História Conjugação do verbo ser - Capítulo 1


Escrita por: e ßmiyushu

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Park Jimin (Jimin)
Tags Jigguk, Jikook, Kookmin
Visualizações 83
Palavras 4.005
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Shoujo (Romântico)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa leitura ~~~

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction Conjugação do verbo ser - Capítulo 1 - Capítulo Único

Parte I: Éramos.

3 anos antes.

— E então ela foi embora, sem nem ao menos olhá-lo nos olhos ou lhe dizer qualquer coisa; sem ao menos lhe dizer adeus. Se foi, com passos firmes e determinados; nem parecia que já havia sido apaixonada por Nico algum dia em sua vida. E Nico, perplexo, olhava a silhueta da mulher de sua vida se distanciado, enquanto ela atravessava as ruas de Londres entre os carros, destemida. Estava tão desnorteado que não conseguia se mexer, os músculos enrijecidos em tristeza e seu coração, tão quebrado, parecia não bater mais. Jasmine havia ido embora por sua causa e não voltaria mais. Nico ficou ali, parado, e só conseguia chorar: lágrimas que representavam toda a dor da perda. Amava Jasmine mais que tudo, porém, a partir daquele dia, teria que aprender a viver sem ela ou aceitar uma morte lenta, já que não conhecia um mundo onde Jasmine não estivesse com ele. — Jungkook suspirou, satisfeito consigo mesmo, enquanto fechava o livro grosso e velho em suas mãos e o colocou ao lado da cama, no criado mudo vintage.

Jeon estava sentado no colchão, as pernas esticadas para frente, envolto em um cobertor de lã fino e branco, com um travesseiro em suas costas lhe trazendo maior conforto. Já estava preparado para apagar a luz do abajur que iluminava o pequeno quarto, quando sentiu um olhar pesado e certeiro sobre ele vindo da pessoa que estava deitada ao seu lado; Park Jimin.

O moreno riu da expressão do namorado. Eram, provavelmente, três da manhã no momento; uma hora atrás, Jimin havia lhe pedido para “ler uma história para ele dormir”, pois estava agitado demais para pegar no sono. Jungkook o fez — claro que o fez, já que mimava o loiro sempre que podia —, mas não parecia ter funcionado, visto que o outro o encarava com os olhos bem abertos e pior, mal humorado.

— Esse é o fim da história? — perguntou o Park, a voz repleta de indignação e as bochechas cheias de ar em protesto.

— Sim —  Jungkook respondeu com um riso reprimido; Jimin era adorável quando irritado, ainda mais quando fazia essas expressões.

O loiro lhe deu um leve tapa na coxa, fazendo Jungkook rir ainda mais alto, o sorriso largo no rosto.

— Esse não pode ser o final, Kookie. — Bufou, cruzando os braços.

Jungkook revirou os olhos. Havia se esquecido o quanto o Park gostava de histórias românticas e clichês, com finais felizes; os famosos contos de fadas. Já Jeon gostava das histórias trágicas, em que o romance não se concretizava; para ele, espelhava mais a realidade.

— Claro que pode — respondeu, agora se deitando ao lado do namorado e se virando de frente para ele, o olhar brincalhão.

Jimin parecia ainda mais irritado do que antes.

— Eles tinham que ficar juntos no final! — falou o Park, a voz ficando levemente mais aguda, como sempre acontecia quando ficava chateado.

O mais novo suspirou, soltando o ar pelo nariz de forma lenta, uma risada contida saindo em pequenos sopros; seu sorriso de coelho aparecera em seu rosto infantil — Jimin era fofo demais para ser real, era o que ele pensava.

— Não são todas as histórias de amor que dão certo — ele disse, sua mão esquerda alcançando a do outro por debaixo dos cobertores, encontrando os dedos pequenos e entrelaçando os mesmos com seus próprios, os segurando com força e carinho.

Jimin retribuiu o aperto, trazendo a mão do Jeon para perto de seu rosto. O mais novo conseguia sentir o ar que saia da respiração do loiro na sua palma, enquanto o outro fazia um pequeno muxoxo em protesto.

— Por que escolheu uma história com um final que sabia que eu não iria gostar? — perguntou, seu dedão fazendo pequenos carinhos na mão de Jungkook, causando leves cócegas que quase o fizeram rir involuntariamente.

