História Confissões de Elenco - Stemily - Capítulo 54


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Palavras 5.357
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Ficção Científica, Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 54 - Proposta atualizada


Fanfic / Fanfiction Confissões de Elenco - Stemily - Capítulo 54 - Proposta atualizada

Não deu certo minha estratégia de me esconder para agonizar sozinha. - Willa me encontrou  - é claro que ela me encontrou - tremendo de angústia nas escadas.

E eu realmente não queria ser um peso naquele momento, mas a dor é egoísta. Ela não quer saber se o amigo está num momento propício pra te ouvir ou não. Ela só quer se manifestar e ponto. 

 

__...Amiga... ele... O Brand... -nem consegui completar o nome dele, doía demais -  ele virá acompanhado. -Eu falei num grunhido condoído entre os dentes, no momento em que as luzes automáticas das escadas de emergência se acenderam.

 

__É, eu tô sabendo. -disse minha amiga, num suspiro revoltado. E se sentou ao meu lado. 

 

Eu estava suando, então Willa prendeu meu cabelo num coque no alto da cabeça, e eu desmanchei com o gesto de carinho, tombando como uma garotinha chorosa em busca de consolo e comecei a lacrimejar copiosamente. Eu ainda não tinha conseguido chorar até aquele momento, acho que estava em choque, e ficou tudo retido dentro de mim, como uma panela de pressão, prestes a explodir. 

Parece que a tristeza gosta de plateia, só pode, porque foi só a Willa chegar para eu conseguir chorar. 

__Ele já está com outra amiga... ele ... - soluços - ele está com outra... - lamentei, escondendo meu rosto no colo dela.

 

Willa não disse nada durante um longo tempo, ela sabia que nenhuma palavra surtiria efeito aquele momento. Eu me espremia ainda mais para caber em seu colo condolente, enquanto ela me acolhia e me abraçava como se tentasse sugar aquela maldita dor de mim. 

 

Não sei quanto tempo ficamos ali, só sei que as luzes de emergência se apagarem novamente e ninguém nos viu encolhidas  nos degraus escuros...

 

  Enquanto eu chorava com o estômago contraído de desgosto, o corpo trêmulo e a garganta ardendo, Willa começou a balbuciar uma canção suave, tão baixinho que eu mal conseguia compreender a letra. Mas acho que era algum louvor, porque senti uma parada meio espiritual tomando o ambiente. E minhas emoções foram se acalmando. De repente, meu choro de desespero virou um pranto de gratidão por ter minha amiga ali comigo naquele momento. 

 

Imagina passar por isso sozinha? Sabendo que qualquer pessoa que se importe ou compreenda estaria a milhares de quilômetros de distância de mim? 

 

Levantei a cabeça e as luzes se acenderam novamente com o movimento. 

Willa parou de cantar, e eu quase pude ver o reflexo do meu sofrimento nos olhos dela. 

__Obrigada por ter vindo amiga... desculpa, obrigada, eu te amo, desculpa por estragar seu dia, desculpa... obrigada por estar aqui, obrigada. - eu estava sendo repetitiva e dramática. 

Ela esboçou um sorrisinho emocionado e afastou os fios de cabelo que estavam todos grudados no meu rosto molhado. 

__Agora nós somos mais que amigas, somos família. - Ela disse apertando minhas mãos  - Já parou pra pensar nisso, cunhadinha? Estamos ligadas pra sempre. Você vai ter que me aturar. -Brincou com os olhos igualmente lacrimejantes. 

E mesmo chorando eu consegui sorrir.

 

Me recompus da forma que deu e voltamos pra casa. Brantina, minha cachorra estava inconsolável me esperando na porta. É impressionante como os animais sentem quando a gente está triste...

Graças a Deus, nós terminamos logo a tarefa dos convites e todos saíram para visitar mais algum ponto turístico do Rio. Claro que insistiram para que eu fosse junto. Mas por mais que um passeio fosse propício pra me distrair, eu sentia que precisava daquela 'sofrência', sabe? Como se ela fosse uma aliada inconveniente, mais fundamental. 

Eu precisava sair daquele estado de negação e encarar a dor, até porque, eu dependia dela pra crescer. 

Finalmente aprendi a não empurrar minhas frustrações pra debaixo do tapete. Eu não queria camuflar a dor, queria me livrar dela! E para me libertar, eu precisava deixá-la vazar. Parece masoquismo mais não é, o sofrimento faz parte do processo de superação, tudo que a gente guarda a gente carrega, e eu não queria carregar aquela dor. 

