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História Como Treinar o seu Kwami - Capítulo 43


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Notas do Autor


Boa tarde vikings, como vocês estão? Estou passando aqui cedinho hoje, porque mais tarde vou ter que sair para resolver umas coisas. Esse capítulo, é muuuitoooo mais parado que os últimos. Mas, eu achei que seria interessante ter esse momento mais “reflexivo”, antes do final de fato. Espero que gostem mesmo assim, nós falamos mais nas notas finais. Boa leituraaa!

Capítulo 43 - O dia de amanhã


Peter Parker: Todo lugar aonde eu vou, eu vejo o rosto dele

- Homem-Aranha: Longe de Casa

Algumas semanas tinham se passado desde o fim agridoce da batalha contra o Senhor das Borboletas. E agora, depois da grande tempestade, todos estávamos um tanto perdidos, lutando para encontrar uma nova ideia de “normalidade”. Apesar dos vikings, em geral, estarem muito gratos por reverem as pessoas que tinham perdido há anos, era impossível não preocupar-se com o fato de que, do dia para noite, Berk sofreu uma verdadeira explosão populacional.

Desse modo, com o inverno que chegaria em pouco tempo, entramos uma verdadeira corrida em descobrir como iriamos sustentar toda essa gente. Ainda mais, considerando que, muitos dos empregos simplesmente não faziam mais sentido. Qual era a necessidade, por exemplo, de existirem escolas de formação de capturadores se não havia mais akumas? E aquele não era o único setor prejudicado pelo fim das borboletas, as demandas por reconstrução de casas nunca estiveram tão baixas, e todos os hospitais estavam bem vazios...

 Não obstante, o Sr. Bourgeois estava fazendo o melhor que podia e, junto com vários outros políticos, já traçava planos para evitar que a nossa ilha entrasse em um colapso econômico. Pois então, isso mesmo que você ouviu: Andre Bourgeois já estava totalmente recuperado de seus ferimentos. E enfim, sem a presença sugadora do Gabriel Agreste, ele podia exercer plenamente a sua função de líder de Berk.

 Era verdade que, pela nossa lei, eu deveria ser o próximo a assumir o cargo. No entanto, recusei veemente a função, no instante em sugeriram minha posse. Não tinha o menor interesse em me envolver com a política. Afinal, eu já tinha tido problemas o suficientes para uma vida inteira, ou até mais de uma, sendo sincero. Ademais, nada era mais justo do que deixar com que a real pessoa que administrou nossa ilha por todos esses anos, finalmente pudesse obter o devido reconhecimento.

 O sorriso de Andre no dia em que, oficialmente, transferi as obrigações de líder para ele foi tão estonteante que parecia esvanecer a luz da manhã. Talvez, a única pessoa mais radiante do que ele próprio, fosse a filha dele. Chloe estava tão contente, que até estava sendo um pouco mais agradável com as pessoas à sua volta, e usando menos a palavra “ridículo”.

Além disso, como recompensa pelo o seu grande feito de convencer rapidamente os políticos acerca da identidade do vilão, a loira ganhou um pequeno cargo no Conselho. Um cargo inteiramente dela. Alguém ainda duvidaria que a garota seria uma política tão excepcional quanto o pai? Algo me dizia que, de fato, não havia melhor família para governar nossa ilha do que a dos Bourgeois.

Contudo, Chloe não era a única do nosso grupo a estar encontrando uma nova ocupação.  De início, Nino começara a trabalhar na loja de armas de seus pais. Mas, não demorou a perceber que aquele clima de celebração era ideal para que ele, enfim, pudesse investir em seu hobbie musical. Por enquanto, as coisas até que estavam indo bem, e o garoto parecia estar bem satisfeito com o resultado inicial.

