História Como Treinar Seu Homem - Capítulo 17


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Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Taeyong, Ten
Tags Taeten
Visualizações 227
Palavras 4.730
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 17 - Chapter XVII


REGRA 14: __________________


Lúpus. Lúpus. Lúpus. A palavrinha havia penetrado em minha cabeça de uma hora para outra. Eu lembrava de ter estudado essa patologia durante o quarto semestre, o professor chegou a passar um trabalho em grupo sobre esse tema, que fiz com Jungwoo e mais alguns alunos da sala. Tiramos a nota máxima.

A doença auto-imune que ataca o sistema imunológico, destruindo os tecidos saudáveis do corpo. Lúpus. Uma doença incurável que aos poucos toma a vida da pessoa que desenvolveu essa doença, levando-a à morte. Lúpus. Era o que meu pai tinha.

Eu não sabia qual o tipo era o dele, mas de toda forma, um forte sentimento de preocupação começou a queimar em meu peito.

Depois de desligar a chamada com Taeyong, eu não voltei para o quarto, continuei na sala, encolhido no puff onde sua jaqueta se encontrava antes. Tentei não entrar em crise com a ideia de perder meu pai, mas a tensão era nítida. Mais uma vez, mil tijolos pousavam sob meus ombros, fosse pelo medo de meu pai morrer — apesar de ter acesso ao tratamento, eu só pensava no pior —, fosse pelo medo de todas as responsabilidades dele no trabalho serem passadas para mim, fosse pelo fato de que eu não queria encara-lo porque da última vez que o vi, nossa despedida se deu com um belo de um tapa em meu rosto. O motivo era o mesmo de sempre: eu queria dançar e ele não permitia, eu insisti no assunto até que ele ficou de saco cheio e paf eu tinha cinco dedos avermelhados na face esquerda. Queimou, não o tapa, mas o ódio que se instalou em mim naquele momento.

Só que agora, com ele nesse estado, eu estava confuso. E com medo.

Fiquei naquele loop eterno de olhar para um ponto fixo, pensando em tudo, mas sem chegar a conclusão nenhuma, para então entrar em desespero. Senti o nariz arder na vontade de chorar, as lágrimas insistentes brotaram, mas as repreendi e elas não caíram.

Porque eu estava assim? Doyoung tinha me deixado tão mais leve, mas assim que partiu foi como se todas as coisas ruins voltassem a me assombrar. Eu estava assustado e com medo de mim mesmo, de fazer alguma merda, a ansiedade aflorando sob minha pele e me proporcionando uma vontade insana de quebrar absolutamente tudo ao meu redor, de gritar até meus pulmões inflamarem e explodirem, de rasgar a minha pele como se fosse uma mochila de zíper, sair para fora, me virar do avesso e desvirar. E chorar. Uma vontade enorme de chorar.

Minha respiração estava pesada, em minha cabeça, a voz de Taeil ecoava, falando sobre focar no futuro. Me encolhi ainda mais no puff, desejando me fundir a ele e não ter que dar satisfação sobre nada para mais ninguém.

Por fim, a campainha tocou. Eu me dirigi até a porta, tentando me recompor no meu melhor, e a abri.

O sorriso de Taeyong morreu ao ver minha expressão de falsa tranquilidade, seus olhos se arregalaram e ele se aproximou de mim, fechando a porta atrás de si.

— Ten... — envolveu meu rosto em suas mãos. — Está chorando?

Não respondi. Por alguns segundos eu apenas me permiti desfrutar do toque, fechando os olhos e engolindo em seco, evitando de deixar as lágrimas cairem. Novamente as parcelas pipocaram, questionando o motivo pelo qual meu coração acelerou quando o vi, o porque de eu me sentir estranhamente bem quando ele me tocou.

— Tennie? — chamou.

Não. Não fala. Não diz nada. Eu não sabia o que aquilo significava, mas parecia certo. Simplesmente certo.

— Fica em silêncio — pedi por fim, ouvi um riso nasal e me senti envolvido por completo em um abraço.

Lentamente eu envolvi meus braços ao redor dele, assim como fizera comigo, e ficamos em silêncio por vários segundos.

— Eu acho que você vai me sufocar desse jeito — Tae disse num sussurro.

— Que bom — respondi, não soltando o aperto em nenhum momento.

Ele também não me soltou.

.