   Irônico como até se permitir viver um sofrimento pode ser encarado como um ato de coragem. 

 

 Willa Ainda se ofereceu para ficar comigo, mas eu não permiti. Ela se mudaria para morar em São Paulo com meu irmão depois do casamento, então era natural que estivesse ansiosa para conhecer o máximo possível do Rio de Janeiro, e eu não queria tirar isso dela.

 

__Eu realmente quero ficar um pouco sozinha agora. - Garanti enquanto a convencia de ir com eles no passeio. 

 

Mas eu não fiquei sozinha completamente, Brantina estava comigo. Minha cachorra, minha companheira, minha filhinha. Ela tinha crescido tanto nos últimos meses... se deitava ao meu lado na cama abanando o rabinho peludo,  e se aninhava em mim. Eu nunca mais precisei dormir abraçada num travesseiro depois que essa almofadinha viva entrou na minha vida. 

Acabei adormecendo e quando acordei já era noite. 

Willa me mandou mensagens no WhatsApp  pra avisar que  David e Katie tinham conseguido comprar passagens para o dia seguinte, e sairíamos para tomar uns drinks em um badalado Bistrô do Leblon na próxima noite. 

 

"Ok, isso vai ser legal" - Respondi, pensando que legal mesmo seria se a Emily e o Stephen já estivessem vindo também. Mas ao que tudo indica, eles só conseguiriam estar presentes na semana da festa mesmo... Dei um suspiro trêmulo e passei para as outras redes sociais, cumpri com meu ritual diário de stalkear o Brandon, mas tudo estava diferente agora. Porque por mais que nossas fotos ainda estivessem lá no Instagram dele, por mais que aquilo me confortasse ao constatar que nossa história realmente aconteceu, por mais que ele não tivesse postado nada que revelasse que estava num novo relacionamento; Eu já sabia de tudo! E estava engasgada de repulsa por saber que fui idiota durante tantos meses, acreditando que ele não estava com ninguém, só porque não tinha postado nada nas redes sociais. 

Meus músculos começaram a se contrair de desgosto, esmagando meus órgãos internos. Eu estava sendo sufocada pela pressão no meu peito. O coração batia na garganta. Era agonizante! 

Os soluços do choro condoído me alcançaram antes mesmo das lágrimas, e Brantina ficou apreensiva, gruindo e lambendo meu rosto. 

Parei de chorar antes mesmo de começar a lacrimejar. 

Dei um suspiro trêmulo e larguei o celular na cama. 

Fui picada por uma abelha enquanto varria a varanda com vestígios de farofa de churrasco. Meu organismo sempre foi meio intolerante a picada de insetos, então eu tomei um antialérgico. Isso foi bom, porque me deu muito sono e dormi de novo. 

 

No outro dia, eu já acordei em cima da hora pra para ir pro trabalho.

Mais um dia idiota, naquela loja idiota, cercada de pessoas idiotas! 

Eu estava revoltada. (Sentir raiva é menos torturante do que sofrer) então me alimentei de tudo que me estressava e tirei o dia para ficar secretamente puta. Não disse nada, não xinguei nem destratei ninguém. Mas minha cara fechada já continha um aviso eficiente: "Não se aproxime".

Nem mesmo meu gerente estúpido se meteu a besta comigo naquele dia. 

 

Depois do trabalho eu fui buscar a Katie e o David no aeroporto, eles chegaram acompanhados de um cara alto e atlético, chamado Mike, ele era Personal Trainer, e estava pegando a Katie. 

Willa, Miguel, Dakota e Colton foram também. Jantamos todos juntos num restaurante de frente para a lagoa Rodrigo de Freitas, e de lá fomos para o Bistrô no Leblon. Eles queriam bebeeeer! (E eu também).

Me esforcei mesmo para me divertir com meus amigos, mas a porcaria do rosto do Brandon e o fato de ele estar com outra não saia dos meus pensamentos. Mas eu estava me sustentando como dava.

 

Ainda bem que o David tb não tinha namorada, se não eu estaria cercada de casais por todos os lados: Willa e meu irmão, Colton e Dakota, Katie e o Personal... e por falar em casais, tinha uma parte lá no bistrô, onde as pessoas ficavam de pé, num ambiente mais escuro e com música animada. Não chegava a ser uma pista de dança. Mas as pessoas de classe A que frequentavam o local ficavam flertando e se balançando ao ritmo das musicas, com seus drinks na mão. 

