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História Coniecto - Capítulo 27


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Notas do Autor


tá, eu tô nervouser com esse capítulo
boa leitura <3

Capítulo 27 - Feliz


Não vai adiantar ― com a boca dormente Donghyuck gemeu, distante.

Goongmin examinou-o e aos outros três que o ofereciam suporte. Tinha de admitir que aquelas crianças eram insistentes. Mas rebeldia era algo que lhe repugnava de tal forma, capaz de fazer seus olhos rolarem para trás das órbitas.

― Têm coisas que são incapazes de quebrar e essa é uma delas ― continuou Donghyuck. ― Você pode nos obliviar quantas vezes quiser, mas eu tenho certeza que nós vamos nos encontrar novamente. É muito difícil compreender, não? Para alguém que não tem um pingo de empatia.

― Eu protejo a minha família. ― Grunhiu Goongmin, não deixando-se levar pelas palavras encantadoras do menor. ― Esse é o meu tipo de empatia ― enfatizou a palavra, cujo uso julgava ridículo.

― Eu também tenho uma família ― disse Hyuck. ― Na verdade, duas. Você não vai tirar uma delas de mim assim tão fácil.

 ― Jaemin… Acabe logo com isso… ― Goongmin deu as costas, retornando a atenção ao seu filho. ―  Diga a eles a verdade! Diga que você nunca quis andar com esses sangues-ruins.

Jaemin levantou os joelhos do chão e cambaleando andou até o lado de Goongmin. Sorriu fraco.

― Estão vendo? ― anunciou Goongmin. ― Indo embora agora, isso terminará bem para todos.

Ele sentiu os dedos de Jaemin apertarem seu pulso.

― Não quero mais ser protegido por você, se isso significa que irá controlar tudo a minha volta. Controlar não é amar. ― Jaemin apontou a varinha para o rosto de Goongmin. Os olhos do homem dobraram de tamanho pelo atrevimento. ― Eu preciso disso, pai.

Goongmin torceu o punho de Jaemin de modo que sua própria varinha foi  responsável por arremessá-lo para longe. Jaemin deslizou pelo piso liso, levando consigo alguns dos livros outrora caídos. Quando parou num lugar ninguém ali presente ousou mover-se, nem mesmo ele. Jaemin quis chorar. Chorar de vergonha e de dor. Era humilhante ter de engolir aquilo. Era humilhante ficar estatelado no meio de sua própria casa, a garganta ardendo por prender seus lamentos. 

Seu pescoço queimou como nunca, como se houvessem lhe derramado um balde de lava fervente. O espiral de fumaça cinzenta retornou; seus amigos ergueram os olhares para o monstro que voltava a se formar.

Como um reflexo, Donghyuck ficou de joelhos e segurou a varinha com as duas mãos para ter firmeza:

EXPECTO PATRONUM! ― bradou no silêncio rasgante.

Entre as faíscas prateadas, um urso formou-se do feitiço. O cenário congelado se encheu de luz e calor, uma névoa fulgurante pairou na biblioteca. Mesmo sendo três vezes menor do que o dragão, que tomava proporção descomunal agora, o urso invocado pelo feitiço do patrono de Donghyuck não hesitou em erguer as garras para lutar contra o monstro.

Sabendo que Goongmin aguardava por isso, Ivory lançou-lhe um feitiço incarcerous, amarrando seus membros completamente. Goongmin caiu no chão como se estivesse preso num casulo.

― VOCÊS PRECISAM! ― exasperou-se Donghyuck ― EU NÃO VOU VENCÊ-LO SOZINHO!

Renjun repetiu o encantamento, conjurando uma raposa. Pequena, uniu-se ao urso de Donghyuck na batalha, atacando a cauda serpenteante do dragão.

― Agora somos você e eu, Jeno ― assegurou Ivory. ― Sua lembrança mais feliz. ― Fechou os olhos.

Jeno pensou em quando foi escolhido para o time de quadribol da Grifinória, visualizando a alegria de seus amigos e família ao descobrirem que seria o novo batedor. Uma faísca irrompeu de sua varinha. Pensou em quando ganhou a taça das casas no terceiro ano. Seu patrono tomou uma forma maior, com névoa, mas longe de ter um corpo. Pensou então, na noite em que foi mordido por um lobisomem… Não era uma lembrança feliz, porque estava pensando naquilo?!

