História Como se livrar de uma Vampira Apaixonada - Capítulo 23


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Categorias Austin Mahone, Camila Cabello, Fifth Harmony, Shawn Mendes
Personagens Ally Brooke, Austin Mahone, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais, Shawn Mendes
Tags Cabello, Camren, Estrabão, Hansen, Jauregui
Visualizações 835
Palavras 2.418
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Luta, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


O penúltimo capítulo.
JOGUEI E SAI DESVIANDO DOS TIROS.
~itsclamp merece todos os créditos de adaptação desse cap.

Capítulo 23 - Capitulo 23


Estava escuro quando cheguei em casa, montando Bela. Havíamos seguido um caminho alternativo, atravessando milharais vazios e evitando as estradas ao máximo, quase como se eu estivesse com medo de ser seguida. Não quis pegar carona para casa com nenhuma das pessoas que tinham oferecido, como Alexa ou os líderes do Clube da Juventude.

Principalmente eles, cujas perguntas eu já havia respondido pelo menos 50 vezes.

Eles pegariam no meu pé e perguntariam por que nenhum dos hospitais da região parecia saber nada sobre uma garota ferida por um cavalo. E depois iam querer falar com meus pais e então entrariam na nossa casa e descobririam Lauren Jauregui quase morta – ou morta de fato – no nosso sofá, com meu pai tentando ressuscitá-la usando ervas medicinais e chás.

Esporeei Bela um pouco mais ao pensar nisso. Será que Lauren podia mesmo estar morta? Como eu me sentiria nesse caso? Será que lamentaria? Sofreria? A culpa me mordia. Será que eu me sentiria aliviada de algum modo?

E eu estava mais preocupada com Lauren ou com o papel dos meus pais nesse desastre?

Todas essas perguntas se reviravam na minha mente enquanto eu ia para casa, presa num passo de égua quando precisava de um jato.

Nossa cavalgada parecia ridiculamente vagarosa. Einstein havia explicado essa sensação, não é? Relatividade. Nossa percepção do tempo depende da velocidade com que queremos que ele passe.

Tempo. Relatividade. Ciência.

Tentei me concentrar nesses conceitos em vez de me voltar para preocupações inúteis, mas a imagem do sangue na camisa de Lauren teimava em reaparecer. O sangue que jorrava de sua boca. O sangue vermelho, vermelho.

Quando cheguei ao final de nossa estradinha, Bela estava num galope imprudente e larguei as rédeas, deslizando da sela ao ver a Kombi dos meus pais parada na frente da casa.

Havia outro carro, um sedã desconhecido mas igualmente decrépito. A casa estava toda às escuras, com exceção de algumas luzes fracas lá dentro.

Abandonei a pobre Bela, apesar de saber que deveria colocá-la em sua baia, subi correndo os degraus e entrei.

– Mamãe! – berrei a plenos pulmões, batendo a porta atrás de mim.

Minha mãe surgiu vindo da sala de jantar, pedindo silêncio com um dedo nos lábios.

– Camila, por favor. Fale baixo.

– O que aconteceu? Como ela está? – Fui em direção à sala de jantar, mas mamãe segurou meu braço.

– Não, Camila. Agora, não. – Examinei o rosto dela.

– Mamãe?

– É grave, mas temos motivo para acreditar que ela vai se recuperar. Está recebendo bons cuidados. Os melhores que podemos dar, com segurança – acrescentou, enigmática.

– Como assim, “com segurança”? – indaguei. Cuidados com segurança eram dados nos hospitais. – E de quem é aquele carro lá fora?

– Nós chamamos o Dr. Zsoldos...

– Não, mamãe!

Não o Dr. Zsoldos. O charlatão húngaro maluco que havia perdido a licença médica por usar controversos “remédios” tradicionais de seu país, nos Estados Unidos, onde as pessoas tinham o bom senso de acreditar na medicina de verdade. Eu deveria ter reconhecido o carro. Muito depois de o restante do condado ter boicotado o velho Zsoldos, ele e meus pais continuaram amigos, juntando-se ao redor da mesa da cozinha e conversando até altas horas da noite sobre os idiotas que não confiavam em “terapias alternativas”.