Alya, por outro lado, aproximou-se bastante de Marc e Nathaniel. O casal tinha abandonado o antigo projeto de fazer o livro ilustrado sobre os akumatizados, para criar uma série de contos infantis sobre o início e o fim da grande perseguição dos kwamis. Enquanto Marc fazia o roteiro e Nathaniel o ilustrava, Alya tomava conta do acervo histórico, garantindo que, apesar da baixa faixa etária, todo conteúdo fosse fiel à realidade dos fatos.

Ao longo daquelas semanas, ela vinha entrevistando muitas pessoas que vivenciaram a saga das “invasões”, a fim de colher e transcrever o máximo relatos possíveis. No futuro, ela planejava escrever uma obra completa sobre esse período sombrio, para evitar que novas tragédias pudessem emergir do ódio injustificado contra grupos particulares. Afinal, como certa vez disse um sábio, “aquele que não conhece o passado está fadado à repeti-lo”.

E por falar nesse período de mentiras, logo no dia seguinte à batalha, todos os crimes do meu progenitor foram expostos, deixando as pessoas quase tão chocadas quanto na revelação de que os kwamis não eram seres do mal. No momento, ele e Nathalie estavam presos, ainda aguardando um julgamento e a ex-secretária parecia estar melhor de saúde. Pelo menos, era o que me contaram. Não tive vontade alguma de visita-los.

Somente o fato de pensar neles, especialmente no meu progenitor, já era algo doloroso demais, e eu não sabia se podia ou mesmo se deveria perdoá-los algum dia. A desistência de Gabriel, apesar de nobre, era incapaz de apagar todas as consequências do que ele fez. Ao mesmo tempo, parte de mim também sentia culpa...

Como eu podia ter passado a vida inteira ao lado de um super-vilão? Sem nunca suspeitar que havia algo de estranho na reclusão de Gabriel Agreste? Eu deveria tê-lo confrontado antes, eu devia... ter feito algo, qualquer coisa! Quanto sofrimento não poderia ter sido poupado se as ações de Gabriel tivessem sido reveladas um pouco antes da intensificação final das akumatizações?

Mas, não importava o quão ruim eu podia estar me sentindo, nada se comparava ao estado da minha namorada. Se a primeira vez que ela perdera o pai, a tinha (literal e metaforicamente) arremessando ao chão, a segunda a destruíra por completo, de forma irrevogável. Por mais que eu tivesse impedido o meu progenitor de concluir o pedido, é como se não houvesse mais vida em Marinette, do mesmo jeito.

Ela não sorria, não saia, não queria se encontrar com ninguém e fazia absolutamente tudo de forma super-automática. A primeira semana que sucedeu o não-retorno do Tom, então, nem se fale.  Foi preciso que eu e Sabine praticamente a obrigássemos a comer para que a garota não desmaiasse de desnutrição.

 Após aqueles sete primeiros dias, a mãe dela, enfim, cansou-se da situação, e passou a exigir com que a azulada a ajudasse com as novas encomendas de doces e salgados, que ela estava voltando a fazer. Para que, pelo menos assim, a garota saísse da cama por algumas horas, e tomasse “um pouco de ar”.

Desde então, Mari seguia uma rotina extremamente metódica: ela acordava, tomava café, ajudava a mãe na padaria, almoçava, fazia as eventuais entregas e se trancava no quarto até a hora do jantar. As únicas outras vezes em que a garota saia de casa, era para visitar o Mestre Fu, no lar de repouso em que ele se encontrava. Mas, o que ela fazia por tantas horas na companhia de um senhor sem memórias, era algo além da minha compreensão.

Isso aí, diferente do que quase todos tinham suposto, o Mestre Fu estava bem e vivo! Quando os vikings comandados por Gabriel finalmente acharam a cabana do Mestre e viram que, realmente, não havia mais nenhum kwami lá, optaram apenas por prendê-lo. E, assim que o localizamos, na primeira semana após a batalha, decidimos transferi-lo para um centro de cuidados para idosos, onde ele poderia ser bem tratado até o fim dos seus dias.

