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História Compilado de One-Shots Samo - Capítulo 11


Escrita por:


Notas do Autor


Oin, meus dengos ^^
Voltei! Falo com vcs nas notas finais... segue-se aí uma listinha de elementos dessa one. Leiam e se tiverem dúvidas voltem aqui em cima ou me perguntem, blz?! ;)

Blank You Out: https://youtu.be/bysz_Q2S7G8

Riptide acustica: https://youtu.be/YQmyQqbQlFA

Adrenalina e Noradrenalina: hormônios responsáveis pelo medo, raiva e estresse

Ita: forma na linguagem japonesa de dizer "eita". É uma mania real da Sana que ela não conseguiu largar mesmo hoje em dia

Bansang: aquelas mini mesinhas de jantar no chão dos coreanos

Honoríficos usados: elas são japonesas mas moram na Coreia, entããão...

*PRESTEM BEM ATENÇÃO AO ITÁLICO DAS PALAVRAS PARA NÃO SE CONFUNDIREM*

Capítulo 11 - Inter-D


Fanfic / Fanfiction Compilado de One-Shots Samo - Capítulo 11 - Inter-D

Momo cortava paciente e bem concentrada os alhos-porós na bancada de inox. Cantarolava baixinho, acompanhando a letra e o ritmo de Blank You Out que vinha do rádio em cima da geladeira. Um cheiro de Kimchi tomava conta da cozinha e a luz baixa do ambiente deixava um clima convidativo para se compartilhar uma refeição à dois. Era por este objetivo que a mulher cozinhava.

A escuridão da noite já havia se erguido lá fora e as ruas já estavam iluminadas. Braços finos rodearam a cintura delgada e uma doce fragrância de perfume passeou pelo olfato apurado. Mesmo com o odor persistente do cosmético, Momo podia sentir um cheiro leve e natural que lhe era bem conhecido. Era Sana quem lhe rodeava. Mas quando ela havia chegado do trabalho? Já era noite, mas em nenhum momento a Hirai ouvira o abrir do portão ou o tilintar característico das chaves que, involuntariamente ou não, a namorada sempre deixava cair.

Sana encostou-se na menor tornando o abraço mais aconchegante e carinhoso, cheirando os cabelos curtos. Em resposta natural ao gesto, Momo inclinou a cabeça para o lado, deixando o pescoço livre para receber os carinhos da maior enquanto ainda cortava o alho-poró. Nos lábios nasceu-lhe um leve sorriso, quando sentiu o corpo colado ao seu balançar ao ritmo da música, aspirando e deixando beijinhos na pele oferecida.

- Você chegou cedo – Momo comentou, terminando de cortar o vegetal alongado, mas permanecendo no mesmo lugar, aproveitando os carinhos e seguindo o leve balanço do corpo de Sana.

A outra limitou-se apenas a um murmúrio de confirmação, fazendo carinhos na barriga da menor. Depois de um tempo apenas assim, a música no rádio chegou ao fim e a ponte de silêncio que se formou foi a deixa para Momo virar-se e encarar a que lhe abraçava. Sana estava...

- Meu Deus! O que você fez com seu cabelo? – Sana riu minimamente com o espanto da menor. – Está rosa!

- Sim, ele está – era tão bonitinho ver Momo alterada – Está ruim?

- Não, não, ele está... lindo – riu descrente – Mas, meu Deus, amor! Você decidiu fazer uma aventura hoje? Assim, do nada?

Momo analisava os fios rosa bebê com curiosidade e divertimento, enquanto Sana apenas observava suas expressões.

- Por que ele está molhado? Está chovendo? – Momo olhou pela janela, mas não caía um pingo d’água. – E que roupas são essas?

A Minatozaki olhou para si mesma em sua jaqueta de couro preta. Ela apenas deu de ombros.

- Longa história – sorriu, acariciando os cabelos e o rosto da Hirai.

O rádio voltou a tocar, dessa vez ao som de Riptide, acústica. As duas apenas ficaram ali por um tempo, balançando e trocando palavras baixinho.

- Essa cor fez você parecer mais... – a menor hesitou, pensando na palavra certa.

- Velha?

- Eu ia dizer madura – piscou, vendo a outra levantar as sobrancelhas em divertimento. O clima ameno da noite veranil contribuía para a vibe gostosa do momento.