Ele pensou por alguns segundos. Não sabia a resposta, por mais que quisesse. Apenas sabia que gostava de coisas trágicas e tristes e que, por algum motivo, histórias de amores que dão errado lhe agradavam.

— Não sei — ele respondeu honestamente. — Eu gosto dessa história.

— Hmm… —  Seu rosto pareceu suavizar da irritação passageira. Jungkook puxou sua mão e abriu levemente os braços; o Park entendeu imediatamente o que ele queria e se aproximou, se deitando no abraço e no aconchego do outro, sentindo o calor do corpo do Jeon perto do seu e as batidas de seu coração, leves em seu ouvido. Passaram-se alguns segundos antes do outro sussurrar, fraco: — Por quê?

— Eu gosto de coisas reais — respondeu o mais novo, a destra encontrando os cabelos do outro, fazendo um carinho singelo, enquanto mesmo cochichava: — Não gosto de coisas fantasiosas. Não é sempre que o amor vai vencer no final, sabe?

O corpo de Jimin pareceu enrijecer, os músculos levemente tensos com o comentário do mais novo.

— E nós? — ele perguntou, fraquinho. — Você acha que nossa história de amor seria um livro desastroso ou um conto de fadas?

Jeon Jungkook nem ao menos precisou pensar para responder.

— Nós? — ele deu uma pequena risada, falando antes de deixar um pequeno beijo no topo da cabeça do outro: — Nós somos a melhor história de romance já escrita, Park Jimin.

Jimin deu uma pequena risada e se afastou um pouco do outro; o bastante para poder encontrar seus lábios em seguida. Foi um beijo calmo e sonolento — nada parecido com os amassos e gemidos que preencheram o quarto mais cedo —, ambos cansados por ser tarde e por ansiarem dormir.

— Posso saber porquê você pede para eu ler para você, sendo que você nunca dorme? — pergunta Jeon, a canhota encontrando a bochecha do outro e seu dedão fazendo carinho na pele macia do rosto de Jimin.

— Eu gosto de ouvir sua voz — ele respondeu com um pequeno sorriso. — Eu não consigo dormir porque quero ficar ouvindo. Amo sua voz mais que tudo.

Jungkook sorriu, sincero, levemente envergonhado.

— Hmm… Sério?

— Sim. Me acalma — Jimin disse, satisfeito. — Sempre que lê para mim, consigo dormir bem depois.

— Bom saber…

Jimin voltou para o aconchego do abraço do outro, seu rosto se afundando no pescoço de Jungkook, sentindo seu cheiro, a maciez da pele e o contato, os músculos fortes o envolvendo como se o protegesse do mundo.

— Agora que já sabe, farei você ler muito mais vezes para mim! — O loiro riu, leve, o barulho preenchendo o local como uma pequena e singela música, a qual Jungkook amava ouvir.

Jungkook revirou os olhos lentamente, apenas para provocar o outro, mas o semblante irritado era apenas uma fachada mal feita, pois havia um sorriso gentil e amoroso em seus lábios.

— Não é necessário, eu já leio quase todo dia… — ele falou, enquanto acariciava os cabelos de Jimin.

— Mas eu quero mais! — Jimin disse, como uma pequena criança, fazendo Jungkook rir alto.

— Ambicioso — o mais novo disse.

Um silêncio preencheu o quarto, as respirações leves podiam ser ouvidas, além das pequenas risadas que saíam dos lábios carnudos do loiro.

Apesar da luz fraca vinda do abajur, Jungkook ainda conseguia fitar seu rosto, ainda conseguia ver o semblante do outro e, deuses, como Park Jimin era bonito; parecia surreal naquele momento, perfeito demais para existir, lindo demais para ser um humano normal.

Às vezes, principalmente em horas como essa — quando o namorado parecia uma criatura de outro mundo —, Jungkook se perguntava em o que tinha feito para merecer alguém tão maravilhoso em sua vida.

Se perguntava, também, o que seria sua vida hoje sem a presença do mais velho, em como seria seu dia a dia sem seus sorrisos rotineiros e a risada calmante, sem as piadas sem graças e os sorrisos aleatórios, os carinhos despejados sem necessidade e que Jungkook amava mais que tudo.

Só não amava mais que o próprio Park Jimin, porque era impossível existir coisa no mundo que Jungkook amasse mais do que esse homem.

— Jungkookie… — o outro sussurrou, enquanto se aninhava mais.

Jungkook o abraçou, forte, como sempre o fazia. Apesar de já estarem juntos há anos, essa sensação parecia ainda nova, ainda surreal.

