História Confissões de um Vocal - Capítulo 7


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Banda, Diário, Originais, Psaiko
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Palavras 1.223
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - Sete


-Primo. -Shibuya encarava Hayato com seriedade e determinação. O rapaz estava deitado no sofá curtindo um programa de humor na televisão totalmente alheio às intenções do primo. Depois de muito planejar e ensaiar havia chegado o momento de por em ação seu plano de recrutar Hayato. -Seja o vocalista na minha banda de rock.

-Ahn? -Hayato perguntou com um riso recém formado por conta da pegadinha que passava. -Vocalista? Conseguiu?

-Você.  -Jin disse se aproximando mais bloqueando boa parte da visão da televisão e chamando atenção para si. -Quero que seja o vocalista.

-Eu? -Hayato perguntou para se certificar de que ouviu certo. -Você quer que eu seja seu vocalista?

-Quero.

-Por que?

-Porque... porque o Trevas disse que você tem jeito. -Disse dando um belisquezinho na ponta da orelha.

-Ah. E os outros membros?  Conseguiu convencê-los?

Shibuya vacilou um pouco. Estava muito perto de conseguir falar com o cara da guitarra, mas então ele lhe deu um fora. Não que tivesse desistido dele, estava apenas repensando a abordagem. Também teve um baterista, mas o cara já estava numa banda e também não tinha style para agregar. Se pudesse encontrar um músico com a aura de Asamura¹... o rapaz era baixinho, com cabelos longos e uma cara de mau, parecia um ursinho até abrir a boca. Se ao menos ele tocasse algum instrumento…

-Estão no papo! -sorriu divertido fazendo um gesto de positivo com o polegar. Hayato o olhou de lado.

-Isso parece bom. Parabéns. -Sorriu e voltou a atenção pro programa na TV.

-Então, primo?

-Então o que? -Perguntou com um meio sorriso por conta de outra pegadinha.

-Vamos fazer música overseas? -Propôs como se fosse a primeira vez: com uma empolgação contida.

-Achei que tinha te despistado.

-Não mesmo.

-Tem certeza?

-Total.

-... Desculpe,  Jin. Não posso aceitar.
 

 

Veja bem, eu até queria, mas não fazia muito tempo que havia deixado Kanagawa e tudo mais que já contei aqui. Estava ainda muito recente e o silêncio dos meus amigos só me dava mais certeza sobre a decepção que causei. Era natural eu não aceitar um convite desses.

Lembro que, apesar da resposta que dei, ainda fiquei um tempo pensando na proposta. Me imaginei fazendo música com o Jin e encontrávamos um baterista muito bom e um guitarrista foda. Ele tocaria aquelas guitarras de dois braços e faria uns riffs de outro mundo! E o vocalista seria uma pessoa super agradável e engraçada. Com um vozeirão que iria deixar os produtores loucos... E eu no meio disso tudo seria o pianista, claro. Iria fazer solos muito loucos com o Jin e guerrinhas de instrumentos com o guitarrista. Mas então eu lembrava de Kanagawa ou lembrava que Jin era otaku e talvez o som que ele quisesse fazer fosse influenciado pelos animes que ele ama.
Meu primo pareceu convencido quando falei que não queria porque eu não era vocalista. O que é verdade, afinal aprendi as técnicas do piano e não da voz. Mas qual não foi minha surpresa ao vê-lo contando pra Trevas que eu não aceitei a vaga? A cadelinha ainda deu uns latidos em resposta e o Jin, que entende tudo que ela diz, concordou!

Bem, apesar disso não voltei atrás com minha resposta e para completar, o trabalho na cafeteria estava exigindo mais esforços do que prometia. Percebi que temos muitos clientes fiéis, pessoas que não vão todos os dias à cafeteria, mas em dias regulares. Por exemplo, tinha esse cliente estiloso que aparecia sempre à tarde. De início ele me pareceu muito familiar e não demorei a lembrar o porquê. Tratava-se do mesmo rapaz que me indicou a vaga na cafeteria, acredito que ele não me reconheceu quando entreguei seu café, mas teve uma vez em que eu fui passar o esfregão no chão e propositalmente me aproximei, relembrei seu nome dia antes quando encontrei seu cartão de visitas, Terushido Yuura, e puxei conversa. Como são as coisas... Naquele tempo nunca imaginaria que ele faria parte dessa loucura toda.