Alguns minutos passaram e nós separamos o abraço, um tanto contra minha vontade, porque de algum jeito eu me sentia bem com Taeyong por perto, praticamente fundido a mim mesmo. Era tão errado assim eu querer congelar aquele momento de paz e ficar ali para sempre?

— Não sei o que está acontecendo — ele começou, olhando em meus olhos, tão perto que eu podia ver a pupila escura nas órbes castanhas. — Mas estou aqui agora, tudo bem?

Assenti, comprimindo os lábios, então respirei fundo e, sem dizer nada, o puxei para o quarto. O tempo estava passando, afinal de contas.

— Não se assuste... — preveni antes de entrarmos no cômodo em questão.

Taeyong arregalou tanto os olhos que mais parecia aquele personagem magricela do Senhor dos Anéis que vivia dizendo "meu precioso", engoliu em seco e tornou a me olhar.

— O que diabos aconteceu aqui?

Mirei o chão, sem jeito.

— Muita coisa...

— Ten, eu estava aqui de manhã, como assim muita coisa aconteceu desde que fui embora? — ele questionou, recostando-se na mesinha que era o único móvel sem bagunça.

— Vou ter que voltar pra Tailândia — falei mais rápido do que havia planejado.

— Quê? — Tae praticamente gritou, mas logo abaixou o tom de voz. — Como assim? Do nada? O quê está acontecendo? Não!

— É só por alguns dias... — olhei para os meus pés descalços sob o chão frio de madeira, não queria encara-lo.

Ele franziu o cenho.

— Aconteceu alguma coisa com o meu pai, preciso ir vê-lo e me certificar de que está tudo bem — prossegui.

— Isso é tudo? — novamente eu sentia como se Taeyong estivesse fazendo um raio-x de tudo que eu sentia.

— Sim — menti. Eu não queria envolve-lo ainda mais em minha vida.

Por fim, Taeyong soltou um suspiro pesado e eu engoli em seco, rezando mentalmente para que ele tivesse acreditado em mim.

— Tudo bem... No que eu posso te ajudar? — ele disse vindo na minha direção.

— Talvez a arrumar tudo? — forcei um sorriso e finalmente olhei em seus olhos.

Taeyong segurou meu rosto em suas mãos e sorriu antes de selar rápidamente nossos lábios, murmurando um "ok", então  ele olhou em volta, analisando as roupas espalhadas no chão e na mala mal fechada, e eu soube que havia entendido o quanto eu estava nervoso, porque em momento algum me lançou olhares de reprovação pela bagunça. Muito pelo contrário, ele apenas se distanciou de mim e iniciou o que eu chamaria de faxina.

Não demorou muito e minhas roupas estavam separadas por cor e dobradas em cima da cama, nós não falamos muita coisa durante o processo e aquilo estava me corroendo por dentro porque eu precisava distrair a cabeça ou se não iria explodir. Então, assim que ele entregou um moletom cinza para eu colocar na pilha de roupas cinza, eu não aguentei:

— Esse silêncio ainda vai me matar.

Taeyong, que até então estava concentrado em dobrar e separar, me encarou.

— Estava te dando um tempo pra pensar, achei que você precisasse... — trocou o peso de um pé para o outro — Não sei como estão as coisas na sua cabeça, então, bem, não sei.

Mais uma vez me senti idiota. Ele não tinha o dom da adivinhação, é óbvio que ele não ia saber das coisas caso eu não contasse, embora soubesse que não estava tudo bem.

— Acho que a última coisa que minha cabeça quer nesse momento, é pensar — admiti, o fazendo dar um pequeno sorriso.

— E por que essa sua cabecinha não quer pensar, hum? — questionou me lançando um sorriso tão idiota que quase considerei fofo.

Arranquei esse pensamento da cabeça e tentei focar no que era importante.

— Lembra da roda gigante? — ele assentiu, aproximando-se mais uma vez de mim — medo de altura.

Meus olhos mais uma vez fitaram o chão.

— São duas horas de vôo e eu...

Não vou ter ninguém para segurar firme minha mão, para dizer que está ali para me pegar caso eu caia.

Não.

— Só estou nervoso porque tenho tanto medo de altura quanto você tem de desorganização — falei levantando o rosto e encarando as orbes escuras.

Taeyong comprimiu o lábio, parecendo me analisar.