Eu dei uma fugida até lá para pegar um drink, e fui abordada por um cara que se ofereceu para pagar minha bebida. Recusei educadamente e continuei aguardando meu pedido, torcendo para que ele se mancasse e fosse embora, mas ele não se mancou. Ficou puxando assunto, e eu respondendo de forma monossilábica, nitidamente entediada. 

O sujeito não era bonito, nem legal. Ou talvez fosse legal, mas eu não estava interessada. Queria ficar na minha. 

 

__Eu disse que não precisava. -Falei num estalo, quando percebi que ele pagou pela minha bebida no momento em que o barman a trouxe. - Mas obrigada. - Completei, num misto de revolta e constrangimento. 

O sujeito deu de ombros numa expressão gentil.

__De nada. Eu me chamo Douglas, e você? 

__Milena.

__Milena, bonito nome! - Ele se aproximou um passo - Combina com você.

Dei um sorriso amarelo. Eu nem estava olhando pra ele. E me senti encurralada porque não queria companhia, mas também não pretendia sair dalí e voltar pra mesa e ter que sorrir para os meus amigos - eu não estava afim de sorrir - estava triste, queria o Brandon... Deu vontade de gritar para aquele tal de Douglas me deixar sozinha. 

Eu só queria tomar me drink em paz, poxa. 

 

__Mas, hein? O que uma mulher tão bonita faz sozinha num bistrô à beira mar? -Continuou o intruso.

 

__Não estou sozinha. -Respondi secamente.

 

Ele sorriu.

__Claro que não, agora não - ele se aproximou mais, eu me encolhi - Você parece reflexiva, não gostaria de ir para um ambiente mais silencioso, para a gente trocar uma ideia?

 

Dei um gole impaciente no meu drink e desviei ainda mais o rosto, quase torcendo meu pescoço para outra direção.

__Não. 

 

Ele me tocou de leve no braço, e eu me senti invadida.

__Tem certeza? -Insistiu.

 

Neste momento, uma voz imponente me fez virar novamente na direção do cara:

__Hey bro! Some problem around here? -Questionou Colton, com o semblante ameaçador e a mão no ombro do sujeito que desviou de forma brusca. 

 

__Êi Milena, qual é a do gringo? - Ele me perguntou se recompondo com um sorriso sem graça. 

 

Colton se colocou Entre ele e eu.

__Is he bothering you? (ele está te incomodando?) -Me perguntou, sem tirar os olhos do cara impertinente.

 

__E-Ele...

 

O tal de Douglas não se intimidou.

__Hey docinho, você conhece esse doido desprovido de tecla sap?

 

Colton obviamente não compreendeu o que ele disse, mas capitou o tom de deboche, e se emputeceu com a petulância do rapaz que continuava se dirigindo à mim.

__Are you kidding me? - Esbravejou, pegando-o pela gola da camisa e o empurrando de ré, para longe de mim.

O drink que o cara segurava caiu no chão e sua expressão se tornou igualmente severa.

 

Parei de respirar.

__Gente, calma! -Foi a única coisa que consegui dizer.

 

Vários olhares curiosos na nossa direção, e os seguranças chegaram rápido para apartar o início da confusão. 

O cara respirou fundo ajeitando a camisa, e se retirou enquanto Colton se explicava ao segurança, com o semblante indignado. 

 

Um funcionário que parecia ter um cargo importante chegou rápido, e parecia se desculpar pelo ocorrido. (brasileiros realmente pagam pau pra gringo). 

 

Colton fez um sinal de que estava tudo ok e veio até mim.

__Êi, você está bem? -Ele perguntou bem sério e com resquícios de preocupação.  

 

__Ahãm. -Respondi, ainda meio perplexa. Foi tudo rápido demais. - Obrigada. 'Eu acho"***... (essa ultima parte eu balbuciei em português).

 

__Veja pelo lado positivo - Ele disse, erguendo uma sobrancelha e voltando ao seu típico tom naturalmente charmoso - O estabelecimento nos garantiu bebidas de cortesia pelo resto da noite, como forma de desculpas. 

 

Não pude evitar o sorriso.

