História Conscientia Sceleris - Capítulo 1


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Categorias EXO
Tags Drama, Homicidio, Investigação Criminal, Julgamento, Kai, Mistério, Sehun, Tragedia
Visualizações 24
Palavras 2.394
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Hentai, Lemon, LGBT, Mistério, Policial, Romance e Novela, Slash, Suspense, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá! Boa noite.
Primeiramente queria agradecer à linda da Giulia Sthéfanie e todo o pessoal do EFF que se interessou por esse projeto e me deu total apoio para desenvolvê-lo. Saiba que você foi crucial pra me ajudar a amarrar algumas pontas ainda soltas do meu plot e que nossas discussões sobre a minha ideia foram muito esclarecedoras. Queria também agradecer ao Lucas Matheus que fez essa capa incrível com tanto carinho e eficiência. Vocês são demais!
Por favor, leiam as notas finais pois algumas coisas precisam ser esclarecidas. Muito obrigada se você decidiu dar uma chance a essa leitura.

Capítulo 1 - Piloto


Algumas semanas antes…

 

Passos​, tudo o que ela podia ouvir eram aqueles passos ecoando. E ela sabia que estava perdida, arrastada para a situação que havia criado para sua própria vida quando tomou todas as decisões que a levaram até aquele momento.

Sempre acreditou que manter seus inimigos por perto era a melhor escolha, mas não esperava jamais ser manipulada daquela maneira. Não poderia fugir, não enquanto aquelas mãos a alcançaram e se puseram em seu pescoço, seus braços sendo presos pelas pernas daquele agressor calculista.

A maneira como os joelhos dele pressionavam seus ossos doía, mas nada era pior do que encarar aquele sorriso ladino que já lhe dizia tudo. Os dedos dele se soltaram de sua pele para que pudesse amarrar suas mãos, impedindo-a de realizar qualquer movimento que a libertasse. Não daria o gosto àquele maldito de assistir enquanto ela chorava, por isso lutou com todas as forças enquanto lágrimas grossas queriam escorrer. Era melhor do que aquele cretino acreditava, e ela sabia que poderia tirar forças até do céu se necessário. Resistiu até o último momento em que suas pernas foram abertas tão violentamente, o corpo pesado a prendendo ali.

Como seu último ato de coragem cuspiu naquele rosto que em algum momento até lhe pareceu possivelmente amigável e ainda assim a pose do maldito não se desfez. Pelo contrário, o escárnio triplicou e ele investiu. Ela sentia como se diversas facas fossem enfiadas em suas entranhas, girando lentamente e então voltando mais uma vez, levando o pouco de honra que teve em toda a sua vida. Seus braços e pernas ainda se debatiam numa vã tentativa, e ele ria. Era o pior som que poderia ouvir.

Estava sendo violada, perdendo o direito principal de uma mulher enquanto ser humano, perdendo aquilo que era de sua posse. Pouco importava o dinheiro enquanto sentia cada pedaço de seu corpo doer, as mãos que tantas vezes apertara agora sendo motivo de sua ruína, o corpo espancado e débil, o sangue lhe escorrendo por cada pequeno pedaço.

Não conseguiu mais lutar com seu último ato corajoso e as lágrimas vieram, aceitando aquilo que sofria de maneira cruel e impiedosa. E como se ele ainda tivesse alguma misericórdia finalmente retirou a faca presa à cintura, segurando com força os cabelos sedosos de uma mulher já sem vida, faltando apenas de fato consumar sua morte. O olhar que ela lhe lançou já dizia tudo. Vislumbrou as luvas pretas e a maneira como a lâmina parecia se aproximar tão lentamente e então finalmente cortar seu pescoço, pouco a pouco a carne sendo separada para cada lado despedaçado.