— Eu posso ir com você, se quiser —  Nesse momento ele fez um carinho leve em minha bochecha — tenho um dinheiro guardado.

Foi minha vez de franzir o cenho.

— Não! — desvencilhei o rosto de sua mão. — Quero dizer, é só um medo idiota que eu tenho e de toda forma, preciso lidar com isso sozinho.

Isso era uma referência ao meu pai.

— Você tem certeza? — ele havia retornado para a pilha de roupas.

— Sim... — menti mais uma vez, me colocando ao seu lado e voltando a separar as roupas brancas das pretas e das roxas e amarelas.

Os minutos foram correndo e tínhamos afundado em um novo silêncio, o que me começou a me deixar nervoso porque isso era gatilho pra vários pensamentos bizarros do tipo o avião cair e eu morrer ou meu pai vir com a conversa de que eu teria de assumir seu papel nos negócios da família. Estava sentindo minha mão suar quando Taeyong me trouxe de volta.

— Acrofobia — disse simplista.

— Hum? — respondi um pouco confuso.

Sabe quando você está tão imerso numa linha de raciocínio, que quando alguém fala com você, você demora pra assimilar? Então.

— Fobia de altura, se chama acrofobia — separou uma camisa roxa e a colocou dentro da minha mala, que agora estava vazia — Assim como o meu problema com sujeira e germes se chama misofobia.

— Por isso que o seu apartamento é todo arrumadinho? — questionei ao lembrar do ambiente mais que organizado.

— Sim, e também porque gosto de quando as coisas estão em ordem — sorriu pequeno.

Mordi o lábio inferior e me arrependi imediatamente, no que a carne pele sensível ardeu.

— Acho que somos dois fudidos mentalmente — dei um risinho nervoso.

— Tenho que concordar, somos dois fudidos mentalmente — ele riu de volta.

Então voltamos a atenção para a mala, já que o quarto estava devidamente organizado mais uma vez. Taeyong fez questão de escolher por mim, peças de roupas para o verão, e eu não contestei, uma vez que sabia que o clima em Bangkok estaria quente naquela época. Nós conversamos um pouco mais sobre coisas aleatórias e o agradeci internamente por ele me fazer esquecer completamente de todos os problemas.

Por fim, quando a mala estava pronta e devidamente fechada (há, ele nem precisou sentar em cima dela), foi que eu tornei a ficar nervoso. Faltava três horas para o vôo e eu tinha que estar no aeroporto para o check-in, duas. Parecia que quanto mais os minutos avançavam, mais perto eu ficava da minha própria morte, e eu não estava sendo dramático, estava aterrorizado.

— Você conhece o sanduíche do Elvis? — Tae perguntou de repente, mais uma vez, me salvando dos pensamentos tóxicos.

— Hum? — respondi distraído, colocando a mala fechada num cantinho do quarto e voltando para sentar na beira da cama.

— Estive procurando por receitas novas e encontrei essa — ele sentou do meu lado. — O sanduíche que fazia o Elvis perder a cabeça...

— Espera. — arqueei uma sombrancelha,  subitamente lançando a ele um olhar brincalhão — como assim você se diz fã do Elvis e não sabia do sanduíche preferido dele?

Taeyong me deu um soco no ombro e eu ri, então prosseguiu:

— Basicamente ele era tão louco por esse sanduíche que chegou de viajar de madrugada de avião só para come-lo...

Arregalei os olhos, fazendo uma careta.

— E o que tinha nesse troço? — perguntei, tentando imaginar o famigerado Elvis Presley completamente desesperado em busca de um lanche.

— Aqui — Tae mostrou o celular — Basicamente você precisa de um pão gigante, manteiga normal, manteiga de amendoim, bacon e banana.

Enquanto ele falava, eu não olhava para o visor da tela, mas sim para ele, que estava tão concentrado em ditar os passos da preparação do prato, que nem sequer notou.

— ...um pote inteiro no pão, a banana fatiada e o bacon frito — ele dizia mais para si mesmo, como se realmente fosse preparar o sanduíche. Meus olhos fixados na pequena cicatriz, no cabelo vermelho desbotado, na pele bronzeada, na mandíbula perfeita.

Quando terminou de ler o conteúdo do site, virou o rosto para mim e imediatamente eu corei, tornando o olhar para qualquer lugar que não fosse ele, o que o fez rir.

