vocês mandam <3

Capítulo 2 - Um dos grandes problemas: a falta de comunicação


Fanfic / Fanfiction Como Se Livrar de Seu Ex-Marido - Capítulo 2 - Um dos grandes problemas: a falta de comunicação

0.4: Não dê ouvidos ao que está lhe dizendo para desistir, siga em frente com seu plano.

 

 

Jeongguk olhou as horas em seu celular, notando que já estava ficando muito tarde e algumas pessoas estavam indo embora da festa. Decidiu ir procurar Taehyung para que pudessem voltar ao apartamento, tinha que focar em suas coreografias e sabia que o mais velho tinha alguns programas para atualizar por ter ouvido-o falando no celular com Jimin alguns dias atrás.

Bocejou levando um docinho da mesa aos seus lábios, mas quase se engasgou ao ver Taehyung debruçado contra Haneul do outro lado do salão. Mil coisas haviam passado sobre sua mente e, quando percebeu, estava caminhando em direção aos dois. Balançou a cabeça notando que o mais velho estava meio molenga, Haneul se despediu dos dois quando Taehyung voltou a roubar os lanchinhos de cima da mesa. 

Enquanto a mulher se afastava, Jeongguk sentou-se onde ela antes estava e observou Taehyung sentando sobre seu colo, em suas mãos havia um pratinho de comida e estava óbvio que ele estava bêbado.

— Oi, Jeonggukie — Taehyung sorriu, sua voz soava arrastada junto com o hálito de álcool, mas ainda sim levou um dos petiscos até os lábios do mais novo. — Você lembra que a gente se conheceu assim? Só que foi você quem caiu em cima de mim.

Jeongguk balançou a cabeça, mordendo o que o mais velho havia lhe entregado. Era óbvio que lembrava daquele dia, tinha sido um dos melhores momentos de sua vida, como poderia esquecer daquilo? Colocou-o sobre a outra cadeira e viu quando Taehyung fez um biquinho irritado. 

— Onde estão as chaves do carro, Taehyung? — Jeongguk soou sério e o biquinho do mais velho ficou maior. 

— E quem disse que você pode ter as chaves do meu carro? Você em sabe dirigir! — cruzou os braços e as pernas, debruçando as costas sobre a cadeira. — Meu doce Jeonggukie acha que pode dirigir? Que bonitinho! Não tem nem carteira ainda!

— Ah, eu já entendi tudo. — Deu um longo suspiro, Taehyung claramente não estava nos dias atuais, ainda achava que Jeongguk era o garotinho que conheceu anos atrás. — Vamos, vou te levar ‘pra casa.

Jeongguk levantou da cadeira e ajudou seu ex-marido a fazer o mesmo, o braço esquerdo do mais velho ficou apoiado em seus ombros enquanto continuava cantarolando uma música desconhecida pelo moreno. Jeongguk mordeu o lábio inferior, sabendo que não era comum para Taehyung beber daquele jeito, nem quando eram mais novos ele fazia aquilo.

— Onde você deixou as chaves? — perguntou deixando o mais velho apoiado contra a lataria do carro.

— Ei, por que eu te entregaria as chaves? Você bebeu! — Taehyung cruzou os braços, encarando-o com uma expressão feia que Jeongguk teve vontade de rir ao vê-la.

— Você encheu a cara e eu só bebi uma latinha e um monte de água, quem é que está pior? Hum? — Bateu com o dedo indicador e percebeu o mais velho resmungando antes de pegar as chaves no bolso. 

— Não bate o meu bebê, ainda ‘tô pagando ele. — Taehyung falou com a voz enrolada e Jeongguk assentiu, abriu a porta e deixou que o mais velho de jogasse sobre o banco do passageiro. 

Não acreditava que depois de tantos anos teria que cuidar de um Kim Taehyung bêbado sem falar coisa com coisa, o mais velho tinha a mais plena consciência que sua tolerância para álcool não era grande e, mesmo depois de passar da casa dos trinta, ainda era teimoso.

Colocou o cinto sobre seu peito e viu Taehyung mexendo no rádio como quem não queria nada. Àquela hora da noite não havia muita coisa passando, apenas algumas músicas melancólicas e nenhum dos dois estavam com ânimo para procurar a opção de Bluetooth para colocar outra coisa. Até que Taehyung encontrou uma estação que estava tocando algo que conhecia e começou a cantarolar junto com o cantor.

