História Condenados - Capítulo 45


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Angst, Aventura, Bts, Condenados, Crime, Dark, Drama, Hopekook Mention, Jikook, Jimin!top, Julgamento, Jungkook!bot!, Jungkook!centric, Jungkookbottom!, Juventude, Kookmin, Longfic, Multilação, Namjin, Reformatório, Suícidio, Vhope Mention
Visualizações 1.032
Palavras 4.146
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Policial, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


GENTE LEIAM AQUI!!!!!!!!!!!
LEMBRANDO PRA VOCÊS AQUI: Russell é o nome do diretor do CRJ. Spencer é o diretor deste presídio que o JM está. E é ele aí na capa. (como me baseio. É um personagem da série "Breaking Bad s2")

LEIAM AS NOTAS FINAIS QUE PRECISO EXPLICAR ALGOOOOOOOOOO NÃO PULEM!!!

Capítulo 45 - Capítulo 36.


Fanfic / Fanfiction Condenados - Capítulo 45 - Capítulo 36.

Jimin não podia dizer que lhe era familiar a sensação de estar verdadeiramente sozinho. Pois antes, não importava onde estivesse ou o que havia feito, ele sempre tinha todos ao seu redor.

Daquela vez não.

Daquela vez, seus amigos não estavam consigo. Não havia com quem conversar, ou pra onde fugir para ficar só. Não tinha suas drogas como escape, muito menos alguém para descontar a raiva.

Daquela vez era apenas uma enorme paisagem de concreto e grades cercadas por mato.

Havia vezes – raras estas — na qual ele acordava de um breve sono, e esquecia que seus olhos encontrariam aquele cenário, ao se abrirem. Esquecia que não encontraria sua janela, com seu caco de planta alí. Muito menos sua bagunça esparramada pelo chão do quarto.

Suspirou encarando a cama de concreto à sua frente. Esta que estava vazia pois seus companheiros de cela já estavam do lado de fora.

Suas costelas doíam, e sua garganta estava seca. Sentiu-se mais quente que o normal, e sabia que estava ficando doente novamente. A falta de medicamentos, alimento e calor, estavam o destruindo em poucas horas.

Ainda sentia o gosto de sangue em sua boca, pela noite anterior. Ele não havia tentado lutar. Apenas fechou os olhos e se deixou ser surrado, enquanto contava cada segundo, para que terminasse logo.

Ele sabia que Dean e seus amigos não teriam parado até vê-lo morto, se Domain não tivesse aparecido.

O homem de pele negra e fisico corpulento, conseguiu afastar os rapazes de cima si e os espantar com seu jeito agressivo e feições intimidadoras, antes que o pior tivesse acontecido.

Suas vestes estavam rasgadas e o corpo ferido, quando observou Dean ser espantado com as feições de raiva por não ter conseguido o "principal". Sabia que aqueles três não teriam tido piedade alguma de seu corpo. E não gostou de imaginar como teria sido, se o único companheiro que fizera, não tivesse chegado a tempo.

Jimin permaneceu em seu colchonete, sem as roupas rasgadas, mas ainda com seu corpo machucado e dolorido. E sabia que ficaria daquele jeito por muito tempo. As instalações não dispunham de um leito médico. Muito menos sairiam de uma zona rural para levarem um presidiário a um hospital.

Então mais uma vez dentre aqueles anos, ele permaneceu quietinho até que suas dores passassem, assim como a fome. Respirando fraco, e sentindo o suor escorrer por seu pescoço encolhido. Sentindo aos poucos a febre lhe tomando.

— Park? — ouviu distante. Sua visão estava um pouco embaçada pela febre. — Como se sente? — virou um pouco o rosto, tentando focar no homem sentado no chão ao seu lado.

Mas nada conseguiu responder. Sabia que devia pelo menos um agradecimento ao rapaz. Então o outro continuou:

— Hoje no almoço eles distribuíram bolo — contou se ajeitando melhor. — Achei que gostaria de um pedaço — Jimin ergueu o olhar rapidamente ao movimento que o rapaz fazia, e o viu tirar um amontoado de guardanapo do bolso do macacão, e sentiu seus olhos lacrimejarem, e a garganta arder mais ainda, quando este o estendeu o que deveria ser o pedaço de bolo embrulhado. — Pegue. — insistiu com a mão estendida.

