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História Confundus - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Confundus


—  Sei que você tem as melhores intenções Hermione, mas duendes estão longe de querer a ajuda de bruxos.—  Rony argumentava ciente de que aquela discussão iniciada minutos antes estava longe de terminar.

Estavam no que era agora seu quarto no Largo Grimmauld, casa que dividia com Harry a quase dois anos. Os dois se encontravam entre as quatro paredes que haviam pintado de azul numa tarde de domingo em que o maior tópico de suas discussões foi o modo como Ron não segurava o rolo de pintura da maneira correta fazendo com que Hermione fosse obrigada a mostrar o jeito certo de se pintar uma parede ,o que deixava Ron contrariado já que ele, por sua vez , não via nada de errado em sua maneira de pintar. Ele se lembrava de como haviam  levado o dia todo e como ficaram exaustos demais até para continuar brigando, mas não cansados o suficiente para deixarem de trocar beijos intensos enquanto tinham respingos de tinta por todo o corpo.

—  Bruxos criaram leis que excluíram e prejudicaram duendes em vários aspectos, é nossa obrigação desfazer isso agora ! —  rebateu Hermione sentando-se na cama dele e reabrindo os livros e anotações que mantinha sob a mesa de cabeceira de Ron.

Aqueles pequenos gestos de intimidade faziam com que o coração dele se aquecesse ,do mesmo modo que acontecia quando Hermione usava uma de suas camisas do Chudley Cannons como estava fazendo agora. Ele não conseguia tirar os olhos dela, e ela parecia ciente disso mesmo tendo desviado o olhar para seus pergaminhos.

—  Eles não tem o menor interesse em usar varinhas —  continuou Rony sentando-se ao lado dela — Na verdade, eles nem precisam.

—  Mas se eles quiserem usar—  rebateu Hermione frisando o "quiserem" de maneira um pouco estridente. —  Vão poder fazer isso sem infringir nenhuma lei! 

Ron suspirou passando a acariciar os cabelos de Hermione.

— Duendes também tem segredos que não revelam para bruxos, por exemplo a maneira com que eles forjam metais, a própria espada de Godric Gryffindor é uma prova disso. —  continuou Rony obtendo o silêncio como resposta dessa vez. —  Você realmente precisa estudar runas antigas agora ?

—  Professora Minerva me concedeu as anotações de Dumbledore sobre Os Contos de Beedle, O Bardo. Ele me deu esse livro de presente, é minha obrigação fazer essa tradução e publicar. — respondeu Hermione sem desviar os olhos de seus pergaminhos,porém aproximando seu corpo de Ron que mantinha o carinho em seus cabelos.

— Você vai ter todo o tempo do mundo para isso Mione, hoje é sábado, deveríamos estar aproveitando o fato de  finalmente conseguirmos passar o dia todo juntos.—  disse ele fazendo com que Hermione erguesse a cabeça em sua direção e aceitasse seus beijos.

O que ele dizia era verdade. Fazia quase um ano desde que Hermione havia se formado em Hogwarts e ambos acreditavam que após isso não precisariam mais passar dias com saudades um do outro como vinha sendo durante os dias letivos da garota. Ledo engando, as tarefas de Ron como auror tomavam cada dia mais de seu tempo além do fato de ter seu trabalho de meio período nas Gemialidades Weasley onde ajudava George a reconstruir o que ele e Fred haviam idealizado um dia. A rotina de Hermione também não favorecia seus encontros , o Ministério da Magia exigia cada vez mais dedicação da parte dela e ela sentia-se tão sobrecarregada quanto em seu terceiro ano em Hogwarts quando usava um vira-tempo para conseguir estudar todas as matérias da grade escolar.

 

Ambos tinham consciência de que ,se estavam argumentando um com o outro, era porque sentiam falta até de seus constantes debates e os beijos lentos e carinhosos que estavam trocando sob a cama de Ron refletiam esse sentimento de todas as maneiras.

 

—  Eu sei que temos que aproveitar o dia mas eu preciso de pelo menos alguns minutos para traduzir essa página, eu quero que essa publicação fique perfeita. —  disse Hermione ainda mantendo sua testa contra a de Ron não querendo quebrar a proximidade 

—  Tudo que você faz é perfeito Mione. — Rony dizia isso enquanto deixava beijinhos por todo o rosto dela recebendo um sorriso como resposta.

—  Eu posso abrir uma exceção dessa vez e podemos ir até a Floreans Fortescue, ouvi dizer que os novos donos fazem sorvetes ótimos. —  propôs Hermione deixando o livro escapar de suas mãos para poder passar seus braços ao redor do pescoço de Ron.

—  É uma oferta tentadora.—  respondeu voltando a beijar os lábios dela por fim. —  Mas hoje é aniversário de George e , sabe, todos fizemos questão de passar esse dia com ele n'A Toca, Harry e Gina já estão lá provavelmente,mas eu vou entender se você não quiser ir.

Hermione se sobressaltou, havia esquecido completamente da comemoração que ocorreria na casa dos Weasleys mesmo tendo sida avisada há semanas. 

