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História Confinados - Capítulo 5


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Notas do Autor


Volteeeeeeei.

Um milhão de desculpas pela demora, de verdade. Precisei desse tempo para me curar e cuidar de mim. Espero que entendam.

Boa leitura e perdão por qualquer erro, terminei de escrever agora e não revisei.

Capítulo 5 - Parte Quatro: Divórcio


Depois de vários minutos chorando em meus braços, León acabara se acalmando. O ajudei a deitar na cama e fiquei ao seu lado. Desde então ninguém teve coragem de dizer algo ou de ao menos olhar um para o outro. Eu sabia que aquilo estava incomodando ele. Mas o que eu poderia fazer?

Não é nada fácil saber que o maior sonho da sua vida não poderia ser realizado.

Era como se eu tivesse levado um soco no estômago e não conseguisse me recuperar.

Levei minhas mãos até meu rosto e respirei fundo, tentando assimilar aquela notícia. Mas estava difícil.

— Eu sinto muito. — Ele murmurou e senti seu olhar fixar em mim. No entanto, não consegui retribuir.

— Não é sua culpa.

— É sim. Eu te dei esperanças, Violetta. Eu deveria ter sido sincero e...

— Procurar desculpas não vai adiantar de nada agora, León. — Dei de ombros, sem me importar com qualquer palavra que saísse da minha boca.

Ele se calou.

— Eu só preciso de um tempo, está bem? Vai ficar tudo bem. — Tento reconforta-lo e me reconfortar também. Por fim, me levanto da cama e saio do cômodo sem olhar para trás. Naquele momento eu já não tinha forças para continuar fingindo que eu acreditava nas minhas próprias palavras.

E acho que ele também não.

15 de junho de 2019.

O tempo estava nublado naquela manhã. O céu anunciava que em breve uma forte chuva iria chegar e apressei meus passos para chegar em casa o mais rápido possível. Há algumas semanas comecei a fazer caminhadas antes do trabalho para melhorar minha rotina e minha saúde mental. Tenho que confessar que estava sendo um belo ponto de escape para mim.

Assim que passei pela garagem, notei que o carro de León ainda se encontrava lá. O que era estranho, já que ele normalmente saía durante as minhas caminhadas. Dei uma leve ajeitada em meus cabelos jogando-os para o lado quando estava no elevador e caminhei até a porta, onde usei minhas chaves para destrancar a mesma.

A primeira coisa que senti quando entrei na sala foi o cheiro de bacon vindo da cozinha. No rádio tocava a música preferida dele e consegui escutar seus pés deslizando pelo chão. Não pude deixar de deixar escapar um leve sorriso ao imaginar ele fazendo sua tradicional dança do café da manhã. Ele nunca deixou de fazer isso. Nem nos seus piores dias. E bem, boa parte foi por causa de mim. Ele sempre deixou isso claro.

Mas duvido muito que agora seria por minha causa já que tínhamos voltado para a velha rotina de quase não ter tempo para ficarmos juntos. Eu trabalhava até tarde e quando chegava em casa tudo o que eu queria era dormir.

A partir daquele dia nós dois evitamos de falar sobre aquele assunto. Era doloroso para ambos, principalmente pra mim que ainda não conseguia aceitar muito bem tudo o que passou. Ele sabia disso e respeitava meu tempo. E eu respeitava o dele também.

Andei lentamente até a entrada da cozinha e à medida que meus passos se aproximavam dele, consegui observar a mesa repleta das minhas comidas favoritas. Também havia um vaso no centro do objeto com minhas flores favoritas dentro do mesmo e uma pequena caixinha escondida entre o buquê, o que atraiu minha atenção. León estava de costas para mim e estava sem camisa. Ao mesmo tempo ele cantava distraidamente. Notei que ele tinha emagrecido um pouco e quando iria questionar sobre, ele notara minha presença.

— Você chegou mais cedo hoje. Ainda nem terminei de fazer o café da manhã. — Sorriu.

— Eu acho que não vai ser necessário fazer mais nada. A mesa já está cheia. — Sorri de volta e percebi ele ficar envergonhado.

— Acho que eu exagerei um pouquinho. Mas não importa, hoje é o nosso dia especial e você merece o melhor. — Ele se aproximou e acariciou minha bochecha.

Obviamente eu fiquei confusa. O que tínhamos de tão especial para comemorarmos hoje? E ainda mais depois de tudo o que aconteceu?

Engoli a seco e apenas assenti. Observei ele terminando de fritar os bacons e em seguida ele me guiou até a mesa, onde me fez sentar em uma cadeira próxima da dele. Começamos a comer em um silêncio agradável e quando senti sua mão se encontrando com a minha eu senti meu corpo ficar tenso. E não entendi o porquê.

Tentei manter o toque o máximo possível, mas em um impulso eu tirei minha mão abruptamente da dele.

— Me desculpa. — Murmurei.

León me olhou decepcionado, porém, pude ver que ela compreendia a minha reação. Ele não disse nada por um bom tempo.

— Nem acredito que já faz dez anos. — Ele quebrou o silêncio.

