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História Consejo de Amor- Binuel - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Hello Hello!
Como estão?
Estou aqui trazendo mais um capítulo para vocês pequenos conselheiros!
Essa história está tirando uma dedicação minha sem igual e estou amando! Espero que vocês estejam gostando também!
Boa leitura e até lá embaixo!

Capítulo 2 - Prólogo


Fanfic / Fanfiction Consejo de Amor- Binuel - Capítulo 2 - Prólogo

3 anos antes:

De segundo em segundo o clique da caneta, da minha colega de classe, ressoava pelos meus ouvidos, aquilo de algum modo estava me desconcentrando e tirando meu foco da explicação do professor. Me virei para encará-la de frente e em apenas um segundo notei sua mente dispersa, parecia que ela estava viajando em seu próprio lugar.

- Carmin, você está bem?- perguntei passando minha mão na frente de seu rosto, como se estivesse acenando. Ela piscou algumas vezes despertando do transe e parou imediatamente de pressionar o pequeno botão da caneta.

Carmin e eu não nos falamos muito, apenas tiramos algumas dúvidas durante a aula e às vezes nem chegamos a manter um contato visual. Ela é uma garota popular e eu nunca me senti muito confortável falando com garotas desse tipo. É bom ficar no meu canto aproveitando minha privacidade.

- É o Alex,- apontou com o queixo para o garoto a nossa frente sentado ao lado direito de sua dupla, Manuel Quemola.- Eu não sei como dizer pra ele que gosto dele!- confessou ela bem perto de meu ouvido para que mais ninguém soubesse.- Estou meio insegura já que só estamos saindo sem compromisso, mas eu gosto de verdade dele, sabe? Tenho medo dele não sentir o mesmo!- por um segundo estranhei sua confissão, ainda mais porque não temos uma intimidade tremenda para conversar sobre nossa vida amorosa, porém lá no fundo eu estava gostando de saber que a Laguardia confiava em mim.

Meus olhos se desviaram rapidamente para o garoto de cabelos bem penteados e roupas estilosas. Alex e eu somos bons amigos desde o último ano do ensino fundamental 1 e não deixamos de ser até agora que estamos no nono ano prestes a ir para o ensino médio. Nós temos uma boa relação, tanto que até surgiu alguns boatos dizendo que namorávamos as escondidas, mas era apenas um boato, no qual, usávamos para gargalhar bastante.

Encarei as costas de sua camiseta que possuía um símbolo estranho até ter minha mirada roubada pelo garoto ao seu lado, Manuel, o garoto que em toda escola arrancava mais suspiros das garotas. Ele estava com um sorrisinho brincalhão nos lábios e ao me ver o fitando, cochichou alguma coisa com Alex, que se virou no lapso de segundo para me encarar. Diferente de Manuel, Alex acenou com educação pra mim, retribui o gesto com um sorriso singelo e me virei para encarar Carmin novamente.

- Bom conhecendo o Alex, particularmente eu acho que ele sente o mesmo que você. Ele tem esse jeito de garoto bad boy, mas é um amor de pessoa, sem falar que os comentários dele ao seu respeito são encantadores. Então não precisa sentir medo de contar o que sente, é melhor contar do que guardar pra si!- aconselhei usando minha melhor voz de garota esperta e usufruindo um pouco de minhas rápidas leituras dos melhores romances clichês.

Desde quando passei a ler compulsivamente livros desse gênero, fui obtendo certas experiências em relacionamentos- não eu nunca namorei em toda a minha vida. Mas mesmo eu não sabendo como um relacionamento funciona, entendo bastante dos fatos, tanto que ajudei minha irmã, Helena, quando ela gostava do seu colega do terceirão e hoje em dia eles são um casal invejado. Ela ficou tão feliz com meus conselhos que me apelidou de deusa do amor, um apelido que nem tento mais discutir sobre. Uma pena ela tenha que ir embora.

- Muito obrigada por me ajudar!- agradeceu ela, jogando os braços envolta de meus ombros, como um típico abraço de lado.