– Ele vai matar a Lauren!

– O Dr. Zsoldos entende Lauren e o povo dela – disse mamãe, segurando-me pelos ombros. – Ele é de confiança.

– De confiança em relação a quê?

– À discrição.

– Por quê? Por que temos que ser discretos? Você viu o sangue saindo da boca do Lucius? A perna esmagada?

– Lauren é especial – afirmou mamãe, sacudindo meus ombros um pouco, como se eu devesse ter percebido esse fato um milhão de anos antes. – Aceite isso, Camila. Ela não estaria segura num hospital.

– E está segura aqui? Na nossa sala de jantar? – Mamãe soltou meus ombros e esfregou os olhos. Percebi que ela devia estar cansada.

– É, Camila. Mais segura.

– Mas ela está com hemorragia. Até eu sei disso. Provavelmente precisa de sangue.

Mamãe me olhou de um jeito estranho, como se eu tivesse compreendido uma verdade importante.

– É, Mila. Ele precisa de sangue.

– Então leva Lauren para o hospital, por favor. – Mamãe me encarou por um longo momento.

– Camila, há coisas sobre Lauren que a maioria dos médicos não entenderia. Podemos conversar sobre isso mais tarde, mas agora preciso voltar para cuidar dela. Por favor, suba e tente ser paciente. Falarei com você assim que tiver novidades sobre o estado dela.

Dando as costas para mim, mamãe abriu a porta da sala de jantar e escutei vozes fracas vindas de dentro do cômodo escuro. A voz do meu pai. Do Dr. Zsoldos. Mamãe entrou para se juntar à conspiração secreta e fechou a porta.

Furiosa, apavorada e frustrada, subi correndo e esqueci a pobre Bela. Sinto vergonha de admitir que ela passou a noite toda no frio de novembro, andando em volta do estábulo, com a sela ainda no lombo. Eu estava atordoada demais para pensar no animal que havia me ajudado a conquistar um pouco de glória havia apenas algumas horas. Em vez disso, subi na cama e olhei pela janela, tentando descobrir o que fazer.

Enquanto pensava se deveria chamar um médico, vi meu pai sair de casa e atravessar o quintal rapidamente em direção à garagem. A luz se acendeu no quarto de Lauren, mas só por alguns instantes. Ela se apagou de novo e, segundos mais tarde, papai voltou, caminhando depressa pelo gramado. Pude ver, à luz do luar, que ele carregava alguma coisa. Algo mais ou menos do tamanho de uma caixa de sapatos mas com cantos arredondados. Um embrulho.

Esperei até que os passos de papai atravessassem a casa e que a porta da sala de jantar se fechasse. Então desci, evitando todas as partes barulhentas do piso que poderiam me entregar.

Fui na ponta dos pés até a porta da sala de jantar e virei a maçaneta, abrindo só uma fresta. O bastante para poder ver lá dentro.

O fogo na lareira estava quase apagado e a iluminação era mínima, mas eu conseguia enxergar a cena.

Lauren estava deitada na nossa grande mesa de jantar de madeira, a que usávamos para ocasiões especiais. Estava com o peito nu,seus seios coberto apenas pelo sutiã preto, sem as roupas sujas de sangue, e a parte de baixo do corpo fora coberta com um lençol branco. Seu rosto estava sereno. Os olhos, fechados. A boca, tranquila.

Parecia um cadáver. Eu nunca tinha ido a um funeral, mas achei que ninguém poderia parecer mais morto do que Lauren naquele momento.

Ela está morta?

Olhei para o peito dela, desejando que se mexesse, mas, se os pulmões funcionavam, estavam fracos demais para que eu pudesse distinguir seu movimento na sala mal iluminada.

Por favor, Lauren. Respire.

Quando o peito de Lauren não deu sinal de vida, algo se abriu dentro de mim e todo o meu corpo pareceu uma enorme caverna com um vento gelado atravessando os espaços vazios.

Não, ela não pode ter morrido. Não posso deixá-la ir. Lutei para me manter calma. Se Lauren tivesse morrido, não estariam cuidando dela. Parariam de tratar do seu corpo.

Cobririam seu rosto.