Jeongguk fechou os olhos por um momento antes de dar partida no veículo. Taehyung estava distraído olhando pela janela e não parecia passar mal com os movimentos chatinhos que o carro fazia enquanto passava pelas lombadas. 

— Você… — murmurou baixinho, a voz sonolenta e mais arrastada do que antes, desviou o olhar da janela aberta para Jeongguk no banco do motorista. O sinal havia acabado de fechar, deixando-o livre para observar Taehyung falando. — Você tem outra pessoa? É… é por isso que você quer se divorciar de mim?

Era óbvio que o mais velho ainda estava sob o efeito do álcool, então não deu muita atenção. Manteve seus olhos na pista e, quando o sinal ficou verde, acelerou o carro. Taehyung suspirou pela falta de resposta e apoiou o cotovelo na porta fechada. Por mais que Jeongguk soubesse que seu relacionamento com o outro havia terminado — em partes — por conta da falta de comunicação, não queria ter essa conversa com Taehyung daquele jeito.

Olhou de relance para o mais velho, que tinha os olhos fechados e aproveitava a brisa da madrugada contra seu rosto. Jeongguk engoliu seco aumentando um pouquinho o volume do rádio, não sabia se aquilo era bom ou ruim, mas ainda conseguia ver nas feições de Taehyung a pessoa pelo qual se apaixonou todos aqueles anos atrás.

Como estava de madrugada, não havia trânsito nenhum nas ruas e avenidas, então chegaram mais rápido do que o normal no prédio do apartamento. Quando Jeongguk estacionou o carro na vaga reservada para o apartamento onde moravam, viu que Taehyung estava mais sonolento do que antes e com a respiração pesada. 

— Vem, Tae, dormir na sua cama. — Jeongguk murmurou depois de sair do carro, dar a volta e abrir a porta onde o mais velho estava. — Só não vomita em mim!

— Você é chato, Jeonggukie. — Taehyung resmungou, se agarrando contra o corpo do mais novo conforme caminhavam pelo estacionamento, já que estava meio tonto por ter misturado tanta coisa. — Não vou vomitar em você.

— E quem é que me garante isso? — Torceu o nariz, apertando o botão do elevador. Iria demorar já que estava no sétimo andar e subindo, esticou o braço até o botão do outro e chamou-o, o que viesse primeiro, eles pegariam. — O que foi que deu em você, hein? Para beber desse jeito?

Virou o rosto, vendo que o mais velho ressonava contra seu ombro. Taehyung deveria ter cochilado. Jeongguk comprimiu os lábios e apoiou a mão direita na cintura do ex-marido. Não era como se estivesse bravo com ele por ter bebido, Taehyung era adulto e sabia o que fazia, mas ainda assim, ter que lidar com o Kim todo manhoso e grudento daquele jeito fazia Jeongguk lembrar-se de alguns momentos dos dois juntos (mesmo que ele estivesse com cheiro forte de álcool).

Fechou os olhos, sentindo sua mente viajar por alguns dos dias bons e até poucos dos ruins. Havia sido muito feliz ao lado de Taehyung, fora o mais velho quem lhe ajudou a ter coragem para contar aos seus pais que não era hétero e quem mais lhe apoiou quando não estava indo muito bem em algumas matérias da Universidade. Taehyung sempre esteve ao seu lado desde o dia que o conheceu e agir como estranhos um ao lado do outro incomodava.

Por sorte, o elevador não demorou para subir até o andar que ficariam. Estava tarde da noite e ninguém parecia estar fora de casa. Taehyung acordou quando Jeongguk enfiou a mão nos bolsos procurando a chave da porta da frente. Ainda se sentia tonto e não largou o aperto de seu braço contra o corpo do mais novo, muito menos quando os dois entraram no apartamento e Jeongguk fechou a porta com cuidado.

A casa estava silenciosa demais e Taehyung resmungou alto quando Jeongguk lhe deixou sobre a cama de casal em seu quarto. Seu corpo estava mole demais e cansado, sem mencionar a bagunça que sua cabeça ficava sempre que bebia.

— Descansa, ‘tá bem? — Jeongguk murmurou cobrindo-o com um lençol fino após Taehyung chutar seus tênis para longe. — Amanhã você vai acordar se sentindo um lixo.

