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História Como Treinar o seu Kwami - Capítulo 4


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Notas do Autor


E aí gente, tudo bom com vocês? Primeiramente, eu não podia deixar de agradecer a todos os que favoritaram e comentaram no capítulo anterior. Vocês são incríveis! Sério, esses feedbacks me fazem imensamente feliz. "Segundamente", peço desculpas pelo capítulo estar imeeeensoooo, eu me empolguei um pouco (ou muito) enquanto escrevia, e achei que não seria legal cortar ou dividir em dois. Se tiver algum erro não tenham vergonha de me avisarem. Vejo vocês nas notas finais, boa leitura!

Capítulo 4 - Ser um viking de verdade


Tyrion Lannister: Nunca se esqueça de quem você é, porque é certo que o mundo não se lembrará. Faça disso sua força. Assim, não poderá ser nunca a sua fraqueza. Arme-se com esta lembrança, e ela nunca poderá ser usada para magoá-lo.

(As crônicas de gelo e fogo, George R. R. Martin)

 

De alguma forma, depois daquele encontro inesperado, eu ainda consegui fazer com minhas pernas se mexessem para que eu chegasse em casa à tempo de ninguém notar o meu breve desaparecimento. Após tirar terra e pó de minhas roupas e sapatos, segui da forma mais natural possível para tomar o café da manhã, mesmo achando que eu não seria capaz de manter algo no estômago por muito tempo. Qual foi minha surpresa, no entanto, ao perceber que eu não estaria desacompanhado naquela manhã: Gabriel Agreste estava lá, ao vivo e em cores, já se servindo à mesa, como se estivesse esperando por mim:

- Bom dia filho – disse com uma voz um pouco menos mecânica que o normal – Estava esperando por você.

 - Qu-que bo-bom, porque-que eu também preciso falar com você pai – engoli em seco.

- Um momento – falou – Nathalie, onde está o presente do Adrien?

Presente? Meu pai havia comprado um presente para mim? Algo estava errado, muito muito errado mesmo. Ao longo de toda minha infância meu pai mal lembrava do meu aniversário, e muito menos fazia questão de me dar presentes. Teria eu caído numa realidade paralela, ou será que ainda estava dormindo? Ou talvez, aquele kwami tenha me matado e eu estava em algum tipo de limbo pós-morte.

Sim, aquilo certamente fazia sentido. No entanto, logo todas as minhas hipóteses foram descartadas. Poucos segundos depois, Nathalie apareceu na sala de jantar, segurando um pacote que indubitavelmente parecia ser do tamanho de uma arma.

- Filho – continuou meu pai pegando o objeto de sua secretária e o colocando em minhas mãos – Isso esteve comigo por muitos anos, e agora é hora de dar a você.

Ainda sem acreditar na minha sorte de ter ganhado dois presentes no mesmo aniversário, rasguei eufórico o embrulho, o qual revelou um grande e belo machado. Apesar de um machado, por si só, já ser um presente ideal para todo garoto da minha idade, aquela não era uma arma qualquer, era um breioox: um espécie de machado duplo, que era extremamente raro. Ele tinha cerca de 45 cm, possuindo vários desenhos incrustados ao longo de sua lança. Em qualquer outra ocasião, eu ficaria honrado em receber um presente desses, ainda mais do meu pai. Mas, não mais, eu não podia aceitar de jeito nenhum aquela relíquia de família.

A madrugada passada havia me feito finalmente refletir sobre o obvio, e apesar de não saber como dizer a ele aquelas palavras, que já estavam à beira dos meus lábios, eu sabia que era necessário. Desse modo, considerando que não havia jeito fácil de fazê-lo, era melhor que eu fosse bruto e rápido, como se puxasse um curativo. Afinal, quanto antes eu encarrasse a verdade, que me batia incansavelmente à porta, melhor seria, tanto para ele quanto para mim. Nathalie tinha razão, era hora deu parar de tentar ser alguém que não era. Então, eu e meu pai falamos quase que ao mesmo tempo:

Ambos: Então...

