História Competition of a Lifetime: Selection - Capítulo 8


Escrita por:

Visualizações 48
Palavras 1.993
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fantasia, Ficção, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 8 - Oito.


Fui o primeiro a chegar no aeroporto e fiquei extremamente assustado. A alegria superficial da multidão desaparecera. Agora eu enfrentaria a terrível experiência de voar. Eu ia viajar ao lado de outros três selecionados. Procurei controlar meu nervosismo: não queria de forma nenhuma ter um ataque de pânico na frente deles.

Já tinha decorado os nomes, os rostos e as castas de todos os selecionados. Primeiro como um exercício terapêutico, um meio de me acalmar. Eu já fazia isso antes, mas com escalas musicais e cultura inútil. Na verdade, o que procurava na lista de selecionados eram rostos amigáveis, alguém com quem pudesse conversar enquanto estivesse no palácio. Nunca tive um amigo de verdade. Tinha passado a maior parte da infância brincando com Gwan e Han. Minha mãe tinha me ensinado tudo, e eu só tinha trabalhado com a minha família. Quando meus irmãos mais velhos saíram de casa, passei a me dedicar a Yeon e Hyul. E a Hoseok...

Só que nós dois nunca fomos apenas amigos. Desde o primeiro momento em que o vi, eu o amei.

Agora ele estava por aí, segurando a mão de outro garoto.

Ainda bem que eu estava sozinho. Nunca teria conseguido segurar as lágrimas na frente dos outros garotos. Doía. Tudo doía. E não havia nada que eu pudesse fazer.

Mas como é que eu tinha ido parar ali? Um mês atrás, eu tinha uma porção de certezas na minha vida. Agora, o pouco que conhecia tinha ficado para trás. Casa nova, casta nova, vida nova. Tudo por conta de um pedaço de papel idiota e de uma foto. Quis sentar e chorar, lamentar todas as coisas que perdi.

Eu me perguntava se algum dos outros garotos também estava triste. Achava que todos, exceto eu, deveriam estar comemorando. E eu precisava pelo menos fingir que comemorava também, pois o país inteiro estaria me vendo.

Tomei coragem para enfrentar o que estava por vir. Eu me fiz de forte. Enfrentaria o que surgisse. Quanto ao que tinha ficado para trás, decidi que era melhor assim: deixar para trás. O palácio seria meu refúgio. Jamais pensaria nele ou diria seu nome outra vez. Ele não tinha autorização para me acompanhar até lá. Era minha regra para essa pequena aventura.

Acabou.

Adeus, Hoseok.

 

Meia hora depois, dois garotos de caminha branca e calça preta entraram pela porta. Suas malas eram puxadas pelas assistentes. Ambos sorriam, confirmando minha teoria de que eu era, sim, o único selecionado deprimido.

Era hora de levar a sério minha promessa. Reuni forças e me levantei para cumprimenta-los.

— Oi! — disse, radiante. — Meu nome é Jeongguk.

— Eu sei! — disparou o garoto da esquerda. Ele era baixo e tinha os cabelos tingidos de loiro. Notei imediatamente que se tratava de Park Jimin, de Kent. Um quatro. Ômega, acredito. Ele nem ligou para minha mão estendida; partiu para um abraço.

— Opa! — deixei escapar. Não esperava aquilo. Embora Jimin fosse um dos garotos com rosto sincero e amigo, minha mãe passara a semana anterior me dizendo para ver todos como inimigos, e um pouco desse jeito ofensivo de pensar entrou na minha cabeça. Eu esperava quando muito um desejo cordial de boas-vindas por parte dos selecionados. Em vez disso, ganhei um abraço.

— Meu nome é Jimin, e o dele é Jinhwan.

Sim, Kim Jinhwan, de Allens, um Três. Seu cabelo era castanho claro, extremamente lixo e lhe caindo às vezes nas vistas. Seus olhos eram castanhos claros, dando ao rosto um ar pacífico e delicado. Ele parecia frágil ao lado de Jimin.

Ambos eram do norte; talvez por isso estivessem juntos. Jinhwan fez um aceno simpático e sorriu. Só. Não sei se era tímido ou se queria descobrir qual era a minha primeiro. Ele era um Três de nascimento, então talvez só fosse mais comportado.

