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História Conheça os Bordeaux - o começo - Capítulo 3


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Notas do Autor


Depois de uma tragédia, Marina tenta aos poucos voltar ao seu antigo normal.

Capítulo 3 - Terceiro Ato


Fanfic / Fanfiction Conheça os Bordeaux - o começo - Capítulo 3 - Terceiro Ato

Já tinham se passado mais de três meses desde que viram o corpo morto de Mariana na televisão. A casa, assolada pela tristeza depressiva já não era a mesma de antes. A casa nunca mais veria às três meninas Bordeaux jogando cartas, às três meninas contando seus segredos, às três meninas contando suas lindas historietas.

    Maria Giulia que com seus oito anos de idade não conseguiria dizer o que fora mais triste naquele ano enfadonho e Marina não conseguiria nem mesmo falar sem sentir que poderia chorar a qualquer momento.

    Mas assim como toda a boa história, o tempo remenda os machucados. Aos poucos a dor diminuía e era preenchida com a doce lembrança daquela menina alta de longos cabelos lisos que tinha todo o amor das pessoas que para ela mais importavam: suas irmãs.

    Para os pais a dor também deu um ‘oi’. Em menos intensidade, mas deu. Esther que nunca teve uma saúde perfeita acabara se mudando para um hospital particular e o pai tripicara sua dose alcoólica semanal.

    - Inácio - gritava o pai da varanda - Inácio!

    Logo um senhor esguio atravessava a cozinha correndo com uma prancheta na mão. Não se conseguia ouvir o que falavam atrás da porta de vidro, o rosto de Inácio transparecia preocupação no entanto. Segundo depois os dois entravam em um carro preto comprido e desapareceram.

    Marina sentada de costas para a cama lendo sua revista e ouvindo Tim Maia, não esperava por aquela ligação, não depois de um certo tempo.

    - Alô?

    - Alô, Marina?

    - Sim, quem fala? - largou a revista no chão, tirou o salto e deitou-se na cama.

- Aqui é o Paulo, lembra de mim?

- Ah, claro! Filho do Inácio. Como vai, Paulo? Há tempos que não te vejo!

- Pois é… é que eu andei meio ocupado com umas coisas aí.

- Ah…

- É…

Uma pausa.

Uma longa pausa.

- Mas então… você lembra daquela lanchonete que te levei?

- Sim, sim é claro - foi concordando rapidinho.

- Os militares mandaram fechar, daí antes do fechamento vão fazer uma festa animal, pensei que talvez você quisesse vir comigo.

Marina considerou a proposta. Não saia de casa tinha umas semanas, já não via mais seus amigos, nem via o Sol direito. Por isso acabou aceitando o convite de Paulo.

- Joia! Soube que vai ser um estouro! - disse ele - Te pego amanhã às 19h, combinado?

- Tudo certo, beijo.

- Tchau.

Então Marina iria finalmente sair com um menino! 

Que chocante! imaginou.

Já foi dando uma fuçada no seu armário e encontrou exatamente a peça que tinha em mente. Um vestido estampado colorido bem curtinho com mangas compridas que ficam mais soltas no final. Já separou tudo… sua bota de salto cano alto, o arco, os brincos, tudinho.

Mal podia esperar para a próxima noite!

Como queria que Mariana estivesse aqui… e remoeu isso em pensamento pelo resto do dia, lembrando dos agradáveis e felizes momentos com sua irmã, agora falecida.

- Onde você está indo, Marina? - perguntou Maria Giulia, admirando a irmã enquanto se arrumava - Já está ficando tarde - falou com preocupação na voz.

- Não fica borocoxó, eu vou voltar antes que você sinta saudades.

- Promete? - perguntou se aproximando.

Marina percebendo que precisava dar atenção à irmã parou o que estava fazendo e lhe deu um abraço apertado, dando um leve beijinho em sua testa sardenta.

- Prometo.

    - Tudo bem então… - e sentou na cama - Mas você não me respondeu para onde está indo - cobrou.

    Marina reviro os olhos.

    - Para uma festa.

    - Que festa?

    - Uma festa.

    - Mas qual?

    - Uma aí…

    Maria Giulia começou a ficar irritada. Ficava assim toda vez que não respondiam ela da maneira que queria. Então cruzou os braços e franziu o cenho, uma verdadeira birra estava prestes a estourar.

- Uma festa que o filho do Inácio me convidou para ir, daqui a pouco ele vem para me buscar.

Maria Giulia estranhou.

- Ele é seu namorado? - perguntou distraída com uma almofada de flor.

- Não, é só um amigo.

- A Marta disse que nas novelas que ela assiste a menina boazinha sempre acaba beijando o melhor amigo. 

- Só nas novelas mesmo, viu?...

O relógio bateu 19h05min e Paulo ainda não estava lá. 19h15min e nada de Paulo nem moto. 19h23min ouviu-se o barulho de escapamento de moto. Marina deu uma espiadinha pela janela e viu a moto com seu charmoso piloto.

- Bota pra quebrar! - gritou Giulia quando viu a irmã saindo pela porta.

Marina estava se aproximava da moto devagar.

- Você está linda à beça! - Paulo olhou de cima a baixo a menina.

- Tente ser um pouco mais discreto, por favor - Marina disse em meio a leves risadas - Você também não está nada mal, batuta.

Paulo arrumou a gola da camisa orgulhoso com o elogio.

- Desculpa ter vindo de moto, meu pai não deixou usar o carro.

Marina deu de ombros e foi se ajeitando no banco da motocicleta da mesma maneira que já tinha feito antes.

Chegaram e pegaram uma mesa livre. O pessoal da tal lanchonete tinha feito uma pista de dança improvisada no canto, onde um grupo de pessoas tentava dançar ao som de “Não deixe o Samba morrer - Alcione”. O lugar estava um estouro.

Logo depois que pediram uma Coca-cola, Marina percebeu que todas as cortinas estavam fechadas e que o som estava mais baixo que o de costume. Mas mesmo assim todos estavam animados, tinha gente para todo o lado dançando, cantando e se divertindo enquanto ainda podiam.

Vendo que Marina estava sempre se virando para olhar a improvisada pista de dança, Paulo a convidou para dançar e ela aceitou.

Ficaram pulando de um lado para o outro até os pés de Marina começarem a criar bolhas gigantes e vermelhas que doíam só e olhar.

- Deixa eu te mostrar uma coisa? - Paulo estendeu a mão à ela.

Marina olhou para os lado e depois para aquela mão grande estendida à sua frente. 

Por que não?

- Claro!

 


Notas Finais


Onde você acha que eles foram? Espere até o próximo Ato!


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