 

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Terça-feira, 13/03/18, 07:30 am

 

Com um sorriso largo no rosto Kim Jongin entrou no escritório, cumprimentando toda e qualquer pessoa que passasse por seu caminho. Não sabia o motivo, mas naquele dia em especial sentiu algo diferente quando acordou e colocou seu terno preto e a camisa de seda cor chumbo com que seu irmão mais velho havia o presenteado no dia anterior. De alguma maneira pensava que aquilo lhe traria sorte. A atmosfera parecia estar diferente, como se algo fosse acontecer naquele dia. Era inexplicável e ele sequer sabia porque se sentia daquela maneira, mas resolveu encarar tudo com bons olhos.

O porcelanato escuro, as paredes brancas e os lustres prateados por vezes costumavam trazer determinado vazio ao coração do Kim, as cortinas pesadas de veludo vermelho nas enormes janelas do prédio contrastando com todo aquele preto e branco… havia se acostumado, precisava admitir, mas naquele dia em específico pareciam ter vida própria, cores que o chamavam. Quase passou direto da entrada da própria sala com toda a distração que aquele turbilhão em sua mente criou, não fosse pela voz de seu secretário o despertar.

— Bom dia, senhor. Há alguma reunião agora? Não fui notificado. — Baekhyun soou cordial, já que via o patrão caminhar em direção à sala de reuniões no fim do corredor.

O garoto tão bem vestido quanto Jongin se aproximou com o copo descartável de café em mãos, pronto para entregar ao moreno. O maior então sorriu e como se parecesse ligeiramente fora de órbita respirou fundo antes de respondê-lo.

— Obrigado, Baek. Eu apenas me distraí com alguns pensamentos… o que teremos hoje? — retrucou.

O secretário abriu a porta da sala do moreno e então ambos entraram só para que fosse fechada pouco depois. Jongin se assentou na grande cadeira giratória e levou o café recém entregue aos lábios antes de voltar a encarar o amigo. Dentro daquele espaço poderiam conversar com mais tranquilidade. Notou que havia um envelope vermelho em sua mesa e que a televisão já estava ligada, sinais de que o Byun já havia passado ali antes de sua chegada.

A sala era mais amigável que todo o restante do escritório, apesar de relativamente simples. Havia uma janela panorâmica bem atrás da cadeira, o único ponto extravagante da sala, que proporcionava maior iluminação do ambiente e a mesa escura tinha alguns porta-retratos com amigos e familiares, pequenos souvenires e principalmente a deusa Thêmis representada em uma estatueta média, o símbolo da justiça.

— Jongin, nunca te vi tão distraído assim. Deveria me preocupar? — brincou com um sorriso nos lábios antes de o responder de fato. — Nada novo. Os associados deram entrada naqueles casos pro bono que estavam parados há algum tempo. O pagamento de todos já foi efetuado com correção pelo atraso e de novidade mesmo só há esta carta, que francamente não sei como ainda não ficou desesperado para abrir.

O advogado riu e balançou a cabeça de maneira negativa, suspirando baixinho antes de tomar mais um pouco de seu café e então oferecer a Baek, que negou. Seu olhar perdido por um momento parou na televisão e algo chamou sua atenção. Buscando pelo controle um tanto interessado, aumentou o volume e fez sinal para que o baixinho também prestasse alguma atenção.

 

Foi preso hoje logo pelas primeiras horas da manhã o suspeito de estuprar e decapitar mais de quinze mulheres nos últimos seis meses em Seul. A polícia ainda não apresentou o rosto do suspeito e segue fazendo suas investigações e interrogatórios ao homem que afirmou não dar uma só palavra enquanto suas exigências não forem atendidas [...]

 

Os olhos dos dois amigos se encontraram e de repente Kim Jongin sentiu que algo estava muito estranho. Junmyeon não havia comentado nada consigo na noite anterior antes de o entregar o presente. O Byun pareceu quase ler seus pensamentos.

— Bom, acho que a única preocupação que devemos ter é por quê diabos Jun não nos disse nada ontem, não acha? De qualquer forma a sociedade deve ficar mais segura por agora. Me dá até alguma paz em saber que minha mãe e irmã não correm mais riscos se saírem sozinhas. — o Kim comentou, tornando a abaixar o volume do aparelho que prosseguiu noticiando a prisão do serial killer.

