História Conhecer - Capítulo 1


Escrita por: e dionysuz


Notas do Autor


Hey! Seja muito vem vindo a Conhecer. A história nasceu de uma ideia meio boba, mas aqui está! Espero de coração que goste. Um agradecimento especial para a equipe do TKCity, tanto pela betagem e capa incríveis quanto por ter me aceitado!

Capítulo 1 - Ele sabia


Fanfic / Fanfiction Conhecer - Capítulo 1 - Ele sabia

Saber e conhecer são duas coisas diferentes, Jeongguk entendia isso. Ele sabia, por exemplo, que V era o herói responsável por todos os vinte e cinco distritos de Seul, incluindo Dongdaemun-gu, onde sua universidade ficava. Ele sabia que V gostava de roxo, da mesma forma que todos os outros fãs sabiam, por conta da capa chamativa e desnecessária que ele fazia questão de usar. Ele sabia que a voz de V era grave, graças às entrevistas que o herói dava ocasionalmente, quando algum repórter tinha a sorte de conseguir captá-lo em ação. Ele sabia que os figure actions que comprava pela internet não eram da marca oficial de V (sim, haviam produtos oficiais vinculados a ele), mas também sabia que V não se importaria com um pouco de ilegalidade, ele era bacana demais para isso.

Mas Jeongguk não conhecia. Ele não conhecia a maciez dos cabelos loiro-platinados, não conhecia as motivações de V para que, quase que diariamente, ele estivesse lá, por quem quer que precisasse de ajuda, lutando contra vilões tão igualmente incríveis e facilmente encontrados nos rabiscos dos cadernos de Jeongguk. Não conhecia, principalmente, a face bonita que era escondida pela máscara de seu traje, deixando sua identidade como um grande mistério.

Não tinha problema. Ele se contentava em ser um fanboy, dar suporte ao seu herói favorito pelas redes sociais, ouvir piadinhas vindas dos amigos devido a seu inegável crush em V. Não podia julgá-los, visto que era um defensor ferrenho e seguidor fiel de quase qualquer coisa que o herói fazia. Seu círculo de amizades achava graça de sua admiração, brincando com ele ou, no caso daqueles que também tinham certo fascínio, compartilhando informações. 

Só tinha uma pessoa que não achava graça daquilo tudo e revirava os olhos a cada menção da letra V, e infelizmente, era um desgraçado bonito demais para se ignorar. E, claro, essa pessoa tinha que ser seu colega de quarto, parte de seu dia-a-dia, o corpo dormindo na cama de cima toda santa noite. Taehyung não era uma pessoa ruim, longe disso, mas Jeongguk sentia falta dos dias em que haviam se conhecido, no início do semestre acadêmico.

Taehyung não costumava ser tão irritante ou implicante, mas tudo pareceu mudar quando descobriu a admiração de Jeongguk por V. Eles estavam se acostumando com a presença um do outro, a conviver juntos no mesmo dormitório apertado e mofado, quando Jeongguk comentou brevemente sobre algumas fotografias recentes do herói em um prédio próximo da faculdade… E foi o suficiente para fazer Taehyung torcer o nariz, dizer que ele não era tudo aquilo e continuar bebendo seu chá. A partir dali, cada mínima citação do assunto fazia com que Jeongguk parecesse um estúpido fã e obcecado, sendo que estava bem longe disso.

Ele tentava não pensar muito nisso, especialmente porque, gostando ou não, tinha uma quedinha por Taehyung. Talvez estivesse manifestando tardiamente aquele crush por bad boy que todo mundo tem em algum momento da vida, embora Taehyung estivesse bem longe de se enquadrar nesse tipo de estereótipo. Ele era uma pessoa legal, só um pouco rude quando o assunto “V” era tocado, e, por mais que o conhecesse já houvesse alguns meses, Jeongguk não sabia o porquê. E, de alguma forma, a dualidade entre alguém gentil e simpático, mas um pouco frio, era realmente atraente. Falar sobre V se tornou uma forma de testá-lo, de vê-lo tendo atitudes mais ríspidas, um lado mais sério que Jeongguk secretamente gostava.

Mas personalidade e beleza tão singulares não vêm sem benefícios, e a fama de garanhão de Taehyung era conhecida pelos quatro cantos do campus, tirando qualquer coragem de Jeongguk em tentar uma chance. Noites e noites fora, muitas vezes fugindo durante as aulas ou momentos de estudo, por mais que tirasse boas notas, estava claramente também usando seu tempo na faculdade para outras coisas. E Jeongguk… Ele era bonito, atlético, tinha alguns contatinhos, mas tímido demais para se enfiar numa relação duradoura. E, bem, ser secretamente gay não ajudava.

Naquele momento, naquele exato momento, ele poderia ao menos estar aproveitando a época jovial da vida, especialmente por ser noite de festa em seu curso. Ele tinha dito a todos que iria, mas um ataque de rinite foi o suficiente para mantê-lo preso no quarto, sem qualquer vontade de se entupir de cerveja quente e dançar alguma música pop ocidental tosca. Então, ao invés de estar tentando beijar na boca pela primeira vez em 84 anos, ele estava debaixo dos cobertores, no completo escuro, com a janela aberta, rolando os dedos pela tela do celular enquanto checava o twitter, mesmo sabendo que não teria nada de novo. A luminosidade da tela estava baixa, e o quarto parecia vazio.