Sana tomou a mão da Hirai para fazê-la rodopiar ao som da música, abraçando-a por trás novamente quando está completou uma meia volta. Ela adorava estar daquele jeito, daquela forma. Sentia que podia transmitir toda a sua sensibilidade e proteção para outra se a abraçasse assim. Ainda balançando, a Minatozaki cantou baixinho, ao pé do ouvido da namorada uma parte da canção.

- I just wanna, I just wanna know

If you're gonna, if you're gonna stay

I just gotta, I just gotta know

I can't have it, I can't have it any other way...

Momo sorriu docemente ao ouvir a voz suave. Fechou os olhos e deixou-se aproveitar do enlace, da voz, dos cheirinhos e beijinhos da Minatozaki.

- Você está muito romântica hoje, meu bem.

- Eu sempre fui – a mais velha era a única a parecer ligada na conversa. Sana estava mais interessada em apreciar o momento e a mulher em seus braços.

- Sim, eu sei. Mas hoje você parece diferente, amor. E não é por causa dos cabelos – riu, elevando uma das mãos aos cabelos rosas mesmo sem olhar para trás. – Não quer jantar? Eu cozinhei pra você.

- Hmm, agora não. Eu preciso de outra coisa.

Sana continha muita manha em sua voz. Momo achou graça, virando-se novamente para analisar a namorada. A outra tinha olhos tão pidões e penosos que a japonesa não pôde resistir. Em meio a um sorriso terno e cheio de carinho pela visão de uma Minatozaki manhosa e vulnerável, capturou os lábios da mais alta em um selinho, logo transformando o contato em um beijo mais íntimo e calmo.

Sana não estava com pressa, mas parecia ter sede, de um jeito tão carente que transparecia em seu abraço.

Momo andou de costas arrastando a namorada consigo até o fogão. Sem nem olhar, ela desligou o fogo que fervia o molho de kimchi e com um sorriso divertido quebrou o contato da namorada, pegando-a pela mão e correndo para o quarto. Ambas com olhares sapecas e ansiosos, como se fossem duas adolescentes apaixonadas, ao som do último refrão de Riptide.


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Sana apressadamente alcançou o endereço mais do que conhecido e procurou a chave certa do mini portão da casa de dois andares. Já passava das 22h30min, Momo deveria estar preocupada. Duas horas de atraso sem aviso prévio não eram do seu feitio, embora fosse sempre atrapalhada. Acontece que mais cedo em seu horário de almoço, tropeçara numa caixa de correio enquanto enviava uma mensagem carinhosa para a namorada à caminho do Subway mais próximo, consequentemente derrubando o celular num bueiro ao preferir salvar o presente que acabara de comprar para a mesma remetente dos sms’s. Desde então estava sem entrar em contato com a morena de cabelos curtos.

O molho de chaves caiu no chão, escorregando um pouco na inclinação da ladeira asfaltada. A garota soprou frustrada, passando uma mão pelos cabelos castanhos tentando aliviar o estresse. Respirou uma e duas vezes, acalmando-se e recolhendo as chaves do chão. Com paciência, achou a chave certa e abriu o portão, analisando o interior da casa antes mesmo de entrar. As luzes estavam todas acesas, exceto a do segundo andar. Será se a morena estava à dormir?

Depois de se encontrar nos limites do interior de sua casa, a japonesa sentiu-se mais calma. Respirou algumas vezes mais o ar familiar, recostada à porta da sala. Um cheiro leve de kimchi suspendia-se no ar, fazendo a Minatozaki deduzir que o molho havia sido preparado já há um tempo. Uma leve culpa lhe atingiu por saber que já havia jantado, numa reunião absurdamente repentina que seu chefe inventou, e não ter estado ali para provar do prato preparado pela namorada. Buscou consolo ao olhar para a pequena sacola que segurava, contendo o presente que salvara mais cedo.

Sentindo uma recente euforia pôs-se a procurar a outra japonesa, ansiosa para entregar o agrado que escolhera com muita dedicação e carinho. Os cômodos térreos estavam todos silenciosos, o que a fez deduzir que Momo provavelmente estaria cochilando no quarto superior. Naturalmente e sem pressa subiu as escadas em direção ao cômodo íntimo.

