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História Conheça os Bordeaux - o começo - Capítulo 1


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Notas do Autor


Família, vida e amor. Estão interligados?

Capítulo 1 - Primeiro Ato


Fanfic / Fanfiction Conheça os Bordeaux - o começo - Capítulo 1 - Primeiro Ato

Você já deve ter ouvido alguma história de um amor proibido, como Romeu e Julieta, um exemplo clássico disso. Para a felicidade dos Bordeaux não houve nenhum duelo de espadas ou uma falsa morte e suicídio, foi uma coisa não tão dramática, deixa eu explicar direitinho…

    Marina Bordeaux e suas irmãs Mariana e Maria Giulia são filhas de um dos maiores magnatas de São Paulo. Conhecido por seus hotéis na orla do Rio de Janeiro, nos bairros mais nobres do Brasil e por seus lindos prédios no litoral nordestino. Jean Bordeaux de ascendência francesa casou-se com uma paulista, Esther Hadassa, filha de outra poderosa família judia de São Paulo. União forçada, nada de amor, apenas respeito e lealdade...comercial.

    Não acreditando no amor verdadeiro e sendo cego aos sentimentos genuínos, Jean já tinha alguns pretendentes para suas filhas e nos anos 70, naquela família quem ditava as regras era quem trabalhava na casa, ou seja, o macho da espécie. Sendo assim, as três meninas não tinham outra opção a não ser respeitar as vontades do pai.

    - Ele só quer o melhor para vocês - dizia a mãe para elas, defendendo o marido que a traia assim como bebia Whisky, ou seja, pelo menos três vezes ao dia.

    As três meninas eram muito unidas, se os pais não as amavam de verdade, tinham que amar umas as outras, encobrindo seus pecados e ajudando em suas necessidades. Para a sorte delas, os pais praticamente não moravam com elas, estavam sempre viajando e sendo cuidadas por uma rabugenta babá, que ficava mais preocupada em ver o que acontecia na novela das seis do que com elas.

    - Vocês ficaram sabendo que papai despediu o Seu João Pedro? - informou Maria para as outras irmãs, deitada na cama.

    Seu João era o assistente pessoal do pai, trabalhava com ele desde que mundo era mundo. Mas pelo visto, tinha ficando obsoleto para o pai.

    - Não acredito! - Mariana, a mais velha, exclamou, se sentando no colchão.

    - Pois acredite, oras, ouvi da boca de papai.

    - Ele mesmo te disse isso, Maria? - perguntou Marina, desconfiada.

    - Bem… não para mim. Mas ouvi ele falando com alguém e acabei guardando a informação para contar para vocês. Vocês sabem que papai sempre fala bem alto.

    - Quem será que o substituirá? - Mariana indagou.

    As três se entreolharam e deram de ombros. Estavam cansadas demais para discutir aquilo. Cada uma sonhando com algo que ninguém nunca saberia.

    No dia seguinte seguiram para tomar o café da manhã e encontraram um homem bem alto e magro como uma vareta com uma prancheta. Maria Giulia, não tendo papas na línguas perguntou na cara dura:

    - Quem é você, moço?

    O senhor olhou para o tisco de gente e sorriu. Se abaixou e estendeu a mão para cumprimentá-la como se fosse uma adulta.

    - Eu sou, Inácio. O novo assistente de seu pai.

    - Gostei de você, Inácio - comentou Maria. Como se sua opnião importasse de alguma para seu pai.

    - Também gostei de você.

    Seu pai entrou e Maria correu para abraçá-lo. Ainda não entendia que o pai não queria saber dela, de nenhuma delas e isso deixava as irmãs mais velhas de coração partido, e que aumentava o desprezo pelo pai cada vez mais.

    - Seu filho vem aqui hoje? - o pai perguntou para o mais novo assistente, passando direto pela filha.

    - Sim, senhor - respondeu submisso.

    - Perfeito. Diga para ele trazer as caixas que pedi.

    - Claro - e deixou a sala, se dirigindo ao telefone.

    O pai sentou na cabeceira da mesa com a mãe ao seu lado. A mãe com seus cabelos escuros amarrados friamente em uma trança e seus olhos grandes cansados. Foram servidas com um omelete e chá, junto com suas vitaminas.

    Quando foram tiradas as louças saíram da mesa e foram para a sala, assistir ao seu programa favorito. As duas irmãs mais velhas, já adolescentes, resolveram que iam encontrar com alguns amigos. À caminho da saída viram uma moto passando pelo portão carregada com algumas caixas, vendo que a moto estava toda desequilibrada as duas foram ajudar.

    O rapaz que pilotava a moto estacionou perto da casa, tirou o capacete preto e colocou no banco. Não era um rapaz feio, pensou Marina. Era alto e bem magro, moreno, um topete marrom escuro e olhos cor de avelã, um nariz reto e cílios mais fartos que os seus próprios.

    - Perdão pelo incômodo, moças - pediu o rapaz.

    - Sem problemas - falou Mariana, segurando uma caixa de papelão.

    - Tudo certinho, moça? 

    - Sim - respondeu, Marina.