Sendo franco, eu tinha a teoria de que parte da insistência de Marinette em visitar o Mestre Fu com tanta frequência era para poder encontrar um motivo, ou uma explicação razoável do porquê ele fizera tudo aquilo com ela. Apesar de que, tanto Mari quanto eu, já tivemos plena certeza de qual seria a resposta dele...

Para o Mestre Fu, naquele infeliz cenário que Berk se encontrava, todos os meios justificavam o melhor dos fins. Não havia, literalmente, nada que ele não faria por aquelas criaturinhas mágicas. De qualquer forma, nada disso parecia ajudar muito. Ao final de cada uma daquelas misteriosas visitas, a azulada sempre chegava em casa ainda mais emocionalmente fechada do que quando tinha saído.

Mas, o pior de tudo é que ela estava especialmente distante de mim!  Eu juro, parecia que Mari sempre esforçava-se para manter ao máximo longe da minha pessoa. Inclusive, chegando ao extremo de sair de um dos cômodos da casa, assim que eu entrava. Era quase como se ela me odiasse novamente ou como estivesse escondendo algo de mim, o que não ajudava muito com as minhas típicas inseguranças.

Na nona semana após a batalha, finalmente decidi dar um basta naquela situação. Eu não aguentava mais viver assim, e precisava descobrir se, mesmo que inconscientemente, eu fizera algo para piorar o estado emocional da minha namorada. Após muita insistência, consegui convencê-la a se encontrar comigo à beira do lago do Françoise-Dupont, assim que ela terminasse as entregas que Sabine tinha lhe designado para aquele dia.

Enquanto as duas estavam fora, realizei as tarefas da casa com a maior velocidade possível. E, como resultado da pressa e da ansiedade, acabei saindo bem mais cedo que o necessário. Não obstante, assim que avistei a entrada da nossa ex-Academia, tomei um grande susto ao ver que Mari também já tinha chagado, e estava virada de frente para água, com uma expressão bastante pensativa:

- Oi – disse suavemente para não assustá-la, enquanto sentava ao seu lado.

- Você disse que queria conversar? – a garota perguntou, com a mesma voz monótona vinha adotando nos últimos dois meses.

- Sim – respondi, com um tom pesado – Marinette, eu só quero entender o que está acontecendo.

- O que está acontecendo? – a azulada perguntou, cruzando os braços – Você sabe muito bem o que está acontecendo, ou melhor, o que não aconteceu.

- Não, eu não falo disso, Princesa – expliquei de modo calmo, para que ela não ficasse ainda mais irritada do que já parecia estar – Eu sei que os eventos do dia da batalha foram horríveis para você e de jeito nenhum espero que você os supere assim, do dia para a noite. Mas, tem certeza que é apenas isso?

“Você passa o dia inteiro me evitando, mal fala comigo mesmo que estejamos, precisamente, morando na mesma casa! Na verdade, pensando bem, eu mal me lembro da última vez que você sequer me olhou nos olhos! – disse, ao observar a posição das orbes azuis da garota – O que eu quero dizer é... eu fiz alguma coisa de errado? Por que se eu fiz, por favor diga! Para que eu pelo menos tenha a chance de consertar seja lá o que for e...

Finalmente, Mari virou-se para mim, apenas para me encarar com uma expressão confusa. E, após dois segundos de silêncio, ela ergueu repentinamente as sobrancelhas, como se tivesse acabado de ter uma revelação:

- Espera, um pouco – a azulada pausou – Você tem achado que eu... que eu estou querendo terminar com você?

- Bom, no começo não... – disse, enquanto passava a mãos pelos meus cabelos claros – Mas, depois de um tempo sim... Eu tenho pensando isso há uns dias, sendo sincero. – admiti – Achei...achei...que talvez fosse demais para você ficar com o filho de um vilão. Ou pior, o filho da pessoa que matou o seu pai.

- Oh – disse ela, abrindo a boca de leve – Adrien – Mari pronunciou o meu nome com um tom carinhoso, o qual eu não ouvia há um tempo – Eu nunca, nunca terminaria com você por um motivo tão idiota quanto esse. – a garota assegurou – Me desculpe se eu te fiz pensar isso.

