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História Confused Feelings - norenmin - Capítulo 11


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Capítulo 11 - Décimo Primeiro


Jeno

Assim que chego na sala de preparação, analiso todas as direções na esperança de encontrar Jaemin. 

Alvo localizado. 

Ele concentrava-se isolado em um canto, treinando os passos de sua performance. Eu reconhecia pois já havia visto Jaemin e Renjun praticando diversas vezes. 

Jaemin parece tão concentrado que receio atrapalhar seu foco, mas infelizmente era necessário pois eu precisava notificá-lo sobre algo. Uma notificação nada agradável.

– Oh! Jeno!  – ele sorri e acena para que eu vá até ele. – Você é incrível! Eu queria ter visto você ensaiar, teria me acalmado de tantas formas... Ah cara, você toca demais, qualquer instrumento. Você-é-foda. 

Jaemin parece tão animado... Como eu poderia avisá-lo que seu parceiro acabara de dar-lhe um bolo? Ele está sorrindo tanto... 

Aperto os punhos e tento reunir toda a coragem que habita em mim para dizer:

– Obrigado, você também fará uma apresentação incrível. – "E eu sou um frouxo."

– É, só preciso achar o Renjun. Nós entramos em dez minutos e ele simplesmente desapareceu. Fui no banheiro, pátio, praça de alimentação, sala de aula e nada. Ah! Eu não fui na sala de prática. Como não pensei nisso antes? Ele deve estar ensaiando os últimos passos.

Seguro seu braço.

– Nana... o Renjun não vem.

– O quê? A gente se falou antes de começar as apresentações, Jeno. Ele só deve estar nervoso em algum canto.

– Eu falei com ele há pouco. Ele saiu correndo dizendo que era algo urgente e me pediu para avisar que não poderia apresentar com você.

Renjun poderia ter os motivos dele, e dependendo do que fosse eu o compreenderia, mas jamais o perdoaria por ter feito o largo sorriso de Jaemin que eu tanto aprecio sumir naquele momento.

– Ele não... Ele sabe como isso é importante para mim.

Eu não consigo responder porque a imagem de Jaemin confuso-triste-decepcionado parte meu coração. Eu daria tudo para não ter que vê-lo daquele jeito. Ele se esforçara tanto...

O aviso de que a próxima performance entraria no palco soa e Jaemin me olha espantado.

– Jeno, o que eu vou fazer? Não posso entrar lá sozinho. Me inscrevi como dupla, vou ser desclassificado.

Ele passa a mão na cabeça.

– Vou lá notificar desistência.

– Mas... essa é sua maior oportunidade.

Ele dá de ombros. – Não há nada que eu possa fazer. Está tudo bem. Eu tento de outras formas.

Jaemin tenta parecer tranquilo, mas percebo que está desapontado. 

"Eu daria tudo para não ter que vê-lo daquele jeito. Ele se esforçara tanto..."

– Não. – o interrompo. – Eu subo lá com você.

– O quê?

– Eu disse que vou ser sua dupla.

Ele para durante alguns segundos enquanto tenta processar a informação que eu acabara de passar. Em seguida, deixa escapar um sorriso, mas esse some na mesma hora em que ele nota minha expressão.

– Você está falando sério? – pergunta.

– Você acha que eu brincaria numa hora dessas?

– Mas... os ensaios...

– Acho que assisti você e Renjun o suficiente.

Ele ainda não parece convencido.

– Vamos, Nana. Você não tem muita opção. Já ia desistir de qualquer forma. Não tem nada a perder.

Ele arqueia a sobrancelha. – É, tem razão. – Me olha dos pés a cabeça e conclui: – Por que não?

Jaemin segura minha mão e me acompanha até o auditório. Subimos no palco. As luzes se acendem. Hora do show.


Renjun

Entro correndo no hospital que Jisung estava, me dirijo até a recepção e pergunto sobre um paciente chamado Zhong Chenle, que havia dado entrada há pouco tempo. Digo qual minha relação com ele e a recepcionista me informa o número do quarto em que ele estava. Subo as escadas pois estava apressado demais para esperar o elevador.