- Eu não quero mais caçar kwamis!

- É hora de aprender a caçar kwamis!

Nos entreolhamos por uma fração de segundo. Mas, se meu pai havia de fato captado as palavras que eu proferira, ele não fez questão alguma de demostrar:

- O dia finalmente chegou Adrien – continuou com a mais natural das vozes – Irá realizar seu sonho e treinar para capturar akumas e kwamis.

- Pai...sobre isso – eu tentei novamente – Eu gostaria de ter percebido antes. Sabe..eu venho conversando com a Nathalie, e estava pensando...acho que estamos com um excedente de vikings caçadores de kwamis e capturadores de akumas. Como está a cota de vikings padeiros e quebra-galhos?

- Hã? – perguntou meu pai visivelmente confuso, mas ainda sem esconder uma expressão que indicava que ele não estava satisfeito pela segunda interrupção ao seu ensaiado discurso de aniversário.

- E-eu não quero lutar con-contra kwamis, não mais. – falei com o máximo de segurança que podia - Reformulando: pai eu não consigo matar kwamis – desabafei.

- Todos se sentem assim no começo filho – ele prosseguiu – Mas, vai matar kwamis e derrotar akumas também.

- Não pai, eu estou supercerto de que eu não vou.

- Isso é sério filho – ele continuou em tom austero – Ao carregar esse machado você carrega todos nós com você. Você vai treinar sim, e se esforçar muito para se tornar um bom capturador.  Só assim você poderá ser um viking de verdade. Estamos entendidos? – ele perguntou arqueando a sobrancelha.

Nada do que eu dissera adiantava, meu pai sempre foi incapaz de levar meus sentimentos em consideração, nem mesmo por uma única vez. Por que dessa seria diferente? Após alguns segundos de silêncio, ele grudou seus gélidos olhos azuis nos meus, ainda aguardando a minha resposta.

 - Não se esqueça do que eles fizeram com sua mãe – ele me lembrou, tocando no meu ponto fraco – Os kwamis são criaturas que vieram diretamente do Hel para acabar com nossas vidas, sem hesitação. Por isso, é seu dever como viking e como meu filho lutar pela libertação do povo de Berk. Estamos combinados? – meu pai perguntou novamente.

Eu realmente gostaria que ele não tivesse falado do sacrifico da minha mãe, justamente naquele momento. Como se eu já não estivesse mal antes, agora eu me sentia como um maldito traidor sujo. Mas, como eu poderia lutar e ser um “viking de verdade” depois do que vivenciei hoje? Depois de libertar nosso maior inimigo?

- Combinado. – eu finalmente concordei

Pelo menos eu tinha de tentar, era o único jeito. Não havia outro modo de se viver em Berk afinal.

...

Apesar de tudo estar indo por água baixo desde a madrugada, eu ainda podia tirar um pequeno saldo disso tudo: eu finalmente iria ver a Marinette Dupain-Cheng de novo. Claro, eu já não tinha expectativas de impressioná-la como antes, mas pelo menos eu poderia ficar o dia todo contemplando-a lutando, com o vento nos cabelos e com a ferocidade no olhar. De preferência, queria poder fazer isso sem passar mais vergonha no processo, não queria que ela me achasse ainda mais idiota do que eu já parecia ser. Sendo franco, a única coisa que eu queria apagar mais do que nosso primeiro encontro era o momento em que deixei o kwami fugir.

Depois que meu pai finalmente saiu da sala, o Gorila apareceu para me acompanhar até o local do meu treinamento, o que não ajudou a melhorar o meu humor. Aquele tipo de situação, em que meu pai transferia suas responsabilidades paternas para Gorila ou Nathalie, sempre me deixava mais magoado do eu gostaria de admitir. Era costume que os vikings levassem seus filhos no primeiro dia de treino, como uma forma de demonstrar conforto e orgulho.

