1. Spirit Fanfics >
  2. Compilado de One-Shots Samo >
  3. Assassin Love

História Compilado de One-Shots Samo - Capítulo 10


Escrita por:


Notas do Autor


*PARE!!!! LEIA SOZINHO E COM CALMA*

Ai anjinhos... se vocês soubessem o quanto o tema dessa one me sugou... neh brincadeira não :p
Mas está aqui, como prometido ^^
Sim, esta é a one que eu estava prometendo, xente ksksksks
Não é nada extraordinário, eu só quis me arriscar a fazer algo diferente.

Esse é o resultado de escutar muito The Neighbourhoods, Melanie Martinez e James Young haushaush

Deem uma olhada nesse site se tiverem curiosidade: https://www.google.com/amp/s/amenteemaravilhosa.com.br/escala-da-maldade/amp/

ACONSELHO A LEREM DUAS VEZES. NA SEGUNDA VEZ A GENTE NOTA DETALHES QUE ESTAVAM PRESENTES DESDE O COMEÇO HEHE

Enjoy it! E LEIAM AS NOTAS FINAIS!

Capítulo 10 - Assassin Love


Fanfic / Fanfiction Compilado de One-Shots Samo - Capítulo 10 - Assassin Love

Momo estava sentada na poltrona de couro sueco observando as chamas. A tristeza que lhe consumia o peito mal deixava-a respirar, embora sua expiração estivesse totalmente controlada. Sua mão esquerda segurava uma taça vazia que já estivera cheia por duas vezes naquela noite, e ainda assim o álcool não fizera efeito em sua cabeça. Aos poucos os olhos foram enchendo-se com as lágrimas que já engolira forçadamente diversas vezes durante aquele dia. Era doloroso.

- Então era aqui que você estava – ouviu a voz doce ecoar perto da porta. Seu coração apertou-se tomando consciência da presença feminina.

Sentiu a dona da voz se aproximar. Logo depois mãos quentes contornaram carinhosamente sua clavícula, enquanto um cálido beijo pousou em sua têmpora. Momo fechou os olhos. Ela amava aqueles toques e não pôde deixar de apertar a mandíbula tentando controlar as pesadas lágrimas que a todo custo queriam escapar. Ela não queria ter de chorá-las. Não hoje.

Levantou-se, abraçando com ímpeto aquela que lhe beijara. O cheiro conhecido que adentrou suas narinas aos poucos fora lhe acalmando, e os braços que lhe acolheram em um aperto recíproco ao seu diminuíram as batidas do coração louco. Momo estava contendo-se.

- Eu amo você, Sana.

A outra riu, abraçando-a mais carinhosamente.

- Quantas taças você bebeu dessa vez, meu amor, hum? Você fica sensível assim todas as vezes que vem aqui.

Tinha algo na forma amorosa de Sana falar que lhe machucava ainda mais o peito, mas ao mesmo tempo mantinha sua mente no lugar.

- Hey amor, vamos lá. Não precisa ficar assim. Eu estou aqui, não vou a lugar algum.

Não vou a lugar a algum” – a frase ecoou na mente da Hirai.

- Eu sei que você não vai.

A certeza em sua própria voz fez Momo engolir a saliva amargamente e suas feições perderem a vulnerabilidade que demonstravam. Devagar, saiu do conforto dos braços da esposa e tomou-lhe o rosto nas mãos. Séria, e com muita atenção, contornou os traços da face iluminada à luz da lareira. Tão linda. A ternura nos olhos que lhe observavam paciente lhe capturaram, hipnotizando a sua parte sã.

Algo despertara dentro dela.

- Tome uma taça comigo, meu amor – pediu.

A voz sedutora que adentrou os ouvidos de Sana aguçaram seus sentidos. Aquela essência... Sana por um momento se perdeu no profundo das íris negras de Momo. Deixou-se ser guiada pela outra até o meio da sala, sabia que sua alma estava presa naquele olhar. Cada movimento, cada respiração, tudo conectado.

Momo guiou Sana para sentarem-se no carpete. Nas mãos, duas taças cristalinas, na qual Sana não soube definir o momento em que a esposa tomara posse. O ambiente, apesar de conhecido, agora parecia jamais ter sido frequentado por ela mesma. Tudo parecia novo, diferente, único. E aquela atmosfera... Sana sentia-se inebriada por cada detalhe em torno da morena que lhe guiava, e a cinesia lenta com a qual Momo maneja o vinho ao despejá-los nas taças era um detalhe que atiçava-lhe o corpo. Seu coração pulsava.

Momo tomou uma das taças e levou à mão da mulher que lhe esperava. Em seguida, tomou a sua própria e conectou o olhar com o de sua esposa. Seu peito inflou com o suspiro involuntário que saiu... ela ansiava por Sana.

