História Confluência - Capítulo 4


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Categorias Once Upon a Time
Personagens Capitão Killian "Gancho" Jones, David Nolan (Príncipe Encantado), Emma Swan, Henry Mills, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Will Scarlet
Tags Captain Swan, Captainswan, Once Upon A Time
Visualizações 89
Palavras 7.910
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Esporte, Fluffy, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Leiam as notas finais para alguns recadinhos! Boa leitura, lovebugs <3

Capítulo 4 - Capítulo IV: da aula prática


Fanfic / Fanfiction Confluência - Capítulo 4 - Capítulo IV: da aula prática

Ela vai mata-lo.

(Ugh, só que ele era fofo demais para morrer... Espera! Não “fofo”, mas sim “novo”. É, novo. Jovem. É isso... Chega de fofo.)

Mas ela queria muito jogá-lo do alto de um prédio. Junto com aquele sorriso maldito.

— Vamos lá, Swan. É só uma bola, não vai te morder. Viu só? – disse rodando o objeto em suas mãos. – É completamente redonda, não tem nenhum dente ou espinho.

— Eu sei o que é uma bola de futebol, Jones.

— Ótimo, sendo assim, sabe que tem que chutá-la, não é?!

Emma revirou os olhos impaciente, ignorando a brincadeira do capitão.

A verdade era que a cantora já não estava tão interessada na tal “lição”, algo incomum quando se tratava de encontrar-se com Killian, mas assim que ele enviou a mensagem contando que seria algo prático... Bom, as coisas mudaram um pouco.

— Você sabe que eu tenho um show extremamente importante hoje à noite, não é? – questionou de forma mais séria, torcendo para que aquela desculpa postergasse tal atividade.

— Eu sei que você tem que cantar algumas músicas hoje para a festa da gravadora, não venha fingir que vai cair no intervalo do Super Bowl só pra fugir da lição!

— Como você sabe disso?

— Você me disse, Swan. – o jogador respondeu sem entender.

— Oh minha Santa, por que eu tenho que te contar tudo?! – Emma murmurou ao cruzar os braços e encará-lo.

— Não adianta fazer pirraça hoje, noivinha. Você não vai escapar dessa! – Jones anunciou com um sorriso nos lábios. – E eu prometo que estará inteira e bem disposta para o grande show dessa noite.

— Eu odeio esportes! – a loira reclamou. – E essa roupa me aperta.

Emma havia tentado (miseravelmente) escolher alguma roupa de malhar que fosse apresentável. E, claro que seu inconsciente gritava pela tentativa de chamar atenção de Killian de alguma forma, não que ela precisasse de aprovação ou que um comentário fosse validar sua aparência, mas que mal havia em um pouco de carícia no ego?

E, bom, a forma como os olhos azuis do capitão percorreram todo corpo da loira após o comentário foi o suficiente para que ela descrevesse o ato como uma vitória.

— Eu certamente não estou reclamando. – Jones disse, arqueando uma das sobrancelhas da forma sugestiva, como sempre fazia ao deixar seu lado sedutor falar mais alto.

Esse era outro ponto que intrigava Emma: aquela faceta astuta e galanteadora não era dirigida a outras pessoas, somente para ela. Aquele sorriso e olhar carinhoso não tinha nenhum outro destinatário também.

(Não que ela soubesse, pelo menos...)

E então tudo começava a se encaixar como um quebra-cabeças, de repente, todos os rumores de um affair passavam a fazer sentido... Ora, afinal, estavam sempre juntos, não paravam de se falar um dia sequer e, quando saíam, nem tentavam conter suas mãos e constantemente se tocavam ou abraçavam.

Eles podiam culpar os fotógrafos o quanto quiserem sobre a posição e o ângulo de suas capturas, entretanto, para obtê-las, precisavam que a dupla fizesse sua parte e compartilhassem momentos afetuosos.

E o dever de casa estava sendo feito, mesmo sem que eles notassem. Killian sempre tinha uma de suas mãos nas dela ou a apoiava no alto de sua cintura de maneira respeitosa, guiando-a pelas ruas ou ao entrar nos estabelecimentos. E ela não recuava.

De repente, as brincadeiras e provocações tinham um sentido extra e ela não poderia estar inventando tudo isso... Não poderia alucinar da mesma forma que alguns fãs estavam.

Chacoalhando a cabeça, na tentativa de dissipar todos aqueles pensamentos, Emma voltou sua concentração para a tal aula prática que o capitão havia prometido.

E ele estava transbordando felicidade. Não somente por estar jogando futebol, mas por fazê-lo de forma prazerosa e por diversão... Por passar um tempo com Swan, algo que, a cada dia mais, via-se mais e mais disposto a conquistar.

Jones sabia que estava indo longe demais com aquela aposta, que sua proximidade com Emma havia atingido uma intensidade quase impossível de ser revertida e que sentimentos para além de uma amizade começaram a surgir... Ele sabia disso, mas optava insistentemente em ignorar.

Poderia dar tudo errado e tudo isso virar uma grande matéria tóxica em revistas e sites de fofoca? Sim. O nome dele, até o momento tão livre de escândalos, poderia ser mergulhado em um fanatismo hollywoodiano alheio ao seu próprio mundo? Sim. Mas ele não ligava... Por Emma Swan valeria o risco, seja lá o que aquilo significasse realmente.

— Vamos voltar ao foco aqui. – ele prosseguiu, limpando a garganta e tentando alterar o rumo da conversa, antes que falasse algo extra de modo a assustá-la. – Tem alguma ideia do que vou te mostrar hoje?

— Tirando o fato de que estamos no campo de futebol infantil do seu condomínio, não. – respondeu de maneira divertida, afinal, achara estranho o convite de Jones para encontra-la em tal lugar e tão cedo pela manhã.

“É um campo infantil, Swan. Se formos muito tarde, aquele lugar estará cheio de crianças correndo e não poderemos fazer nada!”, Killian justificou mais de uma vez... até perceber que ela apenas estava provocando-o desnecessariamente.

— Ora, eu poderia ter combinado com você em um local público ou no CT dos Piratas. Assim os paparazzis teriam fotos suas correndo feito um polvo atrás da bola ou caindo. – a réplica veio afiada, como se o moreno tivesse a ensaiado por um longo tempo.

E a cantora jamais iria admitir que passou tempo demais observando a forma como Jones levava a língua ao céu da boca ao oferece-la aquele sorriso travesso.

Bom, dois podem jogar ao mesmo tempo... Certo?!