- Então, você não vai terminar comigo? – perguntei, enquanto praticamente lutava para manter o meu coração dentro do peito.

- Não de jeito que você está pensando – ela respondeu, com um suspiro.

- Como assim? – falei, em confusão.

Será que havia mais de um jeito de terminar com alguém?  Sem dizer mais nada, ela me olhou com os olhos marejados, e colocou as mãos na bolsa, como se procurasse algo. Após alguns instantes, ela ergueu a mão e depositou, na palma das minhas, o miraculous da joaninha. O que, pensei, por que ela estava me dando aqueles brincos? Por que eles estavam fora das orelhas dela, para começo de conversa?

- Eu não vou mais ser a Ladybug – a azulada disse quase sem emoção, com um tom de certeza. Com uma voz de quem havia já pensado muito, antes de tomar uma decisão.

Instantaneamente, a minha boca caiu até a altura do meu queixo. Seja lá qual fosse o motivo oculto para o comportamento estranho da minha namorada, nem em um milhão de anos, eu imaginaria que pudesse ser aquilo.

- O que? Por que? – perguntei, sem tentar esconder o meu choque.

- Bem.. – ela pausou, como se estivesse pensando em como deveria começar – Eu venho tendo pesadelos, pesadelos muito ruins...

- É, eu sei como é – a interrompi, sem querer.

O meu antigo pesadelo com a morte da minha mãe era “fichinha” perto dos novos que me atormentavam. Eu sonhava com meu pai destruindo Berk, Marinette morrendo diversas vezes, Plagg sendo capturado, meus amigos sendo feridos na minha frente... Cada uma das minhas noites, era capaz dar inveja nos mais assombrosos livros de terror. Às vezes, o mero pensamento de ter de fechar os olhos, já me fazia tremer.

- Não, você não sabe – ela afirmou obstinadamente.

- Então, me diga – implorei, com os olhos – Fale comigo Mari, por favor.

- Está bem – a garota concordou, lentamente – Toda noite eu sonho que... que eu levanto no meio da madrugada, e te ataco ou te machuco para arrancar o anel de você... Sim – ela pausou, começando a romper em soluços – Desde aquele dia, não tem uma hora, um minuto que passe sem que eu pense em fazer isso. Sem que eu pense em pegar meus brincos – disse Mari, encarando os objetos na minha mão – E o seu anel para trazer meu pai de volta, custe o que custasse. Porque, às vezes, nenhum preço parece tão alto quanto a ausência dele. Sin-sinto mui-muito – a voz dela falhou – Você deve estar me achando uma pessoa terrível por estar tendo essas ideias...

- Oh Mari – disse, puxando-a para um abraço.

Sim, agora eu conseguia entender o receio dela em se abrir comigo a respeito daquela situação. Contudo, nem em um milhão de anos eu a julgaria por ter aquele tipo de pensamento. Sabia, até bem demais, como era estar naquela posição horrível. A infeliz ocasião em que eu praticamente tive que escolher entre a vida da minha mãe ou a de Mari, me ocasionou angustias que eu temia que permanecessem pelo resto da minha vida. E isso, considerando que eu nem sequer conhecia minha mãe direito.

Sem demora, coloquei-me no lugar da minha namorada. E se eu tivesse convivido 13 anos com minha mãe? Será que eu teria mesmo aceitado deixa-la ir? Ou pior ainda, e se, além de ter convivido com Emilie, por muito tempo, e se eu também me sentisse culpado pelas circunstâncias da morte dela? Será que eu teria usado os Miraculous para garantir que as duas pudessem viver? O medo do preço do desejo poderia superar a minha vontade de salvá-las? De poder reparar, de alguma forma, os erros que eu julgara ter cometido com elas?