A porta estava entreaberta, e de lá mesmo pôde enxergar a silhueta da namorada, deitada de bruços e coberta pelos lençóis brancos. No rosto transparecia uma expressão plena, enquanto ressonava tranquilamente, imperturbável. A falta de iluminação não impediu a Minatozaki de adentrar por completo o cômodo, deixando que a luz lunar e dos postes lá fora fossem o suficiente para lhe guiar pelo espaço. Um sorriso satisfeito lhe alcançou os lábios ao pensar em acordar a namorada com todo o carinho que guardara o dia inteiro, queria mostrar-lhe o presente ainda hoje e trilhou caminho até o corpo sereno.

Contudo, um detalhe peculiar foi o suficiente para fazer a garota travar em meio ao caminho. Sana piscou bem os olhos ao pensar que sua visão estava a lhe pregar uma peça na escuridão do recinto. Balançou a cabeça respirando mais profundamente. O quanto de estresse ela havia passado durante aquele dia para estar alucinando? Ela não lembrava de ter se alterado tanto assim, mesmo sendo forçada a aturar a imprudência de seu chefe na reunião social de última hora que o mesmo bolara. Sana também não havia ingerido álcool algum.

Avançou em passos vagarosos até a cama, observando de perto. Que p*rra estava acontecendo? Alguém mais residia entre os lençóis, dormindo no lado da cama que era o seu próprio. Medo, tristeza e ódio travaram uma luta no estômago da Minatozaki disputando quem subia primeiro às veias tensas. No embate das três emoções, a garota tentava raciocinar a cena à sua frente, sem reações.

Alternava os olhos entre os corpos perceptivelmente nus. Sana não queria crer. Seria Momo capaz de ferir seus sentimentos de tal forma? Traindo-a tão desavergonhadamente em sua própria casa, em sua própria cama? Não. Momo a amava. Sim, Momo definitivamente enfatizava isso todos os dias antes da outra sair para o trabalho. “Eu amo você”, ela sempre dizia. Sana não queria se deixar acreditar que estava mesmo vendo a namorada compartilhar lençol com outra pessoa.

Implorando internamente que estivesse cansada demais para enxergar direito no escuro, e ainda sem reações, caminhou cegamente até o interruptor á frente da cama, ligando o mesmo, apenas para sentir o reboliço tornar-se maior em seu estômago e subir para o peito com a cena que vira.

Ali, tão claro quanto a luz fluorescente do cômodo, uma outra mulher dormia ao lado de Momo. O ar de incredulidade que saíra da boca de Sana foi a linha de partida que definiu qual das emoções chegou primeiro em sua consciência. A tristeza foi minimamente se manifestando, aumentando gradualmente até que os cantos dos olhos da garota estivessem umedecidos.

Alguns segundos depois, a figura na cama se movimentou, aconchegando-se mais ao corpo de Momo. Com isto, a segunda colocada na corrida das emoções explodiu com tudo pelas veias de Sana, transparecendo puro furor em suas feições.

A mulher tinha o rosto parcialmente coberto pelos fios de cabelo rosa, mas isso não impediu de que a luz recém acesa lhe incomodasse. Lentamente a mesma abriu e coçou os olhos, ao mesmo tempo bocejando e sentando na cama, não preocupando-se em cobrir os seios descobertos. Demorou alguns segundos para que ela se situasse, mas o susto que transpareceu em seus olhos ao perceber que estava sendo observada foi o mesmo que refletiu-se na Minatozaki ao analisar a face da figura.

Sana olhava fixamente para si mesma, de cabelo rosa e desgrenhado sentada em sua própria cama. E por mais que a tristeza e a raiva tivessem sido a primeira e a segunda colocada na corrida promovida pelo seu sistema nervoso, o medo desgraçou com toda a estrutura do evento emocional no interior da Minatozaki, evoluindo de um simples receio para pânico total.

Que merda estava acontecendo? Santa imaginação!

A Minatozaki estava pronta pra gritar a plenos pulmões e liberar toda a adrenalina e noradrelina que produziu em tempo recorde, quando a outra versão de si desesperadamente voou em sua direção, tapando-lhe a boca. Foi uma breve luta corporal até as duas chocarem-se contra a cômoda, provocando um barulho alto. Ambas congelaram em atenção à cama, num cuidado instintivo em relação a Hirai que dormia tranquilamente. Ela nem sequer movera-se.

Voltando a si, Sana aproveitou o momento de distração para morder a mão da intrusa fazendo a mesma afastar-se com muito dor.