— Oh, deixe-me adivinhar, e você estaria lá para me amparar nessa hora e ser o herói do dia, capitão?

— Provavelmente teriam algumas fotos minhas rindo antes de qualquer coisa, mas esse é um bom plano, noivinha. – ele retrucou em mesmo tom, aproximando-se de Emma e lentamente a oferecendo a bola. – Pronta para tirar a prova?

— Veremos, Jones... veremos. – Swan murmurou.

— Hoje você vai conhecer, na prática, a cobrança de uma falta, pênalti, tiro de meta e lateral. – o homem anunciou, ela bufou.

— Mas você já me ensinou isso!

— Eu disse “na prática”, mocinha. – Killian replicou, tocando a ponta do nariz dela com o indicador.

O jogador começou mostrando-a novamente as linhas e demarcações do campo, e não se surpreendeu ao ver que sua aluna estava tão aplicada quanto nas primeiras lições – embora gostasse de repetir o quão “irritada” estava em ter que se exercitar.

— Vamos lá, Oh Sábia Aluna, pode me dizer o que esses dois retângulos significam? – ele indagou de maneira lenta, imitando paródias clichês de antigos filósofos.

E ele, obviamente, gesticulou algum movimento com sua longa barba imaginária.

A dupla estava próxima a uma das traves, observando as linhas brancas no chão. Killian, de braços cruzados, apoiava-se em uma das extremidades de metal e esperava pela resposta de Emma.

— Oh Senhor Mestre Professor, ambos significam limites para o goleiro. O maior retângulo é até onde ele é permitido defender utilizando as mãos, enquanto o menor é seu espaço para chutar a bola, após as paradas, sem interferência de jogadores adversários. Uma vez fora, seus rivais poderão tentar contra-atacar. – Emma respondeu no mesmo tom, fazendo movimentos sutis com as mãos para apontar o local exato que se referia.

Killian sustentou por alguns breves segundos, mas não pode conter a gargalhada que teimava em surgir.

— Quantas vezes você ouviu o áudio que te mandei explicando? – questionou com certa dificuldade em meio a, aparente, última onda de risos.

— Algumas. – a loira confessou com uma careta.

— Certo, e o círculo e semicírculo? – Jones voltou a indagar, tentando concentrar-se novamente em sua lição.

— Você diz a meia-lua, não é, professor? – corrigiu.

Ouch! Ok, ponto para você, Swan. Você venceu. – respondeu com as mãos para cima, rendendo-se ao golpe provocativo.

Ela sorriu vitoriosa.

— Os dois são marcações para os jogadores ficarem antes do toque na bola. O círculo completo é para o começo da partida, ou em casos de reinício quando se faz um gol, não permitindo que adversários invadam o espaço de dez metros que eles tem para dar o primeiro movimento. A meia lua tem a mesma finalidade, mas apenas para as cobranças de pênalti. – Emma replicou orgulhosa, unindo suas mãos atrás do corpo e se balançando, como uma criança.

— Uau, estou impressionado! Para alguém que me disse no primeiro dia que não era uma aluna aplicada, acho que temos uma reviravolta, não é? – Killian demarcou, provocando-a sutilmente, mas deixando claro sua alegria em vê-la realmente prestar atenção em suas “aulas”. – E, só para constar, são nove metros e meio, não dez.

Ela revirou os olhos com a última observação, claramente sinalizando que não fazia diferença alguma... Mas fazia. E ele estava mais que disposto a provar-se correto daquela vez.

— Eu só estava sendo humilde. Como poderia lhe dizer, em nosso primeiro encontro, que sou simplesmente espetacular? – Swan disse com um sorriso nos lábios.

— Ouch, erro meu. Sinto muito por esse deslize, Emma Humildade Swan.

— Acontece com as pessoas normais, Killian. Não se preocupe. – a loira completou antes de morder os lábios na tentativa de conter outro riso.

E foi a vez dele revirar os olhos, algo que passara a fazer constantemente graças a influência de certa cantora em sua vida.

— Já que estamos lidando com tanta sabedoria hoje, que tal a senhorita me lembrar a diferença entre uma falta e um pênalti? – indagou arqueando uma de suas sobrancelhas.

Ugh! Lá vem você de novo com mais perguntas...

— Eu como seu “Oh Senhor Mestre Professor” tenho que checar se minha aluna se lembra de tudo corretamente! – o homem defendeu-se.

— Eu estou começando a querer chutar essa bola logo, assim eu posso jogar ela na sua cabeça. – a loira resmungou ao cruzar os braços.

Ele riu.

— Esse é o ponto, Swan. – o capitão disse com uma piscadela. – Agora vamos, quero ouvir a resposta.

— Certo... As faltas são qualquer atitude antidesportiva que um jogador tem, seja por agredir propositalmente ou não o adversário, ameaçar a integridade do outro com lances perigosos ou a utilização das mãos. – Emma começou a explicação fingindo irritação, mas a verdade é que ela se sentia bem em lembrar de todos aqueles detalhes. Era interessante aprender algo novo depois de tanto tempo. – E o pênalti é uma falta, mas que acontece dentro dos limites do goleiro. E, antes que você me pergunte, são aqueles retângulos!

— Excelente, Swan! – o jogador vibrou. – Ótimo, última pergunta: o que é um impedimento?

— Isso é uma prova por acaso? – ela indagou indignada. – Eu acho que deveria ser avisada de qualquer avaliação, querido noivo!

— Chama-se teste surpresa, noivinha. – a réplica foi rápida e espelhava a provocação da cantora, como sempre.

— Impedimento é quando o jogador que recebe a bola para atacar está à frente do último jogador de linha do time adversário, sobrando só ele e o goleiro. – ela começou. – Se ele receber o passe por trás desse último adversário e seguir para o gol, ou começar da sua própria metade do campo, não tem irregularidade, caso contrário, o juiz apita e a bola fica com o goleiro.

— Viu só? Não é tão difícil quanto você me disse na mensagem.

— É claro que é! – Emma retrucou. – É tudo muito rápido! Não dá para ver a hora que o jogador toca na bola, quem está atrás ou na frente e a posição dele no campo tudo de uma vez só não! Eu vi vídeos no Youtube, tá bom?

— E isso porque nós só corremos atrás de uma bola, não é? – importunando-a novamente com sua primeira suposição sobre a profissão, o capitão brincou, arrancando um sorriso dos lábios de sua companheira.