__Isso é sério?

 

Ele assentiu sorrindo e perguntou se podia se sentar ao meu lado em uma das altas e sofisticadas cadeiras à beira do balcão do bar. Dei de ombros com um sorriso sincero e ofereci um gole da minha bebida. 

Ele aceitou.

Seus dedos tocaram os meus de forma sutil na hora de pegar a taça, não sei se foi proposital. Mas causou efeito.

 

__Então quer dizer que voltamos a ser amigos. -Impliquei.

__Nos já fomos amigos? Ele retalhou.

 

Franzi o senho 

__Nossa, essa foi pesada. 

 

Ele deu um sorrisinho de canto de boca e inclinou um pouquinho a cabeça, baixando o tom de voz, como se fosse me contar um segredo. 

__Desculpa, é que... Ser só seu amiguinho nunca foi minha intenção. 

 

O gole de sei lá o que eu estava bebendo parou na minha garganta. 

Colton era muito direto, eu não estava acostumada com isso, mas gostava... Gostava ao ponto de retribuir o olhar intenso que ele me lançou.

E eu não faço a menor ideia do porque de ter correspondido aquelas faixas, especialmente naquele momento. Mas sei lá... todo mundo gosta de se sentir desejado. E ele sabia bem como fazer uma mulher se sentir atraente e bonita. Parecia um lobo sedutor, com aqueles olhos hipnóticos em mim!

Ele encarou para minha boca por um ou dois segundos, tempo suficiente para eu ficar sem graça e desviar o olhar. 

 

Depois ele ainda fez menção de tocar minha mão sobre o balcão, e eu não vou negar, fiquei na expectativa do contato. Mas aí seu telefone apitou fazendo-o parar para checar.

Pude ver a prévia da mensagem na tela. 

"Cadê você?" -Perguntava Dakota. 

 

__Bom, parece que sua donzela o aguarda. -Brinquei para camuflar a pintadinha de ciúmes. 

Eu nem tinha motivos para ter ciúmes, gente. Devia ser pura implicância pela Dakota mesmo.

 

Por falar nisso, horas mais tarde eu os vi se beijando quando fui tomar ar na varanda, me sentia meio tonta por beber demais, mas não pude deixar de nota-los no escurinho...

Sabe aquele tipo de casal que você simplesmente não consegue parar de olhar. Eles pareciam tão excitados. Nossa! Chega me deu uns trimiliques! ***

 

Fiquei sem graça ao perceber que fui flagrada e me fiz de sonsa, me apoiando na sacada para observar o mar noturno com meu martini na mão, fingindo que nem os tinha notado. Mas nenhum dos dois pareceu se importar com minha presença distante. Pelo contrário, continuaram se beijando, mesmo quando eu desviei o olhar (percebi isso pela minha visão periférica). 

Esperei para saber se Colton a evitaria quando me visse - pois tenho certeza de que essa seria a atitude de um homem digno, como o Brandon, por exemplo - Mas Colton não ligava pra dignidade. Ele era um ogro egoísta, convencido! E o que mais me incomodava era o fato de eu me importar com isso.

 

No dia seguinte,

todos estavam reunidos na minha sala, jogando conversa fora e esperando pelas pizzas que pedimos pelo telefone, eu me demorei um pouco na cozinha, procurando pelo orégano perdido em algum lugar das minhas prateleiras desorganizadas, foi quando senti a presença de alguém se aproximando sorrateiramente por detrás de mim.

__Dakota disse que fica muito excita quando você nos encara quando estamos nos beijando... 

 

Me virei bruscamente, só para me deparar com aquele típico sorriso sacana que Colton expressava no cantinho da boca.

__O que que disse? - Questionei num misto de constrangimento e confusão. 

Ele segurou o riso e alcançou o vidrinho de orégano que eu não tinha visto na prateleira de baixo.

__Você não sabia que a Dakota é bissexual? - perguntou, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo - Ela também te acha uma tentação... -Completou, passando os olhos sugestivos direto para o meu decote. 

 

Peguei o tempero da mão dele e fechei a cara.

__Sinto te decepcionar, mas nunca vou fazer um menage com vocês dois. - Rebati, com uma pequena dose de humor negro. 

Eu já estava com saudades disso, não haviam muitas oportunidades de usar o sarcasmo no Brasil.

 

Ele sorriu de uma forma irritantemente sedutora e me encurralou contra as prateleiras.