- Já era doloroso pensar nele antes – Marinette quebrou o silêncio, por fim – Eu passei todos esses anos sonhando com um jeito dele poder voltar ou deu poder consertar as coisas... E quando, quando eu soube que o Miraculous Ladybug poderia me dar essa chance, eu coloquei todas as minhas forças e esperanças nisso. – a azulada pausou, para enxugar um pouco as lágrimas.

- O Mestre Fu não devia ter enganado você sobre os poderes do Miraculous Ladybug – murmurei – Ele devia ter encontrado outra forma de te convencer a ajudar.

- Sim, ele devia – Marinette concordou – Mas, eu meio que o entendo também. Ele era o último dos guardiões, e, em seu desespero, fez o que achava que tinha de ser feito. Na verdade, talvez eu que seja a verdadeira culpada, por não ter enxergado a verdade antes. As regras da Tikki não eram tão difíceis de ser entendidas...

“Só que, ainda assim, eu escolhi ignorar o óbvio e me afoguei nesse oceano de falsas esperanças. E agora, é insuportável para mim ficar com esses brincos. É um verdadeiro castigo acordar todos os dias sabendo que eu, literalmente, estou carregando metade da chave que poderia trazê-lo volta. E é por isso que eu...  que eu....venho visitando o Mestre Fu, regularmente. É estupido, eu sei – ela enfatizou – Mas, eu acho que, no fundo, estive meio que esperando que ele pudesse dar uma solução.... Que grande besteira, ele nem sabe mais quem eu sou!

- Realmente, não acho que o Mestre Fu possa ajudar muito, dada as circunstâncias -  disse, fazendo um carinho na palma da mão dela – Mas, eu posso e vou. Eu vou te ajudar com isso, Marinette. E a sua mãe e os nossos amigos também. Tudo dará certo no final. Podemos superar os nossos traumas juntos!

- Eu já pensei bastante, Adrien – ela continuou – Eu não posso fazer mais isso... Por favor, pegue esses brincos e arrume outra guardiã. Eu não quero machucar ninguém, eu não quero machucar você...

Com toda a delicadeza, segurei a face dela com as minhas mãos. E então, quando a azulada começou a relaxar com aquele gesto, peguei os brincos e os coloquei de volta, no lugar de onde eles jamais deveriam ter saído.

- O que...o que você está fazendo? – a garota disse, levando as mãos até as orelhas – Você não entende? Eu não digna de usá-los mais! Ninguém que tem esse tipo de pensamento deveria portar um miraculous, eu... eu sou um monstro por sequer ousar sonhar com essas coisas... Eu sou não sou melhor que Gabriel Agreste, pegue-os! Leve-os daqui!

- Mari, como você pode dizer isso de si mesma? – a questionei – Você é a escolha perfeita! Que outro viking derrotaria mais de 300 akumatizados, antes de fazer 16 anos? Quem mais conseguiria usar tantos miraculous ao mesmo tempo, sem enlouquecer ou perder o controle, como você fez para salvar a Tikki? Quem mais poderia salvar as milhares de vítimas do Homem-Bolha 2.0, da primeira vez em que assumiu o manto do dragão? Quem tem sempre as melhores ideias, quando todas as coisas parecem estar perdidas?

  “Olhe para todos essas expressões felizes nas ruas, olhe para todos que tiveram suas feridas curadas, ou mesmo uma chance de viverem de novo. Podemos ainda estar passando sim, por alguns problemas por aqui. Mas, não há mais um medo avassalador, não há mais ataques semanais, pilhas de mortos espalhadas ou casas destruídas. E grande parte disso é por conta de você.

“Berk é um lugar melhor por sua causa, Mari! O Mestre Fu não te confiou a Tikki e a caixa dos miraculous por acaso. Você é incrível, e a ilha não está cheia de Marinettes por aí, você é uma raridade! E se você tem essa vontade de usar os miraculous para seus desejos pessoais e, ainda assim, escolhe não usá-los.... Bom, pra mim, isso te torna a pessoa mais digna entre todos os vikings para ser a nova guardiã.