Sem pensar muito Jimin apenas se sentou do jeito que podia, abraçando com uma das mãos, as próprias costelas, que doíam mais que tudo, tentando controlar um pouco da sua tosse, que adquirira com o passar do tempo.

Seu estômago comprimia-se em fome, pois desde do dia anterior, soube que Spencer mandaria que o proibissem de ir ao refeitório. Já era tarde e ele havia perdido tanto o desjejum quanto o almoço.

Sentou-se melhor enquanto o outro rapaz vigiava a porta, e desenbrulhou o que pelo cheiro dsstinguio ser bolo de cenoura. Encarou o alimento com os olhos ardendo, se sentindo fraco, impotente...

— Por que está fazendo isso? — disse trêmulo, com os lábios rachados.

— Garoto, não sou uma pessoa de todo ruim... — suspirou coçando os cabelos ralos. — Sei que você também não é.

— Nem me conhece — disse fraco com a voz rouca, encarando ainda o alimento.

— Te ouvi e te observei o suficiente, garoto. Sou mais velho que você, já fiz o dobro do que aprontou, já sofri o triplo do você está sofrendo. Sei que mereço estar aqui, mas você... eu sinceramente não sei por que te mandaram pra cá. — disse sem o encarar.

E o ex ruivo sentiu seu peito apertar, sabendo no fundo todos os motivos pelos quais ele poderia desconfiar. E ouviu o rapaz continuar, enquanto sentia seus olhos tremularem.

— Sei que não tem justificativa o que fiz sabe? Depois de tudo que aprontei quando jovem, sei que devia ter mudado meu caminho...

— E por que não mudou? — lutou pra dizer enquanto começava a comer.

— Quando eu descobri que ia ser pai, eu... fiquei desesperado. Não tínhamos grana. Não podia largar minha garota na mão. Então aceitei ofertas que não devia, de amigos próximos. E aqui estou. O único que foi pego quando todos fugiram.

Jimin arregalou os olhos ao ouvir o que o rapaz disse. Lembrando-se rapidamente das cenas de quando caiu de cima daquele telhado, e foi abandonado por seu parceiro. Eles tinham muito em comum.

— Eu espero que consiga encontrar elas — Jimin disse sincero.

— Termine de comer. — o rapaz disse apenas, vendo a sinceridade e a tristeza no olhar do mais jovem.

Jimin comeu o bolo entre algumas poucas lágrimas que escaparam por seu rosto. Sentindo o alimento descer ríspido em sua garganta seca.

Ele o devia tanto.

— É o seu pai? — o outro disse der repente.

— Quê?

— Quem você vai procurar quando terminar sua pena. — Jimin o ouviu acariciando com mais cautela agora a área próxima a sua costela, onde estava parte da sua tatuagem. Uma das únicas coisas que se lembrava dele.

— Sim... — disse fraco sem o encarar.

— Bem, eu espero que também o encontre — deu um tapinha leve em seu joelho, enquanto se levantava. — Eu já tenho que voltar pra lá.

— Eu também espero — soou baixo, apenas pra si, enquanto via Domain seguir para fora da cela.

...


Jimin passou o resto do dia em sua cama. O corpo tremia, e ainda temia que os homens da noite anterior, voltassem.

Estava sujo, a quase dois dias sem um banho. Sua febre parecia mais alta e nada deixaram ele comer novamente.

Ele ouvia vozes rondarem seu corpo, mas não saberia dizer quem era. Seus olhos não conseguiam focar em nada. A audição distante, não conseguia capitar uma sequer palavra, da conversa incoerente que o cercava.

Conseguia notar que haviam algumas pessoas perto de sua cama, e então sentiu mãos o tocarem. Nem forças ele teve para se debater.

Estas o seguraram por debaixo do braço, e sentiu-se ser erguido da onde estava.