Num clima totalmente envolvente, ambas as mulheres elevaram as taças aos lábios, provando o sabor doce do Churchill’s Ruby. Esta era a bebida que sempre enchia o copo da mais velha em noites como aquela. Ela tivera muitas noites como aquela.

Após saborear o gole que descia por sua garganta, Hirai descansou a taça ao seu lado, no macio da tapeçaria, enquanto Sana observava atentamente cada movimento seu. Sinuosamente engatinhou até a outra ficando frente a frente com a face que amava. As respirações mesclavam-se e os olhares alternavam-se entre íris escuras e lábios rosados.

Não aguentando mais toda aquela tensão, Sana deu vazão aos seus desejos e tomou o rosto da Hirai em suas mãos conectando as bocas num beijo lento, profundo e terrivelmente incitante. O suspiro de satisfação que Momo soltara ao toque fez pulsar as partes mais íntimas do corpo da segunda Hirai. Ela sentia-se ludibriada pela essência provocativa de Momo a ponto de perder a noção do espaço ao redor. Todas as sensações que poderia nomear para aquele momento percorriam de seu peito para a boca do estômago, transformando-se em excitação e amor puro por aquela que lhe dominava.

Momo avançou, fazendo Sana recuar enquanto aprofundavam-se cada vez mais nas sensações proporcionadas pelo contato de suas línguas e lábios, até que a outrora Minatozaki estivesse completamente entregue ao tapete bege. A primeira Hirai permanecia como uma felina acima de seu corpo, tirando-lhe todos os sentidos com o beijo loucamente extasiante. Era como se as almas estivessem sendo trocadas, Sana jamais havia sido beijada assim. Era o ápice de Momo que ela estava tendo o prazer de conhecer.

Como que em um despertar, Momo interrompeu o contato. Sana sentiu-se impotente ante os segundos que pareceram eternos em que Momo ficou encarando-lhe, contornando suas feições como se quisesse gravar cada detalhe. Seu peito subia e descia acima de Sana, numa respiração profunda e agitada. O tempo pareceu parar para ambas quando outra vez os olhares se conectaram, e então, entregando-se de vez, Momo rendeu-se à seus desejos.

As bocas voltaram a se encaixar num beijo mais profundo e frenético que o primeiro. Momo permitiu as mãos subirem pelo corpo da esposa, sentindo o máximo de tato possível enquanto retirava o suéter fino. As mãos apertaram os seios por cima do tecido rosé fazendo Sana suspirar. A boca da Hirai desceu mordendo com ânsia o queixo, o pescoço e logo após o colo descoberto, distribuindo beijos obscenos por ali. Sana arranhava o carpete tentando conter a excitação.

Enquanto embriagava-se na pele da esposa, Momo ergueu o olhar observando a mesma, que delirava com seus toques.

Perfeita.

Algo naquela visão acendeu na Hirai o sentimento que tentara reprimir mais cedo. Aquele com a qual ela travara conflito desde a primeira vez que olhara para Sana em seus dias de colegiais. Um fogo tomou conta de seu peito, tornando o olhar mais selvagem. Dessa vez ele viera diferente. Mais forte, mais acentuado, mais puro. Mais certo.

Hirai então pôs-se a beijar e sugar o vale entre os seios de Sana, fazendo estalos altos ecoar pelo salão e arrancando gemidos da esposa. Suas mãos subiram lentamente pela clavícula da mesma, encaixando-se na nuca levemente suada. Os dedos entremearam pelos fios úmidos, puxando com certa força. Sana novamente gemeu, deixando a cabeça seguir a força dos dedos pendendo para trás. O pescoço completamente exposto.

Hirai encarou a garganta sedutora de Sana engolir a saliva de sua boca. Subiu para o local, erguendo o próprio corpo e sentando-se sobre a cintura fina. As mãos espalharam o contato por toda a região da cerviz num toque quente e espalmado que fazia a mulher sob seus efeitos fechar os olhos para aproveitá-los.

Sentada sobre o corpo esbelto, Momo pôs-se a observar novamente o rosto de sua esposa, enquanto massageava as têmporas da mesma. Seus movimentos eram lentos e percorriam toda a extensão das laterais da cabeça de Sana, da testa à nuca, e até o pescoço.

Depois de um tempo apenas sentindo este toque, Sana abrira os olhos, dando de cara com o olhar de Momo. A esposa tinha um olhar sério, meio contemplativo. Era como se em sua mente corressem milhões de pensamentos. Ambas permaneceram assim, presas num terno e enigmático olhar por um bom tempo, até a segunda Hirai quebrar o silêncio num ínfimo susurro.

