1. Spirit Fanfics >
  2. Confused Feelings - norenmin >
  3. Quarto

História Confused Feelings - norenmin - Capítulo 4


Escrita por:


Capítulo 4 - Quarto


Jaemin

Jeno, Donghyuck e eu estávamos na lanchonete perto do dormitório jogando conversa afora. Donghyuck menciona algo sobre Jeno estar feliz por eu não andar mais com Renjun.

– “Ah porque o Nana nem anda mais comigo” – ele imitava Jeno.

– Quando eu disse isso? – Jeno retruca.

– Não disse, mas eu podia sentir o cheiro de ciúme no ar.

Jeno revira os olhos e exclama: – Você é um idiota.

– Até porque todo mundo sabe que eu só tenho olhos para o Jeno. – digo apoiando meu braço em seu pescoço e dou um selinho em sua nuca. Ele recua.

– Vão para o dormitório pelo amor de Deus, ninguém merece ficar vendo isso. – Donghyuck faz uma cara enojada.

O clima estava bem agradável e descontraído. Em algum momento avisto Renjun e Jisung caminhando pelo pátio. Eles pareciam tranquilos enquanto desenrolavam uma conversa sobre qualquer coisa. Jisung me avista e bate no peito de Renjun apontando em minha direção. Renjun apenas dá um pequeno sorriso, abaixa a cabeça em cumprimento e então segue caminho.


Renjun

Eu havia perdido o controle total dos acontecimentos. Não queria que alguém se machucasse de verdade. Nunca quis. Certamente tenho dívida com muitas pessoas e talvez não consiga me redimir com todas elas. Se eu jamais houvesse inventado uma hierarquia...

Ouço barulho de chave abrindo a porta. Mark entra e sorri para mim. Ele entende a situação e sabe que não estou no momento de sorrir, porém retribuo o sorriso pois sei que esse é seu modo de lançar energias positivas para as pessoas. Mark é reservado, raramente se envolve em problemas alheios, porém fica totalmente inquieto quando os amigos estão mal. Não importa o que ele esteja fazendo, larga tudo para poder ajudar. 

– Então, onde você quer ir? Eu estou morrendo de fome. Pensei que poderíamos ‘dar um pulo’ na casa de jogos essa noite, mas se você quiser ir comer seria uma boa. Você quer comer, não é? Quer sim. Estou certo?

Mark conseguia ser engraçado sem fazer qualquer esforço.

– Apelando desse jeito você convence qualquer um. – digo.

Ele sorri.

– Pode deixar que eu pago. Você pode escolher o que quiser. – ele agia como meu irmão mais velho e de fato eu o considerava assim, afinal sou filho único e, bem, digamos que não tenho muito acolhimento em casa. A amizade de Mark com certeza era uma que eu queria manter para o resto da vida.


Jaemin

Jeno abriu uma exceção em suas atividades no clube para dedicar a tarde em me dar aulas de reforço. Minhas notas não eram ruins, mas confesso que matemática não era muito meu forte. Não importava o quanto tentasse, eu odiava a disciplina e isso acabava criando um bloqueio para que eu a compreendesse.

Vendo o enorme esforço que eu estava colocando para entender o que ele explicava, Jeno decide dar uma pausa em nossos estudos.

– Sabe aquele grupo de dança que você gosta? Eles vem para uma apresentação na cidade em alguns meses.

– Aqui na escola?!? – pergunto entusiasmado.

– Claro que não, seu doido. Na praça de eventos perto do teatro.

– Ah. Pena eu não poder ir. Estou tentando economizar, do contrário passo fome. – respiro fundo – Mas ah... eu queria tanto ir, faria tudo por um ingresso.

Jeno sorri. Ele retira dois ingressos do bolso e coloca bem na altura do meu rosto.

– Você só pode estar brincando!! Lee Jeno você é um anjo!!

– Eu sei. Quando soube que eles viriam me apressei em comprar para mim e para o Hyuck.

– O que?! 

Ele cai na gargalhada.

– Estou brincando.