Sei que já não deveria mais me aborrecer com essas pequenas coisas, ainda mais considerando que ele já havia feito seu “papel de pai” mais cedo, mesmo que ao seu jeito. Mas, eu realmente precisava de uma figura incentivadora naquele momento. Nunca me sentira mais nervoso ou perdido em toda a vida.

- Não se preocupe – disse Gorila percebendo minha ansiedade – Você é pequeno e fraco, não atrairá a atenção dos outros alunos. Talvez pensem que você está doente ou é doidinho e irão atrás de tipos mais...mais vikings.

Não tive tempo para me questionar que tipo de conselho era aquele, pois finalmente minhas pupilas vislumbravam o lugar que eu havia sonhado em ir por tantos anos. A minha sede de treino se chamava Centro Françoise Dupont, e era conhecido como o melhor local para a formação de jovens capturadores. Devido à sua fama e prestigio, o centro só aceitava pouquíssimos alunos por vez. Eu nem precisava explicar que só tinha sido aceito ali por causa de quem era meu pai, não é? Porque se dependesse das minhas habilidades, eu teria sorte de sequer ser chamado para uma sede.

O local era ainda mais grandioso do que eu havia imaginado, sua estrutura consistia em uma enorme arena, envolvida por uma grande e rígida redoma de vidro. Mas, não sabia se aquela proteção toda era para não deixar que alguém de fora entrasse, ou talvez...para impedir que alguma coisa lá de dentro fugisse. Aquele pensamento me causou um súbito arrepio. De repente, aquele lugar não era mais tão alegre quanto eu tinha sonhado, e as águas opacas do lago que rodeava todo o centro não ajudava a dissipar a atmosfera tensa.

Gorila se despediu de mim com um aceno, me indicando a hora que o treino acabava e as coisas que eu deveria fazer para evitar virar um saco de pancadas. “Ouça as instruções, tente não atrapalhar ninguém, mantenha o seu machado sempre em mãos e nada de irritar os akumas”. A única coisa que eu não havia entendido era a parte do akuma, ele estava sugerindo que teria um ataque de akuma ainda hoje? Como ele poderia saber disso?

- Ei mano – disse de repente um garoto, que aparecera atrás de mim – Fica frio, é o meu primeiro dia também.

     Tentei dar um sorriso, aquela era a primeira pessoa que me dizia algo legal (e sem intenções por trás) naquele manhã. O garoto, que tinha cabelos curtos e olhos castanhos, sorriu também, estendendo a mão para mim:

- Eu me chamo Nino Lahiffe – ele disse.

- Adrien Agreste – respondi estendendo minha mão de volta. Mas, inesperadamente ele recuou.

- Adrien Agreste? – perguntou mudando completamente de semblante – O filho de Gabriel de Agreste?

Ótimo! Ele tinha ouvido do dia que eu quase capturara um akuma.  Óbvio, quem não tinha ouvido falar disso? Ele abriu e fechou a boca, como se quisesse perguntar algo, mas estivesse na dúvida. Contudo, antes que eu tivesse a chance de descobrir, uma garota loira, a qual eu identifiquei ser a filha do Sr. Bourgeois, gritou em alto e bom som:

- Ei, por que estão aí parados? Decidiram virar estátuas? Isso é absolutamente RÍ-DÍ-CU-LO. Não acredito que vou ter que treinar com mais pessoas que claramente não se dedicam em nada à arte de caçar akumas...

- Chloe eu acho que eles já entenderam – disse um garoto de cabelos vermelhos que se aproximara, interrompendo o sermão da filha do Sr. Bourgeois – Olá, eu sou o Nathaniel. A professora já deve estar nos esperando, faltam só vocês, vamos lá?