Um som alto vindo da janela o assustou. Ele bloqueou a tela e permaneceu coberto pelos lençóis até a altura do rosto, os olhos grandes para fora, tentando entender o que acontecia do outro lado do quarto. Um vulto humano alto, largo e masculino parecia se esgueirar para dentro, com certa dificuldade, já que um monte de tecido roxo atrapalhava. Ele parecia brilhar com a luz da lua o cobrindo, e Jeongguk reconheceria aquele perfil de qualquer lugar. Permaneceu quieto, percebendo não ter sido notado, querendo entender onde aquilo iria parar. Seria algum sonho erótico muito vívido? Ele realmente precisava de uma vida sexual mais ativa.

E quando V tirou a máscara e revelou sua identidade, Jeongguk torceu para estar sonhando.

Mas ele não estava. Descobriu isso quando, ao ver a verdadeira face do herói, levantou a cabeça tão rápido que bateu a cabeça na cama de cima do beliche. A dor era real demais pra ser um sonho. Ele viu aquele rosto tão familiar se contorcer em surpresa, a luz da lua marcando os traços tão reconhecíveis, os cabelos indo de loiro pálido para castanho de uma maneira mágica. Tudo em Taehyung, naquela misteriosa luz da lua, parecia sobrenatural, e não deixava de ser.

O silêncio que se fez presente foi tão tenso que se tornou quase palpável. Um encarava o outro, a coragem de falar parecia entalada nas gargantas. Foram longos, praticamente intermináveis instantes nisso, até que, de maneira astuta e discreta, Taehyung passou a caminhar, sentando na cama ao lado de Jeongguk, que massageava a têmpora dolorida e tentava entender a situação.

— Desde quando… Desde quando você… - Ele começou a falar, mas nada parecia fazer sentido enquanto saia por sua boca. Num suspiro cansado, Taehyung o interrompeu, erguendo a mão como se pedisse a palavra.

— Desde sempre.

— Mas o seu cabelo…

— Eu consigo mudar a cor. Sabe, ajuda em não me identificarem.

— E quando você arranja tempo pra isso? Tipo, quando não está estudando, você está…

Oh, quase que um estalo, algo rápido passou por sua cabeça. Então era isso. Enquanto ele achava que Taehyung estava caindo no pau de outras pessoas, ele na verdade estava caindo no pau com outras pessoas. 

— Por que você não goste que eu fale sobre V? 

Aquilo pareceu incomodar Taehyung. Ele desviou o olhar, encarando as próprias mãos, a máscara púrpura brincando de serpentear entre os dedos. Ele torceu o nariz uma vez, duas vezes, passou a língua sobre os lábios, pareceu fazer de tudo para evitar soltar a respostas. Mas o fez.

— Eu tenho uma quedinha por você. — A voz grossa soou tão baixa, tão incompreensível, que Jeongguk jurou estar tendo uma alucinação. Mas o olhar de Taehyung dizia o contrário. — E ouvir você falar de mim, mas sem saber que era eu… Me irritava, entende? Eu queria ser alguém que você admirasse, que quisesse, que elogiasse da forma que faz com V. E bem, eu sou ele, mas não é a mesma coisa. — Ele sorriu de canto, de forma triste. — Queria que falasse da minha bunda enquanto não estou fantasiado, também.

Jeongguk corou com aquilo, a boca aberta numa forma oval cômica. Ele não sabia como reagir, nunca sequer tinha pensado naquela possibilidade, mas aquilo acabava com dois de seus problemas de uma única vez. Ele tinha Taehyung para si, e de quebra, ainda tinha seu ídolo.

— Eu também… Tenho uma quedinha por você. — Ele desviou o olhar, mas sentiu Taehyung fitá-lo, surpreso. — Eu meio que falava sobre isso pra te incomodar, você fica bonito quando está bravo. — Certo, agora Jeongguk não estava apenas envergonhado. Ele queria cavar um buraco no piso de madeira, enfiar o rosto ali e nunca mais sair.

— Oh — baixinho, Taehyung murmurou sua surpresa. Um sorriso cresceu em seu rosto. — Oh! — Jeongguk ousou olhar, se deparando com o sorriso quadrado que conhecia e adorava.

O primeiro toque veio singelo e devagar, com receio, assustado. Taehyung entrelaçou seus dedos num medo juvenil, subindo-os devagar pelo braço de Jeongguk, até alcançar seu rosto, puxando-o para perto. Os lábios se uniram de forma natural, como se destinados um ao outro, num beijo delicado, de descoberta. Explorando um ao outro com toque, carícias que iam além do inocente, arfares que indicavam a urgência daquele contato que poderia ter ocorrido tão antes. Taehyung ao deu-se conta do que fazia ao, estando por cima de Jeongguk. bater a cabeça no beliche enquanto tentava se livrar da parte de cima do uniforme.

— Eu, hm. — Jeongguk começou a falar, timidamente, já nu pela parte de cima. — Não tenho nada comigo. Tipo, proteção.

Ah, okay. Eles estavam indo para o próximo passo. Taehyung não pode deixar de sorrir com a decisão implícita naquela frase, e como um raio, numa velocidade inumana, ele desapareceu e reapareceu no colo de Jeongguk, com camisinhas e lubrificante em mãos.

— Era o melhor que tinha na farmácia, não sei se você gosta desses, ou…

— Espera, você roubou isso? — Jeongguk perguntou, estranhando o tempo levado. Era impossível comprar algo assim.

Taehyung sorriu de forma divertida, beijando-o na ponta do nariz antes de falar.

— Você sabe, o herói nasce puro. — Ele fez uma pausa dramática, como se fazendo numa grande revelação. — Mas esse seu rostinho lindo me corrompeu.

Foi naquela sentença que Jeongguk percebeu um lado de Taehyung que não conhecia, mas adoraria conhecer.

 


Notas Finais


Muito obrigada pela leitura! Caso deseje deixar um comentário, sinta-se a vontade, com certeza irei ler e responder ~


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