— Você não prestou atenção em nada do que eu falei — disse.

— Está errado, eu prestei sim.

— Ok, vou fingir que acredito — ele deu aquele sorriso travesso que fez meu estômago dar cinquenta cambalhotas de uma vez.

Eu não tinha percebido, mas em um movimento quase que inperceptível e nossos rostos estavam próximos, pude sentir a respiração morna em meu rosto. Meus olhos fixos nos lábios fininhos, incapazes de devolver o olhar intenso que ele me lançava. Taeyong estava se contendo, notei isso quando ele avançava na intenção de me beijar, mas parava porque estava esperando que eu o fizesse.

Nós ficamos nessa por longos segundos. Engoli em seco, fechei os olhos com força, então sem pensar muito, apenas joguei o corpo para trás. Senti os olhos dele sob mim e logo, ele fez o mesmo. Nós ficamos assim, meio deitados, com os pés tocando o chão e ao mesmo tempo tocando um ao outro, o que fazia uma corrente elétrica percorrer pela minha panturrilha, coxas, e por fim, eu inteiro. Observamos o teto e depois de algum tempo, fixei meus olhos novamente sobre a face tão perfeitamente desenhada, nos lábios finos e no nariz levemente curvado. Parte de mim ordenando que eu parasse com isso, mas uma outra parte simplesmente desobedecia.

— Você tem mesmo certeza de que não quer que eu vá junto? — Tae indagou depois de um tempo. — Está verde que nem uma guacamole.

Deixei um riso escapar.

Estou verde, mas não é por isso.

— Obrigado — comprimi os lábios num sorriso pequeno — mas isso é realmente algo que preciso fazer sozinho.

Virei-me para fitar o teto mais uma vez, mas acabei fechando os olhos e fiquei tentando absorver um pouco daquele momento de paz. De alguma forma louca e inexplicável, a simples presença de Taeyong me acalmava. Quando tornei a abrir os olhos, notei que ele mexia no celular e, diferente das outras vezes, ele não parou de mexer quando viu que eu o observava. Aproveitei e peguei o meu, mandei uma mensagem para Jungwoo falando sobre a viagem de última hora, a resposta veio de imediato, mas não visualizei porque comecei a ficar curioso sobre o que Lee Taeyong fazia no próprio celular que parecia tão concentrado.

Depois de alguns minutos, ele guardou o aparelho e me encarou. Arqueei uma sombrancelha.

— O que foi? — questionou com uma sombrancelha arqueada.

— O que foi o quê?

— Você não para de me encarar — disse num sorriso que deixava à mostra os dentes branquinhos — Está ficando desconfortável.

Sem querer, acabei corando.

— Estava olhando a sua cicatriz — fiz um bico. — Não se sinta especial.

— Minha cicatriz não fica na boca, Tennie.

Droga. Abortar missão. Abortar missão. Abortar missão!

— Como você ganhou essa cicatriz? — insisti, me sentando na cama de novo e fazendo perninha de chinês.

Tae fez o mesmo, sentado de frente para mim. Ele tocou na marquinha ao lado do olho direito e me encarou seriamente.

— Tiraram uma amostra da minha pele quando fui abduzido por OVNIs, eu tinha sete anos.

Eu franzi o cenho, tentando processar o que ele dissera, e quando vi que estava tirando com a minha cara, rolei os olhos e o soquei.

— Estou falando sério! — disse enquanto tentava me defender do contra ataque. — Não... CÓCEGAS NÃO! LEE TAEYONG-

Tarde demais, ele já estava em cima de mim, prendendo meu corpo com o seu e me enchendo de cosquinhas, arrancando de mim risadas que jamais poderiam traduzir minha vontade de assá-lo na churrasqueira.

Taeyong não tinha a menor piedade da minha sanidade mental, fazendo uma trilha de cócegas pela minha barriga que me fazia contorcer numa mistura de riso e choro.

— Não, não, não! — tentei dizer com a voz falha.

Tae apenas riu do meu estado de desespero, mordendo o lábio inferior e prosseguindo com a sessão de tortura, apertando agora minhas coxas, um lugar que eu nem sequer sabia sentir cócegas.