- Para você é fácil falar – ela disse num suspiro – Você é a melhor pessoa do universo. Duvido que teria pensamentos tão sombrios quanto os meus...

- Isso não é verdade – afirmei, sem pestanejar – Nem de longe, eu já tive sim ideias semelhantes a essas.

- O que? – ela questionou, erguendo as sobrancelhas – Quando?

- Bom, houveram duas vezes mais marcantes, as duas durante nossa batalha final.  – suspirei - A primeira foi quando Nathaniel apagou a existência da Manon. Eu nunca tinha experimentado tanta raiva na vida. E bom... como eu estava com o manto do Aspik... – pausei, sentindo o meu rosto corar de vergonha – Eu pensei em usar dos poderes do tempo para torturar o seu amigo pela eternidade, mesmo sabendo que ele não era culpado de nada do que tinha acontecido.

-  O que? Você está mentido! – Mari me acusou.

- Não estou, eu juro – prometi – Depois, pergunte para Alya ou para o Nino. Foram eles que me fizeram parar. Os dois me lembraram de que Nathaniel não era o verdadeiro vilão, e que ele não era responsável pelos atos do seu eu-akumatizado.

- Eu sinto muito – ela falou, com voz de pena – Sei do carinho que você sente pela Manon, não deve ter sido nada fácil....

- Não foi mesmo – limitei-me a falar.

- E quanto a segunda vez? – a garota questionou.

- Bom, lembra do que eu disse sobre como minha mãe me fez perceber que ainda havia tempo deu usar a minha “Segunda Chance”?  – a garota balançou a cabeça, em afirmação – Er... eu não tive coragem de dizer antes. Mas, a verdade é que eu não quis voltar no tempo e impedir o desejo do meu pai. Pelo menos, não de imediato.

- Como assim? – Mari perguntou, surpresa.

- Sabe, quando eu vi minha mãe, foi tão, tão incrível.... que, por alguns instantes, eu pensei em deixar as coisas acontecerem. Em deixar meu pai vencer, ou talvez até mesmo fazer o pedido para que vocês duas pudessem ficar comigo, e que se danasse o preço. E, talvez... se não fosse algumas palavras vindas dela... eu acho que poderia feito algo pelo qual me arrependeria pelo resto dos meus dias.

- Isso é sério? – a garota perguntou, desconfiada.

- É a mais pura verdade – falei com segurança e, ao ver a verdade refletida nos meus olhos, sua expressão de dúvida se esvaneceu – Mari, eu sei o quanto você ama o seu pai e que daria de tudo para revê-lo – pausei, relembrando as palavras da minha mãe – E esse dia ainda vai chegar. Um dia vocês vão poder se conhecer novamente, todos nós vamos. Mas, não antes que você faça todas as coisas incríveis que eu sei que você ainda vai fazer por essa ilha. E eu estarei contigo, a cada passo do caminho, eu prometo. – disse, com toda a convicção do mundo.

- Mas, e se...e se eu cometer um grande erro? Algo que eu nunca possa reparar?

- Quero te mostrar uma coisa – falei, tirando um antigo papel da bolsa – Eu ia te mostrar mais tarde, mas acho que não há momento melhor do que esse.

- O que é isso? – ela perguntou, desdobrando o papel com cuidado para não rasga-lo.

- Essa é a última carta da minha mãe para o Gabriel. Eu a encontrei mais cedo, nas coisas dele. – expliquei – E agora, finalmente, acho que consigo entender porque meu progenitor desistiu de tudo, no último instante. As sete palavras que minha mãe falou para mim, eram a frase final dessa carta. – pausei – Ela fez uma referência às suas próprias últimas palavras, como um apelo.

- E você quer mesmo que eu leia isso? Quero dizer, é algo tão pessoal..

- Sim – falei, sem hesitar – Tenho certeza que minha mãe não se importaria.

- Tudo bem – a garota assentiu.

