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História Compass - Capítulo 2


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Notas do Autor


Segundo o Word, eu "concluí a correção das sugestões do Editor." mas me avisem se achar algum erro, ok? Acho que esse sempre vai ser um dos meus capítulos preferidos.

Capítulo 2 - 2. East


  Olhava pela janela de seu apartamento enquanto a chuva caía lá fora naquela tarde de domingo. O silêncio era apenas quebrado pelo tic-tac do relógio da cozinha e todas as luzes estavam desligadas. Se não fosse pelo som do homem soprando a bebida quente que tinha nas mãos, pensariam que não tinha ninguém na casa.

Apesar de sua costumeira falta de expressão, sentia-se em paz. Olhava o céu cinza, os prédios com algumas luzes acesas, as gotas na janela. Encolheu com sua bebida na poltrona. Wangji sempre bebia chá preto quando tudo estava bem em seu interior. Ao lembrar que Xichen sempre ria de como o chá que escolhia para tomar refletia seu humor, surgiu um esboço de sorriso no canto direito de seus lábios. Fechou os olhos em satisfação.

Lan Huan era seu melhor amigo desde que se entendia por gente, porém agora ele tinha outro amigo. Os dois se encontravam para almoçar no parque quase todos os dias e às sextas, após o expediente, iam ao café comer uma sobremesa. "Vamos conhecer todos os doces do mundo! Então, se gente quiser largar nossas carreiras, é só virar sommelier de doce." Wangji não se deu ao trabalho de explicar que esse tipo de profissional era especialista apenas em bebidas alcoólicas. Wuxian era tão... peculiar. Era impossível não apreciar aquela companhia tão diferente das que tinha usualmente.

Lan Zhan passou a preparar almoço para o companheiro em alguns dias da semana. Ele realmente duvidava que o colesterol daquela criança se encontrava em valores aceitáveis por médicos. Pelos céus, um brócolis não matava ninguém!

Torceu os lábios. Agora, o clima ficaria cada vez mais frio e eles precisariam arranjar um novo lugar para comer. Talvez pudessem comer na copa do escritório... Descartou a ideia imediatamente. Todos começariam a falar daquilo. Não importava consigo, mas sim com a possibilidade de lançarem olhares tortos para Wei Ying. Sem falar que essa história podia chegar no ouvido de sua família e do seu futuro sogro.

Suspirou e colocou a xícara na mesa ao lado. Sogro... Esposa... Casamento. Aquilo lhe incomodava muito. No entanto, não havia maneira de fugir daquele compromisso imposto por sua família. "Eu..." Eu não quero me casar, tentou verbalizar sua vontade, falhando completamente.

Sua noiva era uma mulher muito bonita e charmosa, tinha que admitir. Wen Qing sempre usava um batom vermelho e, quando sorria, colocava uma mecha do cabelo atrás da orelha. Olhos negros e brilhantes, capazes de fazer todos se apaixonarem por ela... menos ele. Não tinha a mínima atração por ela. Na verdade, nunca teve por ninguém. Mesmo assim precisava acostumar-se com a ideia de dividir seu espaço com sua futura cônjuge e aprender a amá-la.

Voltou a olhar pela janela. Talvez aproveitar seus bons momentos no presente fosse a solução, como Wuxian sempre o aconselhava.

*~*~*~*~*

Aparentemente, queria pintar os bordos que havia no parque onde sempre almoçavam. Contudo não queria só pintá-los, como também via a necessidade de retratar suas mudanças conforme as estações mudassem. Era bobo, mas poético do ponto de vista do artista. E fascinante, aos olhos do nosso arquiteto.

Todos que viam os jovens conversando no café achavam-nos uma estranha combinação. Um, com roupas formais, cabelo alinhado, pose ereta e firme. O segundo, em contrapartida, tinha um estilo mais simples: sua camiseta preta lisa, maior do que devia, mostrava sua clavícula esquerda; sua calça jeans clara, dessa vez sem rasgos; e, em seus pés, costumeiros all star, um pé sendo de cada cor. Naquele dia, era um vermelho e o outro, azul. Mesmo assim eles combinavam, segundo a funcionária do estabelecimento.

Wuxian se calou após explicar a diferença dos tons de laranja amarronzados e encostou as costas na poltrona marrom, fazendo o couro ranger um pouco.

"O que foi?" Lan Zhan perguntou, percebendo que tinha um vinco entre as sobrancelhas do amigo.