— Hm? — ele murmurou, o rosto afundado nos fios loiros do outro, sentindo o cheiro do shampoo que Jimin havia usado.

Cheiro de maçã, mas também que era cheiro de casa, cheiro de lar e era tão bom e tão calmante.

— Bem que podia gravar algumas histórias para mim — o outro falou, com um pequeno riso.

Jungkook respondeu à risada, se afastando um pouco para olhar para o rosto do outro.

— Por quê? — ele perguntou, sorrindo.

— Porque vou viajar esse final de semana e quero sentir menos sua falta — Jimin disse, manhoso.

Fofo, Jungkook pensou.

— Você vai ficar um final de semana fora, Jimin. — ele falou, ainda rindo.

Jimin iria voltar para Busan nesse final de semana por conta do aniversário de sua mãe. Normalmente, Jungkook iria junto, porém tinha trabalho e teria que ficar em Seul.

— Não posso sentir sua falta só porque são dois dias? — Jimin se levantou levemente, o rosto ficando um pouco acima do de Jungkook, o encarando.

Jungkook levantou o tronco, encontrando o rosto do outro, lhe dando um beijo leve e se afastando.

— Não sei nem porque pede. Sabe que não falarei não — Jungkook disse.

Jimin riu levemente, se aproximando do rosto do Jeon e deixando diversos beijos por todo seu rosto; no nariz, na testa, na bochecha, no queixo. Onde conseguia encostar.

— Claro que sei. Me ama demais pra dizer não.

Jungkook suspirou alto, dramaticamente, passando as mãos em seus próprios cabelos para somar ao personagem.

— Infelizmente… — falou, os olhos fechados e balançando a cabeça para os lados de forma negativa.

— Infelizmente? — Jimin começou a lhe dar tapas seguidos, porém eram tão leves que nem doíam em Jungkook.

Apesar do mais velho estar se segurando para não sorrir e parecer bravo, ele falhou e começou a rir, de novo. Jungkook respondeu ao riso e o quarto se encheu de gargalhadas gostosas dadas pelos dois.

— Claro que estou brincando — ele disse, segurando nos pulsos do outro e o puxando para um beijo.

Foi lento e preguiçoso, mas havia língua, desejo e amor. Beijar Jimin é e sempre será uma das melhores coisas para Jungkook, pois sempre lhe dava a sensação de borboletas em seu estômago.

Eles pararam o beijo para se olhar por um momento. Nada precisava ser dito, pois os olhares diziam tudo; no silêncio, tudo podia ser ouvido.

Eu amo você.

Você é minha vida.

Eu te amo mais.

— Qual livro você quer que eu grave para você? — Jungkook sussurrou.

— Pode ser esse que você leu?

Jungkook arregalou os olhos levemente.

— Éramos e Sempre Seremos? Sério? — Ele sorriu, torto. Não acredito que você brigou comigo e agora vai querer esse livro, o mais novo pensou. — Achei que você tivesse odiado.

— Lógico que eu queria que Nico e Jasmine ficassem juntos! — Jimin bufou. — Mas eu gostei da história. É real, como você disse.

Real.

Porém, apesar de histórias de amor incompletas lhe chamarem a atenção, Jungkook não podia negar que a melhor história de amor seria a deles; era real e bonita, sincera e deliciosa — e melhor que qualquer livro de romance, melhor que qualquer filme de comédia romântica.

— Eu gravo, então — respondeu.

Real.

— Obrigado, Kookie.

Somos reais.

— De nada, meu amor.

Não há nada mais real do que isso.


 

Parte 2: Somos.

Madrugada do dia atual

Eram três da manhã quando Jungkook apertou o botão de pause de seu gravador. Havia ficado as últimas cinco horas lendo Éramos e Sempre Seremos em voz alta. Fez gravações de diversos capítulos, porém acabou tendo que refazer algumas pois sua voz ameaçava falhar, de cansaço e certa tristeza.

Mas não se deixou abalar, ainda mais porque Jimin dizia gostar de ouvir as gravações sempre que Jungkook ia vê-lo. O traziam lembranças, como o mesmo dizia.

Coçando os olhos e bocejando, ele guardou o gravador na primeira gaveta do balcão e se deitou, se cobrindo levemente com os lençóis, na esperança de dormir.