10 de junho, ano 568 D.B

Querido Gabriel,

Para as coisas que realmente importam, nunca é tarde demais para tomarmos uma nova posição, para escolhermos o tipo de pessoa que queremos ser... Não há quaisquer limitações, mude de novo, e de novo, quantas vezes você quiser.

A cada manhã o sol nasce, anunciando que, por mais 24hrs, tudo se torna possível novamente... Você pode dizer sim ou não. Ir em frente, ou voltar um pouco trás. Repensar ou permanecer o mesmo. Amar ou odiar. Fazer o melhor ou o pior...

Torço para que não esqueça disso, e para que escolha fazer o melhor. Mesmo que o melhor não seja sempre a opção mais fácil. Espero que enfrente os seus maiores medos, e que sinta emoções que jamais imaginou experimentar.

Acima de tudo, mon ciel, quero que viva uma vida da qual se orgulhe. E que seja muito feliz, ao lado do nosso filho. Ainda que eu não esteja mais presente para desfrutar de cada um desses momentos com vocês.

E se em algum momento você cair, espero que que encontre forças e pessoas que te ajudem a se levantar de novo. Porque pior do que errar, é não tentar corrigir os próprios erros. Nunca é tarde para fazer o bem...

Se antes de ler, Marinette já estava chorando silenciosamente, agora soluços altos escapavam de sua garganta, e ela até mesmo teve que guardar a carta para que o papel não rasgasse com a umidade das lágrimas que caiam. Ficamos abraçados por um bom tempo, enquanto a azulada se acalmava aos poucos. E quando a tarde já estava em seus últimos suspiros, finalmente eu disse:

- Mari, eu te amo mais do que tudo – pronunciei, com meu costumeiro tom de adoração – Berk precisa de você e eu também. Eu prometo que estarei com você em todos os momentos difíceis, e te ajudarei a levantar em cada uma das vezes que você cair, assim como sempre tem sido. Por favor, não desista de ser a nossa Ladybug.

Ela tentou enxugar suas lágrimas, mais uma vez, e me abraçou calorosamente, antes de repetir as exatas palavras que disse, quando a pedi em namoro:

- Como eu poderia recursar um pedido desses, meu Botão de Ouro?


Notas Finais


E aí, o que vocês acharam? Como eu disse, beeem mais leve que o último. Foi mais uma transição para o que vai ser o próximo. E gente, sinceramente, eu já to me segurando para não chorar. Essa história começou com a quarentena, e vai terminar também com ela.
Segunda-feira tudo volta ao “normal” por aqui. Então, eu passei por muitos perrengues nos últimos dias para deixar tudo finalizado. E AMANHÃ é a data do nosso último encontro com os vikings franco-brasileiros.
Confesso que parte de mim está triste, porque, nos últimos meses, escrever virou uma parte da minha vida. E, sinceramente, eu não sei como teria sobrevivo ao isolamento sem isso. Mas, o fim também é uma parte da jornada, e que jornada!

Eu vou deixar para falar mais amanhã, mas sério MUITO, MUITO OBRIGADA, a cada um de vocês que comentou, favoritou ou simplesmente resolveu dar uma chance para essa história. Eu queria poder abraçar cada um de vocês.
Com TODA certeza, eu não teria conseguido terminar sem esse apoio incrível. Obrigada demais! E, deixando a tristeza de lado. Vamos celebrar esse momento. Te faço três perguntas agora, caro leitor:

1 – Qual foi o seu ARCO favorito da fanfic?
2 – Qual foi o seu capítulo favorito do arco 3?
3 – E qual foi o seu capítulo favorito da fanfic TODA?

Eu tenho um carinho muito grande por cada um dos arcos, mas eu acho que fico com o arco “2” porque, querendo ou não, foi lá que todos os personagens tiveram os seus desenvolvimentos. E o meu capítulo favorito da fanfic foi justamente o “Morte e vida”, que saiu outro dia. Deu um trabalho imenso, mas eu gostei muito do resultado.
Enfins, se tiverem um tempinho, me falem também dos favoritos de vocês. Beijos galera, até amanhã!


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