- Eu amo você, Hirai Momo – Sana observou as lágrimas descerem pela face da outra – e isso é mais forte do que a própria morte.

O corpo de Momo começou a tremer com os soluços que reprimia. Olhou para a esposa.

- Eu também amo você meu amor – o choro da Hirai agora era audível em todo o salão. – Por favor... me perdoe.

As mãos da Hirai rapidamente fecharam-se envolta do pescoço que tocava, pressionando e pressionando em força crescente. Nos olhos de Sana, lágrimas brotaram ao observar o desespero da esposa. Na falta de oxigênio, involuntariamente suas mãos puseram-se sobre as que a sufocavam, segurando os pulsos da Hirai enquanto a tosse característica da situação lhe sobreveio. Sentiu lágrimas quentes caírem sobre sua face misturando-se as suas próprias. O grito frustrado que rompeu da garganta de Momo enquanto a força de suas mãos aumentava demonstrava a profunda angústia que sentia ao finalmente dar vazão à sede que percorria seu interior nos últimos 16 anos.

O corpo de Sana forçou-a a agitar-se, na esperança de obter oxigênio. O pé nervoso, em busca de apoio, escorregou e derrubou uma das taças postas ali. O cheiro forte de vinho tinto espalhou-se na sala enquanto da lareira se ouvia os estalos da madeira queimando.

- Eu amo você, Sana – Momo dizia repetidamente, molhando o colo da esposa com lágrimas grossas, mas suas mãos apertaram cada vez mais a garganta já avermelhada.

Momo e a noite escura foram as únicas testemunhas do último olhar de Sana.

“Eu também amo você” – dizia ele. – “Mais forte do que a própria morte.”


------xxxxxxxxxx------


Myoui Mina odiava o seu trabalho. Bebia calmamente seu Americano enquanto ressentia-se de sua escolha imatura quando universitária. Por que escolheu se especializar em psicologia forense? Mina não conseguia achar uma única razão para ter escolhido esse caminho a não ser uma cabeça extremamente jovial embebida de sonhos aventureiros. Como um jovem podia animar-se ao pensar em seguir carreira nessa área? Ela com certeza tinha motivos para se ressentir de sua profissão. Desde que passara atuar no departamento a agente mal conseguia dormir sem ter um ou dois pesadelos à noite. As insônias também se tornaram mais frequentes.

Analisou através do vidro peliculado a mulher sentada na sala vazia. Por que a sociedade insistia em entender mentes perversas? Óh, sim. Perversa. Foi uma das características que Mina escreveu na ficha da figura que observava.

Hirai Momo.

Quer dizer, por que o governo pagava para tentar decifrar mentes como aquela? Isolá-los da sociedade não era o suficiente? Não haveria dinheiro no mundo que pagaria os danos psicológicos que Myoui estava atraindo para si ao lidar com pessoas como Hirai.

Preciso amadurecer minha noção de existência humana, eu vou enlouquecer aqui” – pensou, franzindo amargamente a testa ao encarar a mulher com roupas laranjas néon, fora de seu alcance. Ela estava completamente calma.

Sim. Esta era uma característica comum aos casos que Mina acompanhava. Todos os “pacientes” eram absurdamente calmos diante de seus atos, mesmo sendo os mais macabros. Psicopatas eram assim. Completamente calculistas e frios.

Mas aquela paciente em particular tinha algo que intrigava a agente forense. Ela apresentava características incomuns a qualquer tipo de psicopata que Mina já tivera a oportunidade de acompanhar e estudar, e isso fazia sua cabeça doer. A escala desenvolvida pelo Dr. Michael Stone, a qual foi tema de seu artigo na faculdade, disponibilizava 22 classificações de psicopatia existentes até os dias atuais. Eram comportamentos e gostos disponíveis para arrepiar até o mais resignado cidadão mentalmente saudável que Myoui conhecia. Porém Hirai Momo não encaixava-se em nenhum dos 22 padrões descritos pelo famoso psiquiatra do século XX. No momento, Mina permitia-se apenas observar e ressentir-se da profissão que escolhera, enquanto sorvia calmamente seu Americano e analisava a mulher através do vidro espesso.

- E então? Algum diagnóstico? – A agente Chou Tzuyu entrou pela porta metálica mordendo uma maçã. Mina balançou a cabeça em negação. – Nada mesmo?!

- Nadinha. Ela simplesmente não se encaixa na escala Stone.

Tzuyu aproximou-se, tomando a caderneta de identificação pendurada abaixo da grande janela. A primeira folha continha todas as informações sobre a vida, mente e comportamentos da Hirai em observação, enquanto a segunda folha obtinha as informações básicas da vítima.