Porém, não conseguiu. Estava agitado demais para isso, assim como esteve nos últimos dias. Então, apenas esperou a manhã vir, os raios de luz do sol invadirem o quarto pelas frestas da janela, enquanto ele encarava o teto de seu quarto.


 

Parte 3: Seremos.

Dia Atual

— Olá, sr. Jeon — a moça de cabelos castanhos e pele negra falou com um sorriso simpático, enquanto estendia a mão em direção ao homem de cabelos pretos. — Sabia que o senhor viria hoje, também.

Jungkook fez o mesmo, dando um aperto de mão breve e sorrindo, leve.

— Claro que viria — ele disse, a voz suave.

— Tem vindo todos os dias, não? — ela perguntou, enquanto procurava uma das etiquetas com o nome “visitante” e, quando a achou, a deu para Jungkook.

O mais novo a pegou e a colocou no lado esquerdo do peito, assim como tem feito no último ano. Vinha tanto naquele lugar que todos já o conheciam, assim como Mari, a enfermeira que tem cuidado de Jimin.

— Jamais deixaria de vir um dia sequer — Jeon disse, suspirando alto. — Como ele está hoje? Ele está melhor?

— Sim. Parece um pouco irritado, ainda. Não quis sair do quarto — Mari respondeu, saindo de trás do balcão e andando em direção ao quarto 707. Não precisou falar nada, pois Jungkook já sabia todos os procedimentos. Apenas a seguiu, silencioso. — Mas em comparação com ontem, está muito melhor.

— Eu fiquei preocupado — Jungkook falou, baixo, tentando não deixar sua voz tremer.

— Eu sei que é difícil não se preocupar, mas precisa saber que é normal. — Mari olhou para trás, o olhar suave e gentil, mas continha um pingo de tristeza. — Ele terá esses surtos de raiva de repente e ficará violento. Porém, não vamos deixar ele se machucar, ok?

Jungkook assentiu fraco, sentindo um nó na garganta.

Não queria se lembrar do dia anterior, quando viu Jimin gritando e quebrando tudo o que tinha ao seu redor, porque doía — e dói.

 

A caminhada até o quarto 707 pareceu durar anos, séculos. Porém, uma hora chegaram e Mari bateu na porta, calmamente, a abrindo logo em seguida.

— Jimin-sshi? — ela chamou, baixinho. — Jimin-sshi, você tem visita.

Com a porta totalmente aberta, Mari deu espaço para Jungkook passar e o moreno entrou.

O quarto estava escuro; as cortinas estavam fechadas mesmo com o sol forte que fazia lá fora e as luzes das lâmpadas estavam apagadas. Não demorou para ele achar a figura de Jimin, que  se encontrava deitado, encolhido. Ele encarava a parede e o Jeon só conseguia ver suas costas; nada o cobria naquele momento, pois todos os cobertores estavam jogados no chão.

— Deixarei vocês sozinhos, ok? Mas a porta ficará aberta — a enfermeira disse, dando um leve aperto no ombro de Jungkook e saindo em seguida.

— Tudo bem. Obrigado, Mari — ele sussurrou.

O mais novo se aproximou, receoso, os passos leves, como se tivesse medo de fazer qualquer barulho. Ele se sentou numa cadeira que havia ao lado da cama, olhando o corpo do namorado que não havia se mexido nem um centímetro desde que entrou ali.

— Jiminnie? — ele chamou, a voz doce, porém fraca.

Isso pareceu fazer Jimin acordar; o mais velho se virou na cama lentamente, encontrando os olhos do Jeon.

Jungkook suspirou alto. Ele encarou os traços do Park: seus cabelos loiros estavam quebradiços, a pele mais pálida que o usual e havia olheiras embaixo de seus olhos; mas ainda era Jimin — ainda era seu namorado e o amor da sua vida.

— Oi, Jiminnie — ele disse, sorrindo.

O mais velho o encarou por alguns segundos com os olhos levemente arregalados, até que ele deu um pequeno sorriso ao dizer:

— Jack? — perguntou o loiro.

Jungkook se controlou para segurar as lágrimas que sempre queriam desabar nessas horas. Mesmo isso tendo acontecido há mais de três meses, ele ainda não estava acostumado.

Jimin estava internado ali, naquele hospício, há quase um ano. Jeon havia lhe visitado todos os dias, desde então, mas há três meses atrás, ele o esqueceu. Começou com pequenas falhas na memória, até o esquecer por completo. Hoje, ele era Jack, um dos enfermeiros do local — mesmo que não fosse realmente isso, na cabeça de Jimin, era.