- Ita... você ficou maluca? Ai... – balançava a mão – Não me lembro de ser tão agressiva assim.

Sana deu três passos para trás, assustada. A voz! Era igualzinha à sua. Logo toda a bagunça de pensamentos lhe atingira novamente, fazendo-a titubear com a tontura repentina. Céus! O que estava acontecendo?

A outra Sana imediatamente catou cada peça de roupa espalhada pelo quarto, vestindo apressadamente. Ao terminar, deu três passos rumo a Minatozaki, o que fez a mesma recuar em pânico e novamente colidir com a cômoda. Dessa vez o abajur que residia em cima do móvel não resistiu a gravidade, abrindo caminho em direção ao chão. Teria sido um grande estardalhaço, se a garota de cabelos rosas não houvesse rapidamente se jogado ao canto da cômoda aparando o objeto.

Mais uma vez as duas mulheres congelaram quando Momo murmurou algo na cama, virando a cabeça para o outro lado, ainda permanecendo de bruços e desacordada.

Devagar e cuidadosamente o abajur foi posto no lugar. Logo em seguida, levando os dedos aos lábios e erguendo a mão em um suplicante pedido de silêncio e calma, a visitante foi cautelosamente se aproximando de Sana, tendo cuidado para não provocar um novo surto na garota que parecia estar MUITO assustada, para não dizer em estado de choque.

Ao cortar distancia o suficiente e ainda implorando por calma e silencio, a mulher segurou no pulso da outra, aproveitando seu momento de choque para conduzi-la quarto afora.

Podia ser uma loucura, mas era real. Havia muita coisa a se explicar.


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O vento fresco do verão que soprava às 23h no terraço agitava os cabelos castanhos de Sana que, sentada em uma cadeira de sol extremamente confusa, sofria de um transtorno interno tentando entender o que estava se passando. Ela não lembrava-se de chegar do trabalho, adormecer e ir parar num sonho de ficção científica. Seus pais tampouco mencionaram a existência de alguma irmã gêmea perdida pela Coreia durante seus 25 anos de idade. E mesmo que tivesse uma gêmea... qual a possibilidade da mesma aparecer do nada e dormir com sua namorada? Aquilo era real? Quem era aquela pessoa? E... que cor de cabelo era aquela? Meu Deus! Quando foi que o mundo decidiu ficar louco?

“Talvez eu é que esteja louca” – pensou. As mãos entre os fios castanhos e o olhar fixo no alongamento do assento mostrava à outra o estado desnorteado da garota.

- Quer que eu repita outra vez?

A voz adentrou os ouvidos de Sana trazendo-a de volta à realidade. A mulher de braços cruzados à sua frente era uma imagem perturbadora, com aquele olhar sério e as expressões, traços e trejeitos completamente iguais aos seus.

- Okay, vamos lá. Me chamo Minatozaki Sana e tenho 28 anos. Eu sou você em outra dimensão paralela a esta. Prazer, Sana-ya.

A mão que foi oferecida pela quinta vez naquela noite em cumprimento ficou estendida no ar, recebendo o olhar assustado de Sana. De jeito nenhum ela ousaria triscar naquela figura.

A outra bufou frustrada, desistindo da tentativa de iniciar um diálogo e jogando-se na cadeira ao lado. O silêncio que se seguiu perdurou por minutos.

Em algum momento a curiosidade de Sana sobressaltou-se no seu consciente. Desconfiada, olhou discretamente para a mulher descansando de olhos fechados ao seu lado. O braço jogado por sobre a testa era um gesto característico de si própria, quando estava cansada. Muito surreal! Cada detalhe da outra era exatamente iguais aos seus. O nariz afilado, o filtro labial que puxava minimante seu lábio superior, o formato dos olhos. Momo realmente confundira aquele ser com sua pessoa? Ela não notara nenhuma diferença sequer? Eram tão iguais à ponto da outra conseguir conquistá-la?

Esta última pergunta fez um estalo ecoar na cabeça da Minatozaki, provocando um esquecimento momentâneo do medo que sentia e permitindo que a garota repentinamente atacasse a outra em busca de evidências.

- Hey! O que você...