Desviei meu olhar de seu sorriso contagiante e peguei Manuel me observando pelo canto dos olhos. Sem nenhum pingo de vergonha, levantei a mão e acenei para ele de forma inocente. Seu rosto angelical tomou uma expressão questionadora, talvez querendo saber o porquê do meu ato, porém em cerca de alguns segundos ele estampou um sorrisinho sem mostrar os dentes e se virou para dizer alguma coisa para Alex.

Esquecendo completamente do que acabará de acontecer tentei me concentrar nos exercícios que o professor tinha passado no quadro.

- Beatriz?- levantei meus olhos do caderno e fitei meu professor que havia me chamado de repente. Nem precisei arriscar uma olhada para toda a sala, era claro que todos me observavam.- Você poderia entregar esses exames que eu já corregi?

Nem me dei ao trabalho de assentir, larguei minha caneta sobre o caderno e me levantei da cadeira ajeitando a saia do meu uniforme. Assim que cheguei na mesa do professor sendo acompanhada por diversos olhares, o senhor de cabelos acinzentados e jaleco branco me entregou uma pequena pilha de papéis, murmurou um curto "obrigado" e fez um sinal para que eu começasse a entregar.

Minha letra arredondada e perfeitinha estampava meu nome na primeira prova da pilha e um redondo "nove" fez com que eu sorrisse, orgulhosa e aliviada. Para mim nunca existiu a opção menos que "oito", meus pais me matariam! Como as provas estavam fora de ordem, organizadas pela nota, conforme eu ia entregando, as notas iam decaindo e os rostos dos alunos que ainda não receberam eram de uma mistura de preocupações.

Após deixar a prova de Jhon no canto de sua mesa, já que ele dormia desajeitado ocupando todo o espaço, parti para próxima que era de Alex Gutierrez, não fiquei tão surpresa, pois já imaginava que ele tiraria um "quatro". Parei na frente da mesa dele e de Manuel e lancei um olhar de pena.

- Se eu dissesse que você tirou um dez, você acreditaria?- questionei levantando as sombrancelhas.

- Bom, você não costuma mentir, então, eu acreditaria!- respondeu em seu ar divertido enquanto tentava ver sua nota nos papéis que acabei deixando em sua mesa.

- Aconselho a prestar mais atenção nas aulas, se não, bye bye, time de futebol!- gesticulei com um aceno para dar mais ênfase a minha fala.

- Estou em busca de uma boa professora particular, sabia?- alegou ele, se reencostando na cadeira e lançando um olhar significativo para Manuel.- Estamos, né Manuel?

Desviei meus olhos dos azuis de Alex e fitei Manuel que parecia bem interessado em nossa conversa.

- Quando vocês tiverem interesse nas aulas de matemática, a gente pode conversar. Mas por enquanto prefiro me preocupar apenas com minhas notas!- digo apressada percebendo que eu já estava a bastante tempo na mesa deles e que se o professor desviasse o olho da tela de seu celular resultaria em uma bronca para mim.

- Viu Manuel? As garotas de hoje em dia não merecem ser consideradas como amigas!- Alex murmurou em um tom divertido e dramático.

Abri um sorrisinho entre os lábios e baixei minha mirada para a próxima prova que por sorte era de Manuel. A letra dele era bem bonita e parecida com a de Alex, mas já sua nota não era nada de se admirar. Me contive para não comentar nada assim que entreguei sua prova, nós não temos intimidade alguma para isso, igual eu tenho com o Alex.

- Acho que estou interessado nas aulas de matemática agora!- pela primeira vez ele falou comigo diretamente, o que foi de se admirar já que ele tinha uma voz melodiosa. Agora consigo entender o porque das garotas caírem nos encantos de Manuel Quemola.

- Tão rápido assim?- sorri inocente.

O garoto me lançou um olhar significativo, mas com intenções de outras coisas. Ao perceber o que ele queria, senti um constrangimento enorme e sem mais nem menos, virei meus calcanhares para acabar de entregar os exames que faltavam.

[...]

- Como estão os preparativos para o baile de primavera?- questionou Chiara mostrando um pouco de sua animação do fim da tarde.