— Hum, obrigado pela parte que me toca. — Agarrou-se ao travesseiro, sem se preocupar em trocar de roupas. — Você é um doce.

Jeongguk revirou os olhos, onde é que ele estava mentindo? Bebidas alcoólicas nunca desciam bem para o mais velho e ele sabia daquilo. Quando eram mais novos até chegavam a extrapolar um pouquinho, mas isso era porque estavam na Universidade e rodeados de adolescentes e jovens adultos como eles.

Num suspiro pesado, Jeongguk viu os olhos de Taehyung se fecharem e o aperto dele contra o travesseiro se tornar mais leve. Girou em seus calcanhares e caminhou até a porta, no momento que tocou na maçaneta, ouviu a voz de Taehyung lhe chamando.

— Não vá, por favor, — Taehyung pediu, os olhinhos acastanhados abertos e fixos no rosto do ex-marido. — Só… fique pela última vez?

A garganta de Jeongguk se fechou embargada. Ficar era uma coisa que ele não havia feito três anos atrás, principalmente porque tinha sido fraco e foi embora quando Taehyung nem em casa estava. Daquele jeito, vendo as íris brilhantes do mais velho e o modo como seus olhos estavam um tantinho avermelhados por causa do sono e da bebida, Jeongguk não conseguiu fazer outra coisa a não ser largar a maçaneta. 

Desabotoou alguns botões de sua camisa e tirou os coturnos pretos que usava, o celular e a carteira ficaram sobre a escrivaninha e sentou-se sobre a cama de casal onde Taehyung estava. Não conseguia acreditar que estava fazendo aquilo, mas em menos de um minuto deitou-se ao lado de seu ex-marido, deixando-o apoiar a cabeça contra seu peito até que fechasse os olhos. 

Pode jurar que ficou acordado por mais alguns minutos, pensando na pergunta que Taehyung tinha lhe feito quando estavam no carro — da onde o mais velho havia tirado aquilo? E, momentos antes de se entregar para o sono, ouviu a voz baixinha de Taehyung dizendo que lhe amava.

 

0.5: Termine os ajustes da separação

 

No dia seguinte, quando Taehyung acordou, ele não sabia o que estava pior em seu corpo. Se eram seus olhos grudados e mais vermelhos do que tudo por não ter tirado as lentes de contato no dia anterior, sua cintura marcada e presa pelo cinto apertado da calça ou a dor em sua cabeça em conjunto com o enjoo em seu estômago pela bebedeira maluca que inventou de ter na noite passada.

Rolou da cama e saiu correndo para o banheiro do corredor. Colocou para fora tudo que havia comido na noite anterior e sentou-se  ao lado da privada, respirando fundo para que a tontura passasse. Taehyung desejou não ser um grande idiota. Engoliu seco sentindo o gosto amargo em sua língua e forçou o corpo para cima, precisava tirar as lentes antes que ficassem secas em seus olhos; o que não foi trabalho fácil, mas deu um grande alívio estar sem elas.

Voltou para o quarto e viu que não havia mais ninguém ali dentro, nem as coisas de Jeongguk. Taehyung não era um bêbado que esquecia das coisas, então, lembrava-se de cada pedacinho de coisa que aconteceu na noite passada até mesmo do modo que os dois dormiram um abraçado no outro. 

Procurou uma toalha preguiçosamente e tomou um banho lento, que foi parado duas vezes porque seu estômago não lhe dava sossego. Não deveria ter misturado tantas coisas na noite passada, mas não estava pensando direito quando fez aquilo. Olhou-se no espelho ainda de toalha e com os ombros molhados, seu rosto estava uma bagunça e cheio de olheiras. 

Acabou vestindo as roupas mais folgadas e confortáveis que achou em seu guarda-roupa, por mais que quisesse passar o resto do dia abraçado na privada colocando tudo o que bebeu para fora. Sentiu um cheiro forte de comida vindo da cozinha e seu estômago revirou novamente, levou a mão até a boca e se jogou no sofá da sala. Se não fosse domingo, estaria ferrado. 

Apoiou a cabeça contra o braço do sofá e deixou seu antebraço sobre a testa, a sensação de ressaca era horrível e prometeu a si mesmo naquele momento que nunca faria uma dessas novamente. 

— Ei, Taehyung, — a voz de Jeongguk soou ao seu lado e sentiu suas pernas serem movidas para o chão. — Achei que não levantaria hoje. 