— Amei seu cabelo! — irrompeu Jimin. — Queria deixar o meu crescer assim, mas não acho que combine comigo. Você acha?

Apesar do dia péssimo, o jeito de Jimin era tão animado que eu não pude deixar de sorrir.

— Eu acho que combinaria, sim. Não deveria se preocupar com isso.

Ele sorriu, os olhos se tornando menores. Depois disso, começamos uma conversa agradável sobre as coisas que nos irritavam as que melhoravam nosso humor. Jimin gostava de filmes, e eu também, embora raras vezes pudesse ver algum. Falamos dos atores que achávamos bonitos, e Jimin dizia ter uma lista dos quais gostaria de se casar. O que foi estranho, afinal, estávamos ali para nos juntar ao bando de namorados de Taehyung. Jinhwan soltava uma risadinha de vez em quando e nada mais. Se alguém lhe perguntava algo, ela dava uma resposta rápida e voltava a exibir seu sorriso reservado.

Jimin e eu nos demos bem logo de cara, o que me deu esperanças de talvez sair de tudo aquilo com um amigo. Embora tenhamos conversado por quase meia hora, o tempo voou. Não teríamos parado senão pelo som marcado de um sapato pontilhando o chão. Viramos a cabeça ao mesmo tempo, e pude ouvir a boca de Jimin se abrir com um estalo.

Um rapaz baixo — talvez quase como Jimin e Jinhwan — caminhava em nossa direção. Ele tinha os cabelos castanhos e um pouco bagunçados, porém perfeitamente bagunçados. Tinha óculos escuros e um boné verde escuro virado para trás, para combinar com a cor do símbolo de sua província. Sua pisada reforçava uma marcha confiante. Ele usava um sapato desnecessário para a ocasião. Ao contrário de Jimin e Jinhwan, não sorriu.

Não é que estivesse infeliz. Ele tinha foco. Sua entrada foi pensada para intimidar. E funcionou com Jinhwan, de quem escutei um suspiro de “ah, não” à medida que o recém-chegado se aproximava.

Min Yoongi, de Clermont, um Dois, não me incomodava. Ele pensava que estávamos lutando pela mesma coisa. Só que não se pode provocar alguém que não quer competir.

Yoongi finalmente chegou até nós. Jimin soltou um “olá” esganiçado, tentando fazer amizade em meio a toda aquela intimidação. Yoongi apenas o olhou de alto a baixo e deu um suspiro.

— Quando partimos? — perguntou.

— Não sabemos — respondi, sem um pingo de medo. — Você estava demorando a aparecer.

Yoongi pareceu não gostar nem um pouco, e começou a me medir, mas fez questão de sugerir que não tinha se abalado.

— Desculpem, mas muita gente queria se despedir de mim. Não pude evitar — e deu um sorriso largo, como se fosse óbvio que era cultuado.

E eu estava a ponto de me ver cercado por garotos assim. Ótimo.

Um homem entrou pela porta logo em seguida, como se quisesse aproveitar a deixa.

— Fui informado de que nossos quatro selecionados já chegaram.

— É isso mesmo — Yoongi disse com doçura.

Deu para ver nos olhos do homem que ele tinha amolecido um pouco. Ah, então esse era o jogo dele... Ele ficou calado por um instante, e então pareceu despertar.

— Pois bem, senhores, tenham a bondade de me acompanhar. Vamos levar vocês até o avião, que vai partir para sua nova casa.

O voo, que só foi assustador durante a decolagem e o pouso, durou poucas horas. Havia filmes e comida, mas eu só queria olhar pela janela. Observava o país de cima, impressionado com seu tamanho.

Yoongi preferiu dormir o voo, o que foi um favor. Jinhwan baixou uma das mesas dobráveis do avião e começou a escrever cartas sobre sua aventura. Foi inteligente da parte dele trazer folhas de papel na bagagem. Aposto que Yeon adoraria saber dessa parte da jornada, ainda que o príncipe estivesse ausente dela.

— Ele é tão elegante — Jimin cochichou no meu ouvido enquanto apontava com o queixo na direção de Jinhwan. — Ele tem sido super legal, desde que o conheci. Vai ser um forte concorrente.

— Você não pode pensar assim — respondi. — Sim, claro que você quer chegar até o fim, mas não porque venceu alguém. Só precisa ser você mesmo. Quem sabe? Talvez Taehyung prefira uma pessoa menos formal.