Estávamos sentadas no parapeito que beirava as escadinhas do portão principal do colégio. Fazia um tempinho que o sinal de encerramento das aulas havia tocado e minhas amigas preferiram ficar para me fazer companhia até Helena chegar.

- Em andamento, já falei com o Jhon e ele será nosso DJ e nesse final de semana vou comprar o que falta para a decoração!- informei batendo palmas em animação. Organizar as festas do colégio me deixavam de certa forma, animada.

- Como você consegue organizar tanta coisa e ainda ser uma boa aluna?- a loira perguntou novamente me fazendo esboçar um sorriso.- Mas, só acho que você deveria ter chamado a banda do Manuel!- sugeriu me olhando de canto. Ela bem sabe que sou uma pessoa de se influenciar fácil.

Deixei meus olhos se desviarem delas e focarem no outro lado das escadinhas, onde alguns alunos conversavam e mexiam em seus aparelhos celulares. Contudo minha atenção foi de repente roubada assim que Alex e Manuel saíram pelo portão e assim que o mais baixo notou a minha presença e a de minhas amigas, sorriu amigável vindo em nossa direção.

- Olá garotas!- nos comprimentou com um aceno.- Todas vocês tem par para o baile?- questionou ele de propósito. Ele sabia muito bem que eu não tinha par e estava querendo jogar comigo.

- Eu e a Chaira, temos! Já a Bia, prefere ficar sozinha!- Celeste me interrompeu antes mesmo de eu começar a falar.

Manuel me fitou detalhadamente, o que ocasionou em minhas bochechas esquentarem um pouco levemente se ruborizando. Ter a atenção de um garoto em mim, é o motivo de vergonha. Ainda mais ter a atenção de Manuel Quemola, o garoto que não dava para ser considerado normal.

- Tenho meus motivos e...- minha voz cedeu ao meu repentino nervosismo e mentalmente questionei-me o porque eu estava tão inquieta.

- Não venha dizer que um dos seus motivos é falta de convites!- ordenou Celeste, olhando-me atentamente para ver se eu a desmentiria.

- Não tenho tempo para ter um par, mas garanto que vocês vão aproveitar bastante a festa!- afirmei tentando fazê-los esquecer da minha falta de companhia para o baile.

A buzina conhecida do carro de minha irmã ressoou pelos meus ouvidos, sorri aliviada por ela ter chegado na hora certa me livrando de mais alguns questionamentos. Desci do parapeito encarando todos eles com um olhar de despedida.

- Tchau meninas, nos falamos por mensagem!- me despedi de minhas amigas e me virei para os dois garotos ali presentes.- Estou bem corrida, mas quando eu tiver um tempinho livre, ajudo vocês com a matemática!

- Eu já disse que te amo hoje?- Alex brincou mais uma vez.

Mesmo não vendo meu semblante eu me sentia envergonhada, ainda mais quando Manuel abriu um sorriso irresistível. Seu sorriso tinha um boa fama pelo colégio inteiro e nenhuma garota consegue conter um suspiro diante dele. Mas espera, eu suspirei? Me perguntei tentando me lembrar em determinado deixei algo escapar. Bom, talvez, nem todas caiam ao seus encantos.

- Você é uma garota fascinante, Urquiza!- declarou ele sem se importar com o olhar questionativo de Alex em sua direção. Não contive e acabei suspirando baixinho, repassando mentalmente que realmente nenhuma garota resistia a Manuel Quemola.

- Beatriz Urquiza, a sua música preferida está tocando, então ande logo!- Helena gritou de seu carro que estava estacionado na beira da calçada atraindo os nossos olhares para si.

- Bom, eu já vou, não é sempre que se pode escutar "Consejo de Amor" nas rádios!- acenei em despedida e me virei para ir na direção do carro de minha irmã.

Abri a porta do passageiro e entrei no carro já sendo inebriada pelo toque da música alta. Gosto quando Helena vem me buscar na escola, como minha irmã é vida louca, ela sempre me deixa escolher as músicas e sempre passamos em alguma sorveteria para disputarmos quem conseguia comer mais sorvetes. Algo normal para as irmãs Urquiza.