— Sim, Jiminnie — Jungkook disse, suave, torcendo para sua voz não lhe trair. — Vim te visitar, de novo.

— Por que não veio ontem, Jack? — Jimin fez um pequeno biquinho, como sempre fazia quando estava irritado. — Me disse que viria ontem e não veio!

Ele havia vindo, sim. Havia, mas Jimin não ia lembrar; não com o ataque psicótico que teve ontem, o surto de raiva que fez com que ele ficasse internado numa sala isolada e tivesse que tomar calmantes fortes. A destra do loiro ainda estava machucada dos cacos de vidro do espelho que quebrou com as próprias mãos.

— Me desculpe, Jiminnie — Jungkook respondeu — Eu tive que fazer umas coisas ontem. Mas prometo que virei todos os dias.

Foi quando Jimin jogou a bomba em seu colo, como se não fosse nada; como se a menção de seu nome não o fizesse se desestabilizar por inteiro:

— E Jungkook?

Ele engoliu em seco.

Fazia tempo que não ouvia seu nome sendo falado pelos lábios do outro e foi naquele momento que percebeu o quanto sentiu falta; o quanto sentiu falta da voz de Jimin o chamando, dos seus lábios formando as sílabas de cada som.

Saudade. Tudo se resumia a ela.

— O que tem ele? — perguntou o Jeon.

— Ele nunca mais veio me visitar, também. — Jimin suspirou alto e encarou o teto, falando com uma voz fraca: — Acho que não me ama mais.

Jungkook queria muitas coisas naquele momento. Queria chorar, mas também queria abraçá-lo e beijá-lo e dizer que o amava mais que a vida. Mas não podia; não quando Jimin nem ao menos o reconhecia.

— Tenho certeza que ama, Jiminnie — Jungkook cochichou.

Ele não ia aguentar por muito tempo.

— Então por que não vem me ver? — O Park se virou para ele e o olhou, os olhos do loiro ameaçando lacrimejar.

Jungkook segurou forte na barra de sua camisa, o aperto dentro de seu coração apenas aumentando a cada milésimo de segundo que se passava.

— Ele… Ele está... Ocupado — murmurou, mordendo o lábio inferior em seguida.

— Ocupado demais para mim? — Jimin perguntou, sua voz em um sopro, ainda mais fraca do que antes.

Jamais. Você é tudo para mim.

— Nunca. Ele apenas não tem como vir agora. — Jungkook tentou forçar um sorriso, pois queria acalmar o outro.

Jimin fungou, limpando as lágrimas que se formavam em seus olhos.

— Sabe, Jack, ele costumava ler para mim — disse, sorrindo fraco.

— É? — Jeon não sabe como conseguiu falar.

Maldito aperto no meu coração.

— Todos os dias, antes de dormir — Jimin falava, quase cantando, a voz animada. — Eu costumava dormir bem.

Jungkook suspirou alto, tentando acalmar seus batimentos.

— Eu posso ligar para ele e pedir para que ele leia para você, se quiser — ele disse, a mão segurando ainda mais forte na camisa e ele pensou que o tecido iria ceder e ela poderia rasgar a qualquer momento.

Os olhos de Jimin se encheram de um brilho bonito; um brilho que Jungkook não via há um tempo.

— Sério? Eu quero. Eu quero! — ele disse, batendo pequenas palmas e sorrindo.

E, estando daquele jeito ou não, o sorriso de Jimin continuava lindo.

— Mas o que você acha de antes abrirmos as cortinas? — Jungkook perguntou, se levantando e segurando em uma das cortinas beges do quarto. — Está muito escuro aqui, Jiminnie.

— Não. Não! — O loiro gritou. Sua mão começou a tremer e seus olhos, que antes esbanjaram alegria, agora continham medo.  — Não abra a cortina. Eles vão entrar.

— Eles quem, Jimin-

— Não. Não, não, não — ele murmurava, enquanto se encolhia no canto da cama, agora de costas para Jungkook.

O mais novo conseguia ver que o Park tremia e ele parecia menor do que já era.

Foi quando Jungkook não aguentou e começou a chorar. Lágrimas rebeldes que caíam de seus olhos, que deixavam sua boca salgada e que doíam. Lágrimas que tem segurado há muito tempo. E ele torcia para o outro não se virar agora, porque a última coisa que ele queria era que Jimin o visse chorando.