E ela parecia um anjo. Os cabelos amarrados em um rabo de cavalo e toda aquela roupa de academia não eram nada glamorosos, mas a verdade é que Swan não precisava de absolutamente nada daquilo... Não enquanto o brilho de seus olhos esverdeados e o sorriso fossem genuínos.

Emma Swan era a mulher mais linda que ele já vira, disso ele tinha certeza. E, por esse mesmo motivo, viu-se rendido e agindo feito um repleto idiota sempre que estava em sua companhia. Ou um adolescente desajeitado frente sua maior paixonite...

(O que, no final das contas, dava no mesmo.)

Nessa impulsividade, porém, Jones quase selou seus lábios aos dela, mas reprimiu seu desejo quando seu rosto estava a centímetros de Swan, oferecendo-a apenas um beijo na bochecha.

Verdade seja dita, há semanas Killian não tirava Emma de seus pensamentos, contando os minutos para poder falar com ela novamente ou elaborando explicações futebolísticas completamente desnecessárias para toda aquela maldita aposta... E tudo para prolongar o tempo que tinham.

Ele não queria que ela fosse embora e o deixasse para trás, conhece-la foi uma das melhores coisas que já lhe acontecera!

Mas, se estivesse em um momento de honestidade com seu próprio coração, deveria assumir o medo que sentia ao pensar em suas decepções passadas. Killian sabia que Emma não seria capaz de usá-lo da forma que Milah o usou, forjando uma nova identidade mais juvenil apenas para conseguir um romance extraconjugal. E muito menos seduzi-lo e encantá-lo como Nora fez para apenas abandoná-lo quando tudo ficasse “repetitivo” demais. Não, essa não era Emma.

Ela era diferente!

E, por essa mesma razão, a dor de perde-la já começava a doer apenas no campo hipotético – com ou sem romance.

— É a sua vez de “só” chutar a bola, Swan. – Jones manejou um complemento, chamando-os novamente para a lição e dissipando a tensão que ficara quando seus lábios tocaram a pele macia das maçãs do rosto da loira.

Céus, aquele toque só o fazia imaginar ainda mais como seria beijá-la devidamente... Como seria tê-la em seus braços da forma que seu corpo e alma tanto passaram a desejar nas últimas semanas. Ele não conseguia mais ignorar tais anseios e o jogo de provocações que habituou-se a utilizar nessas situações apenas serviam de alimento para tal sentimento.

Ele estava perdido.

Nos minutos que se passaram, Killian tentou concentrar-se no desafio prático que propôs. Primeiramente, ele a ensinou como cobrar pênaltis utilizando a marcação oficial e, obviamente, pedindo para que ela afastasse meio metro e visse o quão importante era a distância que ela havia ignorado anteriormente. Claro que eram duas situações diferentes, contudo, foi a única maneira que ele encontrou de prova-la a importância de cada centímetro durante a partida.

Em seguida foram algumas tentativas de cobranças de falta e até mesmo lançamentos na lateral, fazendo-a utilizar as mãos pela primeira vez durante todo o pequeno “treino” que estavam tendo. Pensando de tal forma, e checando o horário para saber se já não estava ficando tão tarde, Jones resolveu complicar as tarefas um pouco...

— Que tal aprender a conduzir a bola agora, Swan?

— Como assim? – indagou confusa, pegando a bola do chão e segurando-a.

— Sua missão será andar de um gol ao outro. Chutando a bola, obviamente. – começou a explicar. – Mas, como complicação, eu estarei atrás de você o tempo inteiro tentando toma-la.

— Mas assim não vale! – Emma exclamou. – Você é muito melhor que eu, lógico que vai pegar a bola com facilidade.

— Eu te dou um metro de vantagem.

— Um metro e meio, capitão. – a loira barganhou, utilizando as próprias provocações do jogador contra ele.

— Tudo bem, um metro e meio. – repetiu em acordo. – Mas vá beber água antes, não quero que você saia daqui desidratada.

Na primeira tentativa, Emma não conseguiu ultrapassar nem mesmo o meio campo da quadra infantil, distraindo-se com as passadas e deixando Killian tomar a frente e roubar-lhe a bola. Na segunda tentativa, porém, estava quase na reta final quando ouviu Jones comentar sobre sua nova estratégia adotada.

— Não é para correr de mim, Emma. Eu só estou aqui para pressionar e diminuir seu espaço, lembra do que eu disse sobre marcação? Você tem que ir chutando a bola e ir conduzindo pra frente, tirando a bola de mim, não o contrário. – o jogador pontuou, correndo atrás dela. – Não usa o seu corpo contra mim, isso é falta. Foca na tarefa.

Ela conseguiu completar daquela vez, embora desconfiasse que ele havia a deixado concluir. E, pensando nisso, Swan pediu por uma nova chance, sem vantagem ou piedade, queria tentar “para valer”, como argumentou. E ele, obviamente, aceitou.

Assim como em sua segunda tentativa, Emma estava há alguns passos na frente de Killian quando houve a intromissão.  Entretanto, daquela vez, ao invés de ouvir a voz de Jones, sentiu dois braços largos a envolverem pela cintura, tirando-a do chão.

— Isso não vale! – a cantora gritou, tentando soltar-se do abraço do jogador, mas acabou apenas acompanhando-o na risada. – Isso é falta!

— É falta ou pênalti? – ele perguntou ainda rindo e segurando-a no ar, não resistindo ao personagem de professor que a loira o atribuiu.

E, olhando para baixo para checar a posição que estavam no campo, ela respondeu:

— Pênalti!

Ele riu mais uma vez e, finalmente, deixou-a no chão. Contudo, assim que colocou os pés de volta na grama sintética, Emma fingiu desequilíbrio e encenou um quase tombo de cara no chão, mas logo os braços de Killian estavam apoiando-a novamente. Ela sabia que ele não a deixaria cair, mas precisava cumprir a promessa que fizera antes de começarem toda aquela correria e exercícios.

— Cuidado, Swan! Assim você acaba se machucando. Está tudo bem? – ele disse preocupado. – Ficou tonta? Aposto que não se alimentou direito!

— Ora, capitão, onde estão suas fotos iniciais rindo do meu desequilíbrio? – a cantora replicou com um sorriso travesso nos lábios. – Achei que daria isso aos paparazzis.

Ainda incrédulo com a armadilha que caíra, ele chacoalhou a cabeça incapaz de elaborar qualquer réplica ou sequer conter o sorriso.

— Touché, Swan... Touché.

[...]