 

Um dia recebi um convite inusitado do colega do trabalho. Nós conversávamos bastante e ele disse que tinha um convite com acompanhante pro cinema. Uma estréia. Kotaru era uma boa pessoa, gostava de colecionar cartões postais e tinha vontade de viajar o mundo. Seus postais favoritos eram dos lugares que ele queria conhecer: Brasil, Londres e Dubai. E não me pergunte que filme assistimos porque nenhum de nós prestou atenção.
Isso não significava que esqueci o Yuu, ok? Nem que eu ouvi o conselho da minha irmã, por mais que ela estivesse certa. Kotaru era agradável, a gente se divertia, mas eu também sentia falta do Yuu, do que a gente tinha e da segurança que ele me passava.

Passamos a almoçar juntos quando estávamos no mesmo turno e claro que tirávamos um tempo desse intervalo pra nos conhecer ou pra... bem, nos conhecer. Foi numa ocasião dessas que nosso supervisor nos surpreendeu e então as coisas começaram a ficar estranhas. Com receio de que outras pessoas também nos vissem, Kotaru passou a se manter afastado de modo que até o contato visual era moderado. Nossos turnos começaram a se desencontrar assim como nossas folgas.

Também percebi que minha rotina no café estava modificando. Eu era mais escalado para o caixa e quando não, para o estoque. O caixa me fazia ficar até mais tarde na cafeteria, já o outro era em conjunto com nosso supervisor. Ambos eram cargos de confiança e eu sentia que era novato demais pr'aquelas tarefas. não por falta de competência, porque eu buscava fazer o serviço da forma mais correta, mas por causa de comentários feitos por veteranos. Parecia que não era pra eu estar fazendo aquilo havia até um burburinho sobre uma promoção graças à preferência do nosso supervisor.

***

Hayato liberou o pedido para o balcão e cumprimentou o cliente seguinte o reconhecendo e sorrindo de modo acolhedor.

-Terushido-san, bem vindo. Expresso com chantilly e muffin de chocolate trufado?

O rapaz, estiloso como sempre, levantou as mãos e arqueou as sobrancelhas reprimindo uma risada.

-Você é um stalker ou algo assim? -Perguntou risonho.

-Não. Sou balconista da cafeteria que você frequenta. –Riu. -E você sempre faz o mesmo pedido.

-Vou mudar de cafeteria. – Disse mostrando o cartão como forma de pagamento.

-Não ouse. – Sorriu digitando o pedido no computador. -Mas pode pensar num muffin diferente.

-Nunca. Ah, parabéns por ter subido de nível. Agora é caixa. Uau!

-É... -Deu um sorriso forçado olhando discretamente para o lado onde um colega terminava de montar o pedido anterior. -É só aguardar ao lado, Terushido-san. -Disse anotando o nome do cliente no corpo e passando à diante.

-Amanhã venho com um pedido mais elaborado.

-Melhor começar a pensar nele agora. -Riu.

-Izumi. -O supervisor chamou na porta atrás dele que dava para a cozinha fazendo o rapaz se sobressaltar. -Pode me ajudar aqui com uns papéis.

-Ah. -Olhou para a caixa indicando que não poderia deixá-la aberta.

-Feche essa e libere a outra. Peça para Akane pegar.

-okay... -Murmurou encerrando o atendimento que havia começado.

Terushido passou para o balcão ao lado acenando para Hayato como um pedido de desculpas por brincar com ele no momento do trabalho, mas também como encorajamento. Depois que o atendente saiu do caixa, Yuura pegou seu café de meio da manhã e buscou a mesa mais próxima da janela.


Notas Finais


1- Leia Five Star no Nyah!Fanfiction.
Asamura é o rapaz que arrumou briga numa boate. Aquele dia foi muito loko. :3

Então, aqui estou com um novo capítulo. Em outubro rolou no Nyah! o desafio de drabbles e aquilo foi uma explosão cerebra! Se você escreve fanfics super recomendo se enfiar em desafios assim. Se forçar a escrever livremente obedecendo critérios causa uma dor de cabeça enorme e uma possível frustração, mas depois passar por tudo aquilo, fica muito mais simples escrever.
Esse capítulo é inédito se comparado à versão de 2009 e já estava escrito antes do desafio de drabbles (2017), mas foi revisado depois dele então cortei coisas e reescrevi outras… Me digam o que acharam.

Volto quando terminar de escrever o capítulo 10.
Beijos.


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