Seu corpo estava mole. A cabeça pendendo para frente, só enxergou minimamente seus pés serem arrastados, quando sentiu ser levado da li.

Sabia que estava passando pelos corredores, pois identificou os sons das trancas metálicas serem abertas e logo após fechadas.

Sua pele sensível doía ao toque de quem o carregava. Ter febre erra horrível. Odiava se sentir tão submisso a tudo quando a doença o pegava daquela maneira.

Sentiu a claridade invadir seus olhos, e foi posto sentado em algum lugar que não fez questão de abrir os olhos, por conta do frio que fazia ali. Frio esse que piorou dez vezes mais, quando pecebeu suas roupas sendo tiradas. Ele queria gritar pra pararem, mas não tinha forças. Não fazia ideia do que estava acontecendo.

Quando sentiu que estava completamente nu, tremeu espasmaticamente, ao sentir os dedos gelados o agarrarem com força novamente, conseguindo sibilar vários "não" bem fracos, junto a gemidos sôfregos.

As mãos que o levavam o largaram de vez, e jimin sentiu o baque do seu corpo, de encontro com o que seria o chão frio, e se encolheu rapidamente.

Reunindo forças de onde não tinha, Jimin finalmente conseguiu abrir finas brechas entre suas pálpebras, mas tarde de mais para tentar identificar onde estava e o que estava acontecendo, quando sentiu um jato forte de água fria, sobre o seu corpo desnudo.

E então gritou. Gritou até sua garganta implorar por descanso, enquanto tentava respirar, sem se afogar. A água fria por sua pele doía como o inferno. E ele se encolhia na quina da parede de azulejos, tentando se proteger inutilmente dos jatos fortes que eram desferidos contra si, enquanto se debatia tentando ficar de pé, mas falhando miseravelmente, sem forças nas pernas.

— P-parem por favor... — implorou mesmo quando a água já havia sido desligada. — Por f-favor... — seu corpo dava forte solavancos com a tremedeira, enquanto era erguido novamente.

Agora com um pouco mais de força, encarando os policiais pouco amigáveis, o arrastarem pelo banheiro completamente branco.

— Se enxuga. — ordenou um desses, enquanto arremessava uma toalha em sua direção sem o encarar.

Suas pernas lutavam para se manter em pé, enquanto deslizava o tecido por sua pele pálida, mesclada entre as tatuagens e os hematomas escuros. Enxugou os cabelos fracamente antes de ter o tecido arrancado de suas mãos.

— Anda, se veste. Sem demora.

Foi até sua roupa, respirando com dificuldades, e a buscou sobre o banco de azulejos, a vestindo ainda um pouco sem condenação. Encarou os homens fardados à sua espera, e estes pareciam robôs. Nunca o encaravam, sempre com a postura ereta, e rostos sérios.

Assim que fechou o macacão — este que não estava rasgado — e calçou as sapatilhas, foi segurado por ambos os braços, e arrastado de volta.

Com as pernas ainda trêmulas e fracas se esgueirou pelas paredes da ala, até sua cela, entrando na mesma, já com alguns homens, e se deitou com calma na sua cama, puxando o cobertor rapidamente por cima do próprio corpo, enquanto tossia forte, sentindo seus pulmões arderem.

Mesmo que agora sua temperatura não estivesse tão alta quanto antes, estava morrendo de frio. A ponto de constatar uma fraca nuvem de fumaça se formar entre seus lábios, ao respirar com força.

Tudo que ele desejou naquele momento fôra um enorme prato de sopa. Ele jurou a si mesmo que não reclamaria das cenouras nela, mas ele daria qualquer coisa...

Então sentindo seu corpo amolecer com a quentura do cobertor, Jimin adormeceu tentando driblar a fome.

~•~


Na manhã seguinte Jimin havia despertado num pulo. Coração disparado, rosto suado. E a sirene soando alta como sempre. Não havia tido um pesadelo, nem nada do tipo. Só havia se assustado com o som alto.

