História Conformidade - Capítulo 3


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Categorias It: A Coisa
Personagens Edward "Eddie" Kaspbrak, Richard "Richie" Tozier
Tags Reddie
Visualizações 24
Palavras 621
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drabs, Ficção Adolescente, LGBT, Lírica, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Matemática


Fanfic / Fanfiction Conformidade - Capítulo 3 - Matemática

Conformidade

 

Matemática

 

 

Batucava a ponta com a borracha na mesa, fazendo o lápis subir e descer em resposta ansiosa ao desassossego sólido de seu íntimo. Os minutos pairavam no ar, arrastando-se como desafio ao ímpeto que sentia de tirar os olhos da página e se aventurar, mais uma vez naquele átimo de segundo, a olhar esperançoso para os ponteiros irônicos acima do quadro negro. Eles tripudiavam da ardência desesperada que o dominava.

Seu desenho ficou muito forte.

 

Tão forte que, mesmo sem as linhas, fica o sombreado.

 

Por que te pintei assim, tão dentro de mim?

 

Eu só queria conversar, andar de mãos dadas, trocar uma carícia ínfima, segredar verdades entre sorrisos e olhares, acalentar a minha solidão na sua.

 

Não precisava forçar demais o lápis.

 

Pode se rabiscar agora.

 

 

Vire borrão.

Os olhos sobrevoavam as palavras rabiscadas, sentindo-se marcar por suas verdades entrecortadas, entremeadas ao senso sutil de déja vu que tinha ao reler. E ainda faltavam sete minutos. Eternos sete. Que apenas um fazia a garganta se fechar.

Números primos, indivisíveis no todo. Com pedaços faltando, se inteirando em metades de um, metades de outro. Integrando-se em conjunto, em simbiose. Numa química ritmada de explosões, de pólvora e lábios, de humor e irritação. De irritação e desespero.

Seis minutos, e poderia entrar em combustão de novo. Poderia sentir sob o peso das palmas o ombro ossudo do outro. Poderia estreitar os olhos e focar em seu rosto rubro de satisfação por fazê-lo se descontrolar. Poderia liberar o grito e o palavrão sempre presos à garganta, fazendo-o gargalhar em triunfo.

Cinco. E poderia partilhar dessa gargalhada. E poderia sentir o coração se apertar no peito e ficar descompassado. E poderia sentir o peso do braço sobre seus ombros, guiando-o para mais perto, acompanhando-o para casa até a porta. E poderia sentir o calor emanar de seu corpo, conforme o magnetismo estreitasse a silhueta dos corpos em um meio abraço pela rua.

Quatro.

Uma pontada involuntária em sua barriga incomodou o já alarmado íntimo, crescendo em ondas a ansiedade de poder ter sua presença. E os ponteiros, em seus vãos de um mínimo quadrado a outro, aprofundavam os ângulos de suas arestas. As meias verdades que se permitia acreditar. A mentira que se forçava a dizer.

Era um simples cálculo. Um mais um.

Era o que o poema dizia.

Era o que a biologia apontava.

O que a química ígnea de seus encontros e conflitos resultava.

 

 

 

Silenciou-se. Pousando os olhos sobre a palavra à ponta do lápis. À ponta do salto que seu coração dava ao notar que, em um minuto, a erupção de seu ser encontraria abrigo no furacão do outro. E, em redemoinho, se negaria a acreditar que era verdade.

Se negaria a dizer a palavra que pulsava em seus ossos. Que batia contra a caixa torácica apertada pela agonia de passar duas horas sem multiplicar os volts de cada mínimo toque. Cada mínimo relance de seu sorriso, de seu olhar.

Palavra.

Que escapava de suas vistas. De sua mente. De seu entendimento.

Enquanto corria, a mochila a sacudir perigosamente em suas costas, ao encontro marcado, inadvertida e inconscientemente, em seu escaninho. Em suas arestas. As quais enchiam-se de vida ao vislumbre das sardas às maçãs do rosto, e o largo e cintilante sorriso entre os cachos negros, e o castanho saltado pelas lentes.

Palavra.

Que fizera com que estancasse a poucos passos de distância.

E se deliciasse.

Com a palavra.

Com a visão.

Com a certeza.

“EDS!”

Suspirou, completamente sem ar. Fitando-o com o corpo a, por fim, relaxar e se livrar da tensão ansiosa que a saudade deixava.

Caminhou os passos restantes, permitindo-se saborear do bater acelerado do coração.

E sentiu que outra palavra crescia. Em exponencial.


Notas Finais


Espero que tenha sido uma leitura interessante.

Até a próxima!


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