Emma o convidou para comparecer ao seu show, garantindo que seu nome estaria na lista de acesso ao camarim para que pudessem ficar juntos após a apresentação. Não era nenhum espetáculo (diferentemente do que ela tentou demonstrar mais cedo para enganá-lo), era apenas a festa anual da Thibault Studios. Mas ainda assim o camarote possuía algumas vantagens, das quais estava mais que disposta a compartilhar com o capitão.

Entretanto, ele não poderia comparecer...

— Alguma resposta de Killian? – Mary Margaret questionou animada ao entrar na casa da cunhada. – Seu irmão está todo nervoso achando que vai, finalmente, conhece-lo.

— Eu não estou não! – David tentou se defender, recebendo apenas um olhar sugestivo da esposa. – Ok, talvez um pouco... Mas ele é Killian Jones! O cara já fez mais pela Jolly Roger que qualquer outro jogador na história do time!

As duas mulheres riram do entusiasmo de Nolan.

— Então eu sinto muito em estourar sua bolha da felicidade, mas Killian não pode ir. Jason não o dispensou da concentração.

— Oh, eu esqueci completamente do jogo de amanhã! – o homem disse fazendo uma careta.

— O que é “concentração”? – a morena questionou confusa.

— É alguma babaquice semelhante a uma prisão, nada importante. Será que podemos ir? – uma Regina Mills extremamente ocupada em seu celular surgiu ao lado do casal e de sua cliente.

— Não é nenhuma babaquice! – Emma defendeu. – Os jogadores precisam desse afastamento sempre que o treinador acredita ser necessário para terem uma melhor preparação para o próximo jogo.

— E que é muito importante. Se os Piratas ganharem amanhã, vamos para a final! – David complementou com o mesmo entusiasmo de antes, demorando um pouco para notar o recém domínio de Emma quanto ao assunto. – E desde quando você sabe disso?

— Para sua informação, eu não sabia nada sobre “final”, mas vou checar depois. – ela respondeu brevemente. – E foi você mesmo quem disse que eu aprenderia muita coisa com Killian.

— Oh, vocês já começaram com essa coisa toda da aposta?

— Você não escuta mesmo o que eu falo, não é? – Mary indagou ao marido que preferiu manter-se em silêncio.

— Em que mundo você vive, Dave? – Regina questionou. – Esses dois não desgrudam um do outro há semanas!

— Como é que é? Por que eu não estou sabendo disso? – o homem exclamou, encarando a irmã como se ela fosse algum tipo de traidora, escondendo-o a verdade dos fatos.

— Ora, talvez seja porque você não tem assistido nada na televisão a não ser esportes ou porque isso também é a única coisa que você pesquisa na internet. Oh, ou talvez porque você não escuta o que sua própria esposa fala! – a Nolan acusou entredentes, fuzilando o marido com o olhar.

— Eu não fiz por maldade, amor! – tentou se justificar. – Mas, espera... vocês dois estão— hm, você sabe... Juntos?!

Emma congelou. A negativa saiu rapidamente, mas os olhos se arregalaram e o rubor nas bochechas vieram antes disso, deixando-a envergonhada pela imagem que o irmão havia elaborado diante da situação.

(Ou envergonhada consigo mesma por ver outra pessoa dizendo em voz alta aquilo que sua mente passara a elaborar com certa frequência.)

— Desculpa, pelo jeito que a Regina disse eu só—

— Não venha colocar a culpa em mim não, Nolan! – a empresária se defendeu. – Eu, você e o país inteiro pensamos a mesma coisa. Olha no Google depois... – finalizou com um sorriso malandro nos lábios, sabendo claramente que estava provocando a amiga.

— Será que dá para irmos logo pra essa festa antes que eu me arrependa? – Emma os interrompeu, voltando a conversa para o trabalho a ser feito.

— Até receber a mensagem do Killian estava toda alegre se arrumando, o que será que mudou? – Mills comentou novamente, mas, daquela vez, recebeu um tapa de Swan como resposta.

(E súplica para que calasse a boca.)

Para alegria da cantora, o trio não ousou sequer voltar ao assunto anterior, bem conscientes de seu estado de humor. Irritá-la antes de uma apresentação era um erro, não que isso iria interferir em sua voz ou coisa do tipo, mas uma Emma estressada não seria tão genuína com sua plateia, certo? Eles não iriam arriscar.

Por ser um evento privado, Swan agradecia em não precisar de todo glamour e em poder usar sua combinação de roupas preferida: calça jeans escura, sua bota preta de cano e salto baixo, uma blusa de seda branca e, por cima, uma jaqueta de couro na cor azul marinho. Maquiagem mínima, os cabelos soltos e voilà, Emma Swan em sua produção habitual!

— Olá família, boa noite! – Giles os cumprimentou assim que o grupo entrou no camarim.

— Boa noite!

— E ai Giles, onde estão os meninos? – a loira questionou sobre o paradeiro do restante da banda.

— Disseram que iriam checar os instrumentos. – ele respondeu de forma simpática, levantando-se da cadeira onde estava para pegar seu violão. – Aliás, tenho que ir lá também, só estava te esperando para avisar mesmo, se você chegasse e não visse nenhum de nós aqui, já começaria a surtar.

— Eu não ia não! – a voz subiu algumas oitavas ao tentar retrucar, mas o restante dos adultos presentes apenas ria.

Ok, talvez ela se exaltasse um pouco quando não via sua banda...

— Oh, quase me esqueci! – Giles disse escorado na porta, pronto para sair. – Você tem um pacote para abrir, deixei ao lado do espelho.

E, lançando-a um olhar malicioso, o músico saiu do cômodo para encontrar-se com o restante dos meninos na checagem dos aparelhos. Curiosa como sempre, Swan correu para procurar o tal embrulho, ciente de que poderia ser algum tipo de bonificação da gravadora ou até mesmo uma nova surpresa de seus fãs.

— É daquele seu fã site? – Mary Margaret questionou assim que a loira pegou a pequena caixinha nas mãos.

— Impossível! Eu não avisei para nenhum deles e a imprensa também não sabia disso até essa tarde. – Regina comentou.

— Ah, então é da Thibault. Abra logo isso, Emma! – foi a vez de David se apressar.

— E depois eu sou a curiosa da família. – a cantora revirou os olhos, mas assim que abriu o pequeno cartão, viu-se sorrindo largamente. – Não é de nenhum deles.