Eu olhei para Nino mais uma vez, lamentando o fato de que a minha primeira chance de fazer amizade com alguém legal havia sido arruinada por causa da revelação da minha identidade. Dando de ombros, segui os três para dentro da arena, onde duas meninas estavam sentadas no chão, alguns metros à nossa frente. A primeira tinha pele escura e cabelos castanhos-avermelhados, acho que o seu nome era Arya, Ayla ou algo parecido. Já a do lado..bom... as batidas do meu coração denunciaram quem era de imediato. Olhos selvagens, sardas adoráveis, longos cabelos pretos-azulados, aquela era a Marinette Dupain-Cheng.

- Que ridículo – disse Chloe quando estávamos há uns poucos metros das garotas.

- O que é ridículo? – questionei confuso, me perguntando quantas vezes Chloe já havia usado aquela palavra no nosso curto período de convivência.

- Você mal chegou e já está babando pela Dupain-Cheng – disse com deboche, dando um grande gargalhada em seguida.

Minhas bochechas começaram a queimar, não somente por causa da situação constrangedora em que Chloe estava me metendo. Mas, principalmente, porque eu não queria que Marinette descobrisse assim que eu estava apaixonado por ela. Se é que já não era óbvio pelo meu comportamento.

- Por-por que? Ela tem namorado ou algo assim? – perguntei em parte para tentar fazer com que ela falasse um pouco mais baixo, em parte porque era uma dúvida verídica.

Não era difícil de adivinhar que uma garota tão bonita e talentosa tivesse muitos admiradores em Berk. Porém, se ela tivesse um namorado seria o fim de tudo. Porque se houvesse mesmo um garoto entre nós (e com certeza seria um tipo bem mais viking do que eu), como eu faria com que ela se apaixonasse e casasse comigo? O que seria dos nossos futuros filhos? E do nosso gato? Eu já tinha até o nome perfeito para o felino, que se chamaria...

- Namorado? – ela perguntou num tom curioso – Sim, eu vou te dar umas dicas para você adivinhar quem é, forjado de metal, 93 cm, 200 anos..

- Que? – perguntei visivelmente confuso.

- A espada – respondeu Nathaniel com uma voz amarga – A espada é a namorada dela, ela gosta tanto dela que lhe deu um nome...Helena. Marinette só liga para capturar akumas e caçar kwamis. Ela não para por nada, nem de treinar e nem de falar em como ela quer se como o ídolo dela, o Gabriel Agreste, sabe? – o ruivo deu um suspiro de frustação - Enfim, Dupain-Cheng não namora. Ninguém – disse ele dando um grande ênfase nessa última palavra -  e quanto antes você aceitar isso melhor.

Nathaniel terminou sua fala com um tom de magoa profunda, como se tivesse algo a mais nessa história que ele não estava nos dizendo. Mas, não tive tempo de ponderar sobre os motivos daquilo, pois a nossa conversa foi interrompida pela chegada de uma mulher, que provavelmente era nossa professora.

Ela era alta e de pele clara, com grossos cabelos ruivos, perfeitamente amarrados em um coque alto. Suas bochechas rosados e suas sardas davam a impressão de que ela uma pessoa doce e calma, o que era completamente oposto às expectativas que eu tinha com um treinador: forte, musculoso e rígido. Sem mais postergar o assunto, Chloe, Nino, Nathaniel e eu nos juntamos às garotas no chão.

- Bem-vindo ao treinamento de caçadores de akumas e kwamis. – disse a professora num tom de voz firme - Para quem não me conhece, sou Caline Bustier, e eu serei a treinadora de vocês até que estejam prontos para capturar akumas e kwamis por contra própria, ou até que vocês morram tentando. O que acontecer primeiro.