Ela não conseguia imaginar como deveria estar sendo para George passar ,pela primeira vez,o dia de seu nascimento sem o irmão com quem esteve durante toda a vida. Lembrava-se como se houvesse acontecido ontem, das expressões de dor e luto que todos os Weasleys carregavam na manhã seguinte a derrota de Voldemort, lembrava-se dos silêncios entre ela e Ron e tudo que pôde fazer antes e o que poderia fazer agora ,era manter sua presença e seu apoio.

—  A Toca sempre foi um lar para mim. —  respondeu ela o olhando carinhosamente. —  É claro que estarei lá com você.

Ron sorriu em resposta a puxando para mais um beijo longo. Tinha percebido,em seu breve relacionamento com Lilá, o quanto passar um tempo "dando uns amassos" importava para ele mas, com Hermione , era ainda melhor. Poder estar tão próximo da garota que amava e admirava desde seus primeiros anos em Hogwarts transmitia sensações inexplicáveis dentro de si.

—  É melhor começarmos a nos arrumar se não quisermos chegar atrasados não é? —  disse Hermione dando um último beijo rápido em Ron antes de se levantar da cama. Era difícil vê-la assim tão perto, vestindo sua camisa e não querer puxá-la para algo a mais, concordou com ela mesmo assim , trocando suas vestes casuais por roupas mais sociais e dirigindo-se junto com ela para a zona de aparatação ao lado de fora do Largo Grimmauld, em seguida.

A Toca estava com o mesmo ar acolhedor de sempre. Gui estava lá ao lado de Fleur e até Carlinhos havia voltado da Romênia pois sabia como sua presença seria importante.Ron quase podia sentir como em sua infância, com toda a família reunida e feliz. Quase. Olhar nos olhos de sua mãe e enxergar a dor que ela visivelmente se esforçava para esconder , mostrava como nada seria como antes em sua família.

—  Sei que você não vai ficar feliz com isso, mas agora é oficial que nenhum dos Malfoy vai para Azkaban. —  disse Harry quando Ron e Hermione finalmente conseguiram se desvencilhar dos braços de Molly Weasley que insistia que ambos tinham que visitá-la com mais frequência e os constrangia com perguntas relacionadas a casamento e filhos.

—  Uma parte de mim sabia que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde. —  respondeu Ron em tom frustrado. 

—  Chega de falar de trabalho. —  interveio Gina  colocando-se ao lado de Harry que passou um de seus braços ao redor da cintura da namorada. —  Vocês sabiam que Percy tem uma namorada? Ele disse que vai trazê-la hoje.

—  Bem, então vamos conhecer a coitada. —  respondeu Rony fazendo os três rirem brevemente antes de serem interrompidos por Molly que reprovou o que foi dito pelo filho. Ela estava claramente tentando agir como se nada tivesse acontecido, como se Percy nunca houvesse magoado todos os presentes naquela casa ,como se nunca houvesse acontecido uma guerra que levou um de seus filhos.

—  George você está usando uma orelha de plástico ? —  questionou Arthur Weasley quando,minutos mais tarde, George chegou n'A Toca ao lado de uma sorridente Angelina. Estava ficando cada vez mais comum para Rony encontrá-la nas Gemialidades Weasley no fim do expediente quando ela e seu irmão mais velho inventavam  desculpas para ficarem a sós.

— Enfeiticei essa aqui e agora tenho uma orelha nova e mais potente que a antiga. — respondeu George enquanto cumprimentava os convidados. —  Consigo ouvir até ruídos muito baixos com essa nova orelha.

—  Isso seria bom se não ficasse tão óbvio que é uma orelha falsa. —  continuou Arthur . —  A diferença de tamanho é gritante, você poderia pedir uma prótese normal no St.Mungus.

Arthur estava certo, a orelha de plástico estava presa na cabeça de George por um arco da cor de seus cabelos e era visivelmente maior que uma orelha normal. George, porém, deu de ombros.

—  Angelina disse que achou isso um charme excepcional. —  foi tudo que ele respondeu antes de iniciar brincadeiras em que ele desafiava seus irmãos, juntamente com Harry, Hermione e Angelina a dizerem frases no tom mais baixo que conseguiam enquanto ele tentava decifrar o que havia sido dito com sua orelha nova.

 

A brincadeira rendeu boas risadas entre eles , descontraindo o clima tenso mesmo quando Percy se fez presente ao lado de Audrey que parecia tão deslocada entre eles quanto um sereiano em superfície terrestre. 

—  Hermione, você sabe me dizer como trouxas conseguem fazer um avião voar ?—  perguntou Arthur após cortarem o bolo que Molly havia assado para George. Estavam todos na cozinha e Hermione observava Ron atentamente em busca de flagrar olhares furtivos dele para Fleur que estava sentada ao lado de Gui na frente de ambos. Para sua felicidade, ele não parecia mais ser tão afetado pela presença da veela.

—  É um processo complicado Sr. Weasley. —  começou ela sorrindo e,como sempre , se divertindo com o interesse do sogro em objetos trouxas. —  Mas basicamente, aviões possuem turbinas que auxiliam seu vôo.