— Quem mais sabia que você iria cantar hoje para mandar algo para o camarim? – Mills indagou em estado de alerta, provavelmente pensando nos furos que poderia ter cometido para deixar a informação vazar.

— Quem será não é mesmo? – foi a cunhada de Emma quem cantarolou, fazendo o restante murmurar pequenas provocações e ecoar um “hm” malicioso.

— Será que vocês poderiam crescer? – Swan os repreendeu, mas rapidamente voltou sua atenção para o presente em suas mãos, sorrindo novamente.

Era uma pulseira com um pingente único em formato de cisne, clara referência ao seu sobrenome, mas também um gesto tão delicado e pessoal que fazia seu coração se aquecer.

Em uma das conversas que tivera com Jones por telefone, havia contado sobre não ter nenhuma tradição ou ritual para suas performances, logo após ele ter compartilhado possuir uma “meia da sorte”.

E ela não deveria se surpreender com os gestos de Killian ou com o fato de ele ser tão repleto de ideias, mas era uma missão impossível.

“Minha adorável Swan,

Espero que goste desse singelo presente e me perdoe caso não consiga entrega-lo pessoalmente. Tenho certeza de que será a artista mais linda de toda festa e que sua voz será a mais aclamada..., mas não venho falar sobre fatos.

Aceite essa pulseira como um amuleto da sorte e um lembrete de que estarei ao seu lado, desejando-a todo sucesso do mundo. Eu posso ter brincado hoje mais cedo, mas gostaria que soubesse que qualquer evento que tenha sua presença é, de fato, um grande show. Sequer comparado ao Super Bowl.

Você será incrível e eu espero conseguir me livrar de Jason para ver isso! E, como você me disse outro dia desses: “Vai time!!!”

Com todo carinho do mundo,

Seu Killian Jones.”

[...]

Ela amava cantar. Usar a voz para expressar seus sentimentos e contar uma história, a sua própria de preferência. E, para além disso, inspirar outras pessoas.

Estar no palco era como estar em casa e Swan era extremamente grata por este ser o seu trabalho.

Naquela noite, porém, havia algo extra... um certo novo adereço brilhava em seu pulso, rente ao microfone em suas mãos. O pingente de cisne dançava, tocando no objeto e em sua pele, lembrando-a constantemente de seu remetente e fazendo-a sorrir.

Emma conversou com a plateia, dançou e brincou enquanto cantava suas mais famosas canções e intercalava com alguns covers. Ela sentia-se viva e, finalmente, podia relacionar-se ao sorriso de Killian pela manhã no campo de futebol do condomínio. Swan sabia que David adorava trabalhar na delegacia, Mary Margaret se deliciava com seu blog de moda e até mesmo Regina adorava exercer sua profissão, mas nunca teve a oportunidade de presenciar essa paixão transbordando do olhar  deles... Não como viu em Jones horas atrás.

E, por um momento, distraiu-se nos pensamentos e desejou que ele estivesse ali, vendo-a em seu “habitat natural” também.

Usar a pulseira realmente a fazia sentir sua presença, mas não acreditava que era capaz de reproduzir sons... Assim que finalizou Fallen e se preparava para começar sua própria versão de Rolling In The Deep da Adele, pode ouvir a risada de Killian misturar-se com a de seu irmão.

Rapidamente, a loira virou-se de costas para a plateia e andou em direção a sua garrafinha d’água, tentando concentrar-se novamente em seu trabalho... Mas ela ouviu de novo. E quando encarou o local que geralmente David ficava, pode ver o capitão dos Piratas ao seu lado, oferecendo-a um sorriso largo enquanto Nolan tentava dar continuidade na conversa com o ídolo.

O que ele estava fazendo ali?

Emma não teve muito tempo para pensar, pois logo Jefferson, o baterista, e Giles iniciaram a música, alheios a qualquer conflito que a vocalista estivesse passando.

Ela falou com a plateia, dançou e alegrou-se cantando da mesma maneira, porém, o sorriso mais largo denunciava o quão contente estava ao ver Killian exatamente onde desejava que ele estivesse em primeiro lugar.

— Emma Swan, senhoras e senhores! – Ben Thibault, presidente da gravadora, disse assim que a mulher finalizou sua última música. – Obrigado por esse incrível show, querida.

— Me sinto honrada de ter sido convidada, obrigada por me receberem. – a loira replicou com simpatia, abraçando-o de lado.

— Muito ansioso para seu próximo álbum, ouvi dizer que já está começando a ser produzido. Estou certo? – o homem questionou.

— Certíssimo. Se tudo der certo, o lançamento oficial sai no começo do próximo ano. – Emma respondeu com um sorriso nos lábios, orgulhosa das composições que estavam finalmente saindo do papel e ganhando algum tipo de trabalho com os meninos no estúdio.

E o público vibrou em comemoração com a notícia.

— Nada como uma notícia dessas para celebrar os vinte e cinco anos de empresa, não é mesmo? – Ben exclamou, provocando mais gritos da plateia. – Mas a noite não acabou, daqui a pouco nosso DJ revelação seguirá com a festa. Obrigado mais uma vez, Emma.

Ela apenas assentiu e o seguiu para fora do palco. Assim que desceram as escadas, porém, o presidente a abraçou novamente e agradeceu pelos incríveis números alcançados com o primeiro álbum e a parabenizou pela carreira brilhante. E ela não encontrou palavras para retribuir tamanho carinho.

Emma deveria admitir, não era fácil ser mulher na indústria da música. Eles estavam sempre esperando grandes produções, roupas curtas e coreografias provocantes, desejavam ver mais pele que apreciar genuinamente uma voz feminina, mas ela era grata por ter encontrado a Thibault Studios. Sim, haviam alguns cantores estúpidos e certos produtores com um quê machista que a incomodava, mas saber que o presidente da empresa era um senhor de tão bom coração (e interesse verdadeiro) a fazia se sentir confortável.

Olhando para trás por um momento, Swan percebeu que os dias de escuridão e sofrimento, profissional e pessoal, estavam desfazendo-se como a névoa. E, ao observar sua família esperando por ela, juntamente com sua amiga empresária e o homem que estava quebrando suas barreiras, a loira viu-se preparada para deixar suas feridas cicatrizarem. Sem estresse ou pesar algum, ela estava pronta para viver o que estivesse por vir...

Estava pronta para a chegada de um novo começo feliz.

(E, oh, isso daria uma música!)