Sana conseguiu retirar com certa brutalidade parte da jaqueta de seu “clone”, deixando os ombros da mesma à mostra. A outra imediatamente corou, cobrindo-se rapidamente quando percebeu o que a mais jovem procurava. Mas ela já havia visto. Estava lá. A marca de dentes característica que Momo sempre deixava em seu ombro esquerdo quando faziam amor. Era o sinal de quando atingia o ápice.

A raiva que tomou de conta dos olhos de Sana foi um aviso prévio para a outra se armar em autodefesa, pondo-se de pé rapidamente á dois metros de distância da mais jovem.

- Quem diabos é você e por que dormiu com a minha namorada? – Esbravejou com a voz subindo uma oitava.

- Xiiiu! Pelo amor de Deus, fala baixo. Quer acorda-la? – Passou as mãos pelo cabelo exasperada. – Eu sou você, tá legal? Não tem problema nenhum, ela não traiu você. E se traiu foi com você mesma. Eu SOU você!

- Cale a boca. Eu não sou você e você não sou eu! Essas coisas não existem. Pilantra vagabunda, da onde você veio? Eu vou matar você!

- Sana-ya! – A mulher se aproximou contendo o ataque de nervos da garota – Pare com isso! Olhe para mim, eu sou exatamente igual à você. Meu DNA é o mesmo que o seu.

Sana debateu-se tanto quanto pôde em fúria, mas no fim acabou apenas perdendo as forças e desabando em um choro frustrado. A outra mulher lhe olhou com pena. Apenas ajudou a Minatozaki a se sentar e esperou que ela chorasse até se acalmar.

- Como isto pode ser possível? – Perguntou ainda fungando e limpando as lágrimas. A voz tremia. – Como pode haver duas de nós?

Sana suspirou.

- Eu não sou dessa dimensão.

- Como assim? Isso não existe.

- Era o que a humanidade pensava até o ano de 2000, no mundo em que vivo.

- No mundo em que vive? Meu Deus! Você quer mesmo que eu acredite nisso? – Voltou a chorar. – Eu devo ser mesmo muito trouxa. A amante da minha namorada é uma viajante do tempo, haha! Que piada.

- Não é viajante do tempo e sim viajante interdimensional...

- Ótimo! Me sinto bem melhor – ironizou.

- Sana-ya... me desculpe. Eu não queria...

- O que? Transar com a minha namorada? Acho que você já deixou isso bem claro.

Sana abaixou a cabeça.

Um silêncio se estendeu novamente. Bastante tempo se passou.

- De onde você veio?

Minatozaki surpreendeu-se com a pergunta, mas não deixou transparecer. Já havia desistido de tentar fazer a garota assimilar quem ela era.

- Vim de uma dimensão próxima a esta. Não há nome. São inúmeras dimensões, não há como nomear todas.

- Tá. Okay – fungou. – Suponhamos que isto seja real. Por que está aqui e por que dormiu com minha namorada?

- Sua namorada. Ela é minha noiva na dimensão em que vivo.

Sana piscou, assimilando a informação.

- Oi?!

- Momo é minha noiva. É por isso que estou aqui. Vim à procura dela.

Silêncio. O olhar surpreso da mais nova foi o suficiente para a Minatozaki continuar.

- Como eu disse antes, viagens interdimensionais foi algo que passou a ser estudado pelo governo no ano de 2000, na minha dimensão. Lá é bem mais avançado em tecnologia do que aqui, posso supor. Em que ano estamos?

- 2021 – respondeu no automático, besta pela história que estava ouvindo.

- 2021 e o carros ainda não voam? Inacreditável! Vocês ainda têm muito a descobrirem.

Sana a encarou.

- Ahen... como eu ia dizendo, um viajante Inter-D foi descoberto perambulando pelas ruas de Tokyo em 2000. Por causa disso o governo conseguiu produzir a primeira máquina interdimensional do meu universo. Com o tempo deixou de ser novidade para ser algo banal, como um celular, porém somente o governo tem acesso.

- E como você veio parar aqui?

- Minha prima, Nayeon. Ela sempre foi uma louca metida a cientista. Pôs na cabeça de que por conta própria iria desenvolver uma máquina Inter-D e esfregar na cara da sociedade. Foi aí que as coisas desandaram.

- O que aconteceu?

- Ela conseguiu. Eu e Momo fomos as primeiras, e suponho que as únicas, a ver a invenção. Mas... quando Nayeon ligou a máquina, uma sobrecarga de energia provocou um curto-circuito e... eu e Momo fomos sugadas.