    - Se me derem licença - falou enquanto pegava as outras caixas - preciso levar isso para o chefe, já estou bem atrasado, ele não corta cabeças no tempo livre, né?

    - Talvez, se tivesse algum - Marina disse.

    As caixas empilhadas sob seus braços cobriam sua visão, por causa disso, Marina se viu obrigada a ajudar o rapaz com as caixas, pegando as duas no topo da pilha.

    - Não precisava - disse o menino.

    - Você estava quase caindo - Marina respondeu.

    - Obrigada então, moça.

    - Eu tenho nome, sabia? - falou olhando para o entregador.

    - Se você não me contasse eu não saberia - ironizou - eu sou Paulo, te comprimentaria se estivesse sem as caixa.

    - Haha. Eu sou Marina. Você é o filho do Inácio? - perguntou, mudando de assunto.

    - Sim, sou o próprio.

    Estavam atravessando a antessala quando viram que seu Inácio estava esperando por ele (ou melhor, eles) de braços cruzados. Onde estava a prancheta?

    - Pensei que nunca ia chegar Paulo, meu chefe já está soltando fogo pelas ventas - falou, sem perceber a presença de Marina.

    - Relaxa, pai, tá tudo sussa - disse dando de ombros.

    - Você e seu amigo podem deixar as caixas na segunda porta à esquerda.

    Marina riu da situação.

    - O que estava achando graça?

    - Nada não, Seu Inácio - Marina disse, tirando as caixas de sua frente.

    Seu Inácio arregalou os olhos surpreso.

    - Mil desculpas, Srta. Marina - pediu envergonhado.

    - Não tem de quê.

    Ela e Paulo seguiram andando para o tal quartinho, deixaram as caixas de papelão num cantinho, ao lado de uma escrivaninha velha. 

    - Ei, Marina - chamou Paulo - eu e mais alguns amigos vamos para uma lanchonete aqui perto quer ir com a gente?

    - Você é o maior barato, Paulo - disse sorrindo.

    - E então, broto? Sim ou não? - insistiu cruzando os braços, assim como o pai.

    Marina pareceu parar para pensar.

- Certo! - concordou prontamente.

- Então vamos dar no pé! - pegou-a pela mão e saíram correndo em direção para a Honda Goldwing dele.

Paulo deu seu capacete para ela, sentou e estendeu a mão para Marina sentar-se atrás, quando se sentou Marina segurou Paulo com toda a força, nunca tinha andado de moto antes e Paulo não achou nada ruim, pra dizer a verdade. Ligou o motor e acelerou a toda. Tomando cuidado é claro.

Marina se deixou soltar um pouco para sentir o vento em seus cabelos loiros compridos. Era uma nova sensação para a jovem Marina de 17 anos.

- Uhu! - gritou levantando os braços pela Avenida Paulista.

Uns dez minutos depois da gritaria chegaram na tal lanchonete, deixaram a moto ao lado de uma Kombi cheia de decalques de margaridas.

- Toca Elvis, os discos são lá dos Estados Unidos!

- É de abafar esse lugar! - comentou Marina.

Abriram a porta e se deparam com um grupo de adolescentes sentados no balcão tomando Coca-cola. 

- Ei, bicho! - um cara de um metro e meio gritou do outro lado da lanchonete.

- Aqui é tudo bicho-grilo - Paulo sussurrou para Marina ao perceber que estava coçando o nariz.

- Ah!

Se sentaram em uma mesa de bancos vermelhos e pediram dois refrigerantes, logo depois uma moça usando botas rosa-choque e um óculos redondo de lentes amarelas se sentou ao lado de Paulo, passando o braço pelo seus ombros.

- Essa é Marina, Sônia - apresentou a menina à sua frente.

Sônia baixou os olhos e deu uma mascada no chiclete.

- Que careta! 

- Que é isso, Sô! - Paulo a repreendeu constrangido - Desculpa pela minha irmã, Marina, ela anda fumando muita erva e já era para ter parado, né? - olhou para a irmã.

- Ai, chega de chacrinha por hoje! Já basta a mamãe - Sô levantou num estalo e já foi se sentando ao junto com o outro pessoal.

- Desculpa aí.

- Já percebeu que você sempre acaba se desculpando de alguma coisa, Paulo? Relaxa, fica grilado não - tomou um gole da soda.

- Você tá certa, bidu! - Paulo falou sorrindo.

- E qual é a da rapaziada ali no balcão? - perguntou apontando.

- É a patota da minha irmã, como te disse, tudo bicho-grilo, mamãe disse para ela parar com isso e a única defesa dela é que a mamãe é uma chata de galocha. Daqui a pouco Sônia vai entrar pelo cano e vai se arrepender.

Quanto aquilo Marina não sabia o responder. Sabia de algumas pessoas que usavam a tal da erva se meteram em sérios problemas com a polícia, mas não iria dizer nada a ele sobre isso.

Papearam por um tempo até que Marina percebeu que já estava ficando tarde e que tinha que voltar para casa.

- Ih...tenho que voltar para casa, pode me levar de volta Paulo?

- Chuchu beleza! Vamos nessa.

 


Notas Finais


Se você quiser saber mais sobre a história é só esperar mais um pouquinho... ;-)


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