As outras pessoas não pareceram se chocar, como eu e Nino, como se já estivessem acostumadas com aquelas falas sinistras. Aparentemente, eu havia tido uma impressão completamente errada da Srta. Bustier. Apesar da voz fina e de sua aparência inocente, as poucas palavras que ela pronunciara conseguiram me assustar mais do que as de meu pai e Gorila juntos. Mal conseguia imaginar como ela seria lutando, certamente aqueles atributos de doçura e inocência lhe davam uma excelente vantagem em caso de ataques surpresas.

- Só espero não morrer antes de caçar um kwami ou dois – disse a garota que eu achava que se chamava Alya ou Arya, com um tom de voz tão natural que era como se estivesse dizendo “espero que tenha batatas hoje no almoço”.

- Verdade, mas antes de morrer eu quero ter também uma cicatriz que nem a da sua irmã. De pelo menos uns 12cm. – retrucou Marinette, parecendo animada com a conversa.

Sério? Será que todos eram masoquistas como a Srta. Bustier? Onde eu fui me meter? Se eu tivesse ouvido Nathalie pelo menos uma vez estaria na segurança do artesanal, fabricando martelos ruins ou mesmo nas ruas ajudando na reconstrução de um monumento qualquer.

- Morte! Adoro – disse ironicamente, pensando alto demais. Meu erro.

- Quem te chamou para entrar aqui, Botão de Ouro? – perguntou a menina dos cabelos avermelhados - Isso aqui é treino de adultos, a creche fica do outro lado da cidade.

Então ela também lembrava, e se aquela garota, que era amiga da Marinette, lembrava do incidente, com toda certeza a própria Marinette também se recordava daquele dia. Oh Odin, aquele treino não poderia ficar melhor...

- O que? Esse é Adrien Agreste? – perguntou Chloe com seu já característico tom de deboche – Isso vai ser divertido.

- Muito bem, muito bem, silêncio todo mundo – disse a professora batendo sua espada em um dos seus escudos, provocando um alto e breve som, o qual chamou a atenção de todos - Já que temos novos vikings por aqui, vamos começar com uma rápida revisão antes da prática. O que vocês acham?

Todos os quatro veteranos vaiaram em discordância, pedindo para que a professora chegasse na parte boa, seja ela qual fosse.

- Eu sei, eu sei, meus alunos gostam de aventuras. Mas, não queremos que esses dois vikings valentes virem comida de akuma logo na primeira luta. Ainda – ela respondeu numa risada - Vamos começar, alguém pode me dizer o que é um akuma?

Várias mãos se levantaram prontamente, inclusive a minha, mas antes que a professora pudesse escolher alguém para responder, Chloe começou a falar, sem esperar que fosse convocada para dar a resposta:

- Um akuma é uma criatura em formato de uma borboleta preta que é responsável por transformar as pessoas em seres do mal. Um exército deles são criados e liderados pelos kwamis. – disse ela com segurança.

- Ótimo Chloe, e o que devemos fazer diante disso? – perguntou novamente a professora.

- Nosso dever como vikings é capturar o akuma e guardá-lo em um pote apropriado, para que ele seja contido até o seu armazenamento final. Todo o processo deve ser feito o mais rápido possível, antes que o akuma destrua ainda mais nossa cidade ou mate mais pessoas – respondeu prontamente Chloe, dessa vez nem tendo o trabalho de levantar a mão. Que garota mal educada!

- Muito bem, e o que acontece se nós apenas liberarmos o akuma e esqueceremos de captura-lo?    

- O akuma vai...

- Tá Chloe, já entendemos que você fez seu dever de casa – disse Marinette impaciente – Por que você não deixa o Nate falar para variar? Ele levantou a mão primeiro.

- Se ele soubesse mesmo teria respondido antes de mim, Dupain-Cheng – respondeu a garota cruzando os braços – Além disso, é ridículo ficar defendendo o Nathaniel só porque ele é seu namoradinho...

- Eu já disse dez mil vezes que ele NÃO é meu namorado sua...

- Meninas, parem de brigar. – interrompeu a Srta. Bustier – Adrien, que tal você? O que acontece se nós apenas liberarmos o akuma e esqueceremos de capturá-lo?      