Sem pensar muito, Emma correu em direção ao grupo e jogou-se nos braços da primeira pessoa que viu: Killian. Porém, se fosse realmente honesta com seus pensamentos, aquilo foi mais uma escolha que qualquer questão de proximidade.

— Whoa, Swan! – ele exclamou quando sentiu o corpo da cantora colar-se ao seu, levando apenas alguns segundos para retribuir o afeto.

— Desculpa, é que eu achei você não que viesse de verdade.

— E por que não? – indagou confuso, desvencilhando-se apenas o suficiente para encará-la. – E, só para constar, eu não estou reclamando.

— Porque você disse no bilhete que teria que ficar na concentração, oras. – ela respondeu como se fosse óbvio. – E eu tenho um excelente professor que me ensinou que esse momento é essencial para o atleta no pré-jogo. – completou tentando imitar a voz do homem, com um sorriso travesso nos lábios, enquanto ajeitava a gola da camisa dele.

E foi naquele momento que perceberam o quão próximos ainda estavam: as mãos dela no peito de Jones e as dele segurando-a pela cintura. Mas eles não ligavam... ainda era pouco.

— Acontece que algumas regras têm exceção. – Killian replicou, afastando uma mecha loira da testa da cantora, que apenas sorriu envergonhada.

— É?

— Aye. E esse atleta aqui não perderia esse show por nada! Alguém me disse que uma cantora maravilhosa iria se apresentar hoje.

— Uau, ela deve ser muito sortuda só de ter toda essa sua atenção e dedicação para vê-la cantar.

— Acontece que essa cantora, aparentemente, não faz ideia que não tem somente minha atenção, mas—

— E vocês “não estão juntos”, não é mesmo? – David comentou, interrompendo completamente o momento que a dupla estava tendo. Em resposta, Emma soltou o ar que nem sabia que segurava, enquanto Killian apenas bufou em reprovação.

— Desse jeito, não vamos ficar mesmo... – o jogador resmungou num sussurro, esquecendo-se completamente que Swan ainda estava em seus braços.

E ele quase teve um ataque do coração ao lembrar-se de tal fato. Entretanto, para sua alegria e alívio, a loira apenas riu e o beijou na bochecha, saindo de seu abraço para cumprimentar a família e Regina.

Eles tiveram que esperar toda a noite para retornar ao momento interrompido por Nolan. Enquanto isso, foram parados por inúmeros artistas e membros da equipe que vieram tanto para parabenizar a colega de trabalho, como para conhecer o astro dos Piratas.

Em outros tempos, Killian ficaria lisonjeado com tamanho carinho e afeto que estava recebendo, mas aquela era a noite de Emma e ele gostaria muito que permanecesse de tal modo. Por esse motivo, encontrou-se na difícil missão de permanecer simpático, mas reduzir ao extremo qualquer diálogo direcionado a ele ou seu trabalho nos campos.

Quando o DJ começou a tocar, o grupo viu-se livre dos encontros diplomáticos e com uma pista de dança enorme para ser utilizada. Jones não estava odiando todos os momentos, havia se encantado por Mary e David da mesma maneira que adorou conhecer um pouco mais de Regina, contudo, ansiava pelo momento em que poderia falar à sós com Emma novamente.

— Então... você e minha irmã. – Nolan aproximou do jogador, cruzando os braços e encarando-o duramente. O tom de voz que denunciava a admiração de fã fora completamente substituído pela imagem superprotetora.

— Não faço ideia do que está falando, cara. – Jones retrucou, bebendo um gole de seu refrigerante.

(Sem bebidas! Afinal, ele nem mesmo deveria estar naquela festa...)

— Eu vi vocês dois mais cedo e ouvi rumores, não se faça de desentendido, capitão.

— Certo, talvez esteja acontecendo alguma coisa... Talvez! – Killian confessou.

— E não saíram desse “talvez” por desejo seu ou dela? – o homem indagou.

— No momento, por culpa sua mesmo. – ele respondeu com uma risada. – Sabe, nós dois estávamos no meio de um momento lá atrás quando você apareceu.

Antes que David pudesse responder alguma coisa, Emma apareceu rindo ao lado de Mary Margaret. E alheias à conversa dos homens, começaram a contar animadamente sobre o encontro que tiveram com um cantor country qualquer nos bastidores.

E assim que a história finalizou, Swan encarou Jones ali parado e finalmente se deu conta de que não tiveram mais tempo algum sozinhos. E ela queria muito ouvir o que ele tinha a dizer! Bom, se ele confessar o que ela tanto desejava e suspeitava...

— Não está muito tarde para você não, Killian? – questionou, tentando a todo custo sinalizar com o olhar que aquela era a única desculpa que arrumara para saírem dali.

— Na verdade, está sim. – o capitão respondeu, e não era nenhuma mentira. Jason o mataria na manhã seguinte! – Acho que passei dos limites hoje...

— E é melhor que vençam amanhã, hein?! – David comentou animado, abraçando a esposa com um de seus braços e levantando o outro, com o copo de bebida, em forma de saudação.

— Faremos nosso melhor, Nolan! – Jones prometeu.

— Ótimo. Eu vou acompanhar Killian até a saída, tudo bem? – Swan anunciou e rapidamente o moreno despediu-se do casal, prometendo-os um novo encontro para que pudessem conversar com mais calma.

(E, claro, garantindo ingressos para David caso a Jolly Roger passe para a final do campeonato...)

Os dois saíram em silêncio, caminhando em direção à saída da festa, mas pararam em um local isolado e menos barulhento, permitindo-os conversar sem precisar gritar – já que não poderiam nem sonhar em fazê-lo do lado de fora, não com o risco enorme de serem pegos por algum paparazzi.

Especialmente do Update Celebs!

— Então...

— Então. – ele a imitou, ficando de frente para Emma e vendo as palavras sumirem de seus lábios. – Foi um show incrível, Swan. Sinto muito por ter perdido mais da metade, não consegui me livrar de Jason ou Will antes disso.

— Obrigada por ter vindo. E não se preocupe, você estava lá o tempo inteiro. – a jovem replicou, oferecendo-o um sorriso tímido ao chacoalhar a mão com a pulseira nova, fazendo o pingente de cisne dançar outra vez.

Tocado por vê-la ainda com a pulseira, Killian pegou seu punho delicadamente e depositou um beijo na pele onde o cordão descansava. E quando seu olhar encontrou com o dela novamente, ele pode ver todo seu sentimento sendo retribuído. Ele via carinho. Afeto... e o começo de algo que ele ousaria denominar “amor”.