Chego na frente na porta do quarto de Chenle e hesito um instante.

Toc toc toc.

– Pode entrar. – Chenle avisa lá de dentro.

Giro a maçaneta e abro a porta lentamente. Ao mesmo tempo em que não queria piorar o estado de Chenle ao se surpreender quando me visse, naqueles segundos em que a porta estava sendo aberta eu teria de pensar em uma boa explicação para estar ali. Isso nem sequer havia passado pela minha cabeça. Afinal, se eu tivesse seguido minha cabeça não estaria ali com Chenle, e sim com Jaemin.

– Renjun??? – ele me olha espantado enquanto ajeita sua postura na cama. – O que você está fazendo aqui?

Como eu responderia aquilo? Nem eu sabia ao certo o que estava fazendo ali. Apenas segui meus impulsos.

– E-eu soube que você passou mal.

– Bom, eu estou bem. Foi só um susto.

– É, mas você não se apresentou por causa disso.

Ele dá de ombros. – Coisas da vida. E a sua apresentação, como foi?

– Err... – passo a mão na cabeça. – Eu não me apresentei.

– O quê? Por quê?

Ele fica me encarando por um tempo.

– Renjun... você não devia estar aqui.

Ele estava certo.

– Olha, não me entenda mal. Eu fico feliz que você tenha... se preocupado? – Aquilo estava se tornando uma situação bastante constrangedora. – Mas isso não está certo, você sabe.

Assenti com a cabeça. Entre nós dois, Chenle sempre havia sido o mais sensato.

– Não sou próximo do Jaemin, mas pelo que Jeno me fala ele parece ser um cara legal. E ele fala bastante dele. – Chenle sorri.

Começo a me perguntar quais seriam os pensamentos recorrentes em sua cabeça. Quando troquei de escola as coisas haviam ficado tão... inacabadas.

– Você não precisa se preocupar comigo ou com o que aconteceu. E eu não me refiro ao fato de estar nessa cama de hospital agora. – Ele sorri novamente. O fato de agir como se pudesse ler minha mente me deixava assustado.

– Não sei como você consegue sorrir tanto nessa situação.

– Se não sorrirmos a vida se torna chata.

Ficamos em silêncio por uns segundos.

– Bem, então é melhor eu ir. 

Ele assente.

Quando chego na porta me viro e concluo:

– Sei que não tem muito a ver, mas se precisar pode contar comigo. Somos amigos ainda, certo?

Ele fica em silêncio. Não deveria ter falado aquilo. Soaria como eu o estivesse forçando a agir desse modo.

– Tudo bem. Obrigado, Renjun. – ele diz por fim. Saio e fecho a porta apressadamente.

Idiota. Eu devo ter passado umas cem vezes na fila da inconveniência.

Passo pelo quarto de Jisung. Quando vê a porta sendo aberta ele rapidamente esconde o pacote de seja lá o que estivesse comendo escondido.

– Caramba, Renjun. Não sabe bater na porta? Eu pensei que fosse a enfermeira.

Sorrio.

– Oi para você também.

– Oi. – ele volta a comer. – E aí, em que resultou?

Dou de ombros.

– Entendi. Vou estar aqui quando você quiser conversar sobre.

Me dirijo até ele e bagunço seu cabelo. Ele recua.

– Você está melhor? – pergunto sentando-me na cama.

– Muito melhor. Por mim já estaria longe daqui, mas não sou eu quem decide, não é? – Ele revira os olhos. – Recebo alta semana que vem.

– Até que enfim.

– Pois é. – ele fica me encarando. – Você está nervoso?

Me viro em sua direção.

– Sobre?

Ele arqueia a sobrancelha.

– Um pouco. Eu agi muito no impulso. Vou ter que arcar com as consequências. – levanto. – É melhor eu ir, só passei aqui para te dar um oi. 

– Oi dado. – ele sorri. – Boa sorte, Renjun.

– Obrigado. – respondo e saio do quarto.