Jeno abriu os olhos por um instante para ver que Ivory havia conjurado seu patrono corpóreo e era um cão magricela de patas compridas, que se juntava aos patronos dos outros amigos.

― No que… No que vocês estão pensando? Eu não consigo!

― Jeno, a sua lembrança mais feliz! ― repetiu Ivory.

O que poderia lhe trazer felicidade tão intensa aos dezessete anos de idade? Nem sabia se havia vivido o bastante para ter sua lembrança mais feliz. Então ocorreu a Jeno que estava feliz por ver seus amigos. Por tê-los conhecido. Por ter salvo Renjun daquele lobisomem. Por ter sobrevivido. Ele segurou a varinha firmemente como se o sentimento fosse palpável. Dela, um raio branco formou uma onda sobre suas cabeças e seus cabelos levantaram. Um hipogrifo majestoso e reluzente galopou de asas abertas na direção do dragão. Viu Jaemin resistir a ponto de conseguir clamar seu próprio patrono: uma libélula; as asas mal cobriam a palma de uma mão. 

Goongmin esperneou desesperado. Os cinco patronos uniram-se na batalha contra o dragão flutuante. Os olhos do quinteto não tinham mais para onde ir senão para a explosão de faíscas e luzes dos feitiços conjurados. Resistiram bravamente, como um só. 

A biblioteca dos Na tornou-se apenas uma biblioteca novamente, com suas estantes exageradamente cheias e alguns livros destrambelhados pelo chão. Um clarão impediu-os de ver o que aconteceu antes de cada patrono lentamente se apagar.

― O que fizeram ao meu filho? ― Goongmin arfou. Seu queixo batia no chão quando pulava, os membros enfaixados com o feitiço de Ivory. ― O QUE FIZERAM COM ELE?!

A alegria que os consumiu ao verem que o dragão não existia mais se esvaiu. Jaemin estava deitado sobre um lado do corpo, de costas para eles, a varinha encarcerada por seus dedos. A gola de sua camisa chamuscada e o pescoço, onde o guardião esteve pela última vez, exibia uma cicatriz de mais ou menos um palmo de diâmetro. A voz de Goongmin reverberou em seus ouvidos infinitamente, rodando até se tornar um distante sussurro:

― VOCÊS MATARAM O MEU FILHO! ME SOLTEM! Estão felizes?! A brincadeirinha de vocês… Matou meu filho!

― Ele não está, não pode estar! ― disse Jeno, virando-se para os amigos. No entanto, só percebeu as lágrimas que lavavam suas feições. ― Vamos levá-lo ao hospital, podemos fazer isso, hein?

Ivory, assim como Renjun e Donghyuck, jazia paralisada. Estarrecida. Os pés tremendo, incertos de dar o primeiro passo para descobrir.

― PORQUE NINGUÉM ESTÁ FAZENDO ALGO? VAMOS! ― ordenou Jeno.

Eles correram ao encontro de Jaemin, que apenas parecia estar ocupado por um sono profundo, o sono mais profundo que já viram alguém dormir.

― É claro que ele está vivo, só muito fraco, os batimentos são quase imperceptíveis. ― Renjun ofegou ao checar o pulso do amigo.

― Meu senhor! ― Uma elfa doméstica irrompeu pela entrada. Seus pés descalços bateram e deslizaram contra o piso de madeira, se embolando até alcançar Jaemin.

― Me tire já daqui! ― ordenou Goongmin.

O elfo, no entanto, o ignorou.

― Precisamos da sua ajuda ― disse Donghyuck. ― Por favor, ajude Jaemin, precisa levá-lo ao hospital.

― Vai me deixar aqui?! ― a voz de Goongmin soava como um diminuto incômodo, como uma mosca zumbindo a metros de distância deles.

Os olhos gigantes de Ji, o elfo, passearam pelos rostos dos meninos.

― Vocês parecem ser amigos de meu senhor Na Jaemin ― asseverou, colocando suas mãos juntas sobre o corpo dele.

― Nós… tentamos ― murmurou Jeno.

Ji estalou os dedos.

 


Notas Finais


xentê, to jogando info d+ ou tá bom??? espero voltar logo com a finalização da história, vou fazer o possível!!!
Malfeito feito e até <3


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