Por fim, quando estávamos ambos cansados (ele de torturar e eu de ser torturado), vi Taeyong parar um pouco, ainda sem soltar o aperto em volta do meu corpo. Eu estava ofegando, meu peito subindo e descendo mais rápido do que imaginava ser capaz, e ele mais uma vez aproximou o rosto do meu, o que fez com que eu fechasse os olhos instintivamente, me preparando para receber um beijo, mas tudo que ele fez foi acariciar meu nariz com o seu próprio, num beijo de esquimó delicado.

— Você é tão lindo, Tennie — falou numa voz arrastada, em seguida, capturou minha boca num selar que demorou vários segundos.

Taeyong ainda estava sentado no meu colo quando abri os olhos. Vi que ele me observava e sorria, um sorriso bobo, aquele sorriso bobo, mas minha cabeça mal teve tempo para pensar nisso, pois estava ocupada demais pensando em como aquela posição em que nos encontrávamos era bonita. Eu conseguia ver o corpo dele crescer e se alongar, podia sentir o peso dele, admirar de um ângulo diferente a maneira que suas coxas encaixavam bem no meu quadril.

Ainda estava preso nessa linha de pensamento quando meu celular tocou.

— Ah, merda — murmurei me colocando sentado. Taeyong deu uma risadinha quando viu que meu rosto tinha ficado levemente avermelhado.

Atendi.

CHITTAPHON, SE VOCÊ NÃO ATENDE O CELULAR ENTÃO É MELHOR JOGAR ELE NA PRIVADA E DAR DESCARGA! — disse Jungwoo do outro lado da linha.

Acho que ele estava furioso.

— Oi Woo... — respondi.

OI NADA! — escutei ele regularizar a respiração. — Você me diz que vai viajar pra ver seu pai e de repente para de responder, não dá mais notícia? Quer me matar do coração?

— Não! Eu... Eu ia te responder, mas acabei esquecendo.

Do meu lado, Taeyong se segurava muito para não cair na gargalhada. O fulminei com o olhar.

No celular, expliquei para Jungwoo detalhadamente que iria ficar somente alguns dias na Tailândia e que depois iria retornar, como sempre acontecia durante as férias. Só que com o diferencial de que dessa vez, eu estava indo por ser convocado, porque meu pai supostamente precisava de mim para algo.

Assim que finalizamos a chamada, vi que estava quase na hora de ir para o aeroporto, o check-in precisava ser feito, afinal de contas, então me enfiei no banheiro e tomei um banho rápido, deixando Taeyong sozinho no quarto. Tentei não colapsar com a ideia de que ele estaria a sós com as paredes repletas dos meus desenhos.

Quando terminei, o encontrei mais uma vez no celular e isso de certa forma me preocupou, um medo repentino de que ele tivesse descoberto sobre o blog ou do meu envolvimento com este. Ou pior, que ele estivesse conversando com outra pessoa, com algum contatinho porque de alguma forma havia enjoado de mim justo pelo fato de que eu nunca ia além de alguns amassos.

Estou com medo pelo blog. Por perde-lo como cobaia. Não é nada além disso. Tentei me convencer e me aproximei no que ele desligou a tela e enfiou o aparelho no bolso e devolveu o meu olhar. Forcei um sorriso.

— Acho que está na hora — disse me dirigindo para a mala.

— Ainda não entendo o porque dessa necessidade de duas horas de antecedência para o check-in... — ele respondeu já de pé.

Eu apenas ri, tentando jogar para o fundo do baú aquele sentimento de aflição e focando apenas no que era para ser feito: chamar um táxi. A moto de Taeyong podia ser rápida, mas eu tinha uma mala e uma mochila como bagagem, então acionei um táxi e dentro de alguns minutos, nós estávamos no banco traseiro do carro, indo na direção do aeroporto.

Durante o trajeto eu continuei nervoso, assim como todas as outras vezes que tinha que viajar de avião. Em uma das vezes, cheguei a tomar um remédio calmante que me fez dormir durante as duas horas e até mais. Uma comissária de bordo achou que eu tinha morrido porque eu não acordava de jeito nenhum.

Meus dedos nervosos começaram a arranhar o tecido da calça, despedaçando uma linha solta com força, eu não tinha percebido as minhas próprias ações porque estava olhando para fora pela janela, vendo a paisagem passar num borrão, e pensando no que meu pai teria para me dizer. Estava tão concentrado nisso que só parei de pensar quando senti os dedos longos de Taeyong se entrelaçarem aos meus, me impedindo de destruir a calça por completo e distraindo a cabeça para dar atenção no fato de que suas mãos eram realmente belas.