"Eu falo demais? Às vezes penso que isso te incomoda. Você parece ser do tipo que prefere silêncio... Já até considerei que sempre me paga alguma comida ou me faz um almoço porque não falamos durante as refeições... desculpe forçar mi..." Wei Ying falava, se afobando um pouco com as palavras.

Aquilo era estranho. Wuxian nunca agiu assim. "Wei Ying não me incomoda. Gosto de te ouvir falar.", interrompeu o outro, tentando ser o mais sincero possível. Não sabia se expressar muito bem, mas estava se esforçando muito desde que conheceu o companheiro. Palavras pareciam importar muito para o artista.

O vinco desfez-se e o mais novo soltou o ar aliviado, "você é tão bom pra mim, Lan Zhan...", sorriu e fechou os olhos por alguns instantes, "sempre sinto que posso conquistar o mundo, desde que fique ao meu lado."

Aquilo era.... era... como ele podia dizer essas coisas com tanta facilidade?! Wangji sentiu-se grande. Seu coração acelerou, seu rosto esquentou e surgiu um sorriso bobo em seus lábios. "Não sairei do seu lado.". Wei Ying fazia muito bem para ele, e isso era inegável.

Os dois não trocaram mais palavras depois daquilo. Aproveitavam um silêncio confortável, trocando alguns olhares e risos baixinhos.

*~*~*~*~*

Wangji tomava uma xícara de chá preto enquanto conferia o trabalho da equipe que comandava. Os cinco membros formavam uma fileira e aguardavam o veredito do chefe. Sentia todos trocarem olhares que diziam "Ele está estranho... Até parece feliz!", ainda assim não poderia se importar menos com opiniões alheias. Afinal, estava sim de bom humor.

"Muito bom. Atenderam a todos os pedidos do cliente.", disse, arrancando um sorriso de todos os presentes. "Podem ir, exceto Ouyang Zizhen." Todos voltaram a ficar tensos e saíram da sala após uma reverência, exceto o citado.

"Pobre Zizhen!", todos sussurravam entre si balançando a cabeça negativamente. Era o primeiro projeto que participava desde que entrara no escritório e já tinha uma chamada do chefe. O empregado sentou-se frente a Wangji, segurando a respiração e esperando a bronca. Não previu, no entanto, que o mais velho desse um sorriso mínimo. "Fez um bom trabalho. Você que escolheu o formato das janelas, não? Foi o mesmo que usou no seu trabalho de conclusão de curso."

Suas bochechas queimavam tanto com o elogio do Lan! Todos diziam que ele era cruel e frio, porém somente via o homem que participou da banca do seu TCC incentivando-o a perseverar no caminho que escolheu. "Obrigado, senhor. Eu estava esperando que brigasse comigo." Falou nervoso. "A banca mesmo disse que esse tipo era ruim..." Inflou as bochechas e soltou o ar pela boca, encontrando enfim uma posição confortável no assento.

"Nada é ruim ou bom em absoluto. Apenas perceba quando for adequado. Pode ir." Segurou o riso. Agora que o novato tinha achado uma posição na cadeira, foi mandado embora. Mas o outro não pareceu se importar, levantando-se contente. Antes de sair, parou na porta e olhou para Wangji por alguns segundos, decidindo se falava ou não, e soltou em um só fôlego: "O senhor está diferente."

Piscando algumas vezes, o homem sentado perguntou: "Como?" A única coisa que tinha mudado era a sua partida para o almoço ao meio dia. Não sabia que havia algo além disso.

"Parece que está feliz. Espero que dê tudo certo no seu novo relacionamento." Zizhen sorriu e saiu da sala, deixando um Lan Zhan atônito para trás. Relacionamento? Ele estava brincando consigo e com o conhecido fato de que nunca teve uma vida romântica? Resolveu esquecer tudo o que foi dito pelo jovem.

*~*~*~*~*

Wangji arrumava a manga de sua camisa social e olhava-se no espelho. Sem o paletó e a gravata até parecia um look casual. "Você fica muito formal com essa gravata e esse casaco que sempre esqueço o nome!", a voz de Wei Ying ressoou em sua mente. Qualquer dia desses mostraria como fica sem os itens citados. Ajeitou o cabelo pela última vez e conferiu se o apartamento estava em ordem antes de sair. Antes de entrar no carro, passou mentalmente na cabeça se tinha apagado todas as luzes e ligado o alarme. Após a checagem, entrou o automóvel e dirigiu até o restaurante marcado.