Jaemin

Graças a Jeno a performance havia sido um sucesso. Eu sabia que ele era talentoso, mas não tanto. Jeno nunca chegou a ensaiar conosco, apenas ficava observando. Como era possível uma pessoa assim existir? Eu não sabia a resposta, mas estava grato por existir. E mais ainda por ser Lee Jeno. Eu certamente estaria em débito com ele pelo resto da vida.

– Parabéns, Nana. Você foi incrível.

– Eu? Olha para você. Não tenho nem como te agradecer. 

Ele estende os braços para mim. Ambos nos abraçamos bem forte.

– Eu vou comprar algo para beber. O que você quer?

– Pode me trazer café?

– Com toda certeza. Vou buscar dois. - ele sorri e sai.

Aproximo-me dos demais alunos para interagir. Alguns já haviam se apresentado, outros ainda estavam nervosos para subir no palco. Tento acalmá-los da maneira que posso. Afinal, o pior já tinha passado, pelo menos para mim. Um deles me cutuca e aponta para a porta. Meu bem estar muda no mesmo instante. 

Renjun estava ali, parado, encarando-me. Me distancio dos demais. Queria sair dali, mas o único meio de saída era aquela porta. E eu não estava muito a fim de conversar com Renjun naquele momento. Ele poderia me explicar o porquê de ter sumido, mas não ali. Eu ainda estava chateado. Queria não estar. Entretanto tratava-se de algo importante demais para mim e, Renjun, mesmo sabendo, sumira sem explicação alguma. Eu não podia simplesmente fingir que nada havia acontecido.

– Jaemin, eu posso falar com você?

– Eu não acho que seja uma boa hora.

Ele bloqueia a porta.

– Por favor, é importante.

– Essa apresentação também era importante para mim. E você se importou quando me deixou sozinho? Você sabia que eu não poderia me apresentar só.

– Eu sinto muito Jaemin, muitíssimo mesmo.

Eu estava ficando impaciente. Sabia que não deveria ter qualquer conversa naquele momento, mas parte de mim queria saber o que era tão importante para Renjun não se importar em me fazer desperdiçar uma das maiores oportunidades da minha vida.

– Muito bem, onde você estava então?

– No hospital.

– Hospital? Você estava passando mal? – começo a me preocupar, eu estava sendo um tolo, afinal.

– Não, outra pessoa passou mal.

– Caramba, quem? – pergunto.

Ele me olha, mas fica calado.

– Renjun? Era o Jisung?

– Não. – Renjun estava com dificuldade em falar, o que me deixava ainda mais curioso e nervoso.

– Jaemin, me perdoa. Quando eu já estava lá vi que não deveria ter te deixado aqui. Isso tudo vai parecer muito estranho, mas não é exatamente o que parece.

– Renjun, quem você foi ver? Quem é tão importante para você sair correndo?

– Não é que seja importante...

– Renjun!!! – eu já estava irritado.

– Chenle.

Fico paralisado. 

– Jaemin, por favor, diz alguma coisa.

"Não importa o que eu diga, Renjun. Isso 'é' exatamente o que parece." Antes que eu perceba, sinto gosto de um líquido salgado na boca. Algo desliza pelo meu rosto e então... o gosto salgado de novo. Renjun levanta a mão para enxugar aquelas lágrimas inconvenientes que insistiam em cair enquanto de minha boca nenhuma palavra saía. Antes que a mão dele alcançasse meu rosto eu a impeço.

– Jaemin...

Limpo as lágrimas rapidamente com o casaco e saio dali deixando Renjun para trás.

Desço as escadas e me deparo com Jeno do outro lado segurando um café em cada mão. Não queria que ele me visse fragilizado então tentaria fingir que nada aconteceu. Ele me avista e sorri para mim. Droga. As malditas lágrimas voltam. Jeno para de sorrir na mesma hora, solta os dois cafés, vem correndo em minha direção e me abraça. O abraço de Jeno estava tão aconchegante que me permito ser frágil uma vez. Não teria problema ser assim com ele. Como se eu estivesse no lugar mais confiável do mundo, cedo à liberdade de chorar.



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