Se ergueu como os outros para a contagem matinal. E já se sentia um pouco melhor que no dia anterior. Seu corpo já não tremia, e já não estava com tanto frio como antes.

Querendo ou não, as mangueiradas que tomou na noite passada serviram para abaixar sua febre.

Naquele momento ele só seguia a fila com expectativa de o deixarem comer naquele dia. Pois ele já não aguentava mais.

Após o banho e se vestirem adequadamente para o trabalho lá fora, os homens seguiram corredor a fora, e o Park encarou de longe os guardas que permitiam a passagem para o outro lado. Mantendo sua cabeça baixa. Os dedos quase cruzados, atrás das costas, torcia para que o deixassem passar, conforme a fila ia andando e sua vez de passar por este iria chegando. Seu estômago se retorcia, e vez ou outra sentia leves vertigens. Estava fraco...

Seu coração disparou quando se viu cara a cara com o fardado. Estes o encararam e Jimin temeu naquele momento. Já estava preparado para implorar ou até mesmo para dar meia volta, quando estes riram de si, percebendo seu receio, mas nada fizeram e o deram passagem.

Jimin sentiu um calor de alívio irradiar por todo seu corpo, e tudo que quis fazer foi correr até o refeitório.

Quase dois dias inteiros sem comer... Apenas com o bolo de cenoura em seu estômago, todo esse tempo.

Se viu atento ao parar na fila ao lado do balcão de entrega, e todo aquele cheiro de comida, só o torturava cada minuto mais. Seus dedos tremiam, sua boca estava seca, e o suco gástrico corroia suas entranhas.

Assim que sua vez chegou, pegou sua bandeja e talher plástico, e seguiu entre as mesas, encontrando com o olhar Domain sentado só, já que sabia que ninguém se atrevia a se meter com o grandalhão.

— Como se sente pirralho? — o mais velho perguntou brincando, vendo o desespero do jovem, em deslacrar o plástico da comida.

— Faminto. — foi a única coisa que respondeu antes de abocanhar colheradas atrás de colheradas, da mistura do que deveria ser arroz, restos de macarrão, carne e legumes. Enquanto abocanhava o pedaço de pão que viera junto ao copo de suco ainda lacrado.

Comia de maneira estabanada, rápida, quase não conseguindo segurar o talher da maneira correta. O homem mais velho sentado a sua frente o encaravam boquiaberto, mas não surpreso. Havia visto pelo que o mais novo havia passado. Não o julgou, pelo contrário, sorrateiramente empurrou com a ponta dos dedos, o próprio pedaço de pão, ainda intacto, até a frente do outro.

Jimin o encarou sem entender o gesto.

— Pode ficar, eu não estou com tanta fome. — disse sério sem o encarar.

— O-obrigado. — disse sem jeito, aceitando o pão sem questionar mais, ele estava faminto como um cão de rua, que ele se considerava.

Então continuou comendo, com parte do alimento escapando pelas laterais dos lábios, quando encarou o homem a frente somente para rir fraco pelos próprios modos, recebendo um riso engraçado do outro.

Aquele de longe fora o melhor sentimento que fluira em si, desde aqueles anos naquele local. Um sentimento aconchegante, quando Domain o ofereceu seu alimento seus cuidados e seu sorriso. Foi o mais próximo que ele havia chegado do fraternal.

Se sentiu ridículo por estar se sentindo daquele jeito. Até mesmo com vergonha de si próprio. E chegou a desejar em seu interior, que se talvez um dia, ele realmente encontrasse seu pai, que ele fosse tão bom e cuidadoso como Domain.

...

O resto do dia havia sido como todos os outros. Tirando o fato de como havia pego alguns policiais cochichando enquanto o encaravam. Ele não se importou com tal comportamento dos fardados. E não pretendia se preocupar, se não tivesse visto homens engravatados descerem de um carro empresarial do outro lado da cerca. O que não era nada comum, carros como aqueles irem até ali.