O jantar corria de forma calma, com seu tio e Wen Ruohan, o sócio do escritório, conversando em meio a risos entre um prato e outro. Wen Qing, Xichen e Wangji comiam em silêncio, apenas comentando sobre o assunto caso fossem chamados para a conversa. Volta e meia os irmãos se olhavam, conversando sem palavras. A única mulher da mesa invejava um pouco esse tipo de conexão nesses momentos, pois sempre sentia-se só nos jantares.

Ao término da refeição, os três jovens levantaram-se da mesa prontos para ir embora, porém não esperavam que os velhos incentivassem ao "casal" a dar uma volta. E assim, foram andar um pouco pela região, observando a iluminação de lâmpadas penduradas nas árvores e pessoas se divertindo em bares. Não sabiam sobre o que conversar. Sempre que eram sujeitados a esses passeios, permaneciam calados até dizerem tchau. Entretanto, naquela noite, Qing iniciou uma conversa.

"Você sempre vem todo... formal para essas ocasiões. Mas hoje veio mais casual. Eu gostei. Te deixou menos sério e intimidador..." colocou a mão sobre a boca e deu um risinho. Passaram por um grupo barulhento e Lan Zhan aproveitou esse tempo para pensar no que responder. Nunca teria cogitado que tantas pessoas reparariam em suas pequenas mudanças. Pareciam quase inexistentes para si, de tão sutis.

"Obrigado. Um amigo sugeriu." Tentou dizer em um tom mais neutro possível. Não queria que percebesse sua felicidade em falar do amigo que tinha feito.

"Que bom que fez um amigo! Seu tio sempre diz que você é tão sério e centrado que não tem tempo para amizades. Estou feliz por ti! Ele parece estar te fazendo muito bem, já que mudou tanto."

De novo aquele tipo de assunto sobre ter mudado e estar diferente. Zizhen também falou de relacionamento. Naquele momento, Wangji compreendeu. Talvez amasse seu amigo, quase ou tanto quanto o irmão, por isso ele era tão importante para si! Sorriu com a ideia e respondeu: "Oh sim! Eu amo muito ele! Considero um amigo muito importante, quase um irmão!"

Qing sentou-se em um banco da praça que estavam cruzando e chamou-o para juntar-se a ela, dando batidinhas no local ao seu lado. Assim que Lan Zhan se sentou, olharam para frente durante alguns segundos e, após colocar uma mecha atrás da orelha, a Wen falou: "Você só conhece o amor que sente por sua família, não é mesmo?"

Wangji não sabia como responder àquela afirmação. Ele realmente não sabia nada de sentimentos ou interações humanas que iam além do trabalho.

"Existem vários tipos de amor. Por exemplo, você ama seu irmão e seu tio, e estaria disposto a sacrificar tudo por eles. Você só quer vê-los felizes. Esse é um amor de irmão, de sobrinho. Amor de família." Qing falou olhando para frente, reflexiva. O Lan entendeu bem sobre o que quis dizer com sacrifício. Os dois faziam isso ao aceitarem o compromisso imposto pelos familiares. Concordou com a cabeça, esperando que a mulher pudesse ver.

"O amor que se sente por um amigo é um pouquinho diferente. Queremos eles ao nosso lado, fazê-los sorrir e compartilhar bons momentos juntos. Não diria que é tão intenso quanto a família..., mas, ainda sim, é um tipo de amor. Eles podem ir para longe e não nos encontrarmos por anos, mesmo assim ainda iremos amá-los." Falou ainda para frente, no entanto virou-se para o homem ao lado enquanto sorria. "Amigos também se ajudam, como eu com você neste momento."

Lan Zhan sentiu-se triste por uma fração de segundo, pois nunca teve amigos além de Xichen e Wuxian. O que veio depois foi um calor no peito por compreender que Wen Qing considerava-lhe amigo. Esperava compartilhar bons momentos com ela, agora que eram camaradas, e aproveitar a amizade.

"Porém existe um terceiro tipo. E ele é aquele que faz o coração errar algumas batidas, as bochechas esquentam, e o estômago parece estar repleto de borboletas. Esses são alguns sintomas da paixão. Ah, Wangji... Este é tipo de amor que te faz transbordar, que desperta o há de melhor em ti. Quando essa pessoa sorri, o mundo inteiro parece parar e você sente que pode fazer tudo se esse alguém estiver ao seu lado." Deu um sorriso sonhador e suspirou. "A vontade de tocar é tão forte que chega a doer. O calor da pele do outro é a única coisa que realmente te aquece." Riu abobalhada. "Quando vocês se beijam, parece que só há os dois no mundo!"