O mais velho gemeu se sentindo enjoado, mas abriu os olhos e viu Jeongguk lhe entregando uma tigela com uma colher de sopa dentro e uma garrafinha de água mineral.

— É Haejangguk, — continuou a falar, cruzando as pernas sobre o sofá e ligou a televisão. — Você vai se sentir melhor.

Taehyung olhou da sopa para Jeongguk ao seu lado, o mais novo encarava o programa aleatório que passava na televisão e havia dito aquilo como se não se importasse, mas Taehyung lembrava que sempre pediam aquele tipo de sopa para ressaca por delivery e dividiam a porção por não ter tanto dinheiro assim para comprarem a versão individual um para cada um. 

Um sorrisinho surgiu nos lábios do mais velho enquanto levava uma colherada da sopa até sua boca. Uma pequena faísca de esperança surgiu dentro do peito de Taehyung. 


 

+

 

A segunda-feira chegou mais rápido do que Jeongguk esperava. Depois de um domingo preguiçoso onde esqueceu que tinha uma vida adulta, o dançarino só queria se jogar e sua cama e dormir até mais tarde.

Porém, naquele dia, tinha várias turmas para dar aula e só pode respirar no horário de almoço onde a academia ficava fechada para alunos. Hoseok, Soyeon e uma das professoras de balé haviam pedido comida por delivery para todo mundo e Jeongguk não pode ficar mais animado com as massas que estavam em sua frente. 

Os dois últimos dias tinham sido estranhos e o moreno ficava feliz de voltar à rotina, mas quase se engasgou quando viu a figura de seu advogado parado na porta do refeitório.

— Volto já, gente. — Jeongguk falou de boca cheia e se retirou, limpando os lábios com um guardanapo.

Seguiu Min Yoongi até uma das salas de treino e puxou duas cadeiras giratórias para que pudessem sentar-se. Apesar do calor, o advogado usava um terno escuro e fechado até os últimos botões.

— Fui no fórum hoje pela manhã e consegui pegar os papéis atualizados, — Yoongi começou a explicar enquanto mexia em sua pasta. — Os antigos estavam com as datas de três anos atrás e poderiam não valer.

O coração de Jeongguk acelerou naquele momento, tinha certeza que o mais velho estava falando dos papéis do divórcio. Os mesmos que Taehyung sempre se recusava a assinar em todas as reuniões que tinham.

— A única coisa que você precisa fazer é conseguir que ele assine, Jeongguk, e você fica livre desse casamento, tudo bem? — Yoongi mordiscou o lábio e o mais novo assentiu minimamente. — Espero que tudo dê certo dessa vez, pirralho. Se você não quer estar casado com ele, merece se divorciar. 

Os olhos escuros de Jeongguk fitaram o advogado que conhecia há alguns anos. Yoongi e ele trocaram algumas aulas na época da Universidade por conta de matérias optativas e não pensou duas vezes antes de ajudá-lo. Yoongi não sabia muito bem os motivos do mais novo — até porque também conhecia Taehyung e lembrava que os dois faziam um belo casal —, estava só fazendo seu trabalho.

— Obrigado, hyung, — respondeu abraçando a pasta amarela contra seu corpo.

— Não há de quê, Jeonggukie. — Yoongi levantou-se da cadeira, bagunçando os cabelos do mais novo. — Me ligue quando tiver notícias, tudo bem? Tenho outro cliente agora.

— Pode deixar! — Mandou um joinha para o advogado que saiu poucos segundos depois.

Jeongguk suspirou pesado, como se estivesse segurando todo o peso do mundo em seus ombros e encarou aqueles malditos papéis. Resmungou sozinho e saiu da sala, encarou-os novamente antes de enfiar a pasta amarelada dentro de seu armário e trancá-lo com um cadeado.

Quando voltou para o refeitório, os professores e Soyeon estavam rindo de alguma piada e ainda comendo. Não deveria ter passado mais de cinco minutos conversando com Yoongi. Não demorou muito a esquecer da história do divórcio e se misturar com o assunto dos mais velhos.

— Ei, Jeonggukie, aquele cara que veio falar com você é seu advogado, né? — Hoseok perguntou batendo com o ombro no braço esquerdo do moreno. — Hum, não queria passar o número dele pra mim, não?