Hirai Sana (33)

Professora do 5° e 6° ano do fundamental

Tsukimori Middle School

Kansai – Kyoto, Rua Nagashi Abi, aptm 88B

Casada a 1 ano com Hirai Momo; sem filhos

Nome de família: Minatozaki

Causa da morte: estrangulamento

Classificação: assassinato premeditado

09/11/2029 – 08:35 p.m.


- Espere aí Mina, você está me dizendo que ela usou um dos métodos mais simplórios para matar a própria esposa e ainda assim não se encaixa numa classificação? Pra mim parece simples, pode ser um caso de nível 7,8 ou 9. Não acha?

- Não mesmo. Quero dizer... olhe para ela – apontou com uma caneta. – Ela parece ser alguém que mataria por ciúmes? Ou que teria um ataque de raiva repentino? Ela nem sequer tem antecedentes violentos.

Tzuyu considerou.

- Bom... de fato ela está muito lúcida. Geralmente eles ficam meio perdidos em si mesmos depois que comentem o crime, ou extremamente alucinados. Mas essa é uma especialidade deles, não?! Viver normalmente sendo as pessoas mais prestativas e encantadoras, mesmo com traços antissociais... Não é isso o que ela está fazendo agora?

- Aí é que está, Chou. Mascarar o mal que habita dentro deles é o que a maioria faz, mas ela não está fazendo isso agora.

- Como assim?

- Essa É ela. Estamos olhando para a autentica Hirai neste exato momento, sem máscaras.

Mina voltou-se para um grande arquivo próximo de si, abrindo uma das gavetas e retirando de dentro uma longa folha quadriculada com linhas e números estatísticos desenhados em sua extensão.

- Esta é a leitura do polígrafo quando aplicamos o teste nela – estendeu a folha para a parceira. – Fizemos várias perguntas sobre a vida que ela viveu nos últimos anos e o resultado foi este aí.

Tzuyu passava cada vez mais rápido o exame em suas mãos, não se importando que o mesmo acumulasse em seus pés. O documento demonstrava uma leitura impecavelmente constante, demonstrando que Momo havia falado a verdade em toda e qualquer pergunta que lhe tenha sido feita.

Antes que se mostrasse impressionada, Tzuyu sorriu em negação.

- Tá, ela foi sincera. O que isso tem a ver com a classificação dela na escala Stone? Ela apenas não negou o óbvio.

- Você sabia que ela observava a esposa desde o ensino médio? – Mina olhou para Tzuyu – Ela sabia que mataria Hirai Sana desde os 17, que foi quando se conheceram.

- Ah, sim. Você está impressionada porque ela premeditou o assassinato? Conheci um cara que na infância tinha o estranho hobby de imaginar a morte dos pais. Com 14 anos ele matou os dois. Bacana, não é? – Tzuyu zombou.

Mina sorriu de lado, tomando a folha das mãos da Chou.

- Não é isso que me impressiona, Chewy, mas sim, isto... – apontou a linha tracejada entre o número 17 e 18. – Perguntei para Hirai Momo se ela amava Hirai Sana e, acredite, sua resposta foi: “Eu ainda a amo. Muito.”

Tzuyu ainda permanecia resignada.

- Isto não quer dizer nada, Myoui. Ainda parece um caso classificável pra mim. Psicopatas de nível 7 geralmente dizem ter matado por amor. Porque você está tão convicta de que ela é especial?

- Está vendo a foto que ela está segurando?

Só então fora que a Chou observou o item na mão da Hirai. A mesma o tempo todo mantivera a cabeça baixa, e então Tzuyu notara que era porque ela admirava a foto em mãos.

- É uma foto de Hirai Sana.

- A esposa?

- Sim.

- Remorso! – Tzuyu taxou sem nem mesmo pensar duas vezes. Mina riu.

- Ela parece arrependida pra você?

A japonesa observou a parceira, vendo suas expressões vacilarem ao analisar mais uma vez o comportamento do ser em pauta.

- O que você está me dizendo? Você acha que ela consegue sentir emoções de afeto? Já foi comprovado que pessoas como ela não tem essa capacidade, Mina. Eles agem por prazer ou interesse.

- Não é o fato de ela conseguir “sentir” que me impressiona... é o fato de ela ter plena consciência do que fez e ainda afirmar amar a vítima. Ela mesma chamou a polícia. Também foi ela quem pediu a foto e a carrega pra todo lugar desde a hora do assassinato.

- Eu já acompanhei dois casos de contemplação. É quando o agressor venera tanto a vítima a ponto de matá-la. John Lennon, lembra? Pura idolatria.