Minha mãe andava de um lado para o outro perto da lareira, com uma das mãos na boca, olhando para meu pai e o Dr. Zsoldos, que conversavam em voz baixa junto do pacote que papai havia apanhado na garagem.

Alguma decisão devia ter sido tomada, porque o Dr. Zsoldos pegou uma faca – um bisturi? – numa bolsa preta. Ele vai operar a Lauren? Na nossa mesa?

Quase me virei, horrorizada demais para olhar. Mas, não, o charlatão húngaro não cortou Lauren. Apenas rompeu o barbante que amarrava o pacote e rasgou o papel. Levantou o conteúdo, aninhando-o como se estivesse fazendo o parto de um bebê – um bebê mole, escorregadio, que quase escapou de suas mãos. Que troço era aquele?

Inclinei a cabeça um pouco mais para a frente, encostando o rosto na fresta e lutando para controlar a respiração e não ser descoberta. Mas ninguém prestava atenção na porta. Mamãe, papai e o Dr. Zsoldos estavam olhando aquela... coisa nas mãos do húngaro. Parecia algum tipo de bolsa, feita de um material que eu não conseguia identificar. Mas era algo maleável, porque dançava nas mãos do Dr. Zsoldos, como gelatina num saco plástico.

– Deveríamos ter imaginado que ela guardaria isso – sussurrou o Dr. Zsoldos, assentindo, a barba branca balançando.

– É – concordou mamãe, agora avançando na direção de Lauren. – Deveríamos ter imaginado.

Papai assentiu e os dois enfiaram os braços sob os ombros de Lauren, levantando-a com delicadeza, até deixá-la quase sentado. Lauren emitiu um som, algo entre um gemido de dor e o rugido de um leão furioso e ferido.

Meus dedos úmidos escorregaram na maçaneta ao ouvir aquilo. Não era totalmente humano nem totalmente animal. Mas era arrepiante e reverberava pelas paredes.

Enxuguei as mãos na calça de montaria, forçando a vista para entender a cena diante de mim.

O Dr. Zsoldos se inclinou para a paciente e estendeu a bolsa como uma oferenda diante do rosto de Lauren. A luz da lareira se refletiu nos óculos do médico e ele sorriu de leve enquanto encorajava, baixinho:

– Beba, Lauren. Beba. – A paciente não reagiu. A cabeça de Lauren tombou de lado e papai mudou de posição para segurá-la, firmando-a.

O Dr. Zsoldos hesitou, depois pegou o bisturi de novo, usando-o para furar a bolsa, bem embaixo do nariz de Lauren. Os olhos que eu temia terem se apagado para sempre se abriram com um tremor. Soltei um grito.

Sempre claros, agora os olhos de Lucius estavam totalmente pretos. As pupilas pareciam ter consumido as íris e a maior parte da área branca também. Eu nunca tinha visto olhos como aqueles. Era impossível me desvencilhar deles.

Ela abriu a boca e seus dentes tinham mudado de novo. Meus pais deviam ter escutado meu grito, mas era tarde demais. Eles também estavam hipnotizados enquanto Lauren inclinava a cabeça, cravando as presas na bolsa e bebendo com a expressão exausta, ainda que sedenta. Um pouco de líquido escorreu pelo queixo e pelo peito. Líquido escuro. Líquido grosso. Eu tinha visto um líquido assim antes, havia poucas horas, manchando aquele mesmo peito.

NÃO.

Fechei os olhos, incrédula. Balançando a cabeça, tentei pensar direito, expulsar a imagem do que achava ter visto.

Havia um cheiro, também. Um odor pungente que eu nunca tinha sentido. Bem, eu tinha sentido de leve antes, mas agora... agora era forte demais. E estava ficando mais forte ainda.

Abri os olhos e me obriguei a olhar de novo. Eu não percebia aquele aroma com o nariz. Eu o sentia, em algum lugar fundo, na boca do estômago ou nos recônditos daquela parte primitiva do cérebro que estudamos na aula de biologia. A área que controla o sexo, a agressividade e... o prazer?