- Demorou demais, qual desses dois é o garoto que você gosta?- perguntou ela supondo que eu estava gostando de alguém. Como eu já conhecia seu jeitinho, apenas sorri envergonhada e me concentrei na voz da Tini e do Morat.- Não vai declarar nada?

- Nenhum dos dois!- respondi dando de ombros.

Ela sorriu como se soubesse de alguma coisa e não quisesse revelar, a mesma ligou o motor arrancando com tudo seguindo retamente, enquanto isso cantávamos dentro do ritmo aproveitando as poucas horas que ainda tínhamos juntas.

[...]

- Será que você não entende, Alice? Fazer acordo com a família Gutierrez não tirará a empresa do vermelho, se conseguíssemos a família Quemola como aliada, daí sim eu aceitaria!- meu pai entrou na cozinha sendo seguido por mamãe que permanecia calada escutando a reclamação.

A dona Alice suspirou pesadamente, não aguentando os murmúrios vindos da boca do marido.

- Não estamos com tempo de escolher investimentos, Mariano!- mamãe gritou desesperada cortando a fala de papai.

Lentamente virei meus olhos para Helena, questionando pra ela se os dois haviam nos visto. Ela negou rapidamente largando a louça no escorredor, preparando-se para interferir no começo da briga deles que seria longa se ela não o fizesse.

- Pai e mãe,- ela os chamou sem alterar o tom da voz, os dois pararam imediatamente e a encararam.- Como vocês podem discutir assim? E ainda mais na frente da Bia? Vocês deveriam agir com mais calma, se não, essa casa virará um auditório, pra tanta gritaria!- Helena lançou um olhar de decepção para os dois mais velhos, ela sabia como controla-los.- Aposto que vocês até esqueceram que vou embora hoje, não é?

Os dois se entreolharam como se a ficha tivesse caído e depois disso o silêncio pairou pela cozinha. Quer dizer, até mamãe começar a chorar alto, suspirei deixando o copo na pia e cruzei os braços os observando a começar um abraço, os três juntinhos. Meus pais são muito apegados a Helena, até porque ela não nasceu de uma gravidez indesejada assim como eu, ela é como a âncora dessa casa, consegue segurar todos nós nos momentos difíceis. Todos nós sentiremos sua falta, principalmente eu, que nunca vivi um dia da minha vida sem ela.

- Bia?- Helena me chamou fazendo um gesto com a mão para que eu me juntasse a eles no abraço.

Refleti um pouco e decidi não ir. Esse momento é deles e é meio que o último dos três juntos, da família perfeita, e como sou a caçula vulgo a filha indesejada, não quero estragar o momento deles. Saí de fininho, assim que meus pais começaram o discurso de coisas que Helena deveria tomar cuidado, ao chegar no primeiro degrau da escada, corri em desparada até o quarto de Helena, encostando a porta atrás de mim.

Me joguei de costas em sua cama, pegando uma de suas almofadas de coração, abraçando-a e sentindo o leve aroma de flores que Helena costuma exalar por onde vai. Dois minutos foi o tempo exato para que minha irmã viesse até mim, encarei ela esperando que começasse a perguntar o porquê de eu ter ignorado o abraço em família.

- Se eles brigarem na sua frente trate de me avisar, ok?- se sentou ao meu lado pegando de minha mão a almofada.

A fitei pensativa, mas logo concordei sem hesitar. Engoli em seco, tentando não abrir minha boca para perguntar o porquê de nossos pais não se amarem mais.

- Vou sentir sua falta!- sussurrei baixinho e ela fez questão de acariciar meus cabelos.

- Vamos nos falar todos os dias, você terá que me aguentar, maninha!- alegou ela descendo os dedos até meu pescoço para fazer cócegas em mim.

- Te amo!- declarei baixinho.

- Te amo mais, Bia!- depositou um curto beijo em minha testa.

[...]