- Como? – Sana estava incrédula.

- Isso mesmo. A máquina nos jogou para dimensões diferentes. – Suspirou. Um sorriso triste brincou no lábios rosados – Estou a dois anos procurando por ela e agora... finalmente a encontrei.

O sobressalto que a Minatozaki deu ao ouvir o que a figura de cabelos rosas lhe dizia foi mais do o suficiente para explicitar o seu desacordo com aquilo.

- O você está dizendo? Quer que eu acredite que a minha Momo é a sua Momo? – Apontava, literalmente reprovando o pensamento. – E Nayeon? Uma cientista? Há! Nunca! Ela é só uma universitária ainda, e das mais festeiras!

- A sua namorada é o ID da minha. Ela sugou a essência da minha Momo.

- O que?

A cabeça de Sana começou a girar novamente. O que diabos era toda aquela história? Meu Deus! Que sonho mais louco estava tendo. O que era um ID? Como assim “sugar essência”? Era informação demais. Ela não queria perguntar mais nada.

Minatozaki levantou-se e andou até o parapeito do terraço. Os cabelos claros já estavam secos e balançavam com o vento. Estava triste, profundamente melancólica. Jamais teria a sua Momo novamente em seus braços.

Era uma das muitas descobertas sobre viagens Inter-D. Quando um viajante permanecia tempo o suficiente perto de seu ID, isto é, sua versão própria da dimensão visitada, corre o risco de ambos fundirem-se em um só. O corpo original simplesmente suga a essência do viajante, mesmo que o “verdadeiro” não perceba.

Era o que parecia ter acontecido com Momo. Sana pôde sentir sua essência na outra desde o momento em que apareceu naquela cozinha. Foi por isto que não conteve-se. Ela não quis conter-se.

As lágrimas ameaçaram a descer, mas imediatamente ela se recompôs.

- Escuta Sana-ya – virou-se, determinada a falar com a mais nova – eu vou desaparecer daqui algumas horas. A máquina automaticamente abre um portal quando estou prestes a ser sugada pelo meu ID, foi assim que cheguei a esta e outras inúmeras dimensões. Mas agora que encontrei Momo não há porque ir embora.

- O que está dizendo? Eu não entendo nada.

- Apenas me deixe aproveitar o tempo que me resta – havia uma súplica no olhar da Minatozaki que fez Sana vacilar. – Eu prometo, não tocarei um dedo sequer nela. Apenas... deixe-me permanecer ao lado dela pelas próximas 2 horas. Por favor?


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Sana observava de cima da escada as duas figuras sentadas no assoalho da casa, compartilhando bansang. O cheiro de Kimchi que sentira mais cedo estava mais forte.

Momo pegou uma colher do molho e levou à boca da de cabelos rosados. Pareciam um casal jantando em uma noite comum. Sana suspirou, cansada. O relógio marcava 01h05min a.m. Até quando aquilo duraria? Ela sentia-se fora de si mesma, jogada obrigatoriamente numa realidade que não fazia ideia da existência.

Voltou ao terraço respirando fundo o ar da madrugada. Momo não a havia traído então? Era isto? Mas... não fora Sana quem tocara o corpo dela, ainda que obtivesse o mesmo DNA de quem fez isso. Essa questão fazia sua cabeça doer e o ciúmes queimar em seu peito.

- Sana-ya – ouviu o chamado. – Já está na hora.

Sana virou-se observando a Minatozaki se aproximar.

- Como você sabe?

A outra levantou a mão direita. Da ponta de seus dedos saíam pequenos pontinhos brilhantes, como se fossem pó de glitter dourado. Eles flutuavam no ar, formando uma linha até o peito da mais nova. Ela nem sequer sentia o contato.

- O que está acontecendo? – Perguntou assustada, vendo os dedos da outra sumirem de pouquinho em pouquinho naquela linha dourada que ligava-se ao seu peito. A outra apenas riu.

- Isso é a minha essência. Você está me absorvendo.

A possibilidade de que tudo aquilo fosse real finalmente fixara-se na mente da de cabelos castanhos, voltando a assustá-la.

- Você vai desaparecer?

- Como prometi. Momo está no banheiro. O timing da máquina foi perfeito.

Ambas as mulheres se olharam. Uma com olhar grato e amistoso enquanto a outra sustentava um olhar temeroso.