Ele me segurava com força o suficiente para transmitir segurança, e de repente lembrei de Jungwoo com Yukhei no aniversário de Minhee, quando o Kim se colocou de pé ao lado do namorado na intenção de dar força. Sorri pequeno e deitei a cabeça em seu ombro, mas não desviei o olhar dos nossos dedos entrelaçados.

O restante do percurso foi em silêncio e eu já estava entrando em estado de sonolência no momento em que chegamos, de fato, no aeroporto.

Nós descemos do carro depois de pagar o taxista e nos dirigimos para a área de check-in. Por sorte não havia uma fila muito grande e fui atendido em questão de minutos. Fiz todo o processo burocrático e por fim, quando minha mala já se encontrava com os agentes da companhia aérea, eu suspirei.

— Temos duas horas até o vôo — falei dando uma olhada em volta. O aeroporto de Icheon era realmente enorme, mais parecia um shopping. — Se você quiser ir, eu posso me virar daqui em diante...

Dois garotinhos passaram correndo e rindo e, logo em seguida, uma mulher apareceu gritando para que eles parassem.

— Nem pensar — Tae respondeu no que caminhávamos lado a lado. — Não vou te deixar sozinho aqui e correr o risco de você ter uma crise de pânico antes do seu vôo.

Parei de andar, ele continuou mais uns passos, mas também parou e se virou para mim. Eu estava com um sorriso idiota no rosto.

— O que foi? — indagou e precisei encarar o chão para não deixar transparecer o quanto me senti bem ao ouvir aquilo.

— Nada — disse por fim. — Mas te devo uma. Duas na verdade.

— Duas? — ele arqueou uma sombrancelha.

— Duas, uma por ter ido me ajudar mais cedo e duas por insistir em continuar do meu lado. Duas.

Taeyong riu e passou um braço em volta de mim, murmurando alguma coisa tão baixo que não pude ouvir. Mais uma vez, senti as pessoas lançarem a nós olhares incriminadores, só que agora eu não devolvi nenhum deles, apenas me encolhi ao seu lado e nós continuamos a andar pelo lugar enorme.

— Tudo bem, você me deve duas — ele disse por fim. — Mas isso é o de menos... O que vamos fazer aqui até a hora do seu vôo?

Comprimi os lábios, recordando da noite anterior, onde havia perguntado a ele algo parecido e nós terminamos nos fundindo na minha cama. Afastei esses pensamentos mais do que rapidamente e tratei de olhar em volta. Haviam lojas de roupas, maquiagem, sapatos, bolsas, brinquedos, livrarias, lembrancinhas de última hora, restaurantes, absolutamente tudo. O ambiente extremamente branco era bonito, uma música tocava, mas era abafada pelas vozes das pessoas que transitavam por ali.

Em um deterninado local, haviam esteiras rolantes nas quais eu sempre reprimi um desejo infantil de andar sentado.

— Aqui — falei, desvencilhando-me do abraço e o segurando pelo pulso. — Tem uma coisa que quero fazer.

Taeyong pareceu ficar confuso, mas veio comigo, rindo, e nós adentramos uma delas, logo, eu me sentei e cruzei as pernas e ele fez o mesmo.

— O que estamos fazendo? — questionou baixinho, ainda surpreso, mas com um sorriso no rosto.

— Não faço ideia — respondi e olhei para cima.

Parecia que tudo era maior daquele jeito, como se eu fosse um microorganismo em um organismo vivo e fluido. Por algum motivo, aquela área não estava tão cheia, as pessoas se concentravam mais na parte das lojas. Não sei em que momento aconteceu, mas mais uma vez, acabei entrelaçando meus dedos nos dele.

Quando o trecho na esteira acabou, nós saímos dali e fomos ver os aviões decolarem. Taeyong inventou um jogo que consistia em adivinhar a companhia aérea de cada um que pousava ali, eu errei todos e ele acertou, por pura sorte, apenas um. Depois disso nós fomos até a livraria e acabei comprando uma HQ do Homem Aranha para tentar ler durante o vôo. Ficamos um tempo olhando os livros, rindo das sinopses engraçadas e eu desejando que aquele momento fosse eterno. Não queria entrar naquele avião.