__Você acha mesmo que eu te dividiria com alguém se tivesse a oportunidade, de...

__Colton, para. - Pedi de olhos fechados, sem conseguir evitar a imagem de nós dos numa relação íntima.

__...O que foi?  - Ele perguntou com a voz sussurrante no meu ouvido, enquanto acariciava levemente minha nuca com uma mão, e pegava na cintura com a outra. 

Eu fiquei fora de sintonia diante da eletricidade que percorreu todo meu corpo. A respiração dele tocou meu rosto de forma envolvente, e toda minha pele se tornou sensível feito um fio desencapado prestes a tocar numa tomada de 220 volts.

 

__Latina... -Ele passou bem de levinho a ponta dos dedos por de baixo do decido da minha blusa, na altura das costelas. -Isso te excita?

 

__Colton... -Engoli com dificuldade - Você tem namorada. - Sibilei baixinho, sem força nenhuma para desviar.

 

__É um relacionamento aberto - Sussurrou, mordiscando minha orelha.

A pele toda se arrepiou. 

__Ainda assim - sussurrei de volta, com ares de sofreguidão - Colton, para. Eu não quero...

Minhas palavras soavam sem credibilidade alguma diante das minhas mãos teimosas que pairaram sobre as costas dele, louca de vontade de lhe encravar as unhas e puxar para mais perto ainda.

O calor da boca dele me deixando louca, e aquele lábio carnudo estava prestes a sugar os meus quando o som da porta da cozinha se fechando nos fez pular de susto.

Era a Willa, com uma expressão de quem nos interrompe de propósito.

 

Colton recuou com insatisfação e balançou o vidrinho de orégano diante do rosto dela. 

__Estão esperando por isso na sala. - Ele ironizou ao passar por Willa para se retirar. 

__Não esquece de tirar o vidro de katchup da calça antes de chegar lá, tá fazendo volume... - Ela ironizou de volta. Seu tom era áspero. 

 

Eu arregalei os olhos diante de tamanha indiscrição.

__Willa! 

 

Ela direcionou o rosto novamente para mim e cruzou os braços pisando firme na minha direção.

__O que que você está fazendo? - Questionou baixinho, com um inusitado ar dê reprovação.

 

__Nada de mais! - Respondi, me afastando de uma forma quase rude. 

 

__Você estava sarrando com o Colton.

 

__Nada que você já não  feito isso antes! -Rebati.

 

__Não com a namorada dele na sala. -disse por entre os dentes para controlar o volume da voz.

 

O fato de ver minha amiga defendendo a outra amiguinha acendeu um tom ciumento e petulante que eu nunca tinha usado com ela antes.

 

__Você tá me julgando? - Retruquei, com plena consciência do meu ar de acusação, que certamente a fez lembrar de todos os erros que já cometeu na vida.

 

__Ok, Latina - ela manteve a expressão durona, embora ofendida - Se é esse o tipo de pessoa que você quer se tornar. eu é que não estou mais aqui pra "te julgar". 

 

__Willa, desculpa. Eu...

 

__Tá tudo bem, Latina. Esquece. 

 

Dizendo isso, ela voltou para a sala e eu fiquei mais um tempo sozinha na cozinha, processando os últimos acontecimentos e me sentindo lixosa! Se tem um tipo de gente que me causa asco, esse tipo é aquele que conhece as falhas de uma pessoa que confia de confiança, e as usa como argumentos de defesa diante de uma discussão. 

Eu não precisei mencionar cada erro da Willa para fazê-la sacar minhas intenções nas entrelinhas. 

E o pior de tudo é que eu tinha consciência do quão arrependida ela estava da maioria das suas atitudes passadas, principalmente pq as pessoas amavam jogar isso na cara dela, era um rótulo que não condizia mais com quem ela estava se tornando. Eu sabia o quanto isso lhe fazia mal, e me senti um nojo de pessoa por ter agido daquela forma. 

 

Depois voltei a socializar como se nada tivesse acontecido. E me espantava perceber como Colton era capaz de fazer o mesmo. Willa e meu irmão foram embora cedo, mas todos os outros estavam bem dispostos ainda, então resolvi beber um pouco pra ver se o álcool dava um jeito no meu astral, eu precisava dar risadas tão verdadeiras quanto as que todos estavam dando das piadas do David. Ele era bom nisso, eu é que não tava no clima, então ficava forçando o riso. 

Deprimente. 