Todos os quatro pares de olhos dos alunos se voltaram para mim. Aquela era a pergunta mais difícil que a professora já tinha feito até agora. E sinceramente, diferente das duas anteriores, nem todos os vikings de Berk saberiam dar aquela resposta, visto que, desde a traição dos kwamis, houve apenas uma única vez que o akuma não havia sido imediatamente capturado. Uma, e mesmo assim aquela vez quase foi o suficiente para quase acabar com tudo o que tínhamos na ilha.

- Se um akuma for removido do objeto, mas não for capturado, ele se duplicará exponencialmente, as cópias desse akuma voarão posteriormente e procurarão outros vikings para se apossarem deles. Qualquer pessoa, adulto, criança, ou bebê que entrar em contato com esses clones se tornarão cópias exatas do vilão do hospedeiro original, ficando petrificados nesse estado. Então, assim que o hospedeiro original do akuma recuperar as emoções negativas que o transformaram, o akuma original retornará e akumatizará a pessoa novamente.

“Só que dessa vez, além do akumatizado, teremos dezenas ou até mesmo centenas de duplicatas que irão despertar, formando um verdadeiro exército controlado pelos kwamis. Esse fenômeno só foi observado uma vez, há cerca de 15 anos na primeira aparição dos akumas, até que meu pa... até que Gabriel Agreste conseguiu libertar novamente o hospedeiro original, descobrindo assim a necessidade de armazenar os akumas para evitar incidentes semelhantes se repetissem.

Todos os alunos me olharam impressionados, o que podia dizer? Nathalie basicamente me alfabetizou com “kwamis sinistros e onde eles habitam” e “como derrotar um akuma”. Bom, todos os alunos menos Chloe:

- Pra alguém que quase destruiu Berk, parece que você fez seu dever de casa. – acho que aquilo era um mais perto que ela conseguia dizer de um elogio.

- Muito bem – disse a professora batendo novamente a espada no escudo para chamar a nossa atenção - Após essa breve teoria vamos finalmente à prática. Nathaniel, você trouxe algum lápis?

O garoto ruivo acenou afirmativamente, mostrando em seguida o objeto. Um lápis? O que faríamos com um lápis?

- Srta. Bustier – disse Nino após levantar uma das mãos – O que você quis dizer com começar com a prática? Tem algum ataque de akuma agora? Não ouvimos nenhuma sirene.

- Ah sim – disse ele colocando a mão no queixo – Quase me esqueci da parte mais importante. Aqui, no nosso treinamento, nós usamos akumas de verdade.

O que? Como assim eles treinavam com akumas de verdade?  Era disso que Gorila estava tentando me avisar? Não fazia sentido..Só os kwamis tinham controle dos akumas. Os outros alunos veteranos levaram as mãos à boca,  tentando conter o riso frente  ao espanto meu e de Nino.

- Bom, como Adrien disse – começou a Srta. Bustier - sempre depois de um ataque de akuma, nós capturamos a borboleta e em seguida a armazenamos no Centro dos Akumas, isso acontece desde o primeiro ataque registrado. Com o passar dos anos, as mortes tanto de capturadores quanto de vítimas fez com que nós aprimorássemos nossas práticas de combate. Por isso, desde o ano passado, aplicamos aqui na Françoise Dupont um novo método de treino: a prática com akumas de verdade.

“Por isso, na maioria das nossas aulas nós solicitamos ao líder do clã, o Sr. Agreste, que nós conceda temporariamente uma das borboletas já capturadas. Em seguida, conversamos com o hospedeiro original e o convidamos para vir ao nosso treino. Como não há uma forma descoberta de purificar o akuma, a borboleta ainda está vinculada a esse hospedeiro original. Então, nós soltamos o akuma, e deixamos que ele akumatize novamente o hospedeiro. Assim, aqui nessa cúpula protegida, os alunos lutam contra o akuma, como uma espécie de prática simulada. Ao fim da aula, o akuma é capturado novamente e nós o devolvemos para o Centro.