- Acha que é isso que ela tem? Contemplação? – Mina levantou uma sobrancelha.

- Quem sabe?! Existe de tudo nesse mundo. Vamos ter que descobrir.

Tzuyu deu uma última mordida em sua maçã, pegando as chaves ao lado da porta e sendo seguida por uma Mina receosa até a sala de interrogação.



“16/04/2025

Esta noite eu sei que você não dormiu, meu amor. Você não está bem... nunca esteve, na verdade. Desculpe perceber só agora. É que eu parei para contar a quantidade de vezes que tirei aquela taça da sua mão. Acho que me perdi na conta. Momo... o que tanto te angustia? Eu posso saber?”

“08/09/2026

Ver você dormindo deveria me deixar calma. Mas o motivo de eu estar acordada agora, te observando, é simplesmente porque estou com medo. Medo de você. Hey, Momo.. eu descobri porque você toma aquela taça. Você me olhou daquela maneira hoje de novo. Desde quando você vem suportando este sentimento? Me sinto mal por você. Mas admito... você me dá medo.”

“09/11/2027

Hoje foi seu aniversário. Estava tudo correndo tão bem. Até eu te encontrar naquela sala outra vez. Confesso que engoli o choro quando retirei a taça da sua mão. Você precisou beber toda a garrafa dessa vez? Se eu aceitasse sua oferta de me levar para passar o inverno com a minha tia, você melhoraria? Eu venho pensando nisso, sabe. Você insiste tanto em planos que me deixem distante de você. Mas eu não consigo. Eu te amo tanto que eu não consigo mais partir, mesmo correndo perigo. Ainda mais porque no inverno você vai mais vezes naquela sala. E o pior de tudo isso é que eu não sei como te ajudar. Me desculpe.

“01/05/2028

Hoje eu bebi com você. Aquele vinho, naquela sala, naquela taça. Foi a primeira vez e você mal olhou em meus olhos. Mais uma vez você insistiu para mim ir passar o inverno com a minha tia. Mas o que você não sabe, meu bem, é que eu já venci o medo a muito tempo. Eu quero beber desse cálice. Me ame até quando puder, porque eu já decidi. Este ano, colocarei um anel no seu dedo.

“09/11/2029

Eu amo você Hirai Momo. E isso é mais forte do que a própria morte.”

Tzuyu fechou o livro em suas mãos observando a expressão da Hirai à sua frente. Os olhos lacrimosos ainda estavam fixos na foto em mãos.

- Hirai-san, você está ciente de que sua esposa sabia de suas intenções em relação à ela?

Momo mordeu o lábio, mas não respondeu. Continuou de cabeça baixa.

- Você se arrepende de tê-la matado?

Mina se mexeu desconfortável em sua cadeira quando Momo passou a encará-las. Os olhos negros poderiam estar cheio de lágrimas, mas era visível o ódio que ela carregava por estar ali.

- Não. Eu não me arrependo.

- Não sente falta de sua esposa?

- Sim, eu sinto. Mas não me arrependo.

- E por que? – Tzuyu em momento algum inibia-se ante a Hirai. Ela queria descobrir o que tanto impressionara Myoui.

Momo riu da pergunta.

- Por acaso você acha que eu estava fora de mim quando minhas mãos apertaram o pescoço da mulher que eu mais amei na vida? Eu estava completamente sã.

Tzuyu recuou com tamanha sinceridade. Alinhou os óculos e engoliu a saliva. Ela iria continuar.

- Está dizendo que não tem motivos para se arrepender, mesmo afirmando amar quem você matou?

Momo respirou frustrada. Essa pergunta foi repetida várias vezes no teste do polígrafo mais cedo. Um silêncio pairou na sala.

- Hirai-san – Mina retomou a conversa, cuidadosa – esse diário foi achado nos pertences de sua esposa. Você sabia que ela escrevia?

Momo passou os olhos pela capa marrom do diário, novamente sentindo o rosto queimar.

- Ela escrevia todas as vezes que eu bebia – um sorriso amargo lhe sobreveio – em algum momento ela não quis mais esconder. Essa era a forma dela dizer que me amava, independente do sentimento que habitava dentro de mim.

- O desejo de matá-la, você quer dizer.

Momo encarou Tzuyu que retribuiu-lhe o olhar.

- Não se sente mal em pensar que sua esposa pôs-se na forca por amar você? Ainda assim não se arrepende?

- Não – a resposta foi taxativa. – Sana ficou porque ela me viu por completo. Além de algo negro ela também enxergou o vermelho reluzente do meu amor por ela. Eu realmente a amei.

- Inacreditável. Você quer que eu acredite na “força do amor” ou algo assim? Estamos no mundo real, Hirai-san.