Parou de manejar a pá que carregava, e viu quando Spencer os recebeu na entrada distante porém visível aos seus olhos. Estes conversavam observando os locais ao redor, quando um deles, o encarou, rapidamente retirando o óculos escuro, forçando suas vistas como se tivesse o reconhecido. Viu o senhor repor os óculos, e logo entram na instituição. E então voltara a perceber quando os guardas receberam um chamado atravez dos rádios portáteis.

Aqueles dois em questão deixaram o local e então Jimin voltou ao que fazia, ainda muito desconfortável e desconfiado, com as botas atoladas na lama escura, sobe o céu constantemente cinza e carregado. Enquanto reprimia a enorme vontade de tossir. Não o fazia pois sabia que levaria minutos para que passasse, sem contar com a dor que causaria em sua garganta.

Com o passar da tarde, suas costas e coxas imploraram por descanso, o fazendo se jogar na grama, podendo comer suas cenouras a vontade. Ele nunca mais reclamaria delas, por mais que seu estômago se revirasse só de as ver.

Fitou o céu escuro, pelas nuvens pesadas, a única coisa de similar com o Canadá. Aquele clima cinzento o fez pensar "quando poderia conhecer finalmente as tão famosas praias da onde nascera".

A tanto tempo não sentia o calor abundante, do sol, em sua pele. O vento fresco, o cheiro de salitre e o som das gaivotas.

Sentia falta da Califórnia também.

Sentia falta de muita coisa, que aquele clima morto e sombrio, fazia questão de ocultar.

Estava cansado, esgotado. Seus músculos doíam, seus cabelos negros estavam sujos, seus dentes amarelados por falta de cuidados. E sabia que deveria estar cheio de vermes no estômago, de tanto comer aquelas cenouras tiradas diretamente da terra.

Se duvidasse, estava morrendo, e não saberia nunca.

A sirene de retirada soou aos arredores do campo, fazendo os presidiários largarem suas ferramentas e se alinharem para a contagem de entrada.

Assim que entrou, jantou sem pestanejar, e logo em seguida pedira permissão para usar o banheiro.

Sua barriga doía, e sentia que poderia estar morrendo mesmo. Ou na menor das hipóteses deveria estar cheio de lombrigas.

Adentrou o cômodo cheio de cabines sanitárias. Estas devidamente sem portas, como mandava o regulamento. E sem se importar com a presença de um policial praticamente em frente a sua cabine aberta, sentou-se na privada com pressa, sentindo como se um monstro saísse de dentro de si.

Eles não usavam os sanitários com muita frequência, pois também não se alimentavam com muita frequência. Malmente uma refeição ao acordar e outra ao anoitecer. Dificilmente eram agraciados com algo além disso.

— Park! — um outro policial surgiu algum tempo depois, o fazendo levar um susto.

— Puta merda... — disse baixo com a mão no peito.

— O diretor geral quer vê-lo agora. — disse grosso e robótico enquanto permaneceram ambos se olhando por tempo de mais.

— Ok... — respondeu arrastado e meio perdido, já que o homem não parava de o encarar, nem mesmo fazia menção de que sairia. — Será que você podia... — fez um movimento circular com o indicador, sugerindo que este se virasse.

O homem apenas revirou os olhos, bufando alto, e se pôs ao lado da cabine, assim como o outro fazia.

— Sem demora. — ordenou.

Jimin rapidamente fez o que tinha que fazer, dando descarga e logo indo lavar as mãos e o rosto.

Acompanhou o fardado corredores a fora, até estarem frente a sala do homem de maior autoridade alí.

Adentrou o local e logo foi se jogando na poltrona, tendo seu pulso esquerdo algemado, na lateral desta.

— Park! — sorriu com uma falsa surpresa. — Que bom vê-lo. — levantou-se ajeitando o terno. — Soube que tem sido um bom garoto. Nada que um pouco fome não faça hum? — sorriu sínico, e Jimin podia jurar que rosnou de ódio naquele momento.

Ele queria responder à altura, mas sentiu que apenas, devia ficar calado.

— Bem... — voltou a falar, ficando de costas, e Jimin notou a brusca mudança de sua postura, para uma mais... desconfortável? — Hoje é um dia para comemorações! — deu uma palma alta enquanto se virava de volta, moldando um sorriso forçado no rosto.