— Ok, ok. Jiminnie, está tudo bem — ele sussurrou, gentilmente. — Está tudo bem.

— Ligue para Jungkook, Jack — foi só o que o outro disse, fraco, quase inexistente.

— C-certo — Jungkook gaguejou. Pegou o celular no bolso e o colocou em seu ouvido, para o caso de Jimin olhar para ele. O loiro sempre dizia que ele era um bom ator, afinal. — Alô? Jungkook? É o Jack. Sim, sim. Ele também sente sua falta, Jungkook.

Isso pareceu atrair a atenção do mais velho, que parou de tremer.

— Jungkook mandou lhe dizer que te ama mais que a vida — o mais novo disse em meio as lágrimas.

Jimin pareceu não notar que o outro chorava e, se notou, não falou nada. Apenas disse baixinho:

— Diga que o amo de volta, por favor — falou, mas completou em seguida: — E o diga para ler uma história para mim.

— Ele disse que também te ama, Jungkook. — O moreno acenava com a cabeça, enquanto fingia realmente estar tendo uma conversa com outra pessoa. — E quer que você leia algo para ele. Hm? Uhum. Ok.

O mais novo tirou o aparelho do ouvido e o desbloqueou, abrindo a pasta de gravações. Foi na última que tinha ali — a que tinha gravado na madrugada — e clicou, colocando no viva voz.

Poucos segundos depois, sua própria voz rompeu o silêncio do quarto. Era ele, lendo os trechos do livro escolhido. Ele observava Jimin enquanto isso; os músculos do mesmo pareceram relaxar e a respiração pareceu se acalmar.

— Eu conheço essa história… — ele murmurou.

— Conhece?

— Sim. Éramos e Sempre Seremos. É a minha favorita.

Jungkook sorriu por entre o choro. Ao menos ele lembrava disso.

— A voz de Jungkook sempre me acalma. Eu espero que ele venha me ver logo.

— Eu também espero, Jiminnie.

Nós somos a melhor história de romance já escrita, Park Jimin — o mais velho murmurou e Jungkook paralisou por um momento. Ele se lembrava da frase que havia dito para o outro há alguns anos atrás. E o mundo pareceu parar quando Jimin repetiu: — A melhor história já escrita.

 

Mari observava tudo de longe, junto com uma enfermeira mais nova.

— É incrível como as histórias que ele traz são capazes de acalmar o paciente — a outra disse, sorrindo fraco.

— Sabe o que eu acho incrível? — Mari falou, se encostando na parede e deixando sua cabeça cair para o lado. Ela tinha uma expressão triste. — O fato de ele ter vindo todos os dias vê-lo. Todos. Mesmo sem Jimin lembrar dele.

— Mas o que aconteceu com Jimin? — perguntou a enfermeira loira.

— Eu não sei ao certo… — disse, enquanto mexia com os cabelos castanhos com os dedos. — Sei que houve um assalto com sequestro violento. Mortes, muito sangue. O mental dele não aguentou.

— Isso é triste — ela murmurou, suspirando baixo.

— Sim… — Mari falou, olhando de canto de olho para a loira. — A família dele não queria interná-lo, mas ele passou a ter crises, ficar violento... É complicado.

— Eu sinto pena do namorado.

— É difícil não sentir, né? — Mari olhou novamente para a porta, encarando Jungkook e Jimin antes de dizer: — Mas ao mesmo tempo, é tão bonito.

— O que é bonito?

— O quanto eles se amam, Nataly.

Nataly olhou novamente para o quarto e entendeu o que Mari quis dizer.

Jungkook ria em meio a lágrimas, enquanto Jimin contava animadamente uma história de quando ele e seu namorado foram viajar para Busan juntos para conhecer a família do Park, mas acabaram pegando o ônibus errado e indo parar em Daegu.

Jimin disse que ouviria a história depois; que, apesar de amar a voz de Jungkook mais que tudo, não queria dormir agora e que esperaria depois que Jack fosse embora. Disse também que ficaria imaginando ele como Nico e Jungkook como Jasmine, mas que criaria seu próprio final feliz para a história; porque ele e Jungkook foram, são e serão sempre a melhor história de amor já escrita.

 

Foram, são e serão lembrança.

Foram, são e serão.

Éramos, somos e seremos. Sempre, Park Jimin.

 


Notas Finais


Muito obrigada por ler!!!! <3


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