 

Mas não deu certo minha estratégia de me embriagar para tentar me alegrar. Pelo contrário. Comecei a ter vontade de chorar e já não conseguia ser bem sucedida na minha atuação de fingir que estava tudo bem.

 Eu estava sentada no sofá, entre katie e Dakota quando a minha cara de cú começou a brotar.

 

Katie me perguntou se eu não estava me sentindo bem, e sem pensar duas vezes. Comecei a lamuriar desabafos desconexos quanto à minha frustração por não estar mais com o Brandon. Ela me ouvia do jeito que podia, mas estava mais bêbada do que eu, e toda hora alguém interferia, então sua atenção estava um tanto quanto comprometida. Em determinado momento, Mike a puxou para dançar no meio da sala e eu fiquei abandonada com as palavras entaladas na garganta. E já sentia o peso de todas as lágrimas retidas querendo transbordar como uma avalanche, quando senti um toque leve e delicado no meu ombro.

__Você quer falar mais? -Perguntou Dakota, num tom compreensivo.

Eu não queria, eu precisava.

 E talvez o desentendimento com Willa tenha aguçado ainda mais meu sentimento de abandono. Era como se agora sim eu eu estivesse completamente só. Acontece que Dakota era a última pessoa com quem eu buscaria consolo. Mas seus olhos eram tão gentis que me quebrantou. 

Contei toda história para ela, desde o momento que pisei no Canadá, até a perda do meu bebê e o término traumático com o Brandon. 

 

A embriaguez me encorajava a dar mais detalhes do que deveria ou precisava, mas Dakota não pareceu se incomodar com minha falação desenfreada, pelo contrário, sua atenção estava completamente devota à mim.

 

__E por que você não tenta meios de retornar ao Canadá? -Ela questionou intrigada. 

 

__É impossível... -Lamentei. E continuei a falar sobre as fotos do Brandon com a nova namorada, e de como eu estava me sentindo traída, e etc...

 

Ao contrário de mim, Dakota estava sobrea, e  me dava conselhos sobreos. Mas eu não me lembro de quase nada. 

 

__Por que nunca ligou para ele? - Ela perguntou intrigada.

 

__Ele teria me ligado se tivesse a intenção de manter contato. -Respondi tristemente.

 

__Talvez ele tenha pensado o mesmo ao seu respeito. -Ela respondeu de forma pratica - Não havia nenhum rumor de namoro nas fotos... e se ela for apenas uma amiga? Ou alguém com quem ele está saindo sem compromisso? Se vocês se amaram tanto quanto você está me contando, eu duvido muito que ele consiga se manter muito tempo com outra pessoa, caso você volte pra vida dele. -Sugeriu num tom capcioso. 

 

__Voltar? - Eu solucei de bêbada - Como? Se estou no Brasil e ele no Canadá? 

 

__Telefone? Whatsapp? Redes sociais? Helloôu, estamos no século 21, você pode usar a tecnologia a seu favor! Até porque, é muito fácil e cômodo pra ele seguir em frente se você não se fizer presente... vai deixar a memória de tudo o que viveram se apagar assim? Aceitar sua derrota sem nem ao menos ter se dado ao trabalho de lutar? 

 

Nem tive tempo de rebater com alguma resposta desesperançada, porque comecei a me sentir muito enjoada e tive que ir até o banheiro para vomitar e tentar me recuperar.

 

Tenho certeza de que a conversa foi mais longa do que descrevi, e de que ela deu outros conselhos além desse, mas eu só me lembro de resquícios borrados pelo alto teor de álcool nos meus miolos. 

Mas admito que fiquei tentada a pôr em pratica o conselho de entrar em contato com Brandon. E me fazer presente ao invés de lhe facilitar o caminho rumo ao esquecimento do que vivemos. 

 

Como de costume, eu entrei em todas as redes sociais dele para stalkear. Mas não tinha nada de novo por lá. Até a foto do WhatsApp continuava sendo a mesma de quando a gente se conheceu. 

Fiquei um tempão ali, relendo nossas conversas passadas, ouvindo a voz dele nos áudios antigos... e procurando por coragem para enviar um "oi". 

Não encontrei essa coragem.

 

Voltei para o instagram:

Se ele ao menos tivesse uma foto nova para eu poder curtir... mas a última tinha sido postada à mais de três semanas!

Foda-se. Vou curtir assim mesmo, decidi. 