Momo simplesmente ignorou a Chou. O sorriso de Sana na foto que segurava era o único escape que tinha ante a incredulidade das pessoas que lhe cercavam nas últimas 48h.

- Desde quando você começou a sentir isso, Hirai-san? Digo, o desejo de...

- Desde a primeira vez que a vi – prontamente respondeu, interrompendo Mina. O silêncio foi a deixa para Momo continuar.

- Quando conheci Sana, estávamos no ensino médio. Eu a notei assim que ela adentrou a sala de aula.

- Vocês eram próximas?

- Não mais do que colegas de turma. Ela tentou se aproximar, afinal, era uma escola para garotas. Todas queriam se conhecer e ela não era diferente, ainda mais sendo presidente de classe.

- Você a repeliu?

- De certo modo. Eu não conseguia conversar com ela tendo isso dentro de mim. Era um sentimento tão confuso. O bem e o mal em um só – Momo riu – a mantive distante tanto quanto eu pude.

- Vocês começaram a sair em 2023. Como isso aconteceu?

- Ela aconteceu – engoliu o bolor que formou-se em sua garganta. – Quero dizer, depois do colegial não nos falamos mais. Mas de algum modo eu sempre residi por perto dela. Morando no mesmo bairro, frequentando o mesmo mercado, a mesma faculdade. Saber que ela estava lá era o suficiente para mim. Era seguro. Mas talvez ser a única garota da qual ela não se aproximou em três anos de convivência possa ter sido motivo para me destacar na consciência dela. Ela que me procurou em 2023, então não pude afastá-la.

- Você alguma vez pretendeu contar pra ela?

- Não.

- Por que? Tinha medo de que ela fosse embora?

- Não, doutora – Momo pareceu impaciente. - Acontece que uma vez que provei o que era ter Sana em meus braços eu não pude mais negar isso. Eu ansiei matá-la, porque é isso o que eu sou. O que não significa que não pude amar. As duas coisas estavam atreladas.

O olhar incisivo que direcionou para Tzuyu foi o suficiente pra desestabilizar todas as crenças que a Chou tinha no ser humano.

- “Estavam”, você diz. Não estão mais?

Momo pareceu refletir. Seu olhar perdeu-se ante a análise que fazia em si mesma. Não pôde mais evitar que finalmente a face fosse riscada por duas gotas salgadas.

- Eu matei minha esposa, doutora. Meu pecado foi consumado, mas o meu amor por Sana... – o queixo da Hirai tremeu – ele continua intacto.


------xxxxxxxxxx------


Tzuyu bocejou e espreguiçou-se ao sair da sala de interrogação. O conceito de Hirai Momo permanecia inabalável em sua mente: absurdamente insana, apesar de honesta.

Já Mina... era perceptível o seu desconforto em relação à Hirai.

- Você ainda está abalada com este caso? Oras, Mina, vamos lá. Ela é só mais uma psicopata. Eu só não sei quem é mais louca, a vilã ou a esposa suicida.

Mina permaneceu em silencio.

- Que tal um hamburguer, ham? Toda essa conversa me deu uma fome.

Adentraram o observatório. A Hirai já não estava mais sentada à mesa do outro lado do vidro. Tzuyu foi recolhendo seus pertences.

- Chou... por que você acha que Hirai Sana decidiu ficar? – Tzuyu imediatamente parou o que estava fazendo – Você acha que o amor pode realmente ter existido entre as duas?

Tzuyu mal podia crer na pergunta.

- Eu não acredito nisso. Sabe o que você está parecendo? Uma adolescente que acabara de assistir um trágico filme de romance. E põe trágico nisso! O príncipe deu a maçã envenenada para a princesa e ela aceitou.

Tzuyu voltou a recolher seus itens e vestir a jaqueta de couro marrom.

- Existem mais cinco diários.

- O que?

- O diário, Chewy... de Sana. Há mais cinco deles.

- E porque está me dizendo isso só agora? Do que se tratam?

- Não foi Hirai-san quem avistou Sana primeiro – Tzuyu prestou atenção. – Sana foi quem aproximou-se de Hirai-san. Ela planejou isso desde o fundamental. E ainda registrou todo seu esforço em mais cinco diários anterior a este último.

- Meu Deus! – A Chou mal podia crer – Está me dizendo que ela caminhou para a própria morte?

- Bom, Hirai-san podia ser reservada, mas sempre destacou-se no seu meio de convivência por ser extremamente inteligente e focada no que queria, como os esportes escolares. Além de que a beleza dela... é bem chamativa – pausa. – Mas não. Ela mesma escreveu, Sana não sabia que tinha se apaixonado por uma... assassina.