Observar discretamente era uma tarefa um tanto conservadora para mim, ainda mais quando estou prestes a escrever uma redação no qual o tema necessitava de uma boa observação. Sentada no último degrau da escada, eu analisava pelas frestas entre as madeiras do corrimão da escada, Helena e Thiago conversando bem próximos um do outro, com sorrisos tão grandes que se a tristeza passasse por eles, sairia correndo, mordisquei a tampa da caneta rosa em minha mão baixando meus olhos para meu caderno de rascunho em meu colo. Eu não havia nem ao menos começado o texto, e o motivo era claro. Eu não tinha ideia do que estava fazendo.

Os burburinhos do meu casal preferido no hall de entrada, atrairam meus olhos novamente em sua direção, Helena segurava as bochechas de Thiago enquanto fazia um biquinho semelhante a uma criança fofa, emitindo algumas palavras que eu não podia ouvir. Diante da cena perfeita, digna de um livro romântico exclusivo, apoiei meu cotovelo em meu joelho prendendo a mão em meu queixo, deixando escapar um sorriso junto à um suspiro apaixonante. Eles eram como uma luz no caminho do amor de minha vida real, já que os clichês de filmes e livros não poderiam ocupar tal lugar, eu me baseava no relacionamento deles e desejava bem no fundo do meu coração ter alguém, como minha irmã tem o Thiago. Bom, esses pensamentos eram bem proveitosos, contudo eles sempre me levavam a uma outra realidade: meus pais.

Meus pais eram o tipico clichê colegial, começaram a namorar no ensino médio e bom, acho que você já dave imaginar o fim da história, né? Porém infelizmente o relacionamento dos dois nesse último ano vem decaindo e se desgastando, o que era antes um casal de jovens apaixonados com uma vida a dois inteira pela frente, se tornou uma bela bagunça com palavras jogadas ao vento. Às vezes, acho que eles nunca deveriam ter levado isso tão sério no começo da relação deles, pois da pra perceber o quanto eles não se conhecem, contudo eu me obrigo a parar de pensar assim, desejar que eles nunca tenham se relacionado, seria como um quase pedido para não ter existido. Se eu fosse pedir algo seria ter nascido em uma família feliz e unida, apenas isso.

Após meus altos devaneios, voltei minha atenção às linhas rosadas do caderno, finalmente tendo algo para escrever sobre o tema que nada mais, nada menos era sobre "Amor" o sentimento mais traiçoeiro e ao mesmo tempo hipnotizante que todos que abrigam esse mundo já puderam sentir ou ainda sentem. Antes que meu raciocínio fugisse de mim, anotei a curta frase na primeira linha da folha, obrigando-me a partir disso a escolher outro tema.

"Amor. Tão difícil de entender, mas fácil de sentir. Decepcionante às vezes."

As risadas deles preencheram o lugar e eu me contive para não rir também diante da melhor forma dos dois matarem a saudade que sentirão assim que Helena partir. Eles de fato eram um casal fascinante e que se dependesse de mim duraria a eternidade.

Minha concentração foi roubada ao sentir duas patinhas em minhas costas, sabendo muito bem que Ruth- minha cachorra-, estava aproveitando o momento para babar meus cabelos soltos. Virei-me de lado tentando não fazer movimentos bruscos para que Thiago e Helana não soubessem que eu os estava observando, encarando a bela Shih Tzu de pelos brancos com color negro no pelo das orelhas, não evitei meu sorriso assim que a mesma abaixou a cabeça espirrando, estiquei os braços para que ela visse em meu colo e Ruth nem hesitou em se aconchegar em meu colo. Agora não era só eu uma observadora, eu tinha uma companhia de espionagem que parecia bem desinteressada nos dois pombinhos no andar de baixo.

- Está vendo aqueles dois?- questionei baixinho perto de seu ouvido, como se ela fosse me responder de alguma forma.- Eles são um casal tão lindo, não acha? Espero que o destino tenha alguém reservado para mim no futuro, daí sim seremos a família perfeita. Eu, você e ele.- anunciei a olhando fixamente, apesar dela também não parecer muito interessada em minha loucura de manter um diálogo.- Só me prometa que você me ajudará a escolher alguém que valha a pena, ele terá que ser um bom pai, não acha?- Ruth deitou a cabeça em minha barriga e me olhou com os olhinhos brilhando.- Te amo!- deixei um beijinho no topo de sua cabeça e a mesma lambeu meu rosto.