- Você vai ficar bem? – Minatozaki riu levemente, dando de ombros.

- Eu não sei. Essa é uma informação que ainda não descobriram na minha dimensão. Pelo menos não no ano em que eu estava lá. Poucos viajantes arriscaram-se ou foram acidentalmente absorvidos, não voltando a serem vistos. Dessa forma não há relatos de testemunhas sobre a experiência.

- Mas... se você sentiu a essência da sua noiva na minha namorada, então... vocês duas estarão presas em nossos corpos?

- Creio que não. Nós SOMOS vocês, esqueceu? Nesse caso se fundir significa unir-me à você. Não pode haver duas de cada uma nessa dimensão, é por isto que as coisas são assim. Talvez agora você acredite que a sua Momo não traiu você.

As palavras atingiram em cheio a mais nova.

- Como você...?

- Eu sinto você.

Dessa vez o olhar entre as mulheres idênticas foi mais profundo do que qualquer outro. Enquanto a linha dourada cruzava a barreira em seu peito, Sana sentiu como se estivesse em uma introspecção jamais experienciada por ela. Poderia dizer que conhecia cada cantinho interior de si mesma, olhando nos próprios olhos como se tivesse um espelho à sua frente.

- Sana? – Ouviu uma voz chamar.

A porta do terraço se abriu revelando uma Momo preocupada. Foi no exato momento em que a garota teve a última visão de si mesma, com aqueles cabelos rosas e um sorriso agradecido nos lábios.

“Cuide bem dela”Minatozaki desapareceu, deixando o sussuro no ar.

Momo aproximou-se.

- Sana? O que faz aqui fora? Está tarde.

Sana não respondeu, ainda atônita com tudo o que acontecera. Momo chegou mais perto.

- Oh! Mas o que...? Sana!

A outra olhou em choque para a morena.

- Como que o seu cabelo voltou ao normal?

- Eu... eu sinto.

- O que?

- Eu sinto e lembro de tudo – sua voz era só um sussurro pasmado.

- Do que está falando, amor?

- Dos seus toques. Do que fizemos mais cedo – estava maravilhada. Passou a língua pelos lábios. Embora não houvesse provado um pingo do molho, Sana podia sentir o gosto do kimchi.

Momo riu contidamente, achando se tratar de mais um dos atos românticos da namorada. Ela definitivamente estava mais apaixonada hoje, e a Hirai amara aquilo.

- Você se refere à quando me amou como se estivesse a anos sentindo saudade? – perguntou sugestivamente, levantando uma sobrancelha e enlaçando o pescoço de Sana.

- E eu estava – respondeu ainda sem acreditar que sentia e lembrava de todas as coisas que a Minatozaki fizera em seu lugar. Era como se ela mesma tivesse feito. Era uma consciência indescritivelmente real.

- E é por isso que eu te amo – Momo beijou os lábios finos com carinho e ternura. – Mas... como você mudou a cor do cabelo tão rápido? É algum truque novo?

Sana não pôde deixar de rir ao pensar na enrascada que a versão de si mesma deixara para trás.

- É uma longa história, meu bem. Uma longa história.

Uniu sua testa a da Hirai beijando-a com carinho. Ela não sabia o que acontecera com seu outro eu. Se esta tinha voltado à sua dimensão, ou se estava presa em si mesma era algo que Sana jamais saberia. Mas ali, beijando Momo, ela teve certeza, a grande certeza que amaria a namorada duas vezes mais depois daquela experiência. 

Por Minatozaki. Por Momo. Por si mesma.


Notas Finais


Olha só, que mente fértil neh minha gente?! O que vcs fariam se encontrassem uma versão de si msm? 😮 Muitcho loko!
Confesso que não gostei dessa one.. a ideia pareceu bem legal quando a tive, mas não sou muito fã de ficção científica kkk A vdd é que eu só queria usar a imagem da Sana de cabelo rosa em algum lugar, sem ser em softs..
Talvez eu apague ela se me incomodar demais tê-la na coletânea. Apesar disso, estou pensando em fazer uma parte dois, já tenho metade do plot planejado.
Enfim..

Como ta o caos aí na cidade de vcs? A minha entrou em quarentena faz dois dias kkkk Carros anunciando pro povo ficar em casa e tudo. E mais uma vez: muitcho loko haushaush
Bjs amores.. depois decido o que fzr com isso daqui.


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