O termo simplesmente parecia não se encaixar com a Hirai.

- Tá! Você venceu. As duas se amaram e não tiveram um final feliz. Ponto. Não se pode ter tudo na vida, não acha?! Agora vamos comer.

Chou saiu da sala deixando Myoui para trás. Mina suspirou.

- Você com certeza não se encaixa na escala Stone, Moguri - sussurou para si mesma, utilizando o apelido que costumava usar em sua juventude, quando caçoava da paixão de sua amiga de infância Minatozaki Sana. Esse era um segredo que Myoui levaria para o túmulo consigo.

Deixando um último suspiro com as lembranças de Sana para trás, saiu da sala. Tzuyu jamais entenderia a relevância daquele caso para Mina.


------xxxxxxxxxx------


Momo suspirou sentada no fundo da cela fria. Sentia-se presa. Não pelas paredes de concreto ou pelo enorme ferrolho na porta, mas presa em si mesma, em seu próprio corpo. Ela não queria ver o sol, nem respirar o ar puro fora daquele cubículo. Tudo o que ela queria era um alívio para a solidão que sentia. Uma dor lancinante cortou o seu peito ultrapassando os limites entre dor emocional e física. Imediatamente a Hirai agarrou o macacão laranja na altura do coração, tentando respirar. A dor era tão forte que lágrimas involuntariamente saíram de seus olhos. Deixou-se lentamente pender para o lado quando sua força e equilíbrio desestabilizaram-se na procura por ar, encolhendo-se como uma bola na tentativa de aplacar a dor.

E funcionou. Enfim o ar entrou em seus pulmões fazendo o corpo da japonesa inteiro relaxar. A respiração acelerada durou por segundos, até que o corpo sugasse oxigênio suficiente e apenas passasse a ressonar. Momo estava cansada. As lágrimas que agora desciam de seus olhos iniciaram um choro contido, um choro de agonia, de abandono. Isto havia se repetido inúmeras vezes no último mês. Momo sentia falta de casa, do lar e principalmente da esposa. Imaginar Sana ali naquele recinto havia se tornado uma habilidade necessária para a Hirai. Lembrava-se de cada mínimo detalhe do rosto da mulher que amava. De como ela sorria, de como era acolhida por seus braços sempre que sentia-se miserável e de sua voz doce ecoando em seus ouvidos.

Era difícil tentar conter toda aquela dor. Fechou os olhos, respirando cada vez mais devagar, ouvindo as batidas do próprio coração.

- Está doendo?

Momo ouviu a voz delicada perguntar, levemente sentindo o toque da mão macia em sua face. Abriu as olhos sem pressa, esperando a visão da figura embaçada à sua frente se estabilizar.

Sana estava ali. Seus olhos demonstravam a doçura de sua preocupação, que não transparecia em sua voz calma. Hirai sorriu minimamente, deleitando-se na visão da pessoa que habitava em suas lembranças. Aquilo tinha se tornado frequente com o passar dos dias.

Desde que passara a sentir dores no peito Momo pensava na esposa para acalmar o órgão machucado dentro de si, o que era sempre motivo para externar sua tristeza profunda em lágrimas salgadas. No início, ela apenas adormecia devido ao cansaço emocional e acabava por sonhar com a presença da mulher que tanto amava, sendo acalentada pelo colo que era seu abrigo. Depois de alguns dias, Momo deixou de focar na presença da esposa por inevitavelmente antecipar o momento de sua partida, quando acordava. Não demorou muito para os sonhos transformarem-se em pesadelos no conceito da Hirai, consequentemente aumentando a intensidade da dor em seu peito no decorrer das semanas.

Quando enfim Momo decidiu parar de se martirizar por permitir-se adentrar no mundo dos sonhos apenas para ver Sana partir, passou a ouvir vozes. Não. Apenas uma única voz. Sim, a voz doce que sempre vinha perguntar se ela estava bem. E foi ótimo ouvir a risada que tanto amava mais uma vez, nas breves palavras que trocavam. Foi mágico. Mas eram breves momentos. Assim que certificava-se do bem estar da Hirai, a voz sumia, e mais uma vez a mulher presa naquela sala vazia passou a enxergar aquela magia como uma maldição. Ela queria Sana. Queria senti-la novamente, tê-la consigo, e a cada dia a presença dela se tornava mais real, como agora.

Era a primeira vez que Momo alucinava, que via perfeitamente a imagem da esposa fora de seus sonhos. Estava linda como sempre. Tão encantadora quanto um anjo, se é que eles existem.

- Sana... eu sinto tanto a sua falta.

Sana sorriu, doce.