— Hoseok hyung, você não tem vergonha na cara, né? Até ontem ‘tava babando no detetive que trabalha com meu ex-marido e agora quer o meu advogado? — Jeongguk cruzou os braços, incrédulo com o jeito safado de seu colega de trabalho.

— E o que é que eu posso fazer? Gosto de um homem da lei, — Hoseok balançou as sobrancelhas e as garotas deram risada do revirar de olhos do mais novo. — E sabe o que eu acho engraçado? É que você vive chamando o Taehyungie de ex-marido, mas nunca tirou essa aliança do dedo.

Aquilo atingiu Jeongguk como um caminhão e ele olhou para o pequeno pedaço de joia em sua mão. Aquele anel que tinha a data de seu casamento casamento e o nome de Taehyung gravados no interior. Não era uma coisa cara, já que nenhum deles era rico ou queria pedir dinheiro dos pais para algo que era deles, mas Hoseok não estava mentindo quando disse que Jeongguk nunca havia o tirado dos dedos.

Na verdade, eles começaram a usar alianças quando atingiram a marca de dois anos em seu relacionamento. Taehyung economizou um pouco de dinheiro em seu emprego de meio período e comprou um anel pequeno e cinza para dar a Jeongguk em seu aniversário de namoro. Foram ao seu restaurante favorito (KFC, porque vendia frango, os dos amavam frango e era a única coisa que dois universitários podiam pagar) e Taehyung entregou o presente depois que terminaram de comer, dizendo que não era algo que significava o amor que existia entre os dois, era apenas um símbolo que Jeongguk podia ver quando estavam separados e lembrar-se dele.

O único dia em que Jeongguk retirou aquele maldito anel de namoro foi no dia de seu casamento.

— ‘Tô cheio e daqui a pouco a próxima turma chega, vou repassar as coreografias enquanto isso. — O moreno falou e se retirou do refeitório logo após agradecer por terem pedido uma porção para si.

Hoseok e os outros funcionários se entreolharam, perguntando-se o que o outro professor havia feito de errado, mas sabiam bem que era melhor não perguntar; haviam evidenciado a bagunça que tinha sido três anos atrás e não queriam insistir muito naquela história. Apesar disso, estava na cara que Jeongguk ainda amava Taehyung.

 

Doze anos atrás

Jeongguk bocejou alto, sentindo-se sonolento mais do que o normal naquele dia. As provas de meio período estavam acontecendo e ele estava passando todo o tempo que podia estudando. Já estava há algum tempo na Universidade e sabia muito bem como funcionava, mal podia esperar o dia em que fosse se formar e arranjar logo um emprego na área que queria.

Cumprimentou a garota que estava no caixa antes de tomar seu posto. Ficaria ali até o comecinho da noite, quando o outro garoto que trabalhava de meio período assumia o caixa.

A loja de departamentos estava um pouco vazia, então Jeongguk aproveitou para estudar o que podia enquanto clientes não apareciam para pagar suas compras. Não estava vivendo o sonho de Seul, mas dava para o gasto. Se distraiu tanto que nem viu o tempo passando.

— Oi, — ouviu a voz de Taehyung surgindo do nada a sua frente e sentiu-se surpreso vendo o mais velho ali. — Que coisa feia, cochilando no trabalho.

Os lábios de Taehyung se curvaram em seu típico sorriso retangular, ele estava usando o uniforme do local que fazia estágio, então Jeongguk percebeu que o mais velho deveria ter vindo direto do trabalho. Nem percebeu que tinha acabado cochilando no caixa.

— O que está fazendo aqui, hyung? — Jeongguk perguntou apoiando o queixo sobre as mãos. 

— Humm, o que é que você acha? — moveu as sobrancelhas, tocando as bochechas cheinhos do mais novo. — É claro que é ‘pra ver você.

O sorriso de Jeongguk se alargou no rosto, deixando seus cadernos de lado e sentiu os lábios de Taehyung sobre os seus, num beijo lento e cheio de cuidado. Taehyung lhe fazia perder o fôlego desde a primeira vez que trocaram um beijo. A mão direita do mais novo tocou a nuca do loiro, puxando seus fios de leve assim que o beijo se teve como finalizado.

Os olhos dos dois garotos brilhavam um para o outro. Ainda não estavam namorando oficialmente, mas já consideravam-se especiais um para o outro. Na verdade, Jeongguk considerava Taehyung alguém especial desde o dia que saíram correndo dos seguranças e foram tomar sorvete juntos. 