Ela uma fotografia dele nos bastidores de algum novo trabalho. Cheguei nessa conclusão porque não conhecia o ambiente, e também por conta da legenda em inglês que dizia: "novidades à vista". 

Fechei os olhos com um frio na boca do estômago e curti. 

 

  Embora tivessem milhares de outras curtidas naquela imagem, eu sabia que ele receberia a notificação da minha, porque no Instagram existe uma ferramenta que dá a opção de sermos notificados apenas sobre as curtidas e comentários de quem seguimos de volta. E eu sei que ele se fazia uso dessa função. Praticamente todos os artistas fazem. 

 

Enfim, curti e saí correndo. Precisava me distrair. Fiz pipoca de panela e coloquei um filme de ficção científica para assistir na Netflix. Era meu dia de folga. E eu tinha me decidido de que não o desperdiçaria chorando em baixo das cobertas. 

Mandei uma msg para Willa depois que o filme acabou - a gente inda não tinha se falado depois do desentendimento na noite anterior - ela me respondeu rápido, e perguntou se eu estava bem, mas estava rasa de palavras. Eu disse que ia sair pra passear com a Brantina e perguntei se ela não gostaria de tomar um sorvete com a gente.  Mas ela estava indo a um show do Legião Urbana com meu irmão.  

 

Respondi a uma mensagem da Emily sobre assuntos cotidianos que a gente mantinha, e mandei um "obrigada por ontem" à Dakota. (Eu tinha o número dela salvo porque o celular da Willa tinha descarregado no dia em que fomos buscar Katie e David no aeroporto). 

Depois passei uns minutos procurando pela Brantina embaixo da cama, atrás do sofá, dos armários, no banheiro, e até no corredor. Já estava aflita por ela não atender aos meus chamados quando a encontrei refrescando a barriga no chão geladinho da sacada, me olhando com aquela carinha safada de "eu sabia que você iria me encontrar".

Não resisti, tirei uma foto dela, 

postei. 

Depois fomos passear.

Quando eu já estava quase voltando pra casa, Dakota me ligou. 

Ela perguntou se eu estava ocupada, respondi que não,  marcamos de nos encontrar na sorveteria de esquina com meu prédio. 

Enquanto a esperava, eu senti um remorso muito agudo pela forma que me comportei com Colton na noite anterior. Ele era namorado dela... me lembrei de como Willa ficou decepcionada pela minha atitude, e cheguei à conclusão de que ela estava certa mesmo. Dakota era uma garota legal no fim das contas, eu teria tido a mesma atitude da Willa em seu lugar...

Estava pensando à respeito disso quando ela chegou. Mas não veio sozinha, Colton a acompanhava. 

Engoli em seco, achando que me sentiria encurralada, mas no fim das contas nós demos foi risada da Brantina que pulou em mim para derrubar meu sorvete, e comê-lo do chão. 

O encontro foi leve e despretensioso, eles dois pareciam mais amigos do que namorados, para falar a verdade.

Papo vai-papo vem, chegamos novamente no tema "eu proibida de voltar para o Canadá".

 

__Colton e eu falamos sobre isso ontem - ela disse de forma natural, enquanto colocava mais cobertura no sorvete - Você nunca pensou em alternativas secundárias para conseguir voltar? -Perguntou.

 

Fiquei confusa.

__Alternativas secundárias? 

 

Colton liberou um sorriso divertido.

__É, alternativas secundárias, como atravessar a fronteira ilegalmente, portando drogas no estômago, por exemplo... 

 

Revirei os olhos com a piadinha manjada e  Dakota o cutucou com o ombro sem conter o riso.

__Alternativas mais óbvias... como um casamento por contrato, por exemplo. 

 

__Igual ao do Amell com a Cassandra? -Questionei num tom negativo e determinado. (Como se se eu nunca tivesse pensado nisso antes). 

 

__Deu certo pra eles. - Ela respondeu com semblante pratico.

 

__Eu já sugeri isso antes - Relembrou Colton. 

 

__Serio? - Ela perguntou de uma maneira ensaiada. Tava na cara de que eles já tinham conversado sobre o assunto antes de trazê-lo à mim. 

Colton deu um dos canudinhos de biscoito do sorvete dele para Brantina e voltou a se dirigir à mim.

__A proposta Ainda está de pé. Caso você queira voltar atrás...

 

__Seria uma maneira bastante eficiente de retomar sua vida. - Completou Dakota.

 

Balancei a cabeça num sorrisinho incrédulo.