– Como você ousa? Eu te odeio.

Jeno tem uma súbita crise de risos por ter me feito de idiota. Quando finalmente se acalma, começa a arrumar suas coisas.

– Eu preciso praticar. A gente se vê mais tarde. – ele diz e vai embora, ainda gargalhando.  

Aproveito para dar uma última revisada nas lições passadas por Jeno antes de sair da sala. Guardo meus cadernos e livros na mochila e levanto para ir embora. Ao sair, esbarro em alguém. 

Renjun.

– D-desculpa, eu não vi você.

– Tudo bem, acontece. – ele responde e continua seu trajeto até que, por um súbito reflexo, acabo segurando seu braço. Ele olha para minha mão o impedindo de se afastar e pergunta o que estou fazendo.

– Você têm estado estranho ultimamente. Nunca mais apareceu me arrastando para te seguir.

– E você gostava disso? – ele sorri debochado – Eu me cansei. Considere-se livre. – ele vira-se, porém o seguro novamente.

– Jaemin, eu já disse que você está livre. – ele responde com a voz levemente alterada.

– Tudo bem, eu entendi, mas... por que isso tão de repente? Não faz sentido.

– Você é masoquista ou o quê? Por que está me questionando quando deveria estar feliz por não ser mais obrigado a andar comigo? Só... me deixa em paz, okay? – ele responde irritado.

Eu não queria causar confusão, mas não iria desistir até obter uma resposta.

– Só vou deixar você ir depois de uma explicação plausível.

Renjun me encara por um tempo e então afasta minha mão para longe. 

– Você é muito incoveniente. – ele diz. 

O observo se afastando pelo corredor até sumir do meu campo de visão.

••••

– Você vai continuar bancando o bem-humorado ou vai me contar o que aconteceu?

– O-oi? – a voz de Jeno despertou-me do transe no qual eu, mesmo sem perceber, havia entrado.

Jeno levanta uma das sobrancelhas enquanto mostra um leve sorriso de canto.

– Eu não consigo mesmo esconder nada de você, não é?

Ele faz sinal de negação com a cabeça.

– Acho que você não gostaria de saber.

– Você ainda não tentou.

– Mas eu sei. – afirmo convicto.

– É sobre o Renjun. Acertei?

Assinto. Jeno deixa escapar um leve suspiro.

– Bem, é verdade que tenho meus motivos para desgostar dele... mas isso não quer dizer que eu o odeie. Você está chateado por vocês terem se afastado?

– Não é bem isso, é só que... eu sinto que tem algo errado. Essa mudança súbita de comportamento depois daquele incidente...

– Está falando da surra que você levou.

– Nono...

– Tudo bem, desculpe. Pode continuar.

Faço uma pausa antes de continuar. Precisava encontrar as palavras certas no meio da confusão que estava em minha cabeça.

– Hoje, assim que você saiu da sala, topei com ele no corredor. Eu queria conversar, tentar entender o que aconteceu, mas ele nem quis me ouvir.

– Prossiga.

– Eu sinto que preciso de uma explicação, sabe? Quero dizer... sei que ele não me deve nada, mas as atitudes dele estão muito estranhas. 

– Acho que você deveria tentar falar com ele novamente.

– Você acha?

– Sim. Falar sobre o que você sente.

– O que eu... sinto?

– Você gosta dele.

– O quê?!? Você não... Nono, veja bem o que você está dizendo. Isso não é hora para brincadeiras, está bem?

– Eu não estou brincando. – Jeno responde sério. De fato, isso não era algo que ele brincaria sobre. Jeno era uma das pessoas mais sensatas e respeitosas que eu conhecia. Agir desse modo não era muito de seu feitio, por isso levo um tempo até processar a informação que havia recebido, principalmente vinda de alguém que me conhecia tanto...

– Você acha mesmo que eu possa estar... – semicerro os olhos observando Jeno, esperando ansiosamente uma resposta sua antes que eu possa concluir minha fala. Como esperado, ele entende meus sinais.