A porta de entrada de repente se abriu, me fazendo levantar assustada com Ruth em meus braços, meus pais entraram em casa cada um fechando seu guarda-chuva por conta da tempestade que fazia lá fora. Thiago e Helena se afastaram comprimentando os mais velhos com abraços calorosos.

- Chegamos a tempo para te levar até o aeroporto, né filha?- mamãe perguntou com a voz chorosa enquanto segurava entre as mãos as bochechas de Helena, a de cabelos ruivos levemente assentiu não querendo ver mamãe abalada.

Essa era a despedida que eu mais temia desde a três meses atrás quando Helena anunciou que queria conhecer os países vizinhos, no começo eu levei na brincadeira era algo estranho pensar que ela queria largar tudo para viajar o mundo, mas assim que ela afirmou que já tinha tudo planejado, eu me toquei que perderia um dos meus refúgios e cá estou, tendo que me despedir dela.

Vagarosamente desci os degraus da escada ao mesmo tempo que dava um carinho no animalzinho em meus braços. Pobre Ruth, mal sabe que a tia vai embora, pensei brevemente tentando por humor em minha mente bombardeada. Ao pisar no piso de madeira do hall de entrada, Thiago foi o primeiro a me comprimentar, notei que ele parecia tranquilo por fora, mas tenho certeza que essa despedida não está sendo nada agradável para ele. Assim que mamãe largou Helena para seguir caminho até a cozinha, aproximei-me dela parando bem na sua frente tentando conter a emoção e a vontade de chorar.

- Não chora não, minha deusa do amor! - pediu ela tomando seus braços ao redor de meu corpo, deitei a cabeça em seu ombro e me permiti guardar a lembrança de nosso último abraço. Enquanto isso, Ruth se remexia em meu colo notando que estava quase sendo amassada por nós duas.- Lembre-se que pode me contar tudo, tá. Principalmente se nossos pais estiverem passando dos limites nas brigas, ok?

Balancei a cabeça em um gesto positivo e ela me soltou de seus braços, arrancando de mim, Ruth, que com certeza estava meio alienada com a situação.

- Queria poder ir com você!- confessei sentindo a necessidade de ela saber que se houvesse a possibilidade eu iria com ela sem hesitar.

- Você vai ficar bem sem mim!- declarou ela tentando me fazer pensar que eu ficaria, contudo eu sabia que seria uma luta enorme me acostumar sem a presença dela.

Mamãe voltou da cozinha e papai encerrou sua conversa com Thiago que parecia animada, me pondo em alerta total. Era hora dela ir. Como eu já havia deixado claro que não iria até o aeroporto pois não conseguiria aguentar, dei mais uma abraço em Helena declarando o quanto eu já sentia sua falta. Sem saber como reagir assim que papai e Thiago começaram a carregar as bagagens de Helena até o carro, peguei novamente Ruth em meu colo e decidi subir para meu quarto, com o intuito de não chorar mais.

Agora eu só tinha um refúgio e ele estava em meus braços, se eu perdesse Ruth, seria meu fim.

[...]

- Bom dia, mãe!- a saudei assim que entrei na cozinha.

Ela estava encostada na bancada de mármore enquanto fitava os detalhes minúsculos da xícara que por coincidência, Helena havia lhe dado de presente. Vendo-a tão distante e alienada, lembrei de sua desesperada despedida com Helena na sexta-feira passada, acho que vai demorar um pouquinho para ela se acostumar.

- Bom dia, Bia!- respondeu em tom distante e olhar disperso.

Reprimi meu corpo contendo-me para não manter nossa conversa, sabendo que se continuasse não acabaria de um modo agradável. Conheço mamãe ela acharia uma brecha para lamentar a partida de Helena e bom, eu não queria lembrar da minha perda de refúgio.

- Você vai se atrasar se continuar aí parada!- me avisou vagamente sem vontade de querer brigar comigo quanto a isso.- A Helena nunca se atrasava...- suspirei assim que ouvi suas palavras.