— Então, quer jantar comigo? — Taehyung ofereceu, entrelaçando seus dedos com os do mais novo sobre o balcão do caixa. — Nós podemos pedir alguma coisinha e ficarmos juntinhos no meu apartamento. Namjoon foi passar a noite com a namorada.

— É claro! — Jeongguk falou no mesmo momento e desviou seus olhos para o relógio na parede. — Faltam alguns minutos até meu turno acabar, você espera?

Taehyung assentiu, roubando um selinho dos lábios de Jeongguk e saiu caminhando pelos corredores da loja de departamentos. Havia ganhado seu salário naquele dia e estava afim de comprar alguns doces para aproveitar o fim de semana — e a pausa de dois dias das provas. 

Ao contrário de Jeongguk, Taehyung era um cara bem mais tranquilo e não costumava enfiar o rosto nos livros para estudar. Sabia que não adiantava nada para si se cansar. Quando o garoto que assumia o lugar do mais novo chegou, Taehyung foi pagar os docinhos que pegou na loja e esperou Jeongguk se trocar e pegar sua mochila nos fundos. 

Por sorte, o apartamento que dividia com Namjoon não era tão longe dali e aproveitaram para trocar vários beijos enquanto o jantar não chegava. Os dois estavam cansados, mas sempre conseguiam fazer um jeitinho de ficarem juntos. 

Aproveitaram o Nakji Bokkeum na varanda do apartamento, a noite quente de começo de primavera deixava as estrelas à mostra e fazia Taehyung sentir-se mais apaixonado ainda. A cabeça de Jeongguk estava apoiada contra seu ombro, bebendo o refrigerante de limão em suas mãos.

— Jeonggukie? — Taehyung o chamou baixinho, fazendo carinho em seu braço desnudo. — Eu… hum, queria ter preparado alguma coisa mais especial, mas… Sempre acreditei em coisas feitas no calor do momento, sabe? Quando você acha que é a hora certa e que você deve fazer isso.

A expressão de confusão no rosto de Jeongguk fez o mais velho travar um pouquinho, mas em um segundo respirou fundo e deu mais um gole em seu copo de Coca-Cola.

— Você quer ser meu namorado? — perguntou, pegando em suas mãos e fitando os olhos escuros do mais novo em si. — A gente ‘tá junto já tem um tempo e… Bem, eu sempre gostei de você, Jeonggukie, desde que você caiu em cima de mim no primeiro dia de aula.

— Taehyung! Isso já faz anos, você não vai esquecer disso nunca? — Jeongguk cerrou os lábios, fazendo Taehyung rir baixinho da situação. — E eu quero, seu idiota. Achei que nunca fosse pedir! 

Um sorriso bobo surgiu no rosto de Taehyung, ele amava Jeongguk daquele jeitinho mesmo, marrento demais e do tipo que sempre gostava de ter a última palavra. Era tímido no começo, mas logo que pegou intimidade acabou mostrando as asinhas. Era impossível não se apaixonar pelo moreno. 

 

O Jeongguk do presente fechou os olhos por um momento, levou sua mão até a maçaneta da porta. Moveu os ombros tentando relaxar seus músculos cansados do tanto que tinha dançado naquele dia, mesmo sabendo que não adiantaria muito.

Acabou levando o maior susto ao ver Taehyung jogado no sofá com o celular em mãos, seus sapatos espalhados pela sala e a mochila servindo de apoio para a cabeça. Jeongguk levantou uma sobrancelha, achando aquilo estranho — o mais velho não costumava chegar antes de si em casa, mas ele imaginava que deveria ser porque Taehyung estava fazendo algumas horas extras demais.

— Jeongguk! Até que fim! — Sentou-se num pulo no sofá, deixando a vista que ainda estava com o uniforme da polícia. — Nós vamos sair.

A mochila do mais novo caiu no chão em confusão, ele não havia nem chegado em casa direito e Taehyung já queria sair de novo? Não conseguia entender da onde aquela animação toda estava vindo.

— Como é que é?

— Para jantar! — Deixou o celular no bolso e levantou, procurando os sapatos jogados pela casa. — Faz tempo que não como alguma coisa que não é ramen e estou com vontade de comida tailandesa. Eu sei que você gosta também, então… Vamos? Eu fiquei no telefone quase o dia inteiro para conseguir a reserva.