- Mas, não tem nenhum perigo do akuma sair e provocar mais destruição? – perguntei, achando que aquele treinamento era uma péssima ideia. Já tínhamos tantos ataques em Berk, por que induzir mais um?

- Excelente pergunta – prosseguiu a professora – Nenhuma das akumatizações que acontecem aqui são novas, então não há o fator da imprevisibilidade. Sabemos de tudo sobre o akuma, o objeto onde ele está, a causa da akumatização, os poderes do akumatizado, tudo. Além disso, nossa arena é muito bem equipada, nenhuma morte ou incidente aconteceu desde a introdução desse método, pelo menos não com as pessoas de fora... Muito bem, já que vocês dois – disse ela apontando para mim e para Nino – estão obviamente inseguros, será que alguém pode explicar para o Adrien e o Nino a importância desse treinamento?

- Nada substitui a prática – respondeu, é claro, Chloe – Nossa rapidez em derrotar os akumas aumentou em 64% desde a introdução desse método, poupando a vida de muitas pessoas. Além de...

- Além de que é importante considerar a possibilidade de que um dia você seja obrigado a lutar contra alguém que você conhece – disse Marinette claramente cansada do show de exibições de Chloe – Como vamos fazer agora – ela suspirou.

- Muito bem – disse a professora – Já que todas as dúvidas já foram sanadas, devemos prosseguir. Marinette, você pode começar, enquanto isso eu soltarei a borboleta.

O que ela queria dizer com “Marinette pode começar?”. Ela que seria a vítima da vez? Eu acompanhava todas as notícias que podia sobre Marinette desde aquele ataque do coração de pedra, mas apesar de saber coisas precisas como seu horário, aniversário, histórico escolar e até mesmo cor favorita eu não lembrava de ter ouvido falar de sua suposta akumatização.

Na verdade, ela parecia sempre tão forte e destemida que era difícil acreditar sequer que ela se permitiria ser akumatizada por alguém. Afinal, capturadores sabem mais do que ninguém que não é seguro ser vulnerável em Berk, quanto mais bruto e duro você for melhor, tanto para você quanto para os outros.

A capturadora assentiu e se levantou com um segundo suspiro, indo, em seguida, em direção à Nathaniel, e disse com a mais fria das vozes:

- Nate – começou ela – Somos amigos desde sempre, mas preciso que me entenda.. –a azulada pausou, como se estivesse tentando criar coragem para prosseguir – Eu nunca vou gostar de você! Vá embora, e pare de fazer desenhos de mim, isso é bizarro!

A Srta. Bustier soltou naquele instante a borboleta preta, que voou certeira na direção de Nathaniel, se fundindo ao lápis que ele carregava em mão. Em um instante, aquele garoto aparentemente tímido e quieto mudou... Seus cabelos vermelhos agora estavam espetados, e uma boina preta apareceu bem no topo deles. Suas roupas, antes normais para um viking, estavam coloridas como as de um artista. Então, quando ele pegou o seu lápis sorrindo para nós eu soube que akuma era esse: o ilustrador do mal.


Notas Finais


E aí, gente? Esse capítulo foi um dos mais importantes para a história, espero que tenham gostado apesar dele ter ficado realmente bem grandinho. O que acharam das mudanças? E qual será que é o nome do futuro gato do Adrien? kkk. Nessa versão, a Marinette que é a responsável pela akumatização do Nathaniel por motivos que serão revelados um pouco mais para frente..Sorry, no spoiler. Enfins, o que estão achando da fanfic até agora? Adoraria ouvir as opiniões de vocês e também se tem algo que eu possa melhorar. Beijos e vejo vocês na quarta-feira com o "Ilustrador do Mal"


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