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História Complexo do melhor amigo - Capítulo 22


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Capítulo 22 - Sakura e Sasuke


Eu estava deitada na minha cama de frente para a porta do quarto fechada quando vi a maçaneta se mexer e uma silhueta conhecida aparecer na minha frente.

Faziam quase cinco horas que eu havia colocado Sasuke para fora do meu quarto, mas aparentemente ele não sabia o significado da expressão "me deixa em paz" e voltou com a maior cara de cão sem dono que eu já vi na vida.

Suspirei e me sentei, deixando os ombros caindo e o encarando com o pior olhar de reprovação de todos.

— Sasa, eu não consigo ficar em paz sabendo que você está brava comigo.

Franzi o cenho e contraí todos os músculos do rosto, pronta pra dar um cagaço nele até perder o folego, mas tudo o que eu fiz foi respirar fundo e esfregar o rosto com as mãos freneticamente para descontar toda a minha irritação.

— Senta aí. — Falei, por fim. Ele fechou a porta e sentou tão rápido, como se tivesse medo de eu mudar de ideia numa fração de tempo minúscula como aquela. — Você sabe que o que fez foi bem idiota, não sabe? — Sasuke assentiu, baixando a cabeça. Qualquer um sentiria pena desse pobre coitado se não soubesse que era pura encenação e que ele mesmo sempre disse que aprendeu com o pai. Mesmo eu sabendo que ele estava realmente arrependido, sabia também que ele não estava totalmente.

— Me desculpa por isso, eu não queria te deixar mal com isso, só pensei no seu bem o tempo todo.

— Tá, eu entendo isso. Mas não quero que minta pra mim sobre nada. — Com toda a força que tinha, lutei contra o orgulho para alcançar sua mão que repousava sobre o colchão da minha cama. Apertei com pouca força e vi seus olhos escuros me encararem do mesmo jeito que sempre foram: quentes.

Há quem diga que essa é uma cor triste e vazia, como quando usamos um vestido preto em um funeral. Mas aquele preto? Aqueles olhos? Não. Eles eram vivos e quentes. Tão vivos e tão quentes que eu me encontrava constantemente queimada. Me pegava num estado de torpor e combustão que vinha de dentro pra fora sempre que aquele cara me olhava.

Desde criança. Desde pequenininha eu sabia que aquele olhar tinha mais do que só um par de íris negras, era um infinito escuro e acolhedor, eu me sentia feliz, estava segura.

Até naquele exato momento, enquanto travava uma batalha interna com meu ego ferido, me sentindo boba e decepcionada, eu queria me perder nele.

Afinal, eu o amava.

E éramos adolescentes.

Idiotas.

Sasuke principalmente.

Ainda iriamos crescer muito, eu ainda perderia a paciência com ele pra caralho, ainda morreria de ciúmes dele com alguém e ainda o veria querer arrumar briga por minha causa como o belo retardado que era.

Mas tudo bem.

Eu estava parada por tanto tempo olhando para ele que Sasuke precisou estalar os dedos na frente dos meus olhos para que eu recuperasse o foco.

— Então, como eu estava dizendo... Eu quero mais que tudo que a gente consiga... — Não deixei que ele terminasse, e o beijei de forma simples, fechando meus olhos imediatamente. Senti seu sorriso contra minha boca, e sua mão acariciar meu rosto delicadamente, para só então nos separarmos. Inclinei o corpo para a frente e encostei a testa na sua, mantendo meus olhos fechados e respirando fundo.

Sentia o peso do seu olhar me queimando de pertinho, não me atrevi a o encarar.

— Eu te amo tanto... — Ouvi sua voz baixa, e seu hálito quente contra meu rosto. Estava cheirando a café e bala de menta. Sorri sem jeito.

Então, finalmente abri os olhos. Ele realmente estava me encarando.

— Nossa primeira DR durou menos do que eu esperava. — Disse, empolgada quando o vi franzir o cenho e afastar o rosto para trás.

— Nossa primeira DR foi com seis anos de idade, Sakura. — Ele falou num tom sério, mas bem-humorado, tudo o que eu consegui fazer foi rir enquanto sentava em uma das pernas dele e passava o braço pelo seu pescoço, encostando a lateral da minha cabeça na dele.

— Estou falando de uma DR como namorados, Uchiha. — Sasuke riu e colocou uma das mãos em cima da minha coxa, fazendo um carinho singelo e calmo.

— Então quer dizer que você esperava uma discussão mais pesada? — Nos olhamos e eu dei de ombros.

— Conhecendo o meu temperamento e a sua capacidade de me tirar do sério, eu esperava, no mínimo uma troca de tiros à queima roupa. — Comentei como se fosse a coisa mais normal do mundo, rindo em seguida quando notei sua expressão confusa. — O que é?

— Como é que você consegue? — Ele perguntou, e eu olhei para os lados, depois pra ele novamente.

— O que?

— Eu já passei meses ficando com algumas meninas e eu não senti nem metade do tesão que eu sinto por você. — Era engraçado o jeito que ele falava coisas são indecentes com uma naturalidade estupidamente ridícula. Conseguia me deixar envergonhada e feliz ao mesmo tempo.

— Você não quer um megafone pra que meus pais possam te ouvir? — Me levantei da sua perna e o senti dar um tapa na minha bunda. Fiz uma careta, mas a carinha que ele fazia era demais pra mim. Ele sorriu de canto e eu suspirei. — Seu idiota.

— Falando sério, agora. — Sasuke se levantou, ficando de frente para mim. Eu precisei levantar o queixo para que conseguisse o olhar nos olhos.