— E o que exatamente eu deveria comemorar? — desdenhou ainda sentindo sua barriga doer.

— Bom Park, eu pedi para que te trouxessem aqui para finalmente informar que o seu programa de redução está quase concluído! — disse falsamente animado. E jimin apenas franziu o cenho.

— Programa? — questionou lento sem entender.

— Ah sim. Vejamos... — buscou alguns papéis sobre a mesa. — Dois anos e 9 meses de trabalho redutivo comunitário. — sorriu largo.

— E que merda é essa? — se pôs ereto sem entender muito bem, mas já sentindo seu coração acelerar.

— Essa — fez aspas — Merda, reduziu sua pena em 2 anos e 11 meses — Park arregalou os olhos. — Você tinha acumulado durante todos esses anos, no CRJ o total de... Mil cento e oitenta dias, e que daria uns... 36 meses... ou simplificando pra você que nunca deve ter ido a escola, são praticamente 3 anos de acúmulo acima da sua pena, por mal comportamento, mas isso você já sabia não é? — debochou.

— Será que você pode ir logo pra parte que me interessa? — disse apressado e nervoso.

— Bem senhor Park... a questão é que o maravilhoso senhor Russell, tão bondoso, ó céus! lhe enviou aqui para isso. — Concluiu rápido pegando seus óculos e voltando a se sentar em sua poltrona. Jimin o encarou desconfiado, o coração bombeando em sua caixa torácica, tentando assimilar as informações em sua cabecinha confusa e atordoada. — Você sai em 3 meses Park. — o encarou por cima dos óculos, mantendo o bocal da caneta entre os lábios.

— S-sair? — deixou a boca se abrir, sentindo seu estômago se revirar e um turbilhão de pensamentos invadirem sua cabeça.

— Sim meu jovem, vai voltar pro buraco de onde saiu, és muito sortudo devo dizer. Irá terminar seus 1 ano e 9 meses no CRJ, e 1 ano e 2 meses apenas — ressaltou o apenas. — na prisão. Olha que sortudo. — bateu palma tentando fazer graça. E então Jimin ficou sério. Mas não por. muito tempo, pois logo em seguida explodiu em uma gargalhada que fez todos o encararam sérios.

— Cara... — enxugou uma lágrima com a mão livre. — Deu merda não foi? — sorriu largo se recostando na cadeira de modo convencido.

— Como?

— Vocês devem estar com o pé na cova não é? — foi sarcástico. — Essa foi a melhor ideia que tiveram? — ergueu uma das sobrancelhas. — Programa redutivo... — repetiu em tom de chacota vendo o homem a frente ajeitar o aperto em sua própria gravata, chegava a suar de nervoso. — Acha que eu vou cair nessa? Eu sei porque estou aqui, e você também sabe! — gritou ficando vermelho de raiva. — Acham que vão cair nessa?

— Com a sua cooperação, sim! — sobressaltou sua voz, se erguendo e caminhando de forma apressada até o garoto. — Park... — sorriu de forma doentia. — Não piore as coisas pra você e seus amigos... precisa se lembrar, se nós cairmos, vocês também caem. — se pôs ereto, e Jimin sentiu o suor frio escorrendo por suas têmporas. Por mais que quisesse debater, o homem a sua frente estava certo. — Então apenas fica quietinho, aceite a oportunidade que lhe foi entregue, volte pro seu muquifo, seu luxo, suas porcarias, e esqueça. o. resto. — foi duro com a voz elevada.

— Você-

— Você tem mãe não é? Soube que está procurando por um pai perdido... — fitou as unhas, e Jimin apenas trancou o maxilar em desprezo. — Soube que tinha uma grana guardada também. — desviou o olhar das unhas para o encarar.

Jimin trancou a respiração, sem entender como Spencer tinha conhecimento daquilo. Seus olhos estavam esbugalhados e o medo lhe assolou.

Jimin nada teve coragem de responder. Era muita coisa pra sua cabeça. Muita informação. Muita coisa sem explicação...

