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História Como Uma Memória - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Capítulo 2


Christopher

OCTAVIA? SÉRIO? OCTAVIA? Ela estava chamando a si mesma. Pensava por que isso me surpreendia. Octavia era brilhante e também foi abençoada com uma dose de criatividade. Uma generosa dose, admito. Mas também era a única filha do fundador da Beckett Department Store. Muito como eu, Octavia era privilegiada, nascida na riqueza e criada com vantagens, apesar das delas a afetarem de forma diferente.

Era por isso que minha mãe não estava feliz comigo anunciando nosso noivado. Mamãe não se importava com Octavia. Dizia que queria para mim o que ela e o papai tinham, mas não ia acontecer. Mamãe achava que eu teria aquilo com Lila Kate. Sabia o que todos estavam pensando. Tiveram meu casamento planejado e marcado no momento que Lila Kate nasceu. Quando descobriram que Lila Kate era uma menina todos começaram a planejar isso nas suas cabeças. Lógico que não diziam, mas com certeza absoluta pensavam. A porra do grupo todo imaginava, mesmo que não admitissem. Octavia não era como Lila Kate. Nem com muita imaginação.

O problema com Lila Kate era que víamos um ao outro como família. Ela era uma irmã menor. Sabia disso e se sentia da mesma forma. Nossas mães, no entanto, ainda tinham esperança e acreditavam que podíamos casar. Que iriamos magicamente ficar juntos.

Octavia se encaixava comigo. Éramos mais parecidos do que minha mãe percebia. Nós dois queríamos deixar nossa marca no mundo separados dos pais. Queríamos viajar e não ter filhos. Ela era mimada. Não, na verdade Octavia era estragada, mas tínhamos concordado em assinar um acordo pré-nupcial para proteger ambos os interesses.

O que meus pais tinham era raro. Você não encontrava muitos deles nesse mundo. Lógico, cresci envolto na família e amigos que viviam em circunstâncias parecidas e tinham ótimos casamentos. Mas eu não era como eles ou seus filhos. Não queria me estabelecer em Rosemary Beach, criar e educar minha prole. Nem desejava tardes cheias de golfe seguidas de jantar no Kerrington, o clube de campo da elite. Queria buscar uma vida que não conhecia e depender de mim mesmo para viver. Queria ser meu próprio homem.

Deixei esses pensamentos de lado. Essa era a vida que minha mãe queria para mim. Não a que eu queria e ela sabia disso. Ela respeitaria. Tempo para focar era o que precisava. Estava aqui para receber o carregamento da Octavia enquanto ela estava em Roma comprando mais. Sua grande inauguração seria em duas semanas. Havia muito a ser feito em catorze dias e tinha a sensação de que ficaria preso. A única coisa positiva era que teria tempo com meu avô enquanto fazia essa merda para Octavia. O pai da minha mãe tinha um restaurante em Sea Breeze, Alabama, onde o primeiro Octavia´s iria abrir. No mês que vem os turistas viriam e ela queria estar pronta.

Peguei as chaves da loja do bolso e segui para a locação à beira mar. Lógico, a loja era na parte mais cara da rua. O lugar de vovô não era nada disso. Era longe da construção novinha no alto da rua. O lugar tinha uma personalidade que não te oprimia. O negócio de Octavia tinha polimento e ostentação, mas não história como o do vovô.

A porta para o Octavia´s abriu e de lá saiu uma torre de caixas. Eu parei, porque a torre estava vindo na minha direção, e antes dela bater em mim falei:

“Cuidado,” disse, antes de estabilizar o corpo atrás das caixas. “Consegue ver onde está indo?”

Ouvi um grito e então elas caíram. Fui ajudar quando meus olhos travaram num par que conhecia muito bem. Só vi aqueles olhos uma vez antes e eram castanhos, profundos e frios. O cabelo grosso, longo e ruivo passando dos ombros também era familiar. Ela estava mais velha e seu corpo agora tinha curvas nos lugares certos. Ela tinha definitivamente desenvolvido desde os anos de adolescência. Não tinha mais quinze, e se tornou uma mulher.

Dulce Espinoza foi meu primeiro amor. Ou pensava assim naquela época. Acabei descobrindo que tinha sido meu primeiro desejo, porque eu não tinha ideia de como amar. Seu rosto podia parar o trânsito e isso sem maquiagem. Ela era natural como lembrava. Nada falso. Seu sorriso tinha uma vez deixado meu mundo perfeito.

“Oh, desculpe...” ela disse, desviando conforme seus olhos viram meu rosto. Vi que ela percebeu. Lembrou de mim. Sabia quem eu era. O menino que deu seu primeiro beijo. Que disse que iria amá-la para sempre. Daí fui embora depois de um verão que achava que seria o começo do para sempre. Era um sonhador na época. Foi antes de eu perceber que as mulheres não são tão suaves e bonitas por dentro como por fora. Minha mãe era perfeita, por dentro e por fora, mas minha irmãzinha Ophelia tinha uma linha com o diabo.

“Você trabalha aqui?” Perguntei antes que ela pudesse dizer meu nome. Não queria lembrar daquele verão que recordei por muito tempo. Uma vez que tinha colocado na minha cabeça que Dulce Espinoza não era a garota perfeita, me permiti a esquecer totalmente.

Ela abriu a boca para falar, então assentiu com a cabeça devagar.

Eu sabia que Octavia tinha contratado alguém para ajudá-la a deixar as coisas prontas. Só não sabia o nome. Não que importasse. Foi a sete verões atrás e era uma parte do meu passado que ficaria lá.

Peguei uma caixa caída.

“Sou o noivo da Octavia, Christopher.” Isso deveria responder as perguntas dela e também a fazia pensar que eu não lembrava. “Vou levar essas caixas para reciclagem.”

Não esperei ela me falar seu nome. Fui pegar o resto das caixas caídas. Ela não se mexeu pelo que pareceram minutos, mas foram apenas segundos. Eu estava tenso. Não sabia por que. Se ela me dissesse quem era e perguntasse se eu lembrava, ainda poderia agir como se tivesse esquecido. Sete anos fodidos se passaram. Éramos crianças na época. Não mais agora. Eu era uma pessoa diferente e tenho certeza que ela também.

“Ok, um... Obrigada,” ela disse.

Quis olhar para cima e ver ela ir. Ver a mulher que tinha se tornado. Ver quanto seu corpo mudou. A olhada rápida que me permiti no começo tinha me deixado impressionado e queria outra. Ela era bonita na época, agora era deslumbrante e tinha que trabalhar com essa beleza pelas próximas duas semanas.

Merda.

Isso só acontecia comigo.

Virei para andar com as caixas quando a porta abriu de novo.

“Desculpe. Esqueci de dizer onde o lixo reciclável está.” Ela soava formal, nervosa e instável.

Podia acabar com seu nervoso apenas sendo honesto e limpando o ar bem agora. Mas isso significava que tinha que lembrar. A menina que supostamente tinha esquecido. Disse a ela que a amava e ela foi a única garota que já disse isso. Você vive e aprende na vida e vivi e aprendi com Dulce Espinoza.

Tenho que parar de ficar pensando nessa merda.

“É logo atrás do prédio,” ela apontou.

Eu assenti.

“Entendi.” Então andei para lá. Não fiz contato com os olhos. Nem mesmo agradeci.

“Precisa de ajuda?” Ela gritou.

“Não”, eu estava sendo um merda. Era a única maneira de lidar com isso. Minha mãe ficaria com vergonha.       


Notas Finais


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