— O que?

— Por que a gente nunca fez na piscina?

— Ah, Sasuke pelo amor de Deus.

 

...

 

Apesar de a nossa história ter começado quando eu tinha mais ou menos cinco anos, essa história aqui começou na fatídica noite em que eu enchi a cara e beijei meu melhor amigo.

Quer dizer, ele me beijou.

Ser uma adolescente de dezesseis anos prestes a sair do ensino médio poderia se tornar extremamente empolgante ou estupidamente chato. E de fato, aquele ano começou chato e a tendência era só piorar cada vez mais.

Então eu decidi tomar o drink mágico do Neji, depois beber várias cervejas com o Sasuke, dançar com ele, experimentar um beijo que mudaria toda aquela chatice num passe de mágica. Então tudo começou a ficar empolgante. E de repente, lá estava eu, com uma mala enorme de rodinhas e uma mochila, vendo meu pai fingir que não estava chorando enquanto me abraçava e falava inúmeras vezes para eu ter juízo na faculdade.

Meu voo sairia logo, e minha família estava ali para se despedir de mim, junto com Sasuke.

Depois de um bom tempo sendo monopolizada pelos meus pais, eles me deixaram a sós com Sasuke e sentaram nas cadeiras a mais ou menos cinco metros de distância.

Ficamos em silêncio por quase um minuto, encarando o chão, eu com uma mão na mala e a outra na alça da mochila, ele com as duas mãos no bolso. Foi então que o silêncio foi quebrado por ele.

— Olha, Sakura... Eu prometi pra mim mesmo que não diria isso, mas não vai dar pra evitar. — Nos olhamos, e ele deu um passo à frente. Estava perto o suficiente para me beijar, mas tudo o que fez foi tocar meu rosto com uma das mãos. Ele fez uma cara séria e ameaçadora. — É melhor você não se engraçar com nenhum britânico feioso enquanto eu estou aqui. Se não, eu mato vocês dois e me depois me mato.

Eu ri mas meu riso se desfez assim que soltei a mala e o abracei com toda a força que eu tinha.

Sasuke envolveu minha cintura com os braços e me apertou contra seu próprio corpo, me erguendo no meio do abraço. Meu rosto estava cheio de lágrimas recentes que se misturavam com as que estavam chegando, ele respirou fundo.

— Por favor, não demora. — Ele disse, e nos soltamos. — Me liga todo dia, come direitinho, não arruma briga e para e dormir tarde. — Seus dedos passeavam pelos meus olhos, limpando toda a água do meu choro, mas ela não parava de escorrer pelo rosto. — Eu vou sentir muito sua falta, Sasa. Não vou aguentar olhar pra aquela janela todos os dias e lembrar que o meu amor tá longe de mim.

— Me desculpe por fazer você passar por isso, Sasuke. — Falei, chorosa. Ele negou com a cabeça e sorriu, tentando me consolar.

— Tudo bem, meu amor, tudo o que eu quero é te ver feliz. Quem sabe eu decido fazer faculdade em Londres, também...?

— Eu iria adorar. — Olhei para o alto quando ouvi a chamada para embarcar no avião e respirei fundo. — Preciso ir. Me deseje sorte.

— Antes de você ir... — Ele enfiou a mão no bolso de trás. — Como aquele anel de massinha não cabe mais no seu dedo, mesmo você não tendo crescido lá essas coisas desde o maternal... — Tirou um anel prateado com uma pedra de ônix que ornava delicadamente e me entregou. — É pra lembrar de mim.

Abri a boca para falar qualquer coisa, mas nada saiu. Enfiei o anel no dedo e me apressei, levando as mãos para atrás da minha nuca.

— Bom. — Desprendi meu cordão preferido do pescoço, de forma desajeitada e nervosa e o deixei cair sobre a palma da sua mão. — Então fique com isso.

— Mas você ama esse daqui. — Disse, e eu assenti, sorrindo.

— É por isso que você vai me devolver quando eu voltar. — Sasuke encarou o cordão dourado e sorriu sem jeito. O pingente de esmeralda brilhava e era minúsculo, quase como uma gotinha de verde no meio daquela mão enorme. — É uma promessa de que vamos nos encontrar de novo, mesmo que já seja meio óbvio.

Eu ri.

Ele riu.

— Vai logo, se não você vai perder o seu voo. — Sasuke olhou nos meus olhos e eu o vi ansioso e nervoso. Respirei fundo e assenti, pegando a mala de rodinhas e me aproximando para o dar um beijo demorado (mas nem tanto).

— Eu te amo. — Falei, e ele assentiu, dizendo o mesmo. Olhei para meus pais e acenei.

— Seja a melhor médica de todas! Confio em você! — Ouvi sua voz enquanto me afastava e sentia as lágrimas escorrerem pelo meu rosto.

Estava emocionada, com toda certeza.

Feliz por estar começando uma jornada nova na vida.

Triste por deixar meu namorado e meus pais tão longe por tanto tempo.

E ansiosa pelo que vinha pela frente.

Mas de uma coisa eu tinha certeza quando olhei para trás pela ultima vez antes de embarcar naquele avião: aquele garoto colocando um cordão feminino no próprio pescoço era o homem da minha vida. E eu voltaria o mais rápido possível.

Por ele.


Notas Finais


Então

eh isso

n sei mto o que dizer, so sei que vai ter epílogo kadjaisjdiasjd


obrigada por tudo e pelos comentarios

pelo apoio

pelo amor

fiquem no aguardo que jaja sai capitulo novo de "Pela segunda vez"


obrigada e um beijooooooooooooo


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