Tentei encontrar memórias desse dia há dez anos atrás, mas sinceramente nada vinha a minha mente e ele não tardou para notar a minha confusão.

— Foi nosso primeiro beijo, querida. — Disse em um tom baixo e desviou seu olhar para seu prato. Seus dedos dedilharam o talher que ele segurava.

Por um momento o constrangimento me calou.

— O tempo realmente passa rápido. — Forcei um sorriso.

— É.

Suspirei e continuei a comer.

De repente, León se levanta e começa a arrumar a mesa. Coloca todos os pratos sujos no lava louças e por fim pega a caixinha dentro do buquê.

— Feliz aniversário de dez anos. — Ele me entrega a caixinha e deposita um beijo breve no topo de minha cabeça antes de virar-se de costas e sair dali frustrado.

Encarei o objeto em minhas mãos, pensando se deveria ou não abri-lo. E sinceramente eu não tinha a mínima vontade de saber o que era. Então apenas o guardei no fundo de uma gaveta e deixei por lá. Era o melhor a se fazer.

Os meses foram passando, já era setembro e a cada pôr do sol que ia embora, ficávamos cada vez mais distantes. A medida que eu rejeitava suas tentativas de se aproximar de mim, ele aos poucos começava a desistir.

Já não dormíamos na mesma cama e sequer comemos juntos, até mesmo no jantar. Agora eu que chegava cedo em casa e ele chegava quase ao amanhecer. Uma parte de mim até deduziu que ele estava me traindo, entretanto, eu sabia que ele jamais faria isso comigo. León poderia ter vários defeitos, mas ser infiel não era um deles.

O jantar com os amigos e parentes eram raros. Meu pai inclusive estranhou. Sempre fomos o tipo de casal que adorava a companhia dos amigos e dos familiares, mas até isso tinha mudado.

Agora era exatamente dez e meia da noite e era uma noite rara em que ele se encontrava em casa. Eu estava tentando assistir um seriado qualquer na televisão, todavia, a curiosidade de saber o que ele estava fazendo me instigou a procurá-lo.

O encontrei em nosso quarto de costas para mim e usando apenas uma toalha em sua cintura. Seus cabelos estavam molhados, o que me deu a certeza que ele acabara de sair do banho. Digitava algo em seu celular e notei que ele não parava de sorrir.

— Você está bem? — Chamei sua atenção. Ele voltou seu olhar para mim e bloqueou a tela de seu celular.

— Estou sim. Qual o motivo da pergunta?

— Só queria saber mesmo. — Sorri levemente, mas ele não retribuiu. Meu olhar desceu para seu corpo e pela primeira vez em muito tempo senti vontade de toca-lo. Percebi que ele tinha voltado ao seu porte físico ideal e tinha deixado a barba crescer.

— Bom, você já descobriu a resposta.

— Não precisa ser grosseiro. — Rebati.

— Só estou te tratando da mesma maneira que você tem me tratado nós últimos meses.

— Você tem que entender que não está sendo fácil pra mim lidar com isso, León. Você sabe o quanto eu desejava ser mãe e...

— Tudo o que eu fiz nesses meses foi te compreender e te dar apoio, Violetta. Até mesmo quando eu enfrentava os meus traumas. Te coloquei acima de mim e dos meus sentimentos porque eu não aguentava ver você sofrer. E você ao menos pôde pensar o quanto me doeu saber que eu não poderia realizar o seu sonho de ser mãe?

— Esse é o problema. Sempre foi o MEU sonho, e não o seu. — Gritei. — Você poderia ao menos ter sido sincero e ter dito desde o começo que não queria uma família comigo.

León me olhou incrédulo.

— Depois de todos esses anos, você acha mesmo que todas as juras de amor, todos os nossos planos e promessas foram falsas? Acha mesmo que eu faria isso com você?

— Eu não sei mais quem é você, Leonard.

Nos olhamos intensamente. A essa altura as lágrimas já saíram descontroladamente do meu rosto e tudo o que eu mais queria era que ele me puxasse para os seus braços.

Mas ele não o fez.

Pela primeira vez eu vi um León abalado e destruído. Era como se ele esperasse por isso para ter coragem pra fazer o que ele tanto evitava.

— Não consigo mais viver assim. Não consigo mais te olhar e ver que tudo o que você sente por mim é mágoa e dor. Não posso fazer isso comigo e nem com você. Não consigo mais suportar acordar e saber que nunca serei o bastante pra você. Que nunca vou conseguir te dar o que você tanto quer. Não posso tirar isso de você. 

— León...

— Eu quero o divórcio, Violetta.


Notas Finais


Não fiquem com raiva deles por favor kkkk cada um tem uma maneira de sentir e pra Vilu é difícil lidar com tudo isso.

Eu estava lendo os últimos capítulos e percebi que estava enrolando muito e decidi acelerar algumas coisas, mas não vai ser nada que altere a história.

E claro, muito muito obrigada pelo carinho e por gostarem tanto da história. O apoio de vocês é muito importante pra mim. Obrigada mesmo ♥️


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