Baekhyun sorriu sincero enquanto encarava o amigo e patrão. Algumas vezes queria entender o motivo dos Kim serem tão complicados e reservados para determinadas coisas. Aquela família tão ligada à lei sabia que o mundo era perigoso, mas às vezes pareciam levar a sério demais. Conhecia os três irmãos desde que se entendiam por gente e sempre viu esse lado fechado da família. O pai de Jongin, senhor Hyeon, era um advogado criminalista de sucesso e a esposa, Myeong Ji, uma promotora tão talentosa quanto ele. O casal havia se conhecido no tribunal logo quando começaram suas carreiras e não demorou que o casamento chegasse logo e junto dele dois filhos, Junmyeon e Minseok. Por último veio Jongin, o único que havia puxado a pele amendoada do pai. Minseok era paralegal, já que não se via como advogado mas não queria sair do legado da família. Já Junmyeon era detetive, e por acaso o responsável pelo caso que havia sido noticiado por vários meses e que estava agora prestes a ter um possível julgamento. Apesar de cargos tão importantes e cheios de trabalho, eram muito próximos um do outro, uma família verdadeiramente amorosa. A irmã que Jongin sempre lembrava, Seung, era na verdade uma prima que infelizmente ficou órfã muito cedo e passou a ser responsabilidade dos pais do garoto.

— Talvez a operação precisasse ser discreta, Jong… não vamos pensar muito sobre isso, certo? Acho melhor você se recuperar logo e vir para vermos o que o Minseok está arrumando para infernizar os associados nesse exato momento. — o comentário de Baek arrancou uma pequena risada do moreno que não demorou muito a assentir positivamente.

— Tudo bem, prometo não remoer isso até o fim do dia. Vou só separar alguns documentos e logo encontro vocês. Tente colocar algum juízo na cabeça dele enquanto não chego.

Baekhyun riu e então sem dizer mais nada saiu da sala do Kim mais novo, deixando-o sozinho.

Naquele momento em específico aquela carta vermelha tornou a capturar sua atenção e num ato de curiosidade a pegou, girando-a devagar entre os dedos enquanto olhava a grafia no papel de maneira atenta. Era forte mas um tanto cuidadosa. Com o cenho franzido ele abriu o envelope tão cuidadosamente quanto aquela escrita que há pouco admirada parecia ter sido feita, retirando o papel de carta para então observar aquela mesma grafia forte com palavras que o deixaram um tanto confuso, mas que logo depois foram se encaixando cautelosamente em sua cabeça. Aquela mania impiedosa de tremer a perna esquerda involuntariamente quando se encontrava em alguma situação de confusão mental veio à toda e ele soube naquele exato momento que algo estava um tanto errado.

 

Baekhyun sabia muito bem que o amigo precisava ficar sozinho apenas por um momento antes de voltar a ser o advogado concentrado e eficiente, portanto não tentou entender o que acontecia com ele até que Jongin se sentisse à vontade para conversarem. O garoto tinha muito carinho pelo moreno pois ambos compartilhavam do mesmo desgosto social, o fato de serem homossexuais. A excelência de Jongin como advogado muitas vezes fazia com que o preconceito fosse esquecido, mas aquela ainda era uma luta diária pela qual Baek sempre precisaria se reafirmar.

Sua sorte é que de alguma maneira sempre fora bem recebido por todos aqueles que lhe são caros, e com a família Kim não era diferente. Já Junmyeon era um bissexual não assumido para a sociedade pois temia que seu emprego fosse colocado em xeque, mesmo que Baek e os outros dois Kim homens lhe dizerem que sua competência não poderia jamais ser colocada em jogo por algo que não interferia em sua carreira, mas ele sendo o mais sério e teimoso dos três irmãos nunca os dava ouvidos. Minseok era o mais aberto deles, um tanto alegre e sempre de bem com a vida, apesar de ter aquela confiança que parecia já vir com o DNA dos meninos. A verdade é que Baekhyun os amava cada um à sua maneira e peculiaridade.