Agora foi a vez de Jeongguk achar que Taehyung estava aprontando alguma coisa, principalmente quando o mais velho disse que ficava tudo por conta dele e saiu atrás das chaves do carro dentro de sua mochila. 

Não era bobo nem nada para não aceitar comida de graça, mesmo com uma pulguinha atrás da orelha. Seu estômago estava reclamando de fome e não pensou duas vezes antes de estar no banco do passageiro do carro de Taehyung. 

O restaurante ficava bem no centro de Seul e Jeongguk jurava que já tinha avisado o local algumas vezes, mas nunca se interessou o suficiente para entrar. Taehyung acabou contando que tinha sido indicação de Jimin — que havia levado a garota do IML para jantar algumas vezes.

— Garota do IML? — Jeongguk engasgou com um dos pasteizinhos de aperitivos ao ouvir o apelido da menina. 

— Jimin que chama ela assim. Eu digo que é estranho e assusta as pessoas, — Taehyung deu ombros, bebericando sua água com calma, — mas ele não me dá ouvidos. Ninguém nem sabe o nome da menina direito e olha que eles ficaram mais de dois anos juntos.

— Ele não tinha cara de misterioso, vou falar isso ‘pro Hobi hyung, quem sabe ele não desiste da ideia maluca que teve de ir atrás de “homens da lei”.

— Hoseok hyung está afim do Jimin? — Jeongguk assentiu, fazendo Taehyung gargalhar alto e chamar um pouquinho de atenção para os dois, mas nenhum deles se importou com aquilo.

— O hyung não pode ver ninguém que tenha ligação com coisas sérias que já vai ‘pra cima. Principalmente policiais. 

Taehyung voltou a rir alto, provavelmente imaginando várias situações onde a polícia baixava na casa de Hoseok e o dançarino acabava preso por flertar com uma autoridade. Jeongguk nem achava a história tão engraçada assim, mas acabou rindo junto de Taehyung, que tinha a risada tão gostosa que era impossível não se contagiar.

Era o meio do horário de pico, não apenas no restaurante, mas também no trânsito, mas o local lotado não fazia com que o pedido dos dois demorasse muito para chegar à mesa.  Taehyung ansiava tanto por Tom Yum Kung, uma espécie de sopa feita de camarão picante e leite de coco, que até parou de contar uma história sobre coisas estranhas que havia encontrado ao analisar computadores apreendidos pela polícia.

Jeongguk sempre pensou que as pessoas que trabalhavam para a polícia — ou para o governo, em geral — eram sempre sérias e entediantes, mas ver Taehyung sendo seu antigo eu falador e brincalhão, fazia o coração de Jeongguk perceber por que ele se apaixonara em primeiro lugar. Aquele era o mesmo cara que Jeongguk disse que sim quando pedido para ser seu namorado e no dia do casamento.  Claro, sabia que as pessoas mudavam, principalmente quando envelheciam e se juntavam com alguém, mas as faíscas, a essência delas ainda podiam estar lá e era isso que Jeongguk estava vendo naquele momento.

Eles estavam agindo como se nada tivesse acontecido há três anos, como se o relacionamento deles não tivesse dado errado e Jeongguk não tivesse se afastado, o que o fez tremer um pouco.  Não mais certeza se ele não estava errado naquela situação, ele apenas sabia que tinham que fazer algo a respeito daquilo, ainda mais porque Taehyung sorria para ele como se fossem aqueles caras de dezoito e vinte anos que  acabaram de se conhecer. 

Às vezes, Jeongguk sentia falta daqueles tempos, onde ele ainda era um adolescente descobrindo sobre a vida.  É claro que tinha sido difícil, ele não tinha certeza de quem era e já estava se questionando muito por alguns anos, até ter certeza de que ele definitivamente gostava de garotos (coisa que só veio na Universidade), até que ele aceitasse o fato que ele estava apaixonado por Kim Taehyung e isso não ia desaparecer —  e como Jeongguk se sentiu tão bem e apreciado pela maneira que o mais velho esperou por ele e o deixou dar o primeiro passo em seu relacionamento.

De uma coisa, Jeongguk sempre teria certeza: Kim Taehyung era uma pessoa importante em sua vida e nada mudaria isso.


Notas Finais


Até o próximo!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...