__ Seria um emaranhado de mentiras e complicações... -Balbuciei.

 

__Eu disse que seria eficiente, não fácil. -Ela replicou.

 

Eu sorri novamente, só que de nervoso, enquanto eles propunham casamento de uma forma tão natural... como quem oferece um pacote de biscoitos à um amigo.

 

__Ok, digamos que eu aceite. - Especulei - Como seria depois? 

 

Colton franziu o cenho.

__Depois do que? 

__Depois de voltar para o Canadá, ué. Como sustentaríamos essa mentira diante da mídia? Além do mais... Tá tudo diferente agora, Willa e eu não moraríamos mais juntas, porque ela vai se casar com meu irmão, e viver com ele no Brasil, eu não tenho mais lugar para ficar, nem emprego, nem...

 

__Latina. Calma. Respira. -Ele disse, cobrindo minha mão com a dele por cima da mesa. 

A sensação foi boa, mas logo me lembrei da Dakota e me retraí. Embora ela não parecesse se importar. (Nem um pouco). 

 

__Você pode morar comigo nos primeiros meses, até se reestabelecer novamente. - Ele garantiu - E quanto ao emprego, você tá cansada de saber que tem as portas abertas na emissora. E depois que retornar com tudo nos conformes, estará à um passo para a dupla cidadania.

 

Embora tudo soasse simples da maneira que ele dizia, meu cérebro ainda gritava "loucura, isso é loucura!"

Busquei os olhos de Dakota, na esperança de que ela também tivesse se dado conta do rumo louco que aquele assunto tinha tomado, mas ela parecia tão pratica quanto o Colton.

 

__Ok... - iniciei - Mas como conseguiríamos nos casar se eu nem posso voltar para o Canadá? 

 

__Ah, eu já pesquisei sobre isso. - disse Dakota, balançando o celular - olha, tem uma burocracia chatinha, mas nada que não possa ser resolvido à tempo. Se tudo correr bem, vocês conseguem se casar antes mesmo do noivado da Willa, daqui à um mês, e voltamos todos juntos para o Canadá. 

 

O otimismo Dela era contagiante, mas eu ainda estava meio tonta com a proposta. 

 

__Você não precisa responder agora. -Colton apaziguou.

 

__É. Mas também não demora muito. Porque, burocracia...

 

__Vai pra casa, toma um banho, relaxa e amadurece o assunto na sua cabeça. 

 

Minha mente estava à mil quando nos despedimos, mas ainda tive tempo de me lembrar de um ponto importante.

 

__É... Não comenta nada com a Willa por enquanto. Ok? 

 

__Pois é. Eu ia te pedir o mesmo. 

 

__É que ela já está com muitos problemas na cabeça devido ao noivado Dela e a responsabilidade de trazer todo mundo aqui...

 

__Sim. Eu sei. E ela tá chata também. Acho que arrumaria um meio de discordar. Até porque, não vai querer que você volte, justo agora que ela vai morar no Brasil. 

 

__Ah, não por isso. Willa nem é egoísta assim.

 

__Ah, não... vai nessa.

 

 

****

 

Fiz exatamente o que me disseram pra fazer quando cheguei em casa. Banho relaxante e cama pra pensar. 

 

Peguei o celular despretensiosamente, e dei um pulo da cama ao checar as notificações. Eu não esperava que minha atividade do instagram do Brandon fosse causar tanto efeito. 

Ele curtiu de volta na fotografia que postei da Brantina, e comentou.

"Oh Deus, como ela cresceu".

 

Meu coração disparou como se tivesse recebido uma carga de eletricidade, e eu fiquei instantaneamente feliz, como se nunca tivesse provado o sabor da tristeza.

"Está cada dia maior e mais sapeca" -Respondi de volta. 

 

Uns minutos depois, ele me mandou uma mensagem no whatsapp.

 

 

 

 

 


Notas Finais


Oiee!! Não acredito que depois de tanto tempo, vcs Ainda estão comigo 😭💛
Quero fazer uma dedicatória a todas, quando esta fic virar livro!
Quem ainda está acompanhando? Deixa um comentário para eu saber de você???
Me diga, onde mora? Qual sua idade? Nome? O que come? Hahaha 💛

Me sigam nas redes sociais, vamos ser migas!!!
Instagram: @alinegalvanho
Twitter: @AlineGalvanho


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