E, aproximando-se mais da cantora, Jones levou seu polegar à bochecha dela, acariciando-a delicadamente.

— Você não tem somente minha atenção, Emma. – começou, finalmente tomando coragem para prosseguir com o que diria anteriormente, e torcendo para que ela entendesse suas intenções.

Jones não sabia como complementar sua frase e morreria se soltasse algo tão clichê quanto “você tem meu coração” – embora fosse a mais pura verdade. Emma não merecia nenhum momento trivial. Ela merecia mais. Sempre mais!

Incapaz de elaborar coisa melhor, Killian optou por mostra-la o que somente um dos clichês recusados descrevia. Fixando seu olhar nos traços finos da boca de Emma, buscando aprovação, ele puxou-a sutilmente para perto de si e a beijou assim que percebeu um desejo mútuo.

Inicialmente, era apenas o selar de lábios e a leve pressão que suas bocas faziam uma na outra. Entretanto, logo Emma deu passagem para que as línguas pudessem se encontrar.

O toque começou tímido, lento até, tomando seu próprio tempo ao desfrutar o doce sabor do outro. Masc com os corpos suplicando por mais, o beijo tornou-se sôfrego, voraz, e não somente os lábios lhes eram suficientes. Quando deram-se conta do que faziam, Swan já havia mordiscado o lóbulo da orelha de Killian e ele distribuía carícias pelo pescoço da cantora.

— Eu acho que deveríamos ir para algum lugar mais quieto. – Emma sugeriu com um suspiro.

— Concordo plenamente. – a resposta veio abafada considerando a dedicação que o jogador ainda dava aos afagos.

— Minha casa ou a sua?

— Sua, tenho que voltar ao CT amanhã cedo e odiaria te tirar do conforto. – Killian replicou entre os incessantes beijos que agora subiam novamente pela mandíbula da loira.

[...]

Foi um milagre os dois terem se comportado até o elevador do prédio.

E foi Emma quem começou daquela vez.

A cantora pressionou Jones contra o espelho do cubículo, tomando seus lábios aos dela com avidez. E logo uma das mãos do homem envolveu a cintura de Swan, enquanto a outra subiu para a nuca, guiando a angulação do beijo e permitindo maior espaço para que suas línguas se explorassem novamente.

E quando a porta do elevador abriu, a situação já estava a níveis ininterruptos, nenhum dos dois estava disposto a se afastar. Eles precisavam daquela proximidade; do toque. Da fricção gostosa que o contato dos corpos proporcionava. Por esse motivo, saíram quase tropeçando no sutil degrau, e também nos pequenos vasos de plantas do corredor, por estarem demasiadamente ocupados com a atual atividade.

Assim que fecharam a porta, com Emma certificando-se de trancá-la devidamente (viva às paranoias das estrelas causadas por paparazzis abusivos!), foi a vez de Jones pressioná-la contra a parede.

— Killian... – a loira manejou dizer com a voz num sussurro, tentando concentrar-se em sua fala e não nos lábios quentes de Jones em seu pescoço.

A réplica veio apenas num murmúrio abafado, pois o moreno recusava-se a interromper a distribuição de beijos pela linha da escápula de Swan. Ele sabia que não era, necessariamente, um gemido ou clamor, ela realmente queria falar algo, mas sua tarefa era extremamente tentadora. Inebriante a ponto de dificultar sua pausa.

— Você não deveria ter voltado para o CT? – ela questionou, a culpa atingindo-a num momento inoportuno. – Já está tarde. E a sua concentração? Eu não... – ela parou para controlar a respiração ao sentir o corpo do moreno pressionar-se um pouco mais ao dela, oferecendo-a um contato mais generoso com seu membro rijo. – Eu não quero te atrapalhar.

E então ele parou.

Aquela frase foi como um soco para o jogador, pois o fez pensar em tudo que passaram desde que se conheceram: os rumores, os fotógrafos e até mesmo a perseguição quase recente ao café... Por mais que Emma acreditasse que ela o causara problemas, a verdade era que o encontro dos dois chamou mais atenção dos holofotes hollywoodianos que esperavam. Ele não queria que ela se sentisse culpada por algo que não tem responsabilidade alguma. Pelo menos, não sozinha.

Segurando o rosto da loira delicadamente, acariciando sua bochecha com o polegar novamente, Jones ofereceu seu maior sorriso – ele queria que ela se sentisse livre de tanta culpa, livre para se permitir sentir e deixar fluir aquele relacionamento (se é que ele poderia chamar assim).

Eles estavam indo tão bem! Não era prepotência, ele podia ver, no brilho do olhar dela, o quão feliz estava e sentia-se triunfante por saber que era responsável por ao menos parte disso.

Ele queria garanti-la de que estariam bem... Se lutassem por tudo juntos.

E se suas palavras ainda fossem alvo de dúvidas, bastava que Emma o encarasse para encontrar no azul de seus olhos toda sinceridade e carinho que nutria por ela.

Aliás, quem ele queria enganar? Os comentaristas sempre disseram que nenhum marcador era capaz de pará-lo ou dominá-lo... Mas nenhum deles previu a chegada de Emma Swan. Ela sim, não somente era capaz de tal movimento, como já havia o feito sem saber ou esforçar-se em demasia.

— Hey... – ele começou. – Eu estou exatamente onde quero e preciso estar.

— Mas o Jason não vai te punir ou brigar com você?

— Eu não faço ideia, nunca passei por isso. – Jones deu de ombros, mas respondeu honestamente. – E não ligo. O que são sete anos de disciplina impecável por uma advertência?

Ela não respondeu, apenas sorriu fraco e virou o rosto na tentativa de planejar a nova argumentação quando Killian roubou um novo beijo, mais cálido que o anterior.

— Embora eu pretenda quebrar mais regras por você, quero que entenda que eu escolhi isso. Eu estou indo contra as restrições do Jason, eu fugi do CT essa noite... Eu escolhi você, Emma. E se você me aceitar e me permitir aqui, não há outro lugar no mundo que eu desejaria estar.

Aquelas palavras foram como faísca para reacender o fogo da loira, fazendo-a dispensar todas as preocupações desnecessárias.

Onde estava o tal “começo feliz” que ela havia aceitado horas atrás? Bom... Killian estava logo em sua frente.

E era tudo que ela precisava.

[...]

Killian acordou com o mesmo alarme de sempre, embora o som estivesse mais distante e abafado. Com os olhos ainda fechados, murmurou uma reclamação qualquer antes de se dar conta de onde estava.