Já estou acostumada em ouvir suas comparações entre mim e Helena e sempre era a mesma coisa de sempre: Helena é um bom exemplo e a Beatriz deveria ser mais atenciosa... Meus pais nem precisam disfarçar o quanto eles gostam mais de Helena do que de mim.

- Tenha um bom dia, mamãe!- abri um sorriso fraco e ela assentiu sem se importar.

Peguei uma maçã da fruteira que enfeitava a bancada e virei meus calcanhares para sair do cômodo, indo na direção da primeira entrada perto da saída da cozinha que dava exclusivamente para a sala de jantar. Ao entrar no cômodo me deparei com a enorme mesa de oito lugares bem no centro da sala, um lustre iluminava a vista de cima do móvel enquanto um armário rústico que guardava as louças chiques de mamãe se localiza na parede externa. Ignorei toda a ostentação que dispunha minha casa, dando alguns passos silenciosos até a enorme porta de vidro coberta por uma cortina creme que interligava a casa para a área dos fundos. Deslizei a mão pela alavanca que mantia a porta fechada abrindo-a, sendo o mais silenciosa possível, arrastei a porta para o lado e sai do cômodo sendo recebida por um ventinho que fazia. Após fechar a porta novamente, suspirei aliviada por ter conseguido chegar a área dos fundos sem ser vista. Geralmente faço esse trajetória quando não estou afim de ouvir os sermãos de papai quando ele me dá uma carona até o colégio.

Caminhando pela estradinha de pedras que dava uma volta na piscina, cheguei até o limite do terreno, que estava rodeado por cercas brancas de madeira. Olhando para os lados com um certo medo de que alguém me visse, pulei as cerca com um pouco de esforço me fixando do outro lado, na propriedade abondonada. A casa detrás sempre esteve vazia, tanto que eu e Helena chegavamos a supor que era mal assombrada para complementar a ideia de que ninguém queria morar nela. Pela a lateral do terreno, andei em direção a rua, focada em não olhar para a construção assustadora ao meu lado. Assim que cruzei rapidamente a área de risco chegando a calçada da rua, pude sorrir abertamente como se minha vida dependesse dele, porém meu sorriso morreu assim que lembrei de um pequeno detalhe.

Literalmente há um fato ruim em realizar meu pequeno atalho, acontece que Alex mora na rua detrás da minha e ele tem uma certa gentileza em me oferecer uma carona, que geralmente eu não aceito. Não gosto de aceitar porque a mãe dele acaba achando que há segundas intenções da parte do filho e fica jogando as qualidades dele minha cara por todo o caminho. Não a julgo, ela com toda certeza desse mundo ama muito o filho e envergonha-lo às vezes não faz mal, né?

- Bia!- como eu estava falando...

Já com uma desculpa frajuta na ponta da língua, virei-me para encarar Paula no banco do motorista com seu típico sorriso mãezona e Alex do banco do passageiro acenou para mim com um olhar que parecia fazer anos que não nos víamos.

- Bom dia senhora Gutierrez!- a saudei com um aceno de cabeça, enquanto dava uma mordida em minha maçã e retirava com a mão livre o fone de meu ouvido.

- Olá querida, aceita uma carona?- tentei evitar minha expressão de surpresa por ela estar perguntando ao invés de me fazer subir no carro.

- Vou agradecer, mas...

- Ela aceita sim, mãe!- afirmou Alex, com sua costumeira intromissão, como se mandasse em minhas escolhas. Ele saiu do carro que se encontrava no encostamento da calçada e abriu a porta detrás para mim poder entrar.- Por favor, não liga para as coisas que minha mãe fala, tá?- notei uma centelha de preocupação e senti que ele estava escondendo algo, mas não resolvi perguntar, seria muito intrometido da minha parte.

- Como sempre, né!- ele abriu um largo sorriso, contente. Entrei no carro sem antes entregar para ele o resto de minha maçã para que jogasse no lixo para mim. Acomodei-me no estofado e tentei indentificar qual era a música que tocava baixinho no rádio.