Jimin pensou um pouco:

— Acho que é um bom argumento. É difícil não gostar de Jinhwan. Ele é muito gentil. E é lindo — concordei com a cabeça. Depois, a voz de Jimin virou um sussurro. — Yoongi, por outro lado...

Arregalei os olhos e balancei a cabeça.

— Eu sei. Só faz uma hora que o conhecemos e eu já estou torcendo para ele voltar para casa.

Jimin pôs a mão na boca para esconder a risada.

— Não quero falar mal de ninguém, mas ele é tão agressivo! E Taehyung nem está perto. Fico meio tenso por causa dele.

— Não fique — confortei-o. — Esse tipo de garoto cai fora da competição naturalmente.

Jimin seu um suspiro:

— Espero que sim. Às vezes eu gostaria...

— Do quê?

— Bem, às vezes eu gostaria que os Dois tivessem alguma ideia de como é ser tratado como nós.

Concordei. Nunca tinha pensado que estava no mesmo nível de um Quatro, mas acho que ocupávamos posições semelhantes. Além dos Dois e Três, havia apenas graus distintos de vida ruim.

— É. Sei disso.

— Obrigado por conversar comigo — ele disse. — Estava preocupado pensando que ia ser cada um por si, mas você Jinhwan têm sido muito legais. Talvez seja divertido — ele concluiu, erguendo a voz com esperança.

Eu não tinha muita certeza disso, mas sorri de volta. Não tinha razões para me afastar de Jimin ou ser grosso com Jinhwan. Os outros garotos podiam não ser tão tranquilos.

Quando aterrissamos, encontramos uma atmosfera silenciosa ao longo do caminho — cercado de guardas — entre o avião e o terminal. Mas assim que as portas se abriram vieram os gritos ensurdecedores.

O terminal estava cheio de gente pulando e torcendo. Um tapete dourado indicava o caminho aberto por cordões de isolamento. Por esse trecho circulavam a intervalos regulares guardas que olhavam de maneira inquieta para os lados, prontos para atacar ao primeiro sinal de perigo. Será que não tinham nada mais importante para fazer?

Por sorte, Yoongi ia à frente e começou a acenar. Percebi no ato que essa era a reação certa, e não ficar encolhido como eu planejava. Como as câmeras estavam lá para captar cada movimento nosso, fiquei feliz por não conduzir o grupo.

A multidão estava louca de alegria. Aquelas pessoas viviam perto dali e estavam ansiosas para vislumbrar em primeira mão a chegada dos meninos à cidade. Um dia, um de nós seria o rei.

Virei a cabeça inúmeras vezes em questão de segundos à medida que as pessoas espremidas no terminal gritavam meu nome. Havia também cartazes com meu nome. Eu estava maravilhado. Já havia gente — que não era da minha casta nem da minha província — que queria que eu fosse o escolhido. Senti um nó de culpa no estômago por desapontá-las.

Baixei a cabeça por um instante e vi uma menininha esmagada contra o parapeito. Ela não devia ter mais de doze anos. Nas mãos, levava um cartaz com a frase “eu acredito em você, Jeongguk”, uma pequena coroa desenhada em um canto e estrelas para todos os lados. Percebi que ela deveria ser da mesma casta que eu, talvez inferior.

A menina queria um autógrafo. O rapaz ao lado dela queria uma foto, assim como a pessoa ao lado dele, e outra ainda queria apertar minha mão. No fim, acabei percorrendo todo o tapete duas ou três vezes para falar com gente dos dois lados do trecho.

Fui o último a sair. Os outros garotos devem ter me esperado por pelo menos uns vinte minutos. Para ser bem franco, eu só sairia dali depressa se o próximo avião de selecionados estivesse para pousar. Seria falta de educação usar o tempo deles.

Quando entrei no carro, Yoongi bufou, mas não liguei. Ainda estava em êxtase diante da minha adaptação rápida a uma situação que me assustara momentos antes. Tinha superado as despedidas, o encontro com os primeiros garotos, meu primeiro voo e a interação com a massa de fãs. Tudo isso sem cometer nenhuma gafe.

Pensei nas câmeras que me seguiam no terminal e imaginei minha família assistindo tudo pela TV. Eu queria que estivessem orgulhosos de mim.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...