Taeyong me levou a uma loja de lembrancinhas e nós experimentamos mais óculos, dessa vez, não tinha nenhuma senhorinha de mal humor para nos expulsar do local. Nós também fomos a um restaurante e eu matei o que me matava: a fome. Comida vegetariana, de fato, nunca seria o meu forte.

Com isso o tempo foi passando e resolvemos voltar para a área de observação dos aviões, ambos consentindo que era porque a área estava vazia no momento. Nos sentamos em um dos bancos e ficamos a observar os pousos e partidas.

— Eu nunca andei de avião — Tae disse de repente.

— Hum? — respondi-lhe meio distraído, pois estava tentando adivinhar sobre cada pessoa que partia ou chegava. — Nunca?

— Não — e negou com a cabeça. — Na verdade, Seoul foi o mais longe que fui desde que saí de Jeju, mas ainda quero ir para outros lugares.

Assenti pensativo, nós já haviamos conversado sobre isso uma vez, mas não com tantos detalhes.

— É uma droga — disse enfim, virando o rosto para encara-lo. — Quer dizer, a parte do vôo e tal.

— Eu acho que ia gostar da sensação de estar lá em cima...

Nesse momento eu quase me arrependi por ter negado que ele fosse comigo.

Nós permanecemos em um silêncio que agora era até agradável, eu folheei a revistinha que tinha comprado e senti que Taeyong também acompanhava a história, apesar de ter alegado já ter lido tudo. Ficamos assim por tanto tempo que minhas costas começaram a doer e precisei me colocar de pé. Quando o horário do vôo estava próximo, nós começamos a nos dirigir para o portão de embarque, que ficava bastante longe de onde estávamos antes.

Tae tentou me distrair com algumas coisas, falando sobre o que viesse à sua cabeça, mas não era suficiente. Minhas mãos estavam suando e meu coração, acelerado. Tentei regularizar a respiração, mas falhei. Era sempre assim. Sempre, sempre, sempre.

Antes que eu pudesse entrar para a área de embarque, senti Taeyong me segurar pelo pulso. Parei e me virei para ele, confuso.

— O que... — comecei, mas ele me cortou.

— Você tem medo de altura, estou vendo que não vai ser um vôo fácil — ele falou.

— Sim...?

Os passageiros do vôo das 19h com destino à Bangkok, favor se dirigirem para a sala de embarque.

— Me empresta o seu celular — pediu.

Eu entreguei.

Taeyong abriu o aplicativo do spotify e vi que estava colocando uma playlist. Franzi o cenho, ainda tentando assimilar tudo.

— Mais cedo, ainda na sua casa, eu selecionei algumas músicas que achei que poderiam te acalmar durante a viagem — disse enquanto me devolvia o aparelho. — Espero que funcione.

Eu não sabia exatamente como responder a aquilo, meu peito parecia querer explodir na medida em que meu estômago tinha virado uma máquina de lavar em centrifugação. Taeyong estava olhando na minha direção e sustentei o olhar dele, notando brevemente que as pintinhas no lábio inferior se sobressaiam quando ele sorria. Então, ignorando todas as parcelas que me diziam para não fazer isso, eu me aproximei dele e o abracei.

Seu corpo já me era familiar naquela altura do campeonato, o jeito que ele se moveu para corresponder o abraço, o cheiro de amaciante de suas roupas, e eu podia jurar que ouvi seu coração bater. Mas aquela era a primeira vez que eu, de fato, o sentia.

Os passageiros do vôo das 19h com destino à Bangkok, favor se dirigirem para a sala de embarque.

Acabei me afastando de Taeyong, um pouco relutante, mas ainda assim fui obrigado a deixa-lo para trás e me dirigir para a sala de embarque, onde um avião, o vôo dos pesadelos, me aguardava.


Notas Finais


Oie! Espero que tenham gostado do cap, eu tive um leve bloqueio pra escrever, mas no final deu tudo certo <3

E mais uma coisa, ceis tem interesse em um grupinho no zipzop so com os leitores dessa fic? Pra socializar, contar teorias, divulgar outras fanfics q vcs conhecem e gostam e pa? Se sim, deixem aqui o numero de vocês com o nome pra eu salvar ;) se vcs preferirem, pode ser no twitter tambem o grupo, ai vcs decidem \o\

Fico por aqui meus amores, nos vemos em breve, eu espero hihi, beijao ♡


ps. te amo guilherme uwu


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