- Partiu colégio! Estão usando o cinto de segurança?- perguntou Paula lançando um olhar entre mim e Alex.

Murmuramos um "sim" em uníssono e ela pisou no acelerador com tudo, como sempre fazia. Durante uns minutos ficamos calados por estarmos sem nenhum assunto, porém Paula resolveu quebrar o silêncio assim que parou o carro no farol vermelho.

- Bia, adivinha quem está namorando!- pediu ela em tom animado enquanto me olhava pelo espelho retrovisor.

Lembrei de imediato de Carmim e assimilando os fatos, soltei um gritinho de felicidade. Alex me lançou um olhar que pela primeira vez parecia estar envergonhado pela sua situação, contudo minha empolgação era tanta que um olhar não acabaria com ela. Mais um casal de formando, o amor estar no ar!

- Não acredito que você está namorando, Alex!- comentei exalando felicidade.- Estou tão feliz, sério!

- Ela se chama Carmim e é um amor de garota! Confesso que eu gostaria mais que vocês dois se gostassem, porém fico feliz em saber que meu bebê, te superou!

Estreitei os olhos tentando entender o sentido de sua confissão. Como assim, superou? Alex percebeu que eu estava pensativo e fez um gesto para que eu lembrasse que a mãe dele falava demais.

Depois de minutos de trajeto, Paula estacionou o carro na frente do grande edifício escolar, despertando-me do meu grande de pensamentos que estavam focados em um filme que acabei assintindo ontem. Agradeci mil vezes a carona e sai do carro batendo a porta delicadamente, Alex veio logo atrás de mim para que caminhassemos lado a lado até as escadas que beiravam a entrada.

- É... desculpe pela minha mãe Bia, você sabe o jeito dela e...- estranhei seu jeito nervoso, ainda mais porque ele parecia inseguro e temeroso.

- Tá tudo bem, Alex! Sua mãe é um ícone.

- Fico mais aliviado.- riu nervoso.- Eu vou procurar a Carmin, nos vemos!

Concordei com a cabeça e ele se foi, subindo os degraus da escadinha numa pressa gigantesca e entrando no edifício. Segui retamente meu caminho, olhando atentamente para as pessoas ao redor que me olhavam de uma maneira diferente, um diferente bom. Assim que eu parei ao lado do parapeito do murro perto da entrada, deparei-me com Chiara e Celeste sentadas em cima do parapeito, numa conversa tranquila.

- Oi garotas!- acenei pra elas, comprimentando-as com beijos na bochecha.- Vocês sabem porquê as pessoas estão me olhando desse jeito?- questionei diante da atenção redobrada que eu estava recebendo.

- Você não viu a nova matéria do jornal do colégio?- Chiara perguntou indignada, deixando-me mais confusa.

- Não.- neguei e as duas se entreolharam cúmplices de algo.

- Aí meu Deus, Bia!- Chiara afirmou descrente.

- A Aillen fez uma matéria na qual entrevistava a Carmin e digamos que a Laguardia disse uma coisa ao seu respeito...- Celeste parou de falar pelos olhares da loira que a estavam fazendo rir.

- O que ela disse?- perguntei despejando que elas matassem minha curiosidade.

- Que você é uma ótima conselheira amorosa e deixou a dica para que todos que precisassem de ajuda, deveriam te pedir!- Celeste completou sua frase.

Arregalei os olhos e abri a boca num perfeito "O", tudo isso não parecia ser real. Quando que apenas algumas palavras conselheiras iriam me levar ao pedestal de uma cupido?

- Agora nosso colégio tem uma cupido, up!- Chiara desceu do parapeito batendo palminhas.- Só quero ver quanto amor você vai espalhar!

Só espero que essa história de cupido não demore muito pra passar, para que eu possa continuar minha vida de estudante normal.


Notas Finais


Hehe e aí amados o que acharam? Gostaram?
Como estão suas expectativas, hein?
Bom o capítulo deu uma boa resumida na vida da nossa cupido, e tem alguns detalhes essências para o avanço o enredo!
Como estará a vida da Boa daqui a três anos? Façam suas apostas!
Amo muito vocês e beijos de luz!


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