O homem sentiu uma pontada de inveja, desejando viver isso com alguém. Mas quem? Ele nunca olhava para alguém daquela forma também. De repente, pensou em Wei Ying e seu lindo sorriso enquanto estavam na cafeteria. Seu coração falhou uma batida por saudade, pois não se viam desde o meio da semana e já era sábado.

Wen Qing assistia enquanto Lan Zhan demonstrava em seu olhar e em mínimas expressões o que passava em seu coração. Frustração, saudade, confusão, negação e conclusão, para depois voltar a ficar confuso. Riu jogando a cabeça para trás, atraindo o olhar do mais novo amigo. "Pelo visto o famoso Lan Wangji já experimentou mais do que imaginava".

*~*~*~*~*

A partir daquele dia, o arquiteto sempre se pegava observando o outro como se fosse uma das coisas mais lindas do mundo e, bem, para ele era mesmo. O jeito que piscava vagarosamente antes de abrir um sorriso, a inclinação da cabeça ao ficar confuso... tudo aquilo fazia o coração do Lan acelerar, fazendo-o ter cada vez mais consciência de que estava sim apaixonado.

O desespero com aquela constatação era real. Como se declararia? O que falaria? Tinha que ser como naqueles filmes, em que o homem enfeitava um jardim com luzes, flores e balões em formato de coração, ajoelhava-se e fazia a pergunta enquanto mostrava um anel? Ah, aquilo era para casamento. Mas se o amava tanto, não poderia pedir logo por esse compromisso? Oh meu Deus, ele já estava noivo! Mais um motivo para não gostar daquele acordo.

Então, por não saber o que fazer, decidiu manter-se quieto enquanto corria o risco de morrer por se apaixonar além do possível por aquele homem.

Assim, duas semanas se passaram até que tivessem sua "sexta da sobremesa". Lan Zhan observava um Wuxian calado, olhando pela janela enquanto dava alguns sorrisos mínimos. Havia aprendido que aquele era um dos momentos em que o "Wei artista" aparecia, olhando em silêncio até que a imagem ficasse gravada em sua mente. Com o fim do período chuvoso, o céu finalmente se via livre de nuvens, estando em uma mescla de cores por conta do pôr-do-sol. As árvores estavam quase prontas para o inverno e ainda havia alguns poucos pássaros, que se preparavam para partir rumo a um destino mais quente. De fato, um lindo cenário, tanto dentro quanto fora do estabelecimento.

Repentinamente, Wei Ying saiu de seu momento e olhou para o Lan, falando em tom urgente: "Vamos em um lugar ver as estrelas!", abrindo um sorriso à medida que não encontrava alguma resistência na face de Wangji. E nunca que teria seu pedido negado, até mesmo se quisesse andar até achar a borda do planeta e provar que a Terra era plana. Claro que o planeta era redondo, então poderiam andar juntos para sempre.

Logo que terminaram suas bebidas, saíram da cafeteria o mais rápido possível e seguiram até onde estava o carro do mais velho. Lan Zhan ficou chocado ao descobrir que o mais novo tinha carteira e que dirigia bem, coisa que duvidava. Ele podia ser apaixonado, porém não era louco de entregar a chave de um automóvel na mão de quem poderia enfiá-los em um poste. Depois de uma pequena discussão sobre o Wei ser ou não o motorista, finalmente foram para onde dizia ter a "melhor vista do mundo."

Foi uma viagem curta, com Wuxian cantando alto algumas músicas que tocavam no rádio. Wangji não era acostumado a tamanho barulho, mas não se importava. A voz do outro era linda, como tudo nele. Em um momento, já próximo de um ponto alto da cidade, os últimos raios de sol bateram no motorista enquanto cantava Let There Be love do Oasis, canção cuja o nome só veio a descobrir após esta terminar. Aquela cena ficaria marcada por muito tempo na memória do homem sentado no bando do carona.

Chegando no local, percebeu que era uma encosta que tinha vista para a parte leste da cidade e... era lindo. Wuxian estacionou perto da mureta que tinha ali e correu para ela, olhando a cidade. "Lan Zhan, Lan Zhan! Você Gostou?", perguntou virando-se para o outro, que ainda saía do carro. Após receber um "hm" em resposta, deu aquele sorriso que fazia seus olhos quase fecharem e voltou seu olhar para frente, observando a vista. As luzes da cidade, pouco a pouco, eram ligadas conforme os tons alaranjados e vermelhos do entardecer iam embora com o sol. As estrelas no céu ficavam cada vez mais visíveis, fazendo com quem olhasse.