Sua resposta provocou mais questionamentos de Arthur e ela respondeu todas as perguntas feliz em contribuir para o bem estar do patriarca dos Weasleys de alguma forma. Ele sempre se comportava como um suporte para Molly e seus filhos, mas era visível como a perda de um ente querido o afetava tanto quanto os outros familiares ali presentes.

Hermione não ficou nem um pouco surpresa quando os Weasleys, juntamente com Harry e Angelina , iniciaram uma partida de quadribol no pomar após terminarem o bolo. Como sempre,ela preferiu ficar sob uma das laranjeiras e apenas assistir ao jogo  entre irmãos do qual Gina estava claramente levando bem a sério.

—  Então não sou a única que prefere assistir a jogar Quadribol. —  disse Audrey se aproximando de Hermione e sentando-se ao seu lado. 

Era jovem e bela, parecendo ser tão séria e centrada quanto Percy.

—  Não gosto muito de voar, não sou tão boa nisso como gostaria de ser. —  respondeu Hermione em tom cordial.

—  Bem, Percy também não, mas ele insiste não é? —  disse Audrey apontando  para  onde o namorado voava visivelmente desajeitado entre os irmãos, evitando balaços que Gina e George atiravam contra ele. 

Hermione riu com a frase dita por ela. Talvez Audrey não fosse tão séria quanto parecia afinal, estava apenas desconfortável estando em um lugar novo e, por mais que amasse Molly Weasley, Hermione sabia como a mulher poderia ser dura com suas noras, assim como havia sido com Fleur. Ela tinha consciência da sorte em sempre ter estado entre aquela família, não sendo necessárias apresentações quando ela e Ron começaram a namorar.

 

— Ouvi ótimas coisas sobre você ,Ron e Harry , tenho que admitir que admiro muito os três. — disse Audrey, Hermione agradeceu. — Percy disse que você e Ron estão juntos desde sempre.

 

Hermione pensou em protestar, afirmar que na verdade fazia apenas um ano que ela e Ron tinham, oficialmente,um relacionamento, mas ao lembrar-se de todos os seus pequenos momentos quando monitores em Hogwarts, o modo como dançaram juntos no casamento de Gui e Fleur e como estiveram lado a lado durante toda a segunda guerra, concluiu que Audrey estava certa.

 

— Sim. — respondeu Hermione. — Desde sempre.

 

A conversa de ambas foi interrompida pela movimentação ao redor quando os Weasleys e Angelina aterrissaram com suas vassouras, Ron exibia um sorriso largo.

 

— Não jogo assim desde Hogwarts e tenho que admitir, estava com saudades disso. — disse ele se aproximando de Hermione que levantou da grama para passar seus braços ao redor dele,sorrindo de volta.

 

— Ele foi realmente bom. — disse Gina se aproximando dos dois. — Segurou todas as tentativas de Harry de marcar um gol.

 

— E nem precisou de um confundus dessa vez. — acrescentou Harry em tom divertido, Ron franziu o cenho.

 

— Como assim confundus?—questionou ele olhando de Harry, para Gina e por fim para Hermione que adquirira uma postura  tensa.

 

— Ahn… deixa pra lá. — disse Harry tentando mudar de assunto mas falhando. Ron havia se afastado de Hermione e olhava para todos a espera de uma resposta. 

 

Percy , Gui, George e Carlinhos haviam se afastado assim como Angelina e Audrey, como se já previssem o rumo negativo daquela conversa.

 

— Ron…— começou Hermione sem conseguir olhar para ele. — Quando estávamos no sexto ano em Hogwarts, eu usei o confundus em um de seus adversários no teste para entrar no time da grifinória.

 

—Você... E vocês sabiam disso esse tempo todo ?— questionou o ruivo se referindo a Gina e Harry que assentiram em afirmação.

 

— Ron eu só queria…

 

— Acho que vou voltar pra casa agora. — disse ele interrompendo o que Hermione dizia enquanto se afastava. — Diz pra todos que precisei ir embora e não pude me despedir por favor Gina.

 

— Ron…— Hermione fez mais uma tentativa mas ele já havia lhe dado as costas e caminhava para longe d'A Toca,em direção ao local onde poderia aparatar. 

 

Ela sentia lágrimas sendo formadas em seus olhos enquanto seu coração batia forte no próprio peito.

 

— Hermione eu sinto muito… achei que nessa altura vocês já tivessem conversado sobre isso. —disse Harry visivelmente arrependido, ela não conseguia sentir empatia, porém.

 

— Harry você é um estúpido! — exclamou Hermione afastando uma lágrima com agressividade.— Ah… eu vou voltar para o Largo Grimmauld e ver se consigo encontrar Ron ainda.

 

— Deixe ela ir Harry. — disse Gina quando Hermione deu as costas e passou a se afastar e ele fez menção de ir atrás dela. — Vocês dois conversam depois.

 

Harry assentiu ,caminhando de volta para A Toca ao lado Gina e com o sentimento de culpa.

 


Notas Finais




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