Foi impossível não sorrir largo assim que adentrou a área dos associados, vendo um Minseok risonho com seu lápis costumeiro atrás da orelha direita, uma mania que o baixinho sempre achou um tanto engraçada, atazanando alguns associados que sempre falhavam em se manter sérios na presença do outro. Se apoiando no ombro dele Baek sorriu mais uma vez antes de finalmente tentar colocar alguma ordem ali.

— O senhor não tem jeito mesmo, não é? — balançou a cabeça negativamente antes de prosseguir, vendo Minseok sorrir largo. — E quanto a vocês, acho melhor que foquem direito no que estão fazendo, caso Jongin encontre algo fora dos parâmetros nesses documentos… bem, não quero nem imaginar o que a fera vai arrumar.

Minseok concordou prontamente enquanto retirava o lápis detrás da orelha e anotava algo em seu caderno antes de finalmente dizer algo.

— Eles precisavam de algum ânimo, você sabe bem. De qualquer maneira eu não vi meu irmão ainda, sequer sei como está o humor dele. Torço que não esteja nada parecido com o Junmyeon, porque ninguém merece dois velhos em corpos novos. — sussurrou para Baek.

Sequer se deram conta enquanto caminhavam até o almoxarifado em busca de um pouco mais de privacidade. O Kim mais velho ajeitou sua gravata e então respirou fundo.

— Nunca vi esse escritório tão calmo…

— É, eu também não. Mas nada fica tão estagnado por aqui durante muito tempo. — Baekhyun complementou.

Passando os dedos pelo topete bem feito Minseok fechou os olhos e então respirou fundo antes de encarar Baek mais uma vez, sentindo que algo precisava ser dito.

— Você viu no noticiário?

Não eram necessárias mais palavras para que o baixinho entendesse. Mordendo o lábio em pura tensão, pensou um pouco sobre o que dizer.

— Me senti um pouco desconfortável ao perceber que o Jun não nos disse nada. Isso não te parece estranho? — indagou, parecendo até mesmo perder um pouco do ar que sequer percebeu prender.

Minseok conferiu mais uma vez se estavam mesmo sozinhos antes de dizer o que queria tanto compartilhar com alguém. Há algum tempo havia entrado no quarto de Junmyeon para buscar algo e acabou encontrando uma pilha de fotos do até então último crime, e como o bom curioso que era resolveu dar uma olhada.

— Bem, faz algum tempo que encontrei fotos do caso no quarto do Jun. Até aí tudo normal, mas eram da cena e eu fiquei um tanto curioso, você sabe como sou… Entretanto quando me aproximei para analisar melhor percebi que em alguns lugares tinham pistas um tanto estranhas, elas me pareciam letras desordenadas. Tentei começar a montar o quebra-cabeça e percebi algo ainda mais intrigante… — antes que pudesse prosseguir foi interrompido por Jongin entrando na sala.

Os dois garotos se assustaram mas fingiram que nada acontecia ali, ainda mais com toda aquela história de Minseok que no mínimo caminhava para uma teoria da conspiração. O Jongin avoado de meia hora antes não estava mais ali, por trás do óculos de grau de armação redonda só havia um par de olhos concentrados e cheios de determinação.

— Desculpe os interromper, mas o que quer que estejam fazendo pode esperar. Temos um novo caso e eu preciso que você confirme pra mim se há um possível conflito de interesses. — disse enquanto direcionava o envelope vermelho ao irmão.— Baek, preciso que reúna todas as informações possíveis do caso do Junmyeon e reveja todos os casos de prisão por estupro e estupro seguido de homicídio julgados em Seul nos últimos cinco anos. Temos trabalho a fazer.


Notas Finais


Se você chegou até aqui, merece um beijo na testa cheio de amor e carinho! Bem, eu não entendo nada sobre o sistema penal e a constituição coreana, então tudo o que será usado aqui estará embasado nos meus escassos conhecimentos da lei brasileira misturada com a americana. Fiz com todo amor e carinho e espero de verdade que comprem essa ideia. Mais uma vez, muito obrigada! Os vejo nos comentários?
Kiseu


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