Lauren se empertigou mais um pouco, sustentando-se num dos cotovelos, ainda bebendo com volúpia, como se não conseguisse se fartar. Mas logo não restava mais nada. O saco estava vazio. Lauren então tombou de volta com um gemido que, de algum modo, conseguiu revelar uma agonia crua e pura satisfação. Papai segurou seus ombros nus bem a tempo.

– Descanse, Lauren – insistiu papai.

Mamãe limpou com um pano o peito dela, onde o sangue tinha se derramado.

Sangue. Ela estava bebendo sangue.

Fechei os olhos de novo, dessa vez com mais força. Então aconteceu uma coisa estranha, porque eu estava agachada num chão sólido, de madeira, que teoricamente não podia se mexer, mas que começou a balançar e girar sob meus pés. Toda a casa oscilava ao meu redor e, mesmo quando abri os olhos, tentando me orientar, senti que eles giravam por vontade própria na direção do teto, que foi desbotando como uma tela de cinema quando o filme acaba.

Acordei mais tarde, naquela mesma noite, na minha cama, vestida com o pijama de flanela, confusa e desorientada, como se de repente me encontrasse num país estrangeiro e não no meu quarto. Ainda estava escuro. Tentei ficar o mais imóvel possível, olhos abertos, para o caso de o quarto começar a dançar e o teto começar a desbotar de novo.

Mas a casa não se mexeu, mesmo quando repassei, em detalhes nítidos, tudo o que tinha visto. Tudo o que tinha sentido.

Eu tinha visto Lauren beber sangue. Tinha mesmo? Foi uma coisa turva, confusa. E aquele cheiro... Talvez o Dr. Zsoldos tivesse dado a Lauren algum tipo de bebida alcoólica romena, alguma poção ou sei lá o quê. Talvez eu houvesse entendido mal, em meio ao pânico e ao medo.

Mas o que eu não podia explicar era como havia me sentido quando acreditei que Lauren estivesse morta.

Sofrimento. O maior sofrimento que eu poderia imaginar. Como se um buraco tivesse sido aberto na minha alma.

Essa foi a parte que me assustou de verdade. Fiquei tão alucinada que desci de novo no meio da noite, me esgueirando até a sala de jantar. O fogo da lareira fora atiçado e Lauren estava deitada de costas na mesa, mas agora havia um travesseiro sob sua cabeça. Puseram um cobertor mais quente sobre o lençol, que cobria seu corpo dos ombros aos pés. Meu pai ainda estava lá, cochilando na cadeira de balanço e roncando baixinho, mas mamãe tinha sumido, e o Dr. Zsoldos também, além de sua maleta e da bolsa com a qual eu havia provavelmente sonhado...

Fui de mansinho até perto do rosto de Lauren. Não havia vestígios de nada vermelho em seus lábios, nem mancha no queixo, nenhuma sugestão de mudança em sua boca. Só um rosto pálido, ferido, agora familiar. Enquanto eu a observava, ela deve ter sentido uma presença, ou talvez sonhasse, porque se mexeu um pouco e a mão tombou da mesa. A posição parecia desconfortável, por isso, depois de esperar um pouco para ver se ela se moveria mais uma vez, segurei seu pulso com cuidado e a coloquei de volta na mesa. Apesar do cobertor e do fogo que estalava ali perto, sua pele estava fria demais ao toque – na verdade, gelada.

 Ela estava sempre muito fria. Meus dedos escorregaram para baixo, envolvendo os de Lauren por um momento, para oferecer algum conforto ou calor.

Ela estava viva.

Então comecei a chorar, o mais baixo que pude, num grande esforço para não acordar papai. Deixei que as lágrimas escorressem pelo rosto e pingassem nas nossas mãos entrelaçadas. Lauren me deixava maluca. Ela era maluca. Mas não importava. Eu não queria ter que enfrentar de novo aquela perda. Nunca mais.

Soltei um soluço, incapaz de me conter. Ao ouvir o som, papai gemeu, a fungada forte de alguém tentando dormir numa cadeira dura, e temi que ele acordasse. Por isso, soltei a mão de Lauren, enxuguei o rosto na manga e voltei para o quarto. De qualquer modo, já estava quase amanhecendo.


Notas Finais


Adorei o tombo, e vcs?


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