Então todo dia anterior passou em sua mente como um filme: as horas com Emma no campo de futebol infantil de seu condomínio, o convite para vê-la cantar, o treino rápido que tivera depois, James exigindo uma concentração de última hora, sua fuga do CT, a exuberância de Swan no palco... E todo restante da noite. Os beijos, as carícias e a forma que se amaram.

Incapaz de conter-se e esconder sua felicidade, o capitão sorriu, especialmente ao sentir o corpo quente da cantora próximo ao seu. Quando finalmente abriu os olhos, Jones pode vê-la dormir feito um anjo em seus braços, além de tomar ciência da proximidade de toda extensão de seus corpos, misturando-se com o pano suave da cama.

Ele desejava ficar ali por toda eternidade, mas o alarme ainda tocava, vindo de outro cômodo da casa.

E ele odiava a ideia de ter que acordá-la.

— Emma. – o capitão chamou de maneira doce, retirando os fios de cabelo do rosto de sua amada. – Emma, meu anjo, acorde.

— Só mais cinco minutos! – ela resmungou, tentando aninhar-se novamente nos braços do jogador, ato que o fez sorrir abobado.

— Não precisa levantar, eu só queria avisar que preciso ir. – a resposta veio num sussurro enquanto seus dedos ainda passeavam pelas longas madeixas da mulher. – Nos falamos mais tarde?

Foi naquele momento que, aparentemente, a realidade atingiu a consciência de Emma, fazendo-a abrir os olhos e encarar o homem em sua cama. Em outros tempos, ela poderia surtar e mandar qualquer acompanhante para fora, mas tudo que ela desejava era mais tempo com Killian.

— Bom dia. – disse sorrindo timidamente.

— Bom dia. – respondeu, dando-a um suave beijo antes de levantar-se com cuidado e escanear o local com os olhos, procurando por suas roupas.

E ele poderia rir com essa situação que, claramente, denunciava a ânsia e impaciência de ambos no dia anterior, mas preferiu não fazê-lo, não queria que Swan interpretasse qualquer ação de forma errada.

— Que horas acaba seu jogo? – Emma perguntou, enrolando-se nos lençóis.

O moreno não pode conter o sorriso nos lábios em vê-la ainda tão tímida em revelar seu corpo despido à luz do dia, mesmo sabendo que Jones não só havia visto cada centímetro, como também tocado e beijado. Aquela, talvez, era a imagem mais adorável e pura que ele guardasse dela até o momento: o rubor singelo nas bochechas e as tentativas desastradas de cobrir-se com o fino pano do lençol.

Contudo, embora se sentisse envergonhada em mostrar-se novamente, não se privou de observá-lo colocar a cueca e a calça que encontrara na entrada do quarto.

— Acho que umas dez da noite eu sou liberado... Por aí. – replicou, sentando-se na beirada da cama novamente para ajustar o sapato. – Nos vemos mais tarde, não é?

— Hmm... Depende. – Swan disse com um sorriso malicioso nos lábios ao aproximar-se e abraça-lo por trás, mordiscando rapidamente a orelha de Jones.

— Depende? – o moreno indagou curioso, arqueando uma de suas sobrancelhas, da forma como a loira amava provoca-lo a respeito.

E ele, mais uma vez, se maravilhava e surpreendia com a cantora: em um momento via sua personalidade mais angelical e pura, em outro, uma mulher extremamente sedutora e provocante tomava frente.

Ela seria a morte para ele!

— Yep. Se você fizer um gol hoje, estarei te esperando nessa mesma cama pronta para recompensá-lo pelo bom trabalho da noite.

O desafio de Emma fez o corpo inteiro de Killian vibrar, eriçando os pelos por toda parte. Ele, então, virou-se por um momento apenas para puxá-la para si, fazendo-a sentar em seu colo.

— Ei!!! – ela reclamou em meio ao riso, desvalorizando completamente sua tentativa de repreendê-lo.

— Eu só quero conversar mais sobre essa recompensa aí. – Jones falou, beijando o pescoço da jovem. E ela sentiu-se vitoriosa por conseguir desvencilhar-se dos braços fortes do jogador e ficar de pé.

— Ganhe o jogo e faça um gol que saberá, Capitão. – a loira replicou num sussurro ao pé do ouvido do companheiro e, lançando-o um olhar travesso, afastou-se para entrar no banheiro. De lá, ainda, tudo o que repetiu para Killian foi outra ordem. – E não se esqueça de fechar a porta quando sair!

Ele não conseguiu responder, ainda em processo de assimilação de toda aquela situação. Considerando as conversas anteriores, Jones realmente acreditou que Swan gostaria de sentar e conversar sobre o passo dado no relacionamento, ou surtar com ele, talvez... Mas lá estava ela, provocando-o e prometendo um novo encontro.

Tudo o que ele podia fazer era sorrir para si mesmo e deixar o coração acelerar-se tamanha felicidade.

— E não adianta tentar me enganar, eu vou assistir ao jogo! – ela gritou do cômodo, o fazendo rir e oferecendo energia para encarar o dia... e Jason Knight.

-CS-CS-CS-CS-CS-

“PARA. O. MUNDO!!! Depois de negar o romance por SEMANAS, nosso casal preferido finalmente foi flagrado aos beijos por um de nossos fotógrafos!

Emma Swan foi a convidada do ano para cantar na festa da Thibault Studios, sua gravadora oficial, e o astro de Los Piratas não poderia perder esse evento, não é? O capitão não somente foi prestigiá-la, como fez questão de mostrar o quão orgulhoso estava de sua namorada... E que demonstração!

Fontes próximas ainda nos contaram que o casal seguiu para a casa da cantora após o show. Vocês estão sentindo o clima esquentar ai também? QUE CASAL!

Será que eles irão negar agora?”


Notas Finais


E então, o que acharam desse capítulo? Deixem suas impressões, será um prazer respondê-los!

Volto a lembrar do instagram "confluenciafanfic" que terá as publicações logo após o envio do capítulo aqui.

E tenho uma novidade! O twitter @captainswanff está fazendo um projeto de entrevista com autoras brasileiras pra encorajar a continuação das criações e eu fui a entrevistada dessa semana! Se vocês puderem/quiserem checar, o link é: https://captainswanff-br.tumblr.com/tagged/little-lindy

Prévia do capítulo do dia 24/05: "— Como vai a ferida na boca do Killian, Ems? – David questionou repentinamente."


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