Ficaram na mureta durante algum tempo, mas sentaram-se em cima do capô do carro após Wei Ying reclamar sobre como cansava ficar em pé. O mais novo apontava para as estrelas que conhecia – sendo corrigido pelo outro de vez em quando – e Lan Zhan ensinava o nome de algumas constelações. Também conversaram sobre a vida, tornando-se confidentes também de situações não tão boas. O histórico de romances também foi citado, logicamente começando pelo mais animado naquela conversa. "Ele realmente olhou para mim e falou que não daríamos certo porque eu não parava quieto quando fomos ver Once Upon a Time. Quando respondi que era uma série chata, ele ficou bravo e foi embora!". Não tinha como não rir com Wuxian contando as situações. O que fazia o sorriso do arquiteto aumentar ainda mais era o fato de que tudo aquilo era passado e não existia ninguém no presente.

"Tudo bem, tudo bem. Chega de rir às minhas custas. E o seu histórico?", Wuxian perguntou após se acalmar da última risada, olhando para a vista enquanto esperava uma resposta.

"Nunca tive nada com ninguém.", Lan Zhan respondeu simplista e com a voz neutra.

"Como assim? Todo o mundo tem pelo menos uma história vergonhosa do primeiro beijo!" Wei Ying respondeu, voltando a olhar para o outro. Sua feição era de total descrença, chegando a ser cômico.

Bom, eles eram confidentes, então Wangji soltou: "Na verdade eu tenho uma noiva. Contudo, é arranjado pelo meu tio e o pai dela...". Conforme contava sobre isso, a boca de Wuxian abria em um "o" de surpresa.

"Mas... ", o menor tentava falar, mesmo chocado. "Você a ama?". Foi direto, voltando ao estado de choque quando recebeu uma negação com a cabeça vinda do Lan. "Como você vai se casar com alguém que não ama? Isso só se faz com quem amamos tanto que queremos passar o resto dos nossos dias com aquela pessoa."

Wuxian tinha em sua voz toda a indignação que Wangji carregava dentro de si e não sabia externalizar. Entretanto, o que mais mexeu mesmo consigo foi a parte sobre se casar com quem ama. Nesse caso, queria ter aquele compromisso com o homem que estava ao seu lado. Sentiu vontade de tocar a bochecha dele. "A vontade de tocar é tão forte que chega a doer", Qing tinha dito. Agora descobria que ela estava certa.

"O amor é lindo, Lan Zhan..." falou, tirando o mais velho de seus devaneios. Houve um silêncio durante alguns minutos antes que fosse respondido.

Havia um conflito dentro do Lan sobre contar ou não o que se passava em seu coração. Suas mãos suavam e sua respiração se tornou pesada. Nunca ficara tão nervoso, entretanto não aguentava mais guardar aquilo. "Eu sei...", começou a falar após tomar fôlego, fazendo o mais baixo olhar para si. Olhou no fundo dos olhos dele e continuou: "meu coração quer sair pela boca quando lembro que verei quem amo." Abaixou um pouco o tom de voz, como se contasse um segredo e, de fato, era um. E para quem mais contar a não ser para seu confidente? Aquela era a oportunidade que jurava que nunca teria na vida. "Minha boca seca e eu só sei sorrir como um bobão quando estou com ele."

"E então surge um monte de borboletas no meu estômago quando ele sorri..." Wuxian falou tão baixinho quanto o outro, aproximando-se um pouco. "e fico me perguntando se a pele dele é tão macia quanto imagino..."

Àquela altura, ambos sentiam o calor dos corpos alheios. Inconscientemente, os dois aproximavam seus rostos ainda sem cortar o contato visual. "A vontade de tocá-lo faz minha mão coçar e só desejo saber se seus lábios são tão macios quanto na minha imaginação...", o Lan sussurrou.

Wei Ying, inconscientemente, fechou os olhos ao sentir o hálito do outro bater em seu rosto. Pôde perceber a ponta de dois dedos roçarem sua bochecha antes do local ser acariciado pelo polegar, com o restante da mão alojando-se na lateral de seu pescoço. Com certeza aquilo que roçou o lóbulo da minha orelha foi o indicador, pensou enquanto estremecia com o contato da palma fria contra sua pele quente. A expectativa fazia seu estômago revirar, mas manteve-se parado. Engoliu em seco conforme os dígitos arrastavam-se lentamente para sua nuca, roçando em seus curtos fios naquela área.

E, naquele local escondido de todos, um beijo aconteceu.

 



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