De forma lenta, tombou a cabeça para baixo, fitando o desenho em seu antebraço... Seu peito bombeou tão forte que achou por um segundo que desmaiaria com a velocidade de sua respiração.

— Você tem 3 meses Park... 3 meses pra se comportar aqui, e pensar direitinho no que vai fazer quando voltar.

Voltar...

Aquela palavra fez sua barriga doer novamente.

— Tem alguma última coisa pra dizer?

Ainda atônito, juntou todas suas forças pra dizer:

— Eu... Eu preciso ir ao banheiro de novo.

~•~

— Está dizendo que vão te levar de volta? — Domain questionou surpreso enquanto ambos já estavam deitados em seus colchonetes.

— Da pra acreditar? — massageou a barriga dolorida, pós passar quase 40 minutos no banheiro.

— Tá desconfiado?

— Pra falar a verdade? não... — encarou o teto escuro. — Não tem nada que eu não espere daquele filho da puta. — disse só pra si.

— Então está ansioso — riu soprado.

— Acho que sim... — encarou a tatuagem novamente.

— Vai rever a pessoa pra quem dedicou isso aí? —Jimin o encarou surpreso. — Quê? Ah olha pra mim garoto... tenho o dobro da sua idade. Acha que não percebi?

— Você é muito observador pro meu gosto — riu emburrado.

— Que nada... Você que é transparente de mais. — riu. — Acha que não dá pra perceber o quanto você suspira quando olha pra essa tatuagem? Ninguém fica tão abobalhado assim por causa de uns riscos.

— Tsc... — estalou a língua não querendo enxergar o obvio. — Ele está lá... — voltou a encarar o teto, sentindo aquele turbilhão de ansiedade tomar seu corpo.

— Acha que ele tá esperando por você?

— Com toda certeza não. — lembrou das cartas dentro do colchão.

— Sei que tô fazendo muita pergunta, mas... gosta dele?

— Já gostei... — disse incerto, com um sentimento que não condizia com suas palavras. — Mas eu tenho muita coisa pra resolver quando chegar lá. Não posso ficar pensando nisso. — apertou os olhos sabendo que aquilo era verdade.

— Tudo bem, eu espero que se resolvam, e que você encontre seu pai. E também... eu não sou bom com conselhos sabe... mas vê se quando terminar tudo isso... não faz besteira de novo ok? — disse com sua voz madura, meio sem jeito com aquilo.

Jimin apenas virou o rosto, com aquele sentimento bobo de novo em seu estômago. E só por um momento, ponderou na possibilidade de levantar e abraçar aquele homem.

— Eu prometo... — sorriu fraco. Sentindo os olhos arderem. Ele o devia muito mesmo...

Jimin não fazia ideia de como as coisas seriam da li pra frente. Tinha muito o que pensar. Planos pairavam em sua cabeça.

E ele só conseguia pensar em uma coisa naquele momento.

Vingança, e acertos de contas.


Notas Finais


Link sobre o presídio que existe de verdade: https://www.elhombre.com.br/voce-acha-as-prisoes-brasileiras-ruins/ vão direto a 6ª.
Link da tattoo pra quem não conseguiu ver: https://encrypted-tbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcThlMTLkTPKj2cO3qFjBsPZ5U86rf2leNeFvuOcA9W6nlZD8Iib

Gente sobre os anos da pena do JM: Ele já havia cumprido uma boa parte da pena dele, e faltava poucos anos pra terminar. Porém, dentro dos centros de reabilitação, tem um esquema que funciona assim; se o jovem infrator desobedece as regras ou tem mal comportamento, ou cria brigas ou qualquer coisa do gênero, eles são castigados recebendo meses de acréscimo. Ou seja, Jimin tinha já quase 3 anos de acréscimo, de tanto acumular meses. Ali no caso ele teve esses meses anulados. Entenderam?

Amem o Domain cara s2

Comentem pq mano.... tô MUITO com pé atrás com esse capitulo.
TÃO PREPARADAS PARA O PROXIMO? SÓ VISTAM SEUS COLETES ENTÃO!


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