- Eu sei disso, Momoring. Por isso vim aqui. Mas você está bem?

Momo fechou os olhos, elevando a mão até a que repousava em sua bochecha, aproveitando o toque. Suspirou sentindo paz.

- Eu não sei. Eles dizem que eu estou com depressão profunda, mas.. talvez seja apenas saudades. E agora eu estou vendo você – riu – não é engraçado?!

Momo arriscou abrir os olhos novamente. Sana apenas a observava com um sorriso. Ficaram um tempo assim, apenas aproveitando aquele momento de ternura, transmitindo sentimentos com os olhares.

Hirai então sentou-se devagar, debilitada. Tinha medo de que qualquer movimento brusco que fizesse fosse fazer a imagem à sua frente sumir.

Mas ela não sumiu. Sana continuou ali, frente à frente com a Hirai mais velha. A forma como estava agachada era uma característica sua quando ainda em vida. Isso foi um detalhe que mais uma vez trouxe lágrimas ao olhos de Momo.

Sana apenas acariciou sua face e beijou-lhe a testa. Olhou nos olhos negros e cristalinos e então encostou os lábios aos da Hirai, num toque leve e terno. Quando se separaram, Momo não quis arriscar abrir os olhos. Não queria passar pela dor de mais uma vez ter vivenciado uma ilusão.

- Você vem?!

Imediatamente abriu os olhos. Não esperava ainda ouvir aquela voz depois do singelo beijo que Sana deixara. Mas ela estava ali, de pé, com a mão estendida para a Hirai. Sem entender, Momo levantou-se tomando a mão de Sana. Sempre com o sorriso terno, ela guiou Momo até o outro lado da cela.

Ao mesmo tempo em que um portal reluzente se abriu, Momo olhou para o fundo da cela onde estava sentada, notando o próprio corpo inerte, em posição fetal. Ela não assustou-se, mas observou por um tempo. Seu rosto estava pálido e suas mãos mais magras. A franja negra cobria um pouco de seus olhos e em seus lábios residia um leve sorriso. Sua expressão era de alguém que havia encontrado a própria paz.

- Você está pronta? – Sana perguntou, chamando sua atenção.

Ela não sabia para onde estava indo, mas assentiu com cabeça. Aonde Sana estivesse ela quereria estar também, e sentindo o aperto quente em sua mão seguiu sua amada. Sua esposa. Sua amante. Sua alma gêmea.

Mas tarde, no necrotério, residia ao pé da marca onde encontrava-se o corpo, o obtuário.

Hirai Momo (34) - Detenta #09111996

Psicopatia não classificada

Causa da Morte: Taquicardia aguda

Horário da Morte: 06:23 p.m

Considerações: a detenta apresentava fortes traços de depressão severa; dificuldade para comer; transtornos durante o sono; indisposição física; perda de peso gradual.

Considerações finais: declarado o óbito de Hirai Momo em 10/02/2030. Japonesa, nascida em Kyoto.

Bens: um apartamento na região de Kansai; Hyundai azul 2023; poupança de quantia considerável na companhia bancária Yousuuke.

Familiares: -------

PENITENCIÁRIA FEMININA KUDOHINA, TOKYO

FEVEREIRO/2030


Notas Finais


PinkTwice, qual o intuito de escrever essa one?

Eu: sei não pimpolhos. Eu apenas ouvi muito The Neighbourhoods msm, sem brincadeira :p

Então meus amores.. essa é a décima one. Eu to muito grata. Apesar do caos que o mundo ta por causa do Corona (o que abalou minha criatividade e de muitos autores) eu agradeço por vcs terem acompanhado até aqui. Chegamos a ter mais de 50 favoritos e eu sou grata por cada um. Vcs são umas pérolas.

Eu presto atenção no perfil de cada um de vcs kkk Então eu quero fazer uns agradecimentos: @_SaMo_Forever @tuaicezinho @Blink_Once @saidanamo @TwiceK-Fan @Momomywife @DarkSaku @mitsuko_s @Xagatha @Beatxx_ @Strawberry-Girl @chaeyuletters @hananokoibito @_heekkie_ @Flavia-MJ @miyowild @chaeaesthetic @KookDoMochii @TrouxianeDoRole

Vcs foram os 19 anjinhos que tiraram um tempo pra comentar, ao menos uma vez, nessa coletânea. A opinião de vcs foi muito importante. Sempre é, pra qualquer autor, então eu agradeço.

Eu vou dar um tempo na escrita (não muito rsrs) e me organizar.. espero que tenham aproveitado esse tema macabro haha
Desculpem qualquer surto!

PS: RELEIAM OS SOFTS PRA ACALMAR OS ÂNIMOS! KKK


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...