– Nana, eu o conheço há bastante tempo. Saberia dizer como você se sente mesmo que estivesse de olhos fechados.

Meus olhos continuam semicerrados e agora as sobrancelhas franzidas resolvem acompanhá-los. 

– Eu estou ferrado, não estou? – pergunto confuso.

Jeno sorri. 

– Infelizmente não posso responder essa pergunta. É você quem vai ter que descobrir.

Suspiro pesadamente.

– Vai ficar tudo bem. Reúna a mesma dose de coragem que usou para acertar aquele soco nele no primeiro dia. 

– Nono... – respondo quase que em um lamento.

Ele sorri novamente.

– Sabe, quando falei com o Hyuck ele disse a mesma coisa, porém não com a mesma seriedade que você.

– Você conversou com ele sobre isso?

– Não exatamente. Apenas comentei algumas vezes sobre Renjun não me importunar mais. Ele perguntou o porquê eu me sentia tão incomodado em não passar mais a maior parte do meu dia com ele e ainda disse que toda essa reclamação é coisa de quem sente saudade.

Jeno abre uma gargalhada. – É a cara do Hyuck dizer isso.

– Ele é muito direto, isso me assusta.

– Mas pelo menos é sincero. Ele pode não escolher bem as palavras para usar, mas não quer dizer que não saiba o que está acontecendo. Espero que depois dessa você tenha compreendido o quão óbvio está.

– Err...

– Boa sorte! – ele diz sorrindo antes de sair.

••••

Naquela tarde a sala de treino estava vazia. Eu havia mandando mensagem para Renjun pedindo que me encontrasse ali, mas sabia que as chances de ele aparecer eram pequenas levando em consideração seu comportamento. Entretanto, estava disposto a seguir o conselho de Jeno. Eu confiava nele mais do que em mim mesmo. Se ele achava que eu deveria fazer aquilo, então eu faria.

Confesso que não sabia ao certo quais eram meus sentimentos em relação a Renjun. De qualquer forma, esperava descobrir ali, caso ele me desse a oportunidade. Só assim eu poderia seguir em frente não importasse o resultado.

Ouço a porta da sala abrir e vejo Renjun entrar com ambas as mãos no bolso. Ele estava usando uma roupa largada, diferente do habitual. Assemelhava-se mais a um estudante comum, em contraste com o ‘maioral’ da escola. Não soube ao certo se era o conforto que suas roupas aparentavam ter, mas de alguma forma também me senti confortável, como se pudesse de fato encarar qualquer conversa com ele. Ou pelo menos era o que eu achava até ele se aproximar. 

Renjun aproxima-se calado, mantendo o silêncio mesmo ao parar em minha frente. A única coisa ele faz é me observar. Aquela falta de atitude me causou um leve incômodo e de repente todas as palavras que eu poderia deixar escapar não conseguem sair de minha boca. Minha mente se esvazia e não consigo pensar em nada. Por que estava ali? O que eu queria mesmo? A única coisa que consigo sentir é meu batimento cardíaco se acelerando a cada segundo. Droga. Acabara de obter a resposta para minha pergunta, e Renjun sequer havia dito algo.

– O gato comeu sua língua? - ele pergunta enfim.

Balanço a cabeça e tento soltar algumas palavras. Sem sucesso. 

Ele desvia o olhar para o chão.

– Jaemin, eu vou te contar o porquê disso tudo. Talvez você não entenda, não sei o que se passa por essa tua cabeça, mas você tem razão. Eu te devo uma explicação.

Ele senta no chão da sala e gesticula para que eu sente de seu lado.

– Aqueles garotos que fizeram aquilo com você, costumavam andar comigo na antiga escola. Eram meus “seguidores”, faziam tudo o que eu pedia. Ele me veneravam. Nunca entendi ao certo o porquê, se era por causa do meu pai ou eles só queriam um líder do mal mesmo. – ele deixa escapar um sorriso, que some tão rápido quanto havia aparecido – Até que eu conheci um garoto. O nome dele era Chenle. Eu o conheci durante as aulas de música. Você pode se surpreender agora, mas eu costumava cantar. Sempre amei a música. Chenle tocava piano. A gente se aproximou bastante até que começamos a nutrir sentimentos um pelo outro. – Renjun dá uma pausa e encosta a cabeça na parede – Estava tudo indo tão bem. Eu estava feliz, sabe? Mas parece que meus “seguidores”... - ele diz fazendo aspas com as mãos – ...bem, eles não gostaram muito da ideia de eu parar de andar com eles. 

Não ouso interrompê-lo momento. Eu escutava a história de Renjun com bastante concentração. 

– Um dia Chenle não apareceu na prática. – ele dá uma pequena pausa e pude sentir o peso que as próximas frases carregariam. – Eu liguei várias vezes e ele não atendia nenhuma das ligações. Quando voltei para o dormitório Chenle estava lá na frente me esperando. – ele engole seco. – Ele estava destruído. Envolvia os joelhos com os braços, a cara coberta de sangue misturado com lágrimas. Eu nunca vou esquecer aquela cena. Chenle não precisou me dizer uma única palavra, eu soube na hora o que tinha acontecido. No dia seguinte fui questionar os garotos e eles me disseram que aquilo era só um aviso. Perguntei o que poderia fazer para que eles parassem. Eles disseram que eu deveria terminar as coisas com Chenle. E não apenas isso. Deveria abandonar a escola, do contrário meu pai seria envolvido. Não havia nada que eu pudesse fazer. Não poderia envolver meu pai naquela situação. Seria um escândalo. Ele já me vê como um fardo. Era algo que eu precisava resolver sozinho. Meu pai nunca gostou que eu cantasse, então não foi difícil convencê-lo. Eu fiz um acordo com ele de que pararia se ele me mudasse de escola. Ele nem quis saber mais detalhes, apenas concordou.

Delicadamente coloco minha mão sobre a mão de Renjun e começo a acariciá-la. Ele direciona seus olhos para nossas mãos e em seguida para meu rosto. 

– Quando eu vi o que eles estavam fazendo com você eu entrei em choque. Não poderia deixar que tudo se repetisse. Eu achei que ao me mudar de escola tudo estaria resolvido, mas aparentemente é algo que vou ter que carregar por um tempo. Por isso achei melhor me afastar. Eu não aguentaria mais uma vez ver a pessoa que eu gosto se machucar por um capricho meu.

O encaro sem acreditar no que acabara de ouvir.

– O que você disse? – pergunto.

– Que eu não aguentaria ver você se machucar.

– Não, você disse que... ah, esquece. – encosto a cabeça na parede – Você não precisa se preocupar comigo Renjun, eu só apanhei naquela vez porque fui pego de surpresa. Agora que já sei, não vai se repetir de novo. Ou você acha mesmo que eu vou apanhar de graça? Posso levar uma surra, mas vou dar também.

Ele sorri. 

– E sobre seu pai... sei como família é algo complicado. Eu mesmo já desisti da minha. É uma história complicada, mas como você compartilhou a sua comigo, se estiver disposto a ouvir posso contar a minha como recompensa.

Eu havia esquecido que minha mão estava sobre a mão de Renjun até sentir ele entrelaçando nossos dedos. 

– Jaemin...

– Hm? – pergunto nervoso.

– Eu disse que gosto de você.

Fico paralisado, completamente sem reação. Renjun parece se divertir com tal situação uma vez que um sorriso se forma em seus lábios ao analisar meu rosto. Ele vira-se em minha direção, aproxima sua cabeça da minha e encara meus lábios. Nossas faces ficam tão próximas que posso sentir sua respiração. Ele lentamente se aproxima até nossos lábios se tocarem. Descolo um pouco os lábios liberando uma pequena passagem para seu próximo passo. Rejun entende rapidamente, pois no mesmo momento sinto a textura de sua língua invadindo o espaço entre meus dentes. Apesar de parecer autoconfiante, meu coração não parava quieto, mas ao passar a mão pelo